luz sobre os parangolés de H.O.
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A COR DO SOM
MUsica do Brasil de Cabo a Rabo II O LIVRO DE PEDRA .. RIO &TAMBÉM POSSO CHORAR
V A P O R B A R A T O PERQUIRIÇÃO
EM TORNO DA(S)
CENTELHA(S)
QUE DEFLAGRA(M) A LUZ
DO SOL EM
PLENA DITADURA POLÍTICA E DE
PRECONCEITOS
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;Augusto de Campos em e outras bossas de Balanço da Bossa e outras bossas inclui em Balanço do Balanço - Posfácio a era em que com a torneira aberta pela Tropicália a assim-chamada MPB opera sobre a metalinguagem. No fechamento da reedição de Balanço da Bossa, em 1973, publica anotaçôes sobre milestones de Tomzé, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos, Walter Franco, João Gilberto, Hermeto Pascoal, Jorge Ben e Jards Macalé lançados naqueles anos, desvendando parte da trilha recordista em diversidade e qualidade do início da década de 1970.
Depois de um suposto interregno causado pelo impacto nos extratos mais sensíveis da sociedade da virulência do governo do general Garrastazu Médici, a criatividade em múltiplas vertentes da música popular brasileira fez o povo mais ligado continuar sonhando alto. Além deles, Milton Nascimento e o Clube da Esquina, com múltiplos associados, de Dori Caymmi a Nelson Ângelo, Nana Vasconcelos e Zé Rodrix, Luiz Gonzaga Jr., Egberto Gismonti e Tom Jobim alargaram as fronteiras musicais a campos e espaços sonoros surpreendentes a ponto de a partir de então a chamada MPB ter sido o último refúgio nomeadamente das divas Ella e Sassy, assim como Sinatra não pudera deixar de no devido tempo prestar tributo a Tom Jobim. Milton Nascimento e turma, com Robertinho Silva, Novelli, Luís
Round About Midnight with Archie Shepp e Mal Waldron around Milagre dos Peixes
Alves, Paulo Moura, Toninho Horta, Wagner Tiso, levam mestres como Archie Shepp, Mal Waldron, Wayne Shorter, Quincy Jones e Herbie Hancock ao encantamento. Sorriem, ficam atentos em silêncio ou reagindo ao toque ... who´s the pianist?... ou se jogam para trás na cama a expirar it´s so laaid baaack! numa audição de Milagre dos Peixes de Milton Nascimento no quarto de hotel de Shepp em Lisboa, depois de uma audição de Shepp em quinteto no festival de Newport de 1965 no LP que dividiu com John Coltrane.
A música brasileira continuou a surfar altas ondas mundo afora – a música sendo talvez o melhor cartão de visita do Brasil de San Joaquin Valley na Califórnia ao Nepal.
Num mundo deserto de almas negras
Me visto de branco
Me curo da vida sofrida, sentida
Que deram pra mim
No mundo deserto de almas negras
Sorriso não nego
Mas vejo um sol cego
Querendo queimar o que resta de mim
Vivo num mundo deserto de almas negras
Vivo num mundo deserto de almas negras
Vivo num mundo deserto de almas negras
;;MUNDO DESERTO
Esta história começa no tempo em que também a dupla Roberto Carlos-Erasmo Carlos dava as cartas e marcava época com sacadas esclarecedoras.
Todos Estão Surdos, As Curvas da Estrada de Santos, Se Você Pensa, Mundo Deserto, numa linha entre o soul e o funk, da melhor lavra de Erasmo solo, supõe-se – mais um oriundo da turma da Rua do Matoso, na Tijuca, com Jorge Ben e Tim Maia, que desponta nas paradas - contrabalançavam músicas apelativas para ninar empregadas domésticas e spirituals como Jesus Cristo e A Montanha – a la brasiliana católica, se assim se quiser. Detatlhes precisos con cisos.
Eu prefiro as curvas da estrada de Santos onde eu tento esquecer um amor que eu tive e vi pelo espelho na distância se perder - sequência cinematográfica como Erasmo Carlos em Ritmo de Aventura. Movimento e concisão: Se um outro cabeludo aparecer na sua vida ...
Mundo Deserto, gravada por Elis, foi uma das mais vivas expressões do clima de terror que sucede a promulgação do Ato Institucional Nº 5.
ALMAS NEGRAS
Pulsars e Quasars
Macalé-Capinan
..ALMAS NEGRAS
PERQUIRIÇÃO EM TORNO DA(S)
CENTELHA(S)
QUE DEFLAGRA(M)
A LUZ DO SOL EM PLENA DITADURA
POLÍTICA E DE PRECONCEITOS
ROSA DOS VENTOS E
GAL A TODO VAPOR
EM CONTEXTO DE EXÍLIOS
encontros e
reencontros - contexto
..ALMAS NEGRAS
A euforia carnavalesca da Tropicália e da Turma da Pilantragem (para crianças e a manada) se esfoi e como depois de todo carnaval veio a quarta-feira de cinzas. Milicos & sequazes assumiram sua feição mais brutal impondo tortura, censura, exílio – como a Gilberto Gil e Caetano Veloso, obrigados primeiro a confinar-se em Salvador e depois a mudar-se para Londres, onde viveram dois anos, depois de encararem a prisão por três meses. Gil não perde tempo: informa-se sobre filosofia oriental, ioga e macrobiótica – que praticará por cinco anos – e, forçado a abandonar o Brasil, deixa um recado “otimista-lírico” (Nelson Motta): Aquele Abraço. Sim mas também o rescaldo da dureza, as sintomáticas Fechado Pra Balanço (Gil) e Não Tenha Medo (Veloso), que Elis gravou ao lado de canções no beat da hora como These Are The Songs de Tim Maia e Black is Beautiful de Marcos e Paulo Sérgio Valle.
Mesmo sem ser obrigados outros compositores partem para o estrangeiro, como Chico Buarque, que se mudou com armas e bagagens (Toquinho) para a Itália, ou Edu Lobo, sob pretexto de fazer um curso de orquestração em Los Angeles.
Dos sóis, Cae, Gil, mandem notícias logo – requeriam Jards Macalé e Capinan em Pulsars e Quasars, com Gal Costa, e das brumas de Londres Gil e Caetano em sintonia temática mandavam recados nostálgicos, While my eyes go looking for flying saucers in the sky, cantava o mano triste (I saw him tão triste, I told him he was alone and he could cry, reportou Gil em One a.m. em seu LP londrino), mensagem captada e retransmitida por Gal Costa no seu jeito peculiar de canto intimista muito no estilo bossa nova – que fez João Gilberto, depois de ouvir seu primeiro disco, dizer que era a melhor cantora do Brasil – mas inesperadamente rasgando-se em gritos de apelo como os de Janis Joplin, que por essa altura passara uma temporada no Rio de Janeiro.
Gilberto Gil gravou em Londres um LP com faixas em inglês (uma das letras, Three Mushrooms, explosiva revelação na música de um não tão novo grande poeta e pensador brasileiro, Jorge Mautner) sozinho com seu violão, aqui e ali uma guitarra (Mick Ronson, da banda de David Bowie) e um baixo elétrico (Chris Bonnet), onde recriou magistralmente a canção de Steve Winwood do antológico LP do Blind Faith, no fundo expressão aguda do exílio forçado: can’t find my way home...
A taste of honey no youtube.com: Gal
e Gil in London, London
Na Itália Chico Buarque escrevia do seu isolamento no chamado Samba de Orly, ou de Fiumicino, em música de Vinícius de Moraes - por uma vez os papeis invertidos: Vai, meu irmão, você tem razão de fugir assim desse frio..
Não quero ficar dando adeus às coisas passando, eu quero é passar com elas, sinalizavam outra vez Jards Macalé-José Carlos Capinan em Movimento dos Barcos, lançado por Maria Bethânia no show Rosa dos Ventos ainda em pleno choque dois anos depois.
O Brasil era – ou fazia parte de – um mundo deserto de almas negras.
Meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo Tudo certo como dois e dois são cinco ecoou Caetano Veloso back in London. Viveu-se na música popular um hiato de TALVEZ alguns meses de crise de inspiração – o que é muito dito mas não muito claro – que pareciam séculos em que se via que o país tropical da beleza e da aparente leveza da BN, redefinido pela Tropicália como uma geleia agridoce ou ACRISSOLAR, poderia ser para sempre dominado pela truculência de milicos & afins. Almas negras assombravam o Brasil quando acontece Rosa dos Ventos e GAL A TODO VAPOR .
No propalado recesso causado pelo impacto do AI-5, muito samba-soul ou funk e (Gal) cabelo black power – black is beautiful. Black is Beautiful – Marcos e Paulo Sérgio Valle, Tributo a Martin Luther King Jr. – Wilson Simonal-Ronaldo Bôscoli, e de outra frente Réu Confesso – Tim Maia em remake de Jackson Five três anos antes do estouro com Gostava Tanto de Você (Edson Trindade).
Quem descreve sem ter vivido aqueles anos se despista nas curvas de climas e fatos da época. Abril de 1997. Luís Antônio Giron publica no jornal Folha de São Paulo ampla resenha do livro Anos 70 Novos e Baianos, de Luís Galvão, em que incorre em equívoco, ou não se entende bem quando diz que “o livro preenche o oco deixado pelos historiadores da música, que vai do êxodo dos tropicalistas em 1969 à volta da classe artística ao país, pelo ano de 1974 [Chico voltou em 1970 e os baianos voltaram em 72]. Nesse lustro pouca coisa aconteceu na MPB além de Wilson Simonal, Walter Franco, Secos & Molhados e, sobretudo, Novos Baianos.”
Oras, Simonal não aconteceu pós 1970 e para os entendidos Secos & Molhados foi apenas um acontecimento entre muitos em 1973 (bastaria citar os LPS Matita Perê, de Tom Jobim, João Gilberto e Ben). Aconteceu tudo nesse “hiato”, obras básicas de qualquer um deles como se vê pelos elencos acima.
Marcos da música popular brasileira pós-tropicalismo: Vertentes Pós-baianos: Novos baianos – Pepeu estreia com Gil no Teatro Castro Alves em Barra 69 -, o som é Minas ou Clube da Esquina, roque rural e moda de viola tinindo em Em Busca do Ouro, de Ruy Maurity & Banda do Oitão, Naná, muita boa canção urbana para gosto sortido como Chico, Paulinho, Gonzaga Jr, Jorge Mautner, Tomzé e Walter Franco, além dos filhos de Villa Lobos Egberto Gismonti, Edu Lobo e Francis Hime, Tom, João, hors-concours, e hors-concours Hermeto.
Vai ver não teve nem hiato, porque no interregno saíram Legal (1969), A Tua Presença, de Maria Bethânia, e Milton (1970), entre outros discos básicos.
Essa impressão de orfandade e desorientação era captada ao vivo, mas nos subterrâneos jovens cabeludos gizam a arte antiditaduras em regalia – os canais muito estreitos, os circuitos fechados em meio a barra muito pesada de que a coluna Geleia Geral de Torquato Neto no jornal Última Hora do Rio de Janeiro reflete o clima – censura, já jabaculê & muito, muito preconceito.
Os ratos não sabem morrer na calçada, ah é hora de pegar o trem e não sentir pavor dos ratos soltos na praça, urla Lô Borges no rockzão popzaço Trem de Doido dele e seu irmão Márcio. Os boletins meteorológicos nos anais de 1970 e 71 são sinistros. Eu vivo num mundo deserto de almas negras cantado por Elis é o resumo dos reflexos da Barra 69, título do disco produzido por Nelson Motta a partir do show de despedida de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Teatro Castro Alves de Salvador. Quando eu falava dessas cores mórbidas, quando eu falava desses homens sórdidos, quando eu falava desse temporal você não escutou – Lô e Márcio Borges pouco além, ainda na Barra 69, apesar dos regressos do exílio.
Rolava ao mesmo tempo clima de carnaval fora de época, ou miCARETA, porque o tri mundial de futebol ajudou a propaganda oficial na campanha Brasil gigante, potência do amanhã, e era um tal de eu te amo, meu Brasil, eu te amo no pa tropi de Jorge Ben mais ecos estridentes da Turma da Pilantragem capitaneada por Carlos Imperial e Wilson Simonal que tudo podia parecer ao mesmo tempo sorridente & lindo. César Camargo Mariano, produtor, arranjador, diretor musical e pianista de Simonal - o responsável pelo tapete sonoro de suingue irresistível por trás do cara, o que prosseguiria com Elis graças ao auxílio luxuoso de músicos como Luizão no baixo elétrico -, disse em retrospecto que não via mais sentido em “fazer música alegre com o país vivendo o pior da repressão”.
Que durou e como. Precavido, o departamento de censura não pestanejava quando se tratava de repertório de Chico Buarque, chegando ao ponto de proibir a peça musical CALABAR ou o Elogio da Traição, parceria com Ruy Guerra, dias antes da estreia no Teatro João Caetano do Rio de Janeiro em 1973. Nem Calabar nem elogio ou traição, as palavras se tornaram impronunciáveis e invisíveis e o disco com a trilha da peça saiu com o título CHICO CANTA com várias faixas sem a letra.
Em nota em sua coluna de 14 de setembro de 1971, quando Chico se apresentava no Canecão com o MPB-4 no show Construção, Torquato Neto noticiava que ele tem pelo menos cinquenta por cento de sua produção recente interditada.
Não havia mais chance de pernadas como a de Canto Latino do LP Milton em que Milton Nascimento e Ruy Guerra detonavam: A primavera que espero por ti irmão e hermano só brota em ponta de cano, em brilho de punhal puro; brota em guerra e maravilha, na hora dia e futuro da espera virar.
Ano Zero, Egberto Gismonti-Geraldo Eduardo Carneiro (1972): Que ela faça o prato / E não se esqueça do pão / Afogar as mágoas / Com muito arroz e feijão.
A produção do primeiro LP de Luiz Gonzaga Jr. em 1972-73 foi emperrada pela proibição de várias letras, inclusive a que lhe daria título, Diante da Morte, mas ele ainda conseguiu passar o clima de dureza em faixas como Comportamento Geral: você deve comer a xepa da feira e dizer sempre muito obrigado, são palavras que ainda lhe deixam dizer por ser homem bem disciplinado, você merece, você merece...
Em 21 de setembro Torquato Neto alude em sua coluna a um “brasileiro curtido de nossos dias, do qual se fala tanto por aí”. Em 28 de agosto registra o lançamento de compacto duplo de Gal Costa com Vapor Barato, Zoilógico e Não Entendi Nada e que Casa no Campo, de Zé Rodrix e Tavito (Tavinho) Moura (Som Imaginário), ganhou o festival de Juiz de Fora – e que Rodrix cantou debaixo de vaia e acabou por botar o pé no trofeu.
Título da coluna de Torquato Neto de 6 de novembro: Mastigando o sapo - Conformismo absoluto e contenção obrigatória. Disco compacto dos Novos Baianos: péssima mixagem e prensagem.
Eis outra, além da opressão política e social (preconceito) a da indústria, que põe na rua discos básicos como Beto Guedes Toninho Horta Danilo Caymmi Novelli (Odeon, 1973) e um Nana Caymmi (CID, 1975) que mal deram pra escutar direito ou o som foi desaparecendo aos poucos. Inacreditável.
70, 71, e o clima de pressão é acentuado pelo comportamento geral da manada, que investe com fúria contra os cabeludos vestidos com roupas exóticas hipercoloridas (as calças vermelhas e o casaco de general, cheio de aneis, da canção de Macalé e Sailormoon). Homem ou mulher, pouco importa. Torquato publicou uma crônica chamada História de Cabelos em que conta vários episódios deprimentes que viveu por conta de sua nova juba (ler História de Cabelos em www.revoluciomnibus.com/Asditasmoleseasditaduras.htm) e Gal Costa lembra de uma vez populares terem rodeado uma kombi onde estava em gravação de um documentário chamando-a de macaca com ar ameaçador. Uma das jóias do disco do tenis (1972), O Caçador, de Lo e Márcio Borges, é report
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Chico Buarque também se recusou a participar em 1971 do Festival Internacional da Canção (FIC) da TV Globo, “a festa da mediocridade oficializada (e retardada) desta província”, segundo Torquato Neto que na coluna de 18 de setembro publica a lista completa dos boicotadores: Paulinho da Viola, Edu Lobo, Egberto Gismonti, Vinícius, Toquinho, Chico Buarque, Ruy Guerra, Capinan, Sérgio Ricardo, Tom, Marcos e Paulo Sérgio Valle. “É óbvio, é claro e é de se dizer: fantástico!”
O nascente Poder Global é uma das testas de ferro do regime.
Luís Carlos Maciel escreve na bucha no Pasquim que
Rosa dos Ventos acontece em um momento em que tudo
parecia conduzir à ASFIXIA.
E continuou parecendo, pelo que se lê na coluna de Torqua de 5 de
novembro: a música popular brasileira continua sem ar. ASFIXIA.


O POETA DESFRALDA A BANDEIRA NA CRÔNICA DOS ÚLTIMOS DIAS DE PAUPÉRIA
À distância de 50 anos ainda é terrível quanto se penou no Brasil na entrada dos anos 1970. A coluna Geleia Geral, de Torquato Neto, entre 1971 e 1972, quando o poeta se imolou em sua bandeira, é de clima vampiresco, e mostra no entanto ao mesmo tempo uma pá de luz em alguns campos, como na música popular. Apesar das reclamações.

E no entanto em 1970 Chico Buarque acerta um balásio, Apesar de Você, e na passada mais outro, Construção. E justo quando Torquato Neto está em ação na Última Hora revelando dia a dia muitos detalhes da produção artística “do lado de dentro e do lado de fora”, o público carioca é brindado com Rosa dos Ventos de Maria Bethânia e Gal Fa-tal A Todo Vapor. Dois estouros que revelavam uma pá de talentos – neste aspecto, sobretudo Gal A Todo Vapor, por Gal cantando o fino (Antonico, de Ismael Silva, e Falsa Baiana, de Geraldo Pereira, por exemplo) e pela penca que revelou em Legal e ali de uma só vez, ou em duas: Jards Macalé, Lanny Gordin, Waly Sailormoon, Duda Machado, Carlos Pinto, Paulinho Lima, o produtor do show, Luís Melodia, Luciano Figueiredo e Oscar Ramos, os programadores visuais das palavras-destaque de Waly. Gal A Todo Vapor revelou também para a juventude o baixista Novelli e parte importante da cozinha rítmica dos Novos Baianos, o baterista Jorginho e Baixinho da tumba. Novos Baianos foram outra revelação “para os entendidos”, quem estava por dentro das paradas na Zona Sul do Rio de Janeiro, que era só onde afinal “tudo” rolava, embora seu disco de estreia ainda não revelasse tudo o que eles revelariam.

A Todo Vapor tinha côté banquinho e violão com samba de roda e porção pauleira braba.
A barra continua parecendo pesada. Mas Milton Nascimento e Som Imaginário, estrelando Frederyko, Wagner Tiso, Luís Alves, Robertinho Silva, Tavinho Moura e Zé Rodrix, animadíssimo, e que daqui partiria para o power trio Sá Rodrix & Guarabyra, revelando Lô Borges revelando-se um mestre do canto universal, o que o projeta de imediato no mercado americano, Egberto Gismonti e a penca de revelações de A Todo Vapor, inclusive a protagonista, metamorfoseada e moderna como nunca e ninguém, estão a indicar que há muitos e fortes pontos de luz no horizonte.
Por quase 20 anos o público ligado – um grande público, porém ainda e sempre muito pequeno, por quem são – irá assistir ao melhor período da canção popular brasileira, pelo brilho e diversidade de estilos.
Milton, de 1970, é um dos grandes achados da mal&bendita MPB. O mundo produziu poucos discos pop de tamanha qualidade na diversidade. O Som Imaginário de Wagner Tiso com Zé Rodrix pintalgando de sons silvícolas de flautas flautins e ocarinas tropicais a mata mineira de Milton e afroamericana de Naná abriu TOTAL o leque estilístico. Em apenas 4 pistas a trupe trabalhou com uma captação de som impecável e na mesa tratou as tomadas e misturou-as com assinalável habilidade, tratando-se de neófitos, e como sobraram umas horinhas de estúdio, sem Milton, tratou de gravar o disco do tênis de Lô Borges, básico. No mesmo estúdio da Odeon Egberto Gismonti e Cassiano obtiveram resultados esplêndidos em captação e mistura de sons, o que fazia do soul brother Cassiano no LP Apresentando Nosso Cassiano de 1973, e Água & Vinho, de 1972, clássicos, ponto.
Dirá Wagner Tiso, líder do Som Imaginário e direitor musical de Milton: Na década de 70 tivemos a posssibilidade de criar muito. Depois os artistas não tiveram mais direito a opinião.
Contradição às pencas. TUDO é relativo COMO 2 E 2 são 5
tORQUATO NETO EM NOTA DA COLUNA DA UH EM 10 DE SETEMBRO DE 1971: E provando, À maneira de Gal, que esse tempo atE pode ser chamado “de espera” – mas que sO os trouxas ou os mais burrinhos (alÉm dos cegos) nAo conseguem encontrar no escuro alguma coisa luminosa, como uma boa canÇÃo que não sirva apenas para fazer mÉdia com o que estA feito, comido e prensado.
ACRISSOLAR definirá então muito bem o astral no Brasil em 1969-70 e 71, quando apesar dos pesares Chico Buarque não se atemoriza e consegue dar um chute no lirismo / um pega no cachorro / e um tiro no sabiá, como cantou em Agora Falando Sério de Chico Buarque Vol. 4, que foi Apesar de Você, lançado em compacto que vendeu 90 mil cópias antes de a Censura perceber a mancada, mandar recolher o disco e estigmatizar o compositor como o inimigo público número um do regime, ele que com os primeiros (enormes) sucessos, sobretudo com A Banda, era o menino querido de olhos verdes do Brasil.
Nada mais ACRISSOLAR em 1969, o Ano da Barra Mais Pesada, o do choque, que Que Pena - luminosíssima no timbre claro de platina de Gal e no descante anasalado de Caetano Veloso e no acompanhamento e no entanto em tom de lamento de despedida.
Por outro lado Torquato Neto em Coisa Mais Linda parece comentar com ironia o momento presente, de passeata nenhuma, lei da caserna - ... e ficar sem compromisso, pra fazer festa ou comício com você perto de mim. A segunda parte da canção só solar de des-encanto é puro Gilberto Gil no que ele tem de mais característico: os estupendos encadeamentos harmônicos e melódicos serpenteados das escalas da floresta clara e da floresta escura - e o que dizer quando os encandeia harmônica e melodicamente com os versos serpenteados e sincopados da canção.
Em 1971 a música popular brasileira prossegue a abertura a todo gás para um dos ciclos mais explosivos de sua história, numa torrente de obras de tendências musiciais e estéticas fortes e diversificadas como nos mais ricos, neste aspecto, lugares do mundo da música criativa.
Em várias cidades pipocam literalmente (pintam e desaparecem) das bancas periódicos underground ou undigrudi como Bondinho, Flor do Mal, Verbo Encantado (publicado em Salvador por Álvaro Guimarães), Presença e inclusive a edição brasileira do jornal Rolling Stone, de São Francisco, animados ou não pelos jovens poetas e artistas plásticos Rogério Duarte, Luciano Figueiredo, Hélio Oiticica, Antônio Dias, Torquato Neto, Chacal, Abel Silva e Waly Sailormoon; mais tarde Waly provindenciou edições-extraordinároas de Navilouca e Polem, a única que tinha ica.
Imprensa alternativa, nanica. o Bondinho – talvez nada leve pela quantidade de informação veiculada – de Pedro Vargas e Victor Garcia a Nego Fuleiro do morro da Serrinha, Jards Macalé e Luiz Gonzaga, etc., o jornal-revista de espetáculos em papel cuchê e diagramação ousada foi um espetáculo. Reproduzia ipsis verbis & ipso vírgula entrevistas com músicos e produtores culturais, que ainda não tinham esse nome - + Grilo (HQ) + Fotografia, sob a batuta da tríade Sérgio de Souza, José Trajano e Hamilton Almeida.
O teatro novo brasileiro renascia da letargia a que fora reduzido por força da censura e de grupos extremistas partidários da linha dura como o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) – que invadiu o Teatro Oficina durante uma representação da peça Roda Viva, de Chico Buarque, agredindo os atores, o que fez o autor se decidir a dar um tempo no exterior – e revelava-se ainda outra vez com grande pujança em originais de dramaturgos muitos jovens como Antônio Bivar, Leilah Assunção, Zé Vicente e Isabel Câmara. E os músicos brasileiros iam de surpresa em surpresa criando um ambiente de enorme excitação entre as pessoas interessadas na vida e na sobrevivência de suas formas de expressão e arte.
RIO E TAMBÉM POSSO CHORAR
Chegam os novos compositores cantando a urbana idade do Rio de Janeiro, prosseguindo em maravilha uma tradição já quase secular: Jards Macalé, que musica e interpreta de forma peculiar textos peculiares de Capinan, Torquato Neto, Duda e Wally (Waly) Sailormoon (Salomão); Luís Melodia, um jovem negro gato do Estácio, um dos berços do samba, onde viveram os pioneiros Ismael Silva e Alcebíades Barcelos, que vem cantar de maneira não menos peculiar seus primeiros textos sobre o cotidiano da cidade ardente Pérola Negra
Geleia Geral, 8 de setembro de 1971: Nenhuma peça, nenhum show fez no Rio de Janeiro o sucesso que Rosa dos Ventos está fazendo. Casa cheia (Teatro da Praia, no Posto 6 de Copacabana) toda noite. 22: cem apresentações de Rosa dos Ventos. No Teatro Opinião, ao lado do Teresão Raquel, o sucesso é a peça Longe Daqui, Aqui Mesmo de Antônio Bivar.
Em 4 de outubro Torquato Neto começa a noticiar os preparativos de Gal A Todo Vapor e publica letra de Pérola Negra, do debutante Luís Melodia, que é taxativo: tente esquecer em que ano estamos. Dois dias depois REVELA que a ambientação visual do show é de Luciano Figueiredo, que fez a capa, fantástica, do álbum de Gil e Caetano, show da Bahia (Barra 69), Lanny Trio por detrás do som e um repertório, irmãos, da pesadíssima, Mal Secreto, Macalé-Sailormoon, Tinindo Trincando, Moraes e Galvão (Novos Baianos), Não Se Esqueça de Mim, Caetano Veloso, Dê Um Rolê, Moraes e Galvão, e a já muito manjada Superbacana de Caetano Veloso. 08-10-1971: A Todo Vapor estreia hoje. Waly Salomão direção geral. Lanny Novelli Jorginho – o Lanny Gordin Trio.
A peça Hoje É Dia de Rock de Zé Vicente estreia 12 de outubro no Teatro Ipanema. 9 de outubro: Teatrão (Teresa Raquel, um teatrinho) ainda em obras – estreia de A Todo Vapor adiada para dia 12.
Tente esquecer em que ano estamos Arranje algum sangue Escreva num pano Pérola Negra Te amo, te amo
Mal Secreto
Macalé-Sailormoon
Não choro
Meu segredo é que sou rapaz esforçado
Fico calado, parado, quieto
Não corro, não choro, não converso
Massacro meu medo
Mascaro minha dor
Já sei sofrer
Não preciso de gente que me oriente
Se você me pergunta
Como vai?
Respondo sempre igual
Tudo legal
Mas quando você vai embora
Movo meu rosto no espelho
Minha alma chora
Vejo o Rio de Janeiro
Corro, não salto, não mudo
Meu sujo olho vermelho
Não fico parado
Não fico calado
Não fico quieto
Corro, choro, converso
E tudo o mais jogo num verso
Intitulado
Mal Secreto
Como 2 e 2, de Caetano Veloso, acaba de ser gravado por Roberto Carlos para o LP Detalhes. Fa-tal - A Todo Vapor em cena, escreve Torquato Neto em 16 de outubro de 1971: Bobões da imprensa “especializada” e bobões cegos-surdos não compreendem as palavras-destaque de Waly e Luciano, do que se utilizam pra demonstrar ignorância e insensibilidade profundas a respeito de todas as novas formas da poesia, da imagem e do canto. Querem explicações. Esses bobões não contam nada. O show é simples e por isso mesmo complexo. A complexidade reside na dificuldade que as pessoas ainda enfrentam para, simplesmente, ouvir e sacar o canto desligado/ligadíssimo de Gal, as transas da técnica inteligente com a emoção (sincera?, perguntam os trouxas), que recria por exemplo uma gravação recente da boneca – Falsa Baiana – dentro do espírito normalmente pop do show por inteiro,
Gil em Nova York canta Fechado Pra Balanço e Oriente (nova – e a gente nem sabe ainda que novidade).
18-10-1971 nota. 20 de outubro: gravação do show Rosa dos Ventos esgota numa semana. 25-10-1971: Depois do show de Gal. 26-10-1971 quatro últimos dias do show de Gal foram com Pepeu, o guitarrista dos Novos Baianos. 29-10-1971 Novos Baianos – letra de Tinindo Trincando e Luz do Sol – Carlos Pinto-Waly. Novo e fantástico LP de Paulinho da Viola – última faixa Um Certo Dia Para 21, que ele irá regravar com trio de Dom Salvador (piano), Sérgio Barroso (contrabaixo) e Pascoal Meirelles (bateria) na Alemanha para antológico LP da MPS, que também inclui gravações do trio com Maria Bethânia e que o Brasil desconhece. 30 de outubro saindo Flor do Mal, um suplemento undigrudi do Pasquim. 01-11-1971 Tremenda 2ª feira. (ainda) show de Gal (que já era). 02-11-1971: idem. 03-11-1971 Assunto Pessoal idem.
12-11-1971: prossegue Rosa dos Ventos já com disco no mercado.
20-11-1971 Vai sair na primeira semana do mês que vem o álbum duplo de GAL A Todo Vapor.
29 de novembro: Gutemberg Guarabyra, Luís Carlos Sá e Zé Rodrix (que antes do Som gravou LP Momento Quatro com Ricardo Villas, Maurício Maestro e David Tygel) iniciaram esta semana a gravação de um elepê na Odeon.
4 de dezembro: Informação: o Pasquim acabou com a Flor do Mal. Sintam o drama.
Dois dias depois: O álbum duplo de Gal, A Todo Vapor, estará sendo lançado por esses dias nas lojas da cidade. Comprem, meninos. É pra quem viu e pra quem não viu o melhor show do ano. 15 de dezembro: escutei ontem, pela primeira vez, capa de Luciano e Oscar Ramos – que também é autor da foto da capa de Barra 69.
Waly Lanny Macalé Melodia. Tandem joão gilberto novos baianos entre Botafogo e o sítio em Campo Grande.
A TODO VAPOR BARATO no ano Da fossa E da virada.
Caetano
e Dedé moravam em Sampa quando Maria da Graça chegou ao Sul Maravilha
com Waly, Sailormoon, Salomão. Divino
Maravilhoso,
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
Gal
Costa 1969 – com Divino Maravilhoso (Caetano
Veloso-Gilberto Gil), Se Você Pensa (Roberto
Carlos-Erasmo Carlos), Namoradinho de Portão
(Tomzé), A Coisa Mais Linda (Gilberto Gil-Torquato
Neto), Que Pena (Jorge Ben)
LEGAL
1970: Capa Hélio
Oiticica –
com Mini Mistério, Língua do Pê
(Gilberto Gil), Hotel das Estrelas (Jards Macalé-Duda
Machado), Pulsars e Quasars (Macalé-Capinan),
The
Archaic Lonely Star Blues (Jards Macalé-
Duda Machado), London London (Caetano Veloso), Falsa
Baiana (Geraldo Pereira)
saudades
de Gil e Caetano.

Overacting
desbragado em Maria Bethânia Ao Vivo na Boate Barroco
(1968), bem mais contida em A Tua Presença e Rosa
dos Ventos – Show Encantado, em cinco atos
- ar terra fogo água eu. Cenografia de
Flávio Império

Rosa dos Ventos – Show Encantado, em cinco
atos - ar terra fogo água eu
Modelo de show teatral já esboçado em Comigo
Me Desavim (1969), também dirigido por Fauzi Arap, que
explicou que a gênese de Rosa dos Ventos – Show Encantado
foi a peça Alice no País Divino Maravilhoso, com
canções de Suely Costa e o Terra Trio: O Terra Trio havia concluído
uma pesquisa em torno da obra de Suely Costa para a peça. Fui buscar
parte do repertório nesse espetáculo meio psicodélico que não havia
feito muito sucesso.
Começa com Assombrações (Suely-Tite Lemos) - as sombras são assombrações. Disco embaralha disposição das músicas. Bethânia: O disco original é péssimo, foi cortado, editado pela gravadora, mal gravado, um golpe. Não ouço aquilo. Intercalaram músicas lentas e alegres, tiraram o espírito do espetáculo. Briguei, fiquei louca, chorei, não adiantou.
O exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil funcionou como uma das forças motrizes – “Cantávamos a volta dos dois sem ser explícitos, e isso acabou por acontecer. Após uma longa negociação Caetano voltou e veio ver o show – Maria Bethânia, Folha de São Paulo, 3 de julho de 1997.
Rosa dos Ventos foi picotado e a sensação é essa mesmo com fade-ins e fade-outs e cortes abruptos, sem sequência emocional. Gal falava ao mesmo jornal sobre A Todo Vapor: Foi uma época maravilhosa e ao mesmo tempo muito difícil, pesada. Confesso que não gostava muito desse disco, achava que tinha problemas técnicos.
E tem. Mas a força dela, das músicas e dos músicos ultrapassa até um ou outro problema de captação ou mixagem, no balanceamento do som ao vivo no teatrinho, Rio de Janeiro, Brasil, 1971. É óbvia ululante à primeira audição a importância do registro como música e documentário. É uma característica de Waly Lua do Marinheiro da Lua, o registro documental literário, musical, pictórico e fotográfico dos (seus) tempos. Foi essa a grande sacada de André Midani, o produtor executivo (principal responsável pela produção do disco na Phonogram). Os registros documentais, como se verá com a Phono 73. A obra que se impõe por sua urgência, num relato em cima da hora, como foi o lançamento dos três discos com a gravação da feira de música da gravadora no Anhembi em São Paulo, que saíram uma semana depois. (ler mais sobre a barra na sequência dos anos aqui reportados em www.revoluciomnibus.com/Musica_do_Brasil-Phono-73-censura-vida-de-artista.html) Os shows ainda estavam em cena e os discos na praça. Apesar de tudo, o de Bethânia impõe-se pela frieza e a explosividade telúrica, uma cantatriz no apogeu do desenvolvimento de sua arte, quando se fizera talvez a melhor intérprete de Noel Rosa (Três Apitos em A Tua Presença, 1970).
Uma
grande rampa coberta com material espelhado que vinha do fundo e ainda
saía em direção à plateia num formato irregular. No fundo, os músicos
e o mesmo material
espelhado subia pelas paredes, de trás e pelas laterais, com fendas
para as entradas e saídas.

A sequência de Maria
Bethânia foi admirável com Drama – Anjo
Exterminado,
que revelou o
original de Macalé-Sailormoon.
Prosseguiu décadas decalcando com e sem Fauzi Arap a fórmula mágica de
Rosa dos Ventos – Show Encantado, talvez seu
maior acontecimento. Seu grande show seguinte foi Drama – Luz
da Noite, cujo disco com a gravação também peca pelo
picotamento (uma fórmula que não deveria ser reprisada).




Depois de A Todo Vapor Gal apresentou-se cantando o fino em India e Cantar, com repertório e interpretações de arromba.
Parte elétrica – A Cor do Som / A Todo Vapor. Era uma Gal “over”, botando tudo pra fora. Da forma mais desbocada.

A TODO VAPOR volta a cena em janeiro de 1972. FA-TAL O nome saiu de um texto de Waly publicado no tablóide Pasquim. Vinha entre hífens -Fa - tal- hippismo em um tempo em que desbunde também era ato político
Boas Vindas Caetano – Luís Carlos Maciel da sua coluna underground do Pasquim.
Bondinho faz aos baianos recepção suntuosa, com direito a entrevastas e disquinho de Gil com trechos da entrevasta com ele abraçado ao violão (número especial a volta).
Torquato Neto em sua coluna Geleia Geral. Julio Hungria no JB. Logo depois o Rolling Stone Brasil deu ampla cobertura aos retornados. Bem vistas as coisas chegava a ser melhor naquele ano que 50 anos depois, nesse tipo de mídia – tente esquecer em que ano estamos. E já era 1972.
- vendo material em bruto filmado no regresso deles por Leon Hirszman só porque estava apaixonado por Gal: Gilberto Gil O Globo 10-11-1996:
– A contracultura, os movimentos e manifestações de caráter trans ou neo-religioso, o psicodelismo, tudo isso era nosso material.
Hugo Sukman: Uma grande mistura pós-tropicalista de arte com vivências pessoais, do carnaval profano com a religiosidade das igrejas baianas, das canções tradicionais com o mais moderno pop internacional [também inovador], de filosofia com loucura.
psychedelic culture - teve uma transa no Brasil. etimologia - A gíria – desbunde - TRANSBUNDE, foi o título de capa da edição do Bondinho com a entrevasta de Caetano Veloso -, grilo, bicho grilo, cuca, transa (título do disco de Caetano Veloso), curtição, barato (barata pode ser um barato total – Gilberto Gil-João Donato), careta, quadrado. Mistura de tradução mais (square – quadrado) ou menos (barato, desbunde) literal da gíria contracultural americana e de seu espírito com adaptações às novas ondas da sempre criativa gíria da malandragem dos proto-beatniks bebuns locais. E a canção e as palavras-destaque (título do disco de Caetano) transpiram essa linguagem e sua visão do mundo.
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1972
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páginas associadas
enquadra-se aqui o côtè vampiresco q foi uma fantasia eletiva de Torquato Neto naqueles tempos de muita luz do sol mas tanto obscurantismo ao redor, em que o poeta desfralda o travestimento de Nosferatu no Brasil (Ivan Cardoso) e glosa Drummond Em Let's Play That, que Macalé musica, cunhando a sua maneira a imagem do anjo torto que ordena vai Carlos ser vagabundo na vida, Torquato Araújo Neto vai desafinar o coro dos contentes
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jards macalé e os últimos dias de paupéria
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a partir de Infinita Tropicália (1986) de Adilson Ruiz - youtube.com/watch
Parque Laje, Rio de Janeiro, 1983, cenário de Terra em Transe, de Glauber Rocha, 1967
Tropicalismo é uma forma antropofágica de relação com a cultura. Devoramos a cultura que nos foi dada para exprimirmos nossos valores culturais. Não tem nada a ver com as doces modinhas nem surgiu para promover o xarope Bromil. A estrutura desse programa se assemelha ao ritual de purificação e modificação e utiliza para isso as formas mais fortes de comunicação de massa tais como missa, carnaval, dramalhão, candomblé, teatro, cinema, sessão espírita, poesia popular, Chacrinha, inauguração, discurso, demagogia, sermão, orações, ufanismo, revolução, transplante, saudosismo, regionalismo, bossa nova, americanismo, turismo, getulismo... .........................
Torquato Neto e José Carlos Capinan - Vida, Paixão e Banana do Tropicalismo 1967-1968 - programa de TV
- páginas associadas
RIO &TAMBÉM POSSO CHORAR
V A P O R B A R A T O
Parangopipa
no ar com
Waly
Salomão Sailormoon lua
do
marinheiro
PERQUIRIÇÃO EM TORNO
DA(S) CENTELHA(S)
QUE DEFLAGRA(M)
A LUZ DO SOL EM PLENA
DITADURA POLÍTICA E DE PRECONCEITOS
ROSA DOS VENTOS
E GAL A TODO
VAPOR EM CONTEXTO DE
EXÍLIOS
Criar é não se adequar à vida como ela é.
Nem tampouco se grudar a lembranças pretéritas.
símbolos simbolismo signos malignos Boneca Semiótica (Cha-cal) - samba é sempre a mesma história nosso amor morreu na Glória
Waly Salomão
Repertório: Tarasca Guidon –-Waly; A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa – Caetano Veloso-Waly; Mel – Caetano Veloso-Waly; Assaltaram a Gramática – Lulu Santos-Waly; CD Zona de Fronteira – João Bosco-Antônio Cícero~Waly; LP Aprender a Nadar - Jards Macalé-Waly Sailormoon - Anjo Exterminado, Dona do Castelo, Real Grandeza, Senhor dos Sábados Jards Macalé (1972) - Vapor Barato, Revendo Amigos, Mal Secreto; Maresia – Gabriel O Pensador-Waly; A fábrica do poema - Adriana Calcanhoto.
A minha única superstição é de que o mundo é sempre uma fábula – Waly Salomão 08-04-1996 O Globo
Waly Sailormoon era pseudônimo do baiano de Jequié que lera Marshall McLuhan com Caetano Veloso na Avenida São Luís em Sâo Paulo.
TUPINIQUEM? Quem são os inventores e quem os “mestres”? Milton e os poetas em torno dele e Macalé e os poetas em torno inovam totalmente na temática, que se reflete em seus sons de terra da dama eletroacústica enquanto Chico Buarque aprimora e atualiza a canção em português com sotaque carioca. Em termos que se diria que os letristas da BN foram os poetas da luz natural e Sailormoon e Duda Machado em peças como Hotel das Estrelas, Vapor Barato, Luz do Sol, Anjo Exterminado são os das luzes dos paraísos psicotropicais e dos signos benignos e malignos naturais e artificiais (da Boneca Semiótica) – anúncios luminosos, luzes da cidade, estrelas no céu, eu me queimo num fogo louco de paixão, anjo abatido.
O que cantam com frequência é poesia antes de ser letra – ou enquanto isso. Avant la lettre e vouloir l’être. Nelson Ascher em Folha de São Paulo 08-11-1992: quem quer que tenha vivido a idade formativa dos 60 para cá e tenha pretensões poéticas soube de poesia, antes de mais nada, sob a forma de música popular.
Nessa janela sozinho
olhar a cidade me acalma
Estrela vulgar a vagar
Rio e também posso chorar
Mas tenho os olhos tranquilos
De quem sabe seu preço
Essa medalha de prata
Foi presente de uma amiga
A personagem com medalha de prata (no pescoço... – de santinho ou de um dos novos santoni (gurus) da contracultura ou cultura do contra – Hendrix? Arnaldo Baptista?!) hospedada no Hotel das Estrelas poderia ser outro momento da que vai “descendo por todas as ruas”... “com minha calça vermelha, meu casaco de general, cheio de aneis” de Wally em Vapor Barato. O dandy pós-Baudelaire e pós - pós Oswald de Androide da nova sociedade afluente brasileira em pleno “milagre econômico” que pelo seu vagabundear merencório & colorido demonstra não estar nem aí pra isso e a atitude definida alhures acrissolar.
O vapor ambiente geral é muito pesado; íntimo é um barato de invenção e por isso de esperança e aposta na vida, apesar dos dragões da ruindade que carregam Torquato numa prise de gás butano (“quero ver de novo a luz do sol”).
É melhor antes morrer de vodka ou fogo paulista ou prisa de gás do que morrer de tédio – Waly Salomão sobre suicídio de Torquato Neto em 1972: Cave canem - cuidado com o cão, caderno Mais! Folha de São Paulo 5 de novembro de 1992.
Duda (cuja produção de letra ficará por aqui – mas marca padrão muito alto em uma era) e Waly, baianos como José Carlos Capinan, tripé da obra seminal de Jards Anet da Silva, dito Macalé, parceiro dos melhores parceiros.
Em 1972 saem os Discos de Bolso do Pasquim com Bala com Bala e Agnus Sei, das revelações João Bosco (de Minas Gerais) e Aldir Blanc (oriundo com Ivan Lins, Gonzaga Jr. E uma pá de gente do chamado Movimento Artístico Universitário, dito MAU). Bosco e Blanc (poesia musicada urbana) são primos da dupla Macalé-Sailormoon.
ACRISSOLAR Construção OSB Jacques Klein MPB4 show no Canecão julho logo antes gravação Construção / Deus Lhe Pague arranjo: Rogério Duprat – “sinfônico” mesmo.


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VIOLETO
LINGUAGEM
Essa gente prossegue a dica da Tropicália de libertar a linguagem de todo formalismo, coloquial como uma bossa nova e atenta aos sinais eletrônicos da sociedade emergente e à margem dela, na solidão lidando com os signos naturais, artificiais e interiores, como de resto os bossa-novistas, espécie de beats cariocas, estes os hippies ou pouco mais ou pouco menos.
Waly: Vapor Barato, aquela obsessão que diz que está indo embora. Sustância da poesia versus fala coagulada que nos rodeia dita erroneamente fala corrente. Que a poesia nos desoprima.
VAPOR BARATO – que já tinha ou logo ganha em Salvador conotação de gente vulgar: FULANO É VAPOR BARATO! (ouvido altas horas em Salvador, anos 1990)
Linguagem de capoeira – de malandro DÊ UM ROLÊ Dê Um Rolê Moraes e Galvão
enquanto eles se batem
dê um rolê e você vai ouvir
apenas quem já dizi
eu não tenho nada
antes de você ser
eu sou, eu sou, eu sou o amor
da cabeça aos pés
Waly: neobarroco? Sim. Não. Barroco TOTAL, ancestral, essa capacidade que os baianos tem de serem figuras-cores-vivas-síntese neo&barrocas, sem rococó. Passado, presente e futuro e num só tempo e olhar: João Gilberto, Luiz Gonzaga, Glauber Rocha, Caetano Veloso (Araçá Azul, 1973, disco-síntese), Gilberto Gil e Novos Baianos. Waly simbolista & muito rockmântico. Waly pré e pós mimeógrafo.
SUI GENERIS TOTAL ou a neocrônica em versos livres.
Gigolô de Bibelôs (1983): oralidade e sofisticação. Oralidade e nenhum apreço pelo rigor vivendis. Armarinho de Miudezas (1993). Algaravias – Câmara de Ecos (1996). Antônio Medina Rodrigues, professor da USP: Waly Salomão é o único poeta verdadeiramente urbano que surgiu nos últimos 50 anos.
Baianárabe, como se definia em Me Segura Queu Vou Dar Um Troço. Waly – ascendência sírio-sertaneja
Tomzé – ascendência sírio-libanesa-sertaneja ambos filhos de mascates do Alto Sertão e do sertão pré-Jequitinhonha, onde os jacarés se banham. Sertão de Os Fuzis e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.
Wally Salomão em outras plagas de revoluciomnibus.com
em GLAUBER
ROCHA OU A POÉTICA DA LUZ DO SERTÃO NO CINEMA NOVO BRASILEIRO
webpage
da seção
acesse daqui ►
(À Euclides da Cunha) Situemo-lo então na geografia da Bahia que influi como lâmina joãocabraldemelonetiana euclidiana e gracilianamente com corte profundo nas artes e letras brasileiras dos anos 1960 e 70:
João Gilberto de Juazeiro, na fronteira com a petrolina pernambucana;
Tomzé de Irará, na fronteira com o sertão de Canudos;
Gilberto Gil soteropolitano crescido e educado em Ituaçu ouvindo Luiz Gonzaga no serviço público de alto-falantes;
Caetano Veloso de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo da cana-de-açúcar;
Waly Salomão de Jequié, Glauber de Vitória da Conquista.
A Bahia das artes e letras brasileiras até então era apenas a litorânea do cacau de Jorge Amado, a Sudeste-litoral. E Castro Alves e Gregório de Matos Guerra. E Antônio Vieira.
Wally Salomão em outras plagas de revoluciomnibus.com
em Parangopipas acesse daqui ►
Parangopipa no ar com Waly Salomão sailormoon marinheiro da lua luz sobre os parangolés de H.O. Waly: A mangueira H.O. é prenhe de sinais e símbolos clamando para se transmudar em linguagem.
H.O.: A pitombeira WS é sinais e símbolos transmudados em linguagem pura e viva.
Waly sobre obra de H.O.: estandarte antilamúria. Da adversidade vivemos.
Waly Salomão: Hélio Oiticica – Qual é o Parangolé, Perfis do Rio, RioArte/Relume Dumará, 1996
Transformar POESIA em HIPERTEXTO CIBERNÉTICO e HIPERTEXTO CIBERNÉTICO Em POESIA: Enquanto são meus filhos que me ajudam a transformar minha poesia em hipertexto cibernético.
Nem Salvador sugere essa poesia da cidade elétrica e do neon – é o Rio e por isso como os outros baianos de sua geração Waly é carioca honorário (presente como Vinícius).
Nessa janela sozinho olhar a cidade me acalma
Estrela vulgar a vagar, Rio e também posso chorar
...
Movo meu rosto no espelho
Minha alma chora
Vejo o Rio de Janeiro
que (de)cantam a cidade iluminada e luminosa e seus descaminhos prenhes de símbolos e signos em roupas, cores, adereços e na paisagem e, repare, quase sempre soturnos em busca da luz do sol.
Como uma flecha, rasgar o regaço da língua materna. Da cálida vagina, como uma flecha disparada. Como uma flecha: o multilinguismo é o alvo.
Poema Jet-Lagged – trecho
Screen Signals – trecho
- Indique-me sua direção, onde você se encontra agora?
- Estou exatamente na esquina da Rua Walk com a Rua Don't Walk.
(...)
Traficar?
Trafico pitangas em chama, tiê-sangue
Quando Caetano e Gil se exilam, continua morando, escort, com Gal na Avenida São Luís e é preso com maconha no bolso.
Vapor Barato. Coincidência? Jamais, tratando-se de Waly, em quem nada é pura coincidência e tudo sim o é, coincidências e indícios de mistério
PISTAS DE RECONHECIMENTO DE UM DESPISTE
Mr X, imaginem, estava “passeando” com um mutucão de fumo na Av. Ipiranga, à noite. Hélio Oiticica.
Torquato Neto, 19 de janeiro de 1972, Última Hora, Rio de Janeiro, Geleia Geral: Let’s Play That
Pleno Setentão.
Onde andarão os outros? Waly Sailormoon numa barra em São Paulo, Hélio Oiticica quase numa bolsa em New York, Rogério Duarte lá pela Bahia, Luiz Otávio Pimentel em transas com São Tomé, Macalé e Duda em transações com gravadoras e teatros: encontros e migalhas em diversas celas separadas células, vinhos azedos; metais: últimas notícias.
Macalé me beija, Macalé me abraça, Macalé me liga na televisão e me dá presentes quando eu apareço no fim de semana que me restava, Sailormoon reaparece carregando um fardo e uma fúria, José Carlos Capinan é um magnata superoito, [Gil descobrirá o Quinteto Violado no regresso em giro pelo Nordeste com Capinan, Super-8 em punho, Nagra no joelho.] Duda dirige o show de Gal Deixa Sangrar. Tudo isso é uma sugestão: Let’s Play That.
Telefonei para a casa da Gal em São Paulo; Wally está em São Paulo, mas a empregada que atendeu o fone disse que ele “saiu pela rua” e que às vezes não volta à noite;
Continuação dia 20 de janeiro ... Continuo a ligar para São Paulo e não há ninguém; corre o boato de que Mr. X teria sido preso; será?
Bem, já estamos no dia 22 ... I – soube já definitivamente sobre a situação de Mr. X está mesmo preso há seis dias; Odete Lara seguiu ontem para S. Paulo e vai arranjar o melhor advogado; Mr. X, imaginem, estava “passeando” com um mutucão de fumo na Av. Ipiranga, à noite; Chato e triste tudo aqui; euforia e repressão simultâneos; riqueza e pobrezas interiores; vai melhorar.
A prisão de Waly Sailormoon lua do marinheiro da lua abre sua estreia em livro, Me segura queu vou dar um troço, de José Álvaro Editor, 1972, pedra angular de sua sanha de fazer análise da linguagem e linguagem de auto-análise fintando dogmas e tabus como a culpa, boneca semiótica navegando a moral amoral entre os signos malignos e benignos da floresta urbana com APONTAMENTOS DO PAV DOIS, como explicou em 2002 (in Poesia Total) porque "eu transformava aquele episódio, teatralizava logo aquele episódio, imediatamente, na própria cela, antes de sair", como entretanto transformou e teatralizou com a vocalização de Macalé a morbeza romântica.
"O que quer dizer tudo isto? Você transforma o horror, você tem que transformar. E isso é vontade de quê? De expressão, de que é isso Não é a de se mostrar como vítima."
A ideia de que cada pessoa é ela própria e não pode ser outra não será algo mais do que uma convenção que arbitrariamente deixa de levar em conta as transições que ligam a consciência individual à geral. - escreveu nos ditos Apontamentos, plataforma de um sentimento e sua obra.
Waly Salomão é ao mesmo tempo personagem obscuro e central nessa transa (da Tropicália, e na posterior, como perquirindo perquirindo acabamos por desvendar também em relação a Macau). É ainda um guri, o caçula da turma, agregado aos companheiros só um pouco mais velhos – nessas idades dois ou três anos fazem diferença.
Poetas intimistas 1970
Capinan Caetano
Duda Gil
Waly Chico
Torquato Neto – Pra Dizer Adeus com Edu Lobo anos antes
Paulinho da Viola – quase sempre se bastam
E com eles Jards Macalé letra e música
Geleia Geral 28-02-1972: segunda-feira, na Tupi, o famoso tape, inédito aqui no Rio, do encontro de João Gilberto, Caetano e Gal Costa.
Intelsat sim mais ainda um pouco antes desse Poder Globo e via Embratel
Macalé-Vinícius de Moraes: O Mais Que Perfeito
Macalé – Gotham City – 4 º FIC 1969 Macalé-Capinan Macalé + Naná Vasconcelos (tumbadora) + arranjo de Rogério Duprat tem um morcego na porta principal grita o celerado do palco.
Macalé, violonista – um dos maiores, figura de grande importância na história das artes brasileiras contemporâneas – Mauro Dias, O Estado de São Paulo, 30 de junho de 1996.
Farinha do Desprezo
Macalé-Capinan
Não quero mais provar
Da farinha do desprezo
Não, não me diga mais que é cedo
Hum, há quanto tempo estava pronta
Que estava pronta a farinha do desejo
Me joga fora que na água do balde
Eu vou embora
Só vou comer agora da farinha do desejo
Não, não me diga mais que é cedo

O caso o Bondinho como uma das mais bonitas & informativas
publicações da história, de São Paulo, e que circulou entre 1970
e 1972, e o caso do número da revista destacando o regresso do
exílio de Gilberto Gil e Caetano Veloso e com reportagem sobre o
show "Volta pra curtir" de Luiz Gonzaga, com direção artística
de José Carlos Capinan, e entrevistas de Capinan e Jards Macalé.
Amplos trechos da entrevista de Capinan foram reproduzidos em
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Seria
a última mentira
uma canção de amor
iluminada pelos astros
O desastre tirou o trem dos trilhos
E o brilho frio das estrelas
Ilumina o metal os risos
Esfrangalhados os meninos
Passageiros descuidados
Dos sentimentais caminhos
Onde os astros noturnos cadentes
Fatalmente anunciavam
Dorme que ao lado dorme a paisagem
E os amantes tristes dormem
Iluminados pela dor do nunca mais
tou
cansado e você também
vou sair sem abrir a porta
e não voltar nunca mais
desculpe a paz que eu lhe roubei
e o destino esperado que eu não dei
é impossível levar um barco sem temporais
e suportar a vida como um momento além do cais
que passa largo sobre meu corpo
não, não quero ficar dando adeus
às coisas passando
eu quero é passar com elas
e não deixar nada mais
do que as cinzas de um cigarro
e as marcas de um abraço no seu corpo
não, não sou eu quem vai ficar no porto
chorando não
lamentando o eterno movimento
movimento dos barcos
movimento
páginas associadas
REVENDO AMIGOS
Macalé-Sailormoon
Se me der na veneta eu vou
Se me der na veneta eu mato
Se me der na veneta eu morro
E volto pra curtir
Eu já morri
E volto pra curtir
SAMBA BLUES BAIÃO E ROCK
PÓS-MODERNISMO METAMORENISMO
Aprender a Nadar dedicado a Hélio Oiticica e Lygia Clark Jards Macalé apresenta Sailormoon’s linha de morbeza romântica.
O disco começa com apresentação inusitada e é de gargalhada. Além de primoroso diretor musical, violonista e cantor Jards Macalé confirma-se grande satirista:
Meu nome é Jards Anet da Silva ou melhor da Selva ou pior da Silva ou pior da Selva ou melhor da Silva... Distinto público, estou aqui exposto à audição pública como o faquir da dor...
... entra Alaíde Costa entoando a capella trecho de Dois Corações de Herivelto Martins
Boneca Semiótica
Macalé-Cha-cal
Você venceu com sua lógica
Digital e analógica
Você não passa da programadora
Do repertório redundante da minha dor
Estatutos da Gafieira, Billy Blanco, em Aprender a Nadar, um dos momentos mais gozados dos muitos momentos hilários do bolachão autogozador.
1985, já em Nova República: Delta Zero na memória, o Rio Sem Tom, que gravou e lançou em 1988 em compacto simples ou single.
Seu mote é: Pero Vaz de Caymmi
Em 1985 se apresentando com Rio Fora de Tom em Santa Teresa de frente para a grande encosta iluminada do favelão do Morro dos Prazeres ou no MAC em Sampa em one man show - competência e presença de espírito, planejo lhe abandonar pois sei que você acaba sempre por tornar.
1988, pós-ducha d’água fria do Plano Cruzado. Sala Funarte Sidney Miller, outubro.
P R O G R A M A
JARDS MACALÉ e SÉRGIO SAMPAIO
com Paulo Sodré – contrabaixo – e Renato Piau – guitarra
Roteiro Negra Melodia, Rio Sem Tom (Macalé), O Pato (Neusa Teixeira), Blue Suede Shoes (Carl Perkins), Black and Blue (Razal/Walter/Brooks), O Destino do Poeta (Jards Macalé/Torquato Neto), O Mais Que Perfeito (Macalé-Vinícius de Moraes), Canção Singela (Macalé/Xico Chaves).
1990: Obscenas Cariocas
o faquir da dor não está para choradeiras & não dá mole








Anjo Exterminado
Macalé-Sailormoon
Quando você passa três, quatro dias desaparecida
Eu me queimo num fogo louco de paixão
Ou você faz de mim alto relevo em seu coração
Eu não vou mais topar ficar sentado
Moço solitário, poeta benquisto
Até você tornar doente, cansada, acabada
Das curtições otárias
Quando você passa três quatro, dias desaparecida
Eu subo e desço, desço e subo escadas
Acendo, apago a luz do quarto
Fecho, abro janelas sobre a Guanabara
Já não penso mais em nada
Meu olhar vara, vasculha a madrugada
Anjo exterminado
Olho o relógio iluminado, anúncios luminosos
Luzes da cidade, estrelas no céu
Eu me queimo num fogo louco de paixão
Anjo abatido
Prometo lhe abandonar
Pois sei que você acaba sempre por tornar
Ao meu lar
Mesmo porque não tem outro lugar
Onde parar

Macalé + Naná Vasconcelos (tumbadora) + arranjo de Rogério Duprat no quarto FIC em Gotham City - tem um morcego na porta principal grita a celerado do palco.
MACALE CAPINAN TORQUATO DUDA WALY CONTRA A MORBEZA ROMÂNTICA
....





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JARDS..MACALÉ..em
daqui
revoluciomnibus.com/InútilPaisagem Antonio Carlos Jobim Tom Jobim
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páginas associadas
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publicado em 1992 nos vinte anos da morte de Torquato Neto - caderno Mais! Folha de São Paulo



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MÚSICA DO BRASIL
veja e leia também em revoluciomnibus.com
![]() Música do Brasil de Cabo a Rabo é um livro com a súmula de 40 anos de estudos de James Anhanguera no Brasil e na América do Sul, Europa e África. Mas é também um projeto multimídia baseado na montagem de um banco de dados com links para múltiplos domínios com o melhor conteúdo sobre o tema e bossas mais novas e afins. Aguarde. E de quebra informe-se sobre o conteúdo e leia trechos do livro Música do Brasil de Cabo a Rabo, compilado a partir do banco de dados de James Anhanguera.MÚSICA DO BRASIL DE CABO A RABOVocê já deve ter visto, lido ou ouvido falar de muita história da música brasileira da capo a coda, mas nunca viu, leu ou ouviu falar de uma como esta. Todas as histórias limitam-se à matéria e ao universo musical estrito em que se originam, quando se sabe que música se origina e fala de tudo. Por que não falar de tudo o que a influencia no Brasil? de que ela fala sobretudo quando a música popular brasileira tem sido quase sempre um dos melhores veículos de informação no Brasil? Sem se limitar a dicas sobre formas musicais, biografia dos criadores e títulos de maior destaque. Revolvendo todo o terreno em que germinou, o seu mundo e o mundo do seu tempo a cada tempo, como fenômeno que ultrapassa - e como - o fato musical em si.Destacando sua moldura
|
ÍNDICES mais de 4000
referências - artistas personagens e
personalidades citados e com obras
citadas e standards internacionais
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ARTISTAS
E
REPERTORIO DE
A A Z
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Johnny Alf



6. TROPICALIA TRIPS CÁLIDOS e a manhã tropical se inicia
Detalhe de cenário de Rubens Gershman para
montagem de O Rei da Vela, de Oswald de
Andrade, Teatro Oficina, 1967, em remake da capa
do LP Estrangeiro de Caetano Veloso



VAPOR
BARATO
botequim do Rio de Janeiro na história e no
samba 
ANGOLA
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MÚSICA DO BRASIL em A triste e bela saga dos
brasilianos
MÚSICA
DO BRASIL em ERA
UMA
VEZ
A REVOLUÇÃO
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João
BotelhoJ![]() |
Elifas
Andreato: capa do LP Confusão Urbana
Suburbana e Rural de Paulo Moura
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Carolina Pires da Silva e James Anhanguera
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