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have you ever been down to electric ladyland?

            electric ladyland   40 anos do último disco da trilogia básica de jimi hendrix

 

 

 

 

 

 

 

 

   

electric ladyland   

And The Gods Made Love   

Crosstown Traffic                   

Voodoo Chile

Have You Ever Been (To Electric Ladyland)

All Along The Watchtower   

The Burning Of The Midnight Lamp

Moon, Turn The Tides...

JIMI HENDRIX EXPERIENCE

MÚSICOS CONVIDADOS: STEVE WINWOOD, CHRIS WOOD, JACK CASADY E BUDDY MILES

Come On (Part 1)

House Burning Down

Gipsy Eyes

Little Miss Strange

Rainy Day, Dream Away

1983... (A Merman I Should Turn To Be)

Voodoo Chile (Slight Return)

 

 

ciberzine  & narrativas de james anhanguera

have you ever been down to electric ladyland?

40 anos do último disco da trilogia básica de jimi hendrix

 

 

A sirene (o sereio, the merman em que deveria estar transformado em 1983...), o mutante que fundou a nova era sônica, a música de qualquer futuro.

Niccolò Paganini da guitarra elétrica.

Não são muitos os músicos que formatam estilos de lei em seus instrumentos. E são muito poucos os que formatam seus instrumentos, como Hendrix, Paganini e os maiores mestres do jazz.

  Introduzione  e Variazioni su God Save The Queen  Opus 9 Paganini per Salvatore Accardo

Desconstroi e estraçalha. Tira o violino da arte de tocar só bem bello e bem comportada dos concerti grossi e das Accademie quando lhe dá na veneta angelicósmica ou diatribólica explorando o instrumento em todos os espectros de exploração possíveis

arpejo, pizzicato, ostinatos tridimensonância em desacordes distorcidos ampliando o léxico e mais a mais coisas imprevisíveis como os póshendrixianos Jean Luc Ponty e Didier Lockwood que só fizeram ligá-lo à tomada e detonar pós  jimi hendrix, Buddy Guy, B.B. King os caras das guitarras cantoras do South Side chicagoano ou afins

Robert Johnson   Sonny Boy Williamson    Howlin' Wolf

Muddy Waters            Buddy Guy          Bo Diddley

O acaso posiciona a santíssima trinca

Muddy Waters           Buddy Guy         Bo Diddley

lado

a lado

REZA A LENDA que Muddy Waters eletrificou os blues do South Side Chicago. Eis o criador de TUDO

a rolling stone gathers no moss

Muddy Waters

Muddy Waters - preceito que na prática os Rolling Stones seguiram à risca, sobretudo entre Get Your Ya-Yas Out e Exile on Main Street, com a graça e o vigor do novato Mick Taylor, uma das maiores aquisições da história do futebol bretão, oriundo da John Mayall´s Bluebreakers, berçário de parte do crème de la crème. Country blues, Exile on Main Street, sintomaticamente gravado em Kingston, Jamaica, não plantation de algodão mas de cana e cannabis, ganja. Exile on Main Street: The Rolling Stones Mick Jagger, Keith Richards, Mick Taylor, Bill Wyman e Charlie Watts + Jim Price (trompete) e Bobby Keys (sax).

O jovem preto pobre de Seattle q se exercitara desde a infância nos blues de Chicago seguiu a passada, Muddy Waters, Bo Diddley e seus funny looks, Buddy Guy e o mais, paralela ao estouro de Chuck Berry de meados para final da década de 1950 e responsável por TUDO.

Variazioni su God Save The Queen: Paganini Hendrix

Paganini tirou o violino de seu sossego concertístico para outras viagens exploratórias. Por definição a guitarra elétrica é o instrumento do desassossego e de Charlie Christian aos bluesmen de Memphis e Chicago, Wes Montgomery e yes Hank Marvin e os parceiros de Hendrix na Swinging London nenhum estilista lhe deu sossego também. Hendrix vai além no approach musical, quase sempre voltado para a prospecção experimentália.

um Paganini?! Paganone... porque não sendo como é natural o único estilista pioneiro, também abre seu esleque para uma nova gramática sonora, explorando o instrumento como orquestrador de transes pluridimensionais.

em 1969 jimi hendrix se põe a explorar Star Spangled Banner

Paganini desconstrói e estraçalha enquanto exalta e exulta o hino do Império. MAESTOSO - Sonata Sentimental. hendrix desconstroi e estraçalha o hino do Império sob barra pesada da guerra do Vietnã e notícias de bombardeios de napalm e em alvos militares atingindo civis em Hanói. Missa Pagã em Tempo de Guerra.

em Isle of Wight 1970 cola God Save The Queen a Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

Salvatore Accardo, revelado na gloriosa Nápoles pouco mais de um século depois, fu il primo al mondo a (aver il coraggio di) eseguire il sesto concerto per violino e orchestra paganiniano, oriundo da Genova.

Paralelo, universos paralelos.

Os dedos de Accardo só podem estar sendo movidos por Woland, o diabo em pessoa do maestro e Margarida que baixa em Moscou para fazer o diabo, não por acaso mais o seu inseparável Berlioz, fidelio inseparável de Niccolò em Paris, onde multidões de cultores se estendiam no seu seguito.

Sabe-se quanto esses acordes e sonoridades, enfim, são obra do demônio revelador das outras faces dos deuses.

Diceva il Corriere della Sera del 27 ottobre 1982 che Paganini fu il compositore violonista del diavolo e o retrato falado de divinità e demonismo della musica nella cultura romantica, per il quale i tedeschi coniarono addirittura l´aggettivo composto di infernal-divino.

Coisas de arrepiar de parte a parte e subito o angielical Jiminini, outro medium, compunha a imagem do selvagem do rock.

 

hendrix ouviu Introduzione  e Variazioni su God Save The Queen  Opus 9 di Paganini ou foi só mais um acaso como o do lance de dados que jamais o abolirá?

de todo modo variações sobre hinos nacionais iam de moda na época como modo de lídimos compositores prestarem tributos a anfitriões. mas NICCOLÒ PAGANINI em MAESTOSO é quase antihímnico e a hendrixiana estará para Apocalipse Now de Francis Ford Coppola como After Many a Summer Dies a Swan de Aldous Huxley para Citizen Kane de Orson Welles: uma tremenda sugesta. 

dois virtuosi e performers, dois cisnes negros por fora e por dentro em que os instrumentos canoros são extensão do corpo e vice-versa em vertigens cósmicas abissais.

particolarmente glorioso il periodo italiano compreso fra Corelli e Paganini quando Lizst era il concertista più applaudito d'Europa insieme con Paganini

 

cisnes negros por fora e por dentro em que os instrumentos canoros são extensão do corpo e vice-versa em vertigens cósmicas abissais. As diatribes do violino no Concerto para Violino e Orquestra N° 6 de Paganini são Jimi Hendrix puro e duro.

Puro e duro e mais analogias entre gênios univitelinos: ambos amados e reverenciados nas coortes que os conheceram, fora de Franz Lizst para Niccolò Paganini - Gêmeos: Paganini é também precursor de James Marshall Hendrix, como virtuose da então recém-nascida guitarra, o nosso violão, para que transplantou técnicas violinísticas, cunhando nome e instrumento.

udite! udite! paganini ressuscitò

a woodstock è un angelo cafuzo che distorce  l'hinno dell'Impero

O músico, o engenheiro de sons que encara o estúdio como laboratório e nele e nos palcos, ao vivo, cria a música total, do lamento e do grito primal do blues rural recém-transformado pelos agentes de Chicago em estilo urbano muito pobre e nobre (honra a Buddy Guy), blues de crioulo manso, alma de crioulo doido, não era um ser daqui, sua terra era uma Fender Stratocaster, de quatro pistas a 32, 64, antes e enquanto as mesas de mixagem começam a parecer cérebros eletrônicos de naves siderais. Multitrack, overdub, microfonias, câmaras de eco, pedais wah-wah, do sal da terra às mais recônditas partículas cósmicas. Filho da eletricidade lança o visionarismo eletrônico. Ser tão doce e tão bizarro, dele se disse até que se picava nas veias da testa... A psicodelia em corpo e alma, nas vestes estranhas, nas atitudes de eletrochoque (só nos estúdios e nos palcos). Ele era o próprio eletrochoque antipsiquiátrico.

O vulcânico tataravô do grunge foi o primeiro canhoteiro de Seattle, cafuzo de sangue negro e cherokee, projetou nas nuvens em saltos de paraquedas os beijos no céu de acordes fulminantes que começou a esboçar como acompanhante de Little Richard e Isley Brothers, quando como Jimmy James liderando os Blue Flames abria para Walker Brothers e The Monkees provocando com suas gigs tamanho entusiasmo que Chass Chandler, baixista do The Animals, vendo-o em Nova York decide largar tudo e levá-lo para Londres, um pato feio num cesto de cisnes, sua história é também um meteórico conto de fadas, vespeiro dos maiores cultores da sua arte ancestral, os blues filhos da mãe, dos filhos de Alexis Korner e Blues Incorporated e sobrinhos de John Mayall Bluebreakers, Yardbirds, Cream, Jeff Beck, Eric Clapton, Jimmy Page - tudo lá no ultrabem documentado Blow Up, Michelangelo Antonioni, 1966, Jimi Hendrix explode da noite para o dia, no mesmo fim de semana em que sai o disco toca versão radical de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Paul McCartney é um dos convertidos de primeira hora e o leva ao outro lado do rock a revelar-se ao mundo em Monterey tocando (dylan) Like a Rolling Stone.

    O segredo do sucesso é ele mesmo mas o caminho é facilitado pela maleabilidade de uma das melhores seções rítmicas da história do rock, Noel Redding-Mitch Mitchell, e a história se resumiria a três títulos

Axis: Bold As Love

Are You Experienced

Electric Ladyland

não fossem eles tantos com trechos soberbos.

Electric Ladyland, o duplo da primavera européia de 1968: capa bizarra e totalmente esclarecedora.

1968: les enfants de la patrie avançam nas barricadas escutando Street Fighting Man em fundo com milhares de rádios de pilha entre sirenes de rádio-patrulhas dos gendarmes pensando talvez que the streets of London town are no place for fighting men

 

  mas as de Paris sim e Paris volta a arder. Mas Londres arde com a barulheira telúrica de Crosstown Traffic: Led Zeppelin, The Who, Cream, Jeff Beck são parte e complemento dessa arte e gravam então sua obra básica, completa. Numa noite de abril na Escola Politécnica Fleetwood Mac de Peter Green e Jeremy Spencer (coadjuvados por uma seção rítmica de sem dúvida não menor respeito, Mick Fleetwood-John McVie) gravam suas obras completas, a que dão retoques em poucas sessões de estúdio e a história quase que acaba ali, em 1968, o ano que não acabou, quando Cream se despede e Peter Green, outro rapaz de gênio dividido entre o virtuosismo, a timidez e a fama, se destaca em elipse na banda que em 1969 recebe o reforço de Danny Kirwan e, entre gigs e sessões de retoques em estúdio, explode e logo depois estoura, quando P.A. Green decide dizer adeus à carreira e ser coveiro de guitarras elétricas. 1968 começa com Are You Experienced e termina com Electric Ladyland e a histórica versão de Joe Cocker de With a Little Help From My Friends e The Beatles, o duplo branco em que o quarteto dá uma de ska e outra na ferradura de Stockhausen, uma em Revolution e outra no curta-metragem do ano: Revolution Nº 9. Obladi-Oblada Stockhausen, While My Karlheinz Gently Weeps.

Jimi não, não sabe mais o que inventar e toca para quase ninguém no amanhecer do último dia de Woodstock em que todos abriram para ele e ele fechou para um mar de lama a sinfonia fantástica dos destroços do sonho de uma geração: Star Spangled Banner.

Wight, um mês antes de morrer, é um clamoroso fracasso, não só como se diz por causa de um ácido estragado ou a guitarra errada. Depois de Wight andou declarando que queria se casar com uma galinha do campo e levar uma vida sossegada. Detalhe: na Velha Albion para concertos, Miles Davis fez questão de se despedir do jovem ás. A música os juntou, nada os irá separar.

Electric Ladyland é a ilha da utopia, uma grande ilha de captação de emoções e edição em Manhattan onde Hendrix empreendeu suas últimas explorações, mas qualquer lugar e hora valia para transar com o seu som e também bastava um banquinho, um violão e um gravador talvez só de uma ou duas pistas em casa para dar o ar da sublime graça em Angel came down from heaven yesterday.

Luís Carlos Maciel teve duas belas sacadas em artigo publicado após a morte do cisne negro da guitarra rock e reproduzido em Nova Consciência - jornalismo contracultural, publicado no Rio de Janeiro em 1973:

"Ao contrário do esquema tradicional da base rítmica (feita pelo baixo e pela bateria, por exemplo) para a exposição melódica do solista (a guitarra, por exemplo), Hendrix cria uma rica polifonia usando cada instrumento como solista e harmonizando-os com muita inventiva."

Muito há a confabular sobre os discursos de base de marcação ou improvisos da seção rítmica DO flower power trio.

            Noel Redding e Mitch Mitchell - clima de jam e dutilidade

MINHA MÚSICA É UMA MISTURA DE ROCK, BLUES E JAZZ, UM SOM QUE AINDA ESTÁ SE DESENVOLVENDO

                                  UMA MÚSICA DO FUTURO  

              Hendrix era e é também considerado músico de jazz

Mitch Mitchell - Quando a gente ia para o estúdio não ensaiávamos nada. As coisas iam acontecendo e nós íamos seguindo a intuição.           músico de  

      jam

           jazz

falamos nada mais nada menos de geleia  -  jam e  jimi  pagano ne. com o advento do free jazz, em que em aparência ou evidentemente é cada um por si, uma gig pode ser uma jam session e jam (geleia ou uma misturada) torna-se sinônimo de improvisação coletiva. próprio do jazz, mas uma mão leva a outra e o "conceito" logo é adaptado ao rock dito psicodélico, exposto em discos de música muito híbrida como freak out, do mothers of invention de frank zappa, em 1966 e torna-se atitude obrigatória entre os melhores cultores do blues, rhythm and blues e/ou bluesrock entre são francisco, baltimore e londres, permanecendo entre os modos de fazer música correntes.

  jami hendrix

no rock os instrumentistas estáo limitados aos três acordes básicos do blues, mas Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page do Yardbirds a Cream e Led Zeppelin, Eric Clapton e Jack Bruce em Cream, Steve Winwood e Chris Wood no Traffic, Eric Clapton e Steve Winwood com Blind Faith, Fleetwood Mac (coprotagonistas do LP Memphis Slim London Sessions) ou Ten Years After dão mais que conta do recado. Soft Machine foi sua quase gêmea lá. O jazz flerta e interage com três séculos de tradição da grande música europeia, do cravo bem temperado a Schumann, Schönberg e Webern e aquém. Cada grande instrumentista um estilista explorando todas as bossas transeuropeias com pimenta cajun. O saxofone é explorado como nunca em sua curta trajetória antes em e com orquestras a ponto de tornar-se por excelência um instrumento do jazz. O trompete ganha timbres com coloridos insuspeitáveis e fica da cor dos seus maiores cultores, miles, dizzy, clifford brown, lee morgan. 

arte pop, a música de jimi hendrix baseia-se por um lado na estrutura do blues e das canções que recriava em diabotribes angelicosmicais e por outro em tema e variações soladas (improvisadas) ou pura e simplesmente no conceito freejazzístico de jam, em que o(s) artista(s) se expõe(m) ao risco do fracasso total em circunstâncias por força da própria atitude imprevisíveis. noel redding e mitch mitch ell, a seção rítmica que o acompanha dútil e lépida em voos hipergaláticos, é fruto do conjunto de auspiciosas circunstâncias que permitiram a hendrix DETONAR extrapolando gêneros e estilos - se rock, free rock zênite de uma curta e grata estação vivida na cauda de cometas como ele     trans-gredindo.      Hendrix :     rock      jazz      ou     Ives           Cage               Riley               Reich               Pierre     Henry    

jam

4CDs LIFELINES - THE JIMI HENDRIX STORY

Há também trechos de First Rays of the New Rising Sun, projeto de Hendrix que estava em andamento quando ele morreu e uma das indicações de que Jimi caminhava mesmo na direção do jazz quando morreu, uma gravação com o naipe de metais dos irmãos Brecker, South Saturn Delta

os irmãos Brecker se tornariam figurinhas obrigatórias em gravações pop-jazz-rock ao longo dos anos 1970

a guitarra elétrica em Jimi Hendrix não é apenas um novo som: é uma nova experiência existencial que exige, para que se estabeleça uma comunicação efetiva, uma alteração profunda na própria maneira de viver do ouvinte, nos próprios valores que norteiam seu comportamento e no seu próprio sistema nervoso. Sim: a música de Jimi Hendrix exige readaptação certamente mais fácil aos jovens e que é condição indispensável da nova sensibilidade. Esse é o segredo da sua força e da sua originalidade.

Luís Carlos Maciel

 

1965: Bob Dylan eletrifica o folk

ladyland

e dylan é o Mississipi naqueles anos.

Todos o cantam e tocam e celebram; não tem convívio em torno de violões e fogueiras sem que se entoe a inefável Blowing In The Wind. Influência marcante dos Beatles (disse McCartney).

Pau para toda a obra, quando se retira no basement em Woodstock com The Band (waal... wow... uau...). São seus porta-vozes primo inter pares The Byrds, Byrds, turn, turn turn, Mr. Tambourine Man, My Back Pages inolvidáveis, i.e., perenes.

E qualquer bom grupinho pop (Manfred Mann, Mighty Quinn). Fairport Convention lhe reverenciou um Se tu doit partir (Va t´en).

Hendrix capta, adapta e distribui como poucos o que tem de melhor e faz de All Along The Watchtower zênite de uma curta e grata estação vivida na cauda de cometas como ele.

     

         

Vejam, meus filhos – existem filmes e mais filmes inteiros sobre isso. No Estados Unidos já tinha muita gente brincando com Super-8. Em qualquer lugar, onde quer que rolasse alguma coisa, as câmeras de TV estavam lá, ao vivo. Câmeras fotográficas nem se fala. Quantos slides não foram feitos daquilo tudo?

Vivia-se a era da abundância e do presumido bem-estar geral. Mentira – só de alguns. Do Biafra chegavam todos os dias quase ao vivo as primeiras imagens de crianças africanas zambudas de fome e subnutrição. Um bem-estar dos diachos para quem o tinha. Mas mesmo entre estes reinava a insatisfação, quando não mesmo a angústia, porque os problemas estavam muito mal escondidos debaixo do tapete. É o que dizem os livros e sobretudo a montanha de filmes que se fez eufemisticando, metaforizando o espanto pela revelação do novo dia que poderia nascer para todos e a raiva pela surdez da sociedade da opulência para os problemas da grande maioria em meio a uma dodecacofonia e a um cubismo alucinantes. Dodecacocubismofonia - a versão de Jimi Hendrix do hino americano na alvorada de segunda-feira em Woodstock.

Jovens como Hendrix inocularam nos costumes e nas consciências o vírus da esperança numa alternativa e do desespero pela permanência do espírito de usura e consumição que acabou por prevalecer.

           LET US REFLECT, LET US THINK BACK; LET US GO ALL THE SMALL AND GREAT WAYS! - FRIEDRICH NIETZSCHE: WILL TO POWER

   COSMOCOCA CC5 HENDRIX WAR

                               

1993. Neville D'Almeida revela instalação de Hélio Oiticica de 1973 que requer ambiente escuro, dois projetores de slides, músicas do disco War Heroes (1972) e redes para o público deitar durante a projeção. Sequência de 5 slides em que o rosto de Hendrix na capa do disco aparece redesenhado com linhas de cocaína. Hélio Oiticica fez 8 cosmococas, 5 com Neville, 2 com Marylin Monroe e Luis Buñel

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Parangopipas

Parangopipa no ar com  Waly Saloo sailormoon  marinheiro da lua      luz sobre os  parangolés    de H.O.

    NÃO SE TRATA DO CORPO COMO SUPORTE DA OBRA; É A INCORPORAÇÃO DO CORPO DA OBRA E DA OBRA NO CORPO

Hélio Oiticica  H O

A  cocaína invade o cosmo

         LET US REFLECT, LET US THINK BACK; LET US GO ALL THE SMALL AND GREAT WAYS! - FRIEDRICH NIETZSCHE: WILL TO POWER

                   B L O G U E   E X P E R I Ê N C I A S   i n   C O S M O C O C A        

É UMA EXPERIÊNCIA NASCIDA A PARTIR DA WEBPAGE revoluciomnibus.com  have you ever been down to electric ladyland? E WORK IN PROGRESS INTEGRADO NA SÉRIE revoluciomnibus.com Parangopipas SOBRE AS OBRAS DE HÉLIO OITICICA E WALY SALOMÃO ACESSÍVEL A PARTIR  DAQUI   

programa in progress

A série nasceu da blague de cafungar pó na capa de Weasels Ripped My Flesh de Frank Zappa + Mothers of Invention.

- Quem quer a sobrancelha? E a boca?

NÃO SE TRATA DE FAZER DA COCA O ABSOLUTO MÍSTICO-DEIFICADO Q VESTIU O LSD.

SE SE USAM TINTAS FEDORENTAS E TUDO O Q É MERDA NAS "OBRAS DE ARTE (PLÁSTICAS)"  POR QUE NÃO A PRIMA TÃO BRANCA - BRILHO?

NEVILLE - A IDEIA ERA QUE VOCÊ PODIA FAZER UM TRABALHO COM QUALQUER MATERIAL. ACONTECEU SER COCA.

PENSAM Q EU ESTOU BRINCANDO QUANDO DIGO QUE A PINTURA ACABOU   

(como Hendrix) expandiu o território da arte a fronteiras nunca antes visitadas procurando integrar obra e espectador, provocando outros sentidos além do olhar

otariu toquim gabau 

     LET US REFLECT, LET US THINK BACK; LET US GO ALL THE SMALL AND GREAT WAYS! - FRIEDRICH NIETZSCHE: WILL TO POWER

 

Paganini

Hendrix

Oiticica  -  transgredindo. Hendrix e Oiticica: trans-gredindo. Hendrix: rock    jazz    ou    Ives    Cage     Riley     Reich     Pierre   Henry

otariu toquim gabau

Hey Joe caso de polícia associado à guerra do Vietnã: ternura, tremura, não-violência paz e amor contra Apocalipse Now em gestação no próprio ventre da Besta com os mesmos sons: rajadas, explosões, Hendrix the Doors Wagner pop. Resistência passiva ou ativa, militante, guerrilheira, terrorista, contra a discriminação de raça e credo, os regimes autoritários e o Sistema. Shit, man, we blew it!

 

     

                                    

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2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

From the 1950´s to the 2020´s The beat goes on DAQUI

 

         JIMI HENDRIX  em       

O melhor amigo de infância e adolescência - ou alter ego? - de Edgar Lessa, o narrador de,  chama-se Jimi. Hendrix marcou  demais a trajetória daquela turma. 

 

                                   Jimi Hendrix If 6 Was 9        - recitativo:

    Conservadores de colarinho branco relampejam rua abaixo apontando os seus dedos de plástico em minha direção. Esperam que os da minha laia morram e apodreçam, mas vou fazer a minha bandeira freak ondular bem alto...

 

 

     Rompi o cordão umbilical ao trocar o Rio por Londres, alegadamente para praticar inglês mas já com a idéia de ficar para me deliciar devagar com uma fatia do bolo da capa de Let it Bleed dos Stones sobre um prato de vitrola - o sonho pop que já se diz acabado e de que de um certo modo me despedi ao ver a

                   

                        foto de Jack Bruce à esquerda e Eric Clapton no outro extremo, de olho nos dedos no instrumento, e Ginger Baker ao meio, olhando de lado com os braços sobre os ombros dos já ex-colegas no show de despedida do Cream no Royal Albert Hall, em dezembro de 1968.

    Cultura adolescente na era da juventude e música em toda a sua novíssima dimensão eletrônica. A caminho dos 15 anos, li a notícia e recortei a fotografia ao som da eletrizante versão de Joe Cocker de With a Little Help From My Friends, um canto estraçalhado de sirene do rock num ano explosivo, com Street Fighting Man, dos Stones, Electric Ladyland, de Jimi Hendrix, e Hello I Love You, do The Doors, e o álbum branco dos Beatles, entre uma porrada de sons siderais. Nunca é tarde, para mim o sonho apenas começara. Ouvia música pop e rock o dia todo. Em menos de dois anos estava em Londres, até porque lá estão dois exilados eméritos que sobre mim exerceram influência extraordinária em termos comportamentais, Gilberto Gil e Caetano Veloso, os ‘papas’ da Tropicália.

 

   

    Foi também profundo o gozo ao ouvir pela primeira vez os espasmos orgásmicos de Crosstown Traffic e All Along The Watchtower, de Jimi Hendrix, e a sublime versão de Joe Cocker de With a Little Help From My Friends, como fundo me marcaram a cadência e os improvisos geniais da seleção brasileira de futebol de 1970. Ou o frêmito sentido ao lado de Jimi e Solemar - que já seguíamos a coisa esperando a próxima - a cada vez que um atleta negro norte-americano galardoado com medalha nos Jogos Olímpicos do México em 68 erguia bem alto o punho fechado da mão enluvada de preto em inacreditáveis gestos de orgulho e coragem. Era do contra, mesmo sem saber muito bem o que isso era.

 

Quem diria, eu aqui com um quase desconhecido e encaracoladíssimo jovem cantautor que conheci em sessões obscuras, à noite, à luz de velas, para dar-lhes um ambiente mais surrealista, com Jimi e Solemar, ouvindo dois discos que encomendamos a Lu Silveira pela enorme curiosidade que a insistência de Peel em falar dele nos despertou. Por nada deste mundo me passaria pela cabeça estar no banco traseiro do carro do futuro precursor do chamado cosmic rock e, pior, da glitter music do inefável Gary Glitter. Sempre pensei, até pelos longuíssimos títulos dos seus primeiros discos, com Steve Peregrine-Took no lugar de Finn, que ele sequer sonhasse com sucesso de vendas - My People Were Fair and Had Stars In Their Hair, But Now They’re Content To Wear Stars On Their Brows; Prophets, Seers and Sages - The Angels of Ages; (She Was Born To Be My) Unicorn. Está em turnê de lançamento de A Beard of Stars, gravado com Finn.

    Relato-lhe baixinho as minhas impressões e rindo ele me fala da reação de Hendrix nos bastidores do programa da BBC Ready, Steady, Go: - Hey, man, you’ve got a funny voice!

    Só engraçada?

...

 

 

É de Londres a guitarra doida e doída de Hendrix, não se pensa sequer que ele possa vir precisamente de Seattle, porque em nenhum outro lugar encontraria ele uma base de sustentação a um só tempo tão sólida e móbil como a de Noel Redding e Mitch Mitchell.

É em Londres que amadurece uma das vertentes mais ricas do rock, a da fusão no melhor estilo da força e do poder de impacto do instrumental eletrônico com o vigor, energia e beleza de um dos mananciais de origem do rock’n’roll, os blues, dos filhos diletos do pai desses quase improváveis british blues, Alexis Korner, e sobrinhos de John Mayall, seu discípulo mais direto – Yardbirds, Led Zeppelin, Eric O’Clapton, como o chama Peel, Fleetwood Mac, Chicken Shack, Ten Years After, Jeff Beck e Savoy Brown Blues Band ou Stone the Crows. Daqui sai ainda o chamado progressive sound de Pink Floyd, Van de Graaff Generator, Nice, Yes, Curved Air, com o precioso apêndice de King Crimson e Jethro Tull, dos espampanantes e quase assustadores Robert Fripp e Ian Anderson, e a vertente mais jazzística da Soft Machine, Colosseum, de Dick Heckstall-Smith e Jon Hiseman, e Centipede de Keith Tippett, com a encantadora Julie ex-Driscoll, e do baterista Ian Carr. Certo que foi o pessoal dos EUA, do Jefferson Airplane às Mothers of (todas as) Inventions, The Doors, Buffalo Springfield, The Byrds, Grateful Dead, Allman Brothers Band, The Band e Velvet Underground, que expandiu e consolidou a bacia estilística em que deságua o chamado rock (sem n’roll) de segunda geração, que já se fala em estagnação da cena grupal inglesa pós-Spencer Davis Group, Traffic, Who, Kinks, Small Faces e demais cambada de entre os mods e o cockney puro e simples, o pessoal da estiva. Mas grupos como Family ou a vertente folk-rock do Fairport Convention, Pentangle e Lindisfarne provam que o bom e velho rock sempre se renovará e nunca morrerá, embora os mais maduros e sapientes digam que está tudo descambando para o comércio, quem aparece em cena com mais vigor logo se rende ao comodismo e adota sua fórmula como uma receita após ter suspostamente conquistado um lugar ao sol; por aqui, ao menos no verão, não há sinal de nevoeiro. Respira-se fog de desencanto e cansaço.

 

 

Foi-se Bath, dois ou três dias em Wight que fossem tornam-se proibitivos. Roo-me de inveja de centenas de milhar que foram, os jornais com páginas e mais páginas sobre o acontecimento, os sensacionalistas denunciando e se deliciando com tantos exemplos de feeble decrépitas e scary medonhas cenas, que escarrapacham entre letras garrafais. Regresso de Hendrix? Não. As chamadas dos noticiários de rádio e dos telejornais destacam a derrubada das cercas e invasão do site por uma legião de anarquistas franceses. Estar em Londres ou no Rio este fim de semana é o mesmo. A cidade parece vazia de gente e de razão de ser. A capital do mundo é a ilha bem menor a sul.

    Só nos semanários lê-se sobre o festival em si, que se nos afigura como mais uma sucessão de show-offs, como o do set de Hendrix com novo grupo, a Band of Gypsies, com o negro Billy Cox no lugar do baixista Noel Redding e Mitch Mitchell na bateria. Talvez porque não estivesse numa daquelas noites ou – como dizem alguns críticos – pela falta de entrosamento da nova seção rítmica, a atuação do gênio não fica na história.

 

 

Disc and Music Echo, jornal para teenyboppers que tanto pode pôr na capa colorida um slide de Andy Williams como um de Peter Green, e em que se se sabe ler as entrelinhas nem tudo fica só pela rama, dedica bom espaço à chamada underground scene e discute suas implicações e implicâncias, traz uma entrevista de Hendrix no regresso à cena após o eclipse, depois da explosiva primeira fase da carreira de Experience. Nela o Paganini da guitarra confessa que o seu maior sonho é comprar um sítio no sul da Inglaterra e se casar com uma country girl...

     Na capa do Rolling Stone uma espécie de judeu americano de grande cabeleira redonda e encaracolada chamado Alan J. Webberman, que se apresenta como dylanologista e até chafurdou no lixo da casa do bardo, o recluso que desde o acidente de moto em Woodstock parece querer seguir a trilha do despite da mídia de J.D. Salinger, para saber tudo sobre a sua vida, inclusive se se pica, como tanto especulou a imprensa nos seus anos de reclusão, quando se especulou até sobre sua possível morte. A foto de capa interior, porque o Rolling Stone também é diferente no formato, dobrando-se em dois e tendo outra capa e contracapa do tamanho de meia página, é ponto de partida para uma daquelas longuíssimas reportagens em estilo revolucionário em que o semanário underground de Frisco é pródigo e o título já diz tudo, Do we really need a dylanologist to know wich way the wind blows? – em última análise, sim, dylanologistas ou o que for, tudo serve para manter a mitomania a pleno gás. No mínimo mais uma bela novela produzida pelo jornal a partir de um fato concreto, singelo ou estrambólico. Outro sen-sa-cio-nal vem logo a seguir, uma reportagem com mais um judeu americano da mesma tribo do Weatherman Webberman que denuncia com o mesmo sensacionalismo que levou tempos infindos colhendo dados para um livro e, não tendo encontrado editor, recorreu ao influente neo-jew líder do Yippie – de Youth International Party (YIP), Festa Internacional da Juventude, porque é justamente essa a brincadeira -, e como o livro, um guia sobre como sobreviver totalmente grátis de norte a sul e de leste a oeste dos EUA, chamava-se muito coerentemente Steal This Book, foi o que ele, o líder yippie, fez, segundo o pretenso autor. Com toda a coerência roubou-o, publicando-o sob o seu nome, Abbie Hoffman.

     Jimi saiu com a girlfriend italiana que está em Londres de férias e é filha do dono da pizzeria onde trabalha. Leio no nosso quarto azul claro com rodapés azul marinho e descanso as lunetas olhando pela janela envidraçada lá para baixo, para o muro e o início do verdíssimo campo de treino do Fulham, time da Segunda Divisão do futebol inglês, numa tarde que, não fosse a composição do enquadramento com o ocre do muro, o verde da grama e os azuis das paredes, seria absolutamente cinza-chumbo, e em que me animo um pouco também com chá e scones e um rolinho de hash com John Player Special. Ligo o rádio mas ao ouvir o som do show absurdesco de Dave Cash na Radio 1 – em que para não variar me azucrina com o inconcebível follow-up de Those Were The Days de Mary Hopkins – logo o desligo.

     Os blues aumentam porque o dinheiro é curto e estou sem saída. Se, em arremedo da Administração Nixon, a ditadura brasileira, com a pequena-grande vitória da seleção de futebol na Copa do Mundo, brada aos quatro ventos que quem não ama o Brasil deve deixá-lo, a minha profunda vontade é a de ficar de fora, onde sou mas não me sinto mais estranho do que me sentiria em minha própria terra, com os mais velhos presos a mitos e chavões a que não ligo a mínima, e já que me vejo também in do lado de fora e já que estou na Europa melhor será que faça uma pausa para retomar o fôlego para voltar, pois que nenhum outro destino aqui me atrai e nem teria condições de sobreviver em nenhum outro, reluto mas me vejo forçado a aceitar convite da família para estudar em Lisboa.

Vivo ‘apenas’, quam minimum credula postero, na expressão do grande Horácio. Ficar em Londres enquanto desse. Não penso mais nisso. Passo mais uma semana comendo os pedaços de pizza que me cabem dos que Jimi traz do trabalho mas vou já pedir algum para comprar a passagem de avião para Lisboa, porque não estou disposto a ficar os três dias de viagem de trem me despedindo de Londres, o que vai contra tudo o que queria, e a encarar uma perspectiva de vida que não levo minimamente a sério agora: estudar sei lá o quê e ficar em Portugal. Para isso voltava para o Rio. Tem de ser de chofre. Sem pensar duas vezes. Num dia amanheço em Londres e anoiteço em Lisboa. Logo se verá. Como se verá. Por mero acaso.

 

     Jimi chega do passeio com a girlfriend em Kew Gardens dizendo que estamos convidados para almoçar domingo em casa de um goês que mora ali ao lado, um conhecido de Sally que decidira visitar, curioso de conhecer um lusófono oriundo de tão longe.

     - Mas afinal parece um hindu como qualquer um desses com que a gente se cruza aqui, aliás é a cara do pai da Indira Gandhi, muito doce e simpático. Só que, por incrível que pareça, fala português com um forte sotaque inglês. Já sabe da novidade? – está mais excitado que o costume.

     - Que novidade?

     - Não escutou rádio hoje, cara?

     - Liguei e desliguei. O que aconteceu?

     - Cara, Jimi Hendrix morreu!

     - O quê?! Quando? Morreu de quê?

    - Não sei. Diz que de overdose. Só vi títulos e primeiras linhas dos jornais da tarde, sabe como é, por eles não dá para ter noção de nada, é tudo superficial e sensacionalista. E tendencioso. Dizem que foi encontrado morto na cama ontem à noite pela namorada alemã.

     A notícia me deixa pior ainda. Saímos para comer fish & chips no snack da esquina em clima de finados, com a sensação de ter perdido um ente querido. Não se fala noutra coisa. Jimi está atordoado. Compreende-se, a dizer que o ‘nêgo’ era seu sósia...

     - Quem será capaz de fazer o que ele fez, em matéria de som? Não era só a qualidade do músico, do instrumentista e da música que ele tocava. É a sua originalidade. Ninguém – ninguém – conseguiu produzir um som tão envolvente, tão caloroso ou aterrador, tão perfeito nos climas que sugere. Tchan-tchan-tcha-tchan-tchan-tchan  prrrissst! Tchan-tchan-tcha-tchan-tchan-tchan – tenta imitar com a boca a introdução de All Along the Watchtower.

     Electric Ladyland é nosso disco preferido e pomos Hendrix acima de todos os outros, até de Peter Green e do Fleetwood Mac, que considerávamos o melhor grupo de rock em atividade até a debandada, ao que se diz, não de um mas dos seus três guitarristas, sobretudo por causa de Man of the World, um dos nossos maiores elos de união.

     - Quer saber de uma coisa? Volto já – diz de repente e desaparece na esquina.

Volta com News of the World, The Sun e Daily Mirror, cada um com três páginas de bisbilhotices, boatos e fotos do herói da guitarra – Guitar hero, como arrisca um deles em parangonas azuis.

     A esta hora é o que há de novidade. Não temos abajur e alguém tem de apagar a luz. Jimi dorme soterrado por folhas de jornal como se sua cama fosse um caixão ornado com grandes títulos pretos, vermelhos e azuis com fotos de um personagem bizarro, cara de quem acabou de acordar estremunhado antes de ser surpreendido pelo fotógrafo, cabelo desgrenhado, barba inculta e roupa... o que dizer da roupa? Camisas de cores bizarras mesmo para nosso gosto latino mais cafona, como verde alface e lilás, com punhos folhados pré-vitorianos, cintos de dez centímetros, calças de listas de três, quatro cores que parecem não combinar – uma figura que no Brasil se diria carnavalesca, um extra-terrestre na aparência e nos sons que produzia com sua guitarra com que explorava de forma inimitável todos os recursos sonoros, acrescidos dos efeitos do pedal wah-wah, mais os de câmara de eco e a possibilidade de gravar e regravar em cima para multiplicar os efeitos numa era ainda de grandes limitações, com uma metodologia de montagem e superposição de sons que todos os vanguardeiros que o ouviram e foram suficientemente espertos, como The Beatles e o seu produtor George Martin e os, também nesse caso, ultra-oportunistas Rolling Stones, trataram de copiar em Sgt. Pepper’s, Magical Mistery Tour e Their Satanic Majesty’s Request.

                

    O fim de semana da morte de Hendrix decorre sintomaticamente sob o signo dos Stones, já que ao passar em Richmond eu e Jimi deixamos Renata, a namorada do ‘sósia’ do seu maior ídolo, sacudindo a cabeça enquanto, muito agitados, comentamos em português tudo o que sabemos sobre a tarde em que, num destes mesmos trens, Mick Jagger reencontrou Keith Richards e aqui iniciaram a aventura dos Stones. Renata traz um exemplar da edição da véspera do Corriere della Sera com uma reportagem sobre a morte de Hendrix, que lê e, o que não entendemos, tenta traduzir em inglês.

Diz, na abertura, que segundo a namorada Jimi jantou em casa de Eric Burdon, onde tomou vinho e segundo rumores não confirmados também teria fumado haxixe. Que segundo ela ao chegarem em casa Jimi tomou comprimidos para dormir. Quantos? Não soube precisar.

As últimas palavras que Monika Danneman se recorda de ter trocado com Hendrix nos reportam às sete horas da manhã de sexta-feira. Três horas e meia mais tarde Jimi dorme ainda. Monika decide então sair para fazer compras. De regresso vê que Jimi vomitou e não consegue  acordá-lo. Telefona a Eric Burdon, que ao se aperceber do que se passa urra-lhe para que chame uma ambulância. Alarmada com a hipótese de um possível escândalo e ainda não convencida de que se trate de coisa grave Monika limita-se a esperar a chegada da ambulância. Jimi é posto sentado e amarrado em posição ereta: errore madornale...

- Errore madornale... O que quer dizer?    

- Erro monstruoso... que quase certa... que quase certamente lhe custa a vida. Sem conseguir ver-se livre do vômito ainda bloqueado na garganta, Jimi morre sufocado. Pudera... Ouçam isto: DIZ-SE QUE O FBI AMERICANO SEGUIA HÁ TEMPOS OS SEUS MOVIMENTOS E QUE ELE PODERÁ TER SIDO ALVO DE PELO MENOS DUAS TENTATIVAS DE ASSASSINATO, UMA ADDIRITTURA...  Addirittura...   como dizer?... Não importa... DO OUTRO LADO DO OCEANO.

- Porquê? Por causa do Star Spangled Banner tocado em Woodstock como se fosse um hino apocalíptico? Imagina o que se pode dizer com uma guitarra sem uma palavra, com uma torrente de sons como se fossem bombas...  Por ser contra a guerra e cantar hey Joe, what are you doing with that gun in your hand? Mas aí ele nem está falando para um soldado ou para o pessoal tipo Black Panthers, que optou pela violência, pela luta armada na guerra contra o sistema branco, como eles dizem, como os grupos de guerrilha no Brasil... Quero dizer, nem é um cântico pacifista, mas a história de um crime passional, de um fulano que em crise amorosa mata a mulher e foge para o México...

 

 

     Noto que a última folha é preenchida apenas por um grande título: Pop! So listen to the rhythm of the gentle bossa nova.

    - Tenho estado a magicar sobre a idéia de fazer um conjunto de histórias à volta da mitologia do pop e do rock, como a de McGuinn, e juntá-las num livro com esse título – explica.

 

LIVE FAST DIE YOUNG (AT 27)

     - Uma delas seria à volta do que me parece ser, no mínimo, uma incrível coincidência, ou então a confirmação das estrambólicas teorias numerológicas. Há dois anos o corpo de Brian Jones, que tinha 27 anos e acabava de ser expulso dos Rolling Stones, é encontrado boiando na piscina da sua casa no Sussex. Há um ano morrem um atrás do outro Jimi Hendrix, encontrado praticamente em coma em consequência da mistura de uma ou várias coisas com barbitúricos – ou de overdose de barbitúricos – e Janis, que deveria ter recebido cachet pela publicidade que fez do Southern Comfort, e que segundo o noticiário foi encontrada morta no quarto, como uma tal de Marylin Monroe, após ter misturado em doses excessivas whiskey com cocaína ou heroína, ou em consequência de uma overdose de heroína, nenhuma informação bate com a outra. Agora vai-se James Douglas Morrison. Todos com nomes com J. Todos aos 27 anos, ao que parece a idade do martírio no rock. Muito estranho, não acha?

 

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     Acontecimentos imprevistos, inéditos, cada golpe é um golpe, e normalmente os putschen militares acontecem para impor, não derrubar ditaduras. Gestos inéditos desde a mãe de todas as revoluções, 1789, 1830, 1848, o dagerrótipo, o cinema, o automóvel, o rádio, a TV, a Bomba H, o Sputnik, a máquina de escrever Underwood, a máquina de barbear elétrica, a guitarra elétrica, os sit-in contra o Establishment e a guerra do Vietnam, 1968. Gestos inéditos. Que se comete ou se vê em primeira mão absoluta. As calças e camisas justas ao corpo, floridas. Gravatas-babadores de nós enormes, floridas ou com padrões psicodélicos multicoloridos. Calças de boca-de-sino, a retomar uma tradição de marinheiros e fadistas. Os três acordes básicos dos blues amplificados e sustentados por baixo e bateria. O pedal wah-wah. Os sons de Hendrix. Sons de comoção, em que todo o corpo é tomado de um frêmito como de um choque de prazer, um orgasmo bem conseguido ou dar a primeira tragada num baseado de haxixe fresco ou sentir o ácido subindo devagarinho e apossar-se do cérebro, todo ele, cosmos interno, conhecido ou indesvendável. Só desvelado talvez através de uma meditação de ioga. Pássaros de Fogo, Sagrações da Primavera, gimnopedias astrais.

 

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    Logo há muita festa no local. Mais uma vez Dora fica de arrumar ácidos. Chega perto da meia-noite, quando um grande grupo de pessoas já se desespera de esperar. É um clearlight que, após a subida com Sticky Fingers, dos Stones, com uma pequena ajuda de um marroquino do bom, faz com que a dodecacofonia e o transe elétrico de Hendrix em Electric Lady pareçam excessivos, ao ponto de ser substituído por Bananamour, de Kevin Ayers, antes de os chilenos levarem a sua avante e porem Victor Jara, que é muito bom, mas pra tripar... um pouco triste, não? – argumento, cheio de dedos.

      A dado ponto, os convivas sentados em círculo, sinto que o trip está me levando para um transe telepático. Entre o sério e a brincadeira decido não pensar em nada de eventualmente comprometedor em relação a mim e quem se senta à minha volta, para não ‘revelar’ os sentimentos mais íntimos com os olhos... ou o pensamento. É o ácido mais forte que tomei. De manhã parte do grupo sai no SAAB de Dora pela Marginal na senda de Sintra.

               

 

 

Drogas: dissertação   

    Desço de elevador e abro a porta da rua, apinhada de gente e a explodir de ruídos de carros, ônibus e bondes à hora da saída dos escritórios. É dia de deadline do artigo. Se não entrego não sai e é menos que recebo no final do mês, quando o que me pagam os dois jornais em que publico uma dezena de artigos de crítica de música popular já é tão pouco. Dou alguns passos rumo à Ave da República, onde deveria apanhar o metrô, mas não aguento. Meus olhos devem estar da cor de sangue, pois sinto-os dardejando, e o único som de rush que os meus ouvidos poderiam aguentar a esta altura seria talvez os de Hendrix em Crosstown Traffic no remanso de casa. A ela volto. Estou doido demais para encarar alguém ‘normal’, ainda para mais numa redação, nem que fosse só entregar o artigo e dar no pé, porque ninguém no meio sequer desconfia que algum colega ‘se drogue’, embora muitos andem a cair pelas tabelas às vezes muito antes da madrugada em tabernas e antros de prostituição da cidade sem que isso lhes traga qualquer prejuízo à imagem, antes pelo contrário, a agir assim provam que são é muito machos. O único tratamento para o glaucoma, como se ouve no manifesto Legalize It, de Peter Tosh, a marijuana, cannabis sativa (cânhamo) mais a sua parente, cannabis indica, a espécie mais potente, de cujas flores de fêmeas secas se extrai um poderoso narcótico chamado ganjah, usado na medicina, não chega com certeza aos pés do álcool em efeitos nocivos para o corpo e a mente. Por enquanto a erva chega a tirar-me a vontade de fumar os poucos cigarros que queimo quase sem tragar, 20-20-20 (o três vintes), Provisórios ao lado de Definitivos, quase só por curtição estética. Sem vício.

Essa sensação de incapacidade de ficar em ambientes claustrofóbicos ou mudar de um ambiente tranquilo para um que se nos pareça caótico é normal em ‘erva’. Tratando-se de produto de alta qualidade, após o efeito inicial, catatônico, em que parece que se instalou um parque de diversões no cérebro, sobrevém uma fase de estado melífluo que dilata o espaço e o tempo – algumas vezes produzindo sensação de fastídio quando algo não está ou vai a contento, sobretudo quando se é obrigado a atinar como autômato numa série de articulações psicomotoras - mas o que prevalece é uma total disponibilidade para a fruição lúdica, melhor ainda se de paisagem ou qualquer produção artística. Desestressa completamente, relativizando os quiproquós da existência, e se o acaso manda uma bad vibe é ruim mas a reação será seguramente na base de apaziguamento e concórdia, não fosse a que Normal Mailer chamou de Love Drug, e desse modo parece impossível que tenha sido usada, como dizem alguns compêndios, para acirrar nos hashashins a agressividade no combate a inimigos, e poderá não ter sido assim: o haxixe que consumiriram lhes daria visões do Paraíso islâmico ismaelita que lhes dariam mais ânimo e coragem para morrer em combate na ânsia de chegar lá para vivê-lo. Predispondo ao ludismo, o mesmo é dizer brincadeira, dá ao santo à-toa a paciência para o bric-à-brac, como o do quebra-cabeças de palavras e acentuações num texto. A ‘droga’ afeiçoa-se bastante bem às minhas atividades. Dá-me a paciência para concentrar-me na escuta de discos e criatividade sobre os temas e o que vejo ao meu redor. É como disse o outro: Não diria que as idéias venham necessariamente de estar sob o efeito de alguma droga, mas acredito que certas experiências com elas facilitam a manifestação de idéias que estavam latentes. A marijuana pode ser uma droga extremamente produtiva quando se está bloqueado.

A síntese William Burroughsiana: Ela é boa para escrever, pintar, ouvir música. Para mim, ela proporciona uma paz, um momento geral da percepção. Sobretudo, faz uma grande diferença na visão, uma maior visualização, imagens, cores e sons ficam mais vívidos, assim como a excitação das ideias. Acho que escrever sob a influência da marijuana aumenta a capacidade de associação de ideias, tudo parece vir com a vividez de um sonho, só que é real. Devo muitas partes de Naked Lunch diretamente ao uso da cannabis. Já com os opiáceos é diferente, nunca consegui escrever nada sob efeito de heroína. Como outras drogas sedativas, como álcool e morfina, a heroína diminui a consciência do meio e dos processos corporais.

Em resumo, se não é a droga que faz o homem é o homem que faz a droga boa ou má. O contraste é que é absurdo: escrever para jornal, ainda que trabalhando calmamente e em estilo crônica, numa ótica cartesiana, mesmo que sobre Fritz the Cat ou Woodstock, para jornais ‘caretas’ me dá a sensação de estar totalmente deplacé, certo tipo de discurso causando profundo tédio quando não baseado num objeto ou idéia excepcional, diferente, ou numa palavra, forte. Porque todas as publicações são muito formais – caretas.

Há quem para criar use de tudo.     Kerouac em Tânger:

     Para escrever e dormir e pensar fui ao agradável drugstore local e comprei Sympatina para excitar, Diosan para o sonho de codeína e Soneryl para dormir. – Entretanto Burroughs e eu também compramos um pouco de ópio a um tipo de fez encarnado no Zoco Chico e improvisamos uns cachimbos com velhas latas de azeite e fumamos a cantar Willie the Moocher e no dia seguinte misturamos haxixe e kif com mel e especiarias e fizemos bolos Majoun e os comemos, mastigando bem, com chá quente, e demos longos passeios proféticos nos campos de florzinhas brancas. – Uma tarde, bem toldado de haxixe, meditei ao sol no meu telhado e pensei: ‘Todas as coisas que se mexem são Deus e todas as coisas que não se mexem são Deus’.

     Anaïs Nin conta que, em ácido, chegou à ‘fascinante revelação’ que o mundo ‘aberto’ pelo LSD é acessível ao artista por intermédio da arte. ‘Tudo o que a substância química faz é remover a resistência, tornar um indivíduo permeável à imagem e o corpo receptivo ao bloquear a paisagem familiar que impedia o sonho de apossar-se de nós.’ Huxley discorreu longamente sobre o conceito de Mind at Large e a ‘válvula de redução’ de que o homem ocidental, dominado pela idéia da Queda dos Anjos e do pecado predominante nos princípios judaico-cristãos, passou a abusar para ‘manter-se na linha’, soterrando tudo o que se relaciona a aspectos ‘extra-sensoriais’ da existência, o que a partir do Livro Tibetano dos Mortos chamou de CLEARLIGHT OF THE VOID, a CLARALUZ DO VÁCUO, by-passes espontâneos, exercícios espirituais, abstrações, esoterismos, hipnose e tudo o mais que ‘na nossa patética imbecilidade chamamos de mere things e desdenhamos em benefício da televisão’ (espantoso que já tenha pensado nisso ainda nos anos 50), que saltam aos olhos como a scintilla animae de Blake: Ver um Mundo num Grão de Areia e o Paraíso numa Flor Silvestre. Agarrar o infinito na Palma da Mão e a Eternidade numa hora. Blake, o poeta da quebra de paradigmas: Os caminhos do excesso levam ao palácio da sabedoria. Ou, na máxima que o próprio Huxley atualizou da sua visão memorável,

IF THE DOORS OF PERCEPTION WERE CLEANSED, EVERY THING WOULD APPEAR TO MAN AS IT IS, INFINITE

Anaïs pretendeu polemizar com Huxley ao afirmar que ninguém precisa de drogas para desenvolver as suas capacidades artísticas. ‘Algumas pessoas precisam’, rebateu o autor de Sem Olhos em Gaza, que neste aspecto não tinha problemas de visão, e que já escrevera que ‘o que se vê sob influência da mescalina, o artista está equipado para ver todo o tempo’. Disse ela a propósito: ‘Os puritanos aniquilaram os sentidos e a cultura inglesa a emoção. Donde a necessidade de dinamitar o teto de cimento armado, de ‘explodir a mente’.’

    

Álcool para nós por enquanto é droga de caretas mas não só. Como o álcool que se ingere de vez em quando, sem abusos, droga ilegal não tem nada a ver com mera abstração do real, pelo contrário, permitindo ver nele também o surreal, o ponto além da realidade que insistem em enfiar-nos goela abaixo, cinicamente condenando qualquer outro modo de ‘ver a vida’ para que o deles não se desmascare como efetivamente é, um absurdo maior que tudo o que a mente mais torpe poderia imaginar de grotesco, cínico, abjeto.

Droga é em princípio apenas uma questão de cultura mas já agora também de princípio moral, pelas suas implicações legais e de status mental e social, porque pelas informações que nos inculcam usá-las equivale a dar um passo para o abismo. Passa a ser também uma questão de Estado, mas da guerra do Estado corporativo a uma força emergente que poderá entrar em choque frontal com ele. Nenhum dos maiores ‘mártires’ do rock morreu, ao que se sabe, de overdose de uma droga específica, do vício de uma delas, e sim, talvez, da mistura de duas ou mais, inclusive álcool e barbitúricos.

É a arte do desbunde, ninguém o nega. Diz-se que em viagem à Inglaterra fixada em Don’t Look Back, de Alan Pennebaker, Dylan introduz a marijuana aos Beatles, quando eles seguramente já a conhecem na sua forma árabe, marroquina ou de outra proveniência. Mitologias. Há quem diga também que foi meses antes, atrás de um hangar de um aeroporto nos EUA. Seja como for os maravilhosos sons alucinado-lisérgicos de Sgt. Pepper’s e sobretudo Magical Mistery Tour seriam impossíveis sem que os quatro cavaleiros do pós-calipso tivessem tomado LSD. Abertura das portas mentais para outras percepções, aos chamados universos extra-sensoriais, portas para outras visões da vida. Não um método de criação ou via de esclarecimento mas de através dela encontrar inspiração (de pirar, no sentido patológico – do néscio - ou blakeano – do sábio - de enlouquecer) e inspiração. Como falar dessa arte – música, pintura, teatro, cinema e também literatura - sem conhecer as substâncias que ajudam a dar-lhe formas, às vezes as mais sintéticas, como o conjunto guitarra-baixo-bateria hendrixiano que reproduz o caos ordenado do horário de pico (ops!)? Sem conhecer de alguma forma esse admirável mundo novo que se abre na alvorada da era global? Formas diferentes de êxtase. Não digo que seja preciso injetar heroína para entrar na de Parker e Miles em My Old Flame. O artista não precisaria tomar nada para chegar lá mas alguns em determinados momentos precisam, e não me entra na cabeça que sem algum tipo de predisposição – i.e. da caretice pura -  se possa chegar lá de algum modo.

     O desbunde de álcool, cannabis, ácido e outras substâncias (nada de heroína nos seus casos?) é o que mata Janis e Jim? De Jimi, ao contrário do que os caretas dizem, falou-se sobretudo de barbitúricos. Certo, bebera e fumara haxixe em casa de Eric Burdon. Morreu asfixiado pelo vômito de tudo. Quantos astros morreram de overdose? Janis, que em algumas notícias se dizia ter morrido de overdose de heroína? Ou terá sido de cocaína – que poderia também ter ingerido em doses excessivas à mistura com Southern Comfort? Não se sabe, porque esse tipo de notícias é quase sempre rodeado de sensacionalismo. Na sua última série de entrevistas Janis dizia não se ver morrendo velha, sentada numa cadeira de balanço. Não poderia. Encurtou os anos com muito ânimo. Como falar desse mundo, e criticá-lo, sem conhecê-lo? Sem conhecer a vida do outro lado do espelho?

     Olha aqui um que não nos deixa mentir, neste artigo surpreendente sobre Hendrix publicado na Ciao 2000 que Ivan trouxe de Roma:

È stato detto di tutto sulle droghe di cui Hendrix (ab)usò. Addiritura qualcuno ha pensato bene di guistificare il foulard a fiori che Jimi portava spesso in pubblico sulla fronte come una copertura per le vene bucate dagli aghi dell’eroina! Hendrix ha ammesso più volte di aver indugiato nell’LSD e nel uso di altre droghe sintetiche, ma a tutt´oggi non esiste nessuna prova che fosse dedito all’eroina. Anche la sua morte, fatta passare come provocata da un’overdose di eroina, fu solo il disgraziato risultato di un eccesso di barbiturici, nella fatispecie un sonnifero tedesco di particolare forza, il quinalbarbitone.

Disse-se de tudo sobre as drogas de que Hendrix (ab)usou. Houve inclusive quem achou por bem justificar o foulard florido que Jimi usava muitas vezes em público na fronte como uma cobertura para as veias esburacadas pelas agulhas da heroína! Hendrix admitiu várias vezes ter-se envolvido com o LSD e no uso de outras drogas sintéticas, mas até agora não existe nenhuma prova do seu envolvimento com heroína. Até mesmo a sua morte, que se fez passar como provocada por uma overdose de heroína, foi apenas o desgraçado resultado de um excesso de barbitúricos, no caso um sonífero alemão com uma força notável, o quinalbarbitone.    


      Começa agora a fase em que os caretas que daqui a pouco estarão enchendo a cara de álcool numa choldra da noite lisboeta irão redigir notícias dizendo que fulano foi preso a comprar X gramas de haxixe para se injetar e talvez nem os nossos netos se livrarão da mesma lenga-lenga de que não há drogas ‘leves’ nem ‘pesadas’, que de uma se passa a outra e boçalidades do gênero com que se faz e se fará a ‘informação’, porque para quem a domina tanto faz, é tudo igual – e ninguém é tolo de ousar enfrentá-los porque de repente arriscaria ir para a cadeia. Sobre malefícios e eventuais benefícios da droga, droga que vicia e não vicia e o mercado, interesses políticos e econômicos de representantes do Estado na sua manutenção na ilegalidade, os malefícios do tráfico mais a sua legalização, não é então nem questão de falar por enquanto.

 

                                                         

                           

 

          

 

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