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.so listen to the rhythm of the gentle bossa nova
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Tyrannosaurus Rex ......... ......... narrativas de rock estrada e assuntos ligados........

it's like visiting the elves and getting stoned with them...cool


...........................................................................................................This album helps me with Physics. I love it!!!

My people were fair and had sky in their hair.., ...1968 ....,,,...https://www.youtube.com/watch?v=qBF-c9d901o

BEAT 2020 e Tyrannousaurus Rex é uma das grandes novidades do final dos anos 1960, uma das maiores novas daquela época porque mantém-se fresca como quando brotou da fonte com produção de Tony Visconti pelo conhecimento profundo e transparente de Marc Bolan do rock´n´roll básico. Sua música é introspectiva e experimental de maneira perene (tão original como era há 50 anos), porque esse conhecimento traduz uma verdade espontânea.

BEAT 2020 and Tyrannousaurus Rex is big news coming from the end of the1960´s, one of the greatest novelties out of the period because it sounds as up-to-date and as cool as at the time it was produced by Tony Visconti due to Marc Bolan´s deep and transparent knowledgement and practice of basic rock´n´roll. His music sounds introspective and experimental & perennial (50 years later it´s as original as ever), because that knowledgement translates an spontaneous truth.

Tyrannosaurus Rex Prophets Seers and Sages The Angel of the Ages... 1968,,, https://www.youtube.com/watch?v=XeJerbJGbjM

Tyrannosaurus rex she was born to be my unicorn ...1969.....https://www.youtube.com/watch?v=c5OKlezNNmA&list=PLziJUzPh4jDU3sqdo9J7oIxBfo1su-G9H

. Steve Peregrine-Took

Tyrannosaurus Rex A Beard of Stars,,,,1970,,,,https://www.youtube.com/watch?v=FLktY673z14&list=PLVTsf1XlOneXtkpse9Bp7qx1tNbGgLpKG

Groovy Guru 1 ano atrás

Mia Papoplanes

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My people were fair and had sky in their hair... But now they are content to wear stars on their brows
illustration by George Underwood, based on Gustave Doré's illustrations of Dante's Inferno
featured disc jockey John Peel, who read a children's story written by Bolan for the album's closing track, "Frowning Atahuallpa (My Inca Love)"

Marc Bolan TV documentary. Dandy in the Underworld. 1997.

On the 20th anniversary of his tragic death, Ch 4 TV (UK) September 1997 made this documentary https://www.youtube.com/watch?v=3SPsWxi9HF8

 

Tyrannosaurus Rex em
..................................................................................................................................................http://revoluciomnibus.com/EraUmaVezApresentacao.htm

UMA HISTÓRIA DO ROCK
de um de seus mananciais  - bluesrock: Londres – Inglaterra
James Anhanguera

capítulo 1
Por dentro e por fora em Londres
Inglaterra, Lisboa e Vilar de Mouros, 1970-71

 

Rumo   a   Sunderland   &    Northumberland

Telefono a Peel, que está subindo para Sunderland com Marc Bolan – do you know him, don’t ya? –, e pergunta se não estou disposto a ir, havendo lugar no carro.
- Sunderland?! Where’s that?!
- A sul de Newcastle, sobre o mar, na região de Tyne e Wear.
Fog on the Tyne... fantástico! – lembro-me da brincadeira de Jimi, a bem pensar só uma dúzia de semanas atrás no Rio, estranha é a obra do acaso. Hesito ao pensar no dinheiro curto:
- Tenho ingresso garantido? Onde nos encontramos e a que horas?
– Aqui em casa amanhã às 10, são 250 milhas, oito horas para chegar lá devagar, porque Marc deve estar em forma para a sua performance. Comeremos alguma coisa na estrada.
Não há lugar para dois mas Jimi, que quase endoida por ficar em Londres lavando prata enquanto me delicio com o que classifica de uma verdadeira expedição ao norte, também não poderia ausentar-se por dois dias, porque perderia o emprego tão perto de casa.
Longa estirada por toda Inglaterra até quase à Escócia a partir da Motorway 1, muito tempo para ouvir o ‘papa’ da cena inglesa. A propósito dos oito anos de luta de Marc Bolan por um lugar ao sol fazendo a música que faz, Peel discorre sobre o seu ceticismo em relação ao underground:
- Dois ou três anos atrás as pessoas iam assistir bandas de que nunca tinham ouvido falar. Isto parece muito revolucionário, não? Talvez os meus ouvintes e leitores mais velhos ainda se lembrem desses dias anárquicos em que as plateias aplaudiam atuações e não reputações. É até bom que as bandas mais conhecidas estejam cobrando tanto pelos seus serviços, porque muita gente sem dinheiro vê-se obrigada a trocá-las por outras e isso poderá pôr fim à atual onda de estagnação da cena.
- Mas aqui não houve a bem dizer uma contestação política, como nos EUA, que ao que se diz gerou-se do medo dos jovens de irem para a guerra.
- Mas havia um clima que poderia levar a algum lugar além da luta dos partidos políticos e dos sindicatos. Como, não sei, porque por aqui nunca houve movimentos espontâneos, dissociados de uma corporação. Seja como for, na nossa Bretanha o modo tradicional de lidar com a discordância é o de tolerá-la até a morte (o que explica muita coisa em relação à maneira de ser dos ingleses). Esta tática, a par com uma sub-reptícia campanha de feroz apoquentação, deverá mais uma vez dar frutos e fazer do Underground apenas mais uma etiqueta comercial. No início um pequeno grupo quis criar uma espécie de sociedade alternativa não-egoísta. Na verdade sempre houve um underground. Os primeiros cristãos, por exemplo, difundiram sua mensagem de alegria e amor enquanto sofriam uma violenta perseguição. Com o tempo foram desenvolvendo estruturas e preconceitos que fizeram da igreja uma das instituições menos religiosas do mundo. Cristo teria permissão de entrar na Capela Sistina com o cabelo tão comprido? Quanto amor e alegria emanam de Ian Paisley? O progressivo desvirtuamento do movimento de ocupação dos prédios abandonados do centro de Londres (squatting), que revela insensibilidade, falta de miolos e egocentrismo, é um bom exemplo. Em pouco tempo passou a ser guiado por gente que não tem o que fazer e que no primeiro momento de perigo telefona ao papai ou à mamãe pedindo socorro e faria melhor se pensasse a sério naqueles que nunca tiveram oportunidade de drop-in (inserir-se), quanto mais de drop-out (abandonar o Sistema). Exemplos como esse e outras situações paralelas mostram que a melhor maneira de agir será por meios individuais ou de pequenos grupos trabalhando numa espécie de esquema de guerrilha. Os inimigos não são o dinheiro, o Estado ou os mass media, porque os seus males estão bem à vista. Os inimigos são de ordem interna - o egoísmo, a preguiça, a falta de sinceridade e a aparente inevitabilidade de estruturar. Elege-se um representante e logo começa a decadência. E assim é também na música. Os indivíduos, postos na roda viva dos mecanismos da indústria parasita, veem-se cercados e prensados contra a parede por toda a sorte de jogos de interesse e, se não renunciam à causa, deixam ao menos de pô-la na frente de tudo o resto.
Quem nos guia é a mulher de Bolan, Junechild, que pilota por estradas sonolentas enquanto Marc e John leem Marvel Comics e não desprego os olhos da paisagem. Comemos rubbish em restaurantes de beira de estrada. A viagem decorre sem incidentes. Tommy Vance debita What’s New, que conheci há pouco tempo através de Maria Bethânia, e o entusiasmo cresce quando entra Joe Cocker em Delta Lady. Passamos pelo descampado de Yorkshire, de gloriosa e sanguinolenta fama na guerra pela possessão do território entre saxões, normandos e vikings e depois entre brits e scots, quando se ouve Juicy Lucy. O rádio está sintonizado no canal de televisão da BBC e todos reagem como se o Liverpool tivesse feito um gol, mais pela surpresa de ouvir algo do gênero na TV do que pela música em si.
- Será que nos enganamos de emissora?! – admiram-se os convivas, cujo entusiasmo faz com que a música passe quase despercebida. A surpresa leva John a falar sobre a relação dos meios de comunicação de massa ingleses com a música do seu país:
- Se formos olhar para o lado econômico de tudo isso, todos esses grupos trazem ao país uma pá de grana que depois é gasta de todas as formas estúpidas e assassinas em que os governos costumam usar o dinheiro, mas não têm o mínimo apoio da mídia. Ninguém é profeta na própria terra...
Até aqui, penso. Lembro-me a propósito das cartas enviadas para os semanários de música dos lugares mais recônditos e inesperados e falo-lhe da do Perera de Sri Lanka. Ele pede-me para procurar na sua pasta uma que recebeu há dias de Praga, que pego e leio em voz alta, enquanto o pessoal ri com o inglês capenga:


I wanted ask you if you would be interested in visit of three the Prague beat festival in March. Well in the case the things are going O.K. till then. Sorry ‘bout  my typing. I have to admit they are getting worse till now as you probably see in your papers, in the case you read them. I better stop now. It makes no difference now as we are not allowed travel anyway. Please if you or any of your friends get any of U.S. valuable records, even older. Send them over here just for few fans in little club.

Eu queria saber se estaria interessado em visita de três o festival beat de Praga em março. Bem caso as coisas estejam indo O.K. até lá. Desculpe a datilografia. Tenho de admitir que eles estão piorando até agora como talvez você veja nos vossos jornais, caso os leia. Melhor ficar por aqui. Não faz nenhuma diferença agora porque não temos autorização viajar. Se você ou um amigo conseguir algum disco valioso americano, mesmo antiquado. Mande para cá só para alguns fãs em pequeno clube.

- Mais uma prova de que a boa música tornou-se mais importante como fator de ligação entre os povos do que a mídia imagina – comenta John.
- E a música de qualidade dá mais dinheiro, talvez, do que o pop comercial, que só vende muitos compactos e, vá, alguns LPs, mas de repente não rende tanto dinheiro como o das turnês que as melhores bandas fazem por toda a Europa e os EUA – arremata Bolan.
- Certa vez Steve Ellis, do Love Affair, escreveu que eu era musicalmente intolerante, o que me deixou muito entristecido, porque o que procuro criar é precisamente um clima de tolerância musical.
- E de fato você parece ter um gosto bastante eclético.
- Só não toco certos hits que até acho bastante bons porque os outros já o fazem e não há tempo, num programa de apenas duas horas por semana. Infelizmente muitas pessoas erram o alvo e acham que tudo deve ser progressive, o que quer que isso seja – meros artifícios para dar respeitabilidade à música rock, que ela não quer nem precisa, com casamentos arranjados com o jazz, o clássico e outras coisas. Deep Purple In Concert com a Royal Phillarmonic Orchestra – que necessidade há disso?! Não é por acaso que Ian Gillan está também nessa produção de Jesus Christ Supestar, a rock-opera de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice. Pior ainda são os exageros que se comete com essa nova mania do moog synthesiser. Led Zeppelin, por exemplo, sabe usá-lo na dose certa. Não estou seguro de se o LP Five Live Yardbirds ainda está no mercado – é provável que não. Mas é um autêntico tratado. Foi gravado ao vivo no Marquee. Muito mal gravado por sinal. Mas a atmosfera é tão boa! Prefiro mil vezes um disco ruidoso e tosco que todo um balcão de bar lotado de truques de estúdio antissépticos e polidos.
Charnecas acima em planícies a perder de vista, aqui e ali uma floresta, longos trechos de centros fabris, em geral sem árvores, com vegetação rasteira de musgo e grama. Quase tudo muito inóspito, longe do famoso countryside dos filmes, que deve ficar no sul.
Peel lembra-se de Nothin’ Shakin’ de Eddie Fontaine e Bolan ataca uma versão a capella. Diz que depois de Sunderland vai para um festival em Bellingham e pergunta-nos se não queremos ir.
- Eu não posso, como te falei vou tentar conseguir uma carona com algum colega lá em cima, por que você não vai? – rebate Peel e olha para mim.
- Meu único problema é que tenho pouco dinheiro.
- Não é problema. Dorme no carro – convida Bolan.
– Você tem um saco-cama, pode perfeitamente dormir aqui, não?
Nem sei onde fica Bellingham. Em Northumberland... Nortúmbria... Pego no Baedeker, um dos bons investimentos que fiz com o dinheiro da venda da passagem, numa rara edição inglesa que tem trechos sobre a história de cada lugar. No sétimo século, sob a liderança dos condes Edwin, Oswald e Oswy, a região proclamou sua autoridade sobre todos os anglo-saxões, dando início ao processo de unificação política da ilha.
Chegamos a Sunderland, estância balnear sobre o Mar do Norte. O local do show, o Locarno, é chamado pela população de Fill-i-more North, em referência aos famosos Fillmore East e West dos EUA, porque também é um antigo salão de baile com uma atmosfera surreal. Ao seu redor há um jardim com palmeiras de cimento, que segundo Peel foram recentemente ‘alvo’ de Roger Chapman, vocalista dos Family, que já devia estar bem tantã.
- O Nordeste é uma das melhores regiões do país. O pessoal por aqui é tão simpático e amável. Nunca vi tantas damas assombrosas num só lugar. Qual sul de Espanha! O lugar para passar férias é Sunderland! - entusiasma-se ao sermos recebidos por uma relações públicas da produção, sem sombra de dúvida uma dessas wondrous ladies de que fala.
Marc precisa encontrar o seu parceiro, que veio de Londres na véspera com a equipe da estrada, e afasta-se rindo e abanando a cabeça abraçado a Junechild.
O primeiro grupo a tocar chama-se Stone the Crows, banda escocesa de que nunca ouvi falar, e que quase me deixa louco sobretudo por causa da sua vocalista, Maggie Bell, uma espécie de Joe Cocker de saias abaixo do joelho e botas. Penso estar ouvindo a melhor cantora de bluesrock do mundo. Faz lembrar Janis Joplin mas demonstra ter muito mais controle da sua possante voz que a rainha do Texas, que à quarta ou quinta música de Cheap Thrills, do Big Brother and the Holding Company, parece uma máquina de cortar aço.

Após o choque Tyrannosaurus Rex esfria o ambiente quase ao ponto do congelamento, porque sua música pouco ou nada tem a ver com a vibração do bluesrock elétrico e eletrizante, impelindo a sonhos de ambientes diáfanos e etéreos com uma atmosfera que nos transporta aos primórdios de Eddie Fontaine, sim, Buddy Holly, Gene Vincent e Eddie Cochran. Surpreendo-me ao ver Bolan/Ariel, como o idealizo, empunhando uma Fender Stratocaster, porque o clima das longas horas de viagem me fez imaginá-lo um Donovan ou um Caetano Veloso que em pleno palco tiraria da caixa o violão e daria um recital de baladas impressionistas ou surreais. Sua música está a meio caminho entre o rock’n’roll e a balada, e só ele com um outro anjo caído sentado no chão em frente a um par de bongôs marroquinos e uma caixa de onde tira guizos e sinetas não poderiam fazer a sala fervilhar como no set do Stone. Mas apesar de não pretender ser nenhum Eric Clapton, Marc/Ariel faz soar uma porrada de coisas interessantes e originais nos seus solos de guitarra. Micky Finn, por seu turno, parece mal na própria pele no acompanhamento. O set me faz lembrar Sally Robinson e seus big brass and back e madrigais, com um grande encantamento, e desilude. Parece ter sido pensado justamente para trazer o público do frenesi a um clima mais consentâneo com a música do Pink Floyd, que no entanto faz os meus ouvidos estalar pela diferença de decibéis e ao décimo compasso da sua atuação me sinto transportado de Sunderland - em quadrantes nórdicos inimagináveis por toda minha vida – a Urano. Cada música, alucinatória, soa como um risco de vida - Interstellar Overdrive projeta a minha dose de ecstasy a um nível excessivamente perigoso. São três da manhã quando, após quase morrer de frio a fumar um joint de hash atrás de uma sebe, olhando para as palmeiras de pedra e pensando que teria de fazer um esforço dos diachos para me sentir no Posto 8 de Ipanema, reencontro Marc e Junechild para seguir até Bellingham, em Northumberland, a uns 80 km daqui.

Tyrannosaurus Rex & Macbeth


Quem diria, eu aqui com um quase desconhecido e encaracoladíssimo jovem cantautor que conheci em sessões obscuras, à noite, à luz de velas, para dar-lhes um ambiente mais surrealista, com Jimi e Solemar, ouvindo dois discos que encomendamos a Lu Silveira pela enorme curiosidade que a insistência de Peel em falar dele nos despertou. Por nada deste mundo me passaria pela cabeça estar no banco traseiro do carro do futuro precursor do chamado cosmic rock e, pior, da glitter music do inefável Gary Glitter. Sempre pensei, até pelos longuíssimos títulos dos seus primeiros discos, com Steve Peregrine-Took no lugar de Finn, que ele sequer sonhasse com sucesso de vendas - My People Were Fair and Had Sky In Their Hair, But Now They’re Content To Wear Stars On Their BrowsProphets, Seers and Sages - The Angels of Ages(She Was Born To Be My) Unicorn. Está em turnê de lançamento de A Beard of Stars, gravado com Finn.
Conto-lhe baixinho as minhas impressões e rindo ele me fala da reação de Hendrix nos bastidores do programa da BBC Ready, Steady, Go
- Hey, man, you’ve got a funny voice!
Só engraçada?

A caminho de Bellingham passamos pelos arrabaldes de Newcastle através da região entre as bacias do Tyne e do Wear, um dos berços da indústria moderna, a massa amedrontadora de galpões imensos do que resta das primeiras fábricas e chaminés do planeta a olhar do outro lado, antes de entrarmos na mítica Northumberland, território macbethiano, como dissera Peel de brincadeira. Mas não se vê nem bruma sobre o Tyne...

Atravessamos Northumberland antes do amanhecer, o ambiente perfeito para um filme de mistério e terror. Olmos negros parecem avançar sobre nós à medida que o casario desaparece e começa-se a ver uma ou outra pequena casa isolada como que saída da história da Branca de Neve, com paredes caiadas e sólidas portas e janelas em estilo rústico, sobre a estrada estreita e sem sinalização. Numa colina de um dos lados vê-se as ruínas de um velho castelo em cujas imediações as três weird sisters, as estranhas feiticeiras consultoras do rei, que poderiam muito bem continuar morando ali perto numa gruta, estariam preparando a poção em que fervem os condimentos de uma tragédia sem fim, como sussurra Marc quando falo do alto poder sugestivo da longa brincadeira de Peel em torno das mil e uma peças de Ol’ Will Shakes, como o chamava. Bruxas velhas voando baixo em longas, obscenas e borbulhantes cerimônias, quase também o universo das viagens bolanianas, não fosse ele só mirar entes do bem.

Marc quer dar uma olhada no local do festival onde irá tocar de noite antes de voltar para dormir num hotel por que passamos, à saída de Bellingham. Pensando na voz metálica que entoa melopeias repetitivas e turvas, mais as bizarras letras do bardo que me guia, dou por mim inesperadamente em estado próximo ao terror e, no regresso, quando me vejo sozinho estirado no banco traseiro do Range Rover, penso na estória de ódio, vingança e muito sangue de Shakespeare a que Peel se referiu em detalhe na véspera, entre risadas, sugerindo a possibilidade de scots e brits poderem de novo engalfinhar-se em lutas terríveis como as que viveram em boa parte da história, com emboscadas e chacinas do escurecer à aurora.

Para espantar fantasmas e ver se durmo abro o mapa do Baedeker. Estamos num parque nacional na fronteira com a Escócia, a noroeste das terras de Humber e a dois passos de Fife, num baixio próximo à cadeia dos Cheviot. Cenário de guerras constantes por centenas de anos.
O estado entre o encantamento e o pânico não irá me abandonar até a madrugada seguinte, quando entro no Rover para um dia de viagem de Bellingham a Londres em que eu e Marc passamos quase todo o tempo dormindo guiados por Junechild, que quando não está ao volante deve dormir o tempo todo, porque não a vi desde que chegamos a Bellingham.

Brancas de Neve, louras, ruivas ou de longos cabelos negros e uns poucos milhares de gnomos e duendes, freaks, um filme absurdo, entre o maravilhante e o aterrador, sobretudo no site do festival, que começou na véspera, cercado por tapumes na orla de uma floresta de urze e olmos cujas manchas negras, entre músicos e roadies de longos cabelos e barbas, vestidos com roupas cada qual mais bizarra, me transportam a um passado remoto de que acordo para mirabolantes viagens eletrônicas ao som de ‘grupos nunca vistos’ nem ouvidos, a começar por Blosson Toes, que faz uma espécie de rhythm and blues bem tosco sob a impecável direção do guitarrista Jim Creegan. Estou no bar após o concerto, comendo um gorduroso sanduiche de carneiro com a boca ardendo por causa do estranho molho de mostarda com pickles com que estragaram o pernil quando se aproxima um cara com ar de mendigo suando em bica, ninguém menos que o próprio guitarrista dos Toes, que pede uma Guiness e um gin puro (!) e que ao pôr os olhos em mim me pergunta:
– Você não é inglês nem escocês, pois não?
Arregala muito os olhos ao saber de onde venho, bate no meu ombro e agradece o cumprimento pela ‘excellent gig’.
- Mas Blosson Toes (Dedos dos Pés, Biqueiras de Sapatos Florescentes) -, o que quer dizer? – engato súbito em sequência.
- Nada de especial – responde quase em sussurro.
– Estávamos procurando um nome sem achar nada que prestasse até que certa vez um tipo do management office acordou, disse ‘Blosson Toes’ e voltou a dormir. Achamos ótimo e assim ficou.
Dá uma golada no gin e manda o que sobrou para o copo onde verteu parte da Guiness (!!!) e diz que acabo de ver sua última atuação com a banda, porque acaba de ser contratado para tocar com Family, de Roger Chapman. É a minha vez de arregalar os olhos.
Estamos quase ao lado do palco onde agora atua Chicken Shack, protagonista de um extraordinário sucesso meses atrás com o blues I’d Rather Go Blind, cantado pela mulher do baterista e fundador do Fleetwood Mac, John McVie. Christine Perfect acaba de deixar a banda, que voltou a ser liderada pelo guitarrista Stan Webb, que também atua como vocalista e está à frente de mais uma das inúmeras impagáveis bandas de blues britânicas. Só lamento não ouvir de novo o seu maior sucesso pela voz de Perfect McVie.
O que vem a seguir insere-se no capítulo dos momentos inenarráveis. Um trio chamado Edgar Broughton Band, com o meu homônimo na lead guitar e em vocais de arrepiar defunto e seu irmão Steve na bateria, mais um baixista. Creegan, que se mantém ao meu lado se ‘refrescando’, apesar de esta ser a noite mais fria de minha vida, ri às bandeiras despregadas enquanto aos urros, no meio de uma trovoada constante e ensurdecedora, Edgar Broughton lança o que parece ser uma sucessão de palavras de ordem políticas, e quase não se aguenta em pé quando o ‘cantor’ esbraveja: American army, wait till the Russians get hold of you!!!! – entre um tonitruar de guitarra, baixo, pratos e tambores de jogar os olmos por terra.
Quem já não se aguenta em pé sou eu, e sentado no chão encostado ao balcão do bar dormito quando não sou acordado pelo estrondo do grupo seguinte, Blodwyn Pig. Creegan já se foi quando me levanto e faço um esforço tremendo para não dormir enquanto Marc e Micky oferecem um esplêndido show, se comparado ao da véspera, talvez porque as dimensões do palco de madeira, bem mais exíguas do que as do Fill-i-more de Sunderland, se afeiçoem mais ao seu estilo de música, entre o rock’n’roll mais puro e sereno e a melopeia algo tântrico-madrigalista que é a imagem de marca do T. (ops!) Rex. Muita gente não ficou até o final, quase às três da manhã. Junto-me a Junechild no carro para, no banco traseiro, passar do sonho encantatório e/ou terrível de um dia de meio-Verão ao sono profundo, entre duas paradas até Londres.

 

John Peel

press-release

Tyrannousaurs Rex: Marc Bolan .....Steve Peregrine-Took

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Tyrannousaurs Rex: Marc Bolan .....Mickey Finn

e é quando o inventor do rock´n´roll com bongôs que soa como uma fusão de madrigal com música marroquina goes electric e ele estoura como o glam rock pioneer com Roxy Music (Bryan Ferry e Brian Eno) e David Bowie, guarda caso com o mesmo produtor, Tony Visconti

the rock´n´roll with bongos that seems a cross between madrigal and moroccoan music goes electric and he turns to be the glam rock pioneer alongside Roxy Music (Bryan Ferry e Brian Eno) and David Bowie, guarda caso with the same producer, Tony Visconti

nasce a lenda do T.Rex - outro capítulo da estória

T.Rex´s legend is born - another chapter of the story



 

Tyrannousaurus Rex

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