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SOFT MACHINE      KEVIN AYERS 

       THIRD                                JOY OF A TOY

 

sob o signo de 

In a Silent Way - 1969

 

Miles Davis - trumpet

Joe Zawinul - Hammond; electric piano

Herbie Hancock - electric piano

Chick Corea - electric piano

Wayne Shorter - soprano saxophone

John McLaughlin - electric guitar

Dave Holland - bass

Tony Williams - drums

 

 

 

 

Bitches Brew - 1969

 

Miles Davis - trumpet

Benny Maupin - bass clarinet

Wayne Shorter - soprano saxophone

John McLaughlin - electric guitar

Chick Corea - electric piano

Larry Young - electric piano

Joe Zawinul - electric piano

Dave Holland - bass

Harvey Brooks - Fender bass

Jack DeJohnette - drums

Charles Alias - drums

Joe Riley - percussion

 

WITHIN WITHOUT YOU - Todas as bandas que se lançam a partir de 1965-66, quando Bob Dylan eletrifica suas folk songs e nasce o folk-rock e The Beatles lançam Revolver, com WITHIN WITHOUT YOU, de George Harrison, cujo acompanhamento melódico é de uma sitar, dão uma no cravo e outra na fechadura, como se o cravo estivesse brigando com a chave e mostram o que são e ao que vêm indo aos confins dos universos sonoros, apresentando puro experimentalismo ao lado de canções às vezes as mais banais e com o mais apurado invólucro pop, com o estilo mais em voga a cada ocasião. Dá-se isso com The Cream como com (os novos) The Beatles, The Beach Boys e muitos outros. Um exemplo pode ser a "zappaeana" Happy Together por The Turtles na travessia de 1967 a 1971, recriada em gozação na tournée de 1970: Mothers + Just another band from LA.

Os exemplos mais extremados talvez sejam Frank Zappa com The Mothers of Invention em Freak Out (1966) e as outras quatro maravilhas que produz até sair-se em 1970 com Hot Rats, e que como se vê por gravações publicadas post-morten desde os primórdios em 1958 não estava esperando pelos outros e vai do doo-wop às raias da contemporaneidade com experimentalismos eletroacústicos os mais prospectivadores inovadores e refinados, e Jimi Hendrix, em quem música é arte de sons e não tem barreiras nem fronteiras e com seu espírito desbravador nunca se saberá onde chegaria se por exemplo sucedesse a John McLaughlin em experiências com Miles Davis. Pierre Henri com Michel Colombier em Messe Pour Le Temps Present (e Psyché Rock) também entra na panela e com ele John Cage, Terry Riley e Steve Reich, de onde alguns também retomam métodos no processo de exploração dos até Karlheinz Stockhausen e Pierre Boulez insondáveis limites do som eletroacústico. De início pretendem encantar a garotada ao mesmo tempo com canções com princípio, meio e fim de 2,5 minutos, que era como que para enganar o pato porque era o formato em que as faixas podiam ser tocadas nas paradas de rádios e TVs. 

 

Zappa nos United Sates e esses aí na cena britânica estão entre o jazz, muitas outras coisas e o rock. É o côté jazz-rock do chamado rock progressivo, cuja rapeize está de ouvido colado no que sai dos estúdios-laboratórios de música eletroacústica e concreta do Hemisfério Morte e de passagem no que sai do laboratório sonoro milesdavisiano - e há muitas sonoridades chocantes comuns em In a Silent Way e Bitches Brew (1969) e THIRD. Não é por acaso que John McLaughlin, que acaba de fundar a Mahavishnu Orchestra e incendiou muita lenha nesse caldeirão, é outra cria da cena do jovem british jazz de onde emanam também o baterista Ian Carr e Keith Tippett, que pinta e borda com uma malta de uns dez para cima a que chama Centipede (Centippett), de onde brota um certo John Surman e já deu até umas passadas nas paradas de sucesso (Wheels On Fire, Road To Cairo, Season of the Witch ) pelas mãos do organista Brian Auger & Trinity, mais tarde Julie Driscoll, Brian Auger & Trinity, de onde Julie saiu para os braços de Tippett.

Os portentosos dois primeiros LPs de Soft Machine são de rock power trio e muito mais que fusion, grandes sacadas de vanguarda, música total, em que o baterista apresenta com garbo e valentia todo o manancial de sua arte de percurtir tambores e pratos e espanar o ar com guizos. So Boot If At All, do primeiro, é o cartão de visita explosivo ou the ticket that exploded. Depois, no Third, desbundou em letra e música no poema proto-sinfônico Moon in June.

Kevin Ayers está perfeitamente integrado à comuna em One, de que é o compositor e  estrela como um relâmpago (literal) em We Did it Again, em que à distância de meio século se vê num dos mais lídimos representantes do glorioso condado de Essex na cena rock, o autor de Joy of a Toy, a vertente Gainsborough de Serge Gainsbourg: recitador e cantante, bela farra, grande rock. Ayers rock. Wyatt brilha sempre na trilogia, nos dois primeiros sobressaindo a Hopper e Ratledge, entretempo impecáveis na execução instrumental e em inspiração musical. Hopper chega no Volume Two e além do baixo intervém também com sax e flauta. Em Third junta-se ao trio, na base, Elton Dean para dar mais consistência e extensão aos timbres de saxes e flauta e os quatro estão em grande destaque. Seja que fusion for.

Como os anteriores, THIRD é um sucesso artístico inadjetivável - um disco para levar para a ilha deserta. Wyatt sai e, já entre o ceticismo às vezes cáustico e a ironia muito sutil, quase imperceptível, típica do british humour, funda com outra cambada de pesquisadores bem humorados a Matching Mole, em que prossegue com outro dos melhores exemplos da evolução da música inglesa, ponha-se-lhe a etiqueta que se quiser, sejam ou não eles músicos rock de vanguarda que se dedicam a concepções e construções musicais avançadas, com técnica muito apurada e muita sofisticação e manobrando com agilidade entre diversas correntes de música eletroacústica - pesquisa sonora, invenção. O segundo e último álbum da Mole chama-se Little Red Record e uma das faixas intitula-se In The Middle of The Day We Can Drink Our Politics Away. Very british de uma ponta a outra, por sinal.

De um depoimento colhido na world wide web:

July m921 ano atrás Third is one of the greatest rock masterpiece and probably jazz music. Most of the tracks were impressive jazz-inspired but perhaps Moon in June was the most original. One of the merits of this song is precisely this was made almost entirely by Robert Wyat. The first part of the song is dominated by his humble dadaistic persona and the second part is the perfect combination of schizophrenic jazz, rock and avant-garde. Very few songs in rock music have reached that level of fusion, maybe 21st centry schezoid man is one of those.

 

 

 trecho de   Medo atraso e rock no grotão

capítulo 3 de                                                                         

 

- Eles atingiram o âmago da linguagem sonora

 

 

You wear it well (um, dois, três) a little old fashioned but that’s all right...

Um sujeito de longos cabelos louros sobre a testa e as orelhas, camisa lilás e calças azuis claras, está placidamente sentado ao balcão. Conheço essa cara mas por nada deste mundo esperaria encontrá-lo aqui. Vou devagar até ele, faço um hi e acerto na mosca: Kevin Ayers, com quem meto conversa graças ao meu passaporte de sempre, conhecer John Peel – oh, yeah? - e ter pernoitado por duas semanas em Chelmsford. Digo de onde venho e falo-lhe da minha enorme curiosidade pela sua terra, a Inglaterra. Diz que mora já há dez anos em Londres e que se sente como um misto de Katherine Mansfield e um personagem saído de um sonho de Noa, Noa com um quê de exótico. Z de exótico, brinca Jimi abeirando-se do balcão.

Apresenta-nos a um amigo que se entretém a dar voltas com os dedos à pequena caneca de cerveja escura na sua frente, quase tão seco como nós, barbudo e com um cabelão liso até o meio das costas, Daevid Allen, seu colega de aventuras com Captain Wyatt+Soft Machine, que vive na França com o Gong. Dirijo-lhe o olhar, digo da antípoda e logo do outro lado do mundo em relação ao Brasil e noto que é o único australiano que ouvi que não tenta parecer com the Beatles or something. - OR SOMEthing - ele cola ao cumprimento. São uma comunidade. - Entre australianos e homens dos bosques? – pergunto-lhe.

- Quase. Mas no fundo somos todos britânicos. Estamos muito bem lá. Tem uns galos franceses também. Eu seria incapaz de tocar noite após noite, de teatro em teatro, e aqui ninguém se sustenta sem isso.

- Vocês têm contrato com a gravadora?

- Não. A Chant du Monde comprou os direitos de dois masters que auto-produzimos. Trabalhamos como numa cooperativa. Aqui ninguém quis comprá-los.

- Estamos indo? – pergunta Kevin a Daevid e a nós se não queremos tomar um drink no seu houseboat. Seguimos em silêncio num Morris Cooper SS até para lá de Albert Bridge. Toma-se Glenfiddish puro. São de poucas falas. Kevin é um gentleman galante.

Num grande painel de fotos pendurado na parede dá para reconhecê-lo numa série com os rapazes da Soft Machine, entre muito pessoal em volta - a primeira formação da turma.

- Eles atingiram o âmago da linguagem sonora – e bate o copo nos nossos.

Aponta para uma com Daevid Allen, quando chegaram a Londres há dez anos, e outra com a sua ‘tribo’, Gong. Jimi pede-lhe para pôr Joy of a Toy. Recusa. Ouvimos Third, da Soft Machine, pela primeira vez desde o início até Moon In June.

Qual lua! Uma bruma em outras circunstâncias sinistra. Amanhece.

O, I miss the rain, ticky-tucky-ticky... - canta Wyatt baixinho.

- Estava atento à letra, que é de tamanho da faixa. Artista está em Nova York no verão com saudade da chuva londrina... nunca pensei que isso pudesse acontecer – diz Jimi se balançando na ponte da casa ao cais enquanto saímos ouvindo a música – and I wish that I would be back home again... home again, home again...

 

 

trecho de Era uma vez a revolução 

capítulo 4 de                                             

(Lisboa, 1975)

Bananas do Malawi, zero-zero de Marrocos, Fourth, da Soft Machine, Amon Düul, Can, Magma, Brian Eno integral pós-Roxy Music com Taking Tiger Mountain (By Strategy) e Here Come The Warm Jets, Kevin Ayers, Eric Clapton de 161 Ocean Boulevard, Peter Tosh de Legalize It, de Santana Borboleta, Lou Reed em Sally Can’t Dance, Velvet Underground e, voilà, para mim quase insuportável mas estamos em democracia, Genesis e The Lamb Lies Down On Broadway e Supertramp, Crime of the Century, mais Bob Dylan Blonde on Blonde, um excelente Nat King Cole da tia, Dinner For One Please, James, e um não menos bom EP de Agostinho dos Santos, talvez a melhor voz masculina do Brasil. A noite está tão fria, chove lá fora, e esta saudade enjoada não vai embora....

trechos de  Droga Loucura e vagabundagem  

  capítulo 5 de                                                        

           (Lisboa, 1975)

         Uma tarde levamos Peter de carona até o Alto. Fuma-se um. Ivan prossegue uma partida de Go na grande mesa de mármore da sala, fico de sonorizador fazendo uma escolha de eleição entre a discoteca legal dos confrades, que inclui Paris 1919 de John Cale, Nico, Cale e Kevin Ayers ao vivo em Paris, de que sempre repito May I, do meu ex-amigo Ayers Rock’n’doçura & melodia, o primeiro solo de Phil Manzanera, ex-Roxy Music, e Rockbottom, o primeiro de Robert Wyatt após a queda de uma janela de casa em heroína que o deixou paraplégico e cuja publicidade da emergente Virgin Records acerta na veia no título-chave do projeto de livro de Jimi sobre McGuinn & Morrison: Robert Wyatt is alive and living in Rockbottom, numa página toda branca com contornos sombreados. Fuma-se o segundo. Peter pinta. Início da noite, a partida acaba, a pintura parece pronta: negra com fundo branco.

...

A Soft Machine pós-pós Robert Wyatt e pós-Elton Dean, com quem ainda gravou um Fourth audível, já vai no Fifth, agora sob o comando do baixista Hugh Hopper e do organista Mike Ratledge, os únicos remanescentes do enorme bando original, e o dito cujo é intragável.

                                                                                  

https://www.youtube.com/watch?v=WSv2gLT0jkU&list=PL8a8cutYP7fqrpWvd5wSilHCXeqBZBZTQ

                                                duplo álbum de 75:21m

                          

a base (piano elétrico, órgão, baixo elétrico, bateria) + guitarra bass clarinet  violin saxello alto sax soprano sax. É quarteto de base mas até THIRD (ou com Robert Wyatt) Soft Machine, que nasceu noneto, nunca é só a base

uma festa de timbres inusitados no universo rock - estamos em 1970 nos primórdios da (con)fusão jazz-rock, logo irão chamar a isso. 

os próprios títulos "inteligentes"

FACELIFT  18:45                                   MIKE RATLEDGE que começa com o que parece water music e quando seu órgão não entra em tergiversações viajandantes.está, como todo mundo no instrumento, em variações sobre J.S. Bach. O mesmo ocorre na faixa (no lado) de Wyatt. 

SLIGHTLY ALL THE TIME   18:10       HUGH HOPPER  embalado em 3/4 o longo tema bem urdido é exposto e "cantado" por Hopper e pelos saxes, entre variações e da capos por seis minutos até ser jogado em explorações de múltiplas veredas, entre breakes e viagens com cambiantes de 6/8 e até um 2/4 bem roqueiro que, como todo o álbum, expressam um entrosamento que, como soi dizer-se hoje em dia, está a demonstrar o prazer do quarteto & associados em vibrar juntos, aqui especialmente entre a dupla mais próxima do fogão na cozinha, Hopper e Wyatt. Mudanças de andamento e de ritmo são mato nesse longuíssima duração que após centenas de audições em 40 (!!!) anos manterá a frescura original e continuará passando clima de segunda vez.   

MOON IN JUNE                                    ROBERT WYATT

OUT-BLOODY-RAGEOUS  19:21          ELTON DEAN    o tom é como o de determinados Coltrane, Roland Kirk e Pharoah Sanders, que viajam no saxofone ao redor de vários gêneros musicais do planeta e em um ou outro ponto cavalgam pelas escalas e harmonias do norte da África ou terras do Islam, para o que aqui contribui também o órgão mais viajandante da história. Estamos também no campo da música inventiva de Terry Riley e Steve Reich. De 6/8 a 10, 11/8, é uma festa em duas partes, com abertura e fecho em clima de música eletrônica da escola europeia-americana contemporânea (como a do tema de Ratledge) e tema central out-bloody-rageously jazzístico da melhor espécie. Afro-jazz - e se não redunda o termo é redundante.

                                                                       MOON IN JUNE

 PARTES                                 découpage

  1   00 : 40

  3   01 : 00

  4   01: 46

  5   02 : 00

  6   03 : 39

  7   03: 45

  8   04 : 46

    06: 00 

10  06 : 40                   

11  07 : 00   

12  07 : 16

      08 : 50 

13  09 : 00

14  09 : 45

15  10 : 10 

16  12 : 50  

17  14 : 00  

18  15 : 40  

      19 : 05  

 

 

 

 

entra o órgão viajandante

(antes em acompanhamento)

 living can be easy here in the New York State but how I wish to be home again 

but I miss the trees

but I miss the rain

como o poeta é baterista quando lhe faltam as palavras ele não deixa o tempo (a peteca) cair e vai também de tucky-tucky-ticky

remember how whispers can tell lies

remember how whispers tell not lies

solo de órgão

riff de guitarra

finale

fitas de gravação tocadas da frente para trás e manipuladas, acelerando e desacelerando o som

MOON IN JUNE seria a mais longa canção ou canções em suíte da história se fosse uma canção ou canções em suíte com variações a partir das linhas-tema iniciais, o que também parece ser. Sintomaticamente Frank Zappa construiu uma outra peça cantada de grande extensão, Billy The Mountain, de 24m30s, lançada em 1971 no LP Just Another Band From LA, com gravações ao vivo em... L.A. Mas Billy The Mountain é como uma peça de music-hall ou vaudeville com outro espírito - uma peça de vaudeville contracultural, embora mais uma vez o objetivo principal do autor seja justamente o de satirizar a subcultura contracultural, e MOON IN JUNE seja para todos os efeitos uma canção ou suíte de canções cuja narrativa (porque afinal é disso que se trata) se prolonga por três quartos da obra, que tem dúzia e meia de partes com mudanças de ritmo e andamento e variações sobre as linhas-tema de base. O que se poderia chamar com toda a propriedade de um tour-de-force de Wyatt, não fosse ele o homem dos tours-de-force, que se reinventa a cada instante, mesmo depois de por conta de uma queda da janela ter ficado paraplégico e ter tido que reinventar a carreira pela impossibilidade de prosseguir a de baterista. Que fez diferença, lá isso fez e muita, porque se MOON IN JUNE não é uma canção ou suíte de canções e for seja lá o que for é, como as outras três faixas de THIRD, um grande (nos dois sentidos) exercício de composição nomeadamente para bateria, porque é ela que está na base e conduz a narrativa poética e musical e o homem não fez por menos. Nas pesquisas anuais de opinião dos leitores feitas pelo Melody Maker, que já deixara de ser um periódico sobretudo de divulgação de jazz mas continuava a figurar entre as mais prestigiosas publicações especializadas do gênero, Wyatt era considerado o melhor baterista inglês, e talvez como em nenhuma outra ocasião ele demonstra aqui sua incomensurável capacidade expressiva e malabarística, o harmonizador e o atleta em plena forma atlético-física ou vice-versa, em jogos de pés e mãos de arrepiar os pelos dos pês. E dos cabelos quando se pensa que três anos depois o percussionista redivividara-se mas era uma vez o exímio baterista de que a Velha Albion deveria para sempre se orgulhar. Anos 1970 e 80 e... fora continuou a ter no entanto um daqueles espíritos que podem fazer de um homem ou um baterista um artista (quase) completo.     

Soft Machine One

sob o signo de Blow Up, Michelangelo Antonioni, 1966

 

   CAPITÃO ROBERT WYATT AO SEU SERVIÇO....

Rockbottom, o primeiro de Robert Wyatt após a queda de uma janela de casa em heroína que o deixou paraplégico e cuja publicidade da emergente Virgin Records acerta na veia no título-chave do projeto de livro de Jimi sobre McGuinn & Morrison: Robert Wyatt is alive and living in Rockbottom, numa página toda branca com contornos sombreados. 

O percussionista redivividara-se mas era uma vez o exímio baterista de que a Velha Albion deveria para sempre se orgulhar. Anos 1970 e 80 e... fora continuou a ter no entanto um daqueles espíritos que podem fazer de um homem ou um baterista um artista (quase) completo.       

                                                          

   AYERS' ROCK

 

JOY OF A TOY

Os quatro primeiros álbuns de Kevin Ayers expressam bem o espírito jovial e de camaradagem do Capitão Wyatt. Ele marca presença em todos. Fez questão de incluir em seu currículo uma passagem como membro de Gong, que era como que um subsidiário francês da Soft Machine, e anos 1990 fora se continuou a sentir esse espírito de camaradagem - entretanto até já de verve política socialista - em mil e uma iniciativas musicais britânicas. O galantão Capitão Wyatt nunca perdeu a pose. Joy of a Toy, uma das quatro faixas assinadas por Ayers no primeiro Soft Machine, tem a batera de Wyatt e os teclados de Mike Ratledge (também em todas com Ayers), e é uma das mais gratas surpresas do selo Harvest (de muitas gratas surpresas e coisas também ruinzecas, como Deep Purple) em 1969.

Ayers' rock & muita doçura entre ceticismo às vezes cáustico e ironia muito sutil, quase imperceptível, típica do british humour, e em que sempre transparece algo z de exótico, talvez pela voz de baixo encorpada e suave. E vez ou outra até humor escrachado - enfim, after all we´re british all the same... ou como se de uma ponta a outra do mundo nada mude, porque afinal somos todos britânicos. Mas o gentleman galante se exercita-se também no sarcasmo, embora também quase por subentendidos, muito sutil. De repente entra um fagote (Lol Coxhill) e preenche as medidas sugestivas do clima da canção, dando o toque preciso e exato do tom do discurso discreto, camerístico, prenhe de melancolia. Com sobriedade, delicadeza, sutileza e em muitos trechos até uma leveza de superfície lunar. Ayers' rock são baladas eletroacústicas de amplos espaços instrumentais, e não por acaso de sua banda Whole World (onde não deu para encher o saco) sai para todo o mundo Mike Oldfield e suas (inefáveis) Tubular Bells. De Whole Wide World, Wild, Wilde, Why, wow, sai Shooting at the Moon, 1970. (Bridget St. John é outro capítulo desta história que serpenteia no espaço geográfico e nas prestações de um pequeno exército - passe o termo -em estória sem fim, Soft, Ayers, Gong, Caravan, oo-la-la...).

O compositor de One faz de Joy of a Toy, Continued, Kevin Ayers + Soft Machine, disco extra da Soft Machine, que desvia para a sua lavra de canções, primorosa, lavrada com carinho e virtuosismo pelo trio mais o auxílio luxuoso de Paul Buckmaster, que em um ano estará moldando o som Elton John (que não por acaso tirou o nome de Elton Dean e se vamos por aí onde se irá parar) e inaugurando uma senda na orquestração do soft rock ou o q se lhe assemelhe.

https://www.youtube.com/watch?v=J2DBuVUm8VY&t=1718s

- Eles atingiram o âmago da linguagem sonora

com Kevin Ayers que, com o apoio dos consortes, prosseguiu na mesma senda em 

SHOOTING AT THE MOON (1971)  com Whole World - David Bedford, Lol Coxhill  - o saxofonista e clarinetista que, numa pior ou melhor, encantou Joni Mitchell "tocando tão bem de graça" (For Free, em Ladies of the Canyon) no saguão de terminal de um aeroporto americano -, Mike Oldfield e Mick Fincher + Wyatt e Ratledge.

https://www.youtube.com/watch?v=5RychGY51Lk

https://www.youtube.com/watch?v=pxQ3UhS37-Y&t=300s

WHATEVERSHEBRINGSWESING (1972) com Whole World + Wyatt e Ratledge

BANANAMOUR (1973) com Archie Leggett (ex-Matching Mole) + Wyatt e Ratledge

https://www.youtube.com/watch?v=TDG8FUNelqY (falta Shouting in a Bucket Blues)

Em outro disco memorável partilhado com John Cale, Nico e Brian Eno gravado ao vivo em Paris o gentleman galante dá de barato versão bilingue de uma balada singela com uma levada de tapete mágico, May I

https://www.youtube.com/watch?v=cmK5AHR3R7w&t=616s

 

Puis-je

j´étais perdu dans la rue 

fatigué et mal au cou

j'ai vu un petit café

avec une fille dedans

et je le disais

puis-je 

m'assoir auprès de toi

pour te regarder

j'aimerais bien 

la compagnie de ton sourire

 

 

 

À imagem do futuro Centipede, o power trio Soft Machine performa no mínimo um noneto de uma ponta à outra do Império em aparições ou desaparições conjuntas na Velha Albion e do outro lado do canal da Mancha, que inclui um bando de jovens músicos igualmente siderais e afins, apesar de talvez também de outras galáxias, de alto talento e capacidade técnica, ideias, música e letra, da ilha-ela-mesma ou das ilhas distantes como o neozelandês Ayers e o australiano Daevid Allen, que finca estacas na França onde funda ao mesmo tempo uma comunidade pluridiversa, como diria William James, e multinacional, também e acima de tudo banda de rock, GongCamembert Électrique.

https://www.youtube.com/watch?v=Z8c-Nl_r9Zs

De natureza muito parecida mas estética menos bombástica, se é que me entendem, o baterista Pye Hastings faz das suas (boas) com Caravan, que cometeria a proeza de dar a seu segundo (ótimo) LP título quilométrico como sua fibra criadora, If ICould Do It All Over Again I'd Do It All Over You. De 1970. Veja-se como entre primos distantes, pelo invólucro, ainda assim se acha analogias:

Caravan 1st

carnack538 meses atrás

Boy, Pye Hastings sure can sound like Robert Wyatt sometimes...

https://www.youtube.com/watch?v=Zwsb5kaLh00&t=26s

https://www.youtube.com/watch?v=HiTrh2D-6BM&t=869s

 

Outro monumento instrumental da temporada é o noneto Colosseum do baterista Jon Hiseman que com o vocalista ChrisFarlowe detona a bomba em duplo LP ao vivo em que dão os tubos nomeadamente em faixa vulcânica chamada Rope Ladder To The Moon

https://www.youtube.com/watch?v=joujh2jLL1A

 

 

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