ciberzine & narrativas de james anhanguera 

   destrincha o pato à Beijing, ou xadrez, ou laqueado

                               

          2008 d.C. O Mundo

          finalmente acorda 

         para a emergência

         alimentar. Mas 

     Que mundo?

          Que emergência

         Que alimento?

Do caviar ao feijão com arroz (branco? preto?

integral?) ou feijão com farinha de mandioca

um universo de inguinorãça e hipocrisia separa 

a humanidade carente.               De comida? 

 Só de comida? 

Ou também de sapiência e vergonha na cara? 

                                                                                                                                                                                          

    

banco de dados revoluciomnibus.com

do dossiê  A Fome no Mundo e os Canibais

                  e                  ANHANGUERA         PAPERS
                                                                   

A FOME NO MUNDO E OS CANIBAIS

 

                         

                                                              

                                               

                     Afirma uma firma que o Brasil confirma:

                           ”Vamos substituir o Café pelo Aço”.

                Vai ser duríssimo descondicionar o paladar.

                                                                         Cacaso

                                                                                                                                                                                   

                                                                                                                      Este Admirável Mundo Louco - Ruth Rocha, 22ª impressão, ...   ilustrações Walter Ono

        

 

 20 MILHÕES DE BRASILEIROS ESTAVAM - ABAIXO DA LINHA DA MISÉRIA -, OU SEJA - EM SITUAÇÃO ALIMENTAR GRAVE -, EM OUTRAS PALAVRAS - PASSANDO FOME - EM 2007 - SEIS MILHÕES A MAIS QUE EM 2004, SEGUNDO UM ESTUDO DO IPEA (INSTITUTO DE PESQUISAS E ANÁLISES APLICADAS) BASEADO NUMA PNAD (PESQUISA NACIONAL DE AMOSTRAS AO DOMICÍLIO) DO IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA). TAIS CIFRAS CORRESPONDIAM A QUASE UM DÉCIMO DA POPULAÇÃO DO BRASIL E A POUCO MAIS OU MENOS DOIS POR CENTO DO CONTINGENTE DE UM BILHÃO DE PESSOAS QUE PASSAM FOME NO MUNDO. ERAM OUTROSSIM POUCO MAIS OU MENOS EQUIVALENTES AO PORCENTUAL DA CONTRIBUIÇÃO DO BRASIL PARA O COMÉRCIO MUNDIAL, EM QUE OS ALIMENTOS TÊM PESO CONSIDERÁVEL. OS ESFOMEADOS SÃO 11 MILHÕES, DIZ UM ESTUDO DO IBASE (INSTITUTO BRASILEIRO DE ANALISES SOCIAIS E ESTATISTICAS) CITADO NO FILME GARAPA, DE JOSÉ PADILHA. 20 OU 11 MILHÕES É DE TODO MODO GENTE DEMAIS PASSANDO FOME EM UM PAÍS EM QUE 

Brasileiro
passa fome
sem razão

Jornal do Brasil 22 de julho 1993
A fome não se explica pela falta de alimentos, constatou o Tribunal de Contas da União baseado numa auditoria feita aos
Programas de Suplementação Alimentar do governo envolvendo
Fundação de Assistência ao Estudante (FAE)
Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan)
Legião Brasileira de Assistência (LBA) e
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
EM CADA PROGRAMA FORAM OBSERVADAS IRREGULARIDADES E FALHAS GRAVES
Com uma média de 59 milhões de toneladas de grãos (arroz, feijão, trigo, milho, soja) e a disponibilidade interna desses produtos e dos demais produtos tradicionalmente consumidos no país é superior às necessidades diárias de calorias e proteínas da população.
Dispõe-se de 3 280 calorias e 87 gramas de proteínas per capita/dia para uma necessidade de 2 242 calorias e 53 gramas de proteínas.

  Aqui no Rio me esperavam surpresas incríveis. A primeira delas foi ver a beleza da raça brasileira em Ipanema. É a raça dos que comeram. Depois fui ver Caxias, fui ver Madureira; lá é outra raça, a dos que não comeram. A figura dos que não comeram, do povão, de um lado, e a beleza de Ipanema, do outro, é um tremendo contraste. A beleza de Ipanema está muito mais bela, as meninas e os rapazinhos, as tribos, são uma beleza. E as subtribos de Caxias, do Méier, estão mais terríveis ainda.

Darcy Ribeiro em debate promovido pelo Jornal do Brasil do Rio de Janeiro com Ferreira Gullar, Glauber Rocha e Mario Pedrosa em 1977, quando os quatro regressavam do exílio imposto a eles pela ditadura militar

                                                                      foto Vilma Lobo Abreu - reprodução do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1993/setembro/12

                                      

     A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

 

                   

    AFriCa AMériCA EuROPa                                                                     

nossos enviados reportam de três continentes as causas e consequências de duas emergências previstas para nostro domus Terra há milhares de luas, baseados no que vêem e no banco de dados revoluciomnibus

    em

          A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

         

          huxley na fome do mundo

                                   

      CRISE 2008

DE CRACK EM CRACK A COMANDITA ENCHE O PAPO

 

                                                 

         ALIMENTAÇÃO      ENERGIA

      
 

      GUERRA      E      PAZ        

                 

 

A INDÚSTRIA DA SECAA INDÚSTRIA DA SECA

                   

  A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

Dossiê A Fome No Mundo e os Canibais revoluciomnibus.com


Robert Anton Wilson dá o bote em The Illuminati Papers:
                        Não existe crise de energia. O que há é uma muito mais terrível
                        e trágica crise de inteligência.

Money makes the world go around.
                        Tudo está aqui dito. A vida é uma concepção humana. Se o dinheiro acaba o mundo deixa de girar, porque deixamos de existir e não o vemos. Se deixamos de existir nada mais existe. Que sentido faz que todo o resto exista quando a gente não existe mais?
                         As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender - canta o poeta Paulinho da Viola.
                         O muro de Berlim caiu faz tempo, mas não o da hipocrisia. Cai a Babilônia, cai a muralha da China, que mais de um século depois das Guerras do Ópio se abre à sociedade de consumo ocidental e a fome e a inguinorãça no mundo aumentam em escala.

                            E a Fome de Saber?
   

Robert Anton Wilson  dá o mote das premissas de   A Fome No Mundo e os Canibais:

         Apesar de tanta gente usar as SMART DRUGS (...) a estupidez humana da maioria das pessoas, pelo menos nos EUA, cresceu cada vez mais. Atribuo o fato a uma política deliberada de estupidificação da população que a nossa Elite regente instigou (...).
      ... Os males do mundo, que envolvem a fome maciça assim como a erosão das liberdades individuais.
          Duas pessoas eminentemente inteligentes, R. Buckminster Fuller e Werner Ehrard, propuseram que podemos e devemos abolir a fome até o final deste século. [século XX] Este objetivo é racional, prático e desejável, de modo que, naturalmente, foi denunciado como utópico, fantástico e absurdo.
     ... se gastaria muito menos dinheiro em tremendas imbecilidades organizadas como a corrida aos armamentos, sobrando bastante mais para investir em projetos fomentadores de vida.
           O dr. Nathan Kline (...) predisse no livro Psychotropic Drugs in the Year 2000 que dentro de 20 anos teremos drogas para estimular ou suprimir qualquer emoção, drogas para prolongar ou encurtar a infância, drogas para manipular o comportamento materno, etc. (...) [As pessoas] mais inteligentes as usarão de modo mais inteligente, isto é, para aumentar a sua própria liberdade neurológica, desprogramar os seus programas irracionais e em geral expandir a consciência e aumentar a inteligência.
           [N]ão existe razão para crer que pessoas libertárias e humanas não possam usar estes conhecimentos [formulados por Walter Bowart no ensaio Operation Mind Control, baseados na premissa de que "Modificação do Comportamento aliada aos neuroquímicos é mais eficaz do que apenas a Modificação do Comportamento", R.A.Wilson] para descondicionar e desprogramar, em vez de unicamente para recondicionar e reprogramar.
    ... a abolição da pobreza, a economia da abundância para todos, o fim da competição territorial por recursos limitados conducente ao ciclo da guerra, atingir a longevidade e eventualmente a imortalidade. Todas estas competições do segundo circuito (como Leary lhes chamaria) resultam das pulsões mamíferas básicas: paixão, status, território (propriedade).
           Como resolver então os problemas que afligem este planeta? Não através da política, esse ritual mamífero irrelevante. Resolveremos os nossos problemas através de tecnologia melhor, mais barata e mais eficiente; e especialmente através da migração para o espaço, da tecnologia da consciência e aumento da inteligência, e do prolongamento da vida.
     ... Após estas experiências começaremos a passar gradualmente de robôs totais para autoprogramadores.

        Temos o azar de pertencer a uma espécie mamífera dotada de tecnologia suficiente para tornar estas futricas crescentemente oniletais. Mas isto sucede provavelmente em todos os planetas sustentadores de vida durante a evolução do estado mamífero para a verdadeira inteligência. Encontramo-nos apenas a meio do ciclo evolucionário da nossa estrela e nos últimos milhares de anos já começaram a surgir formas mais avançadas em mutantes ocasionais.
         [Ezra Pound torna claro que] não acredita, como a maioria dos Utópicos, que a reforma do mundo é meramente uma questão de conseguir que suas idéias político-econômicas ganhem aceitação generalizada. A consciência superior, a sensibilidade sutil, devem surgir primeiro, antes de poder manifestar-se a "ordem cívica". 
        Aqueles que pensam que a subordinação de Pound à economia fascista * significava uma devoção à política fascista confundem completamente a questão.
    * Tratava-se principalmente de uma submissão à idéia de dinheiro não gerador de juros cunhado pelo Estado como distinto da prática corrente na qual 72% de todo o "dinheiro" existe apenas em livros de contabilidade e serve como dívida geradora de juros para banqueiros privados.
   ... Todos os fatos da Ciência foram outrora Danados, todas as invenções foram consideradas impossíveis. Todas as descobertas foram choques nervosos para alguma ortodoxia. Todas as inovações artísticas foram denunciadas como fraudulentas e levianas. Toda a malha da cultura e do "progresso", tudo quanto na terra é feito pelo homem e não nos é dado pela natureza, constitui a manifestação concreta de algum homem recusando a submeter-se à Autoridade. Se não fossem os rebeldes, os recalcitrantes e os intransigentes, não teríamos mais, saberíamos mais e seríamos mais do que os primeiros hominídeos. Como disse em verdade Oscar Wilde, "A desobediência foi a virtude original do homem".
   ... O desemprego não é uma doença, donde não ter cura.
   ... Vejo o jogo do poder como assentado em três níveis de força e fraude (...) o mais antigo e ainda o mais forte: a extorsão praticada pelo governo, o monopólio da força (militar, policial,  etc.) que permite o grupo governante receber tributo (impostos) das massas escravizadas ou iludidas.
o de segundo nível: a extorsão praticada pelos senhorios, o monopólio mamífero do território, o arrendamento é filho do fisco, o segundo grau do mesmo esquema de extorsão.
O de terceiro nível, historicamente mais recente: a extorsão da usura, o monopólio da emissão de moeda, que permite aos senhores do dinheiro receberem tributo (juros). (...) a maioria das pessoas que se dedicam a estas práticas nefastas são pouquíssimo propensas a reconhecer o que realmente fazem, pois encontram-se viciadas nas mesmas hipocrisias que o resto da humanidade, acho que todos os grupos poderosos acreditam sinceramente que o que estão fazendo é bom, e que quem os atacar só pode ser um louco revolucionário.


As prerrogativas de Robert Anton Wilson (sobre crise, crises e desenvolvimento humano) são parte do cardápio de
A Fome No Mundo e os Canibais, associadas às de R. Buckminster Fuller e outros pensadores aqui citados, entre os quais Aldous Huxley,  em

  

huxley na fome do mundo

                                   

outro canal do dossiê  A Fome no Mundo e os Canibais

 

travelog da crise .............. última atualização: abril 2009

quando os  GRANDES ANTAGONISTAS  da atual fase da eterna luta entre "Predadores" e "Largadores"  ou   "Neo-Liberal, Não. Liberal" X "anticapitalistas"  ou  "fundamentalistas" X "relativistas" - avançam para o proscênio

CRISE 2008 E 9... E TEMPO AFORA ....................................................................................COMO PROPOSTA DE TRABALHO

CRISE(S) REGULADORA(S)...

& PALPITES PALPITANTES

1929 º 2009

   80 ANOS DE crackrises E FORROBODÓ

 

           pra mãe natureza o templo do pai

                  pra mãe natureza o templo do pai

                   é tudo mentira, é tudo figura               Péricles Cavalcanti

 

  

Robert Anton Wilson dá o bote em The Illuminati Papers:
                    Não existe crise de energia. O que há é uma muito mais terrível e trágica crise de inteligência.

Seja:         Não existe crise econômica. O que há é uma muito mais terrível e trágica crise de inteligência.

Os EUA estão se esfrangalhando rapidamente. Deu-lhe finalmente o amok a essa em tempos orgulhosa nação de desordeiros e putas e do  American Way que está efetivamente Fora de Controle e não irá se recuperar. A pilhagem, a batota, o roubo e o fracasso tiraram o país dos eixos, do seu orgulho, do seu sucesso e de sua segurança. Os fundos do Tesouro acabaram-se e o mercado de ações nunca irá se recuperar, as nossas tropas no Iraque nunca mais voltarão. Você não vai arranjar emprego, nunca mais. Os seus filhos irão beber água suja até ao fim da vida. Você irá perder sua casa e toda sua poupança. Nunca irá conseguir aposentar-se e até mesmo deixar de trabalhar, e será um servo, mais um serviçal de uma dessas enormes e anônimas e eternamente beligerantes corporações globais que irão governar o mundo por motivos e lucros próprios. Hunter S. Thompson, 2004

CRISE(S) REGULADORA(S)...

ma non troppo... ou: para nada. Logo a máquina é de novo oleada and the beat goes on and on and on and on

ISHMAEL Como o Mundo Veio a Ser o Que É   DANIEL QUINN 1992
[ a história do homem é a de Pegadores e Largadores, uma encenação]
Alguns pensadores pessimistas do século 19, como Robert Wallace e Thomas Robert Malthus, olharam para baixo. Mil anos antes, até mesmo quinhentos anos antes, provavelmente nada teriam notado. Mas o que eles vêem agora assusta-os. Era como se o solo se precipitasse ao seu encontro - como se estivessem a despenhar-se. Pensam um pouco e concluem: "Se assim continuarmos depararemos com grandes problemas num futuro não muito distante." Os outros Pegadores ignoraram as suas previsões.
"A intensificação da produção no sentido de alimentar uma população aumentada causa um aumento ainda maior na população." Os Pegadores respondem: "Tudo bem, só precisamos de colocar gente a pedalar na criação de um método fiável de controle de nascimentos. Então a Águia Pegadora voará para sempre."
 ... mas não enquanto as pessoas da tua cultura estiverem a encenar esta história.    

Ou talvez sim. Porque faz parte da encenação o recurso a guerras para o  controle de natalidade, a eliminação dos excedentes pelo extermínio em massa e como etapa crucial indispensável de transição de uma etapa para a outra dos processos de civilizações. Como são exemplos cabais as duas guerras mundiais do século XX., a  primeira para eliminar os excedentes de mão-de-obra que a emigração para o novo mundo não debelou, tentar pôr nova ordem na Europa com o esclerosamento do poder prussiano e austro-húngaro e testar tecnologias de ponta na fase final de transição da primeira para a segunda revolução industrial, a segunda para debelar a instabilidade político-econômica gerada com a primeira (o pleno emprego nos EUA só retornou com os gastos da II Guerra) encaminhar a instalação de uma nova (des)ordem político-econômica na transição para a terceira revolução industrial, a era atômica e cósmica, que perdurou por meio século.

                                                          crackrises

                RECESSION PROOF TRAFFIC

março 2008

Lula, presidente: E até agora não aconteceu nada com nosso querido Brasil

03 outubro 2008

relatório da ONU

o chamado crime organizado movimenta US$ 3 trilhões/ano.

US$ 1,4 trilhão passa pelo sistema financeiro para lavagem

US$ 1 trilhão é lavado em corrupção

crime corporativo - talvez crack 2008 se deva mais a isso que a crise do setor imobiliário

e ele se deve à complacência com que governos tratam gigantes conglomerados

ex-ministro da Fazenda e da Agricultura e atual deputado Delfim Neto garante que economia brasileira crescerá 4 por cento em 2009

comentário de observador bem educado: isso não é previsão, é propaganda enganosa

revoluciomnibus dixit: é palpite - chute

incoerência, desfaçatez, incompetência da "ciência" econômica - e o que mais?

falta de pudor (porque não incons/ciência) dos "especialistas" porque sempre se assumem como reis do otimismo no GRAN CIRCO RODA VIVA em que a massa é só freguês (de tudo, inclusive dos artilheiros e malabaristas do economês) e mal o sabe, em nome da salvaguarda de suas carreiras de idas e vindas da entronização de cargos públicos para o de conselheiros e/ou advisors de instituições privadas, entre elas órgãos de comunicação - oráculos de meia tigela que a todos procuram acontentar pintando sempre róseas perspectivas - e o que é incrível é que descrédito após descrédito nunca caem do cavalo - appunto: artilheiros e malabaristas do GRAN CIRCO RODA VIVA que como a mídia em geral afinal só estão dando notícias pros anunciantes

John Maynard Keynes: Quando as circunstâncias mudam eu mudo. E o senhor?

outubro 2008

relatório da ONU

desde 2000 Brasil reduziu problema da fome em 45 por cento. O problema da fome no Brasil deixou de ser grave e passou a ser considerado baixo.

indústria da seca global

ONU: FAO, PNUD / UNDP, PAM / WFP

busca-se novo padrão de consumo

O Globo, Rio de Janeiro: depois da crise, nada será como antes

busca-se novo modelo de tudo

busca-se novo modelo econômico: capitalismo social? social-liberalismo? que tal?

há no entanto entre os oráculos de meia tigela quem diz que o melhor é não procurar nada, que não vale a pena porque não vai encontrar nada de melhor: o bom e velho capitalismo liberal é o que distribui mais riqueza ("qual?" "de que tipo?") e mantenha como grande e única referência antagônica (tipo espantalho) o bom e velho - a grande burla do - "socialismo real"

"SERÁ QUE O QUE VIVEMOS É O PORTAL DE UMA NOVA ERA OU NOVO CAPÍTULO DA VELHA BURLA?"

novembro 2008

não há concorrente de peso para ocupar posição militar e econômica dos Estados Unidos

Edward Prescott, Premio Nobel de Economia de 2004: Crises financeiras não são importantes, a menos que conduzam a políticas ruins, como aconteceu no Japão em 1991 e no México entre 1980 e 1981.

Bruce Scott, professor da Universidade Harvard: E os americanos são avessos a controle porque seus negócios são livres, sem governo. Acho que a tentativa de impor uma supervisão global no setor financeiro será um fracasso.

veja, são paulo, 12 novembro 2008

 

Millôr Fernandes

A Crise. Com a benção de Deus

Claro que o crime compensa, pessoal.

..................................................

Como aliás ficou mais uma vez demonstrado nessa quebradeira global em que os primeiros limpos foram os donos dos grandes conglomerados financeiros, perto dos quais os escândalos do Vaticano são pé de página.

 

Obama, o salvador da pátria global, o redentor da sustentabilidade moral

veja, são paulo, 19 novembro 2008

fala da falta de previsões econômicas confiáveis e em 3 cenários possíveis. No de crescimento do PIB do Brasil de 2,5 por cento em 2009 tem a legenda: a crise se instala

veja, são paulo, 03 dezembro 2008

Maílson da Nóbrega, o ex-Ministro da Fazenda do Plano Verão, o terceiro plano econômico de emergência do governo do presidente José Sarney (1985-1989), que não emplacou o inverno seguinte e talvez tenha ajudado a inflar ainda mais a bolha inflacionária no Brasil, que com ele no poder debatia-se com índices de 80 por cento ao mês: Na China a "desregulação" do comunismo retirou da pobreza 400 milhões de pessoas.

o globo, rio de janeiro, 04 dezembro 2008

A crise econômica no Brasil chegou de repente, por vários canais

o globo, rio de janeiro, 05 dezembro 2008

previsão de crescimento da economia brasileira em 2009: 2,8 por cento

um milhão de empregos não serão criados no Brasil em 2009 apenas com a queda do ritmo de crescimento. Nesse período 2 milhões e 400 mil jovens estarão entrando no mercado de trabalho

- Em outros países 7 por cento de desemprego é considerado alto e lá a informalidade é mínima. Aqui é motivo de comemoração a queda de 13 por cento em 2003 para 7,5 por cento hoje.

08 dezembro 2008

produto interno bruto global é de US$ 54 trilhões

África: um terço da população da região subsaariana sofre de desnutrição crônica

236 milhões de pessoas sofriam de desnutrição crônica na região em 2007

relatório da ONU nos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos

936 milhões de pessoas passam fome em parte porque o preço dos alimentos não para de crescer

INDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO IDH DO PNUD / UNDP DA ONU 2008: BRASIL EM 80º LUGAR

DIEESE (Departamento Intersindical de Estudos Econômicos e Sociais; São Paulo): para cada cidadão suprir suas necessidades básicas são necessários R$ 2100 e o salário mínimo é sete vezes inferior a esse montante

o globo, rio de janeiro, 09 dezembro 2008

leitor:

O presidente Lula declara que o brasileiro tem que acreditar na economia do país e continuar consumindo; mas consumir como, se a população recebe salário de fome, que mal paga o aluguel da casa em que mora?

um "novo Bretton Wood", diferente da conferência original do pós-guerra (1944-45)

     2009 moldará o destino do mundo

O BAM-BAM-BAM DA FEBRABAN CHAMA-SE 

           SARDEN-BAM-BAM-BERG

                                                                                                             FEBRABAN - Federação Brasileira de Bancos

"Neo-Liberal, Não. Liberal" - Carlos Alberto Sardenberg: "O momento mais brilhante da economia mundial moderna ocorreu no início deste século XXI, no auge da globalização."

com o financiamento do trade baseado em grana do chamado crime organizado, créditos podres, balanços falseados... com quanto? US$ 50, US$ 70 trilhões disso? - sobretudo muito brilhante, de fato.

e que moral se pregaria a nossas crianças...

Global World À parte,

muito pragmatismo e muita cara-de-pau. a estratégia é a mesma de sempre - uma das que mais se prega no futebol: a melhor defesa é o ataque. mas pela primeira vez em meio século até revista brasileira de grande informação (e como tal supostamente imparcial) assume em artigos posição de parte/bandeira descaradamente pró ou contra "alguma coisa". Que Time, Newsweek, Le Point o façam ou tenham feito a seu modo - agora, macaquices no quintal dos fundos?!

reinventa-se em visão rasteira, estreita ou straight o fantasma do comunismo ou "socialismo real" que todo mundo sabe muito bem que nunca foi socialismo de nada

antes era só (e até) o "humanismo" ou a utopia, que sem outra melhor se diz que só levam ao Pol Pot (exemplo abstruso. por que não então a Coreia do Norte, que trocando em miúdos è lo stesso?)

sobretudo muito brilhante

 

Água. levantamento da ONG Global Peace divulgado pela ONU

um terço da população mundial tem problema de acesso a água

até 2030 metade da população mundial terá problema de acesso ou mesmo falta de água

23 março 2009

segundo técnicos do Banco Central previsão do crescimento da economia brasileira em 2009 é de 0,01 por cento; para 2010, de 3,5 por cento

Brasil perdeu 750 mil postos de trabalho em três meses

RECESSION PROOF TRAFFIC

RECESSION PROOF TRAFFIC

RECESSION PROOF TRAFFIC

            RECESSION PROOF TRAFFIC

RECESSION PROOF TRAFFIC

Brics

Brics-à-brac

Pigs:

Portugal, Irlanda, Espanha, Grécia

os celtas e greco-latinos que pegaram o tsunami de proa

veja, são paulo, 25 março 2009

O ar está mais limpo... mas só porque a crise econômica é devastadora para indústrias ineficientes e poluidoras dos países emergentes

ritmo do desmatamento da Amazônia caiu 32 por cento no último semestre e o Brasil deixou de emitir 18 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera

Em Guangdong, de onde sai um terço das exportações chinesas, 60 000 empresas, a maioria pequenas indústrias, já fecharam as portas. O nível de poluição na região caiu 5 por cento

emissão global de gases de efeito estufa deve diminuir 3 por cento em 2009

segundo a FAO (Organização das Nações Unidas Para a Agricultura e Alimentação) também haverá menos dinheiro para investimentos em manejo florestal e estratégias de exploração de longo prazo

Maílson da Nóbrega, o ex-Ministro da Fazenda do Plano Verão, o terceiro plano econômico de emergência do governo do presidente José Sarney (1985-1989), que não emplacou o inverno seguinte e talvez tenha ajudado a inflar ainda mais a bolha inflacionária no Brasil, que com ele no poder debatia-se com índices de 80 por cento ao mês: Não há alternativa ao sistema capitalista. Nenhum outro libera tanto as energias produtivas da sociedade nem o supera na geração de renda, emprego e bem-estar.

[ Nenhum outro libera tanto as energias poluentes     e... só bem-estar?... ]

depois de ter recebido US$ 180 bilhões do governo para não quebrar seguradora norte-americana AIG pagou US$ 165 milhões de bônus a executivos de acordo com a tradição americana de respeito aos contratos

Em 2008 os americanos descobriram que parte da exuberância financeira da sua economia na última década era de fato irracional, baseada em uma mentira criada pela falta de regulação adequada, pela irresponsabilidade de Wall Street e pelo estelionato puro e simples perpetrado por um grupo de escroques

26 março 2009

caem governos da Hungria, República Checa pela instabilidade política gerada pelo casino social com a crise econômica

e a Bulgária, a mais pobre das ex-irmazinhas da Cortina de Ferro, também não vai muito bem de saúde.

                      Have you seen the little pigs crawling in the dirt?

28 março 2009

racionalismo e irracionalismo

revivalismo saudosismo nostalgia

fundamentalismo versus relativismo

Nietzsche: corrosiva crítica à razão e à verdade

que depois dele é como se todos

tivessem medo de cair em

algum tipo de dogmatismo

ou de serem acusados

de acreditar em verdades absolutas

e para ver e ler algo mais a propósito ir para

                 POR AQUI          

renda per capita cresceu 53 por cento no Brasil nos últimos 13 anos

renda per capita cresceu 68 por cento na América Latina nos últimos 13 anos

31 março 2009

BIRD (Banco Interamericano do Desenvolvimento) prevê crescimento da economia do Brasil de 0,5 por cento em 2009; de 2,5 por cento em 2010; e de 3 por cento em 2011

popularidade do presidente do Brasil, antes nos píncaros, caiu 10 por cento nos últimos dois meses, estando agora em 61 por cento

36 anos de grandes crackrises internacionais: outubro de 1973, 1979, 1986, 1994, 1999, 2001

01 abril 2009 crise de mercado e de afeto

01 abril 2009 crise de mercado e de afeto

           As marcas e as coisas      

Mythologias semi óticas                                                    

Da  Inútil Paisagem  do moderno Tom Jobim à  Paisagem Útil  do “pós-moderno” Caetano Veloso  

    Ford . GM . Chrysler – Que Hollywood seja made in Japan e Rover e Rolls Royce ou Kenwood made aqui e acolá, sem saber onde, com a globalização não existe mais pertencimento nacional ou transnacional de parte. O Japão era suposto ser e como se viu não era o próximo Império. O Oriente irá alguma vez dominar o Ocidente – tudo de olho rasgado (metaforicamente falando)? Lá para o Ano 2525, quando já não existirá há muito no mundo nem uma coisa nem outra. Crise de mercado e de afeto: desaparecem com as marcas vestígios da “nossa” era. A primeira BOAC, depois BEA. TWA. O desaparecimento da Panair do Brasil deu até música: Saudade dos Aviões (Milton Nascimento-Fernando Brant). Agora também a Varig – que foi um dos primeiros (e melhores) simbolos de Brasil no mundo. E Que Queria Dizer O Quê Mesmo antes do desaparecimento da Panair e de a substituir nas rotas internacionais? Viação Aérea Rio-Grandense. Do regional ao universal e fim.

Mais que símbolos são imagens – layouts do capitalismo da segunda revolução industrial da segunda metade do século  XX – e tempo um pouco atrás e adiante  Ah sim, “a lua oval da Esso” da Paisagem Útil também se esfoi. Não são as marcas, são os modelos-padrões de épocas de aviões e carrões em que, meninos, se enfiava a fuça nos assentos e se inalava o intenso cheiro (perfume) de couro de boi do Iowa e das tintas que os coloriam com as cores mais imprevistas.

Dallas já não tinha mais disso –  carrões. E era uma vez Detroit a Motortown. Tamla MOTOWN. Wellcome to the Seattle era – Boeing, Hendrix, grunge, Microsoft, Toyota be wellcome. Iconografias, iconologias e iconoclastia da evolução dos tempos, da revolução dos meios, dos hábitos de consumo e das políticas de mercado.

Alô alô Terezinha.

        D   E   S   C O D  I    F  I    C A   D O 

PESADELO BRANDO COM TOQUE BLADE RUNNER UM MODIÉ ENTRA EM CASA COM UM MEIO QUILO DE COCA – ENFARINHARA ATÉ A ENTRADA DIZENDO QUE ALGUÉM QUE ESTAVA NA OMBREIRA LHE TINHA DADO AÍ ME CHAMAM COMO SE O CENÁRIO FOSSE UMA CASA DO ANDAR DE CIMA E UM LOFT Um grupo de seis a oito como se quisessem encomendar alguma coisa – o que também parece não ter ficado muito claro até que uma mulheraça mas de mãos muito pequenas a quem abraço e beijo de trás num elevador me acompanha até um ponto em que me vejo na rua com um que seria javanês que a        

   

   

dado ponto me dá uma série de uns seis tiros na cara e que visualizo como de uma tela em uma caixa instalada virtualmente em frente das vista na forma de um dois quatro seis pontos pintando em seqüência enquanto ele dispara – e pergunto por quê está me matando e ele não diz nada e ao que parece talvez tenha só me d e s co d i f i c a d o porque acordei às 05.30h. e aqui estou assim.  Movimento dos Barcos: 900 navios de contêineres ou  dez por cento  da  frota parados. Ford tem prejuízo de  bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2009. GM anuncia encerramento de 13 das 47 fábricas até final de 2010. Deve ser próxima montadora americana a pedir concordata. Vendas da Toyota caíram 49 por cento no primeiro trimestre de 2009. E S C A L A S   D E   M E R C A D O   E   D E   A F E T O  

Marcas, qualquer marcas igual a mercadoria fetiche. De bom ou mau gosto. E também Vício. Símbolos (simbologias). Símbolos de Vício Inconsciente. Consumismo consumista uma droga. De tudo. Fetiche modernista. Modismos, promoções publicitárias, espetáculos vazios, visões fragmentárias. De marcas na paisagem. Inúteis. Esmaecimento do afeto. Países inteiros moldados a partir de estradas de rodagem. Highway 101 Revisited. Bahn. Bahn. Autobahn. Autostrada del Sole, Ferrari a 300 a hora. Pastiches. Alusão consciente ou inconsciente a estilos, técnicas e dispositivos. Conceito marxista de mercadoria como fetiche. Conceito marxista de reificação: transformação dos bens em bens criados pelo homem que se tornam independentes dele e governam sua vida. Marcas = grafismosimagens de marcaslayouts laying about

                                                                                                                       Barbara Kruger

 

PONDO OS OLHOS PRIMEYRAMENTE NA SUA

CIDADE CONHECE QUE OS MERCADORES SÃO        

O PRIMEIRO MÓVEL DA RUÍNA, EM QUE ARDE        

PELAS MERCADORIAS INÚTEIS E ENGANOSAS

         GREGÓRIO DE MATOS – SÉCULO XVII

         Triste Bahia, oh quão dessemelhante estais estou de nosso antigo estado

Paisagem útil – do valor utilitário da sociedade de consumo, emergente. Ou sociedade afluente

como a decantou Gilberto Gil cinco anos mais tarde em Duplo Sentido:

dessa esquina pelo menos posso ver o duplo sentido de tudo

que na ausência de unanimidade uns veem as coisas como eu

e outros voltam ao lar.

Inútil paisagem de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira: mas pra quê tanto céu pra quê tanto mar de que servem as flores que crescem pelos caminhos se o meu caminho sozinho é nada. Na paisagem útil(otária) do mesmo Rio de Janeiro já não se destaca mais a luz da “mesma lua a furar nosso zinco”, como a de Chão de Estrelas de Orestes Barbosa uns trinta a quarenta anos antes nem a da “lua oval da Esso”, que estava quase ao lado, bem mais altaneira que o também extinto Palácio Monroe e quase de frente para a da Mesbla, que também se foi mais o repique de seu relógio que dependendo do vento se ouvia lá no alto em Santa Teresa.  Adeus Hotel Avenida, vai curtir no outro plano os desatinos desta vida, só Drummond, só  Drummond porque se não deixa eu ver deixa eu ver chover chover chover chover, Ao Poeta Novos Baianos.

Iconologias.                                                   A UTOPIA DE UMA ONU DAS FINANÇAS – título de veja, São Paulo. É a mais difícil empreitada internacional desde o fim da II Guerra – aqui lata. Vale a pergunta: utopia no “bom” ou no “mau” sentido, sendo hoje em dia definição por si mesma tão demonizada?

  Corsários... paraísos fiscais, santuários para esconderem o tesouro

Paisagem utilitária urbana brasileira em 1960: Volkswagen Sedan ou Fusca, Renault Dauphine, Renault Gordini, AeroWillis, Simca Chambord, DKW Vemag e os carrões americanos: Chevrolet Impala, rabo-de-peixe, boca de cigana semiaberta. Quem vai querer comprar a Chrysler que houve tempo em que se apossou da Lamborghini. Do Ford T ao Sinergy 2010. E   D E   A F E T O . Uns morrem porque querem outros morrem sem querer. Por que não esperou um pouco mais para ouvirmos Toots outra vez?

As três irmãs de Detroit. Simbologias.

Fiat compra Chrysler que nos bons tempos velhos tempos comprara Lamborghini. A jogada tem o simbolismo de um roque e dez quilos de tuíste. Lee Iacocca, um tremendo sucesso de marketing de si mesmo (Uma Autobiografia vendeu 6,5 milhões de cópias em três anos), na seqüência ao ataque ao autosport piccolo è bello made in Italy lançou seu segundo livro, Talking Straight. Chairman de sucesso beija o solo quando é demitido da bigger sister Ford. Dá a volta por cima de esportivo de luxo italiano que mantém em circulação... nas estradas americanas.  Ganhava US$ 1,7 milhão de salário mensal em 1990 como presidente da Chrysler. É um dos maiores símbolos do capitalismo industrial americano setor automóveis na corte do Papa Ford e de par com a própria marca da menor das Três Irmãs.

E como era bom ser americano – escreveu ao recordar o tempo em que aos seis e onze anos de idade seu pai levou toda a família num Fordinho bem castigado de sua casa em Allentown, Pensilvânia, à Estátua da Liberdade em Nova York.

A versatilidade. Dos carrões, as banheiras americanas que na Europa do Plano Marshall só tiveram vez em Pierrot Le Fou (O Demônio das Onze Horas) de Godard, aos ultra-compactos  e utilitários europeus, do Fiat 500 (o primeiro carro da maioria dos motoristas italianos) aos Citroën 2 e 4 cavalos, Rover 100 e depois os Peugeot 404 e 204,  o Morris e o Austin, Morris e Austin Cooper, idem-idem Cooper S, o Jeep, o Rover, o Land Rover, o Range Rover hoje Land Rover - carro utilitário ou De Luxe eram a expressão do estilo do feliz proprietário, + ou menos bizarros (até no estofamento) ou funcionais. Tempos de mídia média  mediania. Quase tudo segue o mesmo modelo para uma ou outra e outra modalidade. Marcas vem e voam em alta velozidade. Pronto a vestir e a deletar. Ponto. A aceleração do consumo produziu também o principal efeito secundário do usa e joga fora: fidelidade a produto ou marca só em fast food.  GM, símbolo do capitalismo do século 20, é estatizada por Obama para não falir. Fez muito bacana colecionar Chevys, Cadillacs, Buicks e Oldsmobiles do ano a cada ano que saiam da garagem em dias alternados.

by Robert Crumb       

(recuperado de uma enchente)veja toda a estória em America Crumb a partir DAQUI

 

02 abril 2009 clima de dia D

I got tired of D-days

Cansei de dias D Frank O'Hara Action Poetry

Bretton Woods em Londres 55 anos depois Bosques Bretões em Londres      

Britain Woods 55 anos depois

"anticapitalistas" manifestam-se

os protagonistas assomam o proscênio

Greenpeace promove manifestação na ponte Rio-Niterói, Rio de Janeiro, por maior atenção ao ambiente e às pessoas e não só ao dinheiro - crise de mercado e de afeto

mas a onda agora é o flash

G-20 (espécie de Governo Mundial do admirável mundo novo) decide investir US$ 5 trilhões na luta contra a recessão até 2010

os primeiros comentários sublinham o anúncio do fim do Consenso de Washington pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown

combate firme contra a rolagem e lavagem da grana do malvado crime organizado, fraudes E corrupção

enfim, fim do modelo de capitalismo que impera desde Bretton Woods (1944-45) e da desregulação da paridade dólar-ouro pela Administração Nixon (1971) breve,

"fundamentalismo de mercado vai para o lixo da História"    será mesmo?

autoridades suíças protestam contra inclusão pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento, com sede em Genebra, sobre o lago) de seu país na lista dos paraísos fiscais que o G-20 decidiu exterminar

Chile figura na lista cinza, a da segunda pior graduação entre os paraísos que lavam mais branco

Brasil é o sétimo produtor mundial de automóveis, oitavo produtor mundial de alimentos, maior produtor mundial de biocombustíveis

lucro da Petrobras em 2008, de US$ 33 bilhões, supera em US$ 3 bilhões o das 28 maiores instituições financeiras brasileiras; em terceiro lugar no volume de lucros está o setor de mineração

              CARDÁPIO 2009                regulação bleue

     

 

mais dicas do cardápio de  A Fome no Mundo e os Canibais:


                  Não é unívoco, não é maniqueísta, não é unilateral. Também daqui se vê, como o senador Cristovam Buarque, que há que definir, como a Opep quantas gotas de petróleo se produz, quantos centímetros quadrados de terra se vai consumir para encher os tanques do mundo e não deixar de plantar para se comer num país que tem fome.
 

                  Lição que qualquer bebezinho sabe de cor - e o que faz é desaprender.
 

Indi-gente
questões velhas de guerra
cobiça X natureza
que apenas é sem perguntar
como
porquê
pra quê
desenvolvimento econômico X preservação ambiental

ou como posto no título do livro do fotógrafo Pedro Martinelli Gente X Mato (2008) quando a questão básica hoje é a educação e ela está em falta para tudo, quanto mais para a curtição ambiental. Se a questão é desenvolvimento é necessário um modelo que explore a biodiversidade e a riqueza de terra, exposição solar e água com um sistema educacional que no Brasil, segundo alguns especialistas, já atingiu nível de sofisticação como em poucos países em desenvolvimento NO EXTRATO SUPERIOR DE PÓS-GRADUAÇÃO, mas nas bases...

em depoimento à revista veja, de são paulo, quando do lançamento de Gente X Mato Pedro Martinelli põe o dedo na chaga que é o mapa do Brasil ao dizer que as coisas não mudam (ou mudam para pior) desde que há 30 anos começou a viajar para a Amazônia. Quando a maré sobe em Belém do Pará sobe com ela "um lixo de cheiro insuportável" nas imediações do famoso mercado Ver-o-Peso e em Manaus há décadas o esgoto é jogado diretamente no Rio Negro na frente da cidade e "as comunidades do interior são todas um lixo só". Então, não adianta o sujeito que mora em São Paulo ficar falando em emissão de carbono, sustentabilidade, manejo sustentável. Na prática, as coisas não mudam.

quem sai das minúsculas reservas habitacionais protegidas por grades das populações de classe A e B depara-se com o descuido pela deseducação e pobreza que faz de quase todo o resto do Brasil viveiro de mil e uma pragas de subdesenvolvimento urbano, suburbano e rural de igual modo insuportável, de onde a cada hora desaparece o mínimo vestígio de desenvoltura, doçura, beleza e nobreza.

de outra parte não adianta insistir em desenvolvimento sobre o mesmo modelo econômico visando quase exclusivamente a exportação de produtos primários. Não é de agora que se sabe que, ao mesmo tempo em que é necessário pensar um pouco em dar um pouco ou mais de comida ao povão e não plantar soja para engordar porco japonês, é preciso no mínimo agregar valor aos produtos primários para que eles sejam rentáveis. como se assinala a cada passo por aí : o Brasil tem área plantada de soja quase três vezes maior que a da Argentina, que no entanto fatura quase o mesmo em exportação porque exporta óleo de soja e não somente grãos. de Cabral à timbalada de Carlinhos Brown dá no mesmo: eles aqui ó de escravo subalimentado. Indi-gente.   

detrito da abundância (de detritos), detrito da indi-Gência

Wildlife, whatever happened to  wild life  the animals in the Zoo - em outubro de 2008 a World Wildlife Fund repica os sinos em relatório de um estudo em que fez as contas do que é necessário para a produção de bens e processar o lixo produzido pelo homem e concluiu serem necessários em média 2,7 hectares de terra por habitante ao ano - 9,4 para cada americano - e que em 2030 será necessário um outro planeta do tamanho e com as condições ambientais da Terra para dar conta do recado. A demanda por recursos naturais dobrou desde 1997. A população da África triplicou desde 1970.  Metade dos rios do mundo estão contaminados por esgoto, agrotóxicos e detritos industriais. Em 2050 serão utilizados 80 por cento dos recursos de água doce do planeta que o homem pode consumir, equivalente a um por cento do líquido existente, e o volume de pesca disponível terá sido reduzido em 90 por cento. Quase metade da área dos oceanos está gravemente contaminada. A emissão de gás carbono CO2 aumentou dez vezes nos últimos 50 anos. Só um décimo dos 15 bilhões de hectares de terra existentes servem para a agricultura.

ENGLAND  WAR ON OIL Lawrence da Arábia, tenente inglês que na I Guerra Mundial coloria mapas e acaba liderando união de nômades da atual Arábia Saudita contra os turcos. Winston Churchill cria a Opep.

Eles não falam do mar e dos peixes nem deixam ver a moça pôr a canção. O que interessa é que a BR 364 desemboca no Pacífico de boca para a Ásia, não o que aconteceu desde os primeiros contatos há meio século, a abertura da picada até o asfaltamento da estrada que vai para Rondônia e de lá para o Peru.
A questão dos conflitos de terra no Brasil é central
brancos X índio / branco X branco
expansão agropecuária e boi bumbá bumba meu boi na Amazônia - Música do BR K Abertura em Tom Menor,
 Abertura.
 

Antropofagia - como era gostoso o meu francês.

                                                 

                          DO CANIBALISMO RITUAL NA REPARTIÇÃO
                              É fácil olhar pro homem nu e de cocar - um doidivanas que não
                              se preocupa em se vestir mas tão só emperiquitar-se - e ainda por cima
                              CANIBAL e chamá-lo de selvagem no mau sentido. Mas selvageria maior -
                             sabemo-lo todos bem - se praticou, se praticava e se pratica entre os
                             civilizados. Canibalismo não-ritual em qualquer local de trabalho
                          ALTAMENTE COMPETITIVO dos dias de hoje, como ensina todo manual  de
                             sobrevivência e/ou "progresso" no emprego, onde comer para não ser
                             manjado é a lei. (Instinto de Sobrevivência dos primatas mamíferos, lei
                             da evolução das espécies, etc.) Aos pouquinhos, dia após dia, lá se vai
                             mais um, lá se vão todos os pedaços. Ora, senhores, convenhamos, isso
                             não tem graça nenhuma, não é nem coisa - no sentido de sequer se
                             prestar a ser brincadeira - de criança.


Entre selvagens e selvagens, no bom e no mau sentido, qual o canibalismo mais espantoso - o ritual dos ditos povos primitivos ou o ritual incorporado à lei de sobrevivência ao longo da evolução das sociedades dos ditos povos civilizados.

O antropophago Oswald de Andrade Era um gozador / piadista quiçá inconsequente e talvez o melhor da obra seja A piada de Oswald de Andrade sobre a ditadura da literatice e do academicismo num país tropical em que os naturais da terra andavam nus e Olavo Bilac ("o poeta do serviço militar obrigatório" - Wally Salomão) & o enxame de fraque sob 40° (à sombra): Ver com olhos livros. O índio que devora o colonizador tornou-se o emblema do artista brasileiro que deglute as influências européias. Osw de Andróide d'après Mário Chamie: aposta "na esperança 'vingativa' de que a vertente inculta devore a vertente doutoral e letrada de nossa cultura literária".

A deglutição do bispo Sardinha torna-se marco da literatura brasileira, nos princípios do modernista Oswald e no ciclo nordestino (Graciliano Ramos, Caetés) logo depois. d. Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil, teve brigas sérias com o governador-geral, d. Duarte da Costa, derivadas da alegada devassidão do seu filho, d. Álvaro da Costa. Após anos de desavenças o bispo foi chamado de regresso à corte por d. João III e partiu de Salvador para Lisboa em Maio de 1556  numa nau que naufragou nas costas de Alagoas. Os 92 sobreviventes do naufrágio foram aprisionados e devorados pelos caetés, que pelo sacrilégio foram exterminados sem dó nem piedade a mando do terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá. 

Palavra mágica de seu xamã modernista - antropofagia. Lançou a dica no provocante Manifesto Antropophago, de 1928,  na
  Revista de Antropophagia 

                                        Tupy or not tupy, that is the question.
                                        Nunca fomos cathechisados.
                                        Preguiçosos no mappa mundi do Brasil.
                                        Contra todos os importadores de consciência enlatada.
                                        Queremos a revolução Carahiba.
                                        Maior que a revolução Francesa.
                                        O instincto Carahiba.

                                       
Em Piratininga
                                        Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha

 

O saxofone obstina uma dor de dentes delirantes
Que o maxixe espasma
Entre tiros e gorjetas
Mas o escapamento escapa
Na noite penitenciária

Oswald de Andrade - Memórias Sentimentais de João Miramar
74. Sal O May

Quando eu era pequenino olhávamos o índio Aymoré da lata de biscoitos e Oswald dissera que a massa ainda vai comer do biscoito fino que fabrico. Oswald, um poeta, ou seja um lírico, i.e. um idealista porra-louca que em parte torrou com a Arte e com a Solidariedade Socialista e em parte perdeu tudo o que tinha como herdeiro de barões do café no grande crack da Bolsa de Nova York em 1929, anunciara a aurora das promessas da Revolução Proletária (A Escada, depois A Escada Vermelha, depois de novo A Escada, quando se desiludiu do Partido), e anunciou uma futura sociedade matriarcal libertada pela tecnologia. Os ensaios de Oswald de Andrade são citados pelo crítico Luiz Costa Lima como exemplo da precariedade do sistema intelectual brasileiro.
Oswald, na verdade, suporta muito mal o confronto com o modernismo europeu que pretendia deglutir, dizem os entendidos de hoje em dia.
Carlos Drummond de Andrade - O homem do Pau-Brasil:
"Improvisador interessantíssimo, de inteligência pouco aplicada, se não vadia ou impertinente, mas em todo caso penetrante e ágil como o diabo."
Como o diabo - diabo velho.
Penetrante e ágil como o diabo
 

    DE OUTRO CANIBALISMO SELVAGEM

Os infernos em vida e os anjos decaídos de Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel são a expressão dos horrores canibais vividos na Europa quando portugueses, espanhóis e holandeses, conduzidos também por capitães venezianos e genoveses, inauguram o mercado global e a longa era de opulência e riqueza, dando novas oportunidades de trabalho a muita gente que se fazia ao mar ou ficava em terra a traficar gentes e bens (commodities, bens entendido).

Do novo mundo os primeiros aventureiros traziam imagens que eram apenas uma extensão do imaginário fantástico já inscrita em seu bestiário: bichos piores que dragões, gentes que eram a própria encarnação do Demo, embora tupinambás antropófagos tenham animado a grande festa das Descobertas, dando origem à teoria do Bom Selvagem e se tornado até fidalgos na França. (Dá pra acreditar?) Como sempre, paraíso terreal ou a imagem acabada do inferno, onde um se tanto grotesco tucano é descrito como tendo "um bico tão grosso e comprido como o resto do corpo" e por isso ser capaz de dar ao cronista (frei André Thevet em Curiosidades da França Antártica) "a perfeita noção do monstruoso".

O ponto de vista de partida deve ser o de Lévi-Strauss: relativista, se quisermos, apesar do termo já por si tão demonizado.  Até a chegada da esquadra de Cabral os índios não sabiam o que era Deus e o Diabo. Canibalismo é associável ao que o homem tem  de mais horripilante, sempre houve e haverá quem o pratique ritualisticamente ou por absoluta necessidade em qualquer lugar do mundo. Com o mais famoso dos seus cronistas históricos, Hans Staden, um cidadão de Bremen, que dele escapou numa boa para tornar-se best seller, podemos olhá-lo pelos seus aspectos menos trágicos, tomá-lo por uma acepção metafórica sobre quem deglute o quê (Manifesto Antrophago) ou até por uma faceta hilariante, que aliás no fundo é a que mais dá o que falar na sua Descrição Verdadeira de um País de Selvagens Nus, Ferozes e Canibais, Situado no Novo Mundo América, Desconhecido na Terra de Hessen, Antes e Depois do Nascimento de Cristo.

Por isso há quem dele fale como um dos personagens mais cativantes do Brasil colonial. Não era nenhum sábio. Não passava de um aventureiro sem compromissos com teorias. Fez-se arcabuzeiro porque era um aventureiro. Queria conhecer a Índia mas acabou por embarcar num navio em Lisboa em 1547 com destino a Pernambuco, onde se envolveu na guerra aos caetés e contrabandistas de pau-brasil franceses. Voltou à Europa mas em 1549 já estava de regresso ao Brasil numa nau espanhola que naufragou em Santa Catarina.  Dois anos depois foi para São Paulo e o barco onde estava naufragou nas costas de Itanhanhém, onde foi capturado pelos tupinambás-tamoios, chefiados por Cunhambebe, que dominavam o litoral desde a Capitania de San Vicente à atual região de Cabo Frio e eram aliados dos franceses na luta contra os portugueses. Durante o cativeiro de nove meses usou dos recursos que tinha & não tinha para escapar ao destino inexorável, dizendo-se francês e chorando e gemendo a cada vez que era ameaçado de ser comido. Segundo uma das explicações do fenômeno os índios deglutiam os inimigos para incorporar o seu espírito e sua força e coragem. Longe deles pensar em ingerir matéria de um covarde. Estudiosos concluíram que os índios que habitavam o litoral à época do achamento estavam se movimentando do Sul para Norte de Pindorama, Terra das Palmeiras, Terra Papagalli ou como se chamasse. Primos tupis, tupiniquins, tupinambás, disputavam território de caça e coleta e em muitos casos se odiavam. Comiam-se vivos. E mortos. O sonho de muitos era acabar no estômago dos inimigos, diz-se. Um dos trechos mais badalados do seu livro que segundo os estudiosos não prima pela veracidade ou pelo rigor do relato e que escreveu de regresso à Europa após escapar ou ser libertado, é aquele em que conta que certa vez, de pés amarrados, ouviu dos tamoios em zombaria: Lá vem nossa comida pulando! 

O teutão narra os rituais em detalhe; já José de Anchieta dá uma perspectiva teológica de seu relacionamento com o fenômeno a partir da atitude de um condenado: Fui; mas pouco aproveitei, que ele não quis ser cristão, dizendo-me que os que nós outros batizávamos não morriam como valentes, e ele queria morrer morte formosa e mostrar sua valentia.

- Matai-me, que bem tendes de que vos vingar em mim, que comi a fulano vosso pai, a tal vosso irmão, a tal vosso filho.

            Saltaram muitos com ele, e a estocadas, cutiladas e pedradas o mataram.  Estimou ele mais esta valentia que a salvação de sua alma.

Anchieta descreve o Brasil como uma terra povoada por índios que usam todos comer em seus banquetes carne humana, no que mostram achar grande prazer e doçura.    

 

       

      

       

 

       

       

  

História do novo mundo, história da perpetuação dos erros humanos, dos enganos da civilização ocidental - fome no mundo. Erros de interpretação. A presunção do intérprete, que impõe a sua visão. Malthusianos e antimalthusianos, isto e aquilo. Isto ou aquilo. Terra arrasada e acabou. Não se fala mais nisso.

 

          Chegados à África Central, rumam para o interior, iniciando a sua aventura, que é essencialmente a da deslocação cultural, a passagem de uma cultura para outra.
A PASSAGEM DE UMA CULTURA PARA OUTRA: OS CANIBAIS 

                                QUEM CANIBALIZA QUEM OU O QUÊ
 

De MÚSICA DO BRASIL DE CABO A RABO

em    ciberzine  & narrativas de james anhanguera

        

         No Rio os índios não escutavam a Rádio Tamoyo.

Os tupiniquins da praia de Coroa Vermelha ainda não conheciam a Timbalada de Carlinhos Brown.

         Nada tinha nome nas línguas dos gringos.

Mundus Novus, Utopia, os termos eram atlântidos.

         Os tupi-guaranis eram concretistas.

Pindorama, chamavam às terras do litoral.

Terra das Palmeiras.

        Desbussolados os europeus não sabiam nem que nome dar a isso - Ilha de Vera Cruz, Terra Nova, Terra dos Papagaios ou Terra Papagalli, Terra da Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Terra do Brasil - a cada ano um nome novo.

         Até que ficou Brasil mesmo.

        Embarcaram também nas naus e caravelas Deus e o Diabo, que os tupiniquins e os tamoios não conheciam.

          Da Santa Cruz é dose pra leão.

          Terra do Brasil.

 Em 1505 fixam a data em que já sabiam que ali não havia só papagaios e puseram-se a cortar a Mata Atlântica a velocidade de serra elétrica.

  Som de fundo b.g. cantos de pássaros e serra elétrica. No mapa animado a Mata Atlântica é reduzida a um vigésimo em 500 anos. Voz de Samuel Fuller, que esteve em São Félix do Araguaia (Mato Grosso) em 1954 para filmar Tigrero para a 20th Century Fox quando regressa em 1990 para filmar com Mika Kaurismaki Tigrero – The Film That Was Never Made:

- Meu filho, aquilo sim foi uma aventura. Quando pousamos aqui só havia sete ou oito casas de índios. Era mata virgem ao redor e milhares de pássaros coloridos. Infelizmente não vejo nada igual agora.

 

           Terra do Pau Brasil em extinção.

         Cor fogoembraza, tinturaria.

         Terra da Vera Cruz é o próprio flagelo da cruz de Cristo para redimir os pecados originais daqueles pobres filhos de Deus ignaros da existência do mal absoluto. A vera cruz.

         Utopias religiosas. Sonhos de Estado também, com as tribos de Israel unidas na França Antártica mas que logo se engalfinham a ponto de quase praticarem o canibalismo não-ritual.  

 

                          

 

                               

                                                                                          Gravuras do livro de Hans Staden

                            

                                                                                                                 Gravura de De Brye

No capítulo IX (Guanabara) de Tristes Trópicos (primeira edição 1955), em que quinze anos depois do regresso à França relembra as viagens ao e pelo Brasil de Sudeste, Sul e Centro-Oeste, Claude Lévi-Strauss rememora a alvorada da colonização e os pecados que ela implantou na terra virgem desde o seu começo, que retomamos da edição Plon, coleção Presses Pocket, Paris, 1973

 

... j'ai dans ma poche Jean de Léry, bréviaire de l'ethnologue.

Ily a trois cent soixante-dix-huit ans presque jour pour jour, il arrivait ici avec dix autres Genevois, protestants envoyés par Calvin à la requête de Villegaignon, son ancien condisciple que venait de se convertir un an à peine après son établissement dans la baie de Guanabara. Cet étrange personnage qui avait fait successivement tous le métiers et qui avait touché à tous les problèmes s'était battu contre les Turcs, les Arabes, les Italiens, les Ecossais (il avait enlevé Marie Stuart pour permettre son marriage avec François II) et les Anglais. On l'avait vu à Malte, à Alger et à la bataille de Cérisoles. Et c'est presque au terme de sa carrière aventureuse, alors qu'il semblait s'être consacré à l'architecture militaire, qu'à la suite d'une déception de carrière décide d'aller au Brésil. Mais là encore, ses plans sont à la mesure de son esprit inquiet et ambitieux. Que veut-il faire au Brésil? Y fonder une colonie, mais sans doute aussi s'y tailler un empire; et, comme objectif immédiat, établir un refuge pour les protestatns persécutés qui voudraient quitter la métropole. Catholique lui-même et probablement libre penseur obtient le patronage de Coligny et du cardinal de Lorraine. Après une campagne de recrutement auprès des fidèles des deux cultes, mence aussi sur la place publique auprès des débauchés et des esclaves fugitifs, il réussit finalement, le 12 juillet 1555, à embarquer six cents personnes sur deux navires : mélange de pionniers représentant tous les corps d'état et des criminels tirés des prisons. Il n'oubliait que les femmes et le ravitaillement.

Le départ fut laborieux; par deux fois, on rentre à Dieppe, enfin, le 14 août, on lève définitivement l'ancre, et les difficultés commmencent : bagarres aux Canaries, putréfaction de l'eau à bord, scorbut. Le 10 novembre, Villegaigon mouille dans la baie de Guanabara, où Français et Portugais se disputaient depuis plusieurs années les faveurs des indigènes.

(...)

Mais, mettant pour la première fois le pied sur la terre du Brésil, je ne puis me retenir d'évoquer tous ces incidents burlesques et tragiques qui attestaient il y a quattre cents ans l'intimité régnant entre Français et Indiens : interprètes normands conquis par l'état de nature, prenant femme indigène et devenant antropophages; les malheureux Hans Staden qui passa des années d'angoisse attendant chaque jour d'être mangé et chaque fois sauvé par la chance, essayant de se faire passer pour Français en invoquant une barbe rousse fort peu ibérique et s'attirant du roi Quoniam Bebé cette réplique : "J'ai déjà pris et mangé cinq Portugais et tous prétendaient être français; cependent ils mentaient!" (...)

Villegaignon fonde, sur une île en pleine baie, le Fort-Coligny; les Indiens le construisent, ils ravitaillent la petite colonie; mais vite dégoutés de donner sans recevoir, ils se sauvent, désertent leurs villages. La famine et les maladies s'installent au fort. Villegaigon commence à manifester son tempérament tyrannique;  les forçats se révoltent : on ls massacre. l'épidémie passe sur la terre ferme; les rares Indiens restés fidèles à la mission sont contaminés. Huit-cents meurent ainsi.

Villegaigon dédaigne les affaires temporelles; une crise spirituelle le gagne. Au contact des protestants, il se convertit, fait appel à Calvin pour obtenir des missions qui l'éclaireront sur sa foi nouvelle. C'est ainsi que s'organise, en 1556, le voyage dont Léry fait partie.

L'histoire prend alors un tour si étrange que je m'etonne que nul romancier ou scénariste ne s'en soit encore emparé. Quel film elle ferait! Isolés sur un continent aussi inconnu qu'une autre planète, complètement ignorants de la nature et des hommes, incapables de cultiver la terre pour assurer leur subsistance, dépendent pour tous leurs besoins d'une population incompréhensible que les a d'ailleurs pris en haine, assaillis par les maladies, cette poignée de Français, qui s'étaient exposés à tous les périls pour échapper aux luttes métropolitaines et fonder un foyer où puissent coexister les croyances sous un régime de tolérance et de liberté, se trouvent pris à leur propre piège. Les protestants essayent de convertir les catholiques, et ceux-ci les protestants. Au lieu de travailler à survivre, ils passent les semaines en folles discussions : comment doit-on interpreter la Cène? Faut-il mêler l'eau et le vin pour la consécration? L'Eucharistie, l'administration du baptême fournissent le thème de véritables tournois théologiques à la suite desquels Villegaignon se convertit ou se reprend.

On va jusqu'à expédier un émissaire en Europe pour consulter Calvin et lui faire trancher les points litigieux. Pendant ce temps les conflits redoublent. Les facultés de Villegaignon s'altèrent; Léry conte qu'on pouvait prédire son humeur et ses rigueurs à la couleur de ses costumes. Finalement, il se tourne contre les protestants et entreprend de les affamer; ceux-ci cessent de participer à la vie commune, passent sur le continent et s'allient aux Indiens. A l'idylle qui se noue entre eux, nous devons ce chef-d'oeuvre de la littérature ethnographique, le Voyage faict en la Terre du Brésil de Jean de Léry. La fin de l'aventure est triste : les Genevois arrivent, non sans mal, à rentrer sur un bateau français; il ne s'agit plus, comme à l'aller où ils étaient en force, de "dégraisser" - c'est à dire de piller - gaiement les bateaux rencontrés sur la route; la famine réigne à bord. On mange les singes, et ces peroquets si précieux qu'une Indienne amie de Léry refusait de céder le sien, à moins que ce ne fût contre une pièce d'artillerie. Les rats et les souris des cales, dernières victuailles, atteignent le cours de quattre écus pièce. Il n'y a plus d'eau. En 1558, l'équipage débarque en Bretagne à demi mort de faim.

      

Sur l'île, la colonie se désagrège dans un climat d'éxecutions et de terreur; détesté par tous, consideré comme traîte par les uns, comme renégat par les autres, redoutable aux Indiens, effrayé par les Portugais, Villegaignon renonce à son rêve. Fort-Coligny commandé par son neveu, Bois-le-Comte, tombe aux mains des Portugais en 1560.

... tenho no bolso Jean de Léry, breviário do etnólogo.

Há trezentos e setenta e oito anos, contados quase dia a dia, ele chegou aqui com outros dez Genebrinos, protestantes enviados por Calvino a pedido de Villegaigon, seu antigo condiscípulo que acabara de se converter apenas um ano após ter se alojado na baía de Guanabara. Este estranho personagem que tinha exercido um após o outro todos os ofícios e que convivera com todos os problemas tinha se batido contra os Turcos, os Árabes, os Italianos, os Escoceses (transportou Maria Stuart para que ela se casasse com François II) e os Ingleses. Ele foi visto em Malta, na Argélia e na batalha de Cérisoles. E é quase ao cabo de sua carreira aventurosa, quando parecia que se tinha consagrado à arquitetura militar, que após uma decepção de trabalho ele decide ir para o Brasil. Mas ainda esta vez seus planos são à medida de seu espírito inquieto e ambicioso. O que é que ele pretende fazer no Brasil? Fundar uma colônia, mas sem dúvida também erigir um império; e tem por objetivo imediato criar um refúgio para os protestantes perseguidos que queriam abandonar a metrópole. Católico e provavelmente livre pensador, obtém o encargo de Coligny e do cardeal de Lorraine. Após uma campanha de recrutamento junto dos fiéis dos dois cultos, indo mesmo à cata de libertinos e escravos fugidos, ele consegue finalmente, a 12 de julho de 1555, embarcar seiscentas pessoas em dois navios : mistura de pioneiros em representação de todos os grupos sociais e de criminosos tirados das prisões. Só se esqueceu das mulheres e de  mantimentos.

A partida foi trabalhosa; por duas vezes retornou-se a Diepe; enfim, a 14 de agosto levanta-se âncora, e as dificuldades começam: rixas nas Canárias, putrefação de água a bordo, escorbuto. A 10 de novembro Villegaignon lança âncora na baía de Guanabara, onde Franceses e Portugueses disputavam já há um bom par de anos os favores dos indígenas.

 (...)

Mas pondo pela primeira vez os pés na terra do Brasil não posso deixar de evocar todos esses incidentes burlescos e trágicos que atestavam há quatrocentos anos a intimidade reinante entre Franceses e Índios : intérpretes normandos conquistados pelo estado da natureza, juntando-se mulheres indígenas e tornando-se antropófagos; o infeliz Hans Staden que passou anos de angústia esperando a cada dia ser comido e a todo momento sendo salvo pela sorte, tentando se fazer passar por Francês evocando sua barba ruiva muito pouco ibérica e provocando em Cunhambebe [mas até que fica bem também Cunhã Bebê] esta resposta : "Eu já peguei e comi cinco Portugueses e todos pretendiam ser franceses; e não é que eles mentiam?!" (...)

Villegaignon funda, numa ilha em plena baía, o Forte Coligny; os Índios o constroem e abastecem a pequena colônia, mas cedo,  desgostosos de dar sem receber nada em troca, eles se mandam, abandonando suas aldeias. A fome e as doenças assolam o forte. Villegaignon começa a manifestar seu temperamento tirânico; os forçados se revoltam e são massacrados. A epidemia se estende a terra firme : os poucos Índios que se mantiveram fiéis à missão são contaminados. Oitocentos morrem doentes.

Villegaigon desdenha os assuntos temporais; é acometido de uma crise espiritual. Em contato com os protestantes se converte, apela a Calvino para obter missões que poderão esclarecê-lo sobre sua nova fé. É assim que se organiza em 1556 a expedição de que Léry participa.

A história assume então aspectos tão estranhos que me espanta que nenhum romancista ou dramaturgo se tenha ainda interessado por ela. Que filme não daria! Isolados em um continente tão desconhecido como um outro planeta, completamente ignorantes da natureza e dos homens, incapazes de cultivar a terra para assegurar sua subsistência, dependentes para todas as suas necessidades de uma população incompreensível, que de resto os tomou de ódio, assolados por doenças, esse punhado de Franceses, que se expuseram a todos os perigos para fugir das lutas na Metrópole e fundar um fórum onde pudessem coexistir as crenças em um regime de tolerância e de liberdade, se encontram presos em sua própria armadilha. Os protestantes tentam converter os católicos e estes os protestantes. Em vez de trabalhar pela sobrevivência passam semanas em tolas discussões : como devemos interpretar a Ceia? É preciso misturar água com vinho para a consagração? A Eucaristia, a administração do batismo dão o tema para verdadeiros torneios teológicos em virtude dos quais ou Villegaigon se converte ou desiste de vez.

Chega-se ao ponto de mandar um emissário à Europa para consultar Calvino e fazê-lo esclarecer os pontos de litígio. Enquanto isso os conflitos redobram. As faculdades de Villegaigon se alteram; Léry conta que se podia sentir seu humor e sua severidade pelas roupas que vestia. Finalmente ele se vira contra os protestantes e os põe à fome; estes cessam de participar na vida comum, vão para o continente e se aliam aos Índios. Às quizílias entre eles devemos essa obra-prima da literatura etnográfica, a Viagem Feita em Terras do Brasil de Jean de Léry. O fim da aventura é triste : os Genebrinos conseguem a duras penas embarcar em um barco francês; não se trata mais, como na partida, quando estavam com a moral lá em cima, de "emagrecer" - quer dizer, pilhar - alegremente os navios por que passavam em caminho; a fome reina a bordo. Come-se os micos, e esses papagaios tão preciosos que uma Índia amiga de Léry se recusou a ceder o seu até lhe darem uma peça de artilharia em troca. Ratazanas e ratos de porão, últimos mantimentos, atingem o preço de quatrocentos escudos a unidade. Acabou a água. Em 1558 a comandita desembarca na Bretanha quase morta de fome.

Na ilha, a colônia se desagrega em um clima de execuções e terror; detestado por todos, considerado uma ameaça por uns e um renegado por outros, temido pelos Índios, Villegaigon renuncia a seu sonho. Forte Coligny, comandado por seu sobrinho, Bois-le-Comte, cai em mãos dos Portugueses em 1560.

 

         Terra de exílio espiritual entre os ímpios - para fazer o quê?  

          Catequizar. Catequizar. Catequizar.

         Os franceses nem tiveram tempo de pensar nisso e foram expulsos da Baía de Guanabara antes de ver crescer as primeiras mudas de ouro doce, quando Duarte Coelho Pereira já bradara Ó linda situassam para fundar uma villa.

          Pan de Assucar...

          Pura poesia.

          Ou poesia nenhuma nisso...

     Outra peça importante para a reconstituição histórica do modo de produção do engenho são fragmentos de fôrmas de pão-de-açúcar (...).

  Essas fôrmas – cones com um furo na ponta – recebiam o caldo de cana fervido e o armazenavam por 45 dias, período após o qual o “pão” (bloco de açúcar endurecido) era retirado.

  O “pão” era cortado pelos escravos de modo que fossem separadas as partes “nobres” do açúcar – destinadas à exportação – da parte que misturava bagaço de cana e impurezas – destinadas à alimentação dos escravos.

              Não tinha jeito mesmo. Sem poesia. Cada nome, fora os de Américo ou Morus, que só se meteram nisso para poetar mesmo, ligado a uma doutrina ou ao modo de produção. Hernán de Noroña, o do primeiro monopólio do Mundus Novus: corte e comércio do pau-brasil. Pão-de-açúcar e sem mais essa: o pão que o diabo (deles) amassou e o mascavo mascavam os índios escravos na Capitania de San Vicente.  Talvez um niquito de nada, porque não eram gente – não tinham alma -, não eram tratados como gente. Quando chegar a vez de Antônio Raposo Tavares alimentá-los, daqui a cem anos, dar-lhes-á uma espiga de milho de ração diária.

         Pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro, diamantes, borracha, café, mulatas, la sambá, jogadores de futebol. Productos tropicaes. Extração em vilipêndio ou monoculturas de usura e exportação. Para os da casa, o chicote, a fome, o extermínio em massa, o canibalismo não-ritual.

   

     Eles não falam do mar e dos peixes

    nem deixam ver a moça pôr a canção

    nem ver nascer a flor nem ver nascer o sol

    e eu apenas sou um a mais, um a mais

    a falar dessa dor, a nossa dor

               Milagre dos Peixes              Milton Nascimento-Fernando Brant

 

       ... as Américas foram, antes de terem

       uma realidade própria, uma “utopia

             européia”:em outras palavras a

        descoberta do “Novo Mundo” parecia  

         corresponder à antiga esperança de

             um mundo diferente e melhor, à

            esperada realização de um sonho

      longamente acalentado pelo homem

               europeu.

           Esperança de um mundo diferente e melhor... Um sonho longamente acalentado... Como assim,  se trazem a mesma doutrina – e Deus e o Diabo, e o Diabo, como se vê desde logo pelo sonho desfeito de Villegaignon  -, o mesmo modus operandi e a sacrossanta cobiça?

         Terá sido como poetou o piadista Oswald de Andrade apenas um

                           Erro de Português

    Quando o português chegou debaixo de uma bruta chuva, vestiu o índio.

     Que pena! Fosse uma manhã de sol, o índio teria despido o português.

 

        Antropofagia e a Grande Inquisição 

  É portanto - no entanto - Jean-Paul Sartre o responsável pelo axioma. Trata-se portanto de um Dostoievski segundo o resumo de Sartre do moto contínuo do enredo de Os Irmãos Karamazov - o testamento do escritor - Se Deus não existisse, então tudo seria permitido. Se Deus Não existe, tudo é permitido. "Inclusive a antropofagia."  Sartre a partir de Dostoievski que parte (e Sartre) de Kant: "a existência de Deus é indemonstrável mas é necessário admiti-la, porque sem essa ideia tudo seria permitido". 

 

Os russos, na narrativa moderna desde Nicolai Gogol, amavam bater bola com a sacrossanta questão da coexistência do Bem e do Mal, da contraposição do Bem e do Mal, em primeira e última análise de Deus e Lúcifer, ou as bruxas que pairam da forma mais aterradora com as feições mais angelicais deste mundo desde A Bruxa de A Cidade do Sossego a O Maestro e Margarida de Bulgakov. Cristo e Pilatos, Cristo e a Grande Inquisição, o Bem e o Mal.

 

Aborígenes, naturais do lugar: para eles não existe esse Deus monopolizador do Bem-fazer, como para Cocteau em visão de Opium não existem Anjos Caídos que caídos já eram na dupla face de Deus.

 

E a antropofagia é permitida

Quer dizer, Dostoievski, segundo Sartre, dá uma pista para uma aproximação ao entendimento da questão: onde Deus é - digamos - Tupã e não Deus non peccari e tudo é permitido. "Inclusive a antropofagia." Embora se saiba que isso (e no final das contas tudo) não implica no oposto à moral judaico-cristã do ponto de vista dessa moral - o canibalismo não-ritual, a devassidão.

.



Falácia. Qualidade de falaz; enganador, ardiloso, fraudulento, ilusório, enganoso.
Indigência. Falta do necessário para viver; pobreza extrema; penúria, miséria, inépcia
Indigestão. Ato ou efeito de fartar-se.

CANIBALISMUS / ESCRAVISMO: eis o que de uma forma ou de outra funda o Brasil: regime de devorar ou "gastar gente" - usar e jogar fora, como os índios, os negros. Darcy Ribeiro dizia que ele torrou 10 milhões de almas.


CANIBALIZAÇÃO DO ESTADO

                    
Centenas de milhares de pessoas são nomeadas nas três órbitas da Federação sem levar em conta as necessidades ou mesmo os mais elementares critérios de competência e idoneidade para atender a um desenfreado clientelismo. Facilidades contratuais e outras à custa dos cofres públicos complementam esse quadro de CANIBALIZAÇÃO DO ESTADO.
(...) uma sociedade estruturalmente dualística em que apenas uma minoria da população se encontra efetivamente inserida numa moderna sociedade industrial enquanto algo como 60% do povo se acha marginalizado, numa economia agrícola primitiva ou numa miserável economia urbana informal.

A face cruel do paraíso terrestre na fazenda cafeeira: o calor sem trégua, os mosquitos, o regime de semi-escravidão, a prepotência dos patrões. - Sérgio Mauro em O Estado de São Paulo sobre Giovannina, de conde Afonso Celso (1896).

Nação não é só língua comum - é um conjunto de direitos básicos adquiridos pela coletividade como provam histórias das "sociedade mais avançada". Sem eles tem-se o que um setor convencionou chamar indigNação.

Um país rico e um povo pobre
criar um forte mercado interno e eliminar os laços de dependência coloniais.
Empresariado ávido, não-civilizado, criado à base dos favores estatais, não competitivo, que mantém as suas altas taxas de lucro a custo de privilégios estatais e cartórios econômicos, cartéis, monopólios e oligopólios.

com a ABERTURA DOS PORTOS (para a Coroa britânica) o Brasil deixa a condição colonial mas a estrutura mantém-se: escravismo, grande propriedade agrária e economia voltada para o exterior.

Terra, terra, gente, alimento, plantas, bichos
de uma perspectiva artística literária
deformidades da sociedade brasileira
deformidades macro sociais e econômicas ao longo e ao largo da história
levantadas e expostas  com clareza por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes
do Brasil
e dissecadas também por Darcy Ribeiro e Celso Furtado.

 

Comparado ao dos castelhanos em suas conquistas, o esforço dos portugueses distingue-se principalmente pela predominância de seu caráter de exploração comercial, (...)

Já em 1538 cria-se a Universidade de São Domingos. A de São Marcos, em Lima, (...) é fundada por cédula real de 1551, vinte anos apenas depois de iniciada a conquista do Peru por Francisco Pizarro. Também de 1551 é a da cidade do México, que em 1553 inaugura seus cursos.

O Padre Manuel da Nóbrega, em carta de 1552, exclamava: "... de quantos lá vieram, nenhum tem amor a esta terra (...) todos querem fazer em seu proveito, ainda que seja a custa da terra, porque esperam de se ir".

Igualmente surpreendente é o contraste entre as Américas Espanhola e Portuguesa no que respeita à introdução de outro importante instrumento de cultura: a imprensa. Sabe-se que já em 1535 se imprimiam livros na Cidade do México (...)

         Sérgio Buarque de Holanda - Raízes do Brasil

De quando são mesmo as datas de fundação da imprensa e da primeira Universidade no Brasil?

É tão
claro e evidente. Mas ninguém quer ver.
Qualquer analista político ou econômico aponta com todas as
letras o caminho das pedras para a compreensão dos fenômenos mas na
hora do vamo vê tudo fica como dantes no quartel de Abrantes porque as ditas elites não desgrudam do osso e mantêm a massa humana na
santa inguinorãça.

ENSINO 1990
No Brasil os adultos de 15 ou mais anos que completam as oito séries do primeiro grau são menos de 10 por cento do total.
Argentina: 70 por cento da população adulta tem o primeiro grau (1990).
 

Antônio Callado a IstoÉ/Senhor - 8 de novembro de 1989
Há uma pequena elite com uma espécie de instinto que lhe diz que se educar o povo ela pode desaparecer de repente. Não digo que se reúnam as elites e digam assim: "Olha, é melhor não educar ninguém." Mas é instintivo.
 

ENSINO 2008
veja 27 de agosto, 2008
TEMPERAMENTO DE REBANHO
DIOGO MAINARDI
O Brasil fracassa no esporte pelo mesmo motivo por que fracassa como país: temos uma sociedade acovardada, fujona, avessa à luta. Tudo aqui é feito para desestimular a disputa, para reprimir o desafio pessoal, para amolecer o caráter: o parasitismo estatal, a política fundada no conchavo, a repulsa por idéias discordantes. Esse nosso temperamento de rebanho inibe qualquer forma de atrito, qualquer tipo de inconformismo, qualquer espécie de enfrentamento.
Por isso aprovamos uma escola que produz analfabetos.
LEITORA:
EDUCAÇÃO NÃO É CARTEIRA, NÃO É GIZ NEM SOPA DE FUBÁ. É INFORMAÇÃO DADA COM RESPONSABILIDADE E CONHECIMENTO DE CAUSA.
Sissi Filassi
Uberaba, MG
outro leitor:
discussão sobre aumento da violência e relação com desemprego [e com a falta de educação que também gera o desemprego]. A modernidade tecnológica colocou à margem do mundo do trabalho um grande número de pessoas despreparadas para enfrentar a nova realidade.
EDUCAÇÃO LADEIRA ABAIXO
OPINIÃO DE O GLOBO 5 DE MAIO DE 2008
53,8 por cento das crianças brasileiras matriculadas conseguem concluir o ensino fundamental (oitava série), revelou relatório da Unesco reportando-se a dados de 2005.
A situação piorou em relação a 1999, quando 61 por cento dos alunos concluíam o primeiro grau.
Brasil fica assim em 76º lugar no ranking da Unesco, atrás de oito países da América do Sul.
Já falta mão-de-obra qualificada para empregos que exigem o mínimo de qualificação.
Na China há mão-de-obra abundante e os níveis de qualificação melhoram sempre...
Obcecado com as universidades, o governo adota uma atitude quase olímpica: fala-se em aumentar os recursos para a educação, mas nem sinal da campanha de salvação pública necessária.
Falta ao ensino uma noção de urgência de melhoria na motivação de escolas e professores.
NOVOS CAMINHOS - diz outra
Estado do Rio de Janeiro: índices alarmantes de defasagem escolar e uma alta porcentagem de jovens fora da escola evidenciam situação muitas vezes pior do que a média nacional.
Cerca de 30 por cento dos adolescentes entre os 15 e os 17 anos estão fora da escola em bairros como
Complexo do Alemão
Ilha do Governador e Rocinha
e chegam a 36 por cento na Maré
muito além da média municipal de 15 por cento
45 por cento DOS JOVENS ENTRE 18 E 24 ANOS DE Botafogo e Copacabana, completaram o ensino médio e só 5 por cento no
Complexo do Alemão
Maré
Santa Cruz
Jacarezinho
Cidade de Deus
e Rocinha


veja 1º de outubro, 2008
EDUCAÇÃO
DINHEIRO NÃO COMPRA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE   GUSTAVO IOSCHPE
gestão FHC - Fundef [Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental]
governo Lula - Fundeb [Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico]
O gasto em investimentos em educação é mal feito - vai muito para as universidades e muito pouco para o ensino básico no período 1970-1990 a Coréia do Sul gastou em média 3,5 por cento do PIB em educação. A Irlanda, 5,6 por cento. China, 2,3 por cento. Inglaterra, 4,9 por cento.
... melhorar a infra-estrutura das escolas que estão caindo aos pedaços e dotá-las de bibliotecas e laboratórios.
O problema principal dos funcionários de nossas escolas não é motivação: é de preparo.
O país hoje gasta 70 por cento dos seus recursos educacionais com salário de professor.
... fica difícil acreditar que tenhamos uma educação virtuosa enquanto os bilhões de reais que gastarmos forem investidos em um sistema  ineficiente, muitas vezes corrupto e composto por pessoas que não têm o preparo necessário para exercer suas funções.
50 milhões de alunos que povoam nossas escolas.

Um país rico e um povo pobre
criar um forte mercado interno e eliminar os laços de dependência coloniais.
Empresariado ávido, não-civilizado, criado à base dos favores estatais, não competitivo, que mantém as suas altas taxas de lucro a custo de privilégios estatais e cartórios econômicos, cartéis, monopólios e oligopólios.

Adianta bater na da política como meio de vida sem mais o quê?
Esquemas de sustentação política: elegem-se já em função de um esquema pessoal (subir na vida); eleitos, apóiam-se no esquema para manter o próprio esquema de sustentação. E subir na vida.

 

Tudo parece tão complicado e é tão simples ou Tudo é tão simples e só complica porque recai sempre sobre a mesma equação: cobiça X ser natural, matar pela posse X não ação.
Asa Branca, onomatopéia da fome, Caetano Veloso - ver Glauber Rocha Vozes da Seca

    ver então    Carta de Glauber Rocha ao cineasta Cacá Diegues

Nós estamos em 1971. Caetano se reaproxima através de John Lennon, mas não tenho o menor interesse em John Lennon, apesar de ter o maior interesse em Caetano. Mas seu último disco é um filme de Cinema Novo de 1968. Depois que descobriram o cinema novo de tanto esculhamba-lo: um pouco de inglês pop e de nordeste faminto – mas, meu Deus, qual a novidade de Asa Branca depois do plano inicial de Vidas Secas – é tudo bonito?

Caetano sabe disto. Intuiu mais ou menos, ele está pesquisando a música brasileira

          Assim escreveu o homem que cinco anos antes proclamara em San Remo no manifesto Estética da Fome:

 

“A mais nobre manifestação cultural da fome é a violência. Nossa originalidade é nossa fome. A fome na América Latina não é somente um sintoma alarmante. É o próprio nervo da sua sociedade.”

Outros toques do cardápio de A Fome No Mundo e os Canibais:

A REVOLUÇÃO DE UMA PALHA
SHIZEN NOHO WARA IPPON NO NKAKUMEI
Masanobu Fukuoka, 1975:

... técnicas do Sr. Fukuoka não são diretamente aplicáveis à maioria das fazendas.
... nosso devido lugar na ordem das coisas: nós não criamos nem o mundo nem a nós mesmos; nós vivemos usando a vida, não criando-a.
Wendell Berry - conservacionista, agricultor, ensaísta, professor de inglês e poeta - "o profeta da América rural".

Este Admirável Mundo Louco - Ruth Rocha, 22ª impressão, ...

                                                                                                                                         ilustrações Walter Ono

... degradação da qualidade do meio ambiente e a contaminação dos alimentos daí resultante. Os cidadãos organizaram boicotes e grandes manifestações para protestar contra a indiferença dos líderes políticos e industriais. Mas toda esta atividade, se for executada com o espírito atual, apenas conduz a um desperdício de esforços. Falar de despoluição em casos particulares é o mesmo que tratar os sintomas de uma doença enquanto a sua causa profunda continua a envenenar.
(...) Não seria melhor falar sem rodeios de deixar de utilizar os produtos químicos causadores da poluição? O arroz, por exemplo, pode muito bem crescer sem recurso a produtos químicos, assim como os citrinos, e também não é difícil cultivar legumes da mesma maneira.
(...) Se as colheitas devessem crescer sem recurso a produtos químicos agrícolas, fertilizantes e máquinas os gigantes da indústria química tornar-se-iam inúteis.(...) a base do poder (...) dos mestres da política agrícola moderna assenta em investimentos feitos pelo grande capital em fertilizantes e máquinas agrícolas. Acabar com as máquinas e os produtos químicos acarretaria uma mudança completa na economia e nas estruturas sociais.
(...) Parece então que as agências governamentais não têm intenção de parar com a poluição.
Se 59 quintais de arroz e 59 quintais de cereais de inverno forem colhidos num campo de um hectare como um destes aqui o campo poderá alimentar entre cinquenta a cem pessoas, cada uma investindo em média menos de uma hora de trabalho por dia. Mas se esse campo servisse de pasto ou a colheita devesse alimentar o gado ele poderia alimentar apenas cinco pessoas por hectare. A carne torna-se um alimento de luxo quando a sua produção requer terra que poderia fornecer diretamente os alimentos para consumo humano.
Se as pessoas continuarem a comer carne e alimentos importados em menos de dez anos o Japão mergulhará decerto numa crise alimentar. Em menos de trinta anos irão registrar-se grandes privações.
O objetivo é ter poucos agricultores. As autoridades dizem que para uma mesma superfície menos pessoas poderão ter mais rendimentos se utilizarem máquinas grandes e modernas. Depois da guerra entre 70 e 80% do povo japonês eram camponeses. Este número desceu rapidamente para 50%, depois para 30, 2O e agora a porcentagem está em cerca de 14%. A intenção do Ministério da Agricultura é atingir o mesmo nível que na Europa e na América, mantendo menos de 10% de agricultores e desencorajando os outros.
Na minha opinião o ideal seria que 100% das pessoas fossem agricultores. No Japão há apenas um décimo de hectare por pessoa. Se cada pessoa recebesse um décimo de hectare isso daria meio hectare por cada família de cinco pessoas, o que seria mais do que suficiente para sustentar a família durante todo o ano. Se praticasse a agricultura selvagem um agricultor teria também muito tempo para o lazer e para se dedicar às atividades sociais na comunidade da aldeia. Penso que se trata do caminho mais direto para tornar este país uma terra feliz e agradável.
A extravagância do desejo é a causa fundamental que conduziu o mundo à sua difícil situação atual. Mais rápido que lento, excessivo em vez de insuficiente - este "progresso" enganador está em relação direta com o iminente desmoronar da sociedade. Ele serviu apenas para separar o homem da Natureza. O homem deve parar de permitir-se desejar a posse material e o ganho pessoal e em vez disso deve voltar-se para a tomada de consciência espiritual.
A agricultura deve evoluir das grandes operações mecânicas para as pequenas propriedades, ligadas apenas à própria vida.
agricultura industrial moderna
 

                                                                            

                                     Creio que o caminho de Gandhi,   

                                      um método sem método, agindo

                                       num estado de espírito que não

                                       procura nem ganhar nem opor-se, é

                                       aparentado à agricultura selvagem.

                                        Quando compreendermos que

                                   perdemos alegria e felicidade no afã

                                        de as possuirmos, realizaremos o 

                                         essencial da agricultura selvagem.
 


           O que nos reporta de novo a

  

          huxley na fome do mundo

                                   

outro canal do dossiê  A Fome no Mundo e os Canibais

mais dicas do cardápio de  A Fome no Mundo e os Canibais:

LIBERTAÇÃO ANIMAL
ANIMAL LIBERATION
PETER SINGER 1975, 1990


                                    Este Admirável Mundo Louco - Ruth Rocha, 22ª impressão, ...   ilustrações Walter Ono

... e a criação de animais é já um modo dispendioso e ineficiente de criação de proteínas.
São necessários cerca de onze quilogramas de proteínas em ração para produzir meio quilograma da proteína que chega aos humanos.
os alimentos vegetais rendem dez vezes mais em termos de teor proteico por acre do que a carne, embora os cálculos variem e a relação por vezes chegue a atingir vinte para um.
... as formas mais eficientes produção de leite e ovos não rendem mais do que um quarto da proteína por acre que pode ser conseguida através de alimentos vegetais.
Comparando o rendimento obtido a partir de um acre de terra cultivado com aveia ou brócolos com o rendimento de um acre de terra usado na produção de alimentos para porcos, de leite, aves ou carne de vaca, percebemos que o acre de terra cultivado com aveia produz seis vezes as calorias obtidas através da carne de porco, sendo esta o mais eficiente dos produtos derivados de animais. O Acre de terra cultivado com brócolos rende quase três vezes mais do que as calorias conseguidas através da carne de porco. Da aveia obtêm-se mais de vinte e cinco vezes mais calorias que se obtém na carne de vaca. Se considerarmos ainda outros nutrientes destruímos outros mitos alimentados pelas indústrias das carnes e dos laticínios. Por exemplo, um acre de terra cultivado com brócolos produz vinte e quatro vezes mais ferro do que a mesma área utilizada na produção de carne de vaca, alterando-se a proporção para dezesseis vezes mais se a planta cultivada por a aveia.
Embora a produção de leite renda mais cálcio por acre do que a aveia os brócolos são ainda melhores, fornecendo cinco vezes mais cálcio do que o leite.
... se os americanos reduzissem o seu consumo de carne em 10% durante um ano, liberariam pelo menos doze milhões de toneladas de cereal que ficaria disponível para consumo humano - e seria suficiente para alimentar 66 milhões de pessoas. (...) [um] ex-Secretário de Estado da Agricultura afirmou que a mera redução da população de gado norte-americano para metade disponibilizaria comida suficiente para compensar cerca de quatro vezes o déficit de calorias existente nas nações subdesenvolvidas não socialistas. Na verdade a comida desperdiçada na produção de animais nas nações ricas seria suficiente, se adequadamente distribuída, para pôr fim tanto à fome como à mal-nutrição em todo o mundo. (...) a criação de animais como fonte de alimento e segundo os métodos seguidos nos países industrializados não contribui para a solução do problema da fome.
A produção de carne também afeta outros recursos. (...) meio quilo de bife criado num cercado custa dois quilos e meio de cereal, 11 250 litros de água, a energia equivalente a 4,5 litros de gasolina e a erosão de cerca de 18 quilos do solo superficial. Mais de um terço da América do Norte está ocupada com pastagens, mais de metade das culturas dos Estados Unidos são forragens e mais de metade da água consumida nos Estados Unidos destina-se ao gado. Em todos esses aspectos os alimentos vegetais são muito menos exigentes em termos de recursos e do ambiente.
Consideremos
(...) a utilização de energia. Poderíamos pensar que a agricultura é uma forma de utilizar a fertilidade do solo e a energia fornecida pelo Sol para aumentar a energia disponível para consumo humano. É o que a agricultura tradicional faz. O milho cultivado no México por exemplo produz 83 caloria em alimentos para cada caloria de energia combustível fóssil utilizada. A agricultura dos países desenvolvidos no entanto baseia-se um grande dispêndio de combustível  fóssil. A forma de produção alimentar mais eficiente nos Estados Unidos em termos de energia (a aveia, uma vez mais) apenas produz 2,5 calorias por caloria de combustível fóssil enquanto as batatas rendem apenas 2 e o trigo e a soja cerca de 1,5. Mas mesmo estes fracos resultados são uma maravilha comparando-os com a produção animal dos Estados Unidos: nesta todas as formas dependem mais de energia do que fornecem (...)
As unidades holandesas produzem 94 milhões de toneladas de excrementos por ano mas apenas 50 milhões podem ser absorvidos pela terra com segurança. Calculou-se que o excedente encheria um trem de mercadorias com 16 mil quilômetros, que se estenderiam de Amsterdã até à costa mais distante do Canadá. Mas o excedente não é transportado: é lançado à terra, onde polui os recursos hídricos e mata a pouca vegetação natural que resta nas regiões agrícolas dos Países Baixos. Nos Estados Unidos os animais de criação produzem anualmente 2 bilhões de toneladas de excrementos - cerca de dez vezes mais do que a população humana - e metade desta provém de animais criados em unidades intensivas, não regressando naturalmente à terra. Como afirmou um suinocultor: "Enquanto o fertilizante não for mais caro do que o trabalho os excrementos têm pouco valor para mim." Assim, os excrementos que deveriam ser utilizados para restaurar a fertilidade dos solos acabam por ir poluir os nossos cursos de água.
É a destruição das florestas no entanto que se revela a maior de todas as loucuras cometidas em nome da procura de carne. Em termos históricos foi o desejo de obter terrenos para pastagens que constituiu o principal motivo para o abate de árvores. Ainda é assim. Na Costa Rica, na Colômbia, no Brasil, na Malásia, na Tailândia e na Indonésia são abatidas partes de florestas tropicais para se conseguir terra para pastagens. Mas a carne de gado assim criado não beneficia os pobres desses países. Ao contrário, é vendida aos ricos das cidades ou exportada. Nos últimos vinte e cinco anos destruiu-se quase metade das florestas tropicais da América Central, em grande parte para fornecer carne de vaca à América do Norte. Talvez 90% das espécies animais e vegetais do nosso planeta vivem nos trópicos, não tendo sido ainda muitas delas identificadas pelos cientistas. Se o abate de árvores prosseguir à escala atual serão levadas à extinção. Além disso há ainda outras consequências: o abate de árvores provoca erosão e o aumento da escorrência leva a inundações, os agricultores já não têm madeira para utilizar como combustível e as chuvas podem diminuir.
... é na reflorestação em grande escala, combinada com outras medidas que visem a redução da emissão de dióxido de carbono, que reside a nossa única esperança. Se não o fizermos o aquecimento do nosso planeta provocará nos próximos cinquenta anos secas generalizadas, maior destruição das florestas devido às alterações climáticas, extinção de inúmeras espécies que não suportarão as alterações ocorridas no seu habitat e degelo nos pólos que provocará o aumento do nível dos mares e a inundação das cidades e planícies costeiras.
Mesmo quando a carne é descrita como sendo "orgânica" isto pode significar apenas que não foram administradas aos animais as doses habituais de antibióticos, hormônios e outras drogas: pouca consolação para um animal que não pode caminhar livremente.estamos esgotando rapidamente as reservas dos oceanos. Nos últimos anos as pescarias têm diminuído drasticamente.
[pesca de arrasto]
Como outras formas de produção de alimentos animais este tipo de pesca também desperdiça combustíveis fósseis, consumindo mais energia do que produz.
A indústria das pescas dos países desenvolvido tornou-se mais uma forma de redistribuição de recursos dos pobres para os ricos.
 ... o vegetarianismo contribuiria] para o aumento da quantidade de cereal disponível para alimentar as pessoas necessitadas, para a redução da poluição, para a poupança de água e energia e (e implicaria na redução do) desflorestamento; além disso, uma vez que uma dieta vegetariana é menos dispendiosa do que uma dieta carnívora (disporiam) de mais dinheiro para dedicar à causa da fome, ao controle da população ou a outra causa qualquer que se considerasse mais urgente.
... a ineficiência da produção de carne significa que aqueles que comem carne são pelo menos dez vezes mais responsáveis pela destruição indireta de plantas dos que os vegetarianos[.]

                                   

mais dicas do cardápio de A Fome no Mundo e os Canibais:

ISHMAEL Como o Mundo Veio a Ser o Que É   DANIEL QUINN 1992
[ a história do homem é a de Pegadores e Largadores, uma encenação]
Alguns pensadores pessimistas do século 19, como Robert Wallace e Thomas Robert Malthus, olharam para baixo. Mil anos antes, até mesmo quinhentos anos antes, provavelmente nada teriam notado. Mas o que eles vêem agora assusta-os. Era como se o solo se precipitasse ao seu encontro - como se estivessem a despenhar-se. Pensam um pouco e concluem: "Se assim continuarmos depararemos com grandes problemas num futuro não muito distante." Os outros Pegadores ignoraram as suas previsões.
"A intensificação da produção no sentido de alimentar uma população aumentada causa um aumento ainda maior na população." Os Pegadores respondem: "Tudo bem, só precisamos de colocar gente a pedalar na criação de um método fiável de controle de nascimentos. Então a Águia Pegadora voará para sempre."
 ... mas não enquanto as pessoas da tua cultura estiverem a encenar esta história.    

   controle de natalidade

"... sempre deixado para o futuro. Ele foi deixado para o futuro quando éreis três bilhões em 1960."
 "... enquanto as pessoas da tua cultura estiverem a encenar esta história. Enquanto encenarem elas esta história continuarão a reagir à fome aumentando a produção de alimentos. Viste já os anúncios para o envio de alimentos aos povos famintos do mundo?"
    "Sim."
    "Viste já anúncios para o envio de contraceptivos para algum lugar?"
    "Não."
    "Nunca. A Mãe Cultura tem dois pesos e duas medidas. Quando lhe falamos em explosão populacional ela responde controle populacional global mas quando lhe falamos em fome ela responde aumento da produção alimentar. Na verdade porém o aumento da produção alimentar é um evento anual e o controle populacional global é algo que jamais acontece."


Quem se recusar a ocupar um lugar na história não terá alimento Mãe Cultura por oposição a Mãe Natura - Daniel Quinn: Ismael
(...) enquanto encenardes uma história que diz terem os deuses feito o mundo para o homem o usar como muito bem o entenda (...) a Mãe Cultura exigirá aumento de produção para hoje, prometendo controle populacional para amanhã.
(...) A fome não é apanágio exclusivo dos humanos. Todas as espécies estão sujeitas a ela, em qualquer parte do mundo. (...) uma população que ultrapassou os seus recursos, apressa-se a enviar-lhe alimentos do exterior, garantindo assim que na próxima geração haja ainda mais pessoas morrendo de fome. Como nunca se permite à população reduzir-se a ponto de poder sustentar-se através dos seus próprios recursos (...)
(...) Os seus colegas do mundo todo entenderam perfeitamente o que dizia ele, mas têm o bom senso de contestar a Mãe Cultura (...)
... não é bondade nenhuma trazer comida do exterior para conservar o seu número em quarenta mil. Isso só garante a continuidade da fome.
 


A propósito desse Quinn se poderia colocar assim: para alguns autores DO CONTRA vivemos a encenação de UMA HISTÓRIA.
 
Prospectivando uma reviravolta, Percy B. Shelley -  Notes on Queen Mab
Can a return to nature, then, instantaneously erradicate predispositions that have been slowly taking root in the silence of innumerable ages? -- Indebitably not.                 


Gaia: A New Look At Life On Earth - James Lovelock

mais dicas do cardápio de  A Fome no Mundo e os Canibais:

OPERATING MANUAL FOR SPACESHIP EARTH
R. BUCKMINSTER FULLER 1969

Surgiu então Thomas Malthus, professor de economia política da Companhia das Índias Orientais dos Grandes Piratas, que disse que o homem se estava a multiplicar a um ritmo geométrico enquanto os alimentos apenas se multiplicavam a um ritmo aritmético. E finalmente, trinta e cinco anos depois, foi a vez de Charles Darwin, o servo especialista dos G.P.'s, que explicando a sua teoria da evolução animal  disse que a sobrevivência era só para os mais aptos.
A riqueza é a nossa capacidade organizada de lidar efetivamente com o meio ambiente de modo a sustentar a nossa saudável regeneração, fazendo decrescer tanto as restrições físicas quanto as metafísicas nos dias futuros de nossas vidas.
A verdadeira riqueza da vida a bordo do nosso planeta é evidentemente um sistema regenerador metabólico e intelectual operando rumo ao futuro. É bastante claro que, para implementar o nosso sucesso continuado, dispomos de enormes quantidades de riqueza na forma de rendimentos como a radiação solar e a gravitação lunar. Daí que viver apenas de nossas poupanças em energia, queimando os combustíveis fósseis que demoraram milhões de anos a acumular a partir do Sol, ou viver apenas do nosso capital, destruindo os átomos da Terra seja não só letalmente ignorante como também absolutamente irresponsável para as gerações seguintes e seus dias de vida futuros. Se não compreendermos e realizarmos a nossa capacidade potencial de apoiar toda a vida para sempre estaremos cosmicamente falidos.
... as mudanças dos próximos trinta e cinco anos - introduzindo o século vinte e um - serão muito maiores do que no século e meio que passou desde o primeiro censo econômico dos Estados Unidos. Estamos mergulhados numa gigantesca vaga invisível que quando recuar deixará a humanidade, se ela sobreviver, numa ilha de sucesso universal, sem compreender como tudo aconteceu.
Enquanto todos desfrutam da Terra total, nenhum ser humano interferirá com outro nem nenhum lucrará à custa do outro.
Como consequência de séculos de pilhagem, da Indochina pelos Grandes Piratas, e subsequente acumulação das suas riquezas na Europa, os milhões de humanos da Índia e do Ceilão ficaram tão abismalmente empobrecidos, subalimentados e fisicamente diminuídos durante tantos séculos que desenvolveram a crença religiosa de que a exclusiva intenção da vida na Terra é ser uma provação infernal e que quanto piores forem as condições com que o indivíduo tiver de se defrontar tanto mais célere será a sua entrada no céu.
... estas instituições de caridade constituem uma reminiscência dos velhos tempos dos piratas, quando se acreditava que nunca haveria o suficiente para todos.
[EDUCAÇÃO
LEI DOS GI]
... nessa emergência [desmobilização geral] legislamos a Lei do GI,
enviando-os a todos para escolas, colégios e universidades. Esse ato não foi politicamente racionalizado como uma "esmola" mas como um subsídio humanamente dignificado pelo serviço prestado por esses jovens na guerra. Devido ao enorme conhecimento e inteligência assim liberados produziram-se milhões de dólares de nova riqueza, que por sua vez aumentou sinergeticamente a iniciativa espontânea dessa geração mais jovem.
Para retirar benefícios das fabulosas magnitudes de riqueza verdadeira esperando a altura de serem inteligentemente empregadas pelos humanos, além de desbloquear o adiamento da automatização por parte do trabalho organizado devemos conceder subsídios vitalícios de pesquisa e desenvolvimento a todos os seres humanos que ficarem desempregados, ou simplesmente tempo para pensar. O homem precisa de ousar pensar com verdade e agir de acordo com ela, sem receio de perder o direito de viver.
... a produção omni-automatizada e propulsionada inanimadamente libertará o dom único da humanidade - a sua capacidade metafísica.
Através de subsídios universais de pesquisa e desenvolvimento começaremos a emancipar a humanidade do seu papel de máquina muscular e reflexa.
O que queremos é que todo mundo pense com clareza.
... viver sem estragar a paisagem, as antiguidades ou as rotas da humanidade.
O homem pode e deve compreender, antecipar, desviar, medir e introduzir metafisicamente os acontecimentos ambientais, organizados evolucionariamente, nas magnitudes e frequências que melhor se sincronizem com os parâmetros da sua regeneração metabólica e metafísica bem sucedida enquanto faz aumentar o grau de libertação espacial e temporal da humanidade de velhas e ignorantes ocupações e procedimentos de sobrevivência e do seu desperdício pessoal de capital sob a forma de tempo.
... os depósitos combustíveis fósseis da nossa Nave Espacial Terra correspondem à bateria dos nossos automóveis, que deve ser conservada de modo a poder ligar o motor de arranque do nosso motor principal. O nosso "motor principal", os processos regeneradores da vida, deverá assim operar exclusivamente a partir dos nossos enormes rendimentos diários em energia dos ventos, marés e água, além da radiação energética direta do Sol. As reservas de combustíveis fósseis foram colocadas a bordo da Nave Espacial Terra com o fim exclusivo de permitir a construção da nova maquinaria em que apoiar a vida e a humanidade em níveis cada vez mais eficazes de energia física vital e sustento metafísico reinspirador, níveis esses que deverão ser exclusivamente mantidos pela radiação do nosso Sol e das energias resultantes da atração gravitacional da Lula, como a energia das marés, ventos e chuvas, energia essa que é pulsante e portanto dominável.
(...)
Não nos podemos dar ao luxo de gastar nossos combustíveis fósseis a um ritmo superior ao tempo que precisamos para "recarregar a bateria", isto é, o ritmo preciso que os combustíveis fósseis estão a ser continuamente depositados sob a crosta esférica da Terra.
Aprendemos a diferença entre capacidades mentais e cerebrais. Fomos informados sobre as superstições e complexos de inferioridade endêmicos a toda a humanidade e devidos a todo o passado histórico de escravizada sobrevivência em condições de abismal ignorância e analfabetismo, onde só os mais implacáveis, manhosos e eventualmente abrutalhados conseguiam manter a existência, e mesmo assim por não mais de um terço do seu potencial vital conhecido.
Devemos dedicar-nos ao aumento de rendimento por quilo dos recursos mundiais até eles conferirem um alto nível de vida a toda a humanidade.
(...)
A explosão populacional é um mito. À medida que nos vamos industrializando o índice de natalidade diminui. Se sobrevivermos (ele aponta para 1985) (...) a natalidade estará a decrescer, sendo o aumento populacional reconhecido e contabilizado exclusivamente em termos dos que estão a viver por mais tempo.
A parte dos recursos da Nave Espacial Terra que cabe a cada um dos quatro bilhões de humanos é ainda superior a duzentos bilhões de toneladas.
 


a face cruel do paraíso terrestre na fazenda cafeeira: o calor sem trégua, os mosquitos, o regime de semi-escravidão, a prepotência dos patrões. - Sérgio Mauro em O Estado de São Paulo sobre Giovannina, de conde Afonso Celso (1896)

Carlos Drummond de Andrade em carta a Mário de Andrade, 18 de maio de 1930:
... é inútil tentar consertar o Brasil, ou por outra, o desconcerto eterno do Brasil é o seu traço diferencial, o seu modo de ser.


Richard Strauss em carta para Hoffmanstahl, 5 de outubro de 1920:
Do presidente para baixo todos são excessivamente entusiasmados, mas num país onde tudo é prometido e nada cumprido e há interesse real apenas na Bolsa do Café, (...)


Estado do Rio de Janeiro só cresce em função do petróleo. Dado de 2006: PIB da região metropolitana Ri de Janeiro parado desde 1980 - no município do Rio de Janeiro desde então só cresceram a criminalidade e a especulação imobiliária. É mole?

Sociólogos indianos preocupados com a correlação de corrupção, violência política e superpopulação com as más condições de saúde e educação, bem como com o analfabetismo.

NO BRASIL, O SOCIÓLOGO HÉLIO JAGUARIBE andou propondo em 1989 reforma: Brasil - Reforma ou Caos

 1) revolução na educação;

 2) política de pleno emprego;

 3) valorização do fator trabalho;

 4) maior ênfase nos serviços públicos como forma de evitar o CAOS SOCIAL.
 

 Um quarto da população miserável do país (que ganharia o equivalente a um quarto do salário mínimo) - seriam 30 milhões, metade nos grandes centros urbanos.
 Hélio Jaguaribe fotografando 1989:
 Eis aí: o país atrás das grades, marginalização e violência.
"O Brasil é mais ignorante do que pobre e é pobre porque é ignorante" - Hélio Jaguaribe no lançamento em 1989 de Brasil - Reforma ou Caos: necessidade urgente de uma "revolução educacional".
 Educação em economês é "capital humano".
Sérgio Abranches, cientista político:
O mais grave é que não há nenhum tipo de solidariedade entre os setores organizados da população e os despossuídos, que por isso se tornam fácil massa de manobra das oligarquias.
                                  

                          

     Não gosto de balas, não sou sua tia nem tenho trocado


ENQUANTO ISSO... revistas de grande informação em papel cuchê que são como que o ópio das classes médias supostamente esclarecidas escarrapacham o SHOW. O BRASIL DÁ SHOW no futebol, na F1, no vôlei e também no agrobusiness, nas reservas de petróleo e Sol e solo fértil - na base do em se lançando à terra, dá - e na siderurgia e mineração. Após um quarto de século de secura elas andam em palpos de aranha para extravasar a sua VONTADE DE POTÊNCIA, de se sentir GRANDE - GIGANTE, eis aí enfim o GIGANTE DO AMANHÃ para disputar pau a pau com Rússias, Indias, Chinas e o que vier a supremacia global.

VALORES ÉTICOS NEGATIVOS
ambição, egoísmo, insensibilidade, ganho fácil, fraude, falta de responsabilidade e solidariedade social princípios e valores que orientam comportamento e ações de sequestradores, contrabandistas, traficantes & outros

No Brasil (fins dos anos 1980) o cotidiano em que se projeta a sociedade engendra uma filosofia de razão cínica - Lei de Gérson: levar vantagem em tudo.

Programas de compensação pela pobreza e incentivos fiscais para regiões pobres = clientelismo e corrupção

DESEQUILÍBRIO (associado a inguinorãça) desperta RADICALISMOS
FANATISMO RELIGIOSO VIOLÊNCIA
proliferação de crenças de timbres messiânicos
35 milhões de fiéis protestantes, dois terços ligados a seitas pentecostais.

 

Tudo resumível reduzível à expressão mais simples - equação é tão simples, tão fácil, que quando se quer falar disso põe-se seres sencientes como um macaco a dar lições de como tudo se apresenta. Síntese de Huxley:

     Mas o pensamento é servo da vida e a vida um joguete do tempo/ E o tempo que é senhor do mundo deve parar. Depois de Milton e Tennyson, Shakespeare é o inspirador do título-tema do novo romance em que o autor reflete sobre passado, presente e o futuro, para ele seriamente comprometido pelo contínuo repisar de erros do passado por um sistema político-religioso que faz com que a razão, o respeito pelos outros, os valores do espírito estejam nas fímbrias da vontade coletiva, que tem o vigor físico de uma divindade mas mentalidade de um delinquente de 14 anos.



o outro lado da moeda: pobreza (de espírito) atrelada à "riqueza das nações" (Adam Smith - A Riqueza das Nações, só se fala nela - antes do crash).
 

e o outro a dar-lhe:

os ladrões dos precatórios, os assaltantes do orçamento, os juízes fraudadores, os usineiros safados, os empreiteiros corruptos, os banqueiros lesa-povo                - Aldir Blanc
Querelas do Brasil - Maurício Tapajós-Aldir Blanc:
do Brasil S.O.S ao Brazil - se cobrir vira circo, se cercar é hospício

Conta-se que o presidente general Costa e Silva disse a Delfim Neto: "Os ricos devem ficar cada vez mais ricos para que os pobres fiquem menos pobres" -
 

"capitalismo selvagem" significa modernização na marra.

1995 - 1996 - 1997 (?) - 7 de Setembro - Dia dos Excluídos crescimento sustentado... 1997: Brasil, sétimo maior PIB do mundo
antes a década perdida e inflação estratosférica 1987-1994.

Queremos o nosso, e o deles - tudo! - agora e que se lixem os outros e nossos próprios filhos e netos. Queremos o nosso, e o deles - tudo! - de uma vez e já, e que se escafedam os outros ou os nossos próprios filhos e netos - sinaliza o antiHipocrates Sinístromo Hipocrates é o que diz que se os europeus e americanos destruíram para enriquecer nós também temos direito.
 

      Os novos utopistas do neo-revivalismo da sociedade de parceria sob a égide de Gaia em Regalia

Depois do DesAcordo Geral de Tarifas e Comércio (DesGATT), um dos prestidigitadores da liça nos últimos anos sobretaxação de importações (aço, suco de laranja, tudo no mesmo saco, salvo seja) e subsídios à produção e porventura exportação disso e daquilo, ou então à não-produção (o que também faz algum sentido)

O ministro brasileiro das Relações Exteriores Celso Amorim viu bem:

     DEUS QUEIRA QUE NÃO SEJA PRECISO UM OUTRO 11 DE SETEMBRO
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, sobre o fracasso da Rodada de Doha dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, a coisa de um mês do último grande crash e catracrack..
O ministro foi muito criticado. Escarrapachou Veja:

               AMORIM, PEDE PRA SAIR

Mas sem ou com razão de invocar o nome em vão ou por motivos sórdidos o ministro acertou em cheio. Basta ver as declarações dos mandatários dos Grandes Piratas logo depois do... novo 11 de setembro:

Vamos reconstituir juntos um capitalismo regulamentado, em que os bancos façam o seu trabalho, que é financiar o desenvolvimento econômico, em vez de especular. Um mercado todo-poderoso operando sem regras e sem nenhuma intervenção política é uma loucura. Os tempos de auto-regulação do mercado, do laissez-faire, chegaram ao fim. Acabou o mercado que está sempre certo. - Nicolas Sarkozy.
Nicolas Sarkozy, presidente da França, em discurso na Assembléia Geral da ONU

Contradições aos montes, não em termos - qual é o trabalho dos bancos: financiar o desenvolvimento econômico? Especular? Do que é que estamos falando afinal?

Eis do que se falava deles antes do "novo 11 de setembro" (salvos sejamos)

O Globo 25 de abril de 2008
Crise nos dois lados do Canal
a crise das hipotecas americanas, que se alastrou para a Europa; o euro valorizado; um dólar frágil; e a duplicação do preço do petróleo em um ano.
Sarkozy: ruidoso divórcio com a ex-modelo (...) seguido de um casamento relâmpago com outra ex-modelo (...) soou como novela barata, longe do glamour da família Kennedy nos EUA.

O Globo 7 de maio de 2008
presidente Nicolas Sarkozy
Da crônica política, passou a povoar também revistas de fofoca, depois que sua vida pessoal virou novela.
ganhou o apelido de "presidente bling-bling", expressão que descreve a ostentação dos novos-ricos.

Do que é que estamos falando afinal?

INDIA SONG ou THE RIVER
"A Índia tem se mostrado mais aberta ao consumo, mas como a China tem uma taxa de poupança muito alta que deveria ser canalizada para o gasto do consumidor, contribuindo assim para o fortalecimento geral da economia."

 

BRIC
BRIC
BRIC
, sigla que agrupa os emergentes de primeira linha Brasil, Rússia, Índia e China.
Bric-à-brac
BRIC-À-BRAC

bolhas de irracionalidade financeira
"Dinheiro, ganância, tecnologia", Norman Gall, diretor executivo do Instituto Fernand Braudel in Braudel Papers
securitização irresponsável e a proliferação cancerosa de derivativos exóticos
CADÊ A CONFIANÇA QUE ESTAVA AQUI
semana teve início sanguinolento, com o temor de que os bancos americanos caíssem um após o outro, como num dominó. As ações tiveram o seu pior dia desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. pulverização dos instrumentos financeiros exóticos que inflaram a bolha financeira mundial.


Dicas do cardápio de 
A Fome no Mundo e os Canibais:

                                    ANHANGUERA         PAPERS
                                                                

 

banco de dados revoluciomnibus.com do dossiê  A Fome no Mundo e os Canibais

                  e              

                                     ANHANGUERA         PAPERS
                                                                 

UM OU OUTRO

UM  E  OUTRO

                               CARDÁPIO DE 2008
 

SECURITIZAÇÃO A LA BELLE MEUNIÈRE & DERIVATIVOS EXÓTICOS

bolhas de irracionalidade financeira

securitização irresponsável e a proliferação cancerosa de derivativos exóticos

BLINDAGEM        COURAÇA

créditos podres

WaMu

ativos tóxicos

instrumentos monetários exóticos

títulos prime junto com subprime

secutirização com ajuda de derivativos

fundos de investimento criativos

tsunami creditício

 

                                         CARDÁPIO BRASILEIRO

                           (com ou sem seca)


pinga para enganar a fome das criança
sopa de papelão na Chapada Diamantina BA

CATADORES DE LIXO DESENTERRAM E COMEM CARNE DETERIORADA Jornal do Brasil 1990
     BRASÍLIA - Um grupo de catadores de lixo invadiu ontem o aterro sanitário da cidade, desenterrou e comeu parte de cinco toneladas de carne clandestina em estado de decomposição. A carne, apreendida há uma semana na cidade mineira de Unaí, havia sido enterrada junto com lixo hospitalar (...). (...) a carne, "em péssimo estado", (...)
     Embora as dezenas de favelados que comeram a carne tenham achado o alimento "muito gostoso", a Secretaria de Saúde do Distrito Federal colocou-se em estado de alerta para uma crise de problemas intestinais. (...) a carne não foi aceita para consumo pelo canil da Polícia Militar e pelos veterinários da Fundação Zoobotânica.

Folha de São Paulo 16 de fevereiro de 1991  ECONOMISTA CRITICA USO DE DENDÊ COMO COMBUSTÍVEL
     O uso de álcool como combustível é um programa indefensável do ponto de vista econômico. Sua implantação depende necessariamente de incentivos fiscais, colaborando no caso brasileiro para o déficit público. O mesmo se aplica para o uso de óleo de dendê - novidade apresentada recentemente pelo presidente Fernando Collor.
... produção de álcool de cana só será vantajosa com a conjugação de dois fatores: queda do preço internacional do açúcar para níveis inferiores a US$ 0,80 por libra e aumento do preço do barril de petróleo para US$ 62 (no caso do álcool usado puro nos motores) ou US$ 52 (para o caso do álcool anidro, usado em mistura com gasolina).
     Se o preço internacional do açúcar cai abaixo o US$ 0,80 desaparece a viabilidade econômica da própria cana.
     Desde a implantação do Proálcool, no entender do brasilianista alemão, a situação foi economicamente desvantajosa para a produção de combustíveis a partir da cana. Em novembro de 1989, por exemplo, o preço do barril era US$ 18 e do açúcar era US$ 0,13.
... isenção de imposto sobre o álcool e incentivos diretos aos produtores resultaram em gastos da ordem de 1,5% do PIB por ano (cálculo sobre os valores de 1988).
gastos colaboraram para o déficit público - sendo inflacionários e concentradores de renda -
     O Proálcool é também responsável pelo estado de calamidade das estradas brasileiras.
... a elevação do preço dos combustíveis fósseis provoca a elevação do preço dos alimentos
... a caloria em forma de alimento é sempre mais cara do que em forma de energia. Portanto, a conversão de produtos alimentares em combustíveis é sempre economicamente desvantajosa. Até o esgotamento das reservas de petróleo ou carvão, além disso, terão sido desenvolvidas outras formas de energia que não usem produtos alimentares como matéria-prima.

homem gabiru Veja 18 de dezembro de 1991  Amaro João da Silva do Engenho Bondade, a 100 km de Recife
Quais são os bichos do mato que o senhor caça para comer?
Ah, tem muitos. Lagarto, tatu, quandu, paca, tamanduá, que tem gosto de cupim, porco-do-mato, teju, jurubará, preá e lontra.
preá - roedor da família dos cavídeos. Tem dorso amarelo-sujo com manchas pretas. Vai ser repartido com farinha entre as seis bocas da casa na única refeição do dia em Lajes, a 200 km de Natal.

VIDAS SECAS ISTOÉ SENHOR 29 de janeiro 1992
Irauçuba, a 160 km de Fortaleza teju, lagarto de feições pré-históricas que pode medir mais de um metro. "É um bicho meio nojento, mas fome eu não deixo os meus meninos passarem." calangos, lagartos menores que, fotografados nas mãos dos nordestinos chocaram o mundo em 1983
"Ontem tinha feijão pra comê mas não tinha água pra botá panela no fogo."

Jornal do Brasil SECA ARRASA METADE DO NORDESTE (1992)
... cestas de alimentos do programa Gente da Gente: cinco quilos de arroz, três de feijão, três de farinha de mandioca, dois quilos de fubá de milho, dois de açúcar e uma lata de óleo.
     Temendo que o comércio fosse saqueado o prefeito de Penaforte a 535 quilômetros de Fortaleza mandou distribuir 2,5 toneladas de alimentos destinados à merenda escolar durante um mês.
cuca de umbu, raiz de umbuzeiro, árvore do semi-árido cujos frutos suculentos são conhecidos por técnicos e cientistas como o refrigério do sertão.
     Antônio disse que já comeu até palma, uma cactácea muito comum ao semi-árido, que resiste à seca e é a única alternativa de alimento para o gado durante a estiagem. "O que tinha o boi já comeu tudo, e agora até o boi já está morrendo de fome."

Jornal do Brasil 10 de janeiro 1992
FLAGELADOS DISPUTAM RAÇÃO DE GADO
     "Já chegou o tempo de comer macambira, a situação é horrível, e a planta não é coisa boa não, até gado reclama. A gente arranca a cabeça, esfola no facão, tira a capa, descasca e pisa no pilão. Lava, escorre e joga fora o BASCULHO (bagaço). O que fica é uma farinha mais fina, que a gente faz a massa e come como cuscuz."
ALASTRADO, como os sertanejos chamam a cactácea xique-xique, cujo sabor chega a ser gostoso: "Torra ela, quando acaba de torrar, deflora da ponta para o pé (tirar a casca grossa e espinhosa). Faz fogo e joga dentro. Depois dá pro gado comer assado. Mas lá em casa o gado é nós mesmo."

Seca obriga paraibanos a consumir água lamacenta
problema atinge 42 cidades do interior do Estado
Folha de São Paulo 29 de dezembro de 1996
... só resta água apodrecida disputada por homens e animais.
... água esverdeada do açude
... algumas pessoas usam cal e cimento para tratá-la: Elas misturam os dois produtos à água e esperam meia hora, até que a lama baixe, deixando-a transparente.
     Para transformar 200 litros de lama em água são necessários 10 kg de cal e 5 kg de cimento.
     As crianças percorrem até 3 km com duas latas de água penduradas em um pau nas costas.
Juazeirinho (Paraíba)
- Quem não tem dinheiro para comprar água na rua tem que beber essa lama mesmo para não morrer de sede.
- O que é que você come em casa?
- Feijão puro quando tem. Quando não tem eu e meus 11 irmãos não comemos nada. Meu pai foi procurar emprego em Campina Grande e não deu notícia. Semana passada a gente comeu uma gordurinha. Hoje vamos comer uns ossinhos.

OS DOIS NORDESTES DE COLLOR   MÁRCIO MOREIRA ALVES Jornal do Brasil
     A atração é tão grande que fez de Petrolina a cidade que mais cresce no Nordeste, enchendo-a de favelas.
     Este é o sétimo ano de seca da década terrível, iniciada em 1979 com cinco anos sem chuvas.
     E ajudas através de distribuição de estoques de farinha é um retrocesso incrível. Miguel Arraes concorda: "É preciso voltarmos a 1932, quando Getúlio mandou feijão e charque do Rio Grande do Sul para os flagelados, para nos lembrarmos de uma seca combatida apenas com distribuição de comida."
     "E que comida!, contrapõe Ciro Gomes. "Nem um grama de proteínas." Arraes acrescenta que na Zona da Mata pernambucana os cortadores de cana estão comendo apenas farinha molhada com garapa, tão arrochado está o salário.

MISÉRIA CRIA DIETA DE SOBREVIVÊNCIA   O GLOBO 22 DE DEZEMBRO DE 1992
Baixada Fluminense, Rio de Janeiro
... acuada pela fome, uma parcela da população está criando alternativas de alimentação
... pratos de pelanca, pescoço, pé e vísceras de galinha
... usam valas negras e brejos e rios poluídos para a pesca de rãs e muçum
no mato caçam lagartos que chegam a ter três quilos
rã:
     Corta-se a cabeça, mãos e pés.
     Tira-se o couro e espeta-se com um palito de fósforo. Se ele tremer é sinal de que está boa, não foi picada por cobra nem está doente. Depois é só temperar como galinha e fritar.
... em janeiro há mais fartura na mesa porque é a época do preá, um mamífero roedor a que os meninos chamam "um rato sem rabo".
     Diz que a carne lembra a de porco.
... muçum, peixe com o dorso marrom ou preto
... lagarto de papo amarelo e listras pretas, o preá é criado em gaiolas até atingir três quilos e medir meio metro:
     Depois de tirar o couro, é só temperar e fazer o bicho ensopado ou frito. A carne é que a de galinha. Com uma farofa então, fica ótimo.
     Menino de um ano e meio. A barriga inchada e as pernas finas chamam atenção.
DOENÇA DA FOME ATACA SERTANEJOS
Bezerros, a 130 km de Recife (PE) -
... a pelagra, uma doença de rara frequência, que atinge apenas pessoas com alto grau de desnutrição
... a maior arte não lembra o último dia que comeu farinha e feijão
... de 18 filhos de um, 10 morreram de fome durante as secas dos últimos anos
- A gente só passa com fubá. Assim mesmo quando Deus quer.
 

veja 22 de novembro de 1993
INFLAÇÃO SOB O SOL DO SERTÃO
Palma, Piauí: alguns dias da semana serve-se só a água em que o arroz é cozido.
"Quando acabar o arroz, faço pirão d'água, com farinha, água e sal fervidos."
Serra da Moça, interior da Paraíba: só quatro pratos: feijão com farinha, xeréu (pasta feita com fubá), cuscuz (fubá, água e sal) e angu (farinha cozida com sal), ou funji de milho e de mandioca. Angu, aos domingos, "porque ninguém trabalha e precisa de menos força".
Água Fria, Bahia: sopa de capim-brodinho e berdoega (pequena erva que dá flores amarelas).
seis de Patos, Bahia, vivem da "feira" que o prefeito distribui "quase todo mês": 3 quilos de arroz, 1 lata de óleo, 1 quilo de fubá e 1 quilo de açúcar. A última vez que a família comeu feijão foi em abril.
cada família dessas passa o dia com cerca de 40 litros de água.
média de consumo diário numa cidade é de 150 litros por pessoa.
causa mortis infantil é quase sempre a mesma: gastroenterite por desnutrição
(...) O pagamento do programa Frentes Produtivas de Trabalho do governo federal a cada seca grave passa dias e dias em contas bancárias alheias, rendendo mas não para os flagelados. O dinheiro é liberado pela SUDENE através do Ministério da Integração Regional
Os atrasos chegam a um mês e a féria nunca chegou ao meio salário mínimo prometido por lei.

 

PREFEITURA RECOMENDA COMER CAPIM
     Diante da completa falta de alimentos (...) os 150 lavradores com pelagra de Bezerros têm sido orientados pela Prefeitura para comerem capim angola, uma gramínea normalmente usada como ração de gado. O Suco do capim, misturado com açúcar, já chegou até a rede oficial, onde as crianças dos cinco sítios atingidos pela doença estão tomando o líquido.
- Eu até que queria tomar, pois soube que o gosto do suco parece com o de caldo de cana, mas não tenho liquidificador para bater o capim.
- Eu me lembro que na seca de 1943 muita gente teve essa doença no sítio Jurema, onde eu morava. Meu irmão se curava com banha de teju. Minha mãe matava o teju, uma espécie de lagarto, arrancava-lhe o couro, fervia a gordura e a guardava numa lata.
     Pelagra causa diarréia, dermatite e demência
- Na realidade o que está acontecendo no interior é uma epidemia de fome.
(endemia)

fome
caderno especial Folha de São Paulo 19 de dezembro de 1993
Brasil desperdiça US$ 5,4 bilhões em alimentos
... valor corresponde a 1,3% do PIB e é suficiente para alimentar os 9,2 milhões de famílias indigentes com uma cesta básica mensal de 36 quilos
por dois anos.
... estudo da Coordenadoria de Abastecimento da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo considera apenas perdas agrícolas decorrentes de deficiências nos processos de colheita, transporte e armazenamento de grãos, hortaliças e frutas.
- Se fosse possível calcular as perdas na agroindústria, supermercados, restaurantes comerciais e industriais e o desperdício doméstico o valor seria bem maior.
     Baseada no estudo do Ipea estima-se então em 30 milhões o número de indigentes no país.
     Alimentam-se de arroz com mandioca no norte de Minas, cacto e farinha de milho no sertão nordestino, garimpam lixões nas periferias das grandes cidades e recorrem até ao turu, molusco extraído de troncos molhados à beira do Tocantins no Pará.
... em Ouricuri há os "loucos de fome", pessoas com desequilíbrio mental que os médicos associam à subnutrição.
- Ele fala besteira, conversa sozinho e fica revoltado de repente.
     A 20 km do centro de São Paulo 2 000 indigentes frequentam diariamente o "sopão" do Ceagesp.
MOLUSCO AJUDA RIBEIRINHOS A ENGANAR A FOME NO PARÁ
turu, molusco que vive nos troncos de árvores molhadas pela maré do rio Tocantins.molusco gelatinoso ajuda a matar a fome de 5 000 habitantes das ilhas de Abaetetuba.
      Sete em cada dez crianças da região são subnutridas.
      Os peixes do rio são cada vez mais pequenos.
    Aumento dos cortadores de turu é consequência da escassez de peixes nas praias do rio.
     A devastação dos açaizais por empresas produtoras de palmito também ajudou. O açaí é um alimento importante para a população de baixa renda do Pará.
Um restaurante da cidade serve caldeirada de turu.
     Nas ilhas, o molusco é comido vivo.
- É proteína pura. O turu só faz mal porque muita gente come cru, com areia e sem lavar.
OURICURI: HOSPITAL REGIONAL ATENDE SEIS CASOS POR SEMANA DE "LOUCOS DE FOME"
     Palma, planta usada pelos fazendeiros como ração de gado.
     Ela serve o cacto cozido, cortado em pequenos cubos e misturado com arroz ou farinha de milho.
MÁ ALIMENTAÇÃO CAUSA ATRASO NO CRESCIMENTO
... 61,7% da população carente de Manaus está na faixa de pobreza absoluta. A má alimentação gera atraso no crescimento de 16,7% das crianças amazonenses e 34% delas sofrem de desnutrição.
... 60 toneladas de peixe são perdidas diariamente devido às péssimas condições de armazenamento no porto de Manaus.
... no período de safra em Manaus a oferta diária de peixe é de 300 toneladas, o que representa o dobro da demanda. A inexistência de um sistema de armazenamento adequado faz com que 60 toneladas de peixe apodreçam diariamente.
DESNUTRIÇÃO DIMINUI COM EDUCAÇÃO DIZ ANA PELIANO ECONOMISTA DO IPEA
     Metodologia aplicada no estudo da desnutrição é baseada na da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina) que caracteriza a indigência como a situação em que o cidadão gasta todo seu dinheiro e consegue, na melhor das hipóteses, pagar só a alimentação.
MAPA DA FOME: SUBSÍDIO À FORMULAÇÃO DE UMA POLÍTICA DE SEGURANÇA ALIMENTAR
, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

INDIGENTES GARIMPAM LIXÕES
em João Pessoa, Paraíba, chama-se Lixão do Róger.
     Em meio a urubus, graças, fumaça e forte mau cheiro, centenas de crianças, jovens e velhos disputam pedaços de lixo reciclável para vender no aterro metropolitano do Grande Rio, no Jardim Gramacho, Duque de Caxias, numa área de 1,2 milhão de metros quadrados onde são despejadas 100 toneladas (?) de lixo por mês.
       PESCA
     O consumo de pescado no Brasil é de 6,5 quilos per capita/ano, metade do mínimo recomendado pela FAO.
... o bacalhau importado é o peixe mais consumido pelos brasileiros (mas nem todo e nem de longe é bacalhau mas o tal de "bacalhau saith" e por aí).
... a falta de hábito faz com que a maioria dos brasileiros só coma peixe na Semana Santa.

CARNE DE RATO É ALIMENTO EM TIMBAÍBA, PERNAMBUCO   O GLOBO 17 de outubro 1994
campanha RATO NO SACO, FILÉ NO PRATO, lançada para combater a infestação da cidade por ratos, acabou por revelar meio alternativo e repugnante de se matar a fome: churrasco de rato. Centenas de moradores empreenderam verdadeiras caçadas para trocar verdadeiras caçadas para trocar um quilo de ratos - vivos ou mortos - por igual quantidade de carne de vaca de primeira. Na periferia da cidade, a 117 km de Recife, o jornal constatou que por absoluta falta de informação os animais eram capturados no lixo e nos esgotos e devorados inteiros por famílias famintas.
     Para essa gente, que nem tomou conhecimento da campanha porque não tem rádio ou TV rato é alimento comum, muitas vezes o único. E sem sal, porque não há dinheiro para comprá-lo. Um casal que vive da venda de papel e plástico recolhidos no lixão há dez anos não come carne de vaca.
- Depois de queimar os pelos a gente raspa tudo com a faca e bota no braseiro de novo. Quando ele começa a ficar durinho a gente tira do fogo, abre a barriga e retira o fato (as tripas). Depois bota na brasa de novo e deixa tostar para comer assim mesmo, insosso. Se tivesse sal ficava mais gostoso. Que gosto tem? De rato mesmo! Ninguém aqui conhece outro bicho que tenha gosto. Acho que rato é melhor que carne de boi porque faz uma porrada de tempo que não como outra carne. Não me lembro nem do gosto.
     Iam passar sábado a água e rato com quatro filhos, dos oito meses aos seis anos.
     Timbaúba fica na região canavieira de Pernambuco. Na entressafra da cana a Prefeitura distribui cestas básicas de alimentos para os trabalhadores rurais não morrerem de fome. Apenas 25% da área urbana tem saneamento básico, donde até achar rato em esgoto fica mais difícil.

VALE DO JEQUITINHONHA: CRIANÇAS AJUDAM CARVOEIROS EM MINAS
     Crianças maiores de 12 anos à beira da estrada BR 365, que liga o Triângulo Mineiro ao sul da Bahia, e com adultos carregam caminhões de carvão vegetal produzido ao longo da estrada. Os "chapas", como SÃO CHAMADOS OS CARREGADORES, PASSAM O DIA EM JEJUM. aLGUNS LEVAM UM PIRÃO PARA A ESTRADA, quando sobra do jantar.
     Grão Mogol já foi o berço mais fértil do bócio, uma hipertrofia da glândula tireóide, provocada pela falta de iodo no organismo, que incha a garganta formando enormes papos. Hoje os cidadãos do lugar não têm mais bócio, mas vivem ameaçados pela doença de chagas e pela leishmaniose, transmitidos pelo barbeiro e o calazar, que segundo alguns matam mais que a fome.
     O marido trabalha na roça, plantando milho e feijão, e a cada 15 dias traz um saco de comida.
- Nos últimos dias alguns comem e outros não. Quem come ontem não come hoje. No finalzinho mesmo, aí ninguém come nada.

 

COBRA VENENOSA VIRA REFEIÇÃO EM BRASÍLIA
     A falta de comida levou trabalhadores sem terra acampados no DF a transformarem duas cobras venenosas em pratos principais de suas refeições nos arredores de Brasilândia, cidade satélite de Brasília. Duas jararacus de papo amarelo com mais de 1,80 metro de comprimento cada uma foram fritadas em postas. O veneno não os assusta:
- É só cortar dois palmos abaixo da cabeça e dois palmos acima do rabo que não tem problema.
As cobras tinham gosto de peixe e uma textura entre o peixe e o frango.
- Corri para a minha barraca e lavei a boca com pinga.

XEPEIROS: A VIDA DE QUEM TIRA O ALMOÇO DAS LATAS DE LIXO  O GLOBO 23 de junho 1991
dois mil xepeiros todos os dias vasculham o lixo do Rio de Janeiro
... em busca de comida que quase sempre está estragada
... vindos do interior do estado ou do Nordeste
... arriscando contrair uma série de doenças, como micoses, infecções intestinais, botulismo e leptospirose
... prefere recolher legumes, verduras e pão, com os quais faz uma sopa.
- Tiro a parte de fora dos restos, que fica mais seja. Depois lavo tudo no canal do Jardim de Alá e ponho para ferver. A batata uso com casca e tudo.

O GLOBO 27 de março 1993
OS RAROS PRATOS DO 'CARDÁPIO DA FOME'
Nesse cardápio o pão não leva trigo, o cuscus (sic) não tem milho e a farinha é feita sem mandioca. Eis alguns pratos, segundo a receita dos sertanejos de Pernambuco
     mucuma (fava do mato) - Uma planta rasteira.
Lava-se a mucuma sete vezes para tirar o veneno, junta-se sal grosso e rala-se ou bate-se a mistura no pilão. Vai ao fogo em panela de barro e come-se como cuscus (sic).
     Cafofa de umbu - O umbuzeiro é uma árvore alta, que resiste bem à seca. Quando frutifica os sertanejos comem o umbu com sal. Quando a safra acaba cortam a raiz para comer.
Cava-se quatro palmos de terra até encontrar a cafofa, que é como uma batata. Cozinha-se em água e sal e come-se pura, apesar de ser meio amarga.
     Maniçoba ou mandioca do mato - Essa planta é venenosa e se o boi comer a folha morre.
Tira-se a batata (raiz), cozinha-se, faz-se farinha e come-se assim. Pode-se fazer também o chamado "pão de sete águas".
     Palma - Espécie de cacto.
Pega-se as folhas mais novas, tira-se o espinho, pica-se toda a folhagem e põe na água sal. A baba sai e come-se com farinha, quando tem.
 

FEIJÃO APODRECE EM ARMAZÉNS DA CASEMG
     Cerca de 300 toneladas de feijão colhidas no ano passado estão apodrecendo nos armazéns da Companhia de Abastecimento e Silos (Casemg) de Montes Claros, uma das regiões mais pobres do estado.

ESCRAVOS - NEGROS - MISERÁVEIS
escravos contemporâneos - escravos da miséria, previstos por Joaquim Nabuco logo após a Lei Áurea em profético discurso


Jean Baudrillard, 1990: Não há catástrofe. Vivemos em suspense. Ficamos negociando essa catástrofe.

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,  junho de 1990
na crise colombiana e do Peru o retrato de sociedades acuadas - problemas que nada têm a ver com o chamado mundo ocidental, apegado a valores racionais e humanitários.

Miriam Leitão, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 de dezembro 1989
o mais moderno no Brasil ainda é comer, vestir, morar, estudar e ter uma casa com esgoto e água encanada

BRASIL 2000
Thomas Skidmore reclama de falta de busca de uma solução brasileira, mexicana ou chilena: "Cada país precisa de uma receita própria de políticas alternativas"; Antonio Callado (1989) reclama do apaziguamento - os tais brandos costumes?

2004
Aqui no quintal mais violento da América tem-se também uma imagem "ao vivo" de outros aspectos das mesmas atrocidades traduzidas em miséria e violência aberrantes que lá se vai tentando mistificar através das mesmas hipócritas maquinações maniqueístas.
Faixa de Gaza: entre Vigário Geral e Parada de Lucas
juventude ociosa, sem mais o que fazer que soltar pipa -
- apontamentos sobre violência
2004
Recordes de arrecadação de impostos, de superávit fiscal e de saldo positivo da balança comercial e recordes de mortes, violência, miséria e degradação humana e ambiental.

    31 mortos em rebelião na Casa de Custódia de Benfica e 30 por cento a mais de mortos pela polícia do Rio de Janeiro em 2003 em relação a 2002

A Fome no Mundo é a fome da ganância de subir na vida e de lucro fácil.

os "atravessadores" - "ideológicos" - das campanhas de auxílio durante as guerras de libertação africanas

                        - Alguém aqui está ciente da existência da África?
                        - Angola? Sei... onde é que fica mesmo?
                        - Desapareceu do mapa do século XXI como nele mal figurou até o século XIX. Falta água encanada mesmo nos melhores hotéis de Lagos, Nigéria.
Luanda? Onde é que fica Luanda?

                           ÁFRICA HYPE

              mythos de papel e celulóide - leões de papel e celulóide

Kurt, Heart of Darkness, Joseph Conrad, fantasmagoricamente real África

- os mitos da selva - Tarzan, Fantasma, Hollywood -
ficaram lá no século XX e sem serventia volta-se ao século XIX

antes do Mapa Cor-de-Rosa.
 

FERRERI OBCECADO PELO TEMA
COMIDA, ALIMENTAÇÃO E CONSUMISMO

A gula de um grupo de gourmands num retiro de fim-de-semana de degustação culinária leva a uma razia. LA GRANDE BOUFFE era um soco no estômago. De direto.
No final de L'ULTIMA DONNA - la MUTI, que passa o filme nua em pelo, CORTA O Pênis de Depardieu com uma serra elétrica de pão na cozinha do cubículo de ambos numa das praças fortes da Itália bene classe média de operários, Milano 2, o primeiro grande tiro do barão Silvio Berlusconi
Dillinger è Morto É UMA LAUTA REFEIÇÃO. O olfato e o ouvido. Piccoli, com pinta de executivo settled down, passa o filme fazendo janta para um em uma das cozinhas mais bem equipadas e fornecidas do mundo, inclusive um revólver embrulhado no jornal do dia da morte de Dillinger. A mulher, Anita Pallenberg, mulher de Keith Richards, dorme. O som de fundo, enquanto Piccoli cozinha e restaura o revólver enferrujado, é o de uma estação de rádio italiana tocando o que há de mais belo ou divertido no repertório daquela nuova canzone dos anos 1960. Vê-se o filme e escuta-se rádio. Com muito gosto. Após a janta, ao que tudo indica sem uma ponta de ira ou raiva, Piccoli mata la Pallenberg dormente com um tiro da arma restaurada e sai. Chega a uma praia, nada e aceita emprego de cozinheiro num iate.


África e A grande farsa da democracia burguesa ocidental.
No ARCO de uma geração põe-se um continente inteiro a lidar com valores a que é totalmente estranho e a que se chegou na Europa após milênios de história.
Do kimbu, a aldeia kimbunda, de tanga a lankar (comer) o seu funji (pirão), acossados pela fome, por toda a sorte de doenças e milhões de minas terrestres convivendo via satélite com o kimbu global. Como se dá o exercício do "direito" do voto universal em tais circunstâncias se no Brasil, onde mais de 100 milhões de pessoas com genes transplantados desde há meio milênio da Europa e Oriente Médio e Japão, é como se não fora familiar, congênito.
E aqui um dado fundamental, tratando-se de nomes e números, é o do grau de consciência desse direito, que por ser ainda obrigatório - ou dever na marra - torna-se matéria muito complicada, que implica já não só o fato de o cidadão analfabeto ou alfabetizado que pode exercer o tão propalado direito (e dever) e dever (dever) cívico ser na grande maioria (70% da população, segundo o Inaf / 2008) analfabeto funcional. Pode-se ponderar sem dar margem ao engano que uma ínfima minoria - apesar de como a quase totalidade pertencer ao coro que anda entoando o refrão POLÍTICO É TUDO LADRÃO SAFADO -, os pouquíssimos milhões que lêem umas centenas de livros e publicações periódicas por ano ter realmente idéia do que está fazendo. E como por aqui se vê como em termos de estatísticas sociais África e Brasil ou vice-versa são mais ou menos a mesma coisa, torna-se muito palpável que, de novo na obscuridade - agora laboratório de investimentos de tigres asiáticos (China a impingir-lhe as suas armas e quinquilharias pirateadas) - África é apenas e só, no máximo, um contra senso, um paradoxo. Ou nem isso.

    problemas reais, escaldantes, das populações: fome, guerra, refugiados e urbanização.
   refugiados permanentes: um continente no continente entre cinco a dez milhões de pessoas

... no ano 2000 mais de metade da população do planeta viverá nas cidades,  a maior parte das quais serão mais perigosas que os efeitos de uma guerra atômica, selvas urbanas dilaceradas por novos, terríveis problemas grande crise de identidade, de cultura e de emprego
Cidade do México: cidade-pesadelo
Cairo: um formigueiro humano, a que diariamente afluem 5 milhões de habitantes da periferia
Nas maiores cidades dos Estados Unidos 45% dos jovens negros não têm emprego e 16% dos adultos são analfabetos.
Cidades africanas e asiáticas tornaram-se inabitáveis pelo excesso de população e a falta de serviços, nomeadamente um mínimo de infra-estrutura sanitária, criminalidade crescente e mal-estar geral.
Estudiosos da África, Ásia e Américas fizeram notar que os problemas das cidades do futuro não serão apenas derivados da poluição, do tráfego, desemprego, da burocracia ou das drogas mas sobretudo da dissolução dos valores atuais, do desenraizamento das instituições, da ignorância e da pobreza.
Habitantes de muitas cidades africanas caminham por três dias até outras regiões em busca de lenha para cozinhar.

Carga Infernal, filme de Fernando d'Almeida e Silva
                                                                                          Jornal do Brasil 28 de junho de 1995
a carga de cereais, fruto da "ajuda humanitária" que o navio transportava, financiada por fundos europeus, vem de Chernobyl e está altamente contaminada - mas permitem aos transportadores embolsar uma pequena fortuna. (...) produtos importados no limite da validade que vão parar em Angola e Moçambique. A Europa até manda comida velha, mas não proporciona trabalho aos africanos quando eles chegam mais perto.

FERRERI: COME SONO BUONI I BIANCHI
CRITICA AOS AUXÍLIOS À ÁFRICA
ROMA 9 JUNHO 1987
O diretor italiano Marco Ferreri acabou de rodar nos desertos do Marrocos e da Mauritânia um filme, segundo disse, "com um final feliz".
(...) e compraram farinha de peixe e todas aquelas porcarias que se dão aos esfomeados.
Para se assegurarem que os seus auxílios chegariam aos destinatários e não seriam desviados para alimentar o exército local, enriquecerem os comerciantes ou serem deixados a estragar, como aconteceu tantas vezes, decidem entregá-los diretamente.
 

Chegados à África Central, rumam para o interior, iniciando a sua aventura, que é essencialmente a da deslocação cultural, a passagem de uma cultura para outra.
A PASSAGEM DE UMA CULTURA PARA OUTRA: OS CANIBAIS

                          QUEM CANIBALIZA QUEM OU O QUÊ
 

O pessoal está achando que os protagonistas acabam por ser comidos, embora o diretor nada tenha revelado sobre o "final feliz" do filme. Disse apenas que "a conclusão do filme pode ser definida como política, ou humanitária".
Apesar das aparências, Ferreri disse que não pretendeu "fazer ironia com as grandes organizações internacionais de auxílios aos povos africanos esfomeados, que morrem por causa da seca e da carestia".
"O que eu quero dizer através do filme é que na minha opinião uma caridade desse tipo não serve a quem a recebe, apenas dá prazer a quem a faz. Seria muito mais caridoso matar Reagan ou alguém como ele."
"Penso que seria melhor deixar aquela pobre gente morrer em vez de ajudá-la como a ajudamos.
"Quarenta anos atrás tínhamos as colônias e os negros eram apenas 'mão-de-obra'. Agora tornaram-se 'consumidores'. E nós levamos farinha para países em que nunca se comeu pão e quando o comem, por não estarem habituados, passam mal; levamos a farinha láctea e as mães africanas, que pagam seis mil dólares por uma lata, vêem-se obrigadas a fazê-las durar o mais possível, acrescentando-lhes água demais, dando a seus filhos mais água do que leite - e ei-los com as famosas barrigas inchadas que todos conhecemos das fotografias."
Ele é radicalmente contra as grandes campanhas humanitárias internacionais de auxílio a populações africanas vítimas de desastres naturais ou de guerras:
"Os grandes impérios coloniais não acabaram. Transformaram-se em grandes impérios econômicos. A atroz miséria africana continua sendo o seu território de conquista. Engordam à custa dos esfomeados, através dos auxílios, e não das armas, como dantes. Inventam a nova escravidão da fome."
Esperando "que um dia os africanos encham o saco de serem ajudados" o diretor afirma, categórico, que "as expedições de socorro deveriam ser feitas aos nossos próprios países, a caridade deveria ser dirigida aos nossos próprios velhos, e não ser feita apenas para transformar africanos livres em assistidos permanentes que se comem uns aos outros".
Para se informar sobre o assunto, segundo ele
"Basta viajar, conversar, olhar e pensar que por exemplo agora está na moda a ecologia, nos esforçamos por entender a truta e as suas razões, mas não temos nenhum respeito pelos outros seres humanos, impomos-lhes a nossa cultura e os nossos hábitos, inclusive alimentares."
O filme é fruto do intenso debate que se vem travando na Itália em torno dos auxílios ao Terceiro Mundo.
Os seus lautos investimentos a fundo perdido em três continentes do sul do planeta foram ensombrados por uma série de denúncias de favorecimentos de empresas que operam no setor, desvios de fundos e da má qualidade dos produtores alimentares enviados, além de projetos técnicos inúteis ou descabidos, como os que envolveram deslocações em massa de etíopes das suas para outras regiões.

FERRERI: COME SONO BUONI I BIANCHI
AUXÍLIOS À AFRICA: POLÊMICA SOBRE FILME DE MARCO FERRERI
18 janeiro 1988
o último filme de Marco Ferreri será estreado a 20 de janeiro em Paris mas já está causando muita polêmica.
"O diretor vai além das convenções com uma provocante lucidez radical, e sempre provocou escândalos, mas desta vez não reflete sobre a "comilança" consumista mortífera ou sobre a solitária derrota do macho: conta a simples história de europeus que vão à África levar comida e acabam por ser comidos por africanos" - revela La Stampa.
"Conta-a para fazer polêmica contra a nova caridade branca, para desmistificar a grande campanha internacional que comoveu o mundo, mobilizou milhões de pessoas piedosas, de boa vontade, e induziu os governos a doar grandes somas de dinheiro por causa da África esfomeada e com sede."
"Fazem-se documentários sobre a fome no Sahel, mas ninguém fala das condições de abandono dos velhos nos nossos hospitais, das nossas misérias" - diz Ferreri, para quem "a aventura caridosa também é uma operação colonial".
Michel Piccoli (La Grande Bouffe, Dillinger è Morto)
narra as vicissitudes de uma campanha de auxílio ao Sahel chamada
Operação Anjos Azuis.
Três cidades da Itália, França e Espanha fazem uma coleta entre crianças das escolas para estarem seguros de que os alimentos comprados com o dinheiro coletado chegarão de fato à população a que se destinam.  Os organizadores da campanha decidem entregá-lo diretamente mas dois deles acabam por ser comidos.
"Não sou o único a pensar que no futuro os povos do Terceiro Mundo dominarão o mundo ocidental. Mais tarde ou mais cedo nos irão comer. E se ainda estiver por aqui não vou chorar por causa disso. Para mim a nossa civilização deveria acabar rapidamente."
"No passado existia a operação colonial, a aventura exótico-colonialista, com legionários, camelos, fortins nos desertos, imposição aos outros de uma civilização. Hoje existe a Operação Caridade, a aventura exótico-benéfica, com comida, remédios, know-how, novas culturas, a mesma imposição aos outros de uma civilização."
"São apenas válvulas para o sistema ocidental, que servem aos negócios, a exorcizar a revolta negra, a provocar a boa vontade dos jovens e dos inquietos, a conquistar territórios ou mercados: é a mesma coisa; o sistema econômico não mudou."
A CONQUISTAR TERRITÓRIOS OU MERCADOS
O filme, para Alberto Moravia, é "mais sobre a Itália que sobre a África". Para ele "ajudar a médio ou longo prazo é melhor que não ajudar".
Prevê-se que em 1988 a Itália invista 4 BILHÕES de DÓLARES em auxílios ao Terceiro Mundo.

roma 7 maio 1988
ESCÂNDALOS ITALIANOS NO TERCEIRO MUNDO
Oh Come Sono Buoni I Bianchi é uma espécie de documentário com que Marco Ferreri quis envolver a opinião pública italiana no debate sobre os auxílios dos países industrializados ao Terceiro Mundo, que se tem circunscrito aos especialistas e aos meios políticos. Tentativa malograda. Na Itália o filme foi um fracasso de bilheteria e foi retirado das salas duas semanas após a estréia.
A atual política de cooperação e auxílios de emergência foi impulsionada pelo Partido Radical, que em 1979 iniciou uma campanha com o objetivo de alertar as autoridades e a opinião pública para a "fome no mundo", expressão que se tornaria célebre.
Nos nove anos que se seguiram registrou-se uma subida em flecha dos investimentos no setor, numa dinâmica que não esconde a determinação da diplomacia romana em de algum modo obrigar os países hoje ajudados, detentores de preciosas reservas de matérias-primas, a futuras relações econômicas privilegiadas com os seus protetores.
(...)
o arroz da campanha Noi Con Voi estava estragado e pertencia a uma remessa de 25 mil toneladas transacionada fraudu-lentamente com a cumplicidade de meia dúzia de funcionários do Fundo de Auxílios Italianos, entre eles o seu diretor-geral Claudio Moreno, e envolvendo
várias empresas (entre as quais a do Noi Con Voi).
o subsídio da CEE era sobre a exportação e no total teriam embolsado 35 milhões de dólares com as transações

"O auxílio pode levar ao caos e mesmo sufocar os países que os recebem.
São dezenas de países doadores, de agências mundiais, de organizações de voluntários, centenas de projetos variados, que muitas vezes colidem uns com os outros." - Pedro Pires, primeiro-ministro de Cabo Verde
"Preferimos os auxílios modestos mas dilagados no tempo, programados com antecipação e por isso inseríveis nos nossos planos a imprevisíveis explosões de generosidade que dificilmente absorvemos."

roma, 12 fevereiro 1988
ALESSANDRO NATTA secretário-geral do Partido Comunista Italiano CRITICA AUXÍLIOS AO TERCEIRO MUNDO
os auxílios ao Terceiro Mundo "são migalhas dos excedentes de capital da corrida armamentista".
"Na atitude dos colossos financeiros, tecnológicos e comerciais, como na de muita imprensa eurocêntrica, entreve-se uma concepção de segurança como um processo que diz respeito apenas ao 'centro', não se hesitando em espezinhar a periferia."
A corrida entre os EUA e a URSS fez com que o Terceiro Mundo sofra "de forma inenarrável".
Parte considerável das dívidas dos países em vias de desenvolvimento resulta das importações de armas. Segundo cálculos da ONU, 20% dos débitos.
A Itália investiu desde 1980 2,5 bilhões de dólares na cooperação para o desenvolvimento. Em 1986 tornou-se o país da OCDE com o maior índice de despesas com o Terceiro Mundo em relação ao PIB.

"É uma glória para Francesco Forte manter um pequeno ditador que encheu as prisões do seu país de gente cujo único erro é o de não pertencer ao seu clã e de não pensar como ele?"

COLÓQUIO INTERNACIONAL SOBRE AUXÍLIOS ITALIANOS À ÁFRICA
"OBRIGARAM-NOS A PRODUZIR O QUE NÃO CONSUMÍAMOS E A CONSUMIR O QUE NÃO PRODUZÍAMOS", DISSE EM ROMA O PRESIDENTE DO UGANDA, YOWERI MUSEWENI, A PROPÓSITO DA CRISE NA ÁFRICA.
COLÓQUIO "CRISE africana e Intervenção Italiana" no Grand Hotel
"Motivos históricos e ambientais estão na base da situação dramática com que se debate a maior parte da população do continente, entre os quais o colonialismo do passado."


reunião da FAO para ajuda à África: mais um ato de show-off dos desenvolvidos?
projetos de auxílio a vinte países africanos atingidos pela seca em um dossiê: medidas para reestruturação agrícola. Custo US$ 200 milhões. Como obtê-los?
Os próprios responsáveis pelo recém-criado Departamento de Operações de Urgência da ONU afirmam que os países desenvolvidos ajudam o Terceiro Mundo não por idealismo mas por necessidade de esvaziar os seus depósitos de estoques reguladores de produtos alimentares: os depósitos estão abarrotados por questões de política de mercado.
Auxílios em gêneros não vão servir para acabar com a fome. Só uma reestruturação da produção agrícola.É evidente o empenho dos países do Norte em, através dos auxílios, se
distinguirem aos olhos da opinião pública pela generosidade para com os necessitados do Sul. Show-off ou blefe de ricos esbanjadores, é o que está por trás da dança de cifras e toneladas de alimentos doados, enquanto perspectivas de mudança da situação no Terceiro Mundo permanecem imutáveis.
Em troca dos benefícios, os países agraciados são pressionados a aderir às políticas de livre mercado.
Mais de quatro milhões de pessoas afligidas pela fome em Moçambique carecem de 700 mil toneladas de cereais.
Deverão sr organizadas pontes aéreas ou lançamentos de provisões com pára-quedas para acudir as populações flageladas.

 

A MAIOR PARTE DOS FÁRMACOS É INÚTIL
ROMA, 5 AGOSTO 1986
250 remédios bastariam para combater as doenças mais frequentes no planeta
a maior parte das cerca de 50 mil marcas comerciais de produtos farmacêuticos é inútil e muitos deles são até prejudiciais à saúde.
"A proliferação dos fármacos e o uso indiscriminado que deles se faz é um sintoma alarmante da aceitação acrítica de uma lógica que em última análise é a da morte" - teólogo Giannino Piana.
O Parlamento Europeu aprovou uma norma regulamentando a exportação de fármacos para países do Terceiro Mundo destinada a combater uma verdadeira tragédia provocada pela venda a países subdesenvolvidos de remédios com escassas informações terapêuticas na embalagem e que frequentemente são ineficazes, quando não prejudiciais pelos efeitos colaterais que provocam.
Inúmeras indústrias farmacêuticas européias exportam para o Terceiro Mundo enormes quantidades de produtos que não obtiveram autorização de venda nos respectivos países ou que foram retirados do mercado por terem sido superados ou pelos efeitos colaterais que provocam.
"O Terceiro Mundo é a lixeira da indústria farmacêutica", afirma a irlandesa Mary Banotti, um dos redatores da regulamentação.
A Europa Ocidental detém 32,5% de um mercado que fatura cerca de US$  100 bilhões de dólares/ano e exporta 45% da sua produção.
 

          1988... 1998... 2008...

18 janeiro 1988
"Fazem-se documentários sobre a fome no Sahel, mas ninguém fala das condições de abandono dos velhos nos nossos hospitais, das nossas misérias" - diz Ferreri, para quem "a aventura caridosa também é uma operação colonial".

30 julho 2009

"Uma notícia surpreendente: 3 milhões de italianos vivem na miséria absoluta e 7 milhões são pobres. Um quarto da população da Região Sul da Itália é pobre."

 

      Incidente em Darfur

                          1983... 2003... 2008...

problemas reais, escaldantes, das populações: fome, guerra, refugiados e urbanização.
refugiados permanentes: um continente no continente, entre cinco a dez milhões de pessoas

a Operação Caridade, a aventura exótico-benéfica dos anos 2003, e 4, e 5 e tempo afora chama-se Darfur, no Sudão,  130 campos de refugiados com centenas de milhares de crianças subnutridas, e onde já morreram 300 000 pessoas.

Como se vê pelos trechos de parte do banco de dados revoluciomnibus expostos acima e abaixo e em  Oh como os brancos são bons Come Sono Buoni i Bianchi,

RELATÓRIO DO FONDO ITALIANO CONTRO LA FAME
ROMA 2 maio 1986

5 mil toneladas de farinha para o Sudão, país ainda com zonas de subnutrição endêmica
102 toneladas de arroz
e também estruturas de armazenamento, ônibus, ambulâncias e unidades sanitárias móveis.

Folha de São Paulo 19 de julho de 1991
Migração envenena relações entre os Estados africanos
Refugiados se tornam dado político importante na África
René Le Marchand
prof. Universidade da Flórida

Sudão, neste momento, nos mostra a extensão do desastre que ameaça as populações do sul do país, após uma seca catastrófica
Cartum, a capital, barra ajuda internacional às áreas mais atingidas pela fome, confiando na redução da resistência do sul à dominação do norte, onde está o governo do general Omar Hasan al-Beshir.

Folha de São Paulo 2 DE MAIO DE 1993
ÁFRICA DESAPARECE NA GEOPOLÍTICA DE MERCADO
José Sachetta Ramos
A saída dos militares norte-americanos da Somália põe fim a uma encenação da Nova Ordem Mundial. Intervenção "humanitária" não põe fim a problemas sociais.
Washington poderia ter optado por intervir no Sudão ou Etiópia, países vizinhos, com guerras civis e milhões de esfomeados.

Sudão: islamização forçada de animistas e cristãos do sul levou a um conflito de três décadas de duração.

Etiópia e Sudão iniciaram programas de irrigação e drenagem das águas do Nilo Azul, que nasce na Etiópia, une-se ao Nilo Branco no Sudão e desce para o Egito. Ao frear a irrigação, as guerras civis adiaram um conflito ainda maior.
 

A FRAGILIDADE DA DEMOCRACIA AFRICANA
GAZETA MERCANTIL 15 DE FEVEREIRO DE 1996
Michael Holman
Financial Times

guerra no Zaire, Libéria, Sudão, Ruanda
 

vai para trinta anos que o caldo engrossou, como força de expressão, por aquelas lendárias paragens de minas de reis salomões. A guerra de milênios ali junto do Corno de África, em sua face contemporânea, estourou em 1983, quando os católicos do sul finalmente se rebelaram contra o domínio dos muçulmanos do norte numa guerra em que já morreram 2 000 000 de pessoas. 300 000, 2 000 000, 2008 e 9 e tempo afora são só números

como se constata por dados incluídos acima e abaixo  e em Oh como os brancos são bons Come Sono Buoni i Bianchi, troca-se Angola por Sudão ou Libéria ou..., 1983 ou 2015 e não se muda uma vírgula quando a mídia, até por falta de assunto, passa em revista o que se poderia pôr na revista e... vai de colar os mesmos epítetos de sempre: "tragédia invisível", "guerra que há muito perdeu qualquer propósito".

O AVANÇO DA

   NAU DOS INSENSATOS NAVILOUCA

 

     CHINA BOX

China: um paradoxo no século XIX

O paradigma do século XXI?

O muro de Berlim caiu faz tempo, mas não o da hipocrisia. Cai a Babilônia, cai a muralha da China, que mais de um século depois das Guerras do Ópio se abre à sociedade de consumo ocidental e a fome e a inguinorança no mundo aumentam em escala.

veja 27 de agosto, 2008
A POUPANÇA DO PRÉ-SAL
Ricardo HAUSMANN, professor de Harvard
Ricardo HAUSMANN, professor de Harvard veio ao Brasil apresentar o estudo
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK

feito sob encomenda do Centro de Liderança Pública.

O motivo pelo qual a taxa de câmbio chinesa é competitiva é que a China possui uma taxa de poupança elevada.
 

     Este banco de dados reproduz várias dicas pelas quais se confirma que uma das leis básicas de uma economia saudável pelo atual regime é a de que a população consuma muito mas sem extrapolar porque há que fazer como os bisavós: poupar, pouco que seja - vá, 20 por cento do que se ganha.

     Não é isso então? - algo em que nem se tem insistindo muito entre os especialistas da casa no Brasil porque a escassez foi tão grande e o atraso é tanto! Uns 20, vinte e poucos porcentozinhos de taxa média de poupança não seria a lei? Um pé-de-meiazinho para enfrentar possíveis crises - sei lá, uma doença...

     Pois então o que faz especialistas dizerem que

"A Índia tem se mostrado mais aberta ao consumo, mas como a China tem uma taxa de poupança muito alta que deveria ser canalizada para o gasto do consumidor, contribuindo assim para o fortalecimento geral da economia"

 Ele há poupança e poupança, certo. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, pela definição teórica - por quem sois. valor econômico, são paulo, 07 janeiro 2009: Famílias americanas começam a poupar agravando a recessão. Como em teoria poupança equivale à parcela da renda que não é consumida, poupança demais, de mais a mais, equivale a muito menos mais valia, para quem produz e para quem não consome, que some, some, não equivale a nada, não é ninguém, pouco importa, não interessa, não conta, NÃO AJUDA A PRODUZIR RIQUEZA...

 Não dou a mínima para se a mula manca - money makes the world go around e a regra é a do fortalecimento geral da economia pouco importando o que e quanto o indivíduo compra ou que exploda na farra do consumo e consumismo a bem dizer a troco de nada para ele e tudo para os sustentáculos do regime. Vale aqui também a metáfora de Marco Ferreri no filme La Grande Bouffe - e que se explodam de gula!

Lembre-se - ou flashback - ou vedi retro:

 27 de agosto, 2008
Ricardo HAUSMANN, professor de Harvard veio ao Brasil apresentar o estudo
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK

feito sob encomenda do Centro de Liderança Pública e declarou a Veja:

O motivo pelo qual a taxa de câmbio chinesa é competitiva é que a China possui uma taxa de poupança elevada.
 

Contradições em termos? Paradoxos?

Paroxismos.

Beckett explica.

Beckett explica. Contradições aos montes e o problema não está nas contradições mas em que o Sistema, Establishment ou o que seja tem conseguido impor a noção de que se baseia em princípios sérios e coerentes quando ao que se constatou mais uma vez de forma talvez mais contundente com a crise dos CRÉDITOS PODRES...

e de pensar no que o outro poeta chamou  PODRES PODERES...

uma das leis básicas de uma economia saudável pelo atual regime é a de que a população consuma muito mas sem extrapolar porque há que fazer como os bisavós: poupar, pouco que seja - vá, 20, vinte e poucos porcentozinhos de taxa média de poupança não seria a lei? Um pé-de-meiazinho para enfrentar possíveis crises - sei lá, uma doença...

... tempo dos bisavós - onde eles ainda estavam até serem acordados do sonho milenar embebidos em mantras e preceitos dos seus arcaísmos de que nem Guerras do Ópio os tinham acordado primeiro pelo sonho/pesadelo vermelho anticonfucionista  e agora pelo das bugigangas artesanais sécula-e-seculares reproduzidas em série e com materiais mudernos mais as bugigangas pirateadas pelas e para as subculturas de chungaria (coisa vagabunda, ordinária, segundo Mauro Villar in Dicionário Contrastivo Luso-Brasileiro, Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1989) tornou-se o cúmulo do hiperkitsch ou muito megabrega e quando (vide o tempo de A Condição Humana, a aurora da sanha nacionalista) viviam se bem, quando bem, de bens essenciais e têm de - são induzidos a - consumir pela lógica de mercado e para o bem do capitalismo de consumo.

Na China há mão-de-obra abundante e os níveis de qualificação melhoram sempre...

julho 2008
entrevista de Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior:

[no Brasil] nível de investimentos em relação ao PIB era de 16 por cento e passou para 18 por cento  - meta para 2010: 21 por cento - China - nível de investimentos: 30% em relação ao PIB

7 DE JULHO DE 2008

Estimulado pelo apetite dos países asiáticos - a começar pela China - e também pelos programas de etanol e bioenergia dos países desenvolvidos os preços dos alimentos estão superaquecidos
 

A ARQUITETURA DA NOVA CHINA
"CHAI-NA"
HÁ QUEM RESISTA A ESSE AFÃ DE DESTRUIR para construir. "Uma cidade que desrespeita sua história e sua cultura acaba entrando em declínio." Pei Zhu, arquiteto, defensor do patrimônio cultural, é contra a destruição dos
hutongs,
bairros antigos em Pequim que traduzem a maneira de viver, com seus labirintos orgânicos e suas casas de portas abertas. "São a memória desta cidade, a base cultural e arquitetônica da antiga Pequim e por isso precisam ser salvos"
a destruição da velha Pequim
Nos últimos anos 3 milhões de chineses foram expulsos para os subúrbios de Pequim, ganhando indenizações irrisórias. Há histórias terríveis de incêndios criminosos para obrigar moradores relutantes a abandonar suas casas. A discussão se tornou tão comum na cidade que hoje os críticos pronunciam o nome do seu país em inglês "Chai-na", que significa em mandarim "demolir onde?"
"DEMOLIR ONDE?"
XANGAI: no bairro antigo, Nanshi, as casas são conhecidas como shikumen/porta de pedra. Até meados do século passado 80 por cento dos habitantes de Xangai viviam em shikumens. Havia 650 mil delas. Acredita-se que até 2010 não serão mais de 50 mil.
"A Maioria dos chineses ainda não compreendeu plenamente o valor de nossa tradição e a importância da nossa cultura."

A ERA DE OURO DO FERRO
o minério nacional é o melhor do mundo, dispõe de um espetacular sistema de logística e é abundante, assim como subproduto: aço
foi especialmente beneficiado pelo aumento da demanda de China e Índia

veja 6 de agosto, 2008
CHINA - A NOVA REVOLUÇÃO CULTURAL
ânsia popular de romper o isolamento acentuado pelo regime comunista
uma comerciante ao recusar-se a abandonar casa de onde foi despejada foi chamada de egoísta por muita gente. O fato de sua família morar no local há sessenta anos e tirar de lá o seu sustento, vendendo amendoim e castanha torrada, não era motivo para ela "deixar de pensar no país"
com o objetivo de diminuir índices de poluição da cidade 8 000 canteiros de obra foram paralisados e 150 fábricas obrigadas a suspender a atividade.
PIB China: 2,7 trilhões de dólares
desde 2001 o país mais que dobrou seu orçamento para os esportes. Parte do dinheiro foi usada na reforma e equipagem de 3 000 ginásios mantidos pelo governo. A finalidade é transformar 400 000 crianças em futuros campeões olímpicos.
Desde 1992 mais de 3 000 prédios com mais de trinta andares foram construídos em Xangai. O governo teve de conter a fúria dos incorporadores, em 2003, porque o solo da cidade estava afundando sob tanto peso.
Do ponto de vista da logística urbana, arranha-céus prodigiosos são um contra-senso. Concentram trânsito e despendem uma quantidade fabulosa de energia. Mas se está aqui no terreno exclusivo do SÍMBOLO: Eles São as
catedrais do capitalismo.
Arquitetos não desenham caixotes como os que enfeiam São Paulo
Deng Xiao Ping, promotor do tal "socialismo de mercado"
que acordou a China do pesadelo comunista
metrópole do sul, Xangai, a locomotiva do país, "a cabeça do dragão" (Deng Xiao)
monóxido de carbono, o gás do progresso
MONÓXIDO DE CARBONO, O GÁS DO PROGRESSO
ex-prefeito de Pequim, Chen Xitong, preso por corrupção
 

PROSPERIDADE E INSTABILIDADE
a classe média até recentemente estava limitada à tríade Europa-América do Norte-Japão. Nos anos 1970 e 1980 países como a Coréia do Sul, Brasil, México e Argentina desenvolveram também contingentes significativos de consumidores. Hoje o fenômeno ocorre na China e na Índia.
China: maior mercado do mundo para televisores e celulares e o segundo maior para automóveis e computadores pessoais.
classe média indiana passará de 50 milhões para 583 milhões de pessoas nas próximas duas décadas. Ao mesmo tempo o país passará de 12º para 5º mercado consumidor do mundo. A China deverá tornar-se o terceiro maior mercado consumidor até 2025. McKinsey Global prevê que a classe média chinesa será de 612 milhões de pessoas em 2025, passando de 46 por cento da população para 76 por cento.
em fase de transição de um modelo centrado no investimento para outro de consumo generalizado [e olha que são grandes poupadores - Agora!]
A Índia tem se mostrado mais aberta ao consumo, mas como a China tem uma taxa de poupança muito alta que deveria ser canalizada para o gasto do consumidor, contribuindo assim para o fortalecimento geral da economia.
INDIA SONG ou THE RIVER

veja 27 de agosto, 2008
o golpe do século
CHINA
Mário Sabino
Temerosa do mesmo destino dos amigos [??!!] soviéticos
como a China jamais foi pluralista, inexistem anseios democráticos como no Ocidente. Esses são frutos da filosofia iluminista européia e dos ideais da revolução americana, concepções estranhas e alienígenas do ponto de vista chinês. O marxismo, igualmente alienígena, vicejou na China por ter-se casado à perfeição com uma cultura alicerçada [no] absolutismo.
Como há otimistas em qualquer situação há quem entreveja a possibilidade de a China vir a adotar um regime próximo à democracia real.
[1) O que é democracia real?
2) Se não há anseios democráticos na China, que sentido faz otimistas a entrever a adoção de um regime próximo a uma democracia real? - o que quer que isso seja.]
 

BRIC, a sigla que congrega os emergentes de primeira linha Brasil, Rússia, Índia e China.
Bric-à-brac
BRIC-À-BRAC

fase de crescimento, essa mesma bolha, esse mesmo sistema tóxico e demonizado da semana passada, foi o que produziu a liquidez mundial capaz de tirar da miséria centenas de milhões de pessoas na China e no Brasil

veja 1º de outubro, 2008
DEPOIS DO DESASTRE...
Crise global
um leitor:
o absurdo das Bolsas de Mercadorias & Futuros, indexando por pura especulação os alimentos.
CHINA - (A GANÂNCIA: LEITE LETAL)
Internados 13 000 bebês chineses que tomaram leite em pó contaminado por melanina, substância utilizada na fabricação de plástico que, quando ingerida, pode ser letal. A melanina foi adicionada ao produto para que ele parecesse mais rico em proteínas. Quatro crianças morreram e 104 bebês ainda estavam em estado grave (...).

O gasto em investimentos em educação é mal feito - vai muito para as universidades e muito pouco para o ensino básico
no período 1970-1990 a Coréia do Sul gastou em média 3,5 por cento do PIB em educação. A Irlanda, 5,6 por cento. China, 2,3 por cento. Inglaterra, 4,9 por cento

O muro de Berlim caiu faz tempo, mas não o da hipocrisia. Cai a Babilônia, cai a muralha da China, que mais de um século depois das Guerras do Ópio se abre à sociedade de consumo ocidental e a fome e a inguinorança no mundo aumentam em escala.

OPERATING MANUAL FOR SPACESHIP EARTH
R. BUCKMINSTER FULLER 1969
:

Como consequência de séculos de pilhagem da Indochina pelos Grandes Piratas, e subsequente acumulação das suas riquezas na Europa, os milhões de humanos da Índia e do Ceilão ficaram tão abismalmente empobrecidos, subalimentados e fisicamente diminuídos durante tantos séculos que desenvolveram a crença religiosa de que a exclusiva intenção da vida na Terra é ser uma provação infernal e que quanto piores forem as condições com que o indivíduo tiver de se defrontar tanto mais célere será a sua entrada no céu.

escritor John Gray - o insuspeito sobre o óbvio
ÉPOCA 26 DE DEZEMBRO DE 2005

Sou descrente de que será feito algo realmente eficaz para combater o aquecimento global. A demanda de combustível fóssil vem aumentando a um ritmo de 1,9% ao ano. A rápida industrialização da China só agrava esse problema.
 

VEJA 23 DE ABRIL DE 1997

Apenas 13 por cento das terras de resto ruins da China servem para plantar.
Em 1996 a China produziu 430 milhões de toneladas de grãos, cinco vezes mais que o Brasil.

O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008

ESPECIALISTAS: ALTA DE GRÃOS TEM VÁRIOS 'CULPADOS'
ENTRE ELES A DEMANDA POR COMIDA
relatório do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco
alta de 25 por cento no índice de commodities alimentícias e químicas no atacado
China: com crescimento de 10 por cento ao ano, mais de 300 milhões de chineses saíram da pobreza nos últimos dez anos

O Globo 25 de abril de 2008
NÍVEIS DE CO2 CONTINUAM A SUBIR
A QUEIMA DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS POR PAÍSES RICOS É A PRINCIPAL CAUSA
As emissões de dióxido de carbono, o principal gás associado ao aquecimento global, continuam a subir em ritmo acelerado.
Um dos principais fatores são as crescentes emissões para a geração de energia na China, Estados Unidos e Europa. A Itália, por exemplo, planeja construir uma grande termoelétrica a carvão.

O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008
DRAGÃO FERIDO
LUIZ PAULO HORTA
há cerca de dez anos Pequim (...) era uma cidade destruída (...) à exceção de uma ou outra relíquia do passado.
Templo do Céu exibe uma porcelana azul de beleza extraordinária. Ali, uma vez por ano, o imperador presidia aos ritos de abertura do ano agrícola. Como tudo o que governava a China tradicional, a idéia era manter e desenvolver o equilíbrio entre o Céu e a Terra.
A China atual mostra a mais total desarmonia entre o Céu e a Terra.
Em 2005 já dizia o vice-ministro do Meio Ambiente, Pan Yue: "O milagre econômico vai terminar logo, porque o meio ambiente já não dá conta" (do estrago causado pelo desenvolvimento).
A China já tem 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo. Problemas respiratórios na população, a chuva ácida caindo sobre os campos, provocando uma desertificação acelerada, a disponibilidade de água limpa encolhendo assustadoramente,
 

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
previsões para o ano 2000 conservadoras porque incluem precariamente o consumo na China e na Índia, que consomem menos de um barril per capita ao ano e devem apresentar crescimento na demanda superior aos 2 por cento ao ano computados na pesquisa. Média mundial é de 16 barris per capita/ano.
 

O GLOBO 30 DE JUNHO DE 2008
PETROBRAS SERÁ UMA DAS GIGANTES DO SETOR EM ALGUNS ANOS
está em 10º lugar entre as empresas com maior presença no exterior
Sete primeiras são as tradicionais - Shell, ExxonMobil, Total, BP, Chevron, Eni e StatollHydro - e depois vêm Petronas da Malásia e Petrochina/CNPC
em 95 por cento das companhias nacionais, como a Petrobras, o governo é o acionista controlador
as maiores empresas do mundo ranking do Financial Times - valor de mercado
ExxonMobil US$ 452 bilhões
Petrochina US$ 424 bilhões
General Electric US$ 370 bilhões
Gazprom US$ 300 bilhões
China Mobile US$ 298 bilhões
Banco Industrial e Comercial da China US$ 277 bilhões
12º lugar - vindo da 50ª posição (mas não de uma vez...) Petrobras: US$ 208 bilhões de valor de mercado

Esse fenômeno se repetiu na Índia e no Brasil
Mais dinheiro significa mais comida na mesa.

veja 23 de julho, 2008 ENERGIA NUCLEAR
O QUE ERA MEDO SE TORNOU ESPERANÇA
Duas décadas após o desastre de Chernobyl
uma esperança de energia limpa e barata.

as termelétricas a carvão, que produzem 40 por cento da eletricidade do mundo, continuam a ser produzidas a todo o vapor, principalmente na Rússia e na China.
termelétrica que usa matérias-primas fósseis emite 1 quilo de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, por qulowatt/hora gerado.

   O muro de Berlim caiu faz tempo, mas não o da hipocrisia. Cai a Babilônia, cai a muralha da China, que mais de um século depois das Guerras do Ópio se abre à sociedade de consumo ocidental e a fome e a inguinorança no mundo aumentam em escala.

trecho de

 Breve História das Drogas da Antiguidade a Aldous Huxley

in Rumo às ilhas da Utopia
  Da Teoria à Prática
  Ou Vice-Versa
  
 
  apêndice de
       
 

Ópio e derivados eram de uso comum no século da rainha Vitória. Thomas De Quincey relata em Confissões de um Inglês Comedor de Ópio, publicado em 1821, que o número de comedores de ópio amadores (como os devo chamar) era imenso à época na sede do Império, que moveu duas guerras contra a China para impor-lhe o contrabando do produto, que passou a trocar pelo chá com que se cobriria metade das despesas da corte da rainha.

Ψ

veja, são paulo, 03 dezembro 2008

Maílson da Nóbrega, o ex-Ministro da Fazenda do Plano Verão, o terceiro plano econômico de emergência do governo do presidente José Sarney (1985-1989), que não emplacou o inverno seguinte e talvez tenha ajudado a inflar ainda mais a bolha inflacionária no Brasil, que com ele no poder debatia-se com índices de 80 por cento ao mês: Na China a "desregulação" do comunismo retirou da pobreza 400 milhões de pessoas.

valor econômico, são paulo, 19 janeiro 2009

    A volta do protecionismo: colapso da globalização fase II?

Por Marcilio R. Machado

A China, por exemplo, se transformou na quarta maior economia do mundo. A sua corrente de comércio, soma das importações e exportações, deve ultrapassar US$ 2 trilhões em 2008.

veja, são paulo, 18 março 2009

Barry Eichengreen, economista da Universidade da Califórnia em Berkeley: A crise pode acabar logo. Mal conduzida pode se transformar numa tortura chinesa.

veja, são paulo, 25 março 2009

O ar está mais limpo... mas só porque a crise econômica é devastadora para indústrias ineficientes e poluidoras dos países emergentes

Em Guangdong, de onde sai um terço das exportações chinesas, 60 000 empresas, a maioria pequenas indústrias, já fecharam as portas. O nível de poluição na região caiu 5 por cento

.


todo bebê sabe
tudo o que se faz é em função da comida, que é o que nos mantém na vertical. O homem dito civilizado nem se toca e vive na ilusão de que é a piscina, a Ferrari ou a gostosona do pedaço. O homem dito sapiens sapiens curte também uma bela comida espiritual - a dita cultura. Inclusive religião, comida, bebida, o pôr-do-sol.

a propósito de Lula elogiar governos militares e de Veja o que se fez - matança de gente e outras espécies animais e espécies vegetais, tortura e coisa e tal - é cinza. pouco importa. a sanha é ainda e sempre a senha, o homem pisa e repisa, pisoteia tudo, pisa e repisa os mesmos
rerros

Jornal do Brasil 10 novembro 1988
Maiores produtores de cana pela ordem:

São Paulo 1,6 milhão, Pernambuco, 1,5 milhão e Alagoas 1,3 milhão de toneladas. Em Alagoas as 35 usinas pertencem a 27 famílias responsáveis por 60% do ICM do estado e que empregam 120 mil pessoas.
Usineiro: "Na situação atual a cana é a salvação para multidões de sertanejos desempregados no período da seca, exatamente quando se corta a cana."
Governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo: "A indústria do açúcar é a indústria da miséria: só sobrevive porque o país é subdesenvolvido."
"Só há uma diferença entre as usinas de hoje e as do século passado", costuma dizer o governador Collor de Melo. "É que elas passaram da escravidão para a servidão."
Hoje o cortador de cana continua trabalhando sob o olhar vigilante de fiscais que substituíram os feitores de escravos e o chicote pelo livro de apontamento.
"Assisti recentemente uma mulher se atirar aos pés de um usineiro pedindo que reconsiderasse sua decisão de cortar-lhe três dias de trabalho." - conta um diretor de usina por acidente. Brasil é o único que mantém a mesma estrutura econômica há 500 anos, com usinas plantadas em latifúndios, usineiros com poder político, filhos de famílias tradicionais no setor e principalmente com legiões de cortadores de cana subassalariados.
Brasil tem 460 usinas com um patrimônio de 25 bilhões de dólares

Paulo FRANCIS 1989-1990

Médici: O país vai bem, o povo é que vai mal.
MORGAN GUARANTY, O BANCO MAIS INFORMADO SOBRE O ASSUNTO, DIZ QUE US$ 60 BILHÕES brasileiros estão no estrangeiro.
LULA manipulado por grupo de intelectuais radicais, alguns "linha albanesa" (PC do B) e da esquerda festiva eixo Morumbi-Ipanema - seguiria o seu caminho trágico que é estar sempre na contramão da história.

Jornal do Brasil 22 de fevereiro 1991
GOVERNADORES DENUNCIAM DESCASO COM O NORDESTE
Foi no Nordeste, diante dos governadores da época, que o então presidente Garrastazu Médici encheu os olhos de lágrimas ao dizer a célebre frase: "O Brasil vai bem mas o povo vai mal."
pequenos produtores, responsáveis por 70 por cento da produção de alimentos e da consolidação dos parques industriais.

ESCRAVOS - NEGROS - MISERÁVEIS
escravos contemporâneos - escravos da miséria, previstos por Joaquim Nabuco logo após a Lei Áurea em profético discurso.

BRASIL X LÍBANO - Folha de São Paulo 5 OUTUBRO 1989 - FONTES BANCO MUNDIAL 1988 UNICEF 1989 ALMANAQUE ABRIL
esperança de vida ao nascer   64  X  68 anos                                                                                                    taxa de mortalidade - 1 ano  6,4%  X  5,3%
acesso a água potável   77%  X  92%

número de médicos/habitante   1300  X  510
crianças imunizadas com a vacina tríplice   57%  X  91%
consumo de calorias/dia per capita   2657  X  3046   
crianças que concluem o primeiro grau   20%  X  66%

é imoral comprometer as gerações futuras
Não se pode querer que os políticos se livrem da miopia do curto prazo - escreve um.
Eles atuam na base do efeito-bomba, o curto prazo. Esse o seu princípio e sua principal função. Encher os olhos dos pavões.

Folha de São Paulo 27 março 1996 LUÍS PINGELLI ROSA, FÍSICO, ÁLCOOL E PETRÓLEO: INTERESSES NACIONAIS
Prefeito, governador e presidente estavam todos ocupados em promover bons negócios, reduzir o risco Brasil, vender estatais para salvar o Tesouro, salvar bancos falidos e atrair investidores estrangeiros para salvar o Brasil dos banqueiros.

Folha de São Paulo 25 de maio 1995
Já vimos plantadores de cebola jogarem toneladas do produto fora para garantir preço. Esses senhores coloniais acumularam fortunas pessoais de Primeiro Mundo e tiveram dinheiro suficiente para financiar a aventura presidencial de Collor. O que deixam para a nação são
milhões de metros quadrados de escombros e um exército de bóias-frias sem teto e sem terra.

O MOTOR DO SÉCULO E DO CAPITALISMO VEJA 14 DE JUNHO 1995
Isso porque a energia do homem é que é fonte inesgotável.
A energia humana é sua fome inesgotável. De comida. De grana. De poder.

Desde que a polis é polis sob o jugo patriarcal que há política e a política é expediente pessoal ou de grupo dominante, de interesses. "A capacidade de tolerância dos pobres provém de sua ignorância das alternativas", pregou a papisa Simone, DE BEAUVOIR.

Código de ética do banditismo social manda tirar aos ricos para dar aos pobres

Antônio Callado - IstoÉ/Senhor 8 de novembro 1989: Há uma pequena elite com uma espécie de instinto que lhe diz que se educar o povo ela pode desaparecer de repente. Não digo que se reúnam as elites e digam assim: "Olha, é melhor não educar ninguém." Mas é instintivo.
    Chega-se neste ponto de guerra civil que existe aqui agora. Uma     coisa não declarada, mas que se vê claramente. Para esta população miserável o que existe são a lei e a polícia. Quando se fala de tráfico de cocaína, por exemplo, e se pensa nos barões da coca e, depois, se vêem as pessoas que eles matam nos morros, o exemplo ganha nitidez.
    Estes são fuzilados com uma carga de chumbo que não tem mais tamanho.
    Mas que importância eles podem ter na grande rede da cocaína? Nenhuma.
    Os verdadeiros donos estão morando na Vieira Souto.
    O Brasil tinha uma certa vaidade de não parecer latino-americano. Quando se fala aqui em América Latina todos pensam em América espanhola. O Brasil se acha um país diferente, mais chique, inteligente, fino. Estava se arrumando e seria realmente mais avançado em relação ao resto da América Latina. Mas os 20 anos de governo militar fizeram acabar com qualquer veleidade que o Brasil pudesse ter em ser diferente.

THOMAS SKIDMORE  veja 19 de abril de 2000    brazilianist

O país está imerso agora num clima generalizado de conformismo. Nem sempre foi assim. Na década de 1950 e 60 havia uma grande agitação na cultura brasileira.Existe um sentimento geral no Brasil, e também em outros países em desenvolvimento, de que só há uma política certa. É a política que vem de Washington. Não se procura uma solução brasileira, ou mexicana, ou chilena.
O problema é que o Brasil não tem intelectuais, ou tem poucos, que estejam tentando formular políticas alternativas. Cada país precisa de uma receita própria.   Desde a década de 1970 o Brasil está seguindo uma política anêmica em termos de crescimento, que não dá conta nem de absorver os trabalhadores novos. A enorme desigualdade existente no Brasil só vai desaparecer com crescimento.
O Brasil está paralisado diante da questão social e está se tornando uma nação de castelos armados. No Rio de Janeiro os edifícios da Zona Sul são cercados de grades e guardas particulares. É uma mistura de apartheid social e medo. O país precisa pensar em fortalecer o espírito de comunidade e não em levantar arranha-céus protegidos por cães e guardas. Não se buscam alternativas para a vida que os brasileiros estão vivendo no momento. A frase do presidente, de que não há alternativas, deveria ser tomada como um desafio pela intelectualidade brasileira. Eles deveriam pensar em projetos que tornassem possível melhorar a justiça social.o sistema político no Brasil é uma máquina de distribuir dinheiro para cima, para as classes média e alta.
A elite americana tem mais sentimento de culpa. É um traço do protestantismo. O rico brasileiro não tem sentimento de culpa. O americano rico fica envergonhado por ter muito dinheiro. O protestante, como dizia Calvino, nunca sabe se será salvo ou não. O católico, cuja moral está mais presente na cultura brasileira, sabe que será salvo a cada domingo.

escritor John Gray - o insuspeito sobre o óbvio
ÉPOCA 26 DE DEZEMBRO DE 2005
Os seres humanos diferem dos animais principalmente pela capacidade de acumular conhecimento. Mas não são capazes de controlar seu destino nem de utilizar a sabedoria acumulada para viver melhor. Nesses aspectos, somos como os demais seres. Através dos séculos o ser humano não foi capaz de evoluir em termos de ética ou de uma lógica política. Não conseguiu eliminar seu instinto destruidor, predatório.  (ver também Robert Anton Wilson)
Não esperar pela salvação do planeta, mas buscar uma qualidade de vida melhor, criar condições para retardar o declínio. Isso é possível. (...)
Sou descrente de que será feito algo realmente eficaz para combater o aquecimento global. A demanda de combustível fóssil vem aumentando a um ritmo de 1,9% ao ano. A rápida in industrialização da China só agrava esse problema.

leitor de ÉPOCA 26 DE DEZEMBRO DE 2005
A indústria mineral, além de dar suporte praticamente a toda a cadeia produtiva nacional, é responsável por exportações de cerca de US$ 18 bilhões em 2004 (excluídos petróleo e gás).

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO   VEJA 10 DE NOVEMBRO DE 2004
O AVANÇO DA NAU DOS INSENSATOS NAVILOUCA

                                                        SHIP OF FOOLS
MENTIR A RESPEITO de armas de destruição em massa para justificar a guerra contra o Iraque, isso não é imoral. Produzir 100 000 mortos no Iraque, na maioria mulheres e crianças, (...), isso não é imoral.
Oitenta e três por cento dos americanos, segundo sondagem do ano passado, acreditam que Jesus nasceu de uma virgem e 28% crêem na teoria da evolução. Cinquenta e oito por cento acham que só crendo em Deus se pode ter senso moral. No entanto... A Maioria é também a favor da pena de morte e do direito a portar uma arma.

A FOME DO ESPíRITO

DA POBREZA DE ESPÍRITO

                                                                                                                     foto © Gabriel de Paiva/O Globo/10-06-1997   

                           

                                                    JOSÉ WILKER
         AS MAIORES CIDADES BRASILEIRAS SÃO GRANDES FERIDAS SEM CURA PROVÁVEL A MÉDIO OU LONGO PRAZO. EM TODAS ELAS INSTALOU-SE O CAOS, UMA DESORDEM QUE NEM DE LONGE É SEMENTE QUE VENHA A PRODUZIR UM BOM FRUTO. SEGURANÇA PÚBLICA, SANEAMENTO BÁSICO, SAÚDE, TRÂNSITO, TUDO É UMA IMENSA SUCATA. TEMO QUE OS PRÓXIMOS QUARENTA  ANOS  APENAS  AGRAVEM  A  ATUAL  SITUAÇÃO
.


veja 3 de setembro, 2008
GUSTAVO IOSCHPE
Olimpíada - 23ª posição NO QUADRO DE MEDALHAS
Décima economia do mundo
razão comumente apontada é o pouco investimento no esporte no país:
apenas o governo federal investiu 1,2 bilhão de reais em esportes
olímpicos desde Atenas.
temos uma cultura que abomina a competitividade, desconfia dos
vitoriosos e simpatiza com os fracassados
As desigualdades que se acentuaram ao longo dos governos autoritários
DERROTA DA CRIATIVIDADE
e esporte de massa? esporte nas escolas, "comunidades" - multiplica
chances, cai  a atenção e  a tensão sobre UM só

 


Com o mundo globalizado e interligado por todas as vias cibernáuticas a interdisciplinaridade/transdiciplinaridade e a interdependência de commodities a pequenas comodidades tornam a vida um emaranhado de fios capilares de referências sobre isto e aquil'outro do tamanho da cabeleira de Deus e a vida passa a ser regida pelo especialismo. De repente um carcamanho - com a agravante de ter abraçado num raptus de aparente falta de mais o que fazer em política a causa "verde" através da qual se tornou um aborto de liderança política - vem à televisão dizer que com a mecanização da agricultura e os atrativos materiais da cidade a vida no campo não oferece mais perspectivas e acabou, como se a agricultura se reduzisse de uma hora para outra ao linearismo da evolução do arado à maquina e a história à urbanização, sem chance além das cidades, que são cada vez mais - paisagem mais ou menos bela e mais ou menos atrações - cada vez mais latifúndios de violência e solidão. Veja 16 de abril, 1997: Em todo o mundo os camponeses transferem-se inexoravelmente para as cidades à medida que avança o processo de urbanização. No Brasil, graças ao seu estágio de desenvolvimento e à abundância de terras aráveis, há condições ao menos teóricas de inverter essa migração.
 

 ETICA, AMBIÇÃO E ECONOMIA - DINHEIRO, GANÂNCIA, TECNOLOGIA

REVISTA DO IBEF INSTITUTO BRASILEIRO DE EXECUTIVOS DE FINANÇAS NÚMERO 17 2008
Ética, ambição e economia
(ver citado em Huxley Na Fome do Mundo)
e
O respeito às regras tem se tornado cada vez mais distante pelos indivíduos, permitindo que a ambição ultrapasse a conexão entre a ética e a economia.
Por ganância, o plantio e a industrialização dos alimentos se mantêm impregnados dos mais tóxicos componentes químicos, provocando entre outras coisas um alarmante avanço dos casos de câncer, alzheimer e outros males. Por ganância os projetos de energia solar, eólica e outras renováveis e limpas permanecem em banho-maria enquanto os lobbies da indústria fóssil fervilham pelos congressos.

bolhas de irracionalidade financeira:
"Dinheiro, ganância, tecnologia", Norman Gall, diretor executivo do Instituto Fernand Braudel in Braudel Papers

Nessas horas - o "novo 11 de setembro", "a maior crise econômica dos últimos 80 anos" -, quando como soe dizer-se a porca torce o rabo, finge-se uma caída em si
e brada-se ao primarismo mamífero em que se baseia o Sistema, como se a razão de ser de tudo não fosse o que makes the world go around e o resto são favas contadas e cantadas em prosa e verso. Vai ser difícil descondicionar o paladar...

IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
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CRISE 2008

DE CRACK EM CRACK A COMANDITA ENCHE O PAPO

         

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