ciberzine   & narrativas de james anhanguera 

   destrincha o pato à Beijing, ou xadrez, ou laqueado

                               

          2008 d.C. O Mundo

          finalmente acorda 

         para a emergência

         alimentar. Mas 

     Que mundo?

          Que emergência

         Que alimento?

Do caviar ao feijão com arroz (branco? preto?

integral?) ou feijão com farinha de mandioca

um universo de inguinorãça e hipocrisia separa 

a humanidade carente.               De comida? 

 Só de comida? 

Ou também de sapiência e vergonha na cara? 

                                                                                                                                                                                          

            banco de dados revoluciomnibus.com

            do dossiê  A Fome no Mundo e os Canibais

                              e                  ANHANGUERA         PAPERS
                                                                               

 

  A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

                         

                                                  

             

              Afirma uma firma que o Brasil confirma:

                    ”Vamos substituir o Café pelo Aço”.

          Vai ser duríssimo descondicionar o paladar.

                                                             Cacaso

 

                                                                                                                                                                                                           

                                                                                                               Este Admirável Mundo Louco - Ruth Rocha, 22ª impressão, ...   ilustrações Walter Ono

      

 

 QUATORZE MILHÕES DE BRASILEIROS ESTAVAM - ABAIXO DA LINHA DE POBREZA -, OU SEJA - EM SITUAÇÃO ALIMENTAR GRAVE -, EM OUTRAS PALAVRAS - PASSANDO FOME - EM 2007 - SEIS MILHÕES A MENOS DE 2004, SEGUNDO UM ESTUDO DO IPEA (INSTITUTO DE PESQUISAS E ANÁLISES APLICADAS) BASEADO NUMA PNAD (PESQUISA NACIONAL DE AMOSTRAS AO DOMICÍLIO) DO IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA). CIFRAS QUE CORRESPONDIAM GROSSO MODO A QUASE UM DÉCIMO DA POPULAÇÃO DO BRASIL E A POUCO MENOS DE DOIS POR CENTO DO CONTINGENTE DE UM BILHÃO DE PESSOAS QUE PASSAM FOME NO MUNDO. ERAM OUTROSSIM POUCO MAIS OU MENOS EQUIVALENTES AO PORCENTUAL DA CONTRIBUIÇÃO DO BRASIL PARA O COMÉRCIO MUNDIAL, EM QUE OS ALIMENTOS TÊM PESO CONSIDERÁVEL. OS ESFOMEADOS BRASILEIROS EM 2009 SÃO 11 MILHÕES, DIZ UM ESTUDO DO IBASE (INSTITUTO BRASILEIRO DE ANALISES SOCIAIS E ESTATISTICAS).   20, 14 OU 11 MILHÕES É DE TODO MODO GENTE DEMAIS PASSANDO FOME EM UM PAÍS 

EM QUE 

Brasileiro
passa fome
sem razão

Jornal do Brasil 22 de julho 1993
A fome não se explica pela falta de alimentos, constatou o Tribunal de Contas da União baseado numa auditoria feita aos
Programas de Suplementação Alimentar do governo envolvendo
Fundação de Assistência ao Estudante (FAE)
Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan)
Legião Brasileira de Assistência (LBA) e
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
EM CADA PROGRAMA FORAM OBSERVADAS IRREGULARIDADES E FALHAS GRAVES
Com uma média de 59 milhões de toneladas de grãos (arroz, feijão, trigo, milho, soja) e a disponibilidade interna desses produtos e dos demais produtos tradicionalmente consumidos no país é superior às necessidades diárias de calorias e proteínas da população.
Dispõe-se de 3 280 calorias e 87 gramas de proteínas per capita/dia para uma necessidade de 2 242 calorias e 53 gramas de proteínas.

 

Aqui no Rio me esperavam surpresas incríveis. A primeira delas foi ver a beleza da raça brasileira em Ipanema. É a raça dos que comeram. Depois fui ver Caxias, fui ver Madureira; lá é outra raça, a dos que não comeram. A figura dos que não comeram, do povão, de um lado, e a beleza de Ipanema, do outro, é um tremendo contraste. A beleza de Ipanema está muito mais bela, as meninas e os rapazinhos, as tribos, são uma beleza. E as subtribos de Caxias, do Méier, estão mais terríveis ainda.

Darcy Ribeiro em debate promovido pelo Jornal do Brasil do Rio de Janeiro com Ferreira Gullar, Glauber Rocha e Mario Pedrosa em 1977, quando os quatro regressavam do exílio imposto a eles pela ditadura militar

 

                                                                      foto Vilma Lobo Abreu - reprodução do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1993/setembro/12

                                      

 

      A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

                                        

      AFriCa AMériCA EuROPa                                                                     

nossos enviados reportam de três continentes as causas e consequências de duas emergências previstas para nostro domus Terra há milhares de luas, baseados no que vêem e no banco de dados revoluciomnibus

     em

  

            A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

                   

          huxley na fome do mundo

                                       

      CRISE 2008

DE CRACK EM CRACK A COMANDITA ENCHE O PAPO

 

                                          

         ALIMENTAÇÃO      ENERGIA

  

      GUERRA      E      PAZ

 

   Oh como os brancos são bons 

Come sono buoni i bianchi

         

  A INDÚSTRIA DA SECA

 

                                       

           

                                 

                ALIMENTAÇÃO      ENERGIA

                              

                 GUERRA      E      PAZ

 

Dossiê A Fome No Mundo e os Canibais
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Robert Anton Wilson dá o bote em The Illuminati Papers:
                        Não existe crise de energia. O que há é uma muito mais terrível e trágica crise de inteligência.
Money makes the world go around.
                        Tudo está aqui dito. A vida é uma concepção humana. Se o dinheiro acaba o mundo deixa de girar, porque deixamos de existir e não o vemos. Se deixamos de existir nada mais existe. Que sentido faz que todo o resto exista quando a gente não existe mais?
                         As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender - canta o poeta Paulinho da Viola.
                         O muro de Berlim caiu faz tempo, mas não o da hipocrisia. Cai a Babilônia, cai a muralha da China, que mais de um século depois das Guerras do Ópio se abre à sociedade de consumo ocidental e a fome e a inguinorança no mundo aumentam em escala.

 

2 DE SETEMBRO 2008

      O BANCO MUNDIAL ADVERTE:

CARESTIA DE ALIMENTOS VAI LEVAR UM BILHÃO DE PESSOAS À POBREZA

 

DESPERDÍCIO
ENERGIA PERDIDA JOELMIR BETING                         O GLOBO 1º de abril 1993
PÓ NO CANO
A ONU informa: no ano 2000 cada terráqueo vai ter um milhão de metros cúbicos de água por ano. Em 1950 a disponibilidade de água doce era de 2,9 milhões por pessoa. Na cidade de São Paulo a água já está sendo puxada de até 150 quilômetros de distância. Com ela a gente lava carros e calçadas.
                 

    Money makes the world go around.
Tudo é uma questão disso mesmo:   
GÁS ALIMENTAÇÃO ENERGIA GUERRA OU PAZ.

Este capítulo do

Dossiê A Fome No Mundo e os Canibais
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           Causas da emergência alimentar

expõe dicas dos Estados Unidos, Japão, Inglaterra e Brasil e a evolução das questões relativas a agricultura, alimentação, demografia (Malthus or not Malthus), ecologia, fontes de energia e jogo cínico, hipócrita dos pressupostos da Civilização com pontos de vista do Mundo e enfoque no Brasil de Cabral à timbalada de Carlinhos Brown - como exemplo. Por exemplo.

Robert Anton Wilson  dá o mote das premissas de   A Fome No Mundo e os Canibais:

         Apesar de tanta gente usar as SMART DRUGS (...) a estupidez humana da maioria das pessoas, pelo menos nos EUA, cresceu cada vez mais. Atribuo o fato a uma política deliberada de estupidificação da população que a nossa Elite regente instigou (...).
          Os males do mundo, que envolvem a fome maciça assim como a erosão das liberdades individuais.
          Duas pessoas eminentemente inteligentes, R. Buckminster Fuller e Werner Ehrard, propuseram que podemos e devemos abolir a fome até o final deste século. [século XX] Este objetivo é racional, prático e desejável, de modo que, naturalmente, foi denunciado como utópico, fantástico e absurdo.
        ... se gastaria muito menos dinheiro em tremendas imbecilidades organizadas como a corrida aos armamentos, sobrando bastante mais para investir em projetos fomentadores de vida.
           O dr. Nathan Kline (...) predisse no livro Psychotropic Drugs in the Year 2000 que dentro de 20 anos teremos drogas para estimular ou suprimir qualquer emoção, drogas para prolongar ou encurtar a infância, drogas para manipular o comportamento materno, etc. (...) [As pessoas] mais inteligentes as usarão de modo mais inteligente, isto é, para aumentar a sua própria liberdade neurológica, desprogramar os seus programas irracionais e em geral expandir a consciência e aumentar a inteligência.
           [N]ão existe razão para crer que pessoas libertárias e humanas não possam usar estes conhecimentos [formulados por Walter Bowart no ensaio Operation Mind Control, baseados na premissa de que "Modificação do Comportamento aliada aos neuroquímicos é mais eficaz do que apenas a Modificação do Comportamento", R.A.Wilson] para descondicionar e desprogramar, em vez de unicamente para recondicionar e reprogramar.
          a abolição da pobreza, a economia da abundância para todos, o fim da competição territorial por recursos limitados conducente ao ciclo da guerra, atingir a longevidade e eventualmente a imortalidade. Todas estas competições do segundo circuito (como Leary lhes chamaria) resultam das pulsões mamíferas básicas: paixão, status, território (propriedade).
            Como resolver então os problemas que afligem este planeta? Não através da política, esse ritual mamífero irrelevante. Resolveremos os nossos problemas através de tecnologia melhor, mais barata e mais eficiente; e especialmente através da migração para o espaço, da tecnologia da consciência e aumento da inteligência, e do prolongamento da vida.
             (...) Após estas experiências começaremos a passar gradualmente de robôs totais para autoprogramadores.

              Temos o azar de pertencer a uma espécie mamífera dotada de tecnologia suficiente para tornar estas futricas crescentemente oniletais. Mas isto sucede provavelmente em todos os planetas sustentadores de vida durante a evolução do estado mamífero para a verdadeira inteligência. Encontramo-nos apenas a meio do ciclo evolucionário da nossa estrela e nos últimos milhares de anos já começaram a surgir formas mais avançadas em mutantes ocasionais.
              [Ezra Pound torna claro que] não acredita, como a maioria dos Utópicos, que a reforma do mundo é meramente uma questão de conseguir que suas idéias político-econômicas ganhem aceitação generalizada. A consciência superior, a sensibilidade sutil, devem surgir primeiro, antes de poder manifestar-se a "ordem cívica". 
              Aqueles que pensam que a subordinação de Pound à economia fascista * significava uma devoção à política fascista confundem completamente a questão.
* Tratava-se principalmente de uma submissão à idéia de dinheiro não gerador de juros cunhado pelo Estado como distinto da prática corrente na qual 72% de todo o "dinheiro" existe apenas em livros de contabilidade e serve como dívida geradora de juros para banqueiros privados.
             (...) Todos os fatos da Ciência foram outrora Danados, todas as invenções foram consideradas impossíveis. Todas as descobertas foram choques nervosos para alguma ortodoxia. Todas as inovações artísticas foram denunciadas como fraudulentas e levianas. Toda a malha da cultura e do "progresso", tudo quanto na terra é feito pelo homem e não nos é dado pela natureza, constitui a manifestação concreta de algum homem recusando a submeter-se à Autoridade. Se não fossem os rebeldes, os recalcitrantes e os intransigentes, não teríamos mais, saberíamos mais e seríamos mais do que os primeiros hominídeos. Como disse em verdade Oscar Wilde, "A desobediência foi a virtude original do homem".
             O desemprego não é uma doença, donde não ter cura.
             Vejo o jogo do poder como assentado em três níveis de força e fraude (...) o mais antigo e ainda o mais forte: a extorsão praticada pelo governo, o monopólio da força (militar, policial,  etc.) que permite o grupo governante receber tributo (impostos) das massas escravizadas ou iludidas.
o de segundo nível: a extorsão praticada pelos senhorios, o monopólio mamífero do território, o arrendamento é filho do fisco, o segundo grau do mesmo esquema de extorsão.
O de terceiro nível, historicamente mais recente: a extorsão da usura, o monopólio da emissão de moeda, que permite aos senhores do dinheiro receberem tributo (juros). (...) a maioria das pessoas que se dedicam a estas práticas nefastas são pouquíssimo propensas a reconhecer o que realmente fazem, pois encontram-se viciadas nas mesmas hipocrisias que o resto da humanidade, acho que todos os grupos poderosos acreditam sinceramente que o que estão fazendo é bom, e que quem os atacar só pode ser um louco revolucionário.

  

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mais dicas do cardápio de  A Fome no Mundo e os Canibais:


Não é unívoco, não é maniqueísta, não é unilateral. Também daqui se vê, como o senador Cristovam Buarque, que há que definir, como a Opep quantas gotas de petróleo se produz, quantos centímetros quadrados de terra se vai consumir para encher os tanques do mundo e não deixar de plantar para se comer num país que tem fome.
 

                   Lição que qualquer bebezinho sabe de cor - e o que faz é desaprender.

Indi-gente
questões velhas de guerra
cobiça X natureza
que apenas é sem perguntar
como
porquê
pra quê
desenvolvimento econômico X preservação ambiental

ou como posto no título do livro do fotógrafo Pedro Martinelli Gente X Mato (2008) quando a questão básica hoje é a educação e ela está em falta para tudo, quanto mais para a curtição ambiental. Se a questão é desenvolvimento é necessário um modelo que explore a biodiversidade e a riqueza de terra, exposição solar e água com um sistema educacional que no Brasil, segundo alguns especialistas, já atingiu nível de sofisticação como em poucos países em desenvolvimento NO EXTRATO SUPERIOR DE PÓS-GRADUAÇÃO, mas nas bases...

em depoimento à revista veja, de são paulo, quando do lançamento de Gente X Mato Pedro Martinelli põe o dedo na chaga que é o mapa do Brasil ao dizer que as coisas não mudam (ou mudam para pior) desde que há 30 anos começou a viajar para a Amazônia. Quando a maré sobe em Belém do Pará sobe com ela "um lixo de cheiro insuportável" nas imediações do famoso mercado Ver-o-Peso e em Manaus há décadas o esgoto é jogado diretamente no Rio Negro na frente da cidade e "as comunidades do interior são todas um lixo só". Então, não adianta o sujeito que mora em São Paulo ficar falando em emissão de carbono, sustentabilidade, manejo sustentável. Na prática, as coisas não mudam.

quem sai das minúsculas reservas habitacionais protegidas por grades das populações de classe A e B depara-se com o descuido pela deseducação e pobreza que faz de quase todo o resto do Brasil viveiro de mil e uma pragas de subdesenvolvimento urbano, suburbano e rural de igual modo insuportável, de onde a cada hora desaparece o mínimo vestígio de desenvoltura, doçura, beleza e nobreza.

de outra parte não adianta insistir em desenvolvimento sobre o mesmo modelo econômico visando quase exclusivamente a exportação de produtos primários. Não é de agora que se sabe que, ao mesmo tempo em que é necessário pensar um pouco em dar um pouco ou mais de comida ao povão e não plantar soja para engordar porco japonês, é preciso no mínimo agregar valor aos produtos primários para que eles sejam rentáveis. como se assinala a cada passo por aí : o Brasil tem área plantada de soja quase três vezes maior que a da Argentina, que no entanto fatura quase o mesmo em exportação porque exporta óleo de soja e não somente grãos. de Cabral à timbalada de Carlinhos Brown dá no mesmo: eles aqui ó de escravo subalimentado. Indi-gente.

 

detrito da abundância (de detritos), detrito da indi-Gência

Wildlife, whatever happened to  wild life  the animals in the Zoo - em outubro de 2008 a World Wildlife Fund repica os sinos em relatório de um estudo em que fez as contas do que é necessário para a produção de bens e processar o lixo produzido pelo homem e concluiu serem necessários em média 2,7 hectares de terra por habitante ao ano - 9,4 para cada americano - e que em 2030 será necessário um outro planeta do tamanho e com as condições ambientais da Terra para dar conta do recado. A demanda por recursos naturais dobrou desde 1997. A população da África triplicou desde 1970.  Metade dos rios do mundo estão contaminados por esgoto, agrotóxicos e detritos industriais. Em 2050 serão utilizados 80 por cento dos recursos de água doce do planeta que o homem pode consumir, equivalente a um por cento do líquido existente, e o volume de pesca disponível terá sido reduzido em 90 por cento. Quase metade da área dos oceanos está gravemente contaminada. A emissão de gás carbono aumentou dez vezes nos últimos 50 anos. Só um décimo dos 15 bilhões de hectares de terra existentes servem para a agricultura.



ENGLAND  WAR ON OIL Lawrence da Arábia, tenente inglês que na I Guerra Mundial coloria mapas e acaba liderando união de nômades da atual Arábia Saudita contra os turcos. Winston Churchill cria a Opep.

Eles não falam do mar e dos peixes nem deixam ver a moça pôr a canção. O que interessa é que a BR 364 desemboca no Pacífico de boca para a Ásia, não o que aconteceu desde os primeiros contatos há meio século, a abertura da picada até o asfaltamento da estrada que vai para Rondônia e de lá para o Peru.
A questão dos conflitos de terra no Brasil é central
brancos X índio branco X branco
expansão agropecuária e boi bumbá bumba meu boi na Amazônia - Música do BR K Abertura em Tom Menor,
 Abertura.
 

todo bebê sabe
tudo o que se faz é em função da comida, que é o que nos mantém na vertical. O homem dito civilizado nem se toca e vive na ilusão de que é a piscina, a Ferrari ou a gostosona do pedaço. O homem dito sapiens sapiens curte também uma bela comida espiritual - a dita cultura. Inclusive religião, comida, bebida, o pôr-do-sol.

a propósito de Lula elogiar governos militares e de Veja o que se fez - matança de gente e outras espécies animais e espécies vegetais, tortura e coisa e tal - é cinza. pouco importa. a sanha é ainda e sempre a senha, o homem pisa e repisa, pisoteia tudo, pisa e repisa os mesmos
rerros
 

O MOTOR DO SÉCULO E DO CAPITALISMO VEJA 14 DE JUNHO 1995:  Isso porque a energia do homem é que é fonte inesgotável.
A energia humana é sua fome inesgotável. De comida. De grana. De poder.
 

Tudo parece tão complicado e é tão simples ou Tudo é tão simples e só complica porque recai sempre sobre a mesma equação: cobiça X ser natural, matar pela posse X não ação.
Asa Branca, onomatopéia da fome, Caetano Veloso - ver Glauber Rocha Vozes da Seca    

Caetano Veloso gravara no primeiro de seus dois LPs do exílio uma versão de Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, em que aplica à música popular a estética da fome glauberrochiana, onomatopeizando a fome ao ritmo de baião: nham, nham-nham, nham, nham-nham... Coisa, de fato, de Cinema Novo: som de chiado de carro de boi e caras calcinadas de sol e fome. De Londres, qual um Josué de Castro, chamava a atenção para a fome no mundo e no seu Nordeste, em que fome e arrasta-pé são binômio de lei. Carro de boi e calcinamento. Barriga roncando no ritmo dos foles da concertina. Uma lembrança tocante – e quiçá até chocante – e homenagem transversa ao papa do Cinema Novo. 

    ver então    Carta de Glauber Rocha ao cineasta Cacá Diegues

Nós estamos em 1971. Caetano se reaproxima através de John Lennon, mas não tenho o menor interesse em John Lennon, apesar de ter o maior interesse em Caetano. Mas seu último disco é um filme de Cinema Novo de 1968. Depois que descobriram o cinema novo de tanto esculhamba-lo: um pouco de inglês pop e de nordeste faminto – mas, meu Deus, qual a novidade de Asa Branca depois do plano inicial de Vidas Secas – é tudo bonito?

Caetano sabe disto. Intuiu mais ou menos, ele está pesquisando a música brasileira

     Assim escreveu o homem que cinco anos antes proclamara em San Remo no manifesto ESTÉTICA DA FOME:

 

“A mais nobre manifestação cultural da fome é a violência. Nossa originalidade é nossa fome. A fome na América Latina não é somente um sintoma alarmante. É o próprio nervo da sua sociedade.”



Outros toques do cardápio de A Fome No Mundo e os Canibais:
 

Josué de Castro – morreu em Setembro de 1973, pioneiro no Brasil de estudos sobre alimentação e nutrição, 1945: Geografia da Fome 1952: Geopolítica da Fome – SUBNUTRIÇÃO é a falta de qualquer UM dos 40 elementos nutritivos indispensáveis à salvaguarda da saúde HUMANA

Provou que dois terços da população mundial passa fome ou sofre de doenças por má nutrição.

A solução para o problema não é produzir mais, mas distribuir melhor e repartir mais equitativamente; problemas fundamentais são políticos.

JOSUÉ DE CASTRO
médico pernambucano, 1908-1973
revelou o flagelo da fome no Brasil
em 1952 foi eleito presidente da FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura
Às vésperas do golpe de 1964 foi vetado pelo próprio partido, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), para o Ministério da Agricultura do governo João Goulart
morreu no exílio
Geopolítica da Fome - Geografia da Fome: obras de referência básica e consulta obrigatória
Theothonio dos Santos, economista
12 de setembro de 1993 Jornal do Brasil
Foi fundo na busca das causas desse quadro de fome, ao processo de colonização e do seu caráter predatório baseado na busca do lucro fácil, do atendimento dos apetites e necessidades dos povos colonizadores, da implantação de regimes de trabalho servis. Destacou ainda o peso atual desta herança numa agricultura dominada pelo latifúndio, numa industrialização baseada no protecionismo e na inflação,  em uma urbanização desequilibrada e incapaz de absorver os trabalhadores vindos do campo e de gerar um mercado urbano capaz de estimular uma economia agrícola moderna.
Alertava para uma centralização econômica que abandonava as regiões mais pobres à sua sorte. Durante os anos de crescimento econômico vitorioso era um dos poucos que criticava, de forma contundente, um crescimento industrial que marginalizava a agricultura e acentuava a concentração de renda e a centralização econômica.
O golpe de 1964 reinstalou no poder a oligarquia da terra, obrigando-a somente a modernizar-se e tornar-se mais produtiva por força de um Estatuto da Terra que preservava suas propriedades anti-econômicas e anti-sociais, o capital internacional e os interesses monopolistas e centralizadores.
Atualidade de Josué de Castro na advertência ao caráter paradigmático da evolução de Recife:
O que os sociólogos chamam de 'cidades inchadas', como a do Recife, com 200 mil marginais improdutivos, oriundos do interior, são uma demonstração evidente de que, longe de se atenuar, se vai agravando no Brasil nos últimos tempos o desequilíbrio entre a cidade e o campo. Como se agrava o desnível entre a região industrializada do Sul e as regiões predominantemente agrícolas do Norte e Nordeste do país, vindo a situação do Nordeste a constituir-se no mais grave problema nacional (...).
Como médico criou a profissão de nutricionista
pesquisou o valor nutricional de um grande número de produtos agrícolas brasileiros
estudou as doenças alimentares mais graves do país
professor de Geografia Humana nas Universidades do Brasil e do Recife
romance
Homens e Caranguejos - homens que moram no mangue e vivem na lama como os caranguejos que vivem no mangue e moram na lama
Josué aprofundou sua visão ecológica da geografia humana que influenciou tão fortemente a ONU para a realização da famosa Conferência de Estocolmo em 1972 sobre ecologia e meio ambiente, em que a ditadura militar se opôs à defesa do meio ambiente em nome do desenvolvimento.
Ninguém se lembrou dele 20 anos depois como precursor do enfoque ecológico dos problemas humanos.
Seus trabalhos deste período foram publicados sob o título
Fome: um tema proibido

                 "A fome se revelou espontaneamente a meus olhos nos mangues do Capibaribe e nos bairros pobres de Recife."

páginas finais de
GEOGRAFIA DA FOME, 1946
... dualidade da civilização brasileira, com sua estrutura econômica bem integrada e próspera no setor da indústria e sua estrutura agrária arcaica, de tipo semicolonial, com manifesta tendência à monocultura latifundiária, (...)
Nenhum fator é mais negativo para a situação de abastecimento alimentar do país que a sua estrutura agrária feudal, com um regime inadequado de propriedade, com relações de trabalho socialmente superadas e com a não-utilização da riqueza potencial dos solos.
Também fator de agravamento da situação alimentar tem sido o surto de expansão industrial do país, sem o paralelo incremento da produção agrícola, de forma a atender à crescente procura de alimentos de uma população que procura levar os seus padrões de vida, principalmente nas cidades.
A alimentação do brasileiro se mostra assim imprópria em toda a extensão do território nacional, apresentando-se em regra insuficiente, incompleta e desarmônica, arrastando o país a um regime habitual de fome - seja de fome epidêmica, como na área do sertão, exposta às secas periódicas, a do Nordeste açucareiro e a da monocultura do cacau, seja da subnutrição crônica, de carências mais discretas, como nas áreas do Centro e do Sul.
... as inúmeras carências que o estado de nutrição do nosso povo manifesta constitui (...) o fator principal da lenta integração econômica do país. Por conta dessa condição biológica tremendamente degradante - a desnutrição crônica - decorrem graves deficiências do nosso continente demográfico.
 

Josué de Castro morreu em Setembro de 1973. Pioneiro no Brasil de estudos sobre alimentação e nutrição - 1945: Geografia da Fome 1952: Geopolítica da Fome - alertou para os danos que pode causar a falta de qualquer um dos 40 elementos nutritivos indispensáveis à salvaguarda da saúde, e não só para situações terminais como a inanição causada por falta de alimentos.
Provou que dois terços da população mundial passa fome ou sofre de doenças por má nutrição.
Para ele a questão não é produzir mais, mas distribuir melhor e repartir mais equitativamente; problemas fundamentais são políticos.

O Estado de São Paulo 16 de janeiro de 1994
MILTON SANTOS, professor titular de Geografia Humana da USP e autor dos livros
Croissance Démographique
Croissance Alimentaire dans les Pays Sous-Développés, CDU, Paris, 1967
A Urbanização Brasileira, HUCITEC, São Paulo, 1993
FOME SÓ ACABA COM PACTO SOCIAL DURADOURO
... o sonho do após guerra, de que Josué de Castro foi um paladino, de um mundo onde todos pudessem se alimentar devidamente, mostrou-se vão.
... a fome globalizada é diferente daquela fome localizada do passado.
... Antes os migrantes fugiam dos seus lugares para escapar ao flagelo, enquanto hoje continuam famintos no lugar onde chegam.
... uma urbanização galopante (em 1991, o número do urbano é igual ao total de brasileiros em 1980) e por migrações colossais desenraizadoras (eram 8% os brasileiros ausentes do seu lugar de nascimento em 1940, hoje são mais de 45%), levando a uma concentração gigantesca das populações em pequeno número de cidades (são 12 as cidades com mais de um milhão de habitantes e as Regiões Metropolitanas abrigam cerca de 30% da população nacional).
... o problema da fome, quando se torna estrutural como agora, na escala do planeta, não se resolve metendo na mão dos necessitados um prato de comida. A comunhão instantânea tem de ser substituída por um verdadeiro e duradouro pacto social.

INDÚSTRIA DA SECA

FOME E SECA; HISTÓRIA E ATUALIDADE         
MOACIR WERNECK DE CASTRO
Jornal do Brasil 24 de março 1993
Evocando os antecedentes do problema, escrevia Josué de Castro em Geopolítica da Fome:
São mais fatores de ordem social do que fatores de ordem natural que determinam a precariedade e a escassez alimentar neste continente. (...) A fome reinante nas terras sul-americanas é uma consequência direta do seu passado histórico: da história e da sua exploração colonial, de tipo mercantil, desdobrada em ciclos sucessivos de economias destrutivas.
Monocultura e latifúndio constituem um dos maiores males do continente, que entravam de maneira terrível o seu desenvolvimento agrícola e consequentemente suas possibilidades de abastecimento alimentar.
Em outro livro,
Sete palmos de terra e um caixão - Ensaio sobre o Nordeste, uma área explosiva, escrito pouco antes de 1964,
Josué de Castro analisa aspectos do problema da seca (...) A indústria da seca (...) vem de longa data (...) historia os precedentes de tentativas e fracassos a partir da criação do primeiro órgão destinado a enfrentar o problema: a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas.
Inicialmente se pretendia resolver a situação através de soluções técnicas, de engenharia hidráulica. Mas os açudes construídos "limitavam-se a refletir nas suas águas a beleza do azul do céu e a concentrar nas suas margens, como pontos de resistência, as negras massas de retirantes das épocas de calamidade".
Escreve ele que mais grave que a miopia técnica foi a mistificação política. O órgão federal "canalizava para os bolsos dos senhores das terras e dos seus apaniguados quase todos os recursos que deviam ser destinados a alimentar, a educar, a ajudar a viver os camponeses da região". Sua ação se fazia sempre "ao sabor das influências e do prestígio político".
As medidas posteriores, orientadas por uma mentalidade desenvolvimentista e não apenas paternalista, beneficiou "mais certos grupos apaniguados do que propriamente as vítimas do flagelo", com sua execução entregue a "colaboradores altamente comprometidos com a estrutura agrário-feudal, amparada no capital estrangeiro".
Daí a pouco o golpe militar faria do autor um proscrito
(autor, estudioso, professor, executivo - diretor-geral da FAO - Food and Agriculture Organization)
 

Mais dicas do cardápio de A Fome No Mundo e os Canibais:

A REVOLUÇÃO DE UMA PALHA
SHIZEN NOHO WARA IPPON NO NKAKUMEI
Masanobu Fukuoka, 1975
:

... técnicas do Sr. Fukuoka não são diretamente aplicáveis à maioria das fazendas.
... nosso devido lugar na ordem das coisas: nós não criamos nem o mundo nem a nós mesmos; nós vivemos usando a vida, não criando-a.
Wendell Berry - conservacionista, agricultor, ensaísta, professor de inglês e poeta - "o profeta da América rural".

Este Admirável Mundo Louco - Ruth Rocha, 22ª impressão, ...

                                                           ilustrações Walter Ono

... degradação da qualidade do meio ambiente e a contaminação dos alimentos daí resultante. Os cidadãos organizaram boicotes e grandes manifestações para protestar contra a indiferença dos líderes políticos e industriais. Mas toda esta atividade, se for executada com o espírito atual, apenas conduz a um desperdício de esforços. Falar de despoluição em casos particulares é o mesmo que tratar os sintomas de uma doença enquanto a sua causa profunda continua a envenenar.
(...) Não seria melhor falar sem rodeios de deixar de utilizar os produtos químicos causadores da poluição? O arroz, por exemplo, pode muito bem crescer sem recurso a produtos químicos, assim como os citrinos, e também não é difícil cultivar legumes da mesma maneira.
(...) Se as colheitas devessem crescer sem recurso a produtos químicos agrícolas, fertilizantes e máquinas os gigantes da indústria química tornar-se-iam inúteis.(...) a base do poder (...) dos mestres da política agrícola moderna assenta em investimentos feitos pelo grande capital em fertilizantes e máquinas agrícolas. Acabar com as máquinas e os produtos químicos acarretaria uma mudança completa na economia e nas estruturas sociais.
(...) Parece então que as agências governamentais não têm intenção de parar com a poluição.
Se 59 quintais de arroz e 59 quintais de cereais de inverno forem colhidos num campo de um hectare como um destes aqui o campo poderá alimentar entre cinquenta a cem pessoas, cada uma investindo em média menos de uma hora de trabalho por dia. Mas se esse campo servisse de pasto ou a colheita devesse alimentar o gado ele poderia alimentar apenas cinco pessoas por hectare. A carne torna-se um alimento de luxo quando a sua produção requer terra que poderia fornecer diretamente os alimentos para consumo humano.
Se as pessoas continuarem a comer carne e alimentos importados em menos de dez anos o Japão mergulhará decerto numa crise alimentar. Em menos de trinta anos irão registrar-se grandes privações.
O objetivo é ter poucos agricultores. As autoridades dizem que para uma mesma superfície menos pessoas poderão ter mais rendimentos se utilizarem máquinas grandes e modernas. Depois da guerra entre 70 e 80% do povo japonês eram camponeses. Este número desceu rapidamente para 50%, depois para 30, 2O e agora a porcentagem está em cerca de 14%. A intenção do Ministério da Agricultura é atingir o mesmo nível que na Europa e na América, mantendo menos de 10% de agricultores e desencorajando os outros.
Na minha opinião o ideal seria que 100% das pessoas fossem agricultores. No Japão há apenas um décimo de hectare por pessoa. Se cada pessoa recebesse um décimo de hectare isso daria meio hectare por cada família de cinco pessoas, o que seria mais do que suficiente para sustentar a família durante todo o ano. Se praticasse a agricultura selvagem um agricultor teria também muito tempo para o lazer e para se dedicar às atividades sociais na comunidade da aldeia. Penso que se trata do caminho mais direto para tornar este país uma terra feliz e agradável.
A extravagância do desejo é a causa fundamental que conduziu o mundo à sua difícil situação atual. Mais rápido que lento, excessivo em vez de insuficiente - este "progresso" enganador está em relação direta com o iminente desmoronar da sociedade. Ele serviu apenas para separar o homem da Natureza. O homem deve parar de permitir-se desejar a posse material e o ganho pessoal e em vez disso deve voltar-se para a tomada de consciência espiritual.
A agricultura deve evoluir das grandes operações mecânicas para as pequenas propriedades, ligadas apenas à própria vida.
agricultura industrial moderna
 

                                                                            

                                     Creio que o caminho de Gandhi,   

                                      um método sem método, agindo

                                       num estado de espírito que não

                                       procura nem ganhar nem opor-se, é

                                       aparentado à agricultura selvagem.

                                        Quando compreendermos que

                                  perdemos alegria e felicidade no afã

                                        de as possuirmos, realizaremos o 

                                         essencial da agricultura selvagem.
 

 


           O que nos faz reportar o cibernauta de novo para

  

          huxley na fome do mundo

                                   

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   mais dicas do cardápio de  A Fome no Mundo e os Canibais:

LIBERTAÇÃO ANIMAL
ANIMAL LIBERATION
PETER SINGER 1975, 1990


                                    Este Admirável Mundo Louco - Ruth Rocha, 22ª impressão, ...   ilustrações Walter Ono

... e a criação de animais é já um modo dispendioso e ineficiente de criação de proteínas.
São necessários cerca de onze quilogramas de proteínas em ração para produzir meio quilograma da proteína que chega aos humanos.
os alimentos vegetais rendem dez vezes mais em termos de teor proteico por acre do que a carne, embora os cálculos variem e a relação por vezes chegue a atingir vinte para um.
... as formas mais eficientes produção de leite e ovos não rendem mais do que um quarto da proteína por acre que pode ser conseguida através de alimentos vegetais.
Comparando o rendimento obtido a partir de um acre de terra cultivado com aveia ou brócolos com o rendimento de um acre de terra usado na produção de alimentos para porcos, de leite, aves ou carne de vaca, percebemos que o acre de terra cultivado com aveia produz seis vezes as calorias obtidas através da carne de porco, sendo esta o mais eficiente dos produtos derivados de animais. O Acre de terra cultivado com brócolos rende quase três vezes mais do que as calorias conseguidas através da carne de porco. Da aveia obtêm-se mais de vinte e cinco
vezes mais calorias que se obtém na carne de vaca. Se considerarmos ainda outros nutrientes destruímos outros mitos alimentados pelas indústrias das carnes e dos laticínios. Por exemplo, um acre de terra cultivado com brócolos produz vinte e quatro vezes mais ferro do que a mesma área utilizada na produção de carne de vaca, alterando-se a proporção para dezesseis vezes mais se a planta cultivada por a aveia.
Embora a produção de leite renda mais cálcio por acre do que a aveia os brócolos são ainda melhores, fornecendo cinco vezes mais cálcio do que o leite.
... se os americanos reduzissem o seu consumo de carne em 10% durante um ano, liberariam pelo menos doze milhões de toneladas de cereal que ficaria disponível para consumo humano - e seria suficiente para alimentar 66 milhões de pessoas. (...) [um] ex-Secretário de Estado da Agricultura afirmou que a mera redução da população de gado norte-americano para metade disponibilizaria comida suficiente para compensar cerca de quatro vezes o déficit de calorias existente nas nações subdesenvolvidas não socialistas. Na verdade a comida desperdiçada na produção de animais nas nações ricas seria suficiente, se adequadamente distribuída, para pôr fim tanto à fome como à mal-nutrição em todo o mundo. (...) a criação de animais como fonte de alimento e segundo os métodos seguidos nos países industrializados não contribui para a solução do problema da fome.
A produção de carne também afeta outros recursos. (...) meio quilo de bife criado num cercado custa dois quilos e meio de cereal, 11 250 litros de água, a energia equivalente a 4,5 litros de gasolina e a erosão de cerca de 18 quilos do solo superficial. Mais de um terço da América do Norte está ocupada com pastagens, mais de metade das culturas dos Estados Unidos são forragens e mais de metade da água consumida nos Estados Unidos destina-se ao gado. Em todos esses aspectos os alimentos vegetais são muito menos exigentes em termos de recursos e do ambiente.
Consideremos (...) a utilização de energia. Poderíamos pensar que a agricultura é uma forma de utilizar a fertilidade do solo e a energia fornecida pelo Sol para aumentar a energia disponível para consumo humano. É o que a agricultura tradicional faz. O milho cultivado no México por exemplo produz 83 caloria em alimentos para cada caloria de energia combustível fóssil utilizada. A agricultura dos países desenvolvidos no entanto baseia-se um grande dispêndio de combustível  fóssil. A forma de produção alimentar mais eficiente nos Estados Unidos em termos de energia (a aveia, uma vez mais) apenas produz 2,5 calorias por caloria de combustível fóssil enquanto as batatas rendem apenas 2 e o trigo e a soja cerca de 1,5. Mas mesmo estes fracos resultados são uma maravilha comparando-os com a produção animal dos Estados Unidos: nesta todas as formas dependem mais de energia do que fornecem (...)
As unidades holandesas produzem 94 milhões de toneladas de excrementos por ano mas apenas 50 milhões podem ser absorvidos pela terra com segurança. Calculou-se que o excedente encheria um trem de mercadorias com 16 mil quilômetros, que se estenderiam de Amsterdã até à costa mais distante do Canadá. Mas o excedente não é transportado: é lançado à terra, onde polui os recursos hídricos e mata a pouca vegetação natural que resta nas regiões agrícolas dos Países Baixos. Nos Estados Unidos os animais de criação produzem anualmente 2 bilhões de toneladas de excrementos - cerca de dez vezes mais do que a população humana - e metade desta provém de animais criados em unidades intensivas, não regressando naturalmente à terra. Como afirmou um suinocultor: "Enquanto o fertilizante não for mais caro do que o trabalho os excrementos têm pouco valor para mim." Assim, os excrementos que deveriam ser utilizados para restaurar a fertilidade dos solos acabam por ir poluir os nossos cursos de água.
É a destruição das florestas no entanto que se revela a maior de todas as loucuras cometidas em nome da procura de carne. Em termos históricos foi o desejo de obter terrenos para pastagens que constituiu o principal motivo para o abate de árvores. Ainda é assim. Na Costa Rica, na Colômbia, no Brasil, na Malásia, na Tailândia e na Indonésia são abatidas partes de florestas tropicais para se conseguir terra para pastagens. Mas a carne de gado assim criado não beneficia os pobres desses países. Ao contrário, é vendida aos ricos das cidades ou exportada. Nos últimos vinte e cinco anos destruiu-se quase metade das florestas tropicais da América Central, em grande parte para fornecer carne de vaca à América do Norte. Talvez 90% das espécies animais e vegetais do nosso planeta vivem nos trópicos, não tendo sido ainda muitas delas identificadas pelos cientistas. Se o abate de árvores prosseguir à escala atual serão levadas à extinção. Além disso há ainda outras consequências: o abate de árvores provoca erosão e o aumento da escorrência leva a inundações, os agricultores já não têm madeira para utilizar como combustível e as chuvas podem diminuir.
... é na reflorestação em grande escala, combinada com outras medidas que visem a redução da emissão de dióxido de carbono, que reside a nossa única esperança. Se não o fizermos o aquecimento do nosso planeta provocará nos próximos cinquenta anos secas generalizadas, maior destruição das florestas devido às alterações climáticas, extinção de inúmeras espécies que não suportarão as alterações ocorridas no seu habitat e degelo nos pólos que provocará o aumento do nível dos mares e a inundação das cidades e planícies costeiras.
Mesmo quando a carne é descrita como sendo "orgânica" isto pode significar apenas que não foram administradas aos animais as doses habituais de antibióticos, hormônios e outras drogas: pouca consolação para um animal que não pode caminhar livremente.estamos esgotando rapidamente as reservas dos oceanos. Nos últimos anos as pescarias têm diminuído drasticamente.
[pesca de arrasto]
Como outras formas de produção de alimentos animais este tipo de pesca também desperdiça combustíveis fósseis, consumindo mais energia do que produz.
A indústria das pescas dos países desenvolvido tornou-se mais uma forma de redistribuição de recursos dos pobres para os ricos.
[ ... o vegetarianismo contribuiria] para o aumento da quantidade de cereal disponível para alimentar as pessoas necessitadas, para a redução da poluição, para a poupança de água e energia e (e implicaria na redução do) desflorestamento; além disso, uma vez que uma dieta vegetariana é menos dispendiosa do que uma dieta carnívora (disporiam) de mais dinheiro para dedicar à causa da fome, ao controle da população ou a outra causa qualquer que se considerasse mais urgente.
... a ineficiência da produção de carne significa que aqueles que comem carne são pelo menos dez vezes mais responsáveis pela destruição indireta de plantas dos que os vegetarianos[.]

                                  

   mais dicas do cardápio de  A Fome no Mundo e os Canibais:

ISHMAEL Como o Mundo Veio a Ser o Que É   DANIEL QUINN 1992
[ a história do homem é a de Pegadores e Largadores, uma encenação]
Alguns pensadores pessimistas do século 19, como Robert Wallace e Thomas Robert Malthus, olharam para baixo. Mil anos antes, até mesmo quinhentos anos antes, provavelmente nada teriam notado. Mas o que eles vêem agora assusta-os. Era como se o solo se precipitasse ao seu encontro - como se estivessem a despenhar-se. Pensam um pouco e concluem: "Se assim continuarmos depararemos com grandes problemas num futuro não muito distante." Os outros Pegadores ignoraram as suas previsões.
"A intensificação da produção no sentido de alimentar uma população aumentada causa um aumento ainda maior na população." Os Pegadores respondem: "Tudo bem, só precisamos de colocar gente a pedalar na criação de um método fiável de controle de nascimentos. Então a Águia Pegadora voará para sempre."
 ... mas não enquanto as pessoas da tua cultura estiverem a encenar esta história.    

   controle de natalidade

"... sempre deixado para o futuro. Ele foi deixado para o futuro quando éreis três bilhões em 1960."
 "... enquanto as pessoas da tua cultura estiverem a encenar esta história. Enquanto encenarem elas esta história continuarão a reagir à fome aumentando a produção de alimentos. Viste já os anúncios para o envio de alimentos aos povos famintos do mundo?"
    "Sim."
    "Viste já anúncios para o envio de contraceptivos para algum lugar?"
    "Não."
    "Nunca. A Mãe Cultura tem dois pesos e duas medidas. Quando lhe falamos em explosão populacional ela responde controle populacional global mas quando lhe falamos em fome ela responde aumento da produção alimentar. Na verdade porém o aumento da produção alimentar é um evento anual e o controle populacional global é algo que jamais acontece."


Quem se recusar a ocupar um lugar na história não terá alimento Mãe Cultura por oposição a Mãe Natura - Daniel Quinn: Ismael
(...) enquanto encenardes uma história que diz terem os deuses feito o mundo para o homem o usar como muito bem o entenda (...) a Mãe Cultura exigirá aumento de produção para hoje, prometendo controle populacional para amanhã.
(...) A fome não é apanágio exclusivo dos humanos. Todas as espécies estão sujeitas a ela, em qualquer parte do mundo. (...) uma população que ultrapassou os seus recursos, apressa-se a enviar-lhe alimentos do exterior, garantindo assim que na próxima geração haja ainda mais pessoas morrendo de fome. Como nunca se permite à população reduzir-se a ponto de poder sustentar-se através dos seus próprios recursos (...)
(...) Os seus colegas do mundo todo entenderam perfeitamente o que dizia ele, mas têm o bom senso de contestar a Mãe Cultura (...)
... não é bondade nenhuma trazer comida do exterior para conservar o seu número em quarenta mil. Isso só garante a continuidade da fome.

 


A propósito desse Quinn se poderia colocar assim: para alguns autores DO CONTRA vivemos a encenação de UMA HISTÓRIA.
 


Prospectivando uma reviravolta, Percy B. Shelley -  Notes on Queen Mab
Can a return to nature, then, instantaneously erradicate predispositions that have been slowly taking root in the silence of innumerable ages? -- Indebitably not.                 


Gaia: A New Look At Life On Earth - James Lovelock

   mais dicas do cardápio de  A Fome no Mundo e os Canibais:

OPERATING MANUAL FOR SPACESHIP EARTH
R. BUCKMINSTER FULLER 1969

Surgiu então Thomas Malthus, professor de economia política da Companhia das Índias Orientais dos Grandes Piratas, que disse que o homem se estava a multiplicar a um ritmo geométrico enquanto os alimentos apenas se multiplicavam a um ritmo aritmético. E finalmente, trinta e cinco anos depois, foi a vez de Charles Darwin, o servo especialista dos G.P.'s, que explicando a sua teoria da evolução animal  disse que a sobrevivência era só para os mais aptos.
A riqueza é a nossa capacidade organizada de lidar efetivamente com o meio ambiente de modo a sustentar a nossa saudável regeneração, fazendo decrescer tanto as restrições físicas quanto as metafísicas nos dias futuros de nossas vidas.
A verdadeira riqueza da vida a bordo do nosso planeta é evidentemente um sistema regenerador metabólico e intelectual operando rumo ao futuro. É bastante claro que, para implementar o nosso sucesso continuado, dispomos de enormes quantidades de riqueza na forma de rendimentos como a radiação solar e a gravitação lunar. Daí que viver apenas de nossas poupanças em energia, queimando os combustíveis fósseis que demoraram milhões de anos a acumular a partir do Sol, ou viver apenas do nosso capital, destruindo os átomos da Terra seja não só letalmente ignorante como também absolutamente irresponsável para as gerações seguintes e seus dias de vida futuros. Se não compreendermos e realizarmos a nossa capacidade potencial de apoiar toda a vida para sempre estaremos cosmicamente falidos.

...
as mudanças dos próximos trinta e cinco anos - introduzindo o século vinte e um - serão muito maiores do que no século e meio que passou desde o primeiro censo econômico dos Estados Unidos. Estamos mergulhados numa gigantesca vaga invisível que quando recuar deixará a humanidade, se ela sobreviver, numa ilha de sucesso universal, sem compreender como tudo aconteceu.
Enquanto todos desfrutam da Terra total, nenhum ser humano interferirá com outro nem nenhum lucrará à custa do outro.
Como consequência de séculos de pilhagem da Indochina pelos Grandes Piratas, e subsequente acumulação das suas riquezas na Europa, os milhões de humanos da Índia e do Ceilão ficaram tão abismalmente empobrecidos, subalimentados e fisicamente diminuídos durante tantos séculos que desenvolveram a crença religiosa de que a exclusiva intenção da vida na Terra é ser uma provação infernal e que quanto piores forem as condições com que o indivíduo tiver de se defrontar tanto mais célere será a sua entrada no céu.
... estas instituições de caridade constituem uma reminiscência dos velhos tempos dos piratas, quando se acreditava que nunca haveria o suficiente para todos.
[EDUCAÇÃO
LEI DOS GI]
... nessa emergência [desmobilização geral] legislamos a Lei do GI,
enviando-os a todos para escolas, colégios e universidades. Esse ato não foi politicamente racionalizado como uma "esmola" mas como um subsídio humanamente dignificado pelo serviço prestado por esses jovens na guerra. Devido ao enorme conhecimento e inteligência assim liberados produziram-se milhões de dólares de nova riqueza, que por sua vez aumentou sinergeticamente a iniciativa espontânea dessa geração mais jovem.
Para retirar benefícios das fabulosas magnitudes de riqueza verdadeira esperando a altura de serem inteligentemente empregadas pelos humanos, além de desbloquear o adiamento da automatização por parte do trabalho organizado devemos conceder subsídios vitalícios de pesquisa e desenvolvimento a todos os seres humanos que ficarem desempregados, ou simplesmente tempo para pensar. O homem precisa de ousar pensar com verdade e agir de acordo com ela, sem receio de perder o direito de viver.
... a produção omni-automatizada e propulsionada inanimadamente libertará o dom único da humanidade - a sua capacidade metafísica.
Através de subsídios universais de pesquisa e desenvolvimento começaremos a emancipar a humanidade do seu papel de máquina muscular e reflexa.
O que queremos é que todo mundo pense com clareza.
... viver sem estragar a paisagem, as antiguidades ou as rotas da humanidade.
O homem pode e deve compreender, antecipar, desviar, medir e introduzir metafisicamente os acontecimentos ambientais, organizados evolucionariamente, nas magnitudes e frequências que melhor se sincronizem com os parâmetros da sua regeneração metabólica e metafísica bem sucedida enquanto faz aumentar o grau de libertação espacial e temporal da humanidade de velhas e ignorantes ocupações e procedimentos de sobrevivência e do seu desperdício pessoal de capital sob a forma de tempo.
... os depósitos combustíveis fósseis da nossa Nave Espacial Terra correspondem à bateria dos nossos automóveis, que deve ser conservada de modo a poder ligar o motor de arranque do nosso motor principal. O nosso "motor principal", os processos regeneradores da vida, deverá assim operar exclusivamente a partir dos nossos enormes rendimentos diários em energia dos ventos, marés e água, além da radiação energética direta do Sol. As reservas de combustíveis fósseis foram colocadas a bordo da Nave Espacial Terra com o fim exclusivo de permitir a construção da nova maquinaria em que apoiar a vida e a humanidade em níveis cada vez mais eficazes de energia física vital e sustento metafísico reinspirador, níveis esses que deverão ser exclusivamente mantidos pela radiação do nosso Sol e das energias resultantes da atração gravitacional da Lula, como a energia das marés, ventos e chuvas, energia essa que é pulsante e portanto dominável.
(...)
Não nos podemos dar ao luxo de gastar nossos combustíveis fósseis a um ritmo superior ao tempo que precisamos para "recarregar a bateria", isto é, o ritmo preciso que os combustíveis fósseis estão a ser continuamente depositados sob a crosta esférica da Terra.
Aprendemos a diferença entre capacidades mentais e cerebrais. Fomos informados sobre as superstições e complexos de inferioridade endêmicos a toda a humanidade e devidos a todo o passado histórico de escravizada sobrevivência em condições de abismal ignorância e analfabetismo, onde só os mais implacáveis, manhosos e eventualmente abrutalhados conseguiam manter a existência, e mesmo assim por não mais de um terço do seu potencial vital conhecido.
Devemos dedicar-nos ao aumento de rendimento por quilo dos recursos mundiais até eles conferirem um alto nível de vida a toda a humanidade.
(...)
A explosão populacional é um mito. À medida que nos vamos industrializando o índice de natalidade diminui. Se sobrevivermos (ele aponta para 1985) (
...) a natalidade estará a decrescer, sendo o aumento populacional reconhecido e contabilizado exclusivamente em termos dos que estão a viver por mais tempo.
A parte dos recursos da Nave Espacial Terra que cabe a cada um dos quatro bilhões de humanos é ainda superior a duzentos bilhões de toneladas.
 

ENQUANTO ISSO... revistas de grande informação em papel cuchê que são como que o ópio das classes médias supostamente esclarecidas escarrapacham o SHOW. O BRASIL DÁ SHOW no futebol, na F1, no vôlei e também no agrobusiness, nas reservas de petróleo e Sol e solo fértil - na base do em se lançando à terra, dá - e na siderurgia e mineração. Após um quarto de século de secura elas andam em palpos de aranha para extravasar a sua VONTADE DE POTÊNCIA, de se sentir GRANDE - GIGANTE, eis aí enfim o GIGANTE DO AMANHÃ para disputar pau a pau com Rússias, Indias, Chinas e o que vier a supremacia global.

Tudo resumível reduzível à expressão mais simples - equação é tão simples, tão fácil, que quando se quer falar disso põe-se seres sencientes como um macaco a dar lições de como tudo se apresenta. Síntese de Huxley em excerto extraído de outro item deste omnibus :

Mas o pensamento é servo da vida e a vida um joguete do tempo/ E o tempo que é senhor do mundo deve parar. Depois de Milton e Tennyson, Shakespeare é o inspirador do título-tema do novo romance em que o autor reflete sobre passado, presente e o futuro, para ele seriamente comprometido pelo contínuo repisar de erros do passado por um sistema político-religioso que faz com que a razão, o respeito pelos outros, os valores do espírito estejam nas fímbrias da vontade coletiva, que tem o vigor físico de uma divindade mas mentalidade de um delinquente de 14 anos.

Hofmann acompanhou sua participação numa conferência sobre superpopulação, recursos naturais e escassez de alimentos que se realizou em Estocolmo dois meses antes da sua morte e recordou-a da seguinte forma:
Huxley propôs a exploração e aplicação das capacidades ocultas e ainda inexploradas do ser humano. Uma raça humana com mais capacidades espirituais altamente desenvolvidas, com consciência expandida da sagacidade e da incompreensível maravilha do ser, teria também uma maior compreensão e maior consideração pelas fundações biológicas e materiais da vida na terra. Sobretudo para a população ocidental, com a sua racionalidade hipertrofiada, o desenvolvimento e expansão de uma profunda experiência emocional da realidade, desobstruída de palavras e conceitos, seria de grande significado para a evolução.

sobre as reflexões de Aldous Huxley em torno dessas questões no banco de dados revoluciomnibus.com

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          huxley na fome do mundo

                                   

 

Queremos o nosso, e o deles - tudo! - agora e que se lixem os outros e nossos próprios filhos e netos. Queremos o nosso, e o deles - tudo! - de uma vez e já, e que se escafedam os outros ou os nossos próprios filhos e netos - sinaliza o antiHipocrates Sinístromo Hipocrates é o que diz que se os europeus e americanos destruíram para enriquecer nós também temos direito.

Do que é que estamos falando afinal?

INDIA SONG ou THE RIVER

"A Índia tem se mostrado mais aberta ao consumo, mas como a China tem uma taxa de poupança muito alta que deveria ser canalizada para o gasto do consumidor, contribuindo assim para o fortalecimento geral da economia."

 

BRIC
BRIC
BRIC
, sigla que agrupa os emergentes de primeira linha Brasil, Rússia, Índia e China.
Bric-à-brac
BRIC-À-BRAC

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UM OU OUTRO

UM  E  OUTRO

                              CARDÁPIO DE 2008
 

SECURITIZAÇÃO A LA BELLE MEUNIÈRE & DERIVATIVOS EXÓTICOS

bolhas de irracionalidade financeira

securitização irresponsável e a proliferação cancerosa de derivativos exóticos

BLINDAGEM        COURAÇA

créditos podres

WaMu

ativos tóxicos

instrumentos monetários exóticos

títulos prime junto com subprime

securitização com ajuda de derivativos

fundos de investimento criativos

tsunami creditício

 

                                               CARDÁPIO BRASILEIRO

                              (com ou sem seca)


pinga para enganar a fome das criança
sopa de papelão na Chapada Diamantina Bahia

sopa de papelão da Chapada Diamantina: pica-se o papelão e cose-se com cebola, tomate, o que houver, para engrossar o caldo, e dá-se pras criança comerem

Gilberto Gil: eu gosto mesmo é de comer com coentro
                      cultura, salada, moqueca, feijoada
                      eu gosto mesmo é de estar por dentro
                      como estive na barriga de Claudina
                      uma nega baiana cem por cento


CATADORES DE LIXO DESENTERRAM E COMEM CARNE DETERIORADA Jornal do Brasil 1990
     BRASÍLIA - Um grupo de catadores de lixo invadiu ontem o aterro sanitário da cidade, desenterrou e comeu parte de cinco toneladas de carne clandestina em estado de decomposição. A carne, apreendida há uma semana na cidade mineira de Unaí, havia sido enterrada junto com lixo hospitalar (...). (...) a carne, "em péssimo estado", (...)
     Embora as dezenas de favelados que comeram a carne tenham achado o alimento "muito gostoso", a Secretaria de Saúde do Distrito Federal colocou-se em estado de alerta para uma crise de problemas intestinais. (...) a carne não foi aceita para consumo pelo canil da Polícia Militar e pelos veterinários da Fundação Zoobotânica.

Folha de São Paulo 16 de fevereiro de 1991  ECONOMISTA CRITICA USO DE DENDÊ COMO COMBUSTÍVEL
     O uso de álcool como combustível é um programa indefensável do ponto de vista econômico. Sua implantação depende necessariamente de incentivos fiscais, colaborando no caso brasileiro para o déficit público. O mesmo se aplica para o uso de óleo de dendê - novidade apresentada recentemente pelo presidente Fernando Collor.
... produção de álcool de cana só será vantajosa com a conjugação de dois fatores: queda do preço internacional do açúcar para níveis inferiores a US$ 0,80 por libra e aumento do preço do barril de petróleo para US$ 62 (no caso do álcool usado puro nos motores) ou US$ 52 (para o caso do álcool anidro, usado em mistura com gasolina).
     Se o preço internacional do açúcar cai abaixo o US$ 0,80 desaparece a viabilidade econômica da própria cana.
     Desde a implantação do Proálcool, no entender do brasilianista alemão, a situação foi economicamente desvantajosa para a produção de combustíveis a partir da cana. Em novembro de 1989, por exemplo, o preço do barril era US$ 18 e do açúcar era US$ 0,13.
... isenção de imposto sobre o álcool e incentivos diretos aos produtores resultaram em gastos da ordem de 1,5% do PIB por ano (cálculo sobre os valores de 1988).
gastos colaboraram para o déficit público - sendo inflacionários e concentradores de renda -
     O Proálcool é também responsável pelo estado de calamidade das estradas brasileiras.
... a elevação do preço dos combustíveis fósseis provoca a elevação do preço dos alimentos
... a caloria em forma de alimento é sempre mais cara do que em forma de energia. Portanto, a conversão de produtos alimentares em combustíveis é sempre economicamente desvantajosa. Até o esgotamento das reservas de petróleo ou carvão, além disso, terão sido desenvolvidas outras formas de energia que não usem produtos alimentares como matéria-prima.

homem gabiru Veja 18 de dezembro de 1991  Amaro João da Silva do Engenho Bondade, a 100 km de Recife
Quais são os bichos do mato que o senhor caça para comer?
Ah, tem muitos. Lagarto, tatu, quandu, paca, tamanduá, que tem gosto de cupim, porco-do-mato, teju, jurubará, preá e lontra.
preá - roedor da família dos cavídeos. Tem dorso amarelo-sujo com manchas pretas. Vai ser repartido com farinha entre as seis bocas da casa na única refeição do dia em Lajes, a 200 km de Natal.

VIDAS SECAS ISTOÉ SENHOR 29 de janeiro 1992
Irauçuba, a 160 km de Fortaleza teju, lagarto de feições pré-históricas que pode medir mais de um metro. "É um bicho meio nojento, mas fome eu não deixo os meus meninos passarem." calangos, lagartos menores que, fotografados nas mãos dos nordestinos chocaram o mundo em 1983
"Ontem tinha feijão pra comê mas não tinha água pra botá panela no fogo."

Jornal do Brasil SECA ARRASA METADE DO NORDESTE (1992)
... cestas de alimentos do programa Gente da Gente: cinco quilos de arroz, três de feijão, três de farinha de mandioca, dois quilos de fubá de milho, dois de açúcar e uma lata de óleo.
     Temendo que o comércio fosse saqueado o prefeito de Penaforte a 535 quilômetros de Fortaleza mandou distribuir 2,5 toneladas de alimentos destinados à merenda escolar durante um mês.
cuca de umbu, raiz de umbuzeiro, árvore do semi-árido cujos frutos suculentos são conhecidos por técnicos e cientistas como o refrigério do sertão.
     Antônio disse que já comeu até palma, uma cactácea muito comum ao semi-árido, que resiste à seca e é a única alternativa de alimento para o gado durante a estiagem. "O que tinha o boi já comeu tudo, e agora até o boi já está morrendo de fome."

Jornal do Brasil 10 de janeiro 1992
FLAGELADOS DISPUTAM RAÇÃO DE GADO
     "Já chegou o tempo de comer macambira, a situação é horrível, e a planta não é coisa boa não, até gado reclama. A gente arranca a cabeça, esfola no facão, tira a capa, descasca e pisa no pilão. Lava, escorre e joga fora o BASCULHO (bagaço). O que fica é uma farinha mais fina, que a gente faz a massa e come como cuscuz."
ALASTRADO, como os sertanejos chamam a cactácea xique-xique, cujo sabor chega a ser gostoso: "Torra ela, quando acaba de torrar, deflora da ponta para o pé (tirar a casca grossa e espinhosa). Faz fogo e joga dentro. Depois dá pro gado comer assado. Mas lá em casa o gado é nós mesmo."

Seca obriga paraibanos a consumir água lamacenta
problema atinge 42 cidades do interior do Estado
Folha de São Paulo 29 de dezembro de 1996
... só resta água apodrecida disputada por homens e animais.
... água esverdeada do açude
... algumas pessoas usam cal e cimento para tratá-la: Elas misturam os dois produtos à água e esperam meia hora, até que a lama baixe, deixando-a transparente.
     Para transformar 200 litros de lama em água são necessários 10 kg de cal e 5 kg de cimento.
     As crianças percorrem até 3 km com duas latas de água penduradas em um pau nas costas.
Juazeirinho (Paraíba)
- Quem não tem dinheiro para comprar água na rua tem que beber essa lama mesmo para não morrer de sede.
- O que é que você come em casa?
- Feijão puro quando tem. Quando não tem eu e meus 11 irmãos não comemos nada. Meu pai foi procurar emprego em Campina Grande e não deu notícia. Semana passada a gente comeu uma gordurinha. Hoje vamos comer uns ossinhos.

OS DOIS NORDESTES DE COLLOR   MÁRCIO MOREIRA ALVES Jornal do Brasil
     A atração é tão grande que fez de Petrolina a cidade que mais cresce no Nordeste, enchendo-a de favelas.
     Este é o sétimo ano de seca da década terrível, iniciada em 1979 com cinco anos sem chuvas.
     E ajudas através de distribuição de estoques de farinha é um retrocesso incrível. Miguel Arraes concorda: "É preciso voltarmos a 1932, quando Getúlio mandou feijão e charque do Rio Grande do Sul para os flagelados, para nos lembrarmos de uma seca combatida apenas com distribuição de comida."
     "E que comida!, contrapõe Ciro Gomes. "Nem um grama de proteínas." Arraes acrescenta que na Zona da Mata pernambucana os cortadores de cana estão comendo apenas farinha molhada com garapa, tão arrochado está o salário.

MISÉRIA CRIA DIETA DE SOBREVIVÊNCIA   O GLOBO 22 DE DEZEMBRO DE 1992
Baixada Fluminense, Rio de Janeiro
... acuada pela fome, uma parcela da população está criando alternativas de alimentação
... pratos de pelanca, pescoço, pé e vísceras de galinha
... usam valas negras e brejos e rios poluídos para a pesca de rãs e muçum
no mato caçam lagartos que chegam a ter três quilos
rã:
     Corta-se a cabeça, mãos e pés.
     Tira-se o couro e espeta-se com um palito de fósforo. Se ele tremer é sinal de que está boa, não foi picada por cobra nem está doente. Depois é só temperar como galinha e fritar.
... em janeiro há mais fartura na mesa porque é a época do preá, um mamífero roedor a que os meninos chamam "um rato sem rabo".
     Diz que a carne lembra a de porco.
... muçum, peixe com o dorso marrom ou preto
... lagarto de papo amarelo e listras pretas, o preá é criado em gaiolas até atingir três quilos e medir meio metro:
     Depois de tirar o couro, é só temperar e fazer o bicho ensopado ou frito. A carne é que a de galinha. Com uma farofa então, fica ótimo.
     Menino de um ano e meio. A barriga inchada e as pernas finas chamam atenção.
DOENÇA DA FOME ATACA SERTANEJOS
Bezerros, a 130 km de Recife (PE) -
... a pelagra, uma doença de rara frequência, que atinge apenas pessoas com alto grau de desnutrição
... a maior arte não lembra o último dia que comeu farinha e feijão
... de 18 filhos de um, 10 morreram de fome durante as secas dos últimos anos
- A gente só passa com fubá. Assim mesmo quando Deus quer.
 

veja 22 de novembro de 1993
INFLAÇÃO SOB O SOL DO SERTÃO
Palma, Piauí: alguns dias da semana serve-se só a água em que o arroz é cozido.
"Quando acabar o arroz, faço pirão d'água, com farinha, água e sal fervidos."
Serra da Moça, interior da Paraíba: só quatro pratos: feijão com farinha, xeréu (pasta feita com fubá), cuscuz (fubá, água e sal) e angu (farinha cozida com sal), ou funji de milho e de mandioca. Angu, aos domingos, "porque ninguém trabalha e precisa de menos força".
Água Fria, Bahia: sopa de capim-brodinho e berdoega (pequena erva que dá flores amarelas).
seis de Patos, Bahia, vivem da "feira" que o prefeito distribui "quase todo mês": 3 quilos de arroz, 1 lata de óleo, 1 quilo de fubá e 1 quilo de açúcar. A última vez que a família comeu feijão foi em abril.
cada família dessas passa o dia com cerca de 40 litros de água.
média de consumo diário numa cidade é de 150 litros por pessoa.
causa mortis infantil é quase sempre a mesma: gastroenterite por desnutrição
(...) O pagamento do programa Frentes Produtivas de Trabalho do governo federal a cada seca grave passa dias e dias em contas bancárias alheias, rendendo mas não para os flagelados. O dinheiro é liberado pela SUDENE através do Ministério da Integração Regional
Os atrasos chegam a um mês e a féria nunca chegou ao meio salário mínimo prometido por lei.

 

PREFEITURA RECOMENDA COMER CAPIM
     Diante da completa falta de alimentos (...) os 150 lavradores com pelagra de Bezerros têm sido orientados pela Prefeitura para comerem capim angola, uma gramínea normalmente usada como ração de gado. O Suco do capim, misturado com açúcar, já chegou até a rede oficial, onde as crianças dos cinco sítios atingidos pela doença estão tomando o líquido.
- Eu até que queria tomar, pois soube que o gosto do suco parece com o de caldo de cana, mas não tenho liquidificador para bater o capim.
- Eu me lembro que na seca de 1943 muita gente teve essa doença no sítio Jurema, onde eu morava. Meu irmão se curava com banha de teju. Minha mãe matava o teju, uma espécie de lagarto, arrancava-lhe o couro, fervia a gordura e a guardava numa lata.
     Pelagra causa diarréia, dermatite e demência
- Na realidade o que está acontecendo no interior é uma epidemia de fome.
(endemia)

fome
caderno especial Folha de São Paulo 19 de dezembro de 1993
Brasil desperdiça US$ 5,4 bilhões em alimentos
... valor corresponde a 1,3% do PIB e é suficiente para alimentar os 9,2 milhões de famílias indigentes com uma cesta básica mensal de 36 quilos
por dois anos.
... estudo da Coordenadoria de Abastecimento da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo considera apenas perdas agrícolas decorrentes de deficiências nos processos de colheita, transporte e armazenamento de grãos, hortaliças e frutas.
- Se fosse possível calcular as perdas na agroindústria, supermercados, restaurantes comerciais e industriais e o desperdício doméstico o valor seria bem maior.
     Baseada no estudo do Ipea estima-se então em 30 milhões o número de indigentes no país.
     Alimentam-se de arroz com mandioca no norte de Minas, cacto e farinha de milho no sertão nordestino, garimpam lixões nas periferias das grandes cidades e recorrem até ao turu, molusco extraído de troncos molhados à beira do Tocantins no Pará.
... em Ouricuri há os "loucos de fome", pessoas com desequilíbrio mental que os médicos associam à subnutrição.
- Ele fala besteira, conversa sozinho e fica revoltado de repente.
     A 20 km do centro de São Paulo 2 000 indigentes frequentam diariamente o "sopão" do Ceagesp.
MOLUSCO AJUDA RIBEIRINHOS A ENGANAR A FOME NO PARÁ
turu, molusco que vive nos troncos de árvores molhadas pela maré do rio Tocantins.molusco gelatinoso ajuda a matar a fome de 5 000 habitantes das ilhas de Abaetetuba.
      Sete em cada dez crianças da região são subnutridas.
      Os peixes do rio são cada vez mais pequenos.
    Aumento dos cortadores de turu é consequência da escassez de peixes nas praias do rio.
     A devastação dos açaizais por empresas produtoras de palmito também ajudou. O açaí é um alimento importante para a população de baixa renda do Pará.
Um restaurante da cidade serve caldeirada de turu.
     Nas ilhas, o molusco é comido vivo.
- É proteína pura. O turu só faz mal porque muita gente come cru, com areia e sem lavar.
OURICURI: HOSPITAL REGIONAL ATENDE SEIS CASOS POR SEMANA DE "LOUCOS DE FOME"
     Palma, planta usada pelos fazendeiros como ração de gado.
     Ela serve o cacto cozido, cortado em pequenos cubos e misturado com arroz ou farinha de milho.
MÁ ALIMENTAÇÃO CAUSA ATRASO NO CRESCIMENTO
... 61,7% da população carente de Manaus está na faixa de pobreza absoluta. A má alimentação gera atraso no crescimento de 16,7% das crianças amazonenses e 34% delas sofrem de desnutrição.
... 60 toneladas de peixe são perdidas diariamente devido às péssimas condições de armazenamento no porto de Manaus.
... no período de safra em Manaus a oferta diária de peixe é de 300 toneladas, o que representa o dobro da demanda. A inexistência de um sistema de armazenamento adequado faz com que 60 toneladas de peixe apodreçam diariamente.
DESNUTRIÇÃO DIMINUI COM EDUCAÇÃO   DIZ ANA PELIANO ECONOMISTA DO IPEA
     Metodologia aplicada no estudo da desnutrição é baseada na da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina) que caracteriza a indigência como a situação em que o cidadão gasta todo seu dinheiro e consegue, na melhor das hipóteses, pagar só a alimentação.
MAPA DA FOME: SUBSÍDIO À FORMULAÇÃO DE UMA POLÍTICA DE SEGURANÇA ALIMENTAR
, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

INDIGENTES GARIMPAM LIXÕES
em João Pessoa, Paraíba, chama-se Lixão do Róger.
     Em meio a urubus, graças, fumaça e forte mau cheiro, centenas de crianças, jovens e velhos disputam pedaços de lixo reciclável para vender no aterro metropolitano do Grande Rio, no Jardim Gramacho, Duque de Caxias, numa área de 1,2 milhão de metros quadrados onde são despejadas 100 toneladas (?) de lixo por mês.
       PESCA
     O consumo de pescado no Brasil é de 6,5 quilos per capita/ano, metade do mínimo recomendado pela FAO.
... o bacalhau importado é o peixe mais consumido pelos brasileiros (mas nem todo e nem de longe é bacalhau mas o tal de "bacalhau saith" e por aí).
... a falta de hábito faz com que a maioria dos brasileiros só coma peixe na Semana Santa.

CARNE DE RATO É ALIMENTO EM TIMBAÚBA, PERNAMBUCO   O GLOBO 17 de outubro 1994
campanha RATO NO SACO, FILÉ NO PRATO, lançada para combater a infestação da cidade por ratos, acabou por revelar meio alternativo e repugnante de se matar a fome: churrasco de rato. Centenas de moradores empreenderam verdadeiras caçadas para trocar verdadeiras caçadas para trocar um quilo de ratos - vivos ou mortos - por igual quantidade de carne de vaca de primeira. Na periferia da cidade, a 117 km de Recife, o jornal constatou que por absoluta falta de informação os animais eram capturados no lixo e nos esgotos e devorados inteiros por famílias famintas.
     Para essa gente, que nem tomou conhecimento da campanha porque não tem rádio ou TV rato é alimento comum, muitas vezes o único. E sem sal, porque não há dinheiro para comprá-lo. Um casal que vive da venda de papel e plástico recolhidos no lixão há dez anos não come carne de vaca.
- Depois de queimar os pelos a gente raspa tudo com a faca e bota no braseiro de novo. Quando ele começa a ficar durinho a gente tira do fogo, abre a barriga e retira o fato (as tripas). Depois bota na brasa de novo e deixa tostar para comer assim mesmo, insosso. Se tivesse sal ficava mais gostoso. Que gosto tem? De rato mesmo! Ninguém aqui conhece outro bicho que tenha gosto. Acho que rato é melhor que carne de boi porque faz uma porrada de tempo que não como outra carne. Não me lembro nem do gosto.
     Iam passar sábado a água e rato com quatro filhos, dos oito meses aos seis anos.
     Timbaúba fica na região canavieira de Pernambuco. Na entressafra da cana a Prefeitura distribui cestas básicas de alimentos para os trabalhadores rurais não morrerem de fome. Apenas 25% da área urbana tem saneamento básico, donde até achar rato em esgoto fica mais difícil.

VALE DO JEQUITINHONHA: CRIANÇAS AJUDAM CARVOEIROS EM MINAS
     Crianças maiores de 12 anos à beira da estrada BR 365, que liga o Triângulo Mineiro ao sul da Bahia, e com adultos carregam caminhões de carvão vegetal produzido ao longo da estrada. Os "chapas", como SÃO CHAMADOS OS CARREGADORES, PASSAM O DIA EM JEJUM. aLGUNS LEVAM UM PIRÃO PARA A ESTRADA, quando sobra do jantar.
     Grão Mogol já foi o berço mais fértil do bócio, uma hipertrofia da glândula tireóide, provocada pela falta de iodo no organismo, que incha a garganta formando enormes papos. Hoje os cidadãos do lugar não têm mais bócio, mas vivem ameaçados pela doença de chagas e pela leishmaniose, transmitidos pelo barbeiro e o calazar, que segundo alguns matam mais que a fome.
     O marido trabalha na roça, plantando milho e feijão, e a cada 15 dias traz um saco de comida.
- Nos últimos dias alguns comem e outros não. Quem come ontem não come hoje. No finalzinho mesmo, aí ninguém come nada.

COBRA VENENOSA VIRA REFEIÇÃO EM BRASÍLIA
     A falta de comida levou trabalhadores sem terra acampados no DF a transformarem duas cobras venenosas em pratos principais de suas refeições nos arredores de Brazlândia, cidade satélite de Brasília. Duas jararacus de papo amarelo com mais de 1,80 metro de comprimento cada uma foram fritadas em postas. O veneno não os assusta:
- É só cortar dois palmos abaixo da cabeça e dois palmos acima do rabo que não tem problema.
As cobras tinham gosto de peixe e uma textura entre o peixe e o frango.
- Corri para a minha barraca e lavei a boca com pinga.

XEPEIROS: A VIDA DE QUEM TIRA O ALMOÇO DAS LATAS DE LIXO  O GLOBO 23 de junho 1991
dois mil xepeiros todos os dias vasculham o lixo do Rio de Janeiro
... em busca de comida que quase sempre está estragada
... vindos do interior do estado ou do Nordeste
... arriscando contrair uma série de doenças, como micoses, infecções intestinais, botulismo e leptospirose
... prefere recolher legumes, verduras e pão, com os quais faz uma sopa.
- Tiro a parte de fora dos restos, que fica mais seja. Depois lavo tudo no canal do Jardim de Alá e ponho para ferver. A batata uso com casca e tudo.

O GLOBO 27 de março 1993
OS RAROS PRATOS DO 'CARDÁPIO DA FOME'
Nesse cardápio o pão não leva trigo, o cuscus (sic) não tem milho e a farinha é feita sem mandioca. Eis alguns pratos, segundo a receita dos sertanejos de Pernambuco
     mucuma (fava do mato) - Uma planta rasteira.
Lava-se a mucuma sete vezes para tirar o veneno, junta-se sal grosso e rala-se ou bate-se a mistura no pilão. Vai ao fogo em panela de barro e come-se como cuscus (sic).
     Cafofa de umbu - O umbuzeiro é uma arvora alta, que resiste bem à seca. Quando frutifica os sertanejos comem o umbu com sal. Quando a safra acaba cortam a raiz para comer.
Cava-se quatro palmos de terra até encontrar a cafofa, que é como uma batata. Cozinha-se em água e sal e come-se pura, apesar de ser meio amarga.
     Maniçoba ou mandioca do mato - Essa planta é venenosa e se o boi comer a folha morre.
Tira-se a batata (raiz), cozinha-se, faz-se farinha e come-se assim. Pode-se fazer também o chamado "pão de sete águas".
     Palma - Espécie de cacto.
Pega-se as folhas mais novas, tira-se o espinho, pica-se toda a folhagem e põe na água sal. A baba sai e come-se com farinha, quando tem.

FEIJÃO APODRECE EM ARMAZÉNS DA CASEMG
     Cerca de 300 toneladas de feijão colhidas no ano passado estão apodrecendo nos armazéns da Companhia de Abastecimento e Silos (Casemg) de Montes Claros, uma das regiões mais pobres do estado.

ESCRAVOS - NEGROS - MISERÁVEIS
escravos contemporâneos - escravos da miséria, previstos por Joaquim Nabuco logo após a Lei Áurea em profético discurso

Jean Baudrillard, 1990: Não há catástrofe. Vivemos em suspense. Ficamos negociando essa catástrofe.
 

escritor John Gray - o insuspeito sobre o óbvio
ÉPOCA 26 DE DEZEMBRO DE 2005
Os seres humanos diferem dos animais principalmente pela capacidade de acumular conhecimento. Mas não são capazes de controlar seu destino nem de utilizar a sabedoria acumulada para viver melhor. Nesses aspectos, somos como os demais seres. Através dos séculos o ser humano não foi capaz de evoluir em termos de ética ou de uma lógica política. Não conseguiu eliminar seu instinto destruidor, predatório.  (ver também Robert Anton Wilson)
Não esperar pela salvação do planeta, mas buscar uma qualidade de vida melhor, criar condições para retardar o declínio. Isso é possível. (...)
Sou descrente de que será feito algo realmente eficaz para combater o aquecimento global. A demanda de combustível fóssil vem aumentando a um ritmo de 1,9% ao ano. A rápida industrialização da China só agrava esse problema.
 

 

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO   VEJA 10 DE NOVEMBRO DE 2004
O AVANÇO DA  NAU DOS INSENSATOS NAVILOUCA

                                                                               SHIP OF FOOLS
MENTIR A RESPEITO de armas de destruição em massa para justificar a guerra contra o Iraque, isso não é imoral. Produzir 100 000 mortos no Iraque, na maioria mulheres e crianças, (...), isso não é imoral.
Oitenta e três por cento dos americanos, segundo sondagem do ano passado, acreditam que Jesus nasceu de uma virgem e 28% crêem na teoria da evolução. Cinquenta e oito por cento acham que só crendo em Deus se pode ter senso moral. No entanto... A Maioria é também a favor da pena de morte e do direito a portar uma arma.

 

  

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A FOME DO ESPíRITO

DA POBREZA DE ESPÍRITO

 

b a n c o  de  d a d o s :    as   notícias   falam   por   si

 

     AGROINDÚSTRIA  ALIMENTAÇÃO

  ZONA DA MATA - PERNAMBUCO

para onde logo se estendeu a cultura da cana-de-açúcar, base da riqueza dos senhores-de-engenho e de uma miséria desmedida pela história fora: 500 anos

Por outro lado, do mesmo prisma de estudos de Gilberto Freyre e como exposto contemporaneamente por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil com a escravidão negra e o açúcar

Uma suavidade dengosa e açucarada invade desde cedo todas as esferas da vida colonial.

                                                        Nós lá no Brasil

                                                        A nossa ternura

                                                        A açúcar sabe,

                                                        Tem muita doçura.

                                                        Oh! se tem! tem.

                                                        Tem um mel mui saboroso

                                                        É bem bom, é bem gostoso.     

          Viola do Lereno: Coleção das suas cantigas (Lisboa, 1826), cit. Sérgio Buarque de Holanda

Uma mulher aos 36 anos, de Jurema, no agreste de Pernambuco, já teve 12 filhos dos quais 5 morreram e outros 2 tinham poucas chances de sobrevivência.
Magérrimos por conta da desnutrição.
"Eu achava que era Deus que queria levar."
 

veja 30 de outubro de 1996
O MUTIRÃO QUE SALVA OS BEBÊS
Ensiná-los a preparar pratos com casca de ovo, sementes de moranga, folhas de mandioca e de cenoura, refeição com teor vitamínico alto para reduzir desnutrição de crianças e gestantes.
Educação: metade de mães e gestantes da Paraíba não conseguem entender o material impresso pelo Ministério da Saúde sobre aleitamento materno porque é analfabeta.
Média nacional era de 10 por cento de mortes de crianças com até um ano de idade. No Nordeste, o dobro - índice de países miseráveis como Etiópia, Somália e Haiti.

DESERTIFICAÇÃO
Jornal do Brasil 27 de janeiro de 1992
DESERTOS: AMEAÇA QUE AVANÇA NO NORDESTE
Região semi-árida: um milhão de quilômetros quadrados.
Desertificação se alastra por uma área cinco vezes maior que a do estado do Rio de Janeiro e equivalente a de Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas e atinge 10 por cento da população sertaneja.
227 728 quilômetros quadrados de oito estados nordestinos, um quarto deles com recuperação praticamente impossível.
Para recuperar o estrago necessário investimento de 2 bilhões de dólares em duas décadas, 1 por cento do necessário para recuperar os 55 milhões de quilômetros quadrados de áreas em desertificação no planeta.
Atinge 35 microrregiões do Nordeste.
A devastação por problemas sociais, como a fome nordestina, é apenas um dos passos que levam à desertificação. Queimadas, mineração, uso excessivo de AGROTÓXICOS, a salinização das áreas de irrigação, poluição e manejo inadequado do solo são outros fatores.


BANCADA RURALISTA
Com 132 deputados e 34 senadores, a bancada "ruralista" seria o mais poderoso grupo de pressão do Congresso Nacional de Brasília na década de 1990.

Tudo parece tão complicado e é tão simples ou Tudo é tão simples e só complica porque recai sempre sobre a mesma equação: cobiça X ser natural, matar pela posse X não ação
Masanobu Fukuoka, 1975:
Não seria melhor falar sem rodeios de deixar de utilizar os produtos químicos causadores da poluição? O arroz, por exemplo, pode muito bem crescer sem recurso a produtos químicos, assim como os citrinos, e também não é difícil cultivar legumes da mesma maneira. (...) Se as colheitas devessem crescer sem recurso a produtos químicos agrícolas, fertilizantes e máquinas as companhias químicas gigantes [os gigantes da indústria química] se tornariam inúteis. (...) a base do poder (...) dos mestres da política agrícola moderna assentava [assenta] em investimentos feitos pelo grande capital em fertilizantes e máquinas agrícolas. Acabar com as máquinas e os produtos químicos acarretaria uma mudança completa na economia e nas estruturas sociais.

Não é unívoco, não é maniqueísta, não é unilateral. Também daqui se vê, como o senador Cristovam Buarque, que há que definir, como a Opep quantas gotas de petróleo se produz, quantos centímetros quadrados de terra se vai consumir para encher os tanques do mundo para não deixar de plantar para se comer num país que tem fome.

economia agrícola brasileira ao longo da história baseada na monocultura de exportação - a do etanol seria mais uma

com a ABERTURA DOS PORTOS (para a Coroa britânica) o Brasil deixa a condição colonial mas a estrutura mantém-se: escravismo, grande propriedade agrária e economia voltada para o exterior

A carne é fraca mas custa também o que se exporta, porque se exporta. Quanto maior é o sucesso nas exportações, maior é o custo interno. O Brasil paga pela sua economia exportadora de bens primários, ou quase só isso.
sem valor agregado
e esse tal de commodities

CANA-DE-AÇÚCAR - 1988
Brasil o maior produtor de CANA-DE-AÇÚCAR do mundo
1988: colhe 250 milhões de toneladas
e produz 13,3 bilhões de litros de álcool = 68 por cento da produção mundial
8,5 milhões de toneladas de açúcar = 35 por cento


AÇÚCAR 1989-1990
setor açucareiro deve US$ 1 bilhão ao IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool) desde 1982.
10 por cento da produção é desviada para o mercado paralelo e contrabando
 

            sugarcane fields forever  

 título de faixa de ARAÇÁ AZUL, de Caetano Veloso, afresco multidisciplinar em que o compositor relembra o cenário físico e metafísico de sua memória do Recôncavo Baiano da infância e adolescência, região primordial da monocultura da cana-de-açúcar e que logo vem à mente de quem conhece o afresco quando  atravessa  a  região  de  Ribeirão Preto,  em São Paulo,  a maior produtora da planta na atualidade

ZONA DA MATA      PERNAMBUCO      CANA-DE-AÇÚCAR     ÁLCOOL       ENERGIA      ENGENHOS     USINAS   ESCRAVATURA       FOME       SERVIDÃO

Zona da Mata, Pernambuco: expectativa de vida de 43 anos - o mesmo de Angola
formada por 52 municípios com dois milhões de habitantes, 85 por cento dos quais dependem direta ou indiretamente da cana
250 mil canavieiros que já receberam salário 24 por cento acima do salário mínimo
em 1990 recebiam 40 por cento do salário mínimo
renda média: 40 por cento do salário mínimo
índice de desnutrição: 70 por cento
índice de ingestão de calorias: 1300 por dia, inferior à necessária ao metabolismo basal de uma pessoa em repouso absoluto
população fixa: 1,2 milhão de habitantes, 18 por cento da população de Pernambuco
densidade demográfica: 125 habitantes por quilômetro quadrado
 

Jornal do Brasil 11 de janeiro 1991
Zona da Mata, Pernambuco: Berço das Ligas Camponesas, movimento criado em 1955 pelo advogado Francisco Julião, mais tarde deputado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e figura destacada do primeiro governo de Miguel Arraes (1962 a 1964), para unir os trabalhadores rurais em torno da reforma agrária. Na Zona da Mata se agrupam 250 mil trabalhadores rurais em 40 municípios. Sempre foi palco de lutas. Foi o primeiro lugar no Brasil em que os trabalhadores conseguiram o direito ao salário mínimo e de ter carteira assinada. Foi de lá que partiu a primeira greve de agricultores, após o movimento militar de 1964, em 1979.

Folha de São Paulo 21 de outubro 1996
ZONA DA MATA
Cerca de 2000 desempregados ganham R$ 60 mensais para aprender a ler, escrever e cultivar a cana.
71 por cento da população da população economicamente ativa da região tem renda familiar mensal de um salário mínimo ou inferior - no Estado, são 38,7 por cento da população
taxa de analfabetismo: 60 por cento - 32 por cento no Estado
mortalidade infantil: 124 por mil - 67,5 por mil no Estado
esperança de vida: 46 anos - 64 anos no Estado
produtividade do cortador de cana: 40 a 50 toneladas por hectare
produtividade do cortador de cana em São Paulo: 120 toneladas por hectare

Jornal do Brasil 30 de janeiro 1989
QUEIMADA NO NORDESTE PROVOCA CORTE DE ENERGIA EM 6 ESTADOS
A prática de queimar a cana antes da colheita para eliminar as olhas e facilitar o trabalho dos cortadores, causou no ano passado 92 desligamentos da rede elétrica no Nordeste. Muitos cabos de alta tensão passam pelos canaviais e são atingidos pelo fogo.
A queima está causando outros prejuízos irreparáveis: as poucas manchas de Mata Atlântica que ainda restam são atingidas e um imenso patrimônio de fauna e flora está sendo devastado.
Dezenas de espécies, entre mamíferos, répteis, peixes e pássaros, só podem ser encontradas hoje nos jardins zoológicos. É o caso dos jacarés caimã e papo-amarelo, macaco-prego, garça-mirim e tatupeba, espécies praticamente à beira da extinção no Nordeste.
40 espécies podem estar extintas na próxima década

Folha de São Paulo 19 de março 1995
realismo mágico
na zona da mata aposentadoria é ficção
Foice é usada desde os 7 anos
91,27 por cento das crianças de áreas dominadas pela cana-de-açúcar começam a trabalhar entre os 7 e os 13 anos.
Centro Josué de Castro, especializado no estudo da fome no Nordeste em convênio com a Save The Children Fund, uma entidade inglesa de pesquisas sobre crianças e adolescentes:
Ali pelo menos 60 mil crianças trabalham no corte de cana, 25 por cento da mão-de-obra das usinas e engenhos.
57 por cento desses meninos já se acidentaram. Cortam-se com o próprio instrumento de trabalho.
Trabalham 44 horas por semana e mesmo quando chegam aos 17 anos a maior parte delas (90por cento) ainda não possuem registro profissional.
O que ganham dá para adquirir apenas 58,6 por cento do que a sociologia chama "ração essencial mínima".


Folha de São Paulo s/d   HOMEM-GABIRU QUER SE APOSENTAR AOS 49
homem-gabiru, como ficou conhecido Amaro João da Silva
ficou conhecido por este nome em outubro de 1991 após reportagem da Folha.
No mês seguinte apareceu como entrevistado das "páginas amarelas" da revista Veja.
1m35 de altura, símbolo da miséria no Nordeste, vítima de nanismo provocado pela desnutrição.
Gabiru é uma espécie de rato e passou a ter, na linguagem comum, o significado de pessoa de baixa estatura.
Mora em Amaraji, a 89 km de Recife, até o final de 1991, uma série de caixas de alimentos e roupas. Eram doações de leitores comovidos e de entidades filantrópicas.
"Todo dia chegava coisa."
O único bem que possuía, um cavalo, vendeu para comprar comida e roupa para alguns dos 13 filhos.
perdeu também Iraci, sua mulher, que morreu aos 39 anos "do coração".

homem gabiru VEJA 18 de dezembro de 1991
médico Meraldo Zisman, pesquisador de problemas de desnutrição no Nordeste brasileiro desde 1966:
            - Amaro não tem problema endocrinológico nem genético. É um caso de nanismo nutricional.
O protótipo da geração nanica que se expande no Brasil.
Morador no Engenho Bondade
ele trabalha nos canaviais da Usina Bonfim
[parece um poema de João Cabral de Melo Neto]
e sustenta a família com um salário de 46 000 cruzeiros
numa casa de barro batido com 40 metros quadrados, sem energia elétrica ou água encanada
             - Por que o senhor cresceu pouco?
            - É de tanto trabalhar e passar fome. Desde pequeno é assim. Meu tio, irmão do meu pai, também é baixinho. Eu acho que é por causa da fome braba do povo da roça. Eu conheço bem uns dez, sem contar meus filhos. Dos treze, cinco não vão crescer. Na época da plantação dá para voltar para casa ao meio-dia. Aí, depois de tomar uma lapada de cachaça, eu almoço, tiro um cochilo até 2 horas e passo o resto da tarde cuidando da minha roça.
             - Os seus filhos tomam leite?
            - Os três meninos novinhos tomam sim. Uma lata tem que dar para o mês inteiro, então a mulher tem que misturar muita água, para a lata durar o mês todo e todos os meninos tomarem leite.
             - Quais são os bichos do mato que o senhor caça para comer?
             - Ah, tem muitos. Lagarto, tatu, quandu, paca, tamanduá, que tem gosto de cupim, porco-do-mato, teju, jurubará, preá e lontra.
             - O que o senhor acha da usina em que trabalha?
          - Sou explorado por eles. Não somente eu mas todo mundo que é empregado dos usineiros. Eu trabalho há 23 anos para a Usina Bonfim. E o que é que eu tenho? Vou morrer como nasci: nu e com fome.
VOU MORRER COMO NASCI: NU E COM FOME.
            - Essa sua vida não cansa?
          - Cansa, mas não tem jeito de ser diferente. Cada dia a miséria e o sofrimento aumentam.

CELSO FURTADO           O Estado de São Paulo 5 DE JUNHO DE 1994
            - Por que no Brasil, toda vez que se fala em reforma agrária os dois lados sacam o revólver e armam a guerra?
            - Na minha época quem sacava o revólver eram os latifundiários. Lá no Nordeste, por exemplo, na Zona da Mata é um absurdo o que você tem de terras escassas, úmidas, numa região paupérrima que necessita produzir alimentos, porque você não pode manter o Nordeste comendo alimentos vindos do Sul, que são alimentos muito mais caros e só a classe média pode consumir, ficando na rua os pobres. Você tem que baixar os preços no Nordeste e veja você que toda essa Zona da Mata, que é o filé mignon, está toda na mão dos açucareiros.

ZONA DA MATA
TESE DEMONSTRA MISÉRIA DE CANAVIEIROS    Jornal do Brasil 13 de maio 1991
Cortadores matam fome com farinha e bebem água poluída.
O trator e o burro sem rabo - consequências da modernização agrícola sobre a mão-de-obra no Brasil
Expedito Rufino de Araújo
Instituto Universitário de Estudos de Desenvolvimento de Genebra:
Governo dá ampla assistência a usineiros mas esquece-se de legião de cortadores de cana de cinco dos nove estados nordestinos.
ausência total na
prestação de assistência médica
educação básica
fiscalização dos direitos dos trabalhadores
aferição de medidas
inspeção de condições de trabalho
proteção da integridade física dos camponeses contra agressões de prepostos dos patrões: existem milícias privadas armadas em boa parte dos 9 mil engenhos
nem sequer se preocupam em informá-los sobre aqueles itens ou proteção contra aplicação de herbicidas e agrotóxicos
63 por cento sofreram acidentes de trabalho
            - A gente chega a fazer duas toneladas por dia. Os três meninos cortam 500 quilos, amarram cem feixes, e se fosse só eu só conseguia cortar 1 500.
            - A gente só não morre de fome porque por aqui por perto tem jaqueira, manga e banana.

HOMENS GABIRUS
estatura média das pessoas reduz-se até aproximar-se dos pigmeus africanos
um dos segmentos de piores condições de vida da população brasileira
cana-de-açúcar = 85 por cento do potencial econômico de Pernambuco
ocupa 85 por cento da área cultivada (12 388 km²) ou 13 por cento das terras do Estado
A classe média rural, originária da antiga aristocracia dos senhores de engenho, há tempo foi tragada pelo desenvolvimento industrial e enfrenta problemas de crédito, de atraso tecnológico e de preços tutelados.
Pouco menos de metade das 42 usinas e destilarias da região em operações de empréstimo externo ficaram devendo 20 vezes o seu capital e o dobro do seu patrimônio com o aval do Bandepe e não pagaram.
Algumas oferecem parte das suas terras como garantia em 12º grau - em cobrança judicial, onze credores deverão ser ressarcidos antes do banco.

homens-gabirus
O Estado de São Paulo 15 de dezembro de 1996
Em Deus e o Diabo na Terra da Seca TRISTERESINA LULA - GOVERNADOR QUE DIZ NÃO DÁ PARA ROMPER COM ESSA SITUAÇÃO DE FOME É GARIBALDI ALVES FILHO, aqui:
Rio Grande do Norte
Estado conquistou posição de maior produtor de petróleo em terra
fornece 10 por cento do óleo consumido no país
São extraídos 96 mil barris/dia em 14 municípios, 40 por cento da produção do Nordeste
proprietário de terras tem direito a 1 por cento de royalty
nova reserva de 8 milhões de barris confirmada três semanas atrás
55 por cento das crianças com até 5 anos são desnutridas
fome crônica produz nanicos em escala
42 por cento da população infantil tem altura abaixo da normal
biologicamente deficientes, com chances reduzidas de plena produção intelectual
efeitos da desnutrição são também perceptíveis em geração anterior:
na inspeção militar, 43 por cento com peso inferior ao normal
21 por cento ainda patenteavam deficiência de peso após um ano nos quartéis, com alimentação balanceada
68 por cento dos recrutas tinha altura média de 1,53 metro - 15 centímetros abaixo do soldado-padrão

Folha de São Paulo s/d
HOMENS-GABIRUS
média do tamanho dos brasileiros: 1,68 cm
no Nordeste: 1,62 cm
previstos por cientistas há pelo menos duas décadas, esses homem tendem a encolher ainda mais nas gerações futuras.
Tamanho do cérebro também é menor e chega a ser 40 por cento menos capaz de raciocínio
é comum hoje no Nordeste estatura abaixo de 1,50 cm, equivalente ao tamanho de pigmeus na África
"Tendência ao nanismo começa a se espalhar pelo país inteiro", diz médico Meraldo Zisnam
exemplos de ignorância comuns na região: gente que não sabe sequer a idade
desenvolvimento físico e mental comprometido
índice de crianças desnutridas no Nordeste chegava a 30 por cento
desnutrição entre gestantes a 47 por cento

O Globo 30 de março 1993
CAATINGA SUBSTITUI PLANTAÇÕES E DEIXA 80 MIL DESEMPREGADOS
Zona da Mata. No município (...) que faz limite com o agreste a paisagem se assemelha à do sertão: a vegetação está tão seca quanto a da caatinga, os canaviais morreram e o desemprego é grande.
A seca também é grave em 18 dos 42 municípios da região açucareira.
Ajuda financeira aos usineiros custou aos cofres públicos US$ 300 milhões na safra de 1989.

Nordeste, de Gilberto Freyre, anos 1930 - tentativa de estudo ecológico:

"Em estado de variedade tudo se concilia e se compensa. Em estado de monocultura absoluta, tudo se desequilibra e se perverte numa região. A história natural do Nordeste da cana nestes quatro séculos é uma história de desequilíbrio, em grande parte causado pelo furor da monocultura. Suas fomes, algumas de suas secas e revoluções são aspectos desse drama. Esse Nordeste prepara o outro, seco e estéril de hoje. O excesso de partidas de cana foi destruindo sem parar as matas. A coivara e a queimada deram na erosão da terra. Alterou-se o clima, a temperatura e o regime de águas. Os rios logo apodreceriam. Separou-se o homem das matas e dos animais. Os negros e suas usinas. E as caldas fedorentas matam os peixes. Envenenam as margens. "
História de como o engenho de banguê, o mais primitivo engenho de açúcar, transformou-se na usina moderna, de maquinaria eficiente e poderio financeiro.
O senhor do engenho transformou-se no usineiro ainda mais poderoso e inescrupuloso:
O monocultor rico do Nordeste fez da água dos rios um mictório. Um mictório das caldas fedorentas. O EXCESSO DE PARTIDAS DE CANA FOI DESTRUINDO SEM PARA AS MATAS. A COIVARA E A QUEIMADA DERAM NA EROSÃO DA TERRA. ALTEROU-SE O CLIMA, A TEMPERATURA E O REGIME DE ÁGUAS. OS RIOS LOGO APODRECERAM. SEPAROU-SE O HOMEM DAS MATAS E DOS ANIMAIS.
(...) E AS CALDAS FEDORENTAS MATAM OS PEIXES. ENVENENAM AS PESCADAS. EMPORCALHAM AS MARGENS.

em 1990 já se escrevia:
antes inclusive de "crises do petróleo", "milagres econômicos", planos cruzados e outros golpes...
Programa Nacional do Álcool vem sendo criticado desde sua implantação por técnicos e empresários de diversos sectores.
(segundo) analistas, o Proálcool não resistiria à mais simples análise de custos e benefícios, mesmo sem levar em conta os vultosos custos ambientais, a larga utilização de terras que poderiam estar produzindo alimentos e a exaustão do solo pela prática da monocultura extensiva da cana-de-açúcar.

1991 - secretário de Ciência e Tecnologia José Goldemberg: Se o bagaço da cana-de-açúcar fosse aproveitado pelos usineiros para gerar energia elétrica o custo final do álcool cairia 30 por cento e a produção de energia elétrica teria aumento de 6 mil megawatts, metade da capacidade de Itaipu e o suficiente para abastecer seis cidades como Brasília ou metade da cidade de São Paulo.
ministro da Infra-Estrutura, Ozires Silva, contrário ao Proálcool, defende o aumento da prospecção de petróleo
O aproveitamento do bagaço exigiria a construção de pequenas termoelétricas junto às usinas. Em São Paulo algumas unidades pioneiras já construíram termoelétricas.
crise de abastecimento provocada pela Guerra do Golfo

ISTOÉ 27 de julho 1994
VIDAS SECAS
NA ZONA DA MATA NORDESTINA CORTADORES COLHEM 1,6 TONELADA POR DIA E GANHAM R$ 23 MENSAIS em média
vida de cortador mudou muito pouco nos últimos quatro séculos
senhor do engenho foi substituído pelo usineiro
os antigos escravos por cerca de 400 mil cortadores de cana - 89 por cento deles não possuem nenhum vínculo empregatício
para colher a quantidade de cana estipulada engajam mulheres e filhos
91,27 por cento deles ingressaram no mercado com entre sete e 13 anos de idade
240 mil na zona canavieira pernambucana
trabalhadores aplicam agrotóxicos no campo sem nenhum tipo de proteção
salário insuficiente para suprir a "ração essencial básica": peixe frito ou charque com farinha e rapadura.
A refeição é servida nos mais diversos tipos de recipientes, inclusive latas de produtos tóxicos, como tintas, solventes e resinas.
            - Dá pra comer por dois dias. Depois, só regrando.
entre as 320 crianças de Matiz da Luz
                                                                               
MATIZ DA LUZ
                                                                MATIZ DA LUZ

MATIZ DA LUZ                        MATIZ DA LUZ                                                MATIZ DA LUZ
92 por cento carregam parasitas, 40 por cento mais de três tipos de vermes e outro tanto sofrem de desnutrição crônica.


IAA: no final de 1987 toda diretoria foi demitida acusada de corrupção por ministro José Hugo Castello

ÁLCOOL Jornal do Brasil 1990 - O desequilíbrio entre a produção e o consumo está aumentando a cada ano. Em 1989 o déficit de álcool foi de mais de um bilhão de litros. Na região Centro-Sul a defasagem ficou em torno de 700 milhões de litros. Para este ano prevê-se uma falta de mais de bilhões de litros.
... o álcool consumido no Rio de Janeiro, por exemplo, vem de Santos e do Nordeste. A produção regional, de Campos, responde por menos de 15 por cento do consumo. Esse passeio do álcool é dispendioso para os cofres públicos.
A idéia do plano (Proálcool) era promover uma verdadeira reforma agrária, regionalizando a produção na mão de pequenos e médios produtores. ...
acabou favorecendo a concentração do plantio e da produção nos grandes usineiros.

METANOL 05 de dezembro 1989: desconhecimento das consequências da mistura de 33 por cento de metanol - importado dos EUA -, 7 por cento de gasolina e 60 por cento de álcool
lei obriga realização de relatório de impacto ambiental como condição para execução de obra e/ou medida que possa ameaçar saúde das pessoas.
governo autorizou importação de 1,5 bilhão de litros de metanol
metanol - álcool da madeira - é inodoro, tem chama invisível e provoca efeitos acumulativos, ficando retido no corpo. Ataca principalmente o nervo ótico e o sistema nervoso.
alto grau de toxicidade
O metanol é considerado o combustível menos poluente do mundo.
álcool metílico de fórmula CH3OH, que também pode ser chamado de álcool de madeira ou carbinol.
normalmente usado como solvente de tintas e vernizes.
O metanol normalmente é obtido a partir do gás natural. ... Agora, por força do descaso das autoridades brasileiras, o país se vê obrigado a importar um tipo de álcool obtido a partir do gás, que o Brasil não possui. A produção anual de metanol é de pouco acima de 100 mil toneladas.

Robertão ministro da Indústria e Comércio Roberto Cardoso Alves - tido como sempre tendo feito o lobby dos usineiros:
É "hora dos grupos ecologistas acabarem com este oba-oba sobre o metanol".

vendas no atacado de carros a álcool caiu de 78 por cento em 1988 para 47 por cento no início de 1989
dezembro de 1989: é muito difícil encontrar carro a gasolina para compra
em abril de 1988, 93 por cento dos carros colocados no mercado eram movidos a álcool
Em outubro, a relação entre os dois combustíveis esteve praticamente equilibrada
em todo o ano, 63 por cento dos carros vendidos eram a álcool

sugarcane fields forever

Sertãozinho, região de Ribeirão Preto, a Califórnia do álcool - Folha de São Paulo  janeiro 1990
330 km a oeste de São Paulo e 20 km de Ribeirão Preto, "capital do álcool", 3 por cento da produção nacional de açúcar e álcool e 40 por cento da produção de álcool do estado de São Paulo
produção de açúcar começou na década de 1930, logo após a DERROCADA DO CAFÉ
em 1975 transformou-se numa das pontas-de-lança do Proálcool; só o governo aplicou US 6 bilhões na ampliação das cinco usinas e criação de destilarias
"Se a Alemanha tivesse desenvolvido essa tecnologia, nós a invejaríamos. Falta patriotismo."
              
a paisagem da região é mesmo a de um mar de cana
Dos 631 mil hectares plantados com cana nos 80 municípios de Ribeirão Preto, 3 por cento são também usados na produção de grãos soja, amendoim, milho .
frequentes críticas à cana como monocultura, que afastaria a produção de alimentos
durante a safra de maio a novembro lavradores de outras regiões, sobretudo de Minas Gerais, desembocam em busca de trabalho
já começam a surgir embriões de favelas na periferia. Também a rede de água é insuficiente.
"É comum um fazendeiro ter cem alqueires de terra e comprar verdura no supermercado, porque ele não planta um pé."
"A cana é uma cultura de vagabundo: o cara arrenda a terra, não faz nada o ano inteiro e ganha um bruta dinheiro."
Ele também condena os danos que as usinas teriam provocado ao meio ambiente: poluição dos córregos que cortam a cidade, irritações respiratórias nas crianças na época das queimadas - durante a safra -, quando ficam suspensas no ar milhões de pequenas partículas, uma fuligem negra que cobre os campos e avança pelas cidades.
o outro lado: "Em Sertãozinho, quando cai uma fuligem na mesa de um morador, ele assopra e ri. Ele sabe que a vida da cidade vem daí."
Um setor que produz 30 por cento dos combustíveis líquidos do país
Petrobras, que controla a distribuição do álcool, é também responsável pela perfuração de poços de petróleo, o que a torna na prática concorrente dos usineiros.
O parque alcooleiro no país poderia fazer 16 bilhões de litros de álcool ao ano. Produziu na última safra 13 bilhões, um número que se tem mantido estável desde 1985, enquanto o consumo cresceu 12 por cento ao ano

03 de fevereiro 1990: falta de álcool atinge estados - lança-se mão a álcool anidro, comprado em farmácias ou supermercados, ou adicionando querosene no resto do álcool hidratado
CNP (Conselho Nacional do Petróleo) espera importar álcool de vinho e de milho da Europa

no Nordeste e Espírito Santo usineiros recebem 25 por cento de subsídios ao álcool vendido à Petrobras

Folha de São Paulo 17 de dezembro 1989
desde 1986 produção de cana-de-açúcar ficou estagnada em 220 milhões de toneladas ao ano
área de plantio se reduz em 4 por cento ao ano
frota de veículos exige cerca de 13 bilhões de litros de álcool por ano
produção de 1989 estimada em 12 bilhões de litros
álcool anidro é adicionado a gasolina para aumentar octonagem - capacidade de combustão do combustível
carros nacionais consomem em média 12,5 litros aos 100 kms na cidade e 8,5 litros aos 100 kms na estrada (!!!) de gasolina e 8,5 litros aos 100 na cidade e 13 litros aos 100 na estrada de álcool
em 1979 produzia-se 1 000 000 de carros a gasolina e 4 000 a álcool
em 1986: 219 000 carros a gasolina e 699 000 a álcool

Folha de São Paulo 3 de setembro 1989    BANCO MUNDIAL: SETOR PÚBLICO PERDE US 2,5 BILHÕES COM AÇÚCAR E ÁLCOOL
com distorções existentes
subsídios, mercado paralelo, contrabando, proteção estatal às indústrias de refino de açúcar e as deficiências crônicas do IAA
o valor equivale à exportação anual de café e importação de petróleo por dez meses ou compra da safra de soja do ano pelo preço mínimo
mercado paralelo representa 10 por cento do mercado oficial
regulamentos oficiais geram oportunidades de fraude e sonegação fiscal
preços do mercado interno fixados pelo IAA sem nexo com preços internacionais

O Globo, 1989: um dos maiores defensores do Proálcool
fala de campanha articulada da (sem nomear) Petrobras para acabar com Proálcool
foi a única alternativa do mundo que deu certo
no momento em que o Governo americano resolve adotar o uso do álcool em ônibus, tratores e caminhões, substituindo principalmente o diesel
Petrobras: uma companhia de petróleo que quer morrer companhia de petróleo.
O verdadeiro problema do Brasil não é o álcool, é o diesel. Mais de metade da dívida brasileira foi feita para se pagar petróleo.
Prevê-se que em 1995 o consumo de óleo diesel será da ordem de 700 mil barris diários, o que significa que precisaremos de mais de dois milhões de barris de petróleo, porque para cada barril de diesel são necessários três de petróleo.
Teríamos que aumentar em 50 por cento o parque petrolífero, de transporte, armazenamento, refino e distribuição, com um investimento brutal na própria parte industrial, além da exploração. O álcool bem utilizado pode amortecer esse problema.

Folha de São Paulo Agosto de 1989
Entre fevereiro e junho de 1985, quando a tonelada do açúcar demerara oscilou entre US 60 e US 80 na Bolsa de Nova York, o IAA garantia ao produtor um preço de US 244 a tonelada.
Em todo o ano de 1985 a melhor cotação obtida pelo IAA para o demerara foi de US 118 e o IAA pagou aos usineiros preço mínimo de US 206
O Nordeste responde por mais de 80 por cento das exportações - 1,62 milhão de toneladas em 1988.
Desde a década de 1960 o número de famílias que controlam a produção de açúcar e álcool caiu de 27 para 17.
Também a produção de cana ficou mais concentrada: na década de 1960 os produtores independentes respondiam por 60 por cento da safra. Hoje sua participação é de 34 por cento.
Em 1988 as usinas ganharam na Justiça isenção do ICM (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias) sobre a cana que produzem, o que reduziu de 46 para 12 por cento a participação do setor canavieiro na arrecadação de ICM do Estado.
USINEIROS MANTÊM HÁBITOS MILIONÁRIOS
60 por cento da vida em Alagoas gira em torno da economia canavieira
O universo dos usineiros inclui Rolls Royce 1950, aviões a jato, mansões e cavalos de raça.
O que definitivamente sepultou a esperança do Proálcool de ter a mandioca como alternativa à cana foi a constatação de ela ser matéria-prima totalmente antieconômica.

CANA-DE-AÇÚCAR 2008
Brasil o maior produtor de CANA-DE-AÇÚCAR do mundo
bagaço de cana para produção de energia elétrica
1º leilão de biomassa, termelétricas movidas a bagaço de cana
etanol do trigo e do milho é mais caro que o de cana - biocombustível
biodiesel

ÁLCOOL COMBUSTÍVEL
1988: frota automóvel - 15 milhões, 8 milhões movidos a álcool

Estado do Rio de Janeiro só cresce em função do petróleo. dado de 2006: PIB da região metropolitana RJ parado desde 1980 - cidade do RJ desde então só aumentou criminalidade e especulação imobiliária.

1990 - MALOGRO DO PROÁLCOOL, criado em 1975 - Se gastos do Estado para subsidiá-lo tivessem se ajustado no tempo (queda dos preços internacionais do petróleo) o Brasil teria mais petróleo e não estaria amargando racionamento disfarçado de álcool.
Programa inicialmente tinha o objetivo de estimular a produção de álcool anidro para adicionar à gasolina.
Benefícios: favorecia usineiros, que enfrentavam preços baixos do açúcar no mercado internacional, e barateava custo de distribuição de gasolina.
Em 1979, pressionado pelo segundo choque do petróleo, o governo começou a mudar objetivos: um caminho para a substituição da gasolina como combustível.
Para torná-lo atrativo (poder calorífero é muito inferior ao da gasolina) fixou o preço na proporção de 56 por cento em relação ao da gasolina, logo ajustado para 65 por cento.
Acreditava que o custo do barril ultrapassaria a barreira dos US$ 50
em 1990 preço do álcool US$ 36, gasolina US$ 20/barril
em 6 anos investiu entre US$ 8 e US$ 10 bilhões para produzir 200 mil barris dia de álcool
com quantia equivalente Petrobras aumentou a produção de petróleo de 200 para 600 mil barris dia
desestimulados pela baixa remuneração produtores passaram a explorar outras culturas, como a soja, ou se limitaram a produzir açúcar em épocas de alta do preço da commodity.
desde 1985 a produção ficou estagnada em 15 milhões de litros
governo não desestimulou produção de carros (95 por cento no final dos anos 1980) e manteve estímulo fiscal, cobrando menos 5 por cento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que o exigido para carros a gasolina
- consumo de gasolina era tão baixo que obrigava a exportar gasolina para os EUA porque processo de refino do petróleo (para produção de óleo diesel, querosene e óleo combustível) exigia produção de mínimo de 230 mil barris dia

1990, alguém no Jornal do Brasil: A carga de impostos sobre o álcool é muito maior do que a dos outros combustíveis e se analisarmos os valores recolhidos aos cofres públicos notaremos que, ao invés de deficitário, o álcool é excelente negócio para o governo.
os preços dos derivados de petróleo são os mais subsidiados do mundo
também os preços aos produtores de álcool não acompanharam nem de perto a inflação (em final de expediente governo tentou manter inflação achatada) produtores não investem em tratos culturais, aumento da área de produção e equipamentos e máquinas
- passou-se de 65 litros de álcool por tonelada de cana processada para 80 litros
Tivemos problema de desabastecimento proposital e estratégico

Carlos Sant'Anna, presidente da Petrobras 1989:
Na época da Revolução todos os presidentes da Petrobrás eram poderosos. Um deles virou presidente da República, outro ministro.
Diz que pediu que a empresa saísse do circuito porque ela nunca foi "plantadora de cana", ficou muito cerceada operacionalmente, com perdas de US 100 milhões/mês.

Jornal do Brasil 10 novembro 1988
maiores produtores de cana pela ordem: São Paulo 1,6 milhão, Pernambuco 1,5 milhão e Alagoas 1,3 milhão de toneladas
em Alagoas as 35 usinas pertencem a 27 famílias responsáveis por 60 por cento do ICM do estado e que empregam 120 mil pessoas
usineiro: "Na situação atual a cana é a salvação para multidões de sertanejos desempregados no período da seca, exatamente quando se corta a cana."
governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo: "A indústria do açúcar é a indústria da miséria: só sobrevive porque o país é subdesenvolvido."
"Só há uma diferença entre as usinas de hoje e as do século passado", costuma dizer o governador Collor de Melo. "É que elas passaram da escravidão para a servidão."
Hoje o cortador de cana continua trabalhando sob o olhar vigilante de fiscais que substituíram os feitores de escravos e o chicote pelo livro de apontamento.
"Assisti recentemente uma mulher se atirar aos pés de um usineiro pedindo que reconsiderasse sua decisão de cortar-lhe três dias de trabalho." - conta um diretor de usina por acidente
Brasil é o único que mantém a mesma estrutura econômica há 500 anos, com usinas plantadas em latifúndios, usineiros com poder político, filhos de famílias tradicionais no setor e principalmente com legiões de cortadores de cana subassalariados.
Brasil tem 460 usinas com um patrimônio de 25 bilhões de dólares
IAA exerce monopólio do comércio e seus preços para a compra da cana e do açúcar e do álcool são estipulados mensalmente pelo governo federal.
 
AÇÚCAR E ÁLCOOL  GAZETA MERCANTIL 17 de março 1997
Ribeirão Preto, maior produtora mundial de açúcar e álcool, passa por um remapeamento logístico que deverá resultar em fusões, incorporações, troca de terras (...)
gastos do setor com o transporte da matéria-prima deverão cair pela metade
o transporte corresponde a 15 a 20 por cento do custo da cana e esta equivale a 57 por cento do custo dos produtos finais.
o transporte corresponde a 11 por cento do custo total
o transporte representa uma média de apenas 2,5 por cento do custo de bens de consumo no Brasil
usinas da região produziram na safra de 1996  4 bilhões de litros de álcool e 3,8 milhões de sacas de 50 quilos de açúcar
as 39 usinas de açúcar e sete destilarias da região deverão moer nesta safra 85 milhões de toneladas de cana, o equivalente em volume à safra nacional de grãos
... o setor está passando por uma fase de modernização cavalar
Mas não é fácil juntar famílias de tradição muito forte e que vivem separadamente em seus negócios há mais de 100 anos

AÇÚCAR E ÁLCOOL GAZETA MERCANTIL 17 DE MARÇO 1997
temos capacidade de fornecer até 60 megawatts se aumentarmos ainda mais os investimentos
Se existisse um programa definitivo de co-geração só as usinas paulistas teriam condições de gerar 6 mil MW de potência, o equivalente a metade do potencial total instalado no estado de São Paulo
Hoje a co-geração no estado não chega a 60 MW, ou seja, 1 por cento da capacidade das usinas
Mecanizando-se a colheita de cana crua aproveita-se de 50 a 80 por cento da palha que normalmente se perde quando o canavial é queimado. Essa palha, somada ao bagaço, pode dobrar a capacidade de geração de energia.
nas ilhas Maurício e no Havaí consegue-se gerar até 140 quilowatts de energia por tonelada de cana, enquanto no Brasil o máximo é 30 KW por tonelada.

açúcar e álcool GAZETA MERCANTIL 17 de março 1997
Usina Santa Elisa, uma das maiores do mundo, quer elevar em três anos de 30 para 80 por cento o índice de mecanização da colheita da cana própria e da matéria-prima de terceiros.
já teve 7 mil funcionários, reduzirá o quadro de pessoal (4 000) pela metade
cada máquina colhedeira faz o trabalho de 80 pessoas, com a vantagem ambiental de não ser necessária a queimada do canavial porque permite o recolhimento de 50 a 80 por cento da palha (que se perde durante uma queimada), que serve para aproveitamento na co-geração de energia elétrica.
Santa Elisa moeu em 1996   5 milhões de toneladas de cana, com um faturamento de R 250 milhões

Jornal do Brasil 22 de setembro 1989
BACTÉRIA QUE EMBRAPA ISOLOU PODE REANIMAR PROÁLCOOL
experimentos com cana-de-açúcar, que triplicou sua produtividade de 60 para 180 toneladas por hectare
conseguiu isolar a bactéria Acetocter diazotrophicus ... e estudar seu comportamento.
A BACTÉRIA consegue absorver o nitrogênio existente no ar e transformá-lo em fonte de alimento para que a planta faça a fotossíntese e se desenvolva
Desde 1950, quando chegou ao Brasil vinda da Alemanha, Joana Dobereiner estava à procura de bactérias capazes de aproveitar o nitrogênio do ar e fixá-lo. É um processo semelhante ao que ocorre na cultura da soja, onde a bactéria Rhizobium fixa o nitrogênio na raiz da planta transformando-o em nutrientes.
Sem a utilização da bactéria as lavouras de cana precisam ser adubadas com 60 quilos de composto nitrogenado por hectare. A poluição causada pelo uso de compostos nitrogenados diminui com a adoção da bactéria .... Ao entrar em contato com outras substâncias minerais existentes no solo, o nitrogênio dos adubos orgânicos se transforma em nitrato, um material tóxico e de efeitos teratogênicos que provoca deformações no feto, além de ser abortivo. Outra peculiaridade da cultura da cana é sua capacidade de retirar da atmosfera durante o processo de fotossíntese mais moléculas de gás carbônico do que as outras plantas, despoluindo o ar.

PROÁLCOOL DEVASTA ALAGOAS
27 DE ABRIL 1992 JORNAL DO BRASIL
grande participação na devastação do ecossistema alagoano.
Dobrou nos últimos 12 anos a produção de cana-de-açúcar sem gerenciamento e controle de seus efeitos perversos sobre o solo.
os principais rios do estado (...) de grande influência para o estômago das populações ribeirinhas, correm risco fatal com o grau crescente de poluição provocada pelo vinhoto e águas de lavagem de cana em suas margens.
Com apenas 20 por cento do seu solo improdutivo e fora do polígono das secas, Alagoas é um verdadeiro oásis no nordeste. (...) "(...) É inadmissível que continuemos a importar 95 por cento dos hortifrutigranjeiros que consumimos, quando um estado como o Ceará, com 90 por cento de suas terras improdutivas, impróprias para o cultivo de lavouras, dão um banho nos demais estados com um programa de diversificação agrícola invejável" - engenheiro Beroaldo Maia Gomes, que ajudou Celso Furtado a fundar a Sudene.
(...) De 85 por cento de vegetação nativa existentes na Zona da Mata até os anos 1970, hoje só restam 1 por cento. A caatinga arbustiva da região semiárida do agreste e sertão está reduzida a menos de 5 por cento e a Mata Atlântica foi praticamente dizimada, com o consequente desaparecimento da fauna.
(...) Ocupando 400 mil hectares de terras no estado a monocultura a cana-de-açúcar continua sendo responsável por quase 90 por cento da destruição ambiental
Em consequência dessa ocupação irracional e absurda houve uma interferência no ciclo hidrográfico com assoreamento dos rios, enchentes, perda do volume dos rios, poluição, contaminação dos mananciais hídricos pela usinas e pelas populações instaladas em cidades sem saneamento.

ECOPORTUNISTAS
ECOCHATOS
 


GAZETA MERCANTIL 17 de março 1997
SOJA GENETICAMENTE MODIFICADA, MILHO TRANSGÊNICO
ESTADOS UNIDOS - soja Round-Up Ready, que é resistente a herbicidas, tem previsto cobrir de 8 a 10 milhões de acres (3,2 a 4 milhões de hectares).
em 1996: 1,2 milhão de acres (485 mil hectares)
Monsanto desenvolveu a tecnologia de gene da Round-Up Ready e a distribui para fábricas produtoras de sementes
milho resistente à peste da broca de milho: um maior número de empresas controla a distribuição do milho Bt (Bacillus thuringiensis).
projeção para extensão de plantio: 32 milhões de hectares de soja
40 milhões de milho
soja resistente aos herbicidas: campos de plantação "livres" de ervas daninhas com aplicações mínimas de fortes herbicidas
o relativo alto custo da semente de milho Bt e a insatisfação do agricultor com algumas variedades de alguma forma diminuiu o interesse por esse produto
o milho Bt custa US$ 125 por saca - "nosso melhor milho": US$ 70

SOJA GAZETA MERCANTIL 17 de março 1997
projeção de safra brasileira: 27 milhões de toneladas
de exportações brasileiras de soja em grão: 5,2 milhões de toneladas
há também farelo: exportações em queda de 5,5 por cento para 10 milhões de toneladas
e óleo: exportações caem 11 por cento para 1,2 milhão de toneladas
Estados Unidos, maior produtor mundial de soja
complexo soja

ALGODÃO
1990: colheita manual
EUA: supermáquinas (uma substitui 600 homens)

canibalismus
a face cruel do paraíso terrestre na fazenda cafeeira: o calor sem trégua, os mosquitos, o regime de semi-escravidão, a prepotência dos patrões. - Sérgio Mauro em O Estado de São Paulo sobre Giovannina, de conde Afonso Celso (1896)

HOMENS GABIRUS
homem gabiru é um - famoso. torna-se um fenômeno de mídia: chega a ser invejado pela vizinhança por tanta oferta. até que cedo acaba. dá momentaneamente mais uma oportunidade ao piedoso exercício da caridade - mais: da generosidade - mas solidariedade genuína...


MANANCIAL POTENCIAL 1990
Existem 80 mil plantas comestíveis mas só 200 são cultivadas continuamente e só 12 são comercializadas [maciçamente]
Brasil é um dos países que apresenta menor taxa de diversificação de alimentos
segundo a FAO Food and Agriculture Organization
apenas seis culturas dominam a produção
mandioca: 33 por cento, milho: 25 por cento; soja: 16 por cento; arroz: 13 por cento; trigo: 7 por cento; feijão: 3 por cento; outras: 3 por cento
no cerrado (33 por cento do território abrangendo dez estados de três grandes regiões) existem 120 espécies nativas de grande potencial alimentar desconhecidas até da população

VALE DO JEQUITINHONHA VALE DA MISÉRIA miséria absoluta
anualmente distribuição de cestas básicas do WFP Programa Mundial do Alimento
terra das VIÚVAS DA SECA porque maridos trabalham sete meses em São Paulo no corte de cana
CARDÁPIO BRASILEIRO pinga para enganar a fome das crianças

1993
morrem mil crianças por dia no Brasil de SUBNUTRIçÃO

MAPA DA FOME
publicado em 1993 pelo IPEA
feito em 1992, dizia que havia 31 679 095 brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza.
estudo de 1994, publicado pelo mesmo IPEA (órgão do Ministério do Planejamento), corrigiu o número para 16,6 milhões ou 12 por cento da população
- novo estudo levou em consideração diferenças regionais de custo de vida, entre outros fatores

nunca há bela sem senão
Darcy Ribeiro: engenho de gastar gente
O Brasil de ontem e de hoje faz prodígios na produção de açúcar, café e soja mas mata seu povo de fome
Folha de São Paulo 12 de setembro 1993
homem gabiru / Josué de Castro
situação social equipara o Brasil às nações pobres da África e Ásia

1991: um bilhão de famintos no mundo
Países ricos precisariam de doar 100 milhões de toneladas de alimentos por ano até 2050

1990-91 - a mesma estratégia do (Plano) Cruzado:
com tabelamento de preços pecuarista deixa boi no pasto com carne tabelada
Zélia Cardoso de Melo, ministra da Economia, convida a população a consumir menos carne
Cruzado Bresser
tabelamento de preços = desabastecimento de produtos Verão Collor I
Collor II
5 planos em 5 anos
4 moedas em 5 anos
movimento de donas-de-casa de Minas Gerais nascido no Plano Cruzado -  "fiscais de Sarney" - Sir Ney, o cruzado


GASTOS MILITARES GLOBAIS EM 1999:
US$ 1 TRILHÃO 1 000 000 000 000
US$ 1 000 a capoccia (i.e. per capita), mais de três vezes o que cada um gasta em comida

MERCADO MUNDIAL DE ALIMENTOS EM 2006
US$ 2 TRILHÕES 2 000 000 000 000 = US$ 330 A CAPOCCIA (i.e. per capita)
preço a bem dizer de uma janta de luxe
suponhamos que os 5 por cento (300 000 000) mais ricos decidam jantar bem.
Gastam US$ 100 bilhões - 100 000 000 000?

1995: automóveis e petróleo movimentaram US$ 1 trilhão
1 000 000 000 000

O FANTASMA DOS SAQUES DE SUPERMERCADOS EM 1992
final de março de 1990, dez dias depois do anúncio Plano Collor que bloqueou US$ 80 bilhões das contas bancárias
saques no Engenho Novo, RJ, 150 pessoas gritavam:
ARROZ, FEIJÃO, QUEREMOS MACARRÃO!
Elites 10% X Pés-descalços 90%
descamisados
Parada de 1990: transformar Brasil de um país mercantilista em país capitalista
em 1990 há 33 milhões de analfabetos e faltam 10 milhões de moradias

2 de julho 2008 AGRICULTURA ALIMENTOS
FERTILIZANTES QUÍMICOS
pesam 30 a 50% no preço final dos produtos
Brasil importa mais de 70 por cento do fertilizante que consome a R$ 60,00/kg.
FERTILIZANTE ORGÂNICO custa R$ 40,00/kg.
fertilizante orgânico é feito com resíduos vegetais e animais (minhocas):
o alimento é livre de agrotóxicos mas tem custo maior com transporte e manejo
Brasil tem jazidas minerais para tornar-se auto-suficiente em FERTILIZANTES QUÍMICOS em de 5 a 10 anos
anunciado crédito agrícola de mais de 70 bilhões de reais para próxima safra
Confederação Nacional da Agricultura esperava 120 bilhões de reais de crédito por conta do aumento dos custos, como os 80 por cento do preço dos fertilizantes
commodities... commodities... Brasil é o maior exportador de carnes bovina suína e de frango

FERTILIZANTES Jornal do Brasil 28 de março 1990
cloreto de potássio, um fertilizante fundamental para a agricultura. Brasil gasta US$ 100 milhões/ano em potássio e sal para a produção

ALIMENTOS
1989: metade dos alimentos no mercado contaminados

anos JK, café era responsável por 60 por cento das exportações: "ouro verde"
anos 70: "EXPORTAR É O QUE IMPORTA"

excluindo agricultura de subsistência e sonegação pura e simples, metade do que se produz nas fazendas brasileiras vai para o exterior

1985: importação equivale a 6 por cento do PIB, incluindo petróleo. Brasil tem uma das economias mais fechadas do mundo
1989-90: 10 por cento; América Latina importa 15 por cento; Ásia: 30 por cento; Europa: 35 por cento

"EXPORTAR É O QUE IMPORTA"
produtos brasileiros a um tempo:
 carnes nobres tipo exportação        café extra forte tipo exportação
   mulatas... tipo exportação

 

        DARCY RIBEIRO NO PAÍS- ENGENHO DE GASTAR GENTES    1997
     O desaparecimento, o ex-Ministro do Governo do Presidente João Goulart (1962-64), ex-vice governador do Rio de Janeiro e fundador da Universidade de Brasília deixa entre os que o conheceram o sentimento de perda de um dos poucos homens que soube "pensar o Brasil".
     Antropólogo, etnólogo, sociólogo e romancista, Darcy Ribeiro esforçou-se até o fim da vida para promover o ensino no seu país e encontrar uma "teoria explicativa" da formação do povo brasileiro.
     Nascido em 1922, na pequena cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, aos 17 anos mudou-se para Belo Horizonte, onde inscreveu-se na Faculdade de Medicina, mas acabou por frequentar sobretudo cursos de literatura e ciências sociais.
     Três anos depois, ganha uma bolsa de estudo para cursar ciências políticas na Universidade de São Paulo (USP), onde à época lecionavam grandes professores estrangeiros, foragidos da II Guerra Mundial, como Claude Lévi-Strauss e Roger Bastide.
     Inscreve-se, no Partido Comunista Brasileiro (PCB). "Devo ao PC ter-me ensinado que somos todos responsáveis pelo destino da humanidade", disse há pouco tempo mas não durou muito a sua militância no partido, de que em pouco tempo se sentiu "licenciado".
     Em 1947 começa a trabalhar como etnólogo no Serviço de Proteção ao Índio (SPI), atual Fundação Nacional do Índio (Funai), a tempo de participar nas últimas expedições do Marechal Cândido Rondon à floresta amazônica.
     Por uma década, convive com várias nações indígenas, num período em que diz ter transformado completamente a sua concepção da vida e em que recolheria material para a maior parte da sua obra, cuja publicação foi iniciada com "Religião e Mitologia Kadivéu", em 1950.
     "Devo aos índios ter-me tornado um ser humano", disse.
     Com os índios aprendeu a viver bem-humorado até os últimos dias, apesar da doença que o acometeu em 1993, e um dos episódios que mais gostava de recordar nos últimos anos refere-se a um amor platônico por Iuiuicui, uma índia Kadiwéu.
     Identificou no "cunhadismo" dos índios um dos elementos básicos na formação da sociedade brasileira, que abordou em ensaios como "O Processo Civilizatório", "As Américas e a Civilização", "Os Brasileiros", "Os Índios e a Civilização", parte dos seus "Estudos de Antropologia da Civilização", como os apelidou.
     Em 1955 foi convidado para assessorar o Presidente Juscelino Kubitschek na área da educação.
     Quatro anos depois participou na elaboração do projeto de criação da Universidade de Brasília (UnB), de que se tornou o primeiro reitor em 1961.
No ano seguinte foi nomeado Ministro da Educação e Cultura pelo Presidente João Goulart, em cujo governo seria também Chefe da Casa Civil, cargo em que se encontra quando o Presidente é deposto por um golpe militar, em 1964.
     Exila-se no Uruguai, como o ex-Presidente e o Governador deposto do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, outro líder do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e em 1968 regressa ao Brasil, onde é preso.
     Exila-se primeiramente na Venezuela, depois no Chile, onde assessorou o Presidente Salvador Allende, e no Peru, onde trabalhou no governo do general Velasco Alvarado.
     Escreveu no exílio a maior parte dos seus ensaios e romances, sendo o primeiro, "Maíra", baseado numa crença dos índios Kaiowá, o de maior impacto nos meios literários de todo o mundo.
     Com o início do processo de abertura política regressa ao Brasil em 1978 e participa como vice-governador e secretário da Educação e Cultura do primeiro governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro (1980-84).
     É responsável pela construção de centenas de Cieps (Centros Integrados de Educação Pública), baseados num projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, a quem também encomendou o desenho do Sambódromo, a "passarela do samba" do carnaval do Rio de Janeiro.
     Foi eleito senador em 1990 e três anos depois ingressou na Academia Brasileira de Letras.
     Nos últimos anos da sua vida foi responsável pela Lei de Diretrizes de Bases da Educação.
     Muito afável e bem-humorado transformou a luta para adiar a morte, determinada por um grande "amor à vida", num dos maiores trunfos das suas últimas décadas de existência.
     Quando decidiu se tratar de um câncer de pulmão no Brasil, em 1974, foi preso e julgado por alegados crimes  políticos num tribunal militar que o inocentou e na sequência foi mandado para o exílio por ser considerado "doente terminal".
     Vinte anos depois, já no Brasil,  fugiu de um hospital onde era mantido sob tratamento intensivo para "concluir a obra".
      Terminou então "O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil", "O Brasil Como Problema" e "Noções das Coisas", livro infanto-juvenil ilustrado por Ziraldo.
       Defende, no primeiro livro, a tese de que o povo brasileiro é "um gênero novo da humanidade" que está criando "uma nova Roma, tardia e tropical, mais alegre porque mais sofrida" e "melhor, porque incorpora em si mais humanidades".
     "Além de um texto antropológico, é, e quer ser, um gesto meu na nova luta por um país decente", escreveu no prefácio do livro, que causou grande polêmica.
     "Encanto de provocação, inteligência e audácia, lê-lo poderá ser um exercício de discordância, nunca de desprezo" - diz um dos seus necrológios de hoje.
     Darcy Ribeiro trabalhou também nos últimos anos na transcrição para livro dos seus "Diários Índios", sobre a sua convivência com os urubu-kaapor do Maranhão no início da carreira.
     "A esquerda considera que não sou marxista, e a direita me combate, dizendo que sou marxista. A verdade é que sempre lutei para melhorar o Brasil. Lutei para salvar os índios, lutei pela reforma agrária e agora pela questão da escola pública. Eu diria que prefiro ser um derrotado estando deste lado a ser um vitorioso do lado de quem persegue índio" 

    BRASIL, ENGENHO DE GASTAR GENTES DARCY RIBEIRO Jornal do Brasil 12 de setembro 1993
      A fome no Brasil é crônica e antiquíssima. Desde os primeiros séculos se toma providências contra ela (...). Primeiro se obrigava os engenhos de cana a plantar mandioca. Depois se proibia criar gado na costa. (...)
     O Brasil de ontem e de hoje faz prodígios na produção de açúcar, de café e de soja, mas mata seu povo de fome. (...) O Brasil foi e continua sendo um grande engenho de gastar gentes, que planta soja para dar para porco japonês comer mas não tem competência para alimentar o seu próprio povo.
     Neste país, que não tem nenhum cabrito abandonado, nenhum bezerro e nem mesmo um frango, porque todos têm donos que deles cuidam, são milhões de crianças ao abandono, disputando comida no lixo, brigando com feirantes para comer uma banana, guerreando com as polícias oficiais e clandestinas que os assassinam em massa.
(...) [A] política econômica da ditadura militar ...) só se ocupou por duas décadas de enriquecer os ricos prometendo dividir depois o bolo dos lucros. É como se alguém pudesse comer amanhã o feijão que não comeu hoje. (...)
     Nossa situação é semelhante à da Europa na passagem do século [XIX para o século XX], quando exportou sessenta milhões de excedentes. (...)
     Matá-los de fome para reduzir seu montante e esterilizar mulheres pobres, para que não produzam mais tanta gente dispensável. (...)

 

 

Aqui no Rio me esperavam surpresas incríveis. A primeira delas foi ver a beleza da raça brasileira em Ipanema. É a raça dos que comeram. Depois fui ver Caxias, fui ver Madureira; lá é outra raça, a dos que não comeram. A figura dos que não comeram, do povão, de um lado, e a beleza de Ipanema, do outro, é um tremendo contraste. A beleza de Ipanema está muito mais bela, as meninas e os rapazinhos, as tribos, são uma beleza. E as subtribos de Caxias, do Méier, estão mais terríveis ainda.

Darcy Ribeiro em debate promovido pelo Jornal do Brasil do Rio de Janeiro com Ferreira Gullar, Glauber Rocha e Mario Pedrosa em 1977, quando os quatro regressavam do exílio imposto a eles pela ditadura militar

 

1989 Jornal do Brasil
MODELO EXPORTADOR protege mas prejudica indústria
de 1980 a 1988 exportações aumentaram 67,8 por cento
vendas de produtos industrializados tiveram alta de 122 por cento
importações contidas, entrava a modernização do parque industrial
protecionismo ultrapassado, consumidores obrigados a comprar produtos a preços até três vezes superiores aos do mercado internacional
indústria protegida em prejuízo da sua eficiência

FOME
governo gastou US$ 110 milhões com programas e pesquisas sobre a fome nas décadas de 1970 e 80
O primeiro programa, realizado entre 1977 e 83, ficou nas gavetas em Brasília.
Dados de 1989:
Dos principais alimentos apenas a produção de trigo e milho cresceu mais que a população, enquanto a produção mais voltada para mercado externo (cacau, café, laranja, soja) cresceu de 100 a 1100 por cento.
Defasagem surgiu pós-1964.
De 1940 a 1960 a população cresceu 70 por cento e quase todos os produtos alimentares acima disso.
Nos anos 70 surge o slogan: "EXPORTAR É O QUE IMPORTA" incentivando a cultura para exportação.
Em 1989  15 ministérios cuidavam do comércio externo
O valor do salário mínimo caiu 42 por cento de 1964 a 1985 e os 10 por cento mais ricos da população aumentaram sua participação na renda de 40 para 51 por cento.

carcará pega, mata e come

ESTATÍSTICA DA FOME - 40% DOS CONVOCADOS PELO EXÉRCITO SÃO DEFICIENTES  - O GLOBO AGOSTO DE 1989
Mais de 40 por cento dos convocados para as unidades militares do Nordeste foram considerados deficientes. (...) 11 100 foram dispensados por deficiências físicas ou mentais. Sobraram apenas 77 aptos a servir sob o auriverde pendão.
 

EXPORTAR É O QUE IMPORTA
Em 1990 importações equivalem a 3 por cento do PIB e as exportações a 14 por cento.
Política industrial do governo Collor tenta colocar economia na rota da substituição de exportações, em oposição ao modelo de substituição de importações que vigorou na história da industrialização brasileira

27 de março 1990 EXPORTAÇÃO
México ultrapassa Brasil e é o primeiro exportador da América Latina atingindo a marca de US$ 36,4 bilhões ou 1,2 por cento das exportações mundiais.
Brasil exportou US$ 34,4 bilhões e é o 21º exportador mundial

    Agricultura é responsável por 65 por cento do saldo comercial brasileiro em 1990

1990: PAÍS SUBNUTRIDO apesar de ser o terceiro maior exportador de alimentos do mundo. Carece de medidas urgentes de aproveitamento de recursos naturais.  A população cresce mais que a oferta de alimentos. No início do próximo milênio o problema se agravará no Terceiro Mundo, onde vivem 95 por cento dos subnutridos do planeta (840 milhões de pessoas) não porque faltem alimentos mas porque os pobres não têm acesso a eles.
Dos 5 bilhões de terráqueos 3 bilhões não têm alimentação mínima - apenas sobrevivem.

1979: Banco Mundial divulga relatório em que afirma que 67 por cento da população do planeta sofria de desnutrição, 18 por cento de forma grave.
21 por cento das crianças e adolescentes apresentavam formas moderadas e graves de desnutrição.

DIEESE (Departamento Intersindical de Estudos Econômicos e Sociais), 1988: salário mínimo cobre 13,2 por cento das necessidades básicas de uma família

ALIMENTAÇÃO, FOME e Modelo exportador - 1989
A miséria deixou de ser exclusividade do Nordeste para alcançar o Sul que já foi chamado de "maravilha".
Rocival Lyrio de Araújo - livro: Situação Alimentar e Nutricional do Brasil:
má distribuição de renda é a principal causa da desnutrição;
8 por cento da população ativa ganham mais de 35 salários mínimos e consomem 62 por cento de toda a produção nacional.
Os que ganham menos de um salário mínimo consomem 0,05 por cento
Classe média adquire 35 por cento dos bens nacionais.
De 1974 a 84 o consumo de alimentos básicos por habitante teve uma redução de 11 por cento devido a aumento desproporcional de custo dos produtos.
O trabalhador teve de trabalhar dobrado para comprar o mesmo.
1959: 65 horas de trabalho para comprar ração básica = 27 por cento do valor do salário mínimo;
1984: 163 horas de trabalho e a cesta básica correspondia a 68 por cento do mínimo;
1989: 178 horas para comprar cesta básica que custava sete vezes o valor do salário mínimo - 189 horas em Brasília
"Área agriculturável no Brasil é inferior às necessidades; produção, além de mal distribuída pelas regiões, é voltada para as exigências do mercado externo."
Estima-se que 15 por cento da população brasileira estejam com sua capacidade intelectual reduzida e o país terá de empregar esta mão-de-obra deficiente por falta de alternativa.
Preocupação do governo com mercado externo provocou acentuada queda na produção de feijão, base da alimentação.
Em 1975 o consumo per capita de feijão era de 21,7 quilos/ano = 50 gramas/dia
Em 1983: 12,4 quilos/30 gramas.
Entre 1975 e 1983 a produção de soja (destinada à exportação) passou de 94 para 113 quilos/ano per capita.

Brasileiro
passa fome
sem razão

Jornal do Brasil 22 de julho 1993
A fome não se explica pela falta de alimentos, constatou o Tribunal de Contas da União baseado numa auditoria feita aos
Programas de Suplementação Alimentar do governo envolvendo
Fundação de Assistência ao Estudante (FAE)
Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan)
Legião Brasileira de Assistência (LBA) e
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
EM CADA PROGRAMA FORAM OBSERVADAS IRREGULARIDADES E FALHAS GRAVES
Com uma média de 59 milhões de toneladas de grãos (arroz, feijão, trigo, milho, soja) e a disponibilidade interna desses produtos e dos demais produtos tradicionalmente consumidos no país é superior às necessidades diárias de calorias e proteínas da população.
Dispõe-se de 3 280 calorias e 87 gramas de proteínas per capita/dia para uma necessidade de 2 242 calorias e 53 gramas de proteínas.
"O PROBLEMA ALIMENTAR É UMA QUESTÃO DE RENDA PARA COMPRAR OS GÊNEROS"
[Pensava-se ainda então que eram 32 milhões os indigentes mas seriam 16 milhões - meia Argentina e duas Somálias]

AGROBUSINESS
AGRICULTURA - A partir das décadas de 1960 e 1970 novas culturas regidas por métodos modernos de produção e comercialização.
Na década de 1980 surgem o COMPLEXO SOJA e commodities mais modernas como a laranja.
Grupos com interesses em agricultura, agroindústria, construção civil, mineração e finanças. Grupo Itamarati, o maior produtor de grãos em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (uma fazenda com 150 mil hectares): construtora Constran e Banco Itamarati.

1989: 75% dos alimentos são produzidos em pequenas propriedades agrícolas mas 1,8% das propriedades agrícolas ocupam 58% da extensão do solo fértil do país onde chega a haver fazendas com 4 milhões de hectares


1989, lê-se em O Globo: Brasil é o maior produtor do mundo de café, mandioca, cana (250 milhões de toneladas/ano) feijão, carnes e só em frango o país fatura meio bilhão de dólares.
É o segundo maior exportador mundial de soja e temos milhões de toneladas de arroz sobrando.
Os 600 mil tratores brasileiros estão velhos. Muitas fazendas não têm mesmo um caminhão. Os tabelamentos demagógicos, o dumping e a chantagem da taxa de câmbio - contra os que graças às cotações do mercado externo ainda obtinham lucros - descapitalizaram o campo.

café "ouro verde"
"SOCIALIZAÇÃO DE PREJUÍZOS"
começou com d. Pedro II que em 1864 decretou liquidação extra-judicial de um banco e indenizou clientes com recursos públicos. O atrelamento de empresários ao Estado remonta ao tempo da colonização.

SOCIALIZAÇÃO DE CUSTOS E PREJUÍZOS
Gilson Schwartz - Folha de São Paulo 1989/1990?
A tradição de transferir os custos de um setor econômico para o resto da sociedade teve origem nas políticas de apoio ao café, no final do século 19, quando o governo facilita a exploração econômica e cria condições para que ela não seja interrompida ao longo do tempo.
Isso ocorria através da socialização dos custos, empregando recursos públicos para estimular uma certa atividade - exemplo: trazer mão-de-obra imigrante quando se aproximava o fim da escravidão -, e da socialização dos prejuízos.
Quando os preços do café caem no final do século 19 o governo prefere subir os juros e provocar uma recessão que favoreceria as camadas emergentes dos bancos e da grande burguesia cafeeira em São Paulo.
Nas décadas seguintes adota políticas de valorização artificial do café, financiando queima de estoques, redução de cafezais ou retirada do café de circulação em época de baixa da cotação internacional.

28 de março de 1990: Extinto o IBC (Instituo Brasileiro do Café), que emitia guias de exportação do produto.

SEGURANÇA ALIMENTAR
melhorou de 1996 a 2006
ainda assim 7 por cento das crianças do Nordeste não se alimentam regularmente (mais ainda no norte)

GRUPO CAEMI (entre outras JARI) - AUGUSTO TRAJANO DE AZEVEDO ANTUNES
uma das 5 maiores mineradoras do mundo
quarto maior proprietário de terras, com 2,24 milhões de hectares (dado de 1998 do extinto Incra)
outra fonte: é comum que empresa mineradora dê prejuízo nos dez primeiros anos de existência por conta dos investimentos necessários

CONTRABANDO DE SOJA (1990?)
exportadas pelo Paraná como se fossem paraguaias 574 mil toneladas com um prejuízo de US$ 130 milhões em divisas
Paraguai produzia 1,4 milhão de toneladas e exportou pela Argentina, Brasil e Uruguai 1,8 milhão
No ano anterior o Brasil produziu 23,7 milhões de toneladas numa área de 12 milhões de hectares.
Naquele ano previa-se uma produção de entre 17 a 18 milhões de toneladas numa área de 11,2 milhões de hectares.

PRODUÇÃO DE GRÃOS
Minas Gerais produziu em 1990 10 milhões de toneladas - Ferrovia Leste-Oeste reduziria custos de transporte em 50 por cento.

EXPANSÃO AGRÍCOLA NA DÉCADA DE 1980
Produção de grãos oscilou em 50 milhões de toneladas até 1987 quando foi de 65 milhões MAS
a} queda do valor da produção
b} da renda dos agricultores
c} decréscimo no volume de créditos
d} aumento de custos e encargos financeiros fizeram com que o produto real agropecuário aumentasse apenas 3,65 por cento durante a década.
Nos dois anos sucessivos não houve crescimento.
Entre 1987 e 1989 renda dos agricultores caiu 22 por cento [NÙMEROS MONSTRUOSOS - não cai pouca coisa não]
Nos três anos perda real (rendimento abaixo da inflação) foi de: trigo = 64 por cento, café em coco = 50 por cento, cacau = 42 por cento, arroz = 41 por cento e algodão = 38 por cento
só banana teve ganho real (nanico: 4%)
Crise de recursos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) diminui (olha só:) aumento de eficiência produtiva das lavouras, deixando de lançar variedades mais eficientes.

FRANGO 1990    CONSUMO DE PROTEÍNAS ANIMAIS
em 10 anos o Brasil passa a ter a terceira maior avicultura do mundo (EUA está em primeiro e. URSS em segundo lugar) mas consumo per capita não consegue ultrapassar 12 kgs./ano - produzia 2 milhões de toneladas/ano contra 858 mil toneladas em 1980.
Fatores que concorrem para a redução de consumo de proteínas animais no Brasil: baixo poder aquisitivo e altos impostos cobrados pelos alimentos básicos. Preço de 1 kg. de carne de frango contém 25 por cento de 5 impostos.

CAIO PRADO JR - AGRICULTURA BRasleira em 1966 era CAPITALISTA
faz crítica contundente às teses do PCB sobre economia brasileira, que defendem revolução democrática-burguesa para implantar capitalismo num país considerado ainda semi-feudal, em 1966 no ensaio A Revolução Brasileira.
Observou que, ao contrário, agricultura brasileira era capitalista e nunca fora feudal, ainda que em estágio semicolonial e subdesenvolvido, sujeita a interesses dos países desenvolvidos.

MÃO-DE-OBRA BARATA, MATÉRIA-PRIMA ABUNDANTE
O que era tradicionalmente considerado fator de competitividade - mão-de-obra barata e matéria-prima abundante - foi completamente ultrapassado.

Terra que boi come, os homi passa fome

CARDÁPIO BRASILEIRO - receitas típicas
pinga para enganar a fome das crianças
sopa de papelão da Chapada Diamantina: pica-se o papelão e cose-se com cebola, tomate, o que houver, para engrossar o caldo, e dá-se pras criança comerem

Gilberto Gil: eu gosto mesmo é de comer com coentro
cultura, salada, moqueca, feijoada
eu gosto mesmo é de estar por dentro
como estive na barriga de Claudina
uma nega baiana cem por cento

a equação é como é colocada pelo economista americano em Veja: tem que saber escolher se quer trabalhar duro ou ter um pouco de paz e sossego, mas os homens não nascem todos iguais.
E qual é o quociente médio alimentar americano? O do empanturramento ao nível da obesidade de elefantíase mais desgostante e enfartante de friedchicken de aviário e T-Bone de engorda a metro - e a cultura (QMA) que regurgitam da lambança que impõem ao resto do mundo.

Haiti, as cenas de ontem (13 de setembro de 2008) (como se não bastasse mais nada) furacão e (nada mais restando) auxílio de emergência enlatado e disputado como em rinha de galos de briga (como se não faltasse mais nada)

PRODUÇÃO E CONSUMO DE ALIMENTOS         Jornal do Brasil 21 de maio 1990
Terceiro maior rebanho mundial de gado, com 140 milhões de cabeças
Segundo maior produtor de soja, com 20 milhões de toneladas/ano
Incompetência histórica para alimentar a população
Consumo de proteína animal per capita é de 53 kgs/ano, quando o mínimo estabelecido pela FAO é de 65 kgs por habitante
9 dos 12 milhões de toneladas de farelo de soja produzidos no país são exportados
e a renda é insuficiente
A produção brasileira sempre foi compatível com o consumo porque há uma forte demanda reprimida de alimentos, principalmente dos ricos em proteínas.
Se durante a década de 1990 o Brasil aliar crescimento anual de 6,6 por cento do PIB com distribuição de renda - cenário otimista -  entre uma população de 170 milhões de pessoas teria de elevar para 3 milhões a atual produção de 2,5 milhões de toneladas de feijão e aumentar de 9 para 11,5 milhões de toneladas produção de arroz.
No que tange a carne de frango terá de praticamente de dobrar a produção atual de 1,8 milhão de toneladas.
A produção de leite deverá subir dos atuais 13 bilhões para 33 bilhões de litros em 2000.
Produção de grãos também utilizados para ração animal, como milho, deverá pular de 25 para 52 milhões de toneladas e a de soja dobrar dos atuais 20 milhões de toneladas.
Carne: as 20 milhões de cabeças abatidas anualmente originam quase 4 milhões de toneladas de carne, das quais são exportadas 500 mil toneladas.
Terá de produzir 1,7 milhões de toneladas adicionais.
Taxa de desfrute do rebanho - índice que mede a eficiência do setor, quantidade abatida em relação ao número do rebanho - "não supera ridículos 14 por cento, muito abaixo do Uruguai (18 por cento), Argentina (25 por cento), Comunidade Européia (30 por cento) e EUA (33 por cento).
Difícil aumentar disponibilidade de proteína animal.
Proteína vegetal:
Temos proteína de sobra. A farinha de soja por exemplo é uma fonte imensa de proteína que não aproveitamos ou então exportamos.

Folha de São Paulo 19 de abril 1990  SITUAÇÃO ECONÔMICA DIFICULTA COOPERAÇÃO BRASIL-ARGENTINA
Os argentinos querem aumentar as cotas de venda de seus vinhos e laticínios, o que não agrada aos produtores e industriais do Rio Grande do Sul.

Folha de São Paulo 25 de maio 1995
Já vimos plantadores de cebola jogarem toneladas do produto fora para garantir preço.
Esses senhores coloniais acumularam fortunas pessoais de Primeiro Mundo e tiveram dinheiro suficiente para financiar a aventura presidencial de Collor.
O que deixam para a nação são milhões de metros quadrados de escombros e um exército de bóias-frias sem teto e sem terra.

AGROBUSINESS
AGRICULTURA - A partir das décadas de 1960 e 1970 novas culturas regidas por métodos modernos de produção e comercialização.
Na década de 1980 surgem o COMPLEXO SOJA e commodities mais modernas como a laranja.
Grupos com interesses em agricultura, agroindústria, construção civil, mineração e finanças. Grupo Itamarati, o maior produtor de grãos em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (uma fazenda com 150 mil hectares): construtora Constran e Banco Itamarati.

ISTOÉ 12 de junho 1996
O "Rei da Soja" Olacyr de Moraes, um dos 500 homens mais ricos do mundo, segundo a revista Fortune, possui no Mato Grosso 400 mil hectares de terra avaliada por ele em R$ 1,2 bilhão, a Fazenda Itamarati II, que produzia soja, milho e algodão faturando US$ 80 milhões por ano. A fazenda tem 1,7 mil casas, escola, creche, hospital, quadra de tênis, piscina, pista de pouso para Boeing, uma indústria de beneficiamento de algodão e armazéns com capacidade para estocar 60 mil toneladas de grãos.
O empresário diz desejar se concentrar em outros negócios, como usinas de açúcar e álcool e a construção da Ferrovia Ferronorte, e por isso propôs ao governo ceder metade da fazenda para abrigar dez mil famílias em projeto de assentamento da reforma agrária em troca de Títulos da Dívida Agrária, papel emitido pelo governo para pagar as desapropriações de terras.
A partir do Plano Real o preço das terras caiu muito e o endividamento do setor agrícola disparou.
Os TDAs rendem correção e juros de 6 por cento ao ano

  Do rei da soja a rainha da cana - Grupo Itamarati de 1996 a 2008

Como se vê atrás e adiante o plano do rei da soja era fazer com que o Grupo Itamarati se concentrasse na produção de cana e derivados e construir uma ferrovia no regime de parceria público/privada para facilitar o escoamento dos produtos para o litoral. O governo fez malograr este projeto mas o grupo tornou-se o rei da cana - o maior processador da commodity do país já sem o ex-rei da soja, que dividiu o patrimônio entre os herdeiros e, vitimadas por má gestão e fortíssima concorrência da privilegiada região de Ribeirão Preto, em São Paulo, as Usinas Itamarati quebraram, ressurgindo das cinzas em 2008 após um choque de gestão profissional. Uma reportagem de Valor Econômico ESTADOS, São Paulo, de novembro de 2008 sobre Mato Grosso elucida este e outros aspectos do labor agrícola contemporâneo e num trecho refere que uma iniciativa que gerou um grande ganho de produtividade foi a utilização máxima do vinhoto gerado na produção de álcool para a fertilização das lavouras. Com R$ 17 milhões de investimento em equipamentos e aumento da capacidade de processamento do vinhoto a área fertilizada passou de 14 mil para 30 mil hectares. A redução de custos com adubação química pagará o investimento em apenas três anos. 

Invasões de terra bateram recorde no primeiro ano do governo FHC segundo a CPT (Comissão Pastoral da Terra)
GUERRA NO CAMPO

    ANO ASSASSINATOS     TENTATIVAS DE ASSASSINATO AMEAÇAS DE MORTE    INVASÕES NUMERO DE FAMÍLIAS 
    1991      82        90        232        77   14.720
    1995      41        43       155      145   30.476

GAZETA MERCANTIL 8 DE JUNHO DE 1995
ÁFRICA AMEAÇA FRUTICULTURA EUROPÉIA
Vantagens concedidas a Pretória podem afetar produtores do Mediterrâneo
JAMES HARDING
FINANCIAL TIMES
O apoio da UE-União Européia ao processamento industrial de frutas, que já cobriu mais de 40 por cento dos custos dos pêssegos, agora geralmente cobre menos de 15 por cento.
(...) [e os produtores europeus estão pedindo] compensação ao setor por acordos bilaterais existentes com produtores de frutas tropicais.
A facilidade com que competidores externos podem capturar uma fatia do mercado é chocante.
Calcula-se que existem cerca de 575 mil pessoas empregadas em horticultura na África do Sul, das quais dependem outros 2,7 milhões de pessoas.
"Qualquer coisa que dificulte o acesso ao mercado europeu impedirá a geração de lucros pelos fazendeiros sul-africanos, inclusive o investimento na agricultura e a manutenção dos empregos que garantem o tecido social do país."

 

                   A RETRANCA DO FEIJÃO

BRASILEIRO COMEU MENOS FEIJÃO NO ANO PASSADO DO QUE EM 1985 Jornal do Brasil 14 de janeiro 1991
então já escasso por conta de quebra de safra
INÊS KNAUT, BASEADA EM PESQUISA DE REBECA CARLOTA DE ANGELIS, DO INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOMÉDICAS DA USP (Universidade de São Paulo)

Produção:
1985: 2,378 milhões de toneladas
1989: 2,6 milhões
1990: 2,340 milhões
corte do feijão no cardápio brasileiro significa a subtração de:
21,7 gramas de proteína em cada nove colheres
345 calorias, com importante reflexo sobre as necessidades energéticas e de construção e conservação de todos os tecidos do corpo humano.
(Para repor a perda é necessária a ingestão de quase meio quilo de arroz)
corte de cerca de um terço das necessidades diárias de ferro em 100 gramas diárias, e o consequente risco de desenvolvimento de anemia ou queda dos glóbulos vermelhos.
Fibras do grão prejudicam absorção do ferro, o que pode ser compensado com uma dieta complementada com alimentos ricos em vitamina C, importante mediadora do metabolismo.
O feijão tem ainda valor vitamínico, fornecendo vitamina A, B1, B2 e Niacina.
Experiências realizadas há 15 anos com animais de laboratório na área de fisiologia mostram que a combinação arroz-feijão em proporção de 77 por cento de arroz e 23 por cento de feijão torna-os complementares em termos nutricionais. (Na proporção meio a meio é incompleta e limitante em aporte de energia.)
A falta de aminoácidos (substâncias em que a proteína se desdobra no organismo) num dos alimentos é compensada pela presença do outro.
Substituindo o feijão por proteína animal (caseína) os resultados são decepcionantes. A presença de cálcio e vitamina A no feijão é decisiva para a absorção da proteína pelo organismo.
O feijão atua ainda como fator de equilíbrio dos níveis de colesterol, fazendo aumentar a excreção de sais biliares
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   AGRICULTURA II    REFORMA AGRÁRIA     SEM-TERRA    VIOLÊNCIA NO CAMPO

1¾ «  + - - - - - . 1997

Brasil: sem-terra" iniciam marcha de dois meses sobre Brasília

Rio de Janeiro, 17 fevereiro - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Brasil iniciou hoje em três cidades uma marcha de protesto contra a política econômica do Governo e os massacres de lavradores nos campos do seu país.
Ao longo da marcha, que deverá terminar a 17 de Abril em Brasília, cerca de 1500 militantes do MST pedirão também mais rapidez do Governo na desapropriação de terras improdutivas e sua distribuição por trabalhadores rurais sem terra para cultivar.
Os militantes, de 11 dos 26 Estados brasileiros, partiram da cidade de São Paulo, Governador Valadares, no Estado de Minas Gerais, e Rondonópolis, em Mato Grosso.
O MST calcula que, à chegada à capital brasileira, outros 3500 aderentes do movimento tenham se juntado às três colunas.
A chegada a Brasília coincidirá com a passagem do primeiro ano da chacina de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado de Carajás, no sul do Pará, ocorrida a 17 de Abril de 1996.
Naquele dia um contingente de 157 soldados da Polícia Militar disparou à queima-roupa contra 1500 pessoas que bloqueavam uma estrada, em protesto contra a demora do governo do Pará em conceder-lhes autorização para ocupar propriedades consideradas improdutivas pelo MST.
"Isso não é coisa de país decente. Ou se pune os responsáveis, levando-os à cadeia, e já, ou ninguém mais vai acreditar neste país" - disse o Presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, três dias depois da chacina. Mas até hoje a instrução do processo judicial não foi concluída.
Juristas brasileiros afirmaram durante um julgamento simbólico realizado em novembro em Brasília em que participou o escritor português José Saramago que o processo judicial não deverá estar concluído antes de 2005.
A data do massacre de Eldorado dos Carajás foi declarada Dia Internacional da Luta Campesina num encontro mundial da organização internacional Via Campesina realizado em 1996 no México.
Sempre na ordem do dia no Brasil, a questão agrária neste país voltou ao primeiro plano no noticiário de outros países semana passada, durante a visita oficial de Henrique Cardoso à Itália e ao Vaticano.
Um grupo de 68 intelectuais ligados a dez universidades da Itália enviou quarta-feira ao Presidente daquele país, Oscar Luigi Scalfaro, um documento em que pediam providências contra os massacres de trabalhadores rurais no Brasil.
O envio do documento coincidiu com a entrega ao Presidente brasileiro do título de Doutor "Honoris Causa" em Ciências Políticas pela Universidade de Bolonha.
Dois dias depois, ao recepcioná-lo no Vaticano, o Papa João Paulo II declarou que "o respeito pelas populações indígenas, o empenho por uma reforma agrária, atuando de acordo com as leis vigentes, a preservação do meio ambiente, entre outras razões, justificam iniciativas sempre corajosas visando o enobrecimento da causa democrática" no Brasil.
Instado a pronunciar-se sobre o documento dos intelectuais italianos Cardoso disse que a sua divulgação foi "só para fazer onda na imprensa" e que considerava "lamentável" que eles "assinem coisas das quais não sabem nada".
Ao rebater o destaque dado na Itália à questão da terra no Brasil o Presidente brasileiro lembrou o que para ele é um ponto-de-honra: o seu Governo distribuiu lotes a 100 mil famílias em dois anos, o que corresponde a cerca de dois terços do número de famílias beneficiadas no decênio 1985-95 pelos três Governos anteriores.
Lembrou ainda que o seu Governo criou recentemente novas regras de desapropriação de terras improdutivas e uma nova lei tributária para acelerar o processo de reforma agrária.
Ele disse também que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra abraça "uma utopia regressiva" e está "sonhando" se "imagina que irá substituir o Estado" para resolver a questão agrária brasileira, que segundo ele "é real" e o "preocupa, como deve preocupar aos brasileiros".
Além do discurso teórico Henrique Cardoso tem travado também uma guerra de números com o MST.
Dados daquele movimento revelam que entre 1994 e 1996 - os dois primeiros anos de vigência do governo - o número de invasões de terras pulou de 52 para 176 e que o de famílias nelas envolvidas subiu de quase 17 mil para mais de 45 mil.
O Governo afirma ter doado títulos de propriedade de terras a 60 mil famílias em 1996.
O MST argumenta que apenas 25 mil famílias foram assentadas nesse período e que a estatística oficial inclui famílias a que ainda não foi dada a posse definitiva das terras ou que já se encontravam assentadas provisoriamente no campo nos Governos anteriores.
O MST estima que existem cerca de 4,8 milhões de famílias de trabalhadores rurais sem-terra no Brasil, cifra que o Governo pretende também contestar com a próxima divulgação do resultado de um recenseamento fundiário realizado pelo Ministério Extraordinário da Reforma Agrária em 1996.

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Brasil: marcha dos "sem-terra" chega quinta-feira a Brasília

Rio de Janeiro, 15 abril - A Marcha pela Reforma Agrária, pelo Emprego e pela Justiça nos campos do Brasil organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) chegará a Brasília na próxima quinta-feira.
Iniciada há dois meses, a marcha de mais de mil camponeses ligados ao MST culminará com uma grande manifestação na Esplanada dos Ministérios, na capital brasileira, por uma melhor distribuição de terras, contra a política econômica do governo e o assassinato de trabalhadores rurais por polícias e fazendeiros.
Prevê-se que cerca de 50 mil pessoas participem na manifestação, que marcará a passagem do primeiro ano da morte de 19 camponeses por soldados da Polícia Militar no Estado do Pará na que ficou conhecida como a chacina de Eldorado dos Carajás.
A data será também assinalada por atos públicos nos cerca de 500 acampamentos mantidos pelo MST em propriedades ocupadas na maior parte dos Estados brasileiros e por uma exposição em 400 cidades brasileiras e estrangeiras de fotografias de Sebastião Salgado incluídas no livro "Terra", que está sendo lançado esta semana no Brasil e  em outros sete países com prefácio do escritor português José Saramago.
Em virtude da manifestação o Governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, do Partido dos Trabalhadores (PT), da oposição, ordenou o destacamento de um contingente de 1900 soldados da Polícia Militar e agentes da Polícia Civil e de 800 bombeiros para policiar a Esplanada dos Ministérios.
O governador não concordou com as recomendações do governo federal às autoridades policiais de que os militantes do MST fossem impedidos de ostentar foices e enxadas para impedir eventuais confrontos sangrentos com a polícia.
Cerca de 1200 camponeses de 11 dos 26 Estados brasileiros, empunhando foices, enxadas e bandeiras do MST, iniciaram a marcha a 17 de fevereiro divididos em três colunas que partiram dos Estados de Rondônia, Minas Gerais e São Paulo, uma delas estando a pouco mais de um dia da conclusão de um percurso de mais de 1200 quilômetros.
A repercussão da marcha, no Brasil como no estrangeiro, fez com que o governo Fernando Henrique Cardoso desistisse da sua atitude de não negociar com os líderes do MST, que segundo ele "abraçam uma utopia regressiva" e "sonham se imaginam que irão substituir o Estado" na tentativa de resolver a grave questão agrária brasileira.
Um dos mais destacados líderes do movimento dos sem-terra, José Rainha, que coordena as ações de invasão e assentamentos de sem-terras na região do Pontal do Paranapanema (noroeste do Estado de São Paulo), estava foragido da polícia quando começou a marcha sobre Brasília.
Rainha era alvo de dois mandados de prisão preventiva - um deles em função de um processo em que é acusado da morte de um fazendeiro e de um policial no Espírito Santo, em 1989 - e que foram suspensos nos últimos 15 dias.
Após negociações entre seus representantes e líderes do MST iniciadas há duas semanas - quando a "coluna" mais avançada dos sem-terra encontrava-se a 300 quilômetros de Brasília - Cardoso aceitou receber sexta-feira uma delegação do movimento, sob a condição de que ela não inclua na sua lista de reivindicações a exigência de que o Ministro Extraordinário da Reforma Agrária, Raul Jungmann, seja demitido.
O Ministro continua a travar uma "guerra de números" com o MST e as entidades que o apóiam, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que divulgou segunda-feira um documento em que cita dados do movimento segundo os quais estão em curso no país 502 ocupações de terras "improdutivas" (não utilizadas para o cultivo) levadas a cabo por 93,6 mil famílias.
Jungmann afirma que o número de ocupações é muito inferior, não ultrapassando a casa de uma centena e meia
Contra a argumentação do MST de que o atual presidente pouco ou nada tem feito para melhorar as condições dos trabalhadores do campo e implementar a reforma agrária no país o governo afirma que em dois anos distribuiu terras a 100 mil famílias, o que equivaleria a dois terços do número de famílias beneficiadas no decênio 1985-95 pelos três Governos anteriores.
Afirma também ter dado em dezembro um passo importante no sentido da realização da reforma agrária ao instituir um conjunto de regras visando a aceleração dos processos de desapropriação de terras não-produtivas e uma nova lei tributária que deverá penalizar os grandes senhores de terras que não exploram as suas propriedades.
O MST contra-argumenta afirmando que o descaso de Henrique Cardoso em relação aos trabalhadores agrícolas do seu país reflete-se no aumento do número de invasões de terras verificado desde a sua posse, que segundo aquele movimento subiu de 52 para 176 e envolve mais de 45 mil famílias.
Segundo o MST 4,8 milhões de famílias de camponeses não têm terra para cultivar no Brasil.

nnnntérios.


Brasil: Saramago no centro dos debates da semana dos sem-terra

Rio de Janeiro, 16 abril - José Saramago encontra-se no centro dos debates em torno da questão da reforma agrária no Brasil, cuja discussão aumenta com a aproximação de Brasília da marcha de 1500 trabalhadores rurais sem-terra.
A Marcha pela Reforma Agrária, pelo Emprego e pela Justiça no campos brasileiros teve início há dois meses, quando três colunas que partiram a pé das regiões Noroeste, Sul e Sudeste rumo à capital brasileira.
A sua chegada marca a passagem de um ano sobre a chacina de Eldorado dos Carajás, ocorrida a 17 de Abril de 1996, quando 19 camponeses do Estado do Pará foram mortos no decorrer de um confronto de sem-terra com uma tropa de 150 soldados da Polícia Militar.
Saramago assina o prefácio ao livro "Terra", do fotógrafo  Sebastião Salgado, lançado segunda e terça-feira, em São Paulo e no Rio de Janeiro pela editora Companhia de Letras numa edição que contém um CD com quatro canções de Chico Buarque, duas delas inéditas.
As sessões de lançamento do livro, coincidindo com a chegada da marcha dos sem-terra à capital brasileira, foi marcada por depoimentos de Salgado, Saramago e Buarque sobre a questão agrária no Brasil em dois cinemas para um público de mil pessoas em cada uma das cidades.
Sebastião Salgado doou parte dos seus direitos sobre a venda de "Terra" - lançado simultaneamente em oito países - ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), através da cedência de 900 coleções de cartazes com as 50 fotos do livro.
As fotos foram feitas em reportagens de Salgado sobre comunidades de camponeses recém-assentados em terras desapropriadas pelo governo ou ocupadas, acampamentos de beira de estrada de trabalhadores rurais que esperam receber ou ocupar terras e a chacina de Eldorado dos Carajás.
Além das duas sessões públicas, cujos convites gratuitos se esgotaram num dia de distribuição, Salgado, Saramago e Buarque participaram também em toda a edição da noite de segunda-feira do "Jô Soares Onze e Meia", uns dos programas televisivos com maior índice de audiência no Brasil.
Saramago, que semana passada participou no colóquio sobre a sua obra, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, tem rebatido os seus pontos de vista sobre a questão da terra no Brasil, expressos no prefácio do livro e em entrevistas concedidas a jornais brasileiros antes da sua chegada ao Brasil.
O autor de "Ensaio sobre a Cegueira" referiu-se, falou sobre os que o condenam por "meter o bedelho" numa questão política brasileira.
"Dizem que como cidadão português não deveria opinar sobre esta questão mas penso que tenho o mesmo direito de falar sobre os problemas do Brasil que os brasileiros têm de falar dos de Portugal", afirmou.
Segundo ele, como no Brasil, também em Portugal não se fez uma reforma agrária, em grande parte por culpa dos "partidos socialistas".
"Já que se fala tanto em globalização, por quê não globalizar também a discussão de problemas que também dizem respeito a todo o mundo? - argumentou.
Uma das perguntas que lhe foram feitas reportou-se à sua afirmação, no prefácio de "Terra", de que o Brasil possui 60 milhões de hectares de terras aráveis, a maior parte das quais não-cultivadas, número contestado pelos que  alegam que uma parcela considerável delas não são próprias para a agricultura.
"Seja como for, não acredito que um país com dimensões continentais não tenha condições de dar o que comer à sua população, e que não haja terras suficientes para as cerca de 25 milhões de pessoas que dependem dela para sobreviver."
Para o escritor é necessária uma maior mobilização da sociedade brasileira para o problema da terra, que não diz apenas respeito aos camponeses.
Os brasileiros não devem "ficar só à espera das ações dos políticos porque eles não irão fazer nada", disse.
O conformismo e a resignação no mundo moderno foram os temas das conferências de cerca de meia-hora proferidas por Saramago nas sessões de lançamento de "Terra" nos Espaços Unibanco de Cinema do Rio de Janeiro e São Paulo.
"Vivemos como se não contássemos, como se não tivéssemos importância nenhuma. O que acontece agora no Brasil é que uns poucos homens, que sofrem, começaram a perguntar por quê. No momento em que não encontram respostas satisfatórias, o seu passo seguinte é dizer não" - declarou.
A marcha dos sem-terra, que acampam quinta-feira na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, terminará com um showmício com a participação do estado-maior do MST e mais de uma dezena de artistas nacionais.
Congregando um terço dos 4,8 milhões de famílias de agricultores sem-terra que diz haver no Brasil, o MST é considerado o único movimento articulado de oposição à política social e econômica do atual Governo de Brasília.
Quinze líderes do movimento - entre os quais José Pedro Stédile, tido como o seu ideólogo,  e José Rainha, articulador das ações de ocupação de terras no Pontal do Paranapanema, a sudoeste de São Paulo - serão recebidos sexta-feira pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que pede ao MST que faça uma "trégua" nas campanhas de ocupação de terras.
O Presidente promete rever a cota de doação de terras "para fins de reforma agrária" caso os líderes do MST cessem de exigir a demissão do ministro Extraordinário da Reforma Agrária e da Política Fundiária, Raul Jungmann, que para eles é um "incompetente".
Ao assumir o governo Cardoso prometeu distribuir terras para 280 mil famílias até 1998. O MST quer que Cardoso assente 200 mil famílias por ano.

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Brasil: chegada dos sem-terra transforma-se em grande manifestação contra o governo

Rio de Janeiro, 17 abril - A chegada a Brasília da Marcha pela Reforma Agrária, o Emprego e a Justiça, após dois meses de caminhada, transformou-se numa grande manifestação nacional de diversas categorias contra a política social e econômica do governo brasileiro.
Ao meio-dia, quando os cerca de três mil camponeses chegaram ao Plano Piloto de Brasília, oito mil manifestantes, entre os quais representantes de muitas outras categorias laborais, já se agrupavam no gramado da Esplanada dos Ministérios em frente do Congresso Nacional, onde os sem-terra deverão acampar até sexta-feira.
A chegada da marcha paralisou a capital brasileira, onde transportes não funcionam e as escolas públicas não abriram hoje, em consequência de uma greve decretada pelos sindicatos dos rodoviários e dos professores em solidariedade com os camponeses.
Entre as muitas adesões de órgãos da sociedade civil anunciadas no trecho final da marcha está a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, que enviou representantes para entregar aos dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) um documento com uma moção de apoio à sua luta.
Deputados e senadores, em representação da maioria dos partidos representados no Congresso Nacional, postaram-se diante do edifício para recepcionar os militantes do MST, que com o final da marcha assinalam a passagem de um ano sobre a chacina de 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás, no Estado do Pará.
Trabalhadores de vários Estados chegaram hoje a Brasília em centenas de ônibus a fim de se juntar à manifestação pela reforma agrária e contra a política econômica e social do Governo que terá lugar após a chegada dos trabalhadores rurais sem-terra à Praça dos Três Poderes, no final da Esplanada dos Ministérios.
Com a chegada da coluna haverá um culto ecumênico, discursos políticos e um espetáculo musical.
As três colunas de manifestantes do MST que partiram há dois meses de São Paulo, Minas Gerais e Rondônia encontraram-se a cinco quilômetros do eixo central de Brasília, onde acamparam ao início da tarde para almoçar no Terminal Rodoviário da cidade.
A marcha, em que se destacam as bandeiras vermelhas do MST e as verde-e-amarelas do Brasil, além de foices e enxadas, transformou-se no maior movimento de protesto contra a política social e econômica do atual governo brasileiro.
Cerca de dois mil soldados e agentes das Polícias Militar e Civil, além de soldados do Exército, reforçaram a segurança na Esplanada dos Ministérios, onde se encontram todas as sedes dos poderes públicos do Brasil.
A Rede Globo de Televisão previu, no seu noticiário da tarde, que ela será uma das maiores manifestações realizadas em Brasília nos últimos anos, com pelo menos 40 mil pessoas.
O órgãos de informação brasileiros destacam nos noticiários de hoje que um ano após o massacre de Eldorado dos Carajás ainda não há previsão de quando os Polícias Militares acusados da morte de 19 camponeses serão julgados.
À frente da coluna proveniente de Rondônia (noroeste do Brasil) encontravam-se alguns sobreviventes da chacina.
Apesar da proximidade dos manifestantes, o ambiente no Palácio do Planalto, sede do governo, é tranquilo, segundo relatos dos repórteres ali presentes, com Fernando Henrique Cardoso a ultimar a preparação das medidas a anunciar e propostas a fazer ao MST no seu encontro de sexta-feira com líderes do movimento.
Cardoso pretende insistir na necessidade de diálogo e de que o MST ponha fim à invasão de terras. Em troca, promete medidas concretas para acelerar o processo de doação de terras.
Um processo que para o MST tem andado em passo de tartaruga ou de caranguejo.
Líderes daquele movimento afirmam que às quase cinco milhões de famílias de camponeses que vagam pelo país em busca de terra juntaram-se 800 mil trabalhadores rurais que ficaram sem emprego nos últimos anos.

nnnn

Brasil: Presidente reage a pressão dos sem-terra atribuindo verbas para a reforma agrária

Rio de Janeiro, 18 abril - O presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, anunciará hoje em audiência com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Brasília, um conjunto de medidas com que pretende responder aos que o acusam de não fazer nada em prol da reforma agrária.
O Palácio do Planalto, sede do Governo de Brasília, preparou para a reunião um documento de cerca de 40 páginas em que faz um balanço da sua política de distribuição de terras e anuncia a atribuição de um fundo equivalente a 400 milhões de dólares destinado ao incentivo à produção e à melhoria da assistência nos "assentamentos" de camponeses.
O Presidente deverá também anunciar a abertura de linhas de crédito de incentivo à produção nas terras ocupadas por camponeses, uma outra ação determinada - como admitem os próprios auxiliares de Henrique Cardoso - pela grande repercussão interna e internacional da Marcha pela Reforma Agrária, o Emprego e a Justiça nos campos brasileiros, que terminou quinta-feira, em Brasília, com uma manifestação de cerca de 30 mil pessoas.
Pressionado pelo MST e por outras entidades, nas últimas 24 horas Henrique Cardoso deu uma série de entrevistas para reafirmar que o seu Governo tem feito um esforço muito maior que os dos presidentes anteriores para diminuir a injustiça social nos campos, tendo feito subir de 12 mil para 40 mil a média anual de assentamentos de camponeses em fazendas desapropriadas.
Propôs ainda a reabertura do diálogo com os líderes do movimento, que em fevereiro disse estarem presos a uma "utopia regressiva".
O Presidente só se mostra inflexível em relação à exigência do MST de que o ministro Extraordinário da Reforma Agrária e Política Fundiária, Raul Jungmann, seja demitido.
Os dirigentes do MST pretendem explorar sua força para obter do governo a garantia de que até o final de 1998 irá distribuir terras a 400 mil famílias, conforme informou hoje em Brasília o economista José Pedro Stédile, fundador e "ideólogo" do movimento.
Cardoso diz não ter condições de assumir um compromisso do gênero, prometendo apenas uma reforma agrária "sem ilusões".
Além de líderes do MST, como Stédile e José Rainha, articulador das atividades do movimento na região do Pontal do Paranapanema, a sudoeste de São Paulo, o presidente deverá receber nove camponeses que participaram na Marcha dos Sem-Terra e dirigentes de entidades que a elas se associaram na manifestação de quinta-feira, como a Ordem de Advogados do Brasil (OAB), a Central Única de Trabalhadores (CUT), a Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A chegada da "grande marcha" dos sem-terra e o encontro de Cardoso com os seus representantes coincidem com a primeira ação de vulto do MST no Rio de Janeiro, onde mais de 600 famílias de agricultores tentam obter a suspensão de uma ordem judicial de despejo de uma fazenda por elas ocupada há uma semana, na região de Campos, no norte do Estado.
Após a audiência presidencial os cerca de três mil agricultores que participaram na marcha dos sem-terra deverão fazer hoje uma nova manifestação em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília.
Metade deles, segundo os dirigentes do MST, deverão permanecer na capital até 1º de Maio com o objetivo de acompanhar de perto as ações do governo no setor da reforma agrária.

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Brasil: líder dos sem-terra condenado a 26 anos e meio de prisão

Rio de Janeiro, 11 junho - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), do Brasil, José Rainha Júnior, foi condenado hoje por um tribunal popular do Estado do Espírito Santo à pena de 26 anos e meio de prisão pela morte de um fazendeiro e de um soldado da Polícia Militar, em 1989.
A sentença, por 5 votos a favor e 2 contra, foi dada por um júri popular de sete pessoas no início da manhã de hoje, após 17 horas de julgamento.
A defesa de Rainha Júnior entrou com um pedido de recurso à sentença.
O pedido de recurso baseia-se no fato de nenhuma testemunha de acusação ter sido ouvida pelo júri.
A única testemunha que diz ter visto o líder do MST no local em que o fazendeiro e o PM foram mortos, durante a ocupação de uma fazenda em Floresta do Sul, no Espírito Santo (Região Sudeste do Brasil), descreveu-o como sendo gordo e de cabelos castanhos.
Rainha é magro e tem os cabelos pretos, o que vai ao encontro da tese da defesa de que não há nenhuma prova consistente da sua presença na fazenda durante o incidente.
Segundo a defesa, Rainha estava no Estado do Ceará, no nordeste do Brasil.
Antes do julgamento os advogados do MST puseram em dúvida a imparcialidade do júri da pequena cidade de Pedro Canário, localizada numa região que segundo eles é dominada por capangas de proprietários de terras.
O líder dos sem-terra aguardará o novo julgamento em liberdade.
Rainha Júnior destacou-se como líder das ocupações promovidas pelo MST na região do Pontal do Paranapanema, a noroeste do Estado de São Paulo - um dos principais focos de conflitos no campo, no Brasil.

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Brasil: Saramago une-se aos protestos pela condenação de líder dos sem-terra

Rio de Janeiro, 13 Jun (Lusa) - Os órgãos de informação brasileiros ecoam hoje dos protestos de organismos civis e do escritor José Saramago contra a condenação de José Rainha Jr., líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a 26 anos e meio de prisão.
Rainha foi condenado quarta-feira pelo Tribunal do Júri da cidade de Pedro Canário, no Estado do Espírito Santo, por participação na morte de um fazendeiro e de um soldado da Polícia Militar durante a ocupação de uma fazenda no mesmo Estado em 1989.
A defesa do líder do MST apresentou no julgamento testemunhas segundo as quais, no dia do incidente, ele encontrava-se no Estado do Ceará, no Nordeste, a cerca de 2500 quilômetros do Espírito Santo, localizado na região Sudeste do Brasil.
Rainha Júnior é atualmente o coordenador das ações do MST na região de Pontal do Paranapanema, no interior de São Paulo.
O "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro, pôs em destaque na sua edição de hoje o declarações de José Saramago contra a condenação do líder do MST.
"Senti-me diante do absurdo, chocado com um caso tipicamente kafkiano", declarou o escritor português de Lanzarote, nas ilhas Canárias, onde reside, segundo a correspondente do JB em Lisboa.
"Como podem condenar um homem sem provas ou, pior, que provou não ter participado de crime algum?" - interrogou-se Saramago.
Segundo ele a condenação de Rainha "é motivo para nos perguntarmos se, mais uma vez, a Justiça não se pôs ao lado do poder, cobrindo interesses dos latifundiários e castigando a própria inocência".
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), principal órgão da igreja católica brasileira, divulgou quinta-feira uma nota de igual teor.
Segundo a comissão o julgamento foi "político" e teve por objetivo "condenar" e "criminalizar" o Movimento dos Sem-Terra.
Referindo-se ao corpo de sete jurados populares a CPT alega que, mesmo tendo sido dele afastados parentes das vítimas, "sabe-se que a maior parte dos seus membros está comprometida com os latifundiários".
Para a comissão da conferência episcopal o julgamento de Rainha Jr. foi mais uma demonstração de que a Justiça brasileira - segundo ela, "nada cega" - usa "dois pesos e duas medidas": "não julga os fazendeiros e condena os trabalhadores rurais".
A nota lembra que nos últimos 12 anos foram assassinados 976 trabalhadores rurais e que somente 58 dos casos foram a julgamento.
A condenação do líder do MST foi também criticada em nota difundida terça-feira pelo escritório da organização Anistia Internacional em São Paulo, que considera que o julgamento teve o objetivo de "intimidar os membros do movimento rural".
Por ter sido condenado a mais de 20 anos de prisão José Rainha Jr. tem direito a novo julgamento, que já foi marcado para 12 de Setembro. Rainha aguardará o segundo julgamento em liberdade por ser réu primário.
O MST está a organizar uma manifestação de trabalhadores rurais na cidade de Pedro Canário no dia do julgamento.
Os dirigentes do movimento prometem fazer deslocar 50 mil trabalhadores rurais para aquela cidade, que tem apenas 25 mil habitantes.
O Presidente Fernando Henrique Cardoso assinou quarta-feira um decreto que proíbe a vistoria pelas autoridades de terras invadidas por sem-terras antes de elas serem desocupadas e que reduz em 50 por cento os juros compensatórios pagos aos donos das propriedades desapropriadas pelo governo.

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SEM TETO
Brasil: clima de tensão após a morte de três ocupantes de conjunto habitacional em São Paulo

Rio de Janeiro, 20 Maio - O clima ainda é tenso no bairro de Sapopemba, em São Paulo, onde na manhã de hoje três pessoas morreram no decorrer de um confronto com tropas da Polícia Militar que tentavam evacuar um conjunto habitacional em fase de acabamento ocupado há duas semanas.
Uma centena e meia de soldados, entre os quais integrantes do batalhão de choque da PM, estão perfilados a cerca de 100 metros do conjunto habitacional, aguardando nova ordem para tentar a desocupação.
Representantes das cerca de 400 famílias de ocupantes mantêm-se sentados em frente aos prédios, aparentemente dispostos a resistir a uma nova tentativa de despejo.
Integrado por soldados a pé e a cavalo, o contingente policial reagiu à bala aos ataques de paus e pedras com que os ocupantes tentaram evitar a execução de uma ordem de despejo decretada por um juiz da III Vara Cível da Justiça paulista.
Um dos ocupantes mortos, que tinha 25 anos, foi atingido por um tiro na cabeça.
Após o ataque os soldados da PM voltaram  para o seu aquartelamento para deixar as espingardas utilizadas no ataque aos populares e regressaram ao local armados apenas de cassetetes.
Os efetivos da tropa de choque da PM tiraram a sua identificação das camisas das fardas, numa atitude análoga à da tropa que há cerca de um ano foi responsável pela chacina de 19 agricultores sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Estado do Pará.
Após o confronto membros da Câmara de Deputados e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Movimento dos Sem-Teto do Estado de São Paulo interpuseram-se entre a polícia e os ocupantes do conjunto habitacional na tentativa de evitar novo confronto sangrento.
Posteriormente assumiram a condução de conversações com representantes da Justiça e da Polícia para negociar a melhor forma de execução de uma ordem de busca e apreensão de armas no conjunto habitacional decretada pelo mesmo juiz responsável pela ordem de despejo e devolução do condomínio à sua construtora.
Um comentarista de uma emissora de rádio lembrou as recentes denúncias de atrocidades cometidas por soldados da PM em todo o país e afirmou que a ação violenta de Sapopemba é mais uma prova da falta de incapacidade da Polícia Militar brasileira de lidar com a população de forma civilizada.

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REFORMA AGRÁRIA JÁ FOI FEITA PELO AGROBUSINESS - 2008

EMPREGO CAMPO-CIDADE E LATIFÚNDIO IMPRODUTIVO
Hélio Jaguaribe - 1989/90
é impossível resolver o problema do emprego do Brasil se não detivermos o fluxo migratório do campo para a cidade.
[um caminho para isso poderia ser ocupar] grandes áreas do interior do Brasil Central onde há latifúndio improdutivo em massa, desapropriar essas áreas e convertê-las em áreas de reforma agrária deslocando para elas 2 milhões e pouco de famílias. (...) A relação homem e terra no Brasil é miserável. Existem homens sem terra e terra sem homens.

PASTORAL DA TERRA
da CNBB fundada em 1981

Jornal do Brasil B 10 de abril 1991
Comissão Pastoral da Terra denuncia 643 mortes em cinco anos
Pará e Bahia são os estados campeões de morte de trabalhadores rurais devido a conflitos de terra.
A cidade de Rio Maria - a 800 km de Belém, onde o sucessor de Expedito, Carlos Cabral, sofreu um atentado em 5 de março -, transformou-se na capital dos crimes contra os sem-terra.
Em 1989 morreram no Pará 12 colonos. No ano seguinte esse número cresceu para 20 mortes (...). Os sindicalistas são os principais alvos dos pistoleiros. Segundo o livro Relatório de Conflitos da CPT dos 643 assassinatos registrados no Pará desde 1964, 45 foram de dirigentes sindicais.
(...) Segundo a CPT a luta de sem-terras e fazendeiros está mais violenta no Sul do Estado. Além de Rio Maria, os municípios de Conceição do Araguaia e Santana do Araguaia vivem em tensão permanente por causa da questão agrária. O sul da Bahia, onde sobressai o cultivo do cacau nas regiões de Ilhéus, Itabuna e Porto Seguro, é outro grande foco de conflito. Existem disputas acirradas também no Maranhão (médio e alto Mearim, Pindaré e Bacabau) e no Mato Grosso (Arapuanã e São Félix do Araguaia).

CONTRA A DEMAGOGIA AGRÁRIA FRANCISCO GRAZIANO O Estado de São Paulo 9 de maio 1997
PRESIDENTE DO INCRA NO GOVERNO FHC
Há 184 milhões de hectares improdutivos no país. (...) 34 por cento pertencem a pequenas e médias propriedades. Outros 110 milhões de hectares encontram-se na Amazônia, enquanto mais 25 milhões se localizam no Nordeste, basicamente no sertão árido. Feitos os descontos, sobram 25 milhões de hectares ociosos.
(...) A estrutura agrária do Brasil é muito injusta, pois apenas 2 por cento dos proprietários rurais detêm 56 por cento das terras do país.
Comentário: é verdade que a propriedade rural no país é uma das mais concentradas do mundo. (...) as estatísticas são péssimas. (...) equívoco considerar esses imóveis rurais como "latifúndios". Eles são florestas virgens ou terras de má qualidade e localização. Não são verdadeiras áreas agrícolas. (...)
Existem quatro milhões de sem-terra no País (...)
trata-se de um número político, para não dizer mágico. (...) total de trabalhadores rurais que se assalariaram (...) é de 5 milhões (...). (...) incluindo bóias-frias, tratoristas, vaqueiros, administradores, operários qualificados e diaristas. (...)
Daí (...) a querer torná-los todos proprietários rurais por meio de assentamentos (...). Se isso acontecesse, deixaria de haver assalariamento no campo, o que é uma idéia medieval. (...)
Estima-se que existam perto de 4 milhões de agricultores familiares que trabalham diretamente na roça, juntamente com os filhos e agregados. Somam mais de 17 milhões de pessoas, segundo o IBGE.
(...) desemprego causado na agricultura nos dois últimos anos atinge 800 mil trabalhadores.
(...) Sabe-se que muitos postos de trabalho foram perdidos com a crise que afetou a rentabilidade da agricultura após o Plano Real, incluindo a desastrosa queda da cotonicultura.
(...) custos da reforma agrária brasileira são excessivamente elevados, acima da média indicada pela FAO - US$ 12 mil/família.
Terra ociosa com pastagem é terra improdutiva, ociosa, que precisa ser desapropriada e transformada em culturas.
(...) raciocínio preconceituoso. A grande vantagem natural dos países tropicais é a maior capacidade que as plantas têm de armazenar energia solar, pela fotossíntese. No caso das pastagens, essa energia armazenada se transforma em proteínas pela digestão que somente os ruminantes, como o gado, conseguem fazer.
Na Europa e nos EUA os invernos rigorosos exigem que o gado seja criado confinado, comendo ração concentrada. Lá a tecnologia foi tão artificializada que muitos animais não vêm sequer a luz do sol, tampouco pastejam. As criações viraram uma "fábrica" de carne. A natureza reagiu e o resultado foi a doença da "vaca louca".
A criação de pasto (...) representa o maior marketing da carne brasileira, num mundo onde os consumidores querem qualidade e produtos ecologicamente corretos. (...)
Quem produz alimentos básicos é a pequena propriedade, pois as grandes propriedades produzem para exportação.
Comentário: (...) após a intensa modernização tecnológica (...)
A agricultura familiar é ainda muito importante na economia rural. (...) fundamentalmente (pelo) emprego que gera. Quem alimenta as massas urbanas hoje é a agricultura empresarial. (...)
(...) No caso do feijão e do leite a importância da pequena propriedade é maior. (...) A agricultura de subsistência está dando lugar aos produtores profissionais. (...)
(...) transformar a terra em passaporte para a felicidade é pregar ilusão.

ELDORADO DOS CARAJÁS, PARÁ, 17 DE ABRIL DE 1996: 19 SEM-TERRA MORTOS E 23 FERIDOS EM CONFRONTO COM TROPA DE 155 POLICIAIS MILITARES dos batalhões de Marabá e Paraopebas

O GLOBO 16 DE FEVEREIRO DE 1997
PROCESSO CONTRA PMs DA CHACINA ESTÁ PARADO
presidente Fernando Henrique Cardoso três dias depois: "Isso não é coisa de país decente. Ou se pune os responsáveis, levando-os à cadeia, e já, ou ninguém vai acreditar neste país."

O GLOBO 17 DE ABRIL DE 1997
Um ano depois, O Globo do Rio de Janeiro: Os policiais militares escolheram uma estratégia simples para enfrentar o júri (do julgamento da chacina): vão negar que atiraram nos sem-terra. Vão dizer que atiraram para cima, para assustar. A maior dificuldade da Justiça até agora foi criar um elo entre os policiais e suas armas. As cautelas (registros com o número da arma e do policial que a utiliza) teriam sido destruídas para dificultar a identificação. O cenário do crime foi violado pelos próprios PMs.

Gazeta Mercantil 20 de março 1997
o país de estrutura fundiária mais desigual do mundo de acordo com o Banco Mundial
"perdemos apenas para o Paraguai em concentração fundiária"

17 de fevereiro de 1997 O GLOBO
O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu que a reforma agrária passará a ser encarada como absoluta prioridade (...) como política de Governo depois das críticas que recebeu de intelectuais italianos e do pedido especial do Papa João Paulo II pela aceleração da reforma agrária no Brasil. (...) os conflitos sangrentos pela posse da terra, principalmente as chacinas de Corumbiara e Eldorado de Carajás, tornaram esse problema o calcanhar-de-aquiles da política externa brasileira.

código de ética do banditismo social manda tirar aos ricos para dar aos pobres

Jornal do Brasil 01 de junho 1997
JOÃO PEDRO STÉDILE, líder do MST
Se a miséria nas cidades continuar aumentando o que nós teremos realmente é uma Bósnia. Em São Paulo há oito mil homicídios por ano nos bairros periféricos. Isso é uma guerra.
A nossa reforma agrária não é a reforma agrária do Jeca Tatu, aquela de dividir o latifúndio, estão aqui seus dez hectares e se vira.
(...)
Também defendemos um outro modelo de tecnologia, pois o que está hoje em vigor se aplica às grandes extensões de terra. Pode funcionar em São Paulo mas não funciona no Maranhão ou no Rio Grande do Sul. Na nossa opinião o governo quer transformar a agricultura brasileira numa grande São Paulo, e isso é inviável.
(...)
Nesses 15 anos de existência do MST foram assassinados 1653 trabalhadores rurais. Com exceção do massacre de Carajás, desses assassinados apenas 11 pertenciam ao MST. Nosso método, embora assuste às vezes, é preventivo da violência, pois joga com muita gente, o que garante a defesa contra a violência do opressor.

Jornal do Brasil 6 de março 1989
REFORMA AGRÁRIA NÃO CHEGA A SÃO PAULO
a questão fundiária em São Paulo é diferente do que ocorre na maior parte do país - o clima de violência. Não existe um clima de conflagração no interior do estado.
Vale do Ribeira e Pontal do Paranapanema
Nessas áreas existem casos de propriedades improdutivas com cinco ou seis donos brigando judicialmente pela posse, todos com os devidos registros imobiliários. Coisas que os cartórios não explicam, o governo não consegue resolver e o movimento de famílias sem terra pretende aproveitar.
Ninguém jamais pagou por essas terras. Isso tudo são produtos de roubos que devem ser entregues para uso social.

Folha de São Paulo 23 de abril de 1996
O sul do Pará, uma das regiões mais conflagradas do país, é um mosaico de grandes latifúndios e terras cuja posse sofre contestações.
O fim dos castanhais, do garimpo de Serra Pelada e o surgimento de grandes fazendas gerou aumento do desemprego na região.
O sul do Pará registrou de 1980 a 1995 cerca de 200 crimes por conflitos fundiários, mas até hoje só houve julgamento de dois casos. Os dois ex-PMs e um fazendeiro estão foragidos.
Comitê Rio Maria
O Comitê é uma entidade de direitos humanos que foi criada no município do mesmo nome, a 700 km ao sul de Belém, em fevereiro de 1991, após o assassinato do sindicalista Expedito Ribeiro de Souza.

O Estado de São Paulo 14 de abril de 1996
só nos Estados do Norte as indenizações superavaliadas chegam a cerca de R$ 2 bilhões. No Paraná a estimativa é a de que atinja R$ 1 milhão e em Goiás, apenas num caso, a superavaliação é de 400% sobre o valor de mercado do imóvel.
[quadrilhas com a] participação de funcionários do Incra e da própria Seção Judiciária Federal, perpetravam condutas cujo fito era assalto aos cofre públicos mediante falsos laudos de avaliação, bem como pleiteando astronômicas quantias de indenização.

O Estado de São Paulo 28 de novembro 1995
É preciso criar condições de trabalho nos assentamentos com a criação de agroindústrias - um assentado há onze anos, três anos na direção do MST
(...) Depois de conseguir colocar a reforma agrária na agenda nacional o movimento se prepara para estruturar uma rede de cooperativas de base que devem atuar na produção dos cerca de 900 assentamentos existentes no país.

VEJA 08 DE DEZEMBRO DE 1995
Há 20 000 famílias acampadas em beira da estrada no país

IstoÉ 04 de outubro de 1995
FHC relembrou os tempos de palanque e afirmou:
"Não é possível tanta terra nas mãos de tão poucos enquanto muitos agricultores não têm um palmo para plantar" - um dia antes de nomear Francisco Graziano, seu secretário, presidente do Incra.
Pontal do Paranapanema na região de Presidente Prudente
"É impossível falar em distribuir a terra enquanto o Incra tiver um orçamento ridículo de R$ 100 milhões" - um dirigente sindical

ISTOÉ 15 DE NOVEMBRO DE 1995 - ROBERTO RODRIGUES, PRESIDENTE DA SOCIEDADE RURAL BRASILEIRA
--- dívida dos agricultores, que monta a US$ 7 bilhões ---
É na agricultura que nós somos diferentes, pela simples razão de que é o único país tropical do mundo abaixo do Equador que conseguiu desenvolver uma tecnologia fantástica.
o grande mérito do agricultor brasileiro é ter desenvolvido uma tecnologia que, contra todas as condições adversas, permitiu ao país ser competitivo na agricultura.
os 24 países mais ricos gastam por ano mais de US$ 200 bilhões em subsídios diretos e indiretos aos seus produtores.
Nós tivemos este ano mais de 50 mil agricultores expulsos da atividade por incapacidade de pagar o que deviam. O Plano Real foi duríssimo
tivemos um aumento de oito milhões de grãos do ano passado para este, de 74 para 82 milhões de toneladas, enquanto o valor da produção caiu 10 por cento.
25 por cento do volume físico desta produção foi obtido com crédito rural. (...) se transformaram numa dívida impagável porque a correção do crédito foi muito maior do que a de preços.
Hoje 40 por cento da balança comercial brasileira é representada por produtos agrícolas e agroindustriais.
os nove bilhões que perdemos de renda mais a inadimplência levarão os agricultores a plantar 2,3 milhões de hectares a menos do que plantaram em 1994. Como tem mais ou menos O,1 emprego por hectare deve ter 200 mil empregos a menos na agricultura este ano.
E o crédito rural para ele e o preço mínimo para a tecnologia que ele precisa?
Tivemos o primeiro bilhão de habitantes em 1850, dois bilhões em 1930, três bilhões em 1960 e seis bilhões em 2000. Em 40 anos dobrou a população.
Qual o único preço que não subiu no Plano Real? A cesta básica? Quem paga a cesta básica? A agricultura.

IstoÉ 08 de novembro 1995
A REFORMA ALGEMADA
prisão de quatro líderes DOS SEM-TERRA NA REGIÃO (do Pontal de Paranapanema) acusados de formação de quadrilha para invasões ilegais de fazendas

Jornal do Brasil 12 de agosto 1990  MST
a extensão e a radicalização de uma campanha que começou timidamente há 12 anos com a primeira invasão de terra no mesmo Rio Grande do Sul e que hoje progride como bola de neve, tentando desgarrar-se dos seus primeiros patrocinadores, os padres e os partidos de esquerda, com uma sigla própria que já é gritada em coro em assembléias e atos públicos

Jornal do Brasil 17 de janeiro de 1997
A União Democrática Ruralista (UDR) (...) foi criada em 1985 por fazendeiros de Presidente Prudente para lutar contra a reforma agrária. Ronaldo Caiado foi o primeiro presidente e ficou nacionalmente conhecido na campanha eleitoral de 1986 à Assembléia Constituinte

GAZETA MERCANTIL 26-27-28 DE JANEIRO DE 1996
CONFLITO ESQUENTA, TERRA DESPENCA
custo da terra por hectare no Brasil: R$ 2,4 mil  R$ 1,6 mil  R$ 1,24 mil
todas as discussões servem para aproximar o valor das terras à realidade
Na Argentina terra boa à beira do asfalto pode ser comprada por R$ 250 o hectare e no Paraguai a US$ 150

Folha de São Paulo 22 DE MAIO DE 1994
SEM-TERRA PRETENDEM ELEGER 8 DEPUTADOS
Na invasão de Getulina a PM apreendeu uma cartilha "Sobre o método revolucionário de direção" distribuída pelos sem-terra e editada pelos sandinistas nicaraguenses.

Jornal do Brasil 12 de junho de 1994
a incipiente reforma agrária proposta pela então Superintendência da Reforma Agrária (Supra) ao presidente João Goulart: desapropriar 200 metros de terras nas margens das rodovias federais para nelas assentar os camponeses. Uma tática que chegou a ser usada, com os devidos limites, por seu cunhado e então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.
FHC candidato: O Brasil tem um potencial irrigável de mais de 50 milhões de hectares. No entanto menos de 3 milhões são irrigados hoje. No Nordeste, onde a água é vital, pouco mais de 700 mil hectares estão irrigados. Uma terra irrigada multiplica por cinco o número de empregos. Nossa meta é irrigar anualmente 1,5 milhão de hectares, juntando-se irrigação com um programa de reforma agrária factível, complementado com outros programas, como os de irrigação, eletrificação rural, crédito agrícola e assistência técnica.

Folha de São Paulo 16 de março de 1996
O início do cadastramento de desempregados pelo MST em favelas paulistanas em busca de novos sem-terra acabou virando um irônico duelo entre petistas.
Os moradores da favela Heliópolis confundiram o cadastramento do MST com inscrição para o programa Cingapura, programa habitacional do prefeito Paulo Maluf.
O questionário (13 perguntas) foi feito pelo MST, CUT, Central dos Movimentos Populares (CMP), Pastoral da Moradia e Ação da Cidadania.
A maioria das pessoas que se cadastrou, conforme apurou a Folha, disse "não" à possibilidade de voltar ao campo.
"Estou procurando moradia. Não voltaria pro sertão"

Folha de São Paulo 31 de dezembro de 1995
TERRA NÃO SERVE À AGRICULTURA E PRODUTIVIDADE NO PONTAL É BAIXA
Só agora está sendo estimulada a criação de gado de leite.
A produção diária por vaca é de 4 litros (de leite), acima da média nacional de 3,8 litros/dia.

domingo Jornal do Brasil (1996?)
Em Corumbiara (RO), a 800 km de Porto Velho, mais de 100 policiais e jagunços invadiram um acampamento de madrugada dispostos a expulsar os colonos. Um massacre. Oficialmente houve 11 mortos - nove sem-terra e dois PMs - mas sobreviventes contaram mais de 30 corpos. A última vítima foi um vereador e líder rural do PT assassinado em dezembro

O Estado de São Paulo 1º de janeiro de 1996
São Paulo lidera o ranking com 18 invasões, seguido pela Bahia (13), por Pernambuco (11) e por Mato Grosso do Sul (7).
O número de famílias que passou a viver em acampamentos passou de 17 mil em julho para 27 mil em dezembro.
O Movimento comemora o que os líderes classificam de "conquista de espaço na mídia".
dia 16 dois homens mataram a tiros o vereador Manoel Ribeiro, presidente do diretório municipal do PT e líder dos sem-terra de Corumbiara, sul de Rondônia, e no Maranhão pelo menos três pessoas morreram em tiroteio entre pistoleiros e posseiros no assentamento Cinquentinha, do Projeto Colone.
José Pedro Stédile: Descendente de imigrantes italianos do RS, o economista atuou na Comissão Pastoral da Terra (CPT) e trabalha para o movimento desde a sua fundação, em 1985:
1276 latifundiários/usineiros devem R$ 2,3 bilhões ao Banco do Brasil
Em 1991 recebemos o Prêmio Nobel Alternativo no Parlamento Sueco. Este ano recebemos o Prêmio Unicef/Itaú por nosso trabalho de educação nos assentamentos.
Propriedade produtiva é a que tem mais de 80 por cento de sua área utilizável na produção e nesta obtém mais de 100 por cento de eficiência em relação aos parâmetros do Incra.
Antônio de Salvo, presidente da Confederação Nacional de Agricultores
entidade que exerce papel de substituta da UDR:
O ministro da Agricultura foi claramente indicado pela bancada ruralista
chamada Frente Parlamentar da Agricultura
McArthur fez uma reforma agrária radical no Japão para quebrar a estrutura de poder e submetê-lo aos interesses americanos. Talvez por isso esse país seja até hoje um dos maiores importadores de alimentos do mundo. Nosso país tem concentração de terra viciosa pela particularidade de ter um imenso número de minifúndios e um pequeníssimo número de propriedades gigantescas. No meio, a distribuição é muito equilibrada.
 

Darli Alves da Silva, condenado a 18 anos de prisão pelo assassinato de Chico Mendes, e Jerônimo Amorim, condenado pelo assassinato do sindicalista Expedito Ribeiro, ambos foragidos da Justiça.
latifundiários no Brasil somam 233 proprietários, segundo o Incra

Jornal do Brasil 1996 (?)
o Movimento dos Sem Terra já tomou da elite rural do país seis milhões de hectares de terras e forçou o Incra a assentar mais de 130 mil famílias de trabalhadores rurais. (...) este contingente representa uma população de 780 mil pessoas
famílias de pequenos agricultores, expulsos das regiões dominadas antes pelos minifúndios.
Da informatização ao aprendizado de informática, passando pela política, os camponeses ligados ao MST têm acesso a uma formação privilegiada
Escola de Formação de Líderes do MST em Caçador, Santa Catarina, e outras escolas em Sergipe e Espírito Santo
cursos mais variados, como irrigação, contabilidade, administração rural, manutenção de máquinas agrícolas, cooperativismo, política agrícola, prática de produção de hortaliças e aulas de informática que os auxiliam a organizar a produção de agrovilas.

revista d' Folha de São Paulo D I O L I N D A NO PONTAL DA FAMA
foto de Bob Wolfenson
Diolinda Alves de Souza, mulher de José Rainha Jr.

O GLOBO 21 DE DEZEMBRO DE 1995
REFORMA AGRÁRIA: MEDO EM RONDÔNIA
R$ 250 MIL PELA MORTE DE QUATRO LÍDERES DO MST
um grupo de dez pistoleiros encapuzados circulava diariamente em Corumbiara e Colorado do Oeste numa caminhonete D-20, mostrando submetralhadoras e escopetas sem serem incomodados pela polícia local. Em bares e mercearias da cidade esses pistoleiros abordavam pessoas dos acampamentos com ameaças e provocações.

O Estado São Paulo 09 de fevereiro 1991
REFORMA AGRÁRIA TEM NOVO PLANO
GOVERNO PROMETE ASSENTAR 500 MIL FAMÍLIAS DE TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA EM CINCO ANOS

Folha de São Paulo 10 DE JUNHO DE 1996
LATIFUNDIÁRIOS USAM 16,7% DE SUAS TERRAS
Os 46 maiores grupos econômicos que possuem terras no país controlam 22,1 milhões de hectares, dos quais 3,7 milhões são realmente usados, e empregam 63 mil trabalhadores.
o empresariado rural afirma que o fenômeno da globalização gerou a tendência de crescimento das propriedades do campo, com alta tecnologia para competir no mercado internacional de alimentos.
Se em parte isso é verdade (houve uma industrialização do campo) há números oficiais que revelam que 50 por cento da produção de alimentos sai do pequeno produtor rural - hoje cerca de três milhões, segundo a CNA
Com a crise na agricultura as grandes fazendas tratam de buscar atividades mais lucrativas (para o mercado de exportação), como gado, soja e milho.
PLANO REAL REDUZ ESPECULAÇÃO COM TERRAS
a alta dos preços agrícolas este ano, provocada pela redução do estoque mundial de grãos

Jornal do Brasil 10 de junho 1996
O MST denunciou que na gleba Tuerê (Pará) os madeireiros que exploram o mogno ilegalmente ameaçam quem tenta se fixar na região.

Folha de São Paulo editorial s/d 1996 REFORMA AGRÁRIA A JUROS
entre fevereiro de 1995 e fevereiro último o preço médio por hectare das terras de qualidade caiu 37 por cento no Estado de São Paulo. No mesmo período o hectare de terra destocada e mecanizada no Paraná registrou queda real de 33 por cento.
Já vai longe a época em que se imaginava a especulação com terra como uma alternativa recomendável.

Anoni, a invasão que deu origem ao MST
Fazenda ocupada em 1985 no Rio Grande do Sul hoje é modelo de produção e assentamento

O Estado de São Paulo 21 de abril de 1997
NÚMEROS DO MST SÃO CONTRADITÓRIOS
O que se sabe é que até semana passada o total de projetos de reforma agrária criados no Brasil somava 1643 unidades com capacidade para 252 mil famílias envolvendo 13.041.116 hectares de terra.
Boa parte das áreas incorporadas ao programa governamental não eram ociosas. Eram empresas rurais produtivas de onde seus legítimos proprietários foram desalojados pelas invasões que originaram mortes por todo o país e pela complacência do Incra diante das pressões (muitas vezes o MST chegou a manter funcionários da autarquia em cárcere privado).
os assentados de modo geral têm renda média de 3,7 salários mínimos segundo o IBGE
população economicamente ativa: 75 milhões de pessoas
setor de serviços: 67,3 por cento
indústria: 25,6 por cento
agricultura: 7,1 por cento
descontados os trabalhadores envolvidos com a mineração e o extrativismo, restam para a agropecuária 3,8 milhões de indivíduos, algo em torno a 5 por cento da população economicamente ativa.
A agricultura brasileira está envolvida no complexo do agribusiness, que movimenta 37 por cento do PIB. Francisco Graziano observa que a estrutura produtiva no campo não é mais latifundiária, é empresarial, moderna, tecnologicamente avançada; é a grande empresa rural. A pequena e média empresa também tem lugar nesse contexto, que torna a idéia de reforma agrária arcaica e assistencialista.

O GLOBO 14 DE ABRIL DE 1997
DESARMAMENTO CHEGA COM DEZ ANOS DE ATRASO
operação de desarmamento feita pela Polícia Federal no Bico do Papagaio - que junta o Sul do Pará e o do Maranhão com o Norte de Tocantins - em junho de 1986 apreendeu em dois dias mais de 500 armas. No fim daquele ano as contas da CPT chegavam a 32 mortos no Pará. No ano anterior o número de mortos havia chegado a 85.
(...) em março de 1991 (...) Diante da reação de colonos e fazendeiros o Governo Fernando Collor recuou para uma proposta de simplesmente aumentar o rigor na fiscalização do porte de armas.
...
Franklin Martins
Para o Governo Fernando Henrique a reforma agrária é um aspecto marginal, e não central, da política agrária. O objetivo não é mudar o padrão das relações econômicas e sociais no campo mas incluir novas camadas de proprietários no padrão já dado. Não se pensa nem de longe em transferir para pequenos e médios proprietários a responsabilidade da produção de alimentos e insumos para a indústria, que hoje dependem basicamente da grande propriedade. A reforma agrária, na concepção do Governo, mais do que uma questão econômica, é uma questão social. Trata-se de prender o homem ao campo, onde ele custa menos ao Estado em termos de serviços públicos que nos aglomerados urbanos.

Folha de São Paulo 25 DE JUNHO DE 1995
APOIO DE RURALISTAS ÀS REFORMAS CUSTA AO GOVERNO R$ 2,8 BILHÕES
Formada por 132 deputados e 34 senadores, a Frente Parlamentar Agrícola é hoje a força política maior e mais coesa no Congresso Nacional, superando qualquer partido político.
Seu poderio é tal que arrancou R$ 2,8 bilhões do governo com a ameaça de não votar a reforma constitucional.
A soma (...) inclui uma série de concessões: parcelamento de dívidas vencidas, redução de juros de financiamentos e liberação de recursos que estavam retidos, como os do Proagro, um programa no qual o Banco Central apontou fraudes.
(bancada ruralista controla um quarto dos votos)

Jornal do Brasil 28 de novembro 1993
LATIFÚNDIOS SOMAM 55% DO TOTAL DAS TERRAS
Dos 619 milhões de hectares de propriedades rurais cadastradas no Brasil, 150 milhões são improdutivos, segundo dados do Incra de 1991. De um total de 5 milhões de propriedades, 1,5 milhão (31 por cento) têm até 10 hectares e ocupam uma área de apenas 7 milhões de hectares, ou 1,2 por cento do total. As grandes propriedades, acima de mil hectares, são somente 93 mil (1,9 por cento) mas ocupam 341,5 milhões de hectares, ou 55 por cento do total das terras.
"O incentivo à produção familiar não é apenas uma maneira de fixar o homem no campo mas também uma política de segurança alimentar e também de combate à inflação, na medida em que a oferta aumenta", segundo fonte do Incra.
Incra - Instituto de Colonização e Reforma Agrária

PECUÁRIA EXTENSIVA É NOVO ALVO DO MST Folha de São Paulo 16 DE JUNHO DE 1997
Critério do MST está ultrapassado, diz pecuarista
os pecuaristas mais eficientes costumam vedar as pastagens no período de maio a setembro, transferindo o gado para o confinamento
este tipo de manejo é adotado pela pecuária intensiva, visando aumento da produtividade e a recuperação das pastagens.
Outro engano do MST, segundo o pecuarista, é acreditar que as terras ocupadas pela pecuária podem ser utilizadas pela agricultura.
Normalmente esses solos são fracos e inadequados para o plantio de grãos.
Lazzarini acrescenta que a pecuária extensiva hoje está restrita a poucas regiões do país, como o Pantanal e o pampa gaúcho, áreas impróprias para a agricultura.
A pecuária extensiva está em extinção no Brasil. Não é mais possível manter um boi durante quatro anos no pasto. É antieconômico.

O Estado de São Paulo 27 de abril de 1997
COMO NASCEU A REFORMA AGRÁRIA
José Bonifácio Coutinho Nogueira apresentou em março de 1960 no Congresso Nacional sua Lei de Revisão Agrária visando a "distribuição da terra de modo amplo e justo". (...) marcando o início da ação governamental na reforma agrária com a criação do imposto progressivo sobre terras improdutivas, o assentamento de centenas de famílias, a construção de 274 casas da lavoura, silos, armazéns, postos de mecanização agrícola e até o Ceasa.
"Entendemos que a concentração fundiária criara o êxodo rural. Hoje sabe-se que o processo de industrialização foi a verdadeira causa da urbanização. (...) Havia a experiência mexicana multo malsucedida e as experiência do Japão e Taiwan bem-sucedidas, feitas pelo general McArthur, um liberal. Analisando país por país, vimos que não havia uma reforma agrária válida para todas as realidades.
"... As esquerdas e o MST insistem que apenas a pequena e a média propriedade abastecem o país. Quando se desenvolve uma fantástica agricultura nos cerrados e a grande propriedade produz cada vez mais eficientemente, pode alguém se dar bem com um pequeno lote?"

O GLOBO 28 de abril 1997
José Rainha tornou-se o mais conhecido líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) ao passar a liderar as invasões em fazendas na região do Pontal do Paranapanema, em São Paulo.
Rainha nasceu no Espírito Santo, onde começou a liderar invasões. Tornou-se réu num processo em Pedro Canário. O líder do MST está sendo processado por duplo homicídio qualificado, por ter ajudado na fuga dos assassinos de um fazendeiro e de um policial militar há oito anos.

Jornal do Brasil 8 de junho de 1997
o norte do estado é uma região sob a ameaça constante de pistoleiros - muitos dos quais policiais civis e militares - contratados geralmente por fazendeiros.

11 de junho de 1997
Rainha é condenado a 26 anos

O Estado de São Paulo 17 de fevereiro de 1997
havia uma suposição desinformada de que os latifúndios ocupam quase 70 por cento do território nacional. Essa falsa concepção inspirou o Plano Nacional de Reforma Agrária no governo Sarney.
INVASORES TOMARAM 800 CABEÇAS DE GADO
Segundo proprietária, todo dia os sem-terra faziam festa na fazenda, com churrasco
O administrador da fazenda confirmou que tem havido frequentes mortes de gado, sendo os animais abatidos e a carne retirada, permanecendo no local apenas couro, chifres e ossos.

O Estado de São Paulo 23 de março de 1997
INVADIDOS
Irmãos atuam no mercado global
Fazenda Santo Antônio faz parte de grupo-modelo
grupo Bertin, o maior processador de carne bovina congelada e industrializada do país.
complexo que opera três frigoríficos em SP e MG, nove curtumes, fábrica de calçados e equipamentos de segurança, fábrica de latas, de rações, produtos de higiene e limpeza e seis fazendas de cria, recria e engorda em três estados.
industrializam mais de 600 000 bois por ano
respondem por 13 por cento da produção nacional de couros
exportam para o mundo todo
empregam 5,5 mil funcionários com um salário médio de R$ 350 por mês
fornecem matéria-prima para a produção de
fios cirúrgicos e cordas de raquetes de tênis
pincéis para lábios e olhos fabricados com os cílios dos bois que abatem
em 1981 construíram túneis e câmaras de congelamento onde a carne é separada em lotes de acordo com os pedidos, num processo totalmente automático
os estranhos são fiscais de Israel que vigiam a matança: se o boi gemer ou mugir na hora da morte eles não compram. O ritual judaico ortodoxo obriga a toda uma liturgia na operação de abate. Só os rabinos podem matar o animal, após orar. Só assim os seus compatriotas estarão seguros de não comer carne impura.
enlatados: corned-beef  roast-beef  stewed-beef  cubed-beef
ossos, sangue e vísceras passaram a ser matéria-prima de rações para cães e gatos.
pontas e aparas de couro: ossos artificiais para cães
NADA É DESPERDIÇADO
Ele acredita ser mais barato sustentar uma população desempregada no perímetro urbano do que no meio rural, porque aqui não é mais possível ser auto-suficiente em pequenas propriedades.
Somente uma agricultura com tecnologia avançada consegue produzir a preço de mercado

LATIFÚNDIO: UM PARAÍSO FISCAL   JAQUES WAGNER, deputado federal pelo PT da Bahia,  E JOÃO PEDRO STÉDILE
Folha de São Paulo 11 DE JUNHO DE 1996
O governo renunciou à arrecadação de R$ 1,5 bilhão ao suspender o pagamento de ITR Imposto Territorial Rural de 1995
por ocasião da suspensão da cobrança 60 por cento dos contribuintes - pequenos produtores rurais - já o haviam pago.
o nível de inadimplência dos proprietários dos imóveis rurais com área superior a 48 mil hectares era de 99,7 por cento
No período 1980-1994 a participação média do setor agropecuário no PIB foi superior a 11 por cento
a fatia do setor no bolo da receita do Imposto de Renda foi de 0,5 por cento
Receita Federal: índice de sonegação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica do setor agropecuário é de cerca de 70 por cento
carga tributária média efetiva sobre a propriedade rural no Brasil: 0,00016 por cento. A mais baixa do planeta.
Coréia do Sul: 12 por cento
Alemanha e Espanha: 4 por cento
Argentina e Uruguai: 2 por cento
as megapropriedades rurais (acima de 500 mil hectares) não pagam absolutamente nada de ITR

A AGRICULTURA FAMILIAR
Folha de São Paulo 11 DE JUNHO DE 1996
MÁRIO CÉSAR FLORES
secretário de Assuntos Estratégicos de Itamar Franco
responsável pela maior parte da oferta de vários produtos de consumo corrente (carne suína e de aves, leite, ovos, batata, banana, milho, feijão, mandioca, tomate, laranja)
pequena agricultura familiar ocupa cerca de 80 por cento da mão-de-obra rural brasileira (14 milhões de pessoas)

O Estado de São Paulo 5 de janeiro de 1997
Francisco Graziano: É preciso definir um modelo para as relações de trabalho no campo
É preciso garantir o abastecimento das massas urbanas e o fornecimento de matérias-primas para o agrobusiness.
em São Paulo 200 mil trabalhadores são empregados nas culturas de cana e laranja, cerca de 60 por cento do emprego rural paulista
pequenos agricultores são talvez 4,5 milhões de famílias (...) longe de conseguir viver condignamente dessa atividade.
Distantes dos mecanismos de crédito rural e das demais políticas oficiais voltadas para a agricultura, esses pequenos produtores estão sendo vilipendiados pela expansão do capitalismo no campo. E estão perdendo suas terras, mudando-se para a periferia das grandes cidades.
Transformar os pequenos agricultores pobres em produtores competitivos é o maior desafio da reforma agrária dos anos 1990.
Sem medo de ser anti-histórico
ANTI-HISTÓRICO
ANTI-HISTÓRICO
a defesa da pequena propriedade agrária é uma imposição do mundo globalizado. É mais barato manter a população rural que cuidar da pobreza urbana.
estabilização da economia acabou com a especulação da terra no Brasil. O preço da terra caiu mais de 50 por cento com o fim da inflação [alta].
um estoque fabuloso de terras colocadas à venda por preços irrisórios.
(...) aquele que considera as florestas nativas como terras improdutivas. Mata não pode ser sinônimo de latifúndio.

O Estado de São Paulo 5 de janeiro de 1997
Raul Jungmann, Ministro Extraordinário de Política Fundiária
a possibilidade de ressurgimento das milícias privadas ligadas ao latifúndio:  assim como a antiga UDR dava sinais de que ressuscitaria em breve
(....)
de janeiro de 1995 a dezembro de 1996 o governo assentou mais de 100 mil famílias - um terço de tudo o que foi feito desde que se começou a tratar o problema.

O Estado de São Paulo 5 de janeiro de 1997
Sociedade Rural Brasileira
juros obscenos
A agricultura familiar talvez não seja economicamente mais eficiente mas é necessária para que a gente ganhe tempo para educar a nova geração.
A UDR foi uma reação ao MST.
Pontal. Fazendeiros que estão lá há 70 anos de repente enfrentam processos jurídicos que concluem que a terra não é deles.
O problema no sul do Pará é mais complicado porque é zona de fronteira. É um processo de acomodação desde a produção até a propriedade. Tem posseiro, grileiro, fazendeiro, destituído, tem uma massa de desempregados. Tudo isso é um caldeirão
UM CALDEIRÃO
UM CALDEIRÃO
Produzimos 80 milhões de toneladas competindo com subsídios, com o custo Brasil, sem as vantagens dos outros, e o nosso alimento é mais barato. Isso se chama competência.

O Estado de São Paulo 5 de janeiro de 1997
Sonho do MST é uma perigosa comédia IB TEIXEIRA, pesquisador da FGV
1964, Castelo Branco e Roberto Campos idealizavam o Estatuto da Terra.
Cuba por volta de 1960 chegou a colher 10 milhões de toneladas de cana-de-açúcar ao tempo em que no Brasil colhíamos apenas 800 mil.
solos basálticos cubanos estavam entre os melhores do mundo
Segundo o agrônomo francês René Dumont só as terras roxas do Paraná e do Camboja podem competir com o solo de Cuba.
Hoje Cuba não colhe mais de 4 milhões de toneladas de cana enquanto a agricultura brasileira, sem reforma agrária, já se aproxima dos 300 milhões de toneladas, a maior produção mundial.
CHILE
três anos de ocupações de fazendas. (...) a produção de trigo cairia pela metade, ameaçando a dieta chilena. Em 1974   75 por cento do comércio exterior do país estava comprometido com maciças importações de alimentos.
MST, a versão brasileira do MIR

O Estado de São Paulo 5 de janeiro de 1997
João Pedro Stédile
se formos comparar a situação agrícola em 1996 com a de 1980, há 16 anos a área cultivada era 2 por cento maior e a população cresceu entretanto no mínimo 35 por cento
Segundo indicador da crise: a renda da agricultura era 49 por cento maior.
Terceiro: a safra deste ano foi a mesma de 1985.
o movimento já se organizou em 22 estados.
em 1996 governo aplicou R$ 4 bilhões em crédito rural para os pequenos agricultores e só foram liberados R$ 200 milhões
... reorganizar a produção agrícola para que ela se volte para o mercado interno ...
hoje as melhores terras do Brasil são destinadas à produção de cana-de-açúcar, laranja, café, cacau e nenhum desses produtos o povo consome.

O Estado de São Paulo 5 de janeiro de 1997
Críticas revelam sucesso do MST
Bernardo Mançano Soares
professor da Unesp, Faculdade de Ciências e Tecnologia
Dos assentamentos do Estado de São Paulo 90 por cento são resultado de ocupações. Não há como negar que elas são a melhor forma de fazer a reforma agrária.

Folha de São Paulo 21 de outubro 1996
ZONA DA MATA
Cerca de 2000 desempregados ganham R$ 60 mensais para aprender a ler, escrever e cultivar a cana
71 por cento da população economicamente ativa da região tem renda familiar mensal de um salário mínimo ou inferior - no Estado, 38,7 por cento
taxa de analfabetismo: 60 por cento - 32 por cento no Estado
mortalidade infantil: 124 por mil - 67,5 por mil no Estado
esperança de vida: 46 anos - 64 anos no Estado
produtividade do cortador de cana: 40 a 50 toneladas por hectare
120 toneladas é a produtividade do cortador de cana em São Paulo

ISTOÉ 14-07-1993
MARCADO PARA MORRER
a lista de pessoas ameaçadas de morte divulgada em abril de 1984 no Pará pelo ex-deputado estadual Paulo Fontelles, com o seu nome, o do colega João Batista e dos sindicalistas João Canuto e Expedito de Souza - mortos entretanto.

Jornal do Brasil 03 de janeiro 1993
ASSASSINATOS NO CAMPO AUMENTARAM EM 1992
Levantamento nacional da CPT aponta 38 assassinatos em conflitos pela posse da terra e mais de 13 mil trabalhando sob regime de escravidão no país.
 

Folha de São Paulo 27 de dezembro de 1992
sindicatos de trabalhadores rurais e a Igreja acusam a polícia e a Justiça de conivência com os criminosos de aluguel.
levantamento da CPT contabiliza 1700 assassinatos no campo desde 1964
apenas 29 desses crimes foram a julgamento, com 17 condenações
Boa parte das vítimas de atentados no campo procuram a Igreja antes de ir à polícia. A CPT possui um arquivo próprio de depoimentos que corre paralelo aos inquéritos oficiais. Muitas vezes as investigações da Igreja e da polícia chegam a conclusões completamente opostas.

Jornal do Brasil 25 de abril de 1994
Crime marcará eleição em Imperatriz, Maranhão
O assassinato do prefeito Renato Cortez Moreira, em outubro de 1993, (...) sua família afirma que os mandantes do crime aliaram-se ao ex-governador Edison Lobão e ao clã Sarney para escapar da Justiça. (...) um suspeito de mandante, o então vice e atual prefeito Salvador Rodrigues, deixou o PTR e filiou-se ao PFL, partido da candidata Roseana Sarney
 

COVIL DE PISTOLEIROS Jornal do Brasil 24 de abril 1994
COVIL DE PISTOLEIROS
família Canuto quase dizimada por pistoleiros de aluguel
João tocaiado a mando de fazendeiros em 1986
José, que sucedeu o pai na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, foi executado em abril de 1990, juntamente com o irmão Paulo, que estava com ele. Só sobrou um.
CPI DA PISTOLAGEM criada após morte do senador Olavo Pires, metralhado em Rondônia em 1990.
CPI apurou crimes de pistolagem no Centro-Oeste e Norte
Vítimas: trabalhadores rurais, religiosos, advogados, índios
A CPI identificou agências de matadores de aluguel como a de Imperatriz
"o" ponto são esses dados: a CPI - apurou 1630 crimes de 1964 a 1990
Bico do Papagaio, região encravada entre os rios Araguaia e Tocantins
Imperatriz, 300 mil habitantes e a quase 700 quilômetros de São Luís, é o segundo município mais rico do Maranhão e um dos maiores centros de contratação de pistoleiros do país: pelo menos 66 pessoas foram assassinadas por matadores de aluguel.
Imperatriz era uma vila antes da construção da Belém-Brasília, nos anos 1950. O desenvolvimento valorizou as terras, ocupadas por camponeses, e com ele vieram os grileiros e grandes fazendeiros. Nos anos 70, a GRILAGEM (REGISTRO ILEGAL) de áreas devolutas somou 2 milhões de hectares

Jornal do Brasil HERBERT DE SOUZA 1990? 1991?
OSMARINO AMÂNCIO
(1959-?)
Mas na mesma noite o Presidente Collor dará ordens para apurar os fatos com rigor. O ministro Cabral dirá que o peso da lei esmagará os culpados. Tuma dará prazos para a Polícia Federal encontrar os culpados, mesmo que tenha que descer aos infernos, dentro e fora do país. Lutzemberger ameaçará renunciar, tendo as mãos cheias de telegramas de entidades internacionais. As televisões e alguns produtores comprarão os direitos autorais de sua morte. Tudo igual ao Chico Mendes, Osmarino.
(...) decidido a viver junto com teus companheiros, a não pedir asilo nas cidades, a não abandonar tua grande família e eu sabia que ninguém nessa República irá desmontar a INDÚSTRIA DO ASSASSINATO a tempo de salvar a tua vida. Não porque não possam, mas porque não querem.

Jornal do Brasil 29 de abril 1990
O DOSSIÊ DE UM HOMEM MARCADO PARA MORRER
Ricardo Rezende, vigário de Rio Maria, no sul do Pará, a mil quilômetros de Belém, onde quatro trabalhadores foram assassinados em abril.
fazendeiros da região, que se reuniram para CORTAR O MAL PELA RAIZ. Quer dizer, eliminar todos aqueles que ajudavam as 20 famílias de posseiros da Fazenda Suaçuí - 5 mil 600 hectares (...) uma das dezenas de áreas de conflito no sul do Pará.
(...)
herdeiros de João Canuto de Oliveira, membro do PC do B, como o pai, candidato a prefeito de Rio Maria em 1982, derrotado por Adilson Laranjeira, o grande CORONEL da cidade, que vive num verdadeiro BUNKER cercado por cachorros. (...) campanha da Anistia Internacional para que fosse esclarecido o assassinato de Canuto

Folha de São Paulo 1989?
MORTES SE CONCENTRAM NA REGIÃO NORTE
O QUE há é o entrechoque de duas lógicas. Para a hegemônica UDR o problema é o de acelerar a implantação de uma agropecuária extensiva para tornar o Estado economicamente auto-sustentável.
(...) o Estado do Tocantins continuará sendo aquilo que se convencionou chamar de "nova fronteira agrícola", com todas as sequelas trazidas por essa condição.
Com semanas de atraso fica-se sabendo que determinado administrador matou um empregado rural sem que uma das 132 novas viaturas da polícia tenha sequer condições físicas de transportar uma equipe para apurar o homicídio.
A Folha soube de mortes e facadas registradas como infarto nas cidades pequenas e crimes passionais comentados mas jamais apurados.

Folha de São Paulo AMBIENTALISTAS PEDEM MOBILIZAÇÃO CONTRA A IMPUNIDADE NA AMAZÔNIA
O caso Chico Mendes demonstra que o sistema judicial brasileiro é perfeitamente capaz de fazer justiça se houver compromisso político para isso. Infelizmente o direito de justiça não existe para trabalhadores rurais sem conexões especiais no exterior.

O Estado de São Paulo 23 de março 1991 BICO DO PAPAGAIO TERÁ REFORMA AGRÁRIA
Ministério diz que desapropriará área no norte do país para acabar com conflitos fundiários.
choques armados entre fazendeiros, grileiros e pistoleiros de um lado e posseiros, líderes sindicais e militantes da igreja católica de outro.

O GLOBO 23 DE MARÇO DE 1997
FH CRITICA IMPUNIDADE NO CAMPO
A estrutura do Governo, do Estado brasileiro não foi feita para atender à maioria. Eu apenas herdo uma situação e tento mudá-la.
Tomemos o Pronaf (Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar). A Fazenda libera recursos e eles não chegam na ponta. Por que? Porque a estrutura do Banco do Brasil não está preparada para atender a milhares de pessoas. Estava preparada para atender a poucos, poderosos que nem pagavam depois.

Folha de São Paulo 3 de março de 1991
EM GOIÁS PISTOLEIROS COBRAM ATÉ CR$ 1 MILHÃO
Mandar matar alguém nas regiões Norte e Centro-Oeste do país requer apenas dinheiro (entre Cr$ 250 mil e Cr$ 1 milhão)
Três organizações de pistoleiros de Goiás controlam 30 por cento dos contratos de morte nessas regiões. Os grupos são compostos por policiais militares - da ativa e reformados - e por policiais civis.
Dentro da PM tem um grupo de pistolagem comandado por um coronel
diz cobrar 150 reses "para fechar (matar) um". Ele conta que a mando do dito coronel "já fechei uns cinco dentro da própria PM". As vítimas eram militares que "sabiam demais" e "se tornaram perigosos para a segurança do grupo".

Jornal do Brasil 09 de fevereiro 1991
MATUPÁ TEM 900 HOMICÍDIOS POR ANO
Entre os 22 mil habitantes da cidade matogrossense de Matupá, 1 000 mortos por ano. Novecentos deles assassinados. Cada menino acima dos 12 anos tem seu próprio revólver e as lojas de SOUVENIRS da cidade vendem fotografias de pessoas esquartejadas como cartões postais.
Os integrantes da comissão da OAB - com um membro da Comissão dos Direitos Humanos, um delegado e um agente da Polícia Federal - constataram que a violência começa na própria prefeitura, já que o prefeito está preso em Cuiabá porque mandou matar um vereador.

Jornal do Brasil 08 de fevereiro 1991
ecologistas dos EUA criticam Brasil em carta a Collor
o comprometimento com a distribuição da justiça para trabalhadores rurais é inexistente na maior parte das vezes, principalmente para aqueles que não têm conexões internacionais.

O GLOBO 17 de março 1991
Vinte anos depois de iniciado o programa de ocupação das terras do Centro-Oeste e da Amazônia , idealizado como forma de ocupação do maior potencial agrícola do País, a violência rural e a impunidade dos criminosos tomam conta de toda a região que envolve o Sul do Pará e Maranhão e o Norte de Mato Grosso e Tocantins.
NOS ANOS 1970 REGIÃO FOI PALCO DA GUERRILHA DO PC DO B
de onde jovens militantes do Partido Comunista do Brasil pretendiam iniciar a luta armada para derrubar o regime militar. Com o apoio de figuras como o Major Curió, que depois se tornaria conhecido por controlar o garimpo de Serra Pelada, a guerrilha foi sufocada mas sua sombra permanece.
representantes dos fazendeiros usam com frequência a expressão "guerra de guerrilha" (...) para explicar a atuação dos sindicalistas junto dos agricultores para a ocupação das áreas. Com maior ou menor ênfase, todos afirmam que os comunistas são responsáveis pela tensão na região.
(...) atuação que os militantes do PC do B tiveram na região, mas precisamente na área hoje ocupada pelo município de São Geraldo.

Jornal do Brasil 23 de julho de 1995
GRILEIROS DE TERRA JÁ CONTROLAM 12% DO PARÁ
Situações ridículas e dramáticas se misturam nesta terra de ninguém. (...) uma área de 44 mil hectares em São Félix do Xingu - Gleba Sudoeste - estampa uma fraude sem precedentes. Desapropriada para fins de reforma agrária pelo Incra em 1993, a gleba tem como DONO a Madeireira Sudoeste Ltda. mas, na verdade, é uma área pública. (...) a União desapropriou uma área da União. (...) Ocupada por 5390 posseiros, que lá esperam a sonhada reforma agrária, a área foi palco há uma semana de um conflito entre lavradores e capangas contratados por um fazendeiro vizinho para expulsar as famílias do lugar. O saldo: seis colonos e um capanga mortos.

O Estado de São Paulo 10 de junho de 1997
ACHADOS MAIS DOIS SEM-TERRA MORTOS EM Pernambuco
Mortes provocadas por pistoleiros sobem para quatro; líder do MST diz que haverá reação
durante ação de grupo armado no Engenho Camarazal, município de Nazaré da Mata, a 72 quilômetros de Recife.
"Não vamos mais fazer ocupações desarmados nem em pequenos grupos."
Vinte e oito sem-terra que haviam invadido a área de 1400 hectares foram surpreendidos enquanto dormiam por cerca de 30 homens armados em quatro veículos.

Jornal da Tarde 14 de março 1989
Rio Grande do Sul. A região serrana representa uma fronteira entre a zona de pecuária extensiva - mais ao Sul e em direção à fronteira - e o Norte do estado, onde já se desenvolveu uma lavoura capitalista. Por essa razão é ali que acontece a maioria das invasões de terra no estado.

Jornal do Brasil 12 de março 1989
Dezessete anos depois do início de seu processo de desapropriação a Fazenda Anoni ainda é um caso não solucionado. Dos 9259 hectares da propriedade apenas 2500 estão destinados ao assentamento das famílias que lá acamparam em 1985. O restante já está ocupado por antigos posseiros e ex-empregados da família Anoni. Além disso há uma reserva de mata de 1600 hectares que não pode ser usada para reforma agrária.

VEJA 22 DE MARÇO DE 1989
BATALHA NO CAMPO
um grupo de 1500 lavradores deixaram o Rincão do Ivaí, em Salto do Jacuí, no Rio Grande do Sul, disposto a conquistar pela invasão uma roça para plantar. Vinte quilômetros adiante chegaram ao seu destino, uma fazenda de 1300 hectares. De posse de uma ordem judicial de despejo um coronel da Brigada Militar de Passo Fundo colocou em andamento uma operação de guerra para retirá-los da fazenda. Um avião de prefixo camuflado sobrevoou a área despejando bombas de gás lacrimogêneo enquanto 800 policiais armados de fuzis entravam no local. A operação durou vinte minutos. "Parecia um filme de guerra." Centenas de pessoas feridas
anarquia do sistema agrário brasileiro
fazendeiros que emprestam aviões para operações policiais
guerra campal num Estado que é o quarto em desenvolvimento no país.
são descendentes de pequenos proprietários que foram expelidos de seus afazeres nas plantações de trigo quando a mecanização chegou ao campo.
[operação policial visou impedir que] invasores se apossassem em definitivo de alguma das propriedades que quiseram tomar à força, mesmo porque uma concessão desse tipo imediatamente animaria multidões a invadir terras no Rio Grande do Sul.
Desde 1987 os dois grupos de sem-terra, que somam quase 1500 famílias, invadiram quatro fazendas e percorreram 400 quilômetros.
A LONGA MARCHA DOS SEM-TERRA
UMA PROCISSÃO DE UM ANO E MEIO EM BUSCA DE UM PEDAÇO DE TERRA PARA VIVER.
Em fevereiro passado um avião aparentemente destinado a pulverizar as plantações de soja passou sobre o acampamento despejando defensivos agrícolas. Cinco crianças morreram por intoxicação direta sobre a pele.

Folha de São Paulo 19 de março 1995
realismo mágico
na zona da mata aposentadoria é ficção
Foice é usada desde os 7 anos
91,27 por cento das crianças de áreas dominadas pela cana-de-açúcar começam a trabalhar entre os 7 e os 13 anos.
Centro Josué de Castro, especializado no estudo da fome no Nordeste em convênio com a Save The Children Fund, uma entidade inglesa de pesquisas sobre crianças e adolescentes:
Ali pelo menos 60 mil crianças trabalham no corte de cana, 25 por cento da mão-de-obra das usinas e engenhos.
57 por cento desses meninos já se acidentaram. Cortam-se com o próprio instrumento de trabalho.
Trabalham 44 horas por semana e mesmo quando chegam aos 17 anos a maior parte delas (90 por cento) ainda não possuem registro profissional.
o que ganham dá para adquirir apenas 58,6 por cento do que a sociologia chama "ração essencial mínima".
HOMEM-GABIRU QUER SE APOSENTAR AOS 49
homem-gabiru, como ficou conhecido Amaro João da Silva
ficou conhecido por este nome em outubro de 1991 após reportagem da Folha.
No mês seguinte apareceu como entrevistado das "páginas amarelas" da revista Veja.
1m35 de altura, símbolo da miséria no Nordeste, vítima de nanismo provocado pela desnutrição.
Gabiru é uma espécie de rato e passou a ter, na linguagem comum, o significado de pessoa de baixa estatura.
Amaraji, a 89 km de Recife, até o final de 1991, uma série de caixas de alimentos e roupas. Eram doações de leitores comovidos e de entidades filantrópicas.
"Todo dia chegava coisa"
O único bem que possuía, um cavalo, vendeu para comprar comida e roupa para alguns dos 13 filhos.
perdeu também Iraci, que morreu aos 39 anos "do coração".

Jornal do Brasil 17 de agosto de 1995
"São pelo menos 80 situações de conflito que podem eclodir a qualquer momento"

ISTOÉ 12 de junho 1996
O "Rei da Soja" Olacyr de Moraes, um dos 500 homens mais ricos do mundo, segundo a revista Fortune, possui no Mato Grosso 400 mil hectares de terra avaliada por ele em R$ 1,2 bilhão na Fazenda Itamaraty II, que produz soja, milho e algodão faturando US$ 80 milhões por ano. A fazenda tem 1,7 mil casas, escola, creche, hospital, quadra de tênis, piscina, pista de pouso para Boeing, uma indústria de beneficiamento de algodão e armazéns com capacidade para estocar 60 mil toneladas de grãos.
o empresário diz que deseja se concentrar em outros negócios, como usinas de açúcar e álcool e a construção da Ferrovia Ferronorte e por isso propôs ao governo ceder metade da fazenda para abrigar dez mil famílias em projeto de assentamento da reforma agrária em troca de Títulos da Dívida Agrária, papel emitido pelo governo para pagar as desapropriações de terras.
A partir do Plano Real o preço das terras caiu muito e o endividamento do setor agrícola disparou.
Os TDAs rendem correção e juros de 6 por cento ao ano
invasões de terra bateram recorde no primeiro ano do governo FHC segundo a CPT
GUERRA NO CAMPO

    ANO ASSASSINATOS     TENTATIVAS DE ASSASSINATO AMEAÇAS DE MORTE    INVASÕES NUMERO DE FAMÍLIAS 
    1991      82        90        232        77   14.720
    1995      41        43       155      145   30.476


VEJA 23 DE ABRIL DE 1997
estima-se que todos os anos 30 mil famílias de agricultores percam as suas terras.
(...) na agroindústria os empregos diminuem em função da tecnologia e da abertura para as importações - calcula-se que sejam 100 mil empregos a menos
(...) em 1996 agricultores familiares exportaram 1 bilhão de reais em fumo, 850 milhões em aves e 200 milhões em suínos
Cerca de 30 por cento dos assentamentos são um sucesso absoluto
a Constituição prevê que a desapropriação tem de ser feita com pagamento "justo e prévio"
na incerteza do que é preço "justo", os proprietários recorrem da indenização na Justiça
em 1987 Fazenda Reunidas, no interior de São Paulo, foi desapropriada por R$ 25 milhões e na Justiça donos arrancaram indenização de 300 milhões por "lucros cessantes", como se estivesse rendendo lucro além do ganho meramente especulativo
Antes o governo não comprava a terra de um fazendeiro - mas punia o proprietário que não produzia pagando-lhe uma pequena quantia.
Agora, o que se fez foi criar um mercado de desapropriações. Os assentamentos viraram um negócio imobiliário qualquer - diz um especialista
pelo Estatuto da Terra dos militares o governo pagava a indenização anos depois
(...) segundo o governo o custo do assentamento por família é de R$ 40 000
Conta possivelmente exagerada.
segundo último levantamento nacional disponível, de 1994, o custo ficaria em R$ 16 000
na Constituição há um artigo que impede desapropriação de terra produtiva mas não define nível de produtividade
o Incra usa critérios dos anos 1960
LIÇÕES DA LONGA MARCHA
métodos políticos do MST têm cerne antidemocrático
governo falou de "primitivismo" e de "utopia regressiva" mesmo quando as pesquisas de opinião informavam que 80 por cento da população quer a reforma agrária,
A LONGA MARCHA
Segundo o MST há 100 000 pessoas em acampamentos e o governo os conta em 40 000
o sandinismo da Nicarágua com o zapatismo mexicano
Querem uma reforma agrária que está vindo tarde, já não tem sentido na ordem econômica, é anacrônica e ineficaz.
Pouco foi feito para modificar uma situação absurda de concentração de propriedades, desperdício e baixa produtividade.
Brasília tem razão quando retira a reforma agrária do plano da caridade para tratá-la como investimento pois é um projeto que só pode vingar amarrado a propostas de crescimento econômico e distribuição de renda.
Japão, França e Estados Unidos (...) já perceberam que o preço de nada fazer é mais alto - na forma de desemprego, degradação das cidades e elevação da delinquência.
CONDENADOS À LUTA
Os líderes convocam a primeira assembléia na terra nova
É uma visão de filme de Glauber Rocha
Os 32 acampamentos mantidos em 16 Estados
Em 14 por cento da área agriculturável, planta-se.
Em 48 por cento, cria-se gado.
O resto é ocioso.
No Norte, a região mais atrasada, 79 por cento da área total cultivável é ocupada por imóveis improdutivos.
No Sul, porção considerada a mais avançada, onde a terra é boa, o índice chega a 42 por cento
4,5 milhões de agricultores familiares, donos de um quarto das terras utilizadas para a agricultura, garantem o sustento direto de 18 milhões de pessoas, ou quase 12 por cento da população do país.
É dali que sai metade de toda a produção agropecuária nacional, com destaque para o feijão, a carne de porco, milho, ovos e as frutas que vão para a mesa do brasileiro. Sem recursos nem tecnologia um belo punhado de pequenos proprietários sobrevive numa economia de subsistência, colhendo pouco mais que o necessário para que a família não morra de inanição.
barracões cobertos de lona preta
anos 1970 - época da extraordinária concentração fundiária.
Região Norte, onde quase todo mundo é recém-chegado - veio depois dos anos 1970, época em que "ocupar o vazio da Amazônia" era divisa governamental.
Junto à "companheirada" miserável, agora ele ergue a foice e grita já do lado de dentro das cercas da fazenda:

      "Terra que o boi come, os hômi passa fome."
LONGE DA CARICATURA
FAZENDEIROS ACHAM sinceramente que reforma agrária, entendida como distribuição de terras, já é feita a cada vez que proprietário reparte fazendas entre herdeiros
há um passado nebuloso sobre a origem da posse da terra. No Pará, história da posse da terra sempre teve um fundo de faroeste.
Detestam ser chamados de posseiros.
Alguns fazendeiros admitem que contrataram uma milícia armada PARA REPELIR EVENTUAIS invasores. . No Pontal eles se cotizavam para montar uma equipe de seguranças, com ex-PMs contratados por 1 000 reais mensais. Eles patrulham as fazendas à noite, armados com espingardas calibre 12 e revólveres 38.
A estabilidade econômica aumentou a competitividade no campo e provocou uma queda na rentabilidade.
O RADICAL DA TRADIÇÃO
cargo que ocupa desde 1985 na direção nacional do MST, Stédile
num campo dominado pelo uso intensivo da tecnologia em vastas extensões de terra ele acha que o lote familiar e a agricultura de subsistência não têm futuro
Chegaram a ir a Israel e às Filipinas.
Nesses países aprenderam que não se deveria temer a mecanização intensiva da lavoura. "A médio prazo o assentado tem de abandonar a subsistência e se associar para implantar a agroindústria e fazer parte do mercado."
No Sul, apesar de habituados a participar de associações, poucos sem-terra têm a sofisticação necessária para criar uma cooperativa em moldes modernos.
O Brasil imaginado por Stédile tem de ser igualitário, sua economia deve estar voltada para o mercado interno e o modelo de desenvolvimento precisa privilegiar quem é pequeno.
PARADO POR 500 ANOS
Brasil: estrutura fundiária semelhante à da sua fundação
Mas só nos anos 1920 o movimento tenentista agitou a bandeira da reforma agrária.
minifúndio nordestino pobre e tacanho.
Com o fim das sesmarias, em 1822, o país ficou sem nenhuma lei sobre a propriedade da terra. Quase trinta anos depois, com a Lei das Terras, quando a pressão britânica pelo fim da escravidão estava no auge, definiu-se que só se poderia ter terra pagando por ela, e pagando caro. Como se pretendia manter os negros libertos como mão-de-obra disponível e barata nas fazendas, não se queria transformá-los em pequenos proprietários. No Sul, as terras valiam menos. Em função do clima temperado, eram imprestáveis para a grande agricultura de exportação, como açúcar e café. Em função disso, ali foi possível iniciar a partilha da terra e criar uma estrutura agrária mais equitativa.
(...) o Estatuto da Terra tinha uma parte sobre reforma agrária e outra sobre política agrícola - e só esta saiu do papel. "Na prática, o Estatuto só foi usado para reduzir as tensões no campo. Nas emergências, permitia que se fizesse uma desapropriação aqui, outra ali" - José de Souza Martins, da USP.
Nos anos 1960 e 1970 o governo seguiu estimulando a exportação e distribuiu crédito subsidiado para que as terras pudessem ser adquiridas por grandes grupos econômicos.
uma modernização que excluiu os pequenos agricultores
as grandes lavouras produtivas, como o café, a soja e a cana, cresceram mas a esmagadora maioria do campo brasileiro continuou a marcar passo.
governo Sarney: plano para assentar 1,4 milhão de famílias. Acabou assentando apenas 90 mil.
FHC: foram distribuídos 3,5 milhões de hectares (até 1997) e assentadas 100 mil famílias e está previsto um investimento de R$ 7 bilhões no campo até o final do mandato (1998). São projetos destinados a assentar, emancipar quem está assentado ou a viabilizar a compra da terra. (...) Não têm nada a ver com política rural ou reforma agrária.
reforma agrária só entrou no programa do governo por força e pressão do MST.
PROBLEMA RESOLVIDO
COMO (a reforma agrária) desafia o direito de propriedade e chacoalha a estrutura de poder, carrega consigo o espírito de uma autêntica revolução social.
a Revolução Francesa implodiu as relações de trabalho no campo, abolindo a servidão rural.
Algumas foram impostas por exércitos de ocupação, como fizeram o Exército Vermelho na Europa Oriental e os Estados Unidos no Japão e na Coréia do Sul.
A situação sul-coreana era agravada pela falta de espaço (só 4 por cento do território é cultivável), pela má distribuição da posse e pela guerra, que continuou devastando o país até 1953. O governo anunciou regras tão severas que a maioria dos proprietários, temendo o calote das indenizações, se apressou em vender a terra diretamente ao arrendatário. O impacto na distribuição de renda foi superior ao ocorrido no Japão e em Taiwan e garantiu a comida barata de que o país precisava para se transformar numa potência econômica.
GIGANTE ADORMECIDO
Duas visões da agricultura brasileira:
que o país tem terras tão esplêndidas e vastas que poderia ser o celeiro do mundo.
que fora algumas regiões do centro e do sudeste, uma boa parte é formada por matagal desaproveitado. Ou por roçados em que a família cria bode, galinha e planta inhame para comer no casebre. Nessa paisagem há também o latifúndio improdutivo, dominado pelo coronel que prefere mexer com política a plantar alguma coisa.
pode ser mesmo um dos celeiros do mundo, mas nunca teve uma política agrária global digna desse nome.
Concentradas no Nordeste, 3 milhões de famílias de pequenos agricultores vivem com uma renda de fome, inferior a um salário mínimo.
No Rio Grande do Sul vê-se outro país agrário nos minifúndios que produzem fumo para a companhia de cigarros Souza Cruz. (...) orientados tecnicamente e financiados pela indústria de cigarros, a renda mensal é de 7 mil reais
Em países mais desenvolvidos agricultura é coisa séria. Entra nas preocupações estratégicas dos governos.
Japão: 5 bilhões de dólares/ano a fundo perdido para que produtores de arroz não larguem suas pequenas propriedades. O contribuinte paga a conta.
Israel: planta hortas no deserto a um custo altíssimo, por uma decisão militar de ocupar terras.
A Europa: gasta 50 bilhões por ano para sustentar 11 milhões de agricultores.
O produtor americano de cereais chega a receber salário anual de 40 000 dólares para ficar na fazenda, mesmo que a produção não compense.
países que têm política agrária e agrícola
abandono no campo brasileiro afeta 14 milhões de pessoas, 20 por cento da força de trabalho
massas pauperizadas se transferiram maciçamente do interior para as favelas das grandes cidades
mas também para atrair gente das metrópoles para o campo
deveria ser prioridade nacional
Em todo o mundo os camponeses transferem-se inexoravelmente para as cidades à medida que avança o processo de urbanização. No Brasil, graças ao seu estágio de desenvolvimento e à abundância de terras aráveis, há condições ao menos teóricas de inverter essa migração.
O solo brasileiro tem vantagens em comparação com o de outros países
70 por cento do território é formado por terras cultiváveis
mas apenas 10 por cento está ocupado por lavoura ou pecuária
Índice de aproveitamento, média mundial: 22 por cento
Apenas 13 por cento das terras de resto ruins da China servem para plantar.
Em 1996 a China produziu 430 milhões de toneladas de grãos, cinco vezes mais que o Brasil.
O Brasil tem 35 por cento do estoque de água fluvial do mundo e sol o ano inteiro.
4º maior produtor de grãos
o maior exportador de café, suco de laranja, farelo de soja e açúcar
agricultura = 13 por cento do PIB (considerando todos os negócios, como armazéns e tratores, 35 por cento do PIB)
Argentina: 6 por cento
EUA: 4 por cento
França: 2 por cento
mas poderia fazer muito mais com situação privilegiada de solo, água e clima
não há mapeamento do potencial agrícola
áreas de Pernambuco onde se planta mandioca, com baixo valor de mercado, é ideal para abacaxi
metade da área nordestina de cultivo de cana-de-açúcar deveria ser substituída por pomares. A terra não é boa para cana.
Problema é dizer isso pros usineiros que são amigos dos políticos, etc. e tal (recebiam até recentemente empréstimos e subsídios para compensar sua baixa produtividade).

VALE DO RIO SÃO FRANCISCO, EM JUAZEIRO E PETROLINA. PEQUENOS PRODUTORES DE UVA SE ORGANIZARAM NUMA COOPERATIVA. RECEBERAM TREINAMENTO, SEMENTES BOAS E VERBA PARA IRRIGAÇÃO. A UVA QUE COLHEM É MUITO DOCE E TEM MERCADO CATIVO NA EUROPA. JUNTOS, OS AGRICULTORES CONSEGUIRAM CONTRATAR UM FABRICANTE DE EMBALAGEM E OBTIVERAM UMA CAIXA ESPECIAL PARA AS UVAS. COM ESSA EMBALAGEM CONSEGUEM EXPORTAR. ISSO JÁ FAZ DEZ ANOS. HOJE, DUAS VEZES POR SEMANA UM JATO CARGUEIRO VEM BUSCAR AS FRUTAS NO RECIFE PARA LEVÁ-LAS A MILÃO, NA ITÁLIA. NO VALE TAMBÉM SE PLANTA TOMATE, CEBOLA, MELÃO E OUTRAS FRUTAS.

Escala muito pequena de exportação de banana d'après Carmen Miranda um dos símbolos nacionais
CHILE espremido entre o oceano, os Andes e Atacama - o maior exportador de frutas do mundo
Por meio século treinaram profissionais para o plantio
formaram técnicos e investiram na produção.
Fizeram associações com empresas americanas, que facilitaram a exportação
No Brasil, só por geração espontânea.
Durante décadas governo deu empréstimos subsidiados aos fazendeiros.
Só tinha acesso a eles o grande produtor, amigo de políticos ou do gerente do Banco do Brasil.
produtores de soja em Alta Floresta, no norte do Mato Grosso:
bom solo, relevo plano e bom clima, mas estão longe de qualquer saída - soja viaja 4 000 km no dorso de caminhões para embarcar em Paranaguá.
Olacyr de Moraes tentou construir uma ferrovia para escoar a produção até o porto de Vitória, no ES.
O governo prometeu construir uma ponte. Não construiu. O empresário perdeu uma fortuna.
Sem-terra com terra vai continuar sem estrada, sem irrigação, sem semente, sem renda.
Os países ricos criam barreiras inexpugnáveis às exportações alheias.
Europeus pagam para que agricultores fiquem no campo, com seu bastante bom padrão de vida e não pensem em se fixar na periferia das metrópoles.

ISTOÉ 23 de abril 1997 (quando tá passando a telenovela O Rei do Gado, de Benedito Ruy Barbosa)
A OPOSIÇÃO DAS RUAS
sondagem de opinião: 94 por cento entendem que MST deve lutar pela reforma agrária
88 por cento que governo deveria confiscar todas as terras improdutivas e distribuí-las aos sem-terra
85 por cento que invasão é importante instrumento de luta
um movimento com forte sotaque gaúcho e bases moldadas nas comunidades eclesiais de base

VEJA 24 DE NOVEMBRO DE 1993 também para D Deus e o Diabo na Terra da Seca TRISTERESINA LULA
O superintendente da Sudene, Cássio Cunha Lima, ocupou o noticiário como pivô de uma tragédia. Filho do governador da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima, autor de três tiros à queima-roupa contra seu inimigo político Tarcísio Burity. Cássio foi alvejado por acusações - não comprovadas - de procedimentos escusos e ilegais. O Pensamento Nacional de Bases Empresariais pediu investigações na SUDENE por ter indícios de uso de notas fiscais falsas e da existência de empresas fantasmas que receberam empréstimos do órgão.

VEJA 13 de novembro 1996
O BRUXO DO CONTESTADO, de GODOFREDO DE OLIVEIRA NETO, NOVA FRONTEIRA, RIO DE JANEIRO, 1997
Guerra do Contestado, território disputado pelo Paraná e Santa Catarina de 1912 a 1916
Metade do Exército brasileiro (6 000 soldados) entrou na guerra com canhões pesados, metralhadoras e até aviões (quatro aeronaves de reconhecimento), que pela primeira vez tiveram uso militar no Brasil. 5 000 mortos e 10 000 feridos.
Chefiados pelo monge José Maria, os fanáticos queriam terras e justiça social, mais ou menos o que hoje se chama MST
O Estado de São Paulo
foi a Canudos do Sul.
fronteira com a Argentina
busca da mesma promessa de um reino de paz, justiça social e fartura
luta contra soldados pecadores e republicanos
inicialmente conflito de jurisdição sobre linha demarcatória
fanáticos eram também ameaça para grandes propriedades agrárias
teve a adesão de operários da Brazil Railway Co., encarregada da construção da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul
que chamavam EFSPRG: "estrada feita somente pra roubar pro governo"
O Exército tinha informações que sindicalistas da Inglaterra e líderes de movimentos sociais da Rússia circulavam na região.
os jagunços diziam que a República era obra do diabo
a um só tempo monarquista, comunista, messiânico

Folha de São Paulo  DILEMAS DE UM PROTAGONISTA DA LUTA PELA TERRA
MST: é quando se fixa no Pontal do Paranapanema que o movimento atinge grande notoriedade e a resolução dos conflitos ali
poderá secundarizar novamente a representação dos sem-terra, forçando-a a retornar aos grotões da vida rural, isolando-a politicamente e, assim, refluindo as pressões em favor da reforma agrária

A hora da verdade
Veja 27 de dezembro de 1995
Pontal do Paranapanema concentra um dos maiores rebanhos bovinos do país: 2,5 milhões de cabeças de gado, que rende 450 milhões de carne.
área de disputa é sete vez maior que São Paulo
Os documentos de posse das terras de propriedade dos fazendeiros têm origem numa fraude ocorrida em 1886 e desde 1958, após uma década de disputas na Justiça, ficou demonstrado que as terras pertencem ao governo do Estado.
até os políticos conservadores acham que os sem-terra têm mais razão do que os fazendeiros

 

  

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AGROINDÚSTRIA  ALIMENTAÇÃO 2008

 

ERA UMA VEZ A REFORMA AGRÁRIA QUE NUNCA EXISTIU
 

Os invernos não estiaram no semi-árido até aqui na primeira década de 2001 e 2 e tempo afora. Sorte do presidente-ex-retirante Luís Inácio Lula da Silva, até aqui um estadista com muita sorte, porque tudo tem jogado a favor em termos de conjuntura interna e internacional. Até aqui, ao crack das hipotecas imobiliárias. E a questão em 2008 e 9 (e tempo afora?) agora é:
BLINDAGEM
tem o tatujeca blindagem suficiente para resistir à tempestade de títulos podres que o Tio Sam jogou no ventilador?
 

Teve Sorte o Presidente do Brasil, Lula, Que Assumiu em 2002 para pegar vento de popa da conjuntura econômica internacional bafejada pelos "créditos podres", e se o seu país não cresceu em "ritmo chinês", isso pouco importa para a mídia: teve um quinquênio de ouro, o de maior crescimento econômico desde o "milagre" há 30 anos, antes de pela primeira vez na história do século XX deixar de crescer. Por mais de vinte anos ..

Teve sorte talvez também por a Rede Globo de Televisão ter feito tudo para que não fosse eleito em 1989, empurrando o seu adversário, o caçador de marajás das Alagoa Fernando Collor de Mello para assumir o timão e promover a segunda ABERTURA DOS PORTOS e, antes do impeachment, olhar de soslaio a que seria uma das mais graves estiagens da sua região - uma seca que durou de 1990 a 1997 em algumas paragens da Nordeste, pra que quase não ligou. O seu sucessor, sim. Bem ao seu estilo Itamar Franco esbravejou, esperneou, já em final de mandato prometeu mundos e fundos mas a economia brasileira estava de rastos e o mais que conseguiu foi implementar os tais auxílios de emergência para mais uma vez enganar o pato enquanto a embarcação não estabilizasse com o Plano Real que mandou implementar e promulgou.

Teve sorte também o ex-retirante da Zona da Mata pernambucana de - segundo uma corrente científica - os ciclos de estiagem no Nordeste serem de 13 anos e por essa ótica só lá para 2010, quando já terá deixado o poder, poder ocorrer uma nova seca das braba. Sempre foi menos um empecilho para o seu "espetáculo do desenvolvimento", o país e o mundo não serem incomodados com as clássicas imagens de meninos zambudos e saques de armazéns por flagelados da seca em instantâneos de matizes africanos. Que ia atrapalhar, ia. Com uma estiagenzinha é que se veria o quanto o Brasil do novo milagre de Lula, um ex-retirante, deixou a África pelas bandas lá da sua região e se aproximou de São Paulo e Belo Horizonte, as duas loucomotivas nacionais, ou se ao contrário, no que tange ao matuto, pouco ou nada melhorou  quase-quase. Teríamos novos programas de auxílio de emergência, finalmente se tocaria pra frente a transposição do Rio São Francisco - ou o quê?

 

LEITURAS DE VIAGEM:
China: com crescimento de 10% ao ano mais de 300 milhões de chineses saíram da pobreza nos últimos dez anos
Esse fenômeno se repetiu na Índia e no Brasil
Mais dinheiro significa mais comida na mesa.
Etanol: 50 milhões de toneladas de milho foram desviadas para produção de etanol nos EUA entre 2006 e 2008, segundo a Agroconsult.
pressão em toda a cadeia do mercado de alimentos: adubos, fertilizantes e sementes; produção e distribuição.
Nos laticínios.
Chegou-se a pensar em liberar a entrada de laticínios Europeus no Mercosul.
O que está defendendo o Brasil são os pequenos agricultores, que seriam aniquilados com a entrada maciça dos europeus.
A alta foi de apenas um terço da subida internacional do preço.
A alta do petróleo afeta a cadeia produtiva (fertilizantes e frete).
As mudanças climáticas provocaram seca de três anos na Austrália.
Com a crise financeira a especulação foi desviada para os mercados futuros de petróleo e alimentos.
Subsídios de EUA e Europa desestimulam a produção em países menores.


bagaço de cana para produção de energia elétrica
1º leilão de biomassa, termelétricas movidas a bagaço de cana
etanol do trigo e do milho é mais caro que o de cana - biocombustível
biodiesel
em São Paulo 50 por cento do corte de cana já é mecanizado

ECOPORTUNISTAS
ECOCHATOS

12 de abril de 2008:
Carnes já estão até 15 por cento mais caras
preço do frango caiu cerca de 20 por cento devido à queda na exportações do produto

O GLOBO 24 DE ABRIL DE 2008
HORTALIÇAS E FRUTAS COM EXCESSOS DE AGROTÓXICOS
ANVISA CONSTATOU SUBSTÂNCIA PROIBIDA EM 15 ESTADOS. TOMATE É O MAIS CONTAMINADO
altos índices de resíduos de agrotóxico proibido em amostras de tomates recolhidas
A substância monocrotofós, um dos ingredientes do produto banido do comércio legal há dois anos, pode causar câncer e afetar o sistema endrónico do organismo humano. O tomate é um dos alimentos mais consumidos no Brasil.
excesso de agrotóxico em amostras de alface e morango
... investigar a venda do agrotóxico com monocrotóis. O uso do produto, extremamente nocivo, é proibido desde 2006. Mas dificilmente os agricultores responsáveis pelo comércio de tomates, alfaces e morangos contaminados sofrerão alguma punição.
Para a Anvisa os agricultores recorreriam ao produto por desinformação e portanto caberia ao Ministério da Agricultura fazer campanhas educativas para minimizar (sic! diminuir, reduzir...) o problema.
... agrotóxicos inadequados aos produtos e com isso também expuseram a saúde dos consumidores a risco (em risco?...).

O GLOBO 24 DE ABRIL DE 2008
BARREIRAS À EXPORTAÇÃO DE GRÃOS
Para garantir abastecimento interno
e evitar novos reajustes do arroz
principalmente no segundo semestre na entressafra de grãos
o governo suspendeu a exportação do produto
e vai pressionar o setor privado a fazer o mesmo
Preocupação com a crise mundial provocada pela disparada dos preços dos alimentos
A Conab vai leiloar parte dos estoques públicos de arroz, estimados em 1,2 milhões de toneladas. O objetivo é forçar a queda do preço que vem subindo 1 por cento ao dia, segundo o ministro da Agricultura brasileiro.
Em algumas localidades a saca de arroz custava R$ 30.
O preço mínimo de referência do governo é R$ 22.
No varejo os preços ainda estão sob controle: alta de 0,72 por cento em março.
O Brasil produz quase todo arroz que consome
e não tem sido um grande exportador.
Da safra 2008 de 12 milhões de toneladas deve exportar 500 mil.

Mas o forte crescimento do consumo na Ásia levou os arrozeiros da região
Indonésia
Malásia
Índia e Vietnã
a limitarem a exportação para garantirem o abastecimento doméstico
e segurar preços. Na Ásia a cotação subiu 119 por cento em um ano.
O Egito também limitou as exportações.
Por isso o Brasil tem sido procurado para vender o excedente.
O governo brasileiro vendeu 500 mil toneladas e decidiu manter 600 mil como reserva estratégica.
As consultas foram feitas por compradores tradicionais europeus, asiáticos e sul-americanos e de última hora por africanos: Guiné-Bissau, Gana, Níger e Congo
O Brasil tem um excedente de 12 milhões de toneladas de milho mas precisa tomar cuidado porque está se tornando cada vez mais escasso devido à maior produção de biocombustíveis nos EUA, que usam o cereal como matéria-prima e o milho que se produz fora é transgênico e o país ainda não utiliza o transgênico.
O governo ampliou recursos para o plantio de trigo.
- O Brasil está numa situação melhor que China, Índia e Rússia, que têm mais pressão inflacionária. E o país é grande produtor de commodities - Guido Mantega, o ministro da Fazenda.
No mais recente sinal da falta do arroz, o Sam's Club, atacadista da Wall-Mart, informou que vai limitar a venda do grão nos EUA. Cada cliente só poderá comprar quatro sacos de nove quilos por vez. Na véspera o principal concorrente do Sam's Club, a Costco, já havia anunciado limitações em arroz e farinha.
ABITRIGO QUER IMPORTAR SEM IMPOSTOS
que o Brasil estenda a alíquota zero de importação de trigo - limitada hoje a um milhão de toneladas - a países fora do Mercosul. Ele estima que o país tenha de importar três milhões de toneladas até o fim do ano.
Para o governo, mesmo comprando o produto de outros mercados, como EUA e Canadá, sem imposto as operações sairiam mais caras por causa dos preços e do frete.
A ARGENTINA informou que não tem data para reabrir as exportações de trigo.
O governo Kirchner tinha prometido reabrir as exportações de trigo em 3 de março, já adiou cinco vezes e agora nos disse que o tempo é indeterminado - falou o presidente da Abima, Associação Brasileira de Massas Alimentícias.

O Globo 24 de abril de 2008
DÓLAR EM QUEDA, IMPORTADOS 40% MAIS BARATOS
Dólar a US$ 1 = R$ 1,659
O mesmo dólar desvalorizado que ajuda na pressão da inflação dos alimentos

O Globo 24 de abril de 2008
EXECUTIVO DA GE EVOCA A DEPRESSÃO
economia americana vive o seu pior momento desde o estouro das empresas ponto.com
setor imobiliário não passa por tal turbulência desde a Grande Depressão americana, nos anos 1930.
A GE, empresa emblemática da robustez da economia americana, chocou os investidores há duas semanas ao anunciar recuo de 6 por cento do seu lucro no primeiro trimestre.
A GE vai ampliar o seu programa de redução de custos de US$ 2 para US$ 3 bilhões

O Globo 25 de abril de 2008
Mirian Leitão TEMPOS INCERTOS
choque agrícola global
choque agrícola global
choque agrícola global
choque agrícola global
sobem o consumo, os salários, o crédito, as expectativas; e, de fora, vêm choques de preços.
aumento ininterrupto de crédito e renda
e, mesmo quando se retira a inflação dos alimentos, as taxas mostram alta.
As altas conjunturais são as dos produtos in natura, ou seja, a feira. Mas as commodities, como soja, milho, trigo e até arroz
quanto mais as commodities agrícolas têm risco de subir de preço mais interesse atraem dos especuladores que querem se garantir contra um dólar fraco e contra ativos financeiros voláteis.
há um choque agrícola global e o petróleo disparou.
Mesmo que o mundo diminua muito seu crescimento, a comida é o último dos gastos que os consumidores cortam.

O GLOBO 25 DE ABRIL DE 2008
e-mail de leitor do Rio de Janeiro
está faltando arroz no mundo, base da alimentação do brasileiro, e ele pede para expulsar quem planta arroz em Roraima.

O GLOBO 25 de abril de 2008
GOVERNO AGE PARA CONTER PREÇOS DE ARROZ E TRIGO
ALTA DE 33,3 por cento EM MÉDIA
em "caso extremo" poderá haver restrições às exportações do setor privado.
Contando com as cerca de 400 mil toneladas exportadas pelo governo este ano, o Brasil não prejudicaria o abastecimento interno se vendesse mais 600 mil a 1,1 milhão de toneladas. Os estoques reguladores públicos somam 1,2 milhão de toneladas de arroz, e o setor privado tem 1,8 milhão de toneladas.

O GLOBO 25 de abril de 2008
Trabalho Escravo
6 mil trabalhadores libertados em 2007 de um total de 30 mil encontrados em tal situação desde 1995.
Nesse período Comissão Pastoral da Terra registrou denúncias envolvendo 50 mil trabalhadores "amarrados por promessas", obrigados a trabalhar em fazendas e carvoarias em condições desumanas e impedidos de romper a relação com o empregador.
Sua maior concentração está nas regiões de expansão agropecuária da Amazônia (coincidindo com o Arco do Desflorestamento) e do Cerrado. O trabalho escravo está frequentemente associado a desmatamento ilegal, na formação de pastos ou instalação de lavouras.
Metade dos trabalhadores resgatados em 2007 encontravam-se na Região Centro-Oeste e em canaviais.
Empregadores adeptos desse sistema são em sua maioria grandes proprietários produzindo com tecnologia de ponta
Arcaico e moderno convivem em busca do lucro fácil e abastecem o comércio nacional e internacional
liderança do Brasil no mercado internacional de commodities
Nenhum deles foi para a cadeia. Nenhum perdeu sua propriedade

O GLOBO 28 de abril de 2008
John McCain, candidato republicano à Casa Branca:
Já me posicionei contra os subsídios do etanol. Fui claro a respeito de outros subsídios, ainda mais quando os lucros agrícolas chegaram a um recorde histórico. Enfrentamos problemas de disponibilidade de alimentos. Há gente morrendo de fome porque o preço dos alimentos disparou, por isso não quero distorcer o mercado com subsídios.

O GLOBO 28 de abril de 2008
O MISTÉRIO DO PREÇO DA COMIDA                  PAULO GUEDES
A recente e brutal elevação dos preços dos recursos naturais em relação aos salários em todo o mundo é o reflexo do mergulho de três bilhões de eurasianos nos mercados de trabalho e, em decorrência, nos mercados de consumo de energia, comida e insumos básicos da nova economia mundial. A vertiginosa inclusão populacional no regime das economias de mercado, a rápida expansão do comércio internacional, a mudança acelerada dos preços da energia e da comida em relação aos preços de produtos industriais e de serviços, a defasagem salarial em relação a todos esses aumentos e o rápido crescimento das desigualdades pelo aumento dos rendimentos do capital em relação aos rendimentos do trabalho formam um padrão em todas as grandes ondas de preços examinadas por Hackett Fischer em "As grandes ondas de preços e o ritmo da História".

O GLOBO 28 de abril de 2008
Ameaça à vista
um artigo de um professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,  Denis Rosenfield
O Brasil já efetuou a reforma agrária, a da moderna propriedade rural e do agronegócio

O GLOBO 28 de abril de 2008
ALIMENTOS: ONU DEBATE A CRISE
Mulheres entram na fila de distribuição de arroz no Paquistão em mais uma amostra da crise mundial dos alimentos, que gerou protestos em diversos países no fim de semana. A crise, que já provocou distúrbios sociais em pelo menos 37 países, estará no centro das discussões do encontro semestral das 27 agências da ONU

O GLOBO 28 DE ABRIL DE 2008
ESPECIALISTA AFIRMA QUE AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS VAI PRESSIONAR INFLAÇÃO
Os alimentos devem subir este anos 8 por cento. O diesel chega a representar 40 por cento do preço dos hortifrutis por causa do transporte


O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008
ARGENTINA VETA TRIGO AO BRASIL MAS NÃO À BOLÍVIA
PAÍS QUER TROCAR GRÃO POR GÁS BOLIVIANO E PETRÓLEO DA VENEZUELA.
GOVERNO BRASILEIRO VÊ ESCAMBO COM PREOCUPAÇÃO
Argentina suspendeu exportações de grãos para o Brasil sob o pretexto de que precisa de atender a demanda interna e evitar novos aumentos e subida da inflação.
Os preços do pão, do macarrão e dos biscoitos subiram 20 por cento nos últimos 12 meses.
O Brasil importa 70 por cento do trigo que consome: 10,2 milhões de toneladas por ano.
Estoque mundial de trigo, estimado em 112 milhões de toneladas, é o mais baixo dos últimos 20 anos.
O preço do trigo nacional subiu 25,5 por cento no ano.
Recentemente o Brasil negou ceder parte do gás natural boliviano que importa.
PREÇO DAS COMMODITIES PREOCUPA
pesquisa da Confederação Nacional da Indústria revelou que a elevação dos custos das empresas por conta do aumento dos preços das matérias-primas só perde para a carga tributária e a competição acirrada com os produtos importados entre as preocupações dos empresários brasileiros.

O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008
RELATOR DA ONU PEDE MORATÓRIA DE ETANOL MAS ELOGIA PROJETO BRASILEIRO
Jean Ziegler
, o mesmo relator para Direito à Alimentação da ONU que pediu ontem a suspensão temporária da produção de biocombustíveis, elogiou o programa de etanol e biodiesel brasileiro, dizendo que o país não pode ser acusado de usar alimentos para produzir essa fonte de energia.
mostrou-se preocupado com a resposta do presidente Lula a uma declaração sua de que a produção em massa de biocombustíveis seria um crime lesa humanidade.
Afirmou ter ficado impressionado com os programas sociais da Petrobras para ajudar pequenos produtores que cultivam mamona e outros frutos de baixo valor de mercado.
Citou o fato de o Brasil extrair essencialmente o açúcar da cana e não de outros alimentos básicos, numa referência a países como os europeus que utilizam a beterraba.
Reafirmou preocupação com as grandes quantidades de biocombustíveis produzidas a partir de alimentos. Mencionou os Estados Unidos, que usam o milho.
a Ministra chefe da Casa Civil Dilma Roussef fez apaixonada defesa do etanol brasileiro, que como disse vem sendo vítima de "afirmações tendenciosas" em todo o mundo, apontado como culpado pelo aumento dos preços.
A culpa é do petróleo. A participação do etanol na matriz energética internacional deve ser algo próximo do zero. O que causa a alta dos alimentos é o impacto do preço dos fertilizantes, da irrigação e do transporte.
A ministra criticou os países ricos por continuarem subsidiando os seus produtores de alimentos e, no caso dos EUA, também os de etanol (através do milho).
FINANCIAL TIMES
afirma que Brasil é uma solução óbvia mas esquecida para a alta global dos preços dos alimentos: tem enormes reservas de área cultivável não utilizada, a maior parte usada hoje como pastagem. Para o jornal o maior entrave à produção agrícola brasileira são as tarifas proibitivas de Europa e EUA.
O jornal chega a dizer que o Brasil tem sua culpa por não divulgar suficientemente sua capacidade de produção e fazer pouco para combater a "histeria sobre a suposta ameaça do etanol à floresta amazônica".
a adoção de uma criação de gado intensiva liberaria área para cultivo, mas irritaria fazendeiros ricos de Europa e EUA.
ESPECIALISTAS: ALTA DE GRÃOS TEM VÁRIOS 'CULPADOS'
ENTRE ELES A DEMANDA POR COMIDA
relatório do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco
alta de 25 por cento no índice de commodities alimentícias e químicas no atacado
China: com crescimento de 10 por cento ao ano, mais de 300 milhões de chineses saíram da pobreza nos últimos dez anos
Esse fenômeno se repetiu na Índia e no Brasil
Mais dinheiro significa mais comida na mesa.
Etanol: 50 milhões de toneladas de milho foram desviadas para produção de etanol nos EUA entre 2006 e 2008, segundo a Agroconsult.
pressão em toda a cadeia do mercado de alimentos: adubos, fertilizantes e sementes; produção e distribuição.
Nos laticínios.
Chegou-se a pensar em liberar a entrada de laticínios Europeus no Mercosul.
O que está defendendo o Brasil são os pequenos agricultores, que seriam aniquilados com a entrada maciça dos europeus.
A alta foi de apenas um terço da subida internacional do preço.
A alta do petróleo afeta a cadeia produtiva (fertilizantes e frete).
As mudanças climáticas provocaram seca de três anos na Austrália.
Com a crise financeira a especulação foi desviada para os mercados futuros de petróleo e alimentos.
Subsídios de EUA e Europa desestimulam a produção em países menores.
MIRIAN LEITÃO
EFEITOS DO PETRÓLEO
consumo de plásticos no Brasil continua crescendo 10 por cento ao ano.
Matéria-prima básica da petroquímica brasileira, a nafta, em 2002 custava US$ 180 a tonelada, hoje custa US$ 960
Queda de 1 por cento na cotação do dólar significa uma subida de US$ 4 no preço do barril de petróleo.
O produtor americano usa gás natural (que lá tem preços mais baixos que os derivados de petróleo), leva vantagem com o dólar desvalorizado e tem sobra do produto por conta da economia interna desaquecida.
O mercado petroquímico enfrenta também pressões para a redução do consumo por questões ambientais.
projeto do polietileno verde vai produzir até 2010 duzentas mil toneladas de plástico vegetal, feito a partir do etanol.
            - Eles querem saber se as plantações de cana do etanol estão empurrando a produção de grãos e carne apara a Amazônia; perguntam muito sobre o ritmo do desmatamento; querem saber sobre o trabalho escravo no Brasil.
Fantasmas do Brasil que não quer se modernizar: lavoura arcaica cobra seu preço e pode virar barreira até para produtos industriais.
A cobrança ambiental tende a ser cada vez maior sobre toda a rede produtiva que usar combustíveis fósseis como fonte de energia ou como matéria-prima.

leitor de O Globo 5 de maio de 2008
Poderia ser o maior produtor mundial de alimentos mas não é.
outro leitor
estampa constantemente morte de crianças indígenas por desnutrição, de adultos pela falta de perspectiva e esperança
outro leitor:
Roraima, fronteira com Venezuela e Guiana, onde têm ocorrido gravíssimos conflitos entre índios e plantadores de arroz.

11 DE MAIO DE 2008
DEU A LOUCA NOS PREÇOS
Em maio de 2001 12 produtos dos 19 itens da cesta custavam até R$ 1,50. Em abril de 2008 apenas quatro produtos dos 19 custavam até R$ 1,50

O GLOBO 10 DE JUNHO DE 2008
PIB DO PRIMEIRO TRIMESTRE DEVE FICAR ENTRE 5,5% E 5,8%
ALIMENTAÇÃO CONTINUA PRESSIONANDO INFLAÇÃO
DI = DISPONIBILIDADE INTERNA
PIB EM 2007: + 5,4%
quarto trimestre de 2007: + 6,2%
enorme apetite para importados que tem deteriorado as contas externas do país.
chamada absorção interna, que é o crescimento da economia sem contar o comércio externo, deve ter expansão de 9 por cento no primeiro trimestre
O Banco Central teme que a demanda interna aquecida pressione ainda mais a inflação e por isso desde abril tem subido os juros básicos da economia.
A contrapartida da demanda interna em ascensão é o fraco resultado das exportações, com queda estimada de 3,6 por cento no primeiro trimestre enquanto as importações cresceram 18,4 por cento.
o consumo das famílias deverá ter crescido 7,7 por cento no primeiro trimestre
no último trimestre de 2007 cresceu 8,6 por cento
IGP-DI DE MAIO É O MAIS ALTO DESDE JANEIRO DE 2003, quando a inflação no período pós-Real refletia a forte desvalorização da moeda brasileira ocorrida em 2002.
aumentos no atacado do óleo diesel, materiais de construção para indústria e do minério de ferro. O Índice de Preços no Atacado subiu de 1,30 por cento em abril para 2,22 por cento em maio, a maior taxa desde dezembro de 2002.
No varejo a alta dos alimentos (2,33 por cento)
MANTEGA DIZ QUE INFLAÇÃO PARA BAIXA RENDA É MAIS SEVERA E ACUMULA 8 POR CENTO
para os trabalhadores com renda entre um e 2,5 salários mínimos a inflação nos últimos 12 meses está acumulada em 8 por cento, contra 5,04 por cento do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
 

Lula quer ampliar produção de fertilizantes para elevar oferta de grãos
Mais de 70 por cento dos fertilizantes são importados.
Solução: investir nas jazidas de nitrato e fosfato, muitas delas nas mãos da Petrobras e da Vale do Rio Doce.
em dois meses, com a safra agrícola, os preços dos alimentos cairão no mundo, com reflexos no Brasil.
Lula afirmou que as petrolíferas acusam injustamente o Brasil de devastar a Amazônia:
            - Dizer que a cana-de-açúcar está invadindo a Amazônia é um absurdo.
À ESPERA DE SAFRA RECORDE
safra de cereais, leguminosas e oleaginosas está prevista em 144,3 milhões de toneladas - a maior de sempre, e 8,4 por cento superior à de 2007
três safras anuais de feijão e duas de milho.
queda dos preços estimula consumo e isso produz impactos na produção seguinte, que seria menor e provocaria mais reajustes.
preço das commodities não é fixado pelo Brasil mas pelo balanço mundial de oferta e demanda

02-07-2008 AGRICULTURA ALIMENTOS
FERTILIZANTES QUÍMICOS
pesam de 30 a 50 por cento no preço final dos produtos
Brasil importa mais de 70 por cento do fertilizante que consome a R$ 60,00/kg.
FERTILIZANTE ORGÂNICO custa R$ 40,00/kg.
resíduos vegetais e animais (minhocas)
alimento livre de agrotóxicos
custo maior com transporte e manejo
Brasil tem jazidas minerais que cheguem para se tornar auto-suficiente em FERTILIZANTES QUÍMICOS em de 5 a 10 anos
anunciado crédito agrícola de mais de 70 bilhões de reais para próxima safra
CNA esperava 120 bilhões por conta do aumento dos custos - 80 por cento de aumento no dos fertilizantes
commodities... commodities... maior exportador de carnes bovina suína e de frango


veja 16 de julho, 2008
UM CHEQUE DE 3,4 BILHÕES DE DÓLARES
A operação de busca e apreensão de documentos que a Polícia Federal fez na casa de Eike Batista azedou uma semana que tinha tudo para ser especial
recebeu um cheque de 3,4 bilhões de dólares, cash? (((contradição, meu)))
pagamento da Anglo American pela compra de parte da MMX
Desse total Eike pagará 450 milhões de reais de impostos
WALL-MART
É a maior empresa do planeta, com faturamento de 379 milhões de dólares (?!)
FINANCIAL TIMES
o país "está surfando em uma grande onda de confiança" graças às reformas realizadas nos últimos quinze anos.
"Não é um exagero dizer que o Brasil está à beira do status de superpotência."
UM MOMENTO DE OURO
O ano de 2007 coroou a fase dourada da economia brasileira.
As vendas totais das 500 maiores empresas do país atingiram 1 trilhão de reais, num crescimento real de 7,5 por cento em relação a 2006.
resultados se transformaram em em pregos (400 000 vagas foram por elas abertas em um ano) e mais impostos (145 bilhões de dólares em tributos)
Nem mesmo a crise internacional foi suficiente para afetar
porque o crescimento do país tem sido puxado pela atividade interna.
Catapultados pela estabilidade econômica, que deslanchou o crédito e aumentou o poder de compra dos trabalhadores, os fabricantes de veículos vivem os melhores dias da sua história no país.
Cledorvino Bellini, presidente da Fiat: Mais do que a estabilidade econômica, precisamos assegurar as reformas estruturais do estado brasileiro, bem como o rigoroso controle das contas públicas, o investimento na diminuição dos gargalos de infra-estrutura e na prevenção dos males futuros.
Roberto Civita:
Precisamos passar a ser impiedosos com a corrupção, combatendo sem trégua a praga da impunidade que tanto contribui para alimentá-la.

Veja 23 de julho de 2008
A NOVA FRONTEIRA DOS BILHÕES
O Brasil passou por um ajuste profundo - e por vezes doloroso - em sua economia nos últimos quinze anos.
Abriu-se à economia internacional, equilibrou as contas públicas, privatizou estatais e, acima de tudo, debelou a inflação
Resultado:
enfrenta hoje a euforia de crescer no ritmo mais acelerado desde o "milagre econômico" dos anos 70 - e crescer de maneira sustentável.
lista oito grandes negócios internacionais realizados por mega-corporações brasileiras - e o seu significado estratégico
empresas que se tornaram líderes globais em sua área de atuação - em geral na chamada "velha economia", setores industriais tradicionais, sobretudo ligados aos recursos naturais.
Na compra da Anheuser-Busch/Budweiser pela InBev estratégia e algumas negociações especiais por conta do trio Lemann, Telles e Sicupira, apresentados por Veja como
os primeiros e mais bem-sucedidos empreendedores globais produzidos pelo capitalismo brasileiro. São ícones de vanguarda de um período glorioso da economia do Brasil
...
A fluminense Quissamã aplica em educação os royalties que recebe do petróleo. Em Itacoatiara, no Amazonas, crianças vão de barco para as noventa escolas construídas nos últimos dois anos fora da área urbana. Nas franjas da floresta, o dinheiro da soja constrói os primeiros arranha-céus da região.
oito motores da economia brasileira:
soja, cana-de-açúcar, carnes, petróleo, extração mineral, obras de infra-estrutura e indústrias têxtil e automobilística
catorze municípios não transferiram sua riqueza para as comunidades. Alguns desperdiçaram dinheiro em obras inúteis. Outros em programas populistas.
Há ainda aqueles em que empresários e empresas transferiram os lucros para cidades distantes
Marabá, no Pará, um dos maiores rebanhos de gado do país - como moram em Belém ou no Sudeste os pecuaristas não mantêm o dinheiro lá
processo de interiorização que a economia brasileira atravessa
PIB do interior cresceu nesta década 49 por cento
o das metrópoles 39 por cento
indústrias das metrópoles cortaram 5 por cento dos postos de trabalho nos últimos 10 anos
nas cidades menores o emprego industrial cresceu 30 por cento
a população do Norte e Centro-Oeste cresceu duas vezes mais que a das outras regiões
desenvolvimento rápido da educação no Norte e no Centro-Oeste. Ensino básico de Tocantins já é o sexto melhor do país.
Caruaru, no interior de Pernambuco, sedia um dos melhores cursos de odontologia do país
muitas sementes do progresso foram plantadas nos anos 60
algumas remontam a iniciativas de Brasília de cultivar o cerrado e ocupar a Amazônia para defendê-la de eventuais invasores
variedades de soja adaptadas às condições do cerrado, que se disseminou de forma complementar ou em substituição à pecuária.
amplas extensões de terra e vantagens naturais do país foram decisivas.
encontrar uma raça de gado adaptável ao Brasil, o zebu indiano, e melhorá-la geneticamente.
Paulistas redescobriram o potencial da cana no Centro-Sul
Devastado pela concorrência dos asiáticos nos anos 90, o setor têxtil conseguiu se reeguer em várias regiões graças à eficiência de alguns empresários.
como essas,
a exploração de petróleo, indústria do ferro e do aço e a própria infra-estrutura de portos se desenvolveram ao largo das metrópoles
"A população brasileira nunca esteve tão bem distribuída no território como hoje" - avalia um geógrafo
A PROTEÍNA DO CAMPO
Brasil só começou a produzir soja em escala industrial nos anos 60
No início semeou o grão no Rio Grande do Sul.
o maior exportador e o segundo maior produtor - cobre 27 por cento do mercado global
Um quinto da exportação do agronegócio brasileiro vem do COMPLEXO SOJA
enriquecendo o solo onde é cultivada ressuscitou as lavouras de milho e algodão, que a substituem no período de descanso da terra.
Seu farelo é um dos principais ingredientes da ração de animais.
Óleo, básico na cozinha e também matéria-prima do biodiesel
21 milhões de hectares em 1 877 municípios de vinte estados.
economia e população das cidades do Norte e Nordeste que plantam soja crescem 10 por cento ao ano (ritmo chinês)
área coberta por lavouras de soja nas duas regiões cresceu 125 por cento e gerou 60 000 empregos diretos e indiretos
em três anos a renda per capita desses municípios dobrou
a produtividade de suas fazendas também é a maior do mundo: 55 sacas por hectare
SORRISO, MATO GROSSO
sol abundante, chuvas regulares e terreno plano, perfeito para lavouras mecanizadas: fazendas produzem o ano inteiro
a economia local cresceu 64 por cento nesta década
água tratada e energia elétrica em 100% das residências. Quase todas as ruas pavimentadas. 19 escolas da rede municipal têm laboratório de informática com internet de banda larga
em 12º lugar no ranking Veja entre as que melhor mesclaram crescimento com desenvolvimento em saúde, educação e tecnologia
mas a criminalidade aumentou e é maior que a média brasileira
pretende reduzir sua dependência da soja
O NOVO CICLO DA CANA
reencontrou a prosperidade do século XVII, quando era a força motriz da economia nacional.
expandem-se para atender à demanda por álcool combustível.
A disparada do preço do petróleo criou um novo mercado para o produto.
carros bicombustíveis deram mais incentivo à produção
usineiros foram obrigados a mecanizar o processo produtivo e a modernizar suas relações trabalhistas.
Sudeste, o maior produtor, e Centro-Oeste, a nova fronteira do produto
São Paulo e Paraná produzem 70 por cento da cana brasileira
13,5 por cento já é produzida no cerrado (Goiás, MG, MGS)
Nordeste: 12 por cento
Conceição das Alagoas, Minas Gerais:
maior usineiro do seu estado, Carlos Lyra escolheu a cidade pelas terras férteis, boa oferta de água e localização: 35 por cento dos impostos e 40 por cento dos empregos são gerados pelo grupo
DOLCE VITA EM VOLTA DE UMA USINA DE AÇÚCAR
Pradópolis, noroeste de SP: 15 000 habitantes
criminalidade desprezível
mortalidade infantil é 30 por cento menor que a do estado
taxa de analfabetismo é um terço do índice nacional
todas as crianças matriculadas em escolas públicas, boa parte delas em tempo integral
setor sucroalcooleiro viveu espetacular crescimento nesta década
uma espécie de feudo da família Ometto.
Eles são primos do empresário Rubens Ometto, dono da Corsan, a líder mundial em álcool.
foi o combustível da expansão econômica de 20 das 500 cidades brasileiras que mais cresceram nesta década
85 por cento da colheita já é mecanizada.
colheitadeiras
a maioria dos bóias-frias foi requalificada com programas de estudos e cursos técnicos profissionalizantes
desemprego tornou-se marginal
para proteger o meio ambiente aboliu a prática secular da queima dos canaviais em tempo de safra e com o bagaço da cana produz toda a energia que consome e vende um excedente capaz de abastecer uma cidade de 30 000 habitantes.
ECONOMIA COM TRAÇÃO BOVINA
espaço do rebanho dos países ricos, contaminado pela vaca louca
nesta década o rebanho brasileiro cresceu 32 por cento e já há mais bois que pessoas: 207 milhões contra 190
grupos brasileiros respondem hoje por 70 por cento da carne uruguaia\ia, 60 por cento da argentina e 57 por cento da australiana
o maior deles, o goiano JBS-Friboi, detém 34 por cento da capacidade de abate dos Estados Unidos
produção de carne bovina aumentou 40 por cento
líder mundial em exportação
frango: líder do ranking desde 2007 ocupando o mercado asiático, cuja produção foi destruída pela gripe aviária
VILHENA, sul de RONDÔNIA
eldorado amazônico
no meio da Rodovia BR-364, que liga Porto Velho a Cuiabá
povoada por agricultores do Sul e do Sudeste, atraídos por loteamentos feitos por Brasília e slogans como
  INTEGRAR PARA NÃO ENTREGAR
        TERRAS SEM HOMENS PARA HOMENS SEM TERRAS
a conquista do Oeste brasileira - ou do Noroeste
estrada só foi asfaltada em 1982
cortada diariamente por 700 caminhões de soja, rumo a Porto Velho, onde embarcam em barcaças que descem o rio Madeira
PIB do município cresceu 73 por cento nesta década e a população 25 por cento
uma Suíça rondoniense
um clã domina a política, os Donadon
a única destas regiões entre as vinte primeiras do ranking veja (ver acima): Brasília pretende conectá-la à costa baiana por meio de uma ferrovia
mais avançado está o projeto de ligá-la ao Pacífico pelo Peru
A ERA DE OURO DO FERRO
o minério nacional é o melhor do mundo, dispõe de um espetacular sistema de logística e é abundante, assim como subproduto: aço
foi especialmente beneficiado pelo aumento da demanda de China e Índia
entre os maiores produtores de bauxita, manganês, grafita e tântalo
tem 95 por cento das reservas de nióbio
exporta níquel, caulim e magnésio e é alto suficiente em
calcário, titânio, ouro, tungstênio e diamante
é comum que o PIB das cidades mineradoras disparem e a população continuar na miséria
Canaã dos Carijós, Pará: em 2000 Vale anunciou abertura de mina de cobre, a população dobrou, a cidade virou um favelão.
royalties pagos multiplicou arrecadação municipal por vinte e a situação está se revertendo
29 por cento do ferro brasileiro é extraído no Pará
70 por cento do ferro brasileiro é extraído em Minas Gerais
a participação da mineração no PIB do Pará subiu de 12 para 32 por cento desde 2000
300 minas estão sendo exploradas em 250 municípios do estado
empresas de mineração e siderurgia estão entre as beneficiadas pelo crescimento das exportações para a Ásia. Seu faturamento dobrou nesta década e hoje exporta 1,3 bilhão de toneladas
OURO BRANCO, QUADRILÁTERO FERRÍFERO DE MINAS GERAIS
NO SÉCULO XVII os bandeirantes paulistas descobriram lá o ouro branco
em sexto lugar no ranking veja
COMBUSTÍVEL DE 1 000 CIDADES
o preço do barril de petróleo subiu 350 por cento em cinco anos
quase 1 000 dos 5 564 municípios brasileiros receberam 3 bilhões de dólares de royalties pela exploração de petróleo
Bacia de Campos responde por 84 por cento da produção nacional de petróleo
e Macaé, base na região, já cresceu 600 por cento nesta década
hordas de migrantes amontoam-se em bolsões de miséria
2000: 1,26 milhão de barris de petróleo/dia
2007: 1,83 + 45 por cento
participação do petróleo no PIB
2000: 4,8 por cento
2007: 12 por cento - + 150 por cento
pauta de exportações
2000: 3,4 por cento
2007: 10 por cento
a literatura econômica é pródiga em estudos que mostram como o dinheiro das jazidas de óleo pode atrair má sorte para uma comunidade
O PAÍS DAS MONTADORAS
sétimo maior fabricante de veículos do mundo
e o país que produz o maior número de marcas: onze
25 por cento para exportação
produção:
2000: 1,69 milhões
2007: 2,98 milhões
participação no mercado mundial:
2000: 2,8 por cento
2007: 4 por cento
produção por funcionário:
2000: 18,9
2007: 28,9
em 1990 74,8 por cento da indústria automobilística estava concentrada em São Paulo
hoje: 43,7 por cento
Camaçari, Bahia, 200 000 habitantes
Ford: PIB da cidade ultrapassou o de Salvador em 2007
só 3 por cento das suas casas estavam conectadas à rede de esgoto
A REABERTURA DOS PORTOS
Em Pernambuco, investimentos associados ao porto de Suape, inaugurado em 1984, em Ipojuca, a 40 km de Recife: 190 000 empregos até 2013
portos responsáveis por 95 por cento das exportações brasileiras
o Brasil tem 82 portos, 45 controlados por empresas privadas, que movimentam 65 por cento da carga marítima
Porto de Suape
está fazendo em Pernambuco uma revolução comparável à da cana-de-açúcar no século XVII
está se convertendo em escoadouro de seja. Ferrovia Transnordestina o conectará às regiões produtoras do grão no Nordeste e segundo um economista "mudará a matriz econômica de Pernambuco"
a arrecadação municipal subiu esta década 1 000%
UM NOVO TECIDO SOCIAL
as malharias do Sul: nos anos 90 uma peça de roupa custava em média 10 dólares; hoje custa 3
cortou os custos e orientou sua produção para a baixa renda
incentivos fiscais na base do crescimento de 73 por cento na produção de tecidos e roupas no Nordeste
Triângulo da Sulanca, em Pernambuco: helanca, um tecido de poliéster, com Sul, onde ele era fabricado
o segundo maior pólo produtor de jeans
a concorrência dos sintéticos chineses devastou a Sulanca nos anos 90 e foi substituído pelo brim.
CIDADES Nº 1
Qualidade de vida
Maringá: criminalidade - índices iguais aos de Amsterdã: média de 7,9 por 1 000; média do país: 35,5 por 1 000
Sustentabilidade
Osório, RS: 75 cata-ventos formam o maior parque eólico da América Latina, fornecem energia aos seus 40 000 habitantes e a mais 650 000 em Porto Alegre
O Brasil é o país que mais recicla alumínio no mundo: 1 milhão de latinhas por hora, 70 por cento das quais em Pindamonhangaba, no leste paulista, que tem a maior empresa de reciclagem do mundo, a Novelis
O maior exportador de peixes
nos rios da Floresta Amazônica vivem 2 000 espécies de peixes ornamentais
Barcelos captura e exporta 20 milhões de peixes/ano
suco de laranja:
Itápolis, interior de SP: 710 000 toneladas de laranja do mundo
sede da Cutrale, que domina o mercado mundial do produto
alfabetização
só 1 por cento da população com mais de 15 anos de São João do Oeste, no oeste de Santa Catarina, é analfabeta
média de livros lidos por ano por habitante: 2
mortalidade infantil: 25 por 1 000 no Brasil


veja 23 de julho, 2008
FUGA PARA O INTERIOR
Visto até meados do século XX como sinônimo de pobreza e atraso, o interior aos poucos se transformou na imagem do Brasil que prospera.
A força crescente do agronegócio e a migração de indústrias para o Centro-Oeste e Nordeste produziram oportunidades de emprego e enriquecimento em lugares inexpressivos há questão de uma década

veja, 23 de julho, 2008
O MILAGRE DO AGRONEGÓCIO
safra de 143 milhões de toneladas
O Brasil detém o maior rebanho bovino comercial do mundo e é líder em exportações
empresas brasileiras do setor convertem-se em potências globais
deveu-se em boa medida aos investimentos em pesquisa, que levou a soja do Sul à Amazônia em 40 anos.

ARGENTINA
veja 23 de julho, 2008
Senado rejeitou aumento do imposto sobre as exportações de grãos, que respondem por 36 por cento do comércio exterior do país.
alíquota seria atrelada ao preço no mercado internacional e podia chegar a 44 por cento.
No plenário deu empate. Vice-presidente, que é também presidente do Senado, votou contra
na administração de Néstor Kirchner a economia cresceu à média de 9 por cento ao ano graças em parte ao aumento do preço internacional dos grãos
também contribuíram artifícios de curto prazo como congelamento de preços e aumento nos gastos públicos, que crescem 40 por cento ao ano.
inflação próxima dos 30 por cento (para o governo, 8 por cento)

TEMPORADA DE PESCA
veja 6 de agosto, 2008
A Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca existe há cinco anos e meio, já consumiu 1,3 bilhão de reais em recursos de custeio e investimento, mas não conseguiu aumentar a produção brasileira em uma mísera sardinha. O Brasil, embora tenha os maiores rios do mundo e uma das mais extensas áreas litorâneas do planeta, ocupa a vigésima posição no ranking mundial de produtores, atrás de países como Chile e Peru.
durante o período de proibição da pesca 400 000 pescadores recebem atualmente um salário mínimo por mês, benefício que vai custar cerca de 650 milhões de reais até o fim do ano
com uma estrutura maior e um orçamento mais dilatado a produção pesqueira deve crescer 40 por cento nos próximos três anos.

outras fontes garantem entretanto que 70 por cento dos recursos já estão sendo (mal?) explorados


FIM DO CARNAVAL
No governo Sarney a passagem de Ziraldo pela Funarte virou piada quando o cartunista anunciou a disposição heróica de proteger a culinária mineira, no que ficou apelidado de "cultura da broa de milho". Na mesma linha a gestão Gil reconheceu que a capoeira, pernada a três por quatro, faz parte do "patrimônio cultural imaterial".
O ex-ministro é simpático à idéia de tombar o chá ayahuasca, alucinógeno conhecido como santo-daime. "São manifestações importantes da vida subjetiva do país."
NÃO
Rodada de Doha, projeto ambicioso de abertura econômica envolvendo os 153 integrantes da Organização Mundial do Comércio.
Brasil congelou negociações com os dois pólos econômicos mais ricos do planeta, a UE e os EUA.
a prioridade deveria ser o estreitamento das relações com os países em vias de desenvolvimento que, unidos, teriam mais força para combater o protecionismo dos ricos.
a diplomacia do governo Lula sofreu a maior derrota até aqui.
fracasso deveu-se ironicamente a um dos supostos aliados do Brasil, a Índia, que se negou a abrir mão de um dispositivo que protegeria ainda mais o seu fechado mercado interno
A rodada de negociações foi lançada na capital do Catar, Doha, há sete anos.
a principal meta era fazer com que os países ricos diminuíssem os subsídios milionários que eles concedem a seus agricultores, prejudicando os produtores de nações pobres. Só os americanos gastaram perto de 200 bilhões de dólares em ajuda a seus produtores rurais entre 1995 e 2007.
UE e EUA buscavam, em compensação, maior acesso de seus produtos industrializados aos mercados emergentes, reduzindo as tarifas de importação.
se houvesse acordo o mercado mundial seria ampliado em 150 bilhões de dólares. O Brasil poderia aumentar suas exportações, sobretudo etanol, em mais de 15 bilhões de dólares.
[prerrogativa da] Índia: salvaguardas poderiam ser usadas quando importações subissem meros 10 por cento
China endossou proposta indiana
Protagonista: Kamal Nath, ministro do Comércio da Índia, que tem pretensões de se tornar primeiro-ministro em 2009
Temos um mundo [globalizado] em que o interesse local é preponderante.
Paralelamente às negociações da OMC o Brasil deveria ter tentado acordos bilaterais
O Brasil e a Índia, que ainda oferecem grandes barreiras às importações, teriam muito a ganhar em termos de aumento de produtividade.
no fim de contas o crescimento mundial demandará mais alimentos e o Brasil certamente ganhará muito com isso, a despeito dos obstáculos existentes.
Aproximadamente 40 por cento de todo o comércio de manufaturados vai para o mercado americano.
AMORIM, PEDE PRA SAIR

Depois do DesAcordo Geral de Tarifas e Comércio (DesGATT), um dos prestidigitadores da liça nos últimos anos sobretaxação de importações (aço, suco de laranja, tudo no mesmo saco, salvo seja) e subsídios à produção e porventura exportação disso e daquilo, ou então à não-produção (o que também faz algum sentido)

O ministro brasileiro das Relações Exteriores Celso Amorim viu bem:

     DEUS QUEIRA QUE NÃO SEJA PRECISO UM OUTRO 11 DE SETEMBRO
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, sobre o fracasso da Rodada de Doha dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, a coisa de um mês do último grande crash e catracrack..
O ministro foi muito criticado. Escarrapachou Veja:

               AMORIM, PEDE PRA SAIR

Mas sem ou com razão de invocar o nome em vão ou por motivos sórdidos o ministro acertou em cheio. Basta ver as declarações dos mandatários dos Grandes Piratas logo depois do... novo 11 de setembro:

Vamos reconstituir juntos um capitalismo regulamentado, em que os bancos façam o seu trabalho, que é financiar o desenvolvimento econômico, em vez de especular. Um mercado todo-poderoso operando sem regras e sem nenhuma intervenção política é uma loucura. Os tempos de auto-regulação do mercado, do laissez-faire, chegaram ao fim. Acabou o mercado que está sempre certo. - Nicolas Sarkozy.
Nicolas Sarkozy, presidente da França, em discurso na Assembléia Geral da ONU

Contradições aos montes, não em termos - qual é o trabalho dos bancos: financiar o desenvolvimento econômico? Especular? Do que é que estamos falando afinal?

Eis do que se falava deles antes do "novo 11 de setembro" (salvos sejamos)

O Globo 25 de abril de 2008
Crise nos dois lados do Canal
a crise das hipotecas americanas, que se alastrou para a Europa; o euro valorizado; um dólar frágil; e a duplicação do preço do petróleo em um ano.
Sarkozy: ruidoso divórcio com a ex-modelo (...) seguido de um casamento relâmpago com outra ex-modelo (...) soou como novela barata, longe do glamour da família Kennedy nos EUA.

O Globo 7 de maio de 2008
presidente Nicolas Sarkozy
Da crônica política, passou a povoar também revistas de fofoca, depois que sua vida pessoal virou novela.
ganhou o apelido de "presidente bling-bling", expressão que descreve a ostentação dos novos-ricos.

Do que é que estamos falando afinal?

INDIA SONG ou THE RIVER
"A Índia tem se mostrado mais aberta ao consumo, mas como a China tem uma taxa de poupança muito alta que deveria ser canalizada para o gasto do consumidor, contribuindo assim para o fortalecimento geral da economia."

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VEJA 27 DE AGOSTO, 2008
AGRONEGÓCIO SEM EDUCAÇÃO?
Cláudio de Moura e Castro
Repetem-se as proezas, o país faz bonito
na soja
nos sucos
no frango
e em outros produtos resultantes do feliz encontro do
sol
água
inovação tecnológica
capacidade empresarial
Na tecnologia bem conhecemos a liderança da Embrapa, que traz a reboque muita pesquisa universitária
O empresariado rural foi uma surpresa.
Persiste a imagem do coronel do interior, herdeiro de um feudalismo atrasado.
Era um empresário ausente do campo e presente nas grandes capitais, onde esbanjava suas riquezas.
De onde veio essa nova classe empresarial moderna, arrojada e pragmática?
educação
tomei os níveis do Ideb (um indicador do MEC que combina a velocidade de avanço do aluno no sistema com pontuação obtida na Prova Brasil).
Ao migrar para os cerrados do Centro-Oeste, essa gente reproduziu lá seu estilo de vida.
os gaúchos também carregam para lá as escolas e a infra-estrutura de água e esgoto tratados. O mapa contudo mostra algumas bolinhas avançando sobre estados educacionalmente mais pobres do Norte e Nordeste. Mas são microrregiões colonizadas pelos fluxos migratórios sulinos, avançando no território do oeste da Bahia, sul do Piauí e do Pará.

ANDA
ASSOCIAÇÃO NACIONAL PARA DIFUSÃO DE ADUBOS
No mundo nascem 135 milhões de crianças por ano.
São mais de 165 países que compram os nossos produtos.
Existem mais de 120 empresas no setor
mais de 4 mil agrônomos contratados
Só em 2007 forneceram 25 milhões de toneladas de adubos
ainda é pouco
várias empresas do setor estão investindo mais de R$ 4 bilhões nos próximos 4 anos em novas minas e unidades industriais. O fósforo, um dos minérios mais importantes na composição dos fertilizantes, terá sua produção aumentada em 50%, diminuindo muito a dependência das importações.

REVISTA DO IBEF INSTITUTO BRASILEIRO DE EXECUTIVOS DE FINANÇAS
NÚMERO 17 2008
Ética, ambição e economia
            "Por ganância, a especulação tomou conta dos mercados de capitais provocando efeitos devastadores [e] mesmo nos Estados Unidos cresce neste momento a legião dos famintos, dos marginais, dos loucos e desesperados. (...) Por ganância, o plantio e a industrialização de alimentos [Os] mantêm impregnados dos mais tóxicos componentes químicos (...). Por ganância, os projetos de energia solar, eólica e outras renováveis e limpas permanecem em banho-maria enquanto os lobbies da indústria fóssil fervilham pelos congressos. {...} Fomos educados para o egoísmo, para a mensuração de nosso potencial através do sucesso individual. Essa perspectiva nos coloca um cabresto na consciência, limitando nossa visão e emburrecendo nossas possibilidades de contribuir com o todo. Quem ultrapassa os limites do que é justo está apenas vitimado por essa síndrome do não-ver. Precisa e merece ser despertado, libertado desse medo do fracasso, dessa ilusão de que é possível ser feliz sozinho." (Christina Carvalho Pinto, presidente do Grupo Full Jazz de Comunicação e líder da plataforma multimídia Mercado Ético).

veja 3 de setembro 2008
ÁLCOOL AÇÚCAR
João Lyra
Cancelou a venda de sua melhor usina, a Triálcool, avaliada em 200 milhões de dólares, para o grupo belga Alcotra.

................................................................................................................................Haiti, as cenas de 13 de setembro de 2008: (como se não bastasse mais nada) furacão e (nada mais restando) auxílio de emergência enlatado e disputado como em rinha de galos de briga (como se não faltasse mais nada)...................................................

veja 17 de setembro, 2008
A agricultura surgiu de uma situação de abundância. A idéia não era fazer pão, mas fabricar cerveja."
biólogo e historiador natural alemão Josef H. Reichholf, sobre as origens da bebida

veja 17 de setembro, 2008
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
No período posterior à II Guerra Mundial a população européia, 10 por cento maior, alimentava-se com apenas quatro quintos da comida disponível na década de 30.

veja 24 de setembro, 2008
NOVA ARACRUZ
a EMPRESA QUE RESULTOU DA FUSÃO DA ARACRUZ COM A VCD DOMINARÁ 32 por cento DO MERCADO MUNDIAL DE CELULOSE.
A BOLÍVIA QUER SER PRIMITIVA
A nacionalização do setor energético em 2006 levou ao cancelamento de novos investimentos internacionais. A produção de petróleo e de gasolina caiu 4,6 por cento com Evo Morales. A de gás natural, 2 por cento..
Soja,
Com medo de perderem a terra para os partidários de Morales, sem diesel para os tratores e acuados por bloqueios de estradas, fazendeiros de Santa Cruz deixaram de semear. A produção de grãos caiu 55 por cento.

outubro 2008

relatório da ONU

desde 2000 Brasil reduziu problema da fome em 45 por cento. O problema da fome no Brasil deixou de ser grave e passou a ser considerado baixo.

indústria da seca global

ONU: FAO, PNUD / UNDP, PAM / WFP

busca-se novo padrão de consumo

 

 

DEMOGRAFIA E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

superpopulação
sobrepopulação

Daniel Quinn: Ismael
controle de natalidade - sempre deixado para o futuro.
Ele foi deixado para o futuro quando éreis três mil milhões em 1960.
(...) enquanto as pessoas da tua cultura estiverem a encenar esta história. Enquanto encenarem elas esta história, continuarão a reagir à fome aumentando a produção dos alimentos. Viste já os anúncios para o envio de alimentos aos povos famintos do mundo?
Sim.
Viste já anúncios para o envio de contraceptivos para algum lugar?
Não.
Nunca. A Mãe Cultura tem dois pesos e duas medidas a este respeito. Quando lhe falamos em explosão populacional ela responde controle populacional global, mas quando lhe falamos em fome ela responde aumento da produção alimentar. Na verdade porém o aumento da produção alimentar é um evento anual, e o controle populacional global jamais acontece.
(...) enquanto encenardes uma história que diz terem os deuses feito o mundo para o homem o usar como muito bem o entenda (...) a Mãe Cultura exigirá aumento de produção para hoje, prometendo controle populacional para amanhã.
(...) A fome não é apanágio exclusivo dos humanos. Todas as espécies estão sujeitas a ela, em qualquer parte do mundo. (...) uma população que ultrapassou os seus recursos, apressa-se a enviar-lhe alimentos do exterior, garantindo assim que na próxima geração haja ainda mais pessoas morrendo de fome. Como nunca se permite à população reduzir-se a ponto de poder sustentar-se através dos seus próprios recursos (...)
(...) Os seus colegas do mundo todo entenderam perfeitamente o que dizia ele, mas têm o bom senso de não contestar a Mãe Cultura (...) não é bondade nenhuma trazer comida do exterior para conservar o seu número em quarenta mil. Isso só garante a continuidade da fome.

A propósito desse Quinn poder-se-ia colocar assim: para alguns autores DO CONTRA vivemos a encenação de UMA HISTÓRIA

CONCENTRAÇÃO DE RENDA
aumentou entre 1990 e 1995
os 10 por cento mais ricos tinham 45 por cento da renda em 1980 e 48 por cento em 1990
os 10 por cento mais pobres 1 por cento
GASTO SOCIAL
1990: BRASIL, US$ 130 - ARGENTINA, US$ 450 per capita/ano

América Latina, 1990: 192 milhões abaixo do nível de pobreza, 46 por cento da população, 5 por cento a mais que em 1980
na década de 1980 salário médio teve queda de 17,5 por cento e salário mínimo médio baixou 35 por cento

1991: 4 bilhões de pessoas no antigo Terceiro Mundo
com o fim da Guerra Fria continentes (África) e subcontinentes inteiros (América Latina) são ignorados
na década de 1980 sudeste asiático cresceu 6,7 por cento, África encolheu 2,2 por cento e América Latina 0,6 por cento

POLÍTICA INDUSTRIAL 1990 E CONCENTRAÇÃO DE RENDA
modelo foi concentrador de renda
Brasil: salários representam 36 a 38 por cento da renda nacional
EUA e Europa: 70 por cento
frota brasileira tinha 10 milhões de viaturas
EUA:  uma por 1,4 habitante em população de 150 milhões
só 30 por cento da população brasileira chega ao mercado - ou seja, são consumidores ativos
na década de 1970 salários correspondiam a 50 por cento da renda - no início do governo Collor: 35%

CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO   PLANEJAMENTO FAMILIAR
1994: taxa de crescimento demográfico foi de 2,9 por cento na década de 1960
e de 1,6 por cento em 1990
uma das mais velozes quedas da taxa de crescimento populacional devida à esterilização - escolhida por mulheres de mais baixa renda
deveria ser a última alternativa
falta de planejamento familiar
Brasil gasta onze vezes mais para tratar problemas causados por aborto que em planejamento

IPEA, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento

conta-se que presidente general Costa e Silva disse a Delfim Neto: "Os ricos devem ficar cada vez mais ricos para que os pobres fiquem menos pobres" -
"capitalismo selvagem" significa modernização na marra

BANCO MUNDIAL 1990: AUMENTAM POBRES, CAI MORTALIDADE
O relatório classifica a distribuição de renda no Brasil "entre as menos equitativas do mundo", atrás da observada em Honduras e Serra Leoa
assegura que entre 1981 e 1987 o número de pobres cresceu de 23 para 33 milhões
Ele é claro ao exibir a falência de todas as políticas de investimento social no Nordeste, o lugar mais maltratado, onde os investimentos do Estado serviram apenas para alimentar nossa elite mais atrasada, que se aproveita politicamente da miséria da população.
uma relação íntima entre pobreza e atraso das elites regionais
técnicos do Banco Mundial subestimaram a participação da economia informal na formação da renda nacional porque suas contas só levam em conta a renda declarada
pobres: pessoas com renda inferior a US$ 370 por ano
considera exagero flagrante dimensão dada à economia informal: 20 por cento

carcará pega, mata e come

LINHA DE POBREZA
2008 - estudo IPEA/Fundação Getúlio Vargas baseado IBGE: desde 2002  3 milhões saíram da pobreza
entre as causas: subida do salário mínimo acima da inflação
MAS ganhos de produtividade não estão chegando aos trabalhadores porque retidos pelos detentores das unidades de produção
3 000 pessoas (declaram ganhar...) ganham mais de 40 salários mínimos
90 milhões de pessoas com ocupação - mais de 50 por cento da população
32 milhões com carteira assinada - mais de 32 por cento das pessoas empregadas
número de residências com acesso (ligadas) a rede de esgoto: 50 por cento
queda recorde da diferença entre pobres e ricos
diferença maior ainda é onde a economia é dominada pela agropecuária ou seja no campo - e é aí que bomba mais

juros no Brasil chegaram a 54 por cento ao dia, diz Paulo Francis na Folha de São Paulo - será ao mês? -, que confusão, doce balbúrdia
Washington Luís disse: "A questão social é caso de polícia", cita PAULO FRANCIS NOS IDOS DE 1989-1990
P.Francis nos idos de 1989-90.
(esta prende-se com a de Figueiredo: O país vai bem, o povo é que vai mal)
MORGAN gUARANTY, O BANCO MAIS INFORMADO SOBRE O ASSUNTO, DIZ QUE US$ 60 BILHÕES brasileiros estão no exterior
LULA manipulado por grupo de intelectuais radicais, alguns "linha albanesa" (PC do B) e da esquerda festiva eixo Morumbi-Ipanema - seguiria o seu caminho trágico que é estar sempre na contramão da história

Tivemos o primeiro bilhão de habitantes em 1850, dois bilhões em 1930, três bilhões em 1960 e seis bilhões em 2000. Em 40 anos dobrou a população.

esterilização em massa de mulheres

24 de fevereiro 1991 Folha de São Paulo
O direito de não nascer
planejamento familiar
Note-se que não faltam campanhas para prevenção de Aids. A doença apavora a classe média. Como o planejamento familiar já é feito mesmo pelos mais ricos, as elites acabam não se comovendo para mobilizar o país.
Os hospitais seriam instados a normatizar a esterilização das mulheres.
(...) Ministério da Saúde: faz-se hoje um milhão de abortos clandestinos

1997
NORDESTE TEM A MENOR TAXA DE CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO DO BRASIL
MIRIAM LEITÃO O GLOBO 10 DE AGOSTO DE 1997
IBGE - censo demográfico
Brasil: 1,35 por cento
Nordeste: 1,06 por cento
A área mais pobre do Brasil, o Nordeste rural, perdeu 1,15 milhão de habitantes.
A população das cidades cresceu em 12 milhões
Adolescentes de 15 a 17 anos na escola:
1980: 48,8 por cento
1991: 55,3 por cento
1996: 66,8 por cento

 

DEMOGRAFIA E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA 2008

24 DE JUNHO DE 2008
DESIGUALDADE NO BRASIL CAI 7%
os aumentos do salário mínimo e os programas de transferência de renda foram os principais responsáveis por uma redução da desigualdade entre a renda dos trabalhadores assalariados nos últimos seis anos nas seis maiores regiões metropolitanas do país, segundo o Ipea
ganhos dos mais pobres 4,5 vez maiores do que os dos mais ricos.
O Ipea calculou a variação com base no índice Gini, que caiu de 0,540 em 2002 para 0,502 nos primeiros três meses de 2008 numa escala de 0 a 1. Quanto mais perto do 1 maior a desigualdade.
resultado se deve principalmente aos ganhos dos trabalhadores com o reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 200 para R$ 380 no período (hoje está em R$ 420) e a programas de transferência de renda como o Loas (para idosos acima de 65 anos e portadores de deficiência sem condições de subsistir).
até o fim do ano o índice deve chegar a 0,4 - o menor desde 1960.
Aqueles que estavam entre os 10 por cento mais ricos em 2004 ganhavam 27,4 vezes mais que os que estavam entre os 10 por cento mais pobres. Essa relação caiu para 25,1 vezes em 2006 e para 23,5 vezes em 2007.
Em 2007 os trabalhadores mais pobres ganhavam em média R$ 206,38 e os 10 por cento mais ricos R$ 4 835,03.
Os trabalhadores com menores rendimentos tiveram ganhos de 22 por cento entre 2003 e 2007
Já os com maiores salários ganharam 4,9 por cento.
 

veja 23 de julho, 2008
mortalidade infantil: 25 por 1 000 no Brasil

No mundo nascem 135 milhões de crianças por ano.
 

  

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ECOLOGIA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO

SUSTENTÁVEL SUSTENTADO SUSTENTADO SUSTENTÁVEL SUSTENTÁVEL SUSTENTADO

da idéia de desenvolver sem agredir a natureza (e recuperá-la) o conceito de desenvolvimento sustentável passou a confundir-se  com desenvolvimento sustentado - gradual e permanente, sem atropelos econômicos
 

                       Indi-gente
                                                                        questões velhas de guerra
                                                                              cobiça X natureza
                                                                        que apenas é sem perguntar
                                                   como
                                                   porquê
                                                   pra quê
                           desenvolvimento econômico X preservação ambiental

ou como posto no título do livro do fotógrafo Pedro Martinelli Gente X Mato (2008) quando a questão básica hoje é a educação e ela está em falta para tudo, quanto mais para a curtição ambiental. Se a questão é desenvolvimento é ncessário um modelo que explore a biodiversidade e a riqueza de terra, exposição solar e água com um sistema educacional que no Brasil, segundo alguns especialistas, já atingiu nível de sofisticação como em poucos países em desenvolvimento NO EXTRATO SUPERIOR DE PÓS-GRADUAÇÃO, mas nas bases...

em depoimento à revista veja, de são paulo, por ocasião do lançamento de Gente X Mato Pedro Martinelli põe o dedo na chaga que é o mapa do Brasil ao dizer que as coisas não mudam (ou mudam para pior) desde que há 30 anos começou a viajar para a Amazônia. Quando a maré sobe em Belém do Pará sobe com ela "um lixo de cheiro insuportável" nas imediações do famoso mercado Ver-o-Peso e em Manaus há décadas o esgoto é jogado diretamente no Rio Negro na frente da cidade e "as comunidades do interior são todas um lixo só". Então, não adianta o sujeito que mora em São Paulo ficar falando em emissão de carbono, sustentabilidade, manejo sustentável. Na prática, as coisas não mudam.

quem sai das minúsculas reservas habitacionais protegidas por grades das populações de classe A e B depara-se com o descuido pela deseducação e pobreza que faz de quase todo o resto do Brasil viveiro de mil e uma pragas de subdesenvolvimento urbano, suburbano e rural de igual modo insuportável, de onde a cada hora desaparece o mínimo vestígio de desenvoltura, doçura, beleza e nobreza.

de outra parte não adianta insistir em desenvolvimento sobre o mesmo modelo econômico visando quase exclusivamente a exportação de produtos primários. Não é de agora que se sabe que, ao mesmo tempo em que é necessário pensar um pouco em dar um pouco ou mais de comida ao povão e não plantar soja para engordar porco japonês, é preciso no mínimo agregar valor aos produtos primários para que eles sejam rentáveis. como se assinala a cada passo por aí: o Brasil tem área plantada de soja quase três vezes maior que a da Argentina, que no entanto fatura quase o mesmo em exportação porque exporta óleo de soja e não somente grãos. de Cabral à timbalada de Carlinhos Brown dá no mesmo: eles aqui ó de escravo subalimentado. Indi-gente.   

 

detrito da abundância (de detritos), detrito da indi-Gência

Wildlife, whatever happened to  wild life  the animals in the Zoo - em outubro de 2008 a World Wildlife Fund repica os sinos em relatório de um estudo em que fez as contas do que é necessário para a produção de bens e processar o lixo produzido pelo homem e concluiu serem necessários em média 2,7 hectares de terra por habitante ao ano - 9,4 para cada americano - e que em 2030 será necessário um outro planeta do tamanho e com as condições ambientais da Terra para dar conta do recado. A demanda por recursos naturais dobrou desde 1997. A população da África triplicou desde 1970.  Metade dos rios do mundo estão contaminados por esgoto, agrotóxicos e detritos industriais. Em 2050 serão utilizados 80 por cento dos recursos de água doce do planeta que o homem pode consumir, equivalente a um por cento do líquido existente, e o volume de pesca disponível terá sido reduzido em 90 por cento. Quase metade da área dos oceanos está gravemente contaminada. A emissão de gás carbono aumentou dez vezes nos últimos 50 anos. Só um décimo dos 15 bilhões de hectares de terra existentes servem para a agricultura.

 


alguém poderá dizer que a queima de árvores na Amazônia é um perigo para a segurança de outros países
Estaria realizada a paranóia dos ultranacionalistas, que têm pesadelos com marines invadindo as matas brasileiras

ECOPORTUNISTAS
ECOCHATOS
RIO+5 1997

1¾ « Ø ! # # # # # $
representantes governamentais, empresários e dirigentes de instituições como o Banco Mundial e entidades ONG, cientistas e personalidades como a cantora argentina Mercedes Sosa e o ex-Presidente da extinta URSS, Mikhail Gorbatchov,
custo de 3 milhões DE REAIS coberto pelos govERNOS brasileiro e estrangeiros e organismos como a Fundação Rockfeller e o Banco Mundial.
500 representantes de 80 países
ritual indígena e um vídeo marcará abertura da conferência Rio+5, a partir de quinta e até a próxima quarta-feira, num hotel do Rio de Janeiro

canadense Maurice Strong, secretário-geral da Eco-92, presidente do comitê internacional do evento.
avanços, retrocessos e
que convocou a conferência do Conselho da Terra
descrédito em relação ao fato de que os princípios da Agenda 21 possam ser aplicados em pouco tempo.
filipino Maximo Kalaw, secretário executivo da ONG Conselho da Terra: objetivo é o de fazer o balanço de como os seus países estão a implementar as ações propostas na Agenda 21, um dos três documentos aprovados na Eco-92, que dita os princípios econômicos, sociais e políticos para a concretização do chamado desenvolvimento sustentável.
O apoio do segmento empresarial - contestado - é fundamental: um gerenciamento sustentável dos processos nas grandes empresas favorecerá os ecossistemas.
Dele sairá um documento intitulado "Carta da Terra", com a análise dos pontos aprovados há cinco anos na Cimeira da Terra. Uma espécie de constituição do planeta que começou a ser discutida em 1992.
"O desenvolvimento sustentado nas nações ainda não é uma prioridade", constata.
cientistas e outras ONGs criticam o conteúdo e os participantes e acusam o evento de estar vinculado a interesses de Governos e de grandes corporações
o tom genérico da pauta, sem seções especificas
boicote
misto de desinteresse e críticas
Greenpeace e Amigos da Terra não participam
criticam tom oficial e não apresentará resultados práticos.
representa o lobby hegemônico dos países desenvolvidos, como a Eco-92 Os organizadores alegam que o encontro não é uma reunião aberta, como pretendiam muitas ONGS, porque desse modo não seria produtivo.
João Paulo Capobianco, do Instituto Sócioambiental: Será uma oportunidade única para avaliação internacional da aplicação da Rio-92, não só da Agenda 21, mas das duas convenções.
Diz que no Brasil por exemplo o governo não anda a passo de tartaruga mas "na contramão", .
Para Liszt Vieira, do Instituto de Ecologia e Desenvolvimento, outra ONG, a criação do Comissão de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional apenas em fevereiro agora mostra o descaso do governo em relação às questões ambientais e só foi celebrada "para o Brasil não fazer feio na Rio+5"
eventos paralelos serão, segundo alguns, a parte mais visível do acontecimento
cientistas de todo o mundo participarão, de quinta-feira a sábado, no mesmo hotel, no workshop Mudanças Climáticas e Emissões de Gases de Efeito Estufa.
workshop Agenda 21 Brasil: a Utopia Concreta, pretende preparar posições que o Brasil defenderá em abril na reunião da Comissão do Desenvolvimento Sustentável da ONU, em junho ou outubro, na reunião de Nova York, em Assembléia Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) em que os Chefes de Estado farão o balanço dos últimos cinco anos e proporão novos caminhos.
Haverá conferência em dezembro no Japão para discutir convenção sobre mudanças climáticas
Eco-92 deixou nos assistentes sensação mista de desconforto e esperança
negociações intergovernamentais entre representantes de mais de 100 países no Riocentro e encontro de cerca de 20 mil militantes ambientalistas no Parque do Flamengo.
Convenção da Biodiversidade
Convenção Sobre Mudanças Climáticas, em que os governantes acordaram em fazer o nível de emissão de CO2 no virar do milênio - sem precisar a data - regredir para o de 1990.
...

O canadense Maurice Strong, secretário-executivo da organização da "Cimeira da Terra", em 1992, voltou a pôr o cocar de penas dos índios brasileiros na abertura da Rio+5, quinta-feira, no Rio de Janeiro.
Sorridente, com o cocar oferecido pelo índio xavante Aniceto Tsudzaverzé, Strong posou

evento de cerca de uma semana, onde deverá ser feito um balanço dos avanços e recuos na política ambiental planetária cinco anos após a Eco-92.
Durante a cerimônia, o xavante Aniceto, de uma reserva indígena do Estado de Mato Grosso, pôs o que parecia ser uma corda no pescoço de Marcelo Alencar, Prefeito do Rio de Janeiro à época da "Cimeira da Terra" e do Fórum das Organizações Não-Governamentais (ONGs).
O gesto parecia uma admoestação pelo fato de o Governador ainda não ter posto em prática um plano de despoluição da baía de Guanabara, datado da época da Eco-92, cujo atraso teria determinado o recente afastamento do Rio de Janeiro do lote de cidades candidatas a sediar os Jogos Olímpicos de 2004.
Tratava-se num entanto de um enfeite chamado abasi, "uma espécie de gravata", como explicou o índio, um símbolo de amizade para o seu povo.
Parecia estar montado, no asséptico centro de conferências do hotel cinco estrelas carioca, um carnaval igual ao da Eco-92, quando tribos ecologistas de todo o mundo se reuniram no Rio, a que não faltou a exibição de um grupo de axé music da Bahia, o Olodumaré, mas o tom dos discursos não foi de festa.
O xavante Aniceto criticou as invasões de terras indígenas por garimpeiros e madeireiros.
Kátia Maia, representante do Fórum das Organizações Não-Governamentais brasileiras, acusou o Governo brasileiro de não ter dado um passo para a regulamentação dos princípios contidos na Agenda 21, um dos três documentos subscritos por mais de uma centena de chefes de Estado e de governos em 1992.
Hoje presidente da ONG Conselho da Terra, Maurice Strong declara que o mundo continua na senda do desenvolvimento insustentável, e um perito chileno da Organização das Nações Unidas (ONU) - sob cuja égide se realizou a "Cimeira da Terra", propugnou a alteração do atual quadro de predomínio do neo-liberalismo econômico.
Aplaudida de pé, a feminista norte-americana Bella Abzug exigiu sanções da ONU a países que não respeitem as leis ambientais aprovadas pela entidade, bem como aos que não respeitam as determinações da Conferência Internacional das Mulheres realizada em 1996, em Pequim.
Ao longo de cerca de uma semana meio milhar de cientistas, políticos, empresários e representantes de ONGs ambientalistas de 80 países discutirão as questões a serem incluídas na ordem dos debates de uma reunião da Comissão do Ambiente da ONU marcada para abril em Nova York, que servirá de preparação de uma Assembléia Especial daquele organismo sobre o meio ambiente prevista para junho.
Nela, governantes de todo o mundo deverão aprovar a "Carta da Terra", uma espécie de constituição planetária sobre a gestão do ambiente.
Deverão ser apresentados no Rio 1800 projetos implantados em todo o mundo como exemplo das possibilidades de aplicação dos documentos aprovados na Eco-92 - além da Agenda 21, os tratados da biodiversidade e sobre alterações climáticas, mas "as boas notícias ainda são insuficientes", como reconheceu Maurice Strong no seu discurso de abertura.
O "mini-fórum" da Terra, a realizar-se no Rio até quarta-feira, tem sido duramente criticado por importantes organizações ambientalistas, para as quais a sua organização está excessivamente próxima aos interesses dos que lutam contra uma "nova ordem" ambiental no planeta.

...

À margem do evento, o deputado estadual Carlos Minc, presidente da Comissão do Ambiente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, fez uma denúncia do "nível de mentira no ar" cinco anos depois de governantes de todo o mundo se terem comprometido a criar uma "nova ordem" ecológica mundial.
Ao lado de um "mentirômetro" instalado à porta do hotel onde se realiza a conferência, que visa fornecer subsídios para a redação de uma "Carta da Terra", a ser aprovada em junho numa assembléia especial da Organização das Nações Unidas (ONU), o deputado leu para uma platéia formada sobretudo por repórteres as recomendações da Agenda 21 e dos Tratados da Biodiversidade e das Alterações Climáticas.
O nariz de Pinóquio do "mentirômetro" cresceu até atingir 90 por cento de "nível de mentira" ao ser feita referência ao Tratado da Biodiversidade, que estipula os princípios para a preservação dos recursos genéticos do planeta.
...

Mercedes Sosa afirmou que a Cimeira da Terra, realizada em 1992, e de que a reunião Rio+5 faz o balanço, cinco anos depois, foi um fracasso total, "por falta de engajamento da social civil".
A cantora argentina recusou-se a fazer qualquer pronunciamento "específico", alegando não ser "política nem ativista", e não escondeu o seu fastio pelo papel que lhe cabe agora exercer, o de representante na América Latina na comissão de redação da Carta da Terra.
"Estou perdendo na Rio+5 três dias em que poderia estar me dedicando à música", lamentou.

O documento deverá conter recomendações à Comissão do Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU), que se reunirá em Nova York em abril, para preparar a assembléia especial daquela organização sobre o meio ambiente, em que os líderes dos Governos farão o balanço oficial dos avanços e recuos na política ambiental do planeta desde a Eco-92.

relator das reuniões sobre o Tratado das Alterações Climáticas e que, como a grande maioria dos cerca de 450 participantes, reclama de nada ter sido feito nomeadamente em relação aos compromissos assumidos por mais de uma centena de Chefes de Estado e de Governos naquela reunião.
Muito pouco foi feito também no sentido da aprovação de leis para a proteção e partilha da exploração do patrimônio biológico mundial preconizadas pelo Tratado da Biodiversidade, já ratificado por 165 Governos, afirma um relatório da ONG World Resources Institute divulgado numa reunião de sábado, no Rio.
A biodiversidade no mundo continua "seriamente ameaçada", afirma o relatório, que reúne estudos realizados por 400 especialistas em 50 países.
ONGs da América Latina deverão reunir-se hoje com Mercedes Sosa para pressioná-la a fazer incluir na "Carta da Terra" um pedido de fortalecimento dos conselhos nacionais de desenvolvimento sustentável, até hoje restritos a questões ambientais, e do combate à pobreza, além de uma solução para a questão da dívida externa dos seus países.
A criação de conselhos de desenvolvimento sustentável é uma das recomendações feitas pelos líderes dos governos na Agenda 21, um dos documentos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento cujo cumprimento está a ser examinado na Rio+5.
...

sobre o desenvolvimento ambiental e sustentável.
A recomendação é feita no encerramento da carta, que contém 18 princípios éticos e morais para a preservação das espécies e ecossistemas, e que só deverá ser aprovada em Assembléia Geral da ONU no ano 2000.
O respeito à Terra e a toda a forma de vida, a proteção e restauração dos ecossistemas e a promoção do desenvolvimento social são alguns dos princípios defendidos no documento, divulgado terça-feira, e desde logo classificado como uma mistura do Tratado Universal dos Direitos Humanos com os ensinamentos de Jesus Cristo.
Assinado, entre outros, pelo ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov, pela cantora argentina Mercedes Sosa e por Maurice Strong, secretário-geral da "Cimeira da Terra", a Conferência das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, o documento deverá ainda passar pelo crivo das comissões especiais da ONU e de Governos de todo o mundo antes de ser levado a votação na Assembléia Geral do mesmo organismo.
A assinatura do texto, que começou a ser discutido na Eco-92, culminou a conferência de sete dias em que meio milhar de cientistas, políticos e representantes de organismos não-governamentais fizeram um balanço doa avanços e recuos do mundo em termos de política ambiental cinco anos após a segunda reunião mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento e a assinatura da Agenda 21 e dos Tratados da Biodiversidade e das Alterações Climáticas.
É preciso mudar o sistema, que não tem "amor à Mãe Terra", declarou Mercedes Sosa, em discurso proferido na reunião mais solene

A "Carta da Terra", deverá servir para "mudar o homem", fortalecendo "os valores da vida", ajudando "cada pessoa a mudar os seus valores", segundo a cantora, que encerrou o discurso entoando os últimos versos da canção "Gracias a la Vida", da chilena Violeta Parra, uma das peças mais famosas do seu repertório.

Pouco antes, durante uma conferência de imprensa coletiva, o ex-líder soviético recusara-se a confirmar a informação de um jornalista norte-americano segundo o qual o pré-requisito para a sua participação na conferência do Rio foi o pagamento de um vultoso cachê..
"Pedi sim, muito dinheiro ao governo argentino, que patrocinou a minha vida", disse Gorbatchev, acrescentando que o dinheiro será aplicado em projetos ambientais da Cruz Verde - organização não-governamental a que preside - na Argentina.
Além de quanto ganha um "super-astro" da política para participar numa conferência
de ambiente, a Rio+5 deixa no ar as mesmas dúvidas - ou "fantasmas", segundo um especialista - que acometeram os participantes da Eco-92, entre elas a de como pôr em prática as propostas contidas em dezenas de milhar de páginas de relatórios sobre desenvolvimento sustentável divulgados nos sete dias de reunião

VIOLÊNCIA NO CAMPO BRASIL MORTE DE EXPEDITO
(RIO DE JANEIRO © MAIS UMA MORTE ANUNCIADA ¢ NOS CAMPOS DO 
BRASIL

RIO DE JANEIRO¬  ­ FOI ENTERRADO HOJE Ï  O CORPO DE EXPEDITO RIBEIRO DE SOUZA¬ PRESIDENTE DO SINDICATO DOS  TRABALHADORES  RURAIS DE RIO MARIA¬ MUNICÍPIO SITUADO 80° KMS ®
A SUL DE BELÉM DO PARÁ¬ MORTO  SÁBADO COM TRÊS TIROS.
EM DEPOIMENTO PRESTADO AO TRIBUNAL PERMANENTE DOS POVOS¬
EM PARIS¬ EM AGOSTO DE 1990¬ ORLANDO CANUTTO DE OLIVEIRA¬ 
SOBREVIVENTE DE UM MASSACRE OCORRIDO EM ABRIL DAQUELE ANO¬   EM QUE MORRERAM OS SEUS DOIS IRMÃOS ¬ DECLAROU QUE O LÍDER SINDICAL FAZIA PARTE DE UMA LISTA DE PRÓXIMAS VÍTIMA DE ASSASSINOS 
ROBERTO NETO DA SILVA¬ MEMBRO DA DIREÇÃO DO SINDICATO DE TRABALHADORES RURAIS DE RIO MARIA ¬ ACUSOU O FAZENDEIRO GERALDO DE  OLIVEIRA BRAGA E UM SEU IRMÃO DE SEREM OS MANDANTES DO ASSASSINATO. O SINDICALISTA DISSE QUE O FAZENDEIRO TAMBÉM  MANDOU MATAR¬ EM 1985¬  Ø -PRESIDENTE DO SINDICATO¬ JOÃO  CANUTTO¬ PAI DE ORLANDO CANUTTO.
EM DECLARAÇÕES AO "JORNAL DÏ BRASIL"¬ DO RIO DE JANEIRO¬ A ADVOGADA SUELY BELLATO¬ QUE FOI ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO NO 
PROCESSO PELA MORTE DE CHICO MENDES¬ EM DEZEMBRO DE 1990¬ AFIRMOU  QUE O ASSASSINATO DE EXPEDITO FOI O DECIMO REGISTRADO EM RIO MARIA NOS ULTIMOS NOVE MESES.
OS CONFLITOS NA REGIÃO COMEÇARAM EM 1988¬ QUANDO  TRABALHADORES RURAIS OCUPARAM PARTE DÁ PROPRIEDADE DOS Ó IRMÃOS  BRAGA¬ QUE TEM 4,5 MIL HECTARES Ó DE EXTENSAO.
"FIZEMOS UM ACORDO COM ELES¬ NO INSTITUTO DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA (INCRA)¬ PARA FICARMOS COM PARTE DAS TERRAS" ®  MAS¬ PASSADOS ALGUNS DIAS¬ FOMOS EXPULSOS POR JAGUNÇOS
(PISTOLEIROS) ©¢ ­ CONTOU O SINDICALISTA ROBERTO NETO DA SILVA AO JORNAL "FOLHA DE SÃO PAULO".
Á COORDENADORIA DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA (CPT) ©, DA 
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB)¬ DE CONCEICÃO DO  ARAGUAIA¬ MUNICIPIO QUE DISTA CERCA DE 100 KMS® DE RIO MARIA¬  ENVIOU NO DOMINGO¬ VÁRIOS OFÍCIOS ÀS AUTORIDADES LOCAIS E DE BRASÍLIA EM QUE PEDE QUE SEJAM TOMADAS PROVIDÊNCIAS IMEDIATAS PARA A ELUCIDAÇÃO DA MORTE DE EXPEDITO DE SOUZA.
NOS OFÍCIOS¬ A COORDENADORA DA CPT DE  CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA¬ ANA DE SOUZA PINHO¬ LEMBRA QUE DENUNCIAS  SEMELHANTES¬ RELATIVAS Á OUTROS CRIMES FORAM FEITAS EM ABRIL DO ANO PASSADO AO EX-MINISTRO DA JUSTIÇA¬ BERNARDO CABRAL¬ E QUE NENHUMA PROVIDÊNCIA FOI TOMADA.
A ADVOGADA SUELY BELLATI INFORMOU¬ ENTRETANTO¬ QUE MAIS  DE UMA CENTENA DE PESSOAS ENVOLVIDAS EM CONFLITOS RURAIS NO  ESTADO DO PARÁ § CORREM RISCO DE VIDA¬ SEM NENHUMA PROTEÇÃO
OFICIAL.
EM DIVERSOS DOCUMENTOS¬ BASEADOS EM DADOS DA CPT DA CNBB¬
A ORGANIZAÇÃO ANISTIA INTERNACIONAL TEM AFIRMADO QUE¬ DESDE 
1985¬ FORAM COMETIDOS CERCA DE MIL ASSASSINATOS NOS CAMPOS DO BRASIL E QUE A GRANDE MAIORIA DOS SEUS AUTORES E MANDANTES CONTINUAM IMPUNES.
EXPEDITO DE SOUZA TINHA 43 ANOS E¬ COMO MUITOS ATIVISTAS  SINDICAIS DA REGIÃO¬ ERA MILITANTE DO PARTIDO COMUNISTA DO  BRASIL (PC DO B).
RIO MARIA localiza-se NO EXTREMO SUL DE UMA VASTA REGIÃO CONHECIDA COMO "BICO DO PAPAGAIO" ¢ E QUE É CONSIDERADA UMA DAS MAIS VIOLENTAS DO BRASIL.
O ATIVISMO POLITICO E SINDICAL ENTRE OS HABITANTES DAS MARGENS DO RIO ARAGUAIA¬ NA FRONTEIRA DOS ESTADOS DO PARÁ¬ MARANHÃO E TOCANTINS¬ FOI INCENTIVADO PELA PRESENÇA NAQUELA REGIÃO¬
NO INICIO DOS ANOS 70¬ DE UM GRUPO DE GUERRILHA DO PC DO B¬ 
UMA DISSIDENCIA DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO QUE SE IDENTIFICA COM O REGIME POLITICO VIGENTE NA ALBÂNIA.

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                               Gaia: A New Look At Life On Earth - James Lovelock

DESPERDÍCIO
ENERGIA PERDIDA JOELMIR BETING O GLOBO 1º DE ABRil 1993
PÓ NO CANO
A ONU informa: no ano 2000 cada terráqueo vai ter um milhão de metros cúbicos de água por ano. Em 1950 a disponibilidade de água doce era de 2,9 milhões por pessoa. Na cidade de São Paulo a água já está sendo puxada de até 150 quilômetros de distância. Com ela a gente lava carros e calçadas.
 

ECOLOGIA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO 2008

De janeiro a junho de 2008 queimado na Amazônia o equivalente a área do município do Rio de Janeiro
entre 30 a 35 POR CENTO é desmatado para a pecuária
 

veja 26 de março, 2008
MST
Lauro Jardim escreve sobre a Vale do Rio Doce e sua estratégia de contra-atacar o MST
João Pedro Stédile garantiu que não respeitará a liminar da Justiça que o proíbe (e ao MST) de invadir instalações da Vale e paralisar suas atividades
AMAZÔNIA - A VERDADE SOBRE A SAÚDE DA FLORESTA
5,4 milhões de quilômetros quadrados (no Brasil - que tem 8,5 milhões)
maior reserva de água doce, plantas e animais do planeta
Maior floresta tropical do mundo, ela abriga 15 por cento de todas as espécies de plantas e animais do planeta. Só de peixes são 3 000 tipos.
extraordinário bioma
sumiço da floresta alteraria a precipitação das chuvas em várias regiões do globo
Amazônia produz um volume de vapor d'água que responde pela formação de 60 por cento da chuva que cai sobre as regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
No mês passado foram cortados 725 quilômetros quadrados de mata, contra 266 quilômetros quadrados do último índice disponível de um mês de fevereiro, o de 2006
total de desmatamento nas duas últimas décadas: 356 500 quilômetros quadrados
nos últimos 45 anos: 700 000 quilômetros quadrados
desordem fundiária e impunidade dos infratores
Ibama: 644 fiscais em toda a Amazônia (2 000 só no estado de São Paulo)
em 2005 e 2006 orçamento para fiscalização acabou em agosto, mês em que mais se desmata
em 2007 só foi além de agosto porque funcionários estiveram 65 dias em greve
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou o sumiço de 7 000 quilômetros quadrados entre agosto e dezembro de 2007
propriedades privadas com registro válido: 4 por cento
propriedades privadas sem registro válido: 32 por cento
reservas ambientais e indígenas em parte ocupadas por posseiros: 43 por cento
terras do estado: 21 por cento
gado bovino: 35 por cento do rebanho do país
plantações de soja: 5 por cento da produção do país
as terras custam até um décimo do valor no Sudeste
bancos oficiais oferecem linhas de crédito anuais subsidiados de 5 a 9 por cento
em outras regiões: 26 a 34 por cento
bois atingem a maturidade para abate um ano mais cedo porque a fartura das chuvas faz com que o pasto viceje o ano todo
expansão do agronegócio nas duas últimas décadas fez com que lavouras e pastos avançassem cada vez mais pela floresta
floresta perdeu 17 por cento da sua cobertura original
quase 40 por cento dela nos últimos 20 anos
nenhum governo produziu um plano de longo prazo [e de curto? e de médio?] para a ocupação da Amazônia
"Isso aqui é terra sem lei. Por ação ou omissão o governo nos deixa sitiados."
reservas e terras públicas estão coalhadas de posseiros, que desrespeitam as normas de manejo
desmatamento permitido por lei de 1996: 20 por cento do terreno e aos restantes 80 por cento preservados chama-se reserva legal
até 1996 podia-se desmatar 50 por cento da propriedade
clima nas fronteiras agrícolas é de desobediência civil: diz-se que o governo mudou as regras no meio do jogo
muitos agentes do Ibama aceitam propina para fazer vista grossa às infrações ou vendem guias de comercialização de madeira a despachantes e madeireiros.
registra-se invasões de um obscuro Movimento dos Sem Tora
Incra promove assentamentos de sem-terra no meio da floresta
e sem conseguir sobreviver assentados acabam por desmatar tudo
ação do Incra e dos assentados responde por 20 por cento do desmatamento
60 por cento das famílias que governo assentou desde 1995 foram levadas para a Amazônia: 1,3 milhão - as áreas de assentamento estão a salvo de fiscalização do Ibama por decisão do governo federal.
GRANDE PARTE DOS ASSENTAMENTOS SE TRANSFORMOU EM FAVELAS RURAIS
Incra persegue os agricultores que deixam a floresta em pé.
Os fiscais consideram a reserva florestal como terra improdutiva e acabam por designar a fazenda como de interesse para a reforma agrária.
Além do conhecido MST, movimentos obscuros como
Liga dos Camponeses Pobres
Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
e a belicosa Liga Operária e Camponesa
dos 761 conflitos de terra registrados no Brasil em 2006, quase metade ocorreu na Amazônia
DOS 761 CONFLITOS DE TERRA REGISTRADOS NO BRASIL EM 2006, QUASE METADE OCORREU NA AMAZÔNIA
SÃO FÉLIX DO XINGU, a 1 000 quilômetros de Belém
caiapós, antigos habitantes
bateia de ouro homenageia os garimpeiros que desbravaram a região
líder do ranking nacional de desmatamento há sete anos abrindo espaço para o pasto e expansão do rebanho bovino
15 000 quilômetros quadrados de devastação - área 10 vezes maior que o município de São Paulo, metade nos últimos sete anos
60 MIL habitantes para território 56 vezes maior que o disponível para os 10 milhões de paulistanos
município é dono do maior rebanho bovino do país: 1,7 milhão de cabeças em 2007; 680 000 em 2000
campeão nacional em homicídios decorrentes de conflitos fundiários. Os Assassinatos são feitos por justiceiros e pistoleiros que garantem a ocupação de terraS PÚBLICAS E APROPRIAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS, como a madeira.
Antes da chegada do gado, era paraíso dos madeireiros. Com matas ricas em mogno
em Mato Grosso:
"A gente desmatava tudo. Só parava onde era brejo. (...)
"Eu me considero um produtor de alimentos, não um desmatador."
...
U. Srinivasan, da Universidade da Califórnia em Berkeley: países ricos imporão perdas ambientais de até 7,4 trilhões de dólares aos países de renda per capita baixa e média em razão de suas ações no período 1961-2000
Orçamento da União de 2008 Ministério do Meio Ambiente: 2,9 bilhões de reais, mais que o dobro do destinado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
96 por cento dos brasileiros se preocupam com o aquecimento global, contra 85 por cento em média no exterior
45 projetos de usinas hidrelétricas aguardam expedição de licenças ambientais
relatório do IPCC (?) sobre emissão de gases tóxicos:
América Latina: 5 por cento
EUA: 25 ´por cento

O GLOBO 25 DE ABRIL DE 2008
DEGELO NO ÁRTICO
O impacto das mudanças climáticas no Ártico é maior do que o suposto.
com efeito em todo o meio ambiente da região, especialmente na fauna.
Segundo a ONU, o desaparecimento da calota de gele da Groenlândia elevaria o nível do mar em 7,3 metros.
Os dados do World Wildlife Fund WWF serão apresentados hoje no Conselho Intergovernamental do Ártico.
                      degelo
                de gelo
                        
de gelo
                                            degelo

O Globo 25 de abril de 2008
NÍVEIS DE CO2 CONTINUAM A SUBIR
A QUEIMA DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS POR PAÍSES RICOS É A PRINCIPAL CAUSA
As emissões de dióxido de carbono, o principal gás associado ao aquecimento global, continuam a subir em ritmo acelerado.
Um dos principais fatores são as crescentes emissões para a geração de energia na China, Estados Unidos e Europa. A Itália, por exemplo, planeja construir uma grande termoelétrica a carvão.
De todos os combustíveis fósseis, o carvão é o que mais lança dióxido de carbono na atmosfera ao ser queimado. Segundo a Noaa (administração de Oceanos e Atmosfera dos EUA), depois de uma década de estabilidade os níveis de metano também voltaram a se elevar. Embora menos abundante que o CO2, o metano é pior para o efeito estufa.
A média anual de aumento (de emissão de CO2) nos últimos seis anos foi de 2 ppm, índice mais acentuado do que em décadas anteriores.
Se o aumento do CO2 está associado à queima de combustíveis fósseis, a situação do metano é incerta. O gás é produzido naturalmente por pântanos, mas também é liberado em atividades industriais. Um temor dos especialistas é o degelo da permafrost
permafrost
(solo permanentemente congelado) na região ártica. Isto poderia liberar grandes quantidades de metano.

O Globo 29 de abril de 2008
EXPULSOS DE CASA
impactos do aumento das emissões de CO2 no aquecimento global crescem sem cessar
em 2050 um bilhão de pessoas serão expulsas de suas casas devido a mudanças climáticas
África e Ásia serão as regiões mais afetadas.
camponeses de Xienghoang andam quilômetros para arranjar lenha e comida.

leitor de O Globo 5 de maio de 2008
Poderia ser o maior produtor mundial de alimentos mas não é.
outro leitor
estampa constantemente morte de crianças indígenas por desnutrição, de adultos pela falta de perspectiva e esperança
outro leitor:
Roraima, fronteira com Venezuela e Guiana, onde têm ocorrido gravíssimos conflitos entre índios e plantadores de arroz.

O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008
DRAGÃO FERIDO
LUIZ PAULO HORTA
há cerca de dez anos Pequim (...) era uma cidade destruída (...) à exceção de uma ou outra relíquia do passado.
Templo do Céu exibe uma porcelana azul de beleza extraordinária. Ali, uma vez por ano, o imperador presidia aos ritos de abertura do ano agrícola. Como tudo o que governava a China tradicional, a idéia era manter e desenvolver o equilíbrio entre o Céu e a Terra.
A China atual mostra a mais total desarmonia entre o Céu e a Terra.
Em 2005 já dizia o vice-ministro do Meio Ambiente, Pan Yue: "O milagre econômico vai terminar logo, porque o meio ambiente já não dá conta" (do estrago causado pelo desenvolvimento).
A China já tem 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo. Problemas respiratórios na população, a chuva ácida caindo sobre os campos, provocando uma desertificação acelerada, a disponibilidade de água limpa encolhendo assustadoramente,

Violência no campo
violência no campo

O GLOBO 22 DE ABRIL DE 2008
IMPUNIDADE NO CAMPO
"ABRIL VERMELHO": MST RETOMA INVASÕES
Presidente da Comissão de Agricultura da Câmara de Deputados, do DEM-RS (Partido dos Democratas):
        - Há uma frouxidão do governo, que não respeita o direito de propriedade. Pior: o governo Lula destina três vezes mais dinheiro para a Ministério Agrário do que para o da Agricultura. O governo permite a ação livre dos bandoleiros do MST e sua turma.
nas últimas semana os sem-terra ocuparam rodovias, invadiram sede de mineradora (Vale do rio Doce) e obstruíram uma ferrovia.
Adão Preto do PT-RS contesta o DEM e o próprio governo:
            - Quando não era presidente Lula dizia que quando o fosse poderia até não fazer tudo mas uma coisa ele faria: a reforma agrária. Não cumpriu a promessa.
Chegou a dizer que no governo FHC, combinado com Olívio Dutra, governador do RS-PT, avançou mais na reforma agrária no seu Estado:
            - Naquela época foram assentadas seis mil famílias. No governo Lula, até agora, duas mil.

O GLOBO 6 DE MAIO DE 2008
CONDENADOS NO CASO DOROTHY TÊM NOVO JULGAMENTO
missionária Dorothy Stang, de 73 anos, assassinada em 12 de fevereiro de 2005 em Anapu, Pará, pelo agricultor Rayfran das Neves Sales, que confessou o crime, que tenta livrar de culpa o suposto mandante, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida.
No primeiro julgamento Bida foi condenado a 30 anos de cadeia e Rayfran a 27.
No julgamento anterior Rayfran disse que a arma que usou pertencia a Bida. Agora negou.

ÉPOCA 7 DE JULHO DE 2008
leitora
A matança na República pós-ditadura foi maior que no período militar. Basta recordar o massacre da Candelária, a invasão no Carandiru, o massacre dos sem-terra no Pará e tantos outros em favelas e bairros pobres de São Paulo e do Rio de Janeiro.
SOMOS UM PAÍS "VERDE" MAS NEM TANTO
Brasil: 34º lugar no ranking dos países mais "verdes" - comprometidos com o meio ambiente.
Newsweek: essa colocação é enganosa. Diz que país marca pontos positivos pelo uso de etanol e por ter hidrelétricas como principal fonte de energia mas ressalva que esses méritos datam dos anos 70 e "não têm sido acompanhados de novas ações". Aponta o desmatamento crescente e o saneamento básico precário como pontos negativos e pergunta:
"Até quando o país será capaz de manter essa situação favorável?"

VEJA 9 DE JULHO, 2008
PERNIL GORDO    J.R. GUZZO
(sobre caso da Vale que diz que não comprou lotes, indenizou assentados por melhorias em lotes que encampou para abrir uma mina)
os assentados em projetos de reforma agrária não podem vender os lotes que receberam na teoria
a venda de lotes por assentados que ficam com o dinheiro, vão embora e eventualmente recebem um novo pedaço de terra em outro lugar.
Cargill - um porto de exportação de soja em Santarém, também no Pará

VEJA 23 DE JULHO, 2008
ENERGIA EÓLICA
Osório, RS: 75 cata-ventos formam o maior parque eólico da América Latina, fornecem energia aos seus 40 000 habitantes e a mais 650 000 em Porto Alegre
O Brasil é o país que mais recicla alumínio no mundo: 1 milhão de latinhas por hora, 70 por cento das quais em Pindamonhangaba, no leste paulista, que tem a maior empresa de reciclagem do mundo, a Novelis

OS DILEMAS DA AMAZÔNIA
veja, 23 de julho, 2008
60 por cento do território nacional
regime militar empenhava-se em levar o "progresso para a selva" pela Transamazônica e com a hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.
exploração predatória e caos fundiário
queimadas e extração ilegal da madeira, avanço desordenado da pecuária e das lavouras de soja nas bordas da floresta
em 2008 desmatamento atingiu 17 por cento da cobertura original
governo, ao mesmo tempo em que busca reprimir o desmatamento, promove assentamentos de sem-terra em áreas da floresta
A NAÇÃO DO GARIMPO
corrida ao ouro de Serra Pelada
100 000 brasileiros atraídos para a jazida do tamanho de dois estádios do Maracanã, Pará

AMEAÇA RADICAL
veja, 23 de julho, 2008
Desde suas primeiras invasões de terra e atos de baderna nos anos 1990, O MST e outras agremiações radicais (...) Com suas agressões ao agronegócio e ao meio ambiente (seus assentamentos são um dos focos de devastação da Amazônia) eles ameaçam a paz e a prosperidade do campo.

VEJA 27 DE AGOSTO, 2008
OPERAÇÃO BOI PIRATA DE CARLOS MINC
OS SEM-TERRA QUE AMEAÇAM O VERDE
A FAZENDA SANTA FÉ é um modelo de preservação no devastado sul do Pará. Nela, o dublê de pecuarista e ambientalista Marcos Mariani cria um rebanho de 15 mil bois e mantém intacta uma área de mata virgem de 370 mil quilômetros quadrados. Também financia uma ONG para convencer o governo a investir apenas em ferrovias na Amazônia, que prejudicam menos a floresta que as ferrovias.
Há um mês o experimento de Mariani foi ameaçado pelo Incra, que quer desapropriá-lo e instalar lá um grupo de sem-terra que acampou nas suas fronteiras e diz pertencer a uma tal Associação Fênix.
ADAM WERBACH
ex-presidente do Sierra Club, a maior organização ambientalista dos Estados Unidos:
Sempre haverá quem acredite que tudo o que há a fazer é preservar o meio ambiente. O mundo é mais complexo do que isso. Existem centenas de milhões de pessoas subnutridas no planeta.
Mais do que o fim das espécies, é a nossa civilização que está ameaçada
(e há algo a opor a isso, ora pois?)

veja 3 de setembro, 2008
RESERVA RAPOSA SERRA DO SOL
Para mim o modelo é contínuo. Um modelo sem a presença de ilhas. Os índios brasileiros são visceralmente avessos a qualquer idéia de nichos, guetos, cercas, muros, viveiros. - ministro Carlos Ayres Britto, relator, ao votar pela demarcação contínua das terras indígenas em Roraima.
Pelo menos ele (Ayres Britto) não mandou me prender.
prefeito de Paracaíma (Roraima) e um dos maiores fazendeiros da área, preso recentemente pela PF, que quis tirá-lo de suas terras na mão grande.
O Exército é fervorosamente contra essa reserva, a ponto de poder haver motins se a demarcação for contínua.
Gélio Fregapani, coronel reformado do Exército, tirando o pijama contra a demarcação contínua.

veja 24 de setembro, 2008
UM PARANÁ PARA 20 000 ÍNDIOS
Existem hoje na funai 21 pedidos para a criação e a ampliação de reservas indígenas em Mato Grosso.
o território indígena passará de 13 por cento para 18 por cento da área do estado.
No total, há 20 000 índios em Mato Grosso.

          ECOLOGIA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO 2009

          CRISE(S) REGULADORA(S)...

                        1929 º 2009

           80 ANOS DE crackrises E FORROBODÓ

             pra mãe natureza o templo do pai

                    pra mãe natureza o templo do pai

                    é tudo mentira, é tudo figura               Péricles Cavalcanti

 

               CRISE(S) REGULADORA(S)...

ma non troppo... ou: para nada. Logo a máquina é de novo oleada and the beat goes on and on and on and on

veja, são paulo, 24 de dezembro 2008

Jeremy Rifkin, economista amerikano:

três crises simultâneas: financeira, energética e o aquecimento global

com os recursos naturais de que dispõe o planeta é capaz de abrigar apenas 200 milhões de pessoas com o estilo de vida do cidadão americano.

com os recursos naturais de que dispõe o planeta é capaz de abrigar apenas os Estados Unidos da América.

o que faz sentido: a atitude grassroot desde a expansão da fronteira tem sido justamente só tem lugar aqui para nós e para mais ninguém

20 março 2009

Água. levantamento da ONG Global Peace divulgado pela ONU

um terço da população mundial tem problema de acesso a água

até 2030 metade da população mundial terá problema de acesso ou mesmo falta de água

veja, são paulo, 25 março 2009

O ar está mais limpo... mas só porque a crise econômica é devastadora para indústrias ineficientes e poluidoras dos países emergentes

ritmo do desmatamento da Amazônia caiu 32 por cento no último semestre e o Brasil deixou de emitir 18 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera

Em Guangdong, de onde sai um terço das exportações chinesas, 60 000 empresas, a maioria pequenas indústrias, já fecharam as portas. O nível de poluição na região caiu 5 por cento

emissão global de gases de efeito estufa deve diminuir 3 por cento em 2009

segundo a FAO (Organização das Nações Unidas Para a Agricultura e Alimentação) também haverá menos dinheiro para investimentos em manejo florestal e estratégias de exploração de longo prazo

 

PETRÓLEO ÁLCOOL BIOCOMBUSTÍVEIS ENERGIA

JULHO 2007 OS BARÕES DO PETRÓLEO
mídia apela IMPLORA por medidas para limpar o mercado petrolífero
Os barões do petróleo e a especulação financeira
mídia clama IMPLORA por medidas para limpar o mercado petrolífero

2008 PETROBRAS PRODUÇÃO
2,3 milhões barris/dia
previsão para 2015: 4 milhões
lucro no primeiro semestre de 2008: mais de R$ 15 bilhões, alta de 40 por cento em relação ao mesmo período de 2007
área de pré-sal requer nova tecnologia
potencial: 12 milhões de barris/ano a partir de 2012-2013

1973 PRODUÇÃO
Brasil produzia 15 por cento do que consumia
com grande investimento na exploração
1990 = 60 por cento
auto-suficiência prevista para 2007


VEJA 30 de março 1994: PETROBRAS COM MEDO DA CONCORRÊNCIA
SEIS PAÍSES COM MONOPÓLIO na área de petróleo: Golfo Pérsico, Irã, México e Brasil
um mamute lento que precisa de um ajuste de proporções quase sísmicas para sobreviver
VEJA DE FRASES E IDÉIAS RIBOMBANTES ALTISSONANTES
Os dois, a empresa e a reserva de mercado, foram criados para dar auto-suficiência em petróleo ao Brasil. A auto-suficiência era considerada uma questão estratégica para o país. Não se parou para pensar que a comida é mais estratégica ainda, mas seria considerado lunático alguém de propusesse a criação da Feijãobrás.

Não é unívoco, não é maniqueísta, não é unilateral. Também daqui se vê, como o senador Cristovam Buarque, que há que definir, como a Opep quantas gotas de petróleo se produz, quantos centímetros quadrados de terra se vai consumir para encher os tanques do mundo para não deixar de plantar para se comer num país que tem fome.

PETROBRAS PETROLEO
VOCÊ SABIA? - assessoria de imprensa da Petrobras em janeiro de 1990:
Você sabia que a Petrobras paga pelo petróleo importado US 18,80 o barril e somente pode considerar em sua estrutura US 14,26?
Você sabia que a Petrobras chegou a investir no início da década de 1980 quase US 5 bilhões por ano, diminuindo seus investimentos para apenas US 1,6 bilhão, tendo de reduzir drasticamente suas atividades de pesquisa, perfuração, exploração, produção e outras?
... resultado dos preços defasados dos derivados que produz, a Petrobras terá de adiar a meta de auto-suficiência na produção de petróleo de 1997 para o ano 2000?
... tendo descoberto e delimitado reservas de petróleo da ordem de oito bilhões de barris sem contar o gás natural não poder extrair essa riqueza
boa parte desses recursos existiria se recebesse as contas penduradas dos clientes - (cita empresas estatais)
programa de investimentos na primeira metade da década de 1980 permitiu à empresa elevar a produção de 171 mil barris/dia em 1979 para 637 mil em 1989, o que demonstra que competência a empresa sempre teve?
recorde mundial de exploração e produção em águas profundas
na bacia de Campos tira petróleo em lâmina d'água de 492 metros e já domina tecnologia para alcançar mil metros de profundidade

Lucro da Petrobras cai de US 471 para 160 milhões de 1988 para 1989
a maior empresa da América Latina
no início da década de 1989 faturava US$ 20 bilhões e em 1989 US$ 12 bilhões
a insuficiência de capital de giro foi basicamente derivada da defasagem dos preços em relação à inflação

1989: Petrobras produz 700 mil e importa 400 mil barris de petróleo/dia

Mesmo mal administrada, qualquer empresa de petróleo é um bom negócio. ... o governo anterior arrochou os preços e a Petrobras parou de investir e não tinha dinheiro nem para pagar a folha salarial.
... estamos atrasados cinco anos no projeto de auto-suficiência, que só deverá ocorrer em 1999. As previsões iniciais era de atingirmos a auto-suficiência em 1990, produzindo  um milhão de barris/dia. Estamos produzindo a metade

A gasolina é o quarto combustível do país. Antes vem o diesel, o óleo combustível e o GLP (gás de cozinha)

Fala-se que no futuro teremos um cardápio de combustíveis.

abril de 1990: contas penduradas de US 563 milhões de empresas estatais junto à Petrobras com raízes históricas, manipulado politicamente ao longo do tempo
Petrobras não pode ser tratada como instrumento de controle da inflação

companhias petrolíferas (também chamadas petroleiras) que não querem ou têm dificuldade em diversificar atividade, explorar outros ramos de produção e exploração de energia/combustíveis

istoé/senhor julho de 1989
Mais de 5 mil demissões, US 1 bilhão de prejuízos distribuídos por vários sectores da indústria, comprometendo 10 por cento do PIB, porque a estatal do petróleo reduziu seus investimentos
soma um punhado de 500 empresas, que têm 60 por cento do seu faturamento com a Petrobras, com mais de metade das suas 82 sondas de perfuração e produção paradas
já foi 29ª, então a 50ª maior empresa do mundo
13ª no ranking do petróleo
maior empresa brasileira
Brasil entre os 20 maiores produtores de petróleo do mundo e 13º em reservas

Carlos Sant'Anna, presidente da Petrobras 1989:
Na época da Revolução todos os presidentes da Petrobrás eram poderosos. Um deles virou presidente da República, outro ministro
pediu que a empresa saísse do circuito de comercialização de álcool combustível porque "ela nunca foi plantadora de cana"
ficou muito cerceada operacionalmente
perdas de US$ 100 milhões/mês
"É difícil justificar socialmente queima de um combustível que custa US$ 40, mais que o dobro dos derivados de petróleo."
Proálcool "deverá retomar seus propósitos iniciais de ser apenas um programa estratégico"
e defende congelamento da produção de álcool

Sant'Anna é o quinto presidente da Petrobras no governo Sarney - todos se demitiram ou foram demitidos por discordar de medidas que prejudicavam a empresa

União tem 71,5 por cento de participação no capital da empresa


CANA-DE-AÇÚCAR 2008
Brasil o maior produtor de CANA-DE-AÇÚCAR do mundo
bagaço de cana para produção de energia elétrica
1º leilão de biomassa, termelétricas movidas a bagaço de cana
etanol do trigo e do milho é mais caro que o de cana - biocombustível
biodiesel

ALCOOL COMBUSTÍVEL
1988: frota automóvel, de 15 milhões, 8 milhões movidos a álcool
1989: em Betim MG Fiat produz 65 por cento de carros movidos a álcool e 35 por cento a gás
quando em meados de 1989 Governo começa a falar em diminuir produção de carros a álcool fixando produção em 50 por cento, presidente da Autolatina Volkswagen/Ford, holding, Wolfgang Sauer, disse: "Os investimentos foram muito grandes. Não é um programa que se pode arquivar. Nós não somos uma padaria para mudar produção de uma hora para outra."

abril de 1989: consumo de gasolina aumenta 24 por cento para 163 mil barris/dia
Petrobras reduziu exportação de 80 a 100 mil barris/dia para de 60 a 80 mil
produção de álcool: 229 mil barris/dia
consumo de óleo diesel: 42 mil barris/dia
muito elevada participação do diesel no consumo de combustíveis: 35 por cento

governo só subsidia diretamente produção do Nordeste, de pior tecnologia e menor produtividade

istoé/senhor Maio de 1989: A RESSACA DO PROÁLCOOL
nunca foi um bom negócio:
1983: barril de petróleo a US$ 40, barril de álcool a US$ 65
1988:                                   US$ 15                                US$ 38
ao mesmo tempo em que economia de 180 mil barris/dia de gasolina obriga Petrobras a exportar 120 mil
com impostos e financiamento do Proálcool custo se eleva a US$ 85/barril

1989: usinas de álcool movimentam US$ 1 bilhão/ano e geram 500 mil empregos

Itália estuda uso de álcool combustível   etanol
tem um bom poder antidetonante, custa menos que a gasolina e é largamente disponível. Mas tem poder calorífero muito inferior ao da gasolina.

CARRO A ÁLCOOL. VOCÊ AINDA VAI TER UM.
   ÁLCOOL. VOCÊ PODE USAR QUE NUNCA VAI FALTAR.

Estado do Rio de Janeiro só cresce em função do petróleo. dado de 2006: PIB da região metropolitana RJ parado desde 1980 [cidade do Rio de Janeiro desde então só aumentou criminalidade e especulação imobiliária]

1990 - MALOGRO DO PROÁLCOOL, criado em 1975 - se gastos do Estado para subsidiá-lo tivessem se ajustado no tempo (queda dos preços internacionais do petróleo) o Brasil teria mais petróleo e não estaria amargando racionamento disfarçado de álcool
programa inicialmente tinha o objetivo de estimular a produção de álcool anidro para adicionar à gasolina
benefícios: favorecia usineiros, que enfrentavam preços baixos do açúcar no mercado internacional, e barateava custo de distribuição de gasolina
em 1979, pressionado pelo segundo choque do petróleo, governo começou a mudar objetivos: um caminho para a substituição da gasolina como combustível
para torná-lo atrativo (poder calorífero é muito inferior ao da gasolina) fixou o preço na proporção de 56 por cento em relação ao da gasolina, logo ajustado para 65 por cento.
acreditava que o custo do barril ultrapassaria a barreira dos US$ 50
em 1990 preço do álcool US$ 36, gasolina US$ 20/barril
em 6 anos investiu entre US$ 8 e US$ 10 bilhões para produzir 200 mil barris/dia de álcool
com quantia equivalente Petrobras aumentou a produção de petróleo de 200 para 600 mil barris/dia
desestimulados pela baixa remuneração produtores passaram a explorar outras culturas, como a soja, ou se limitaram a produzir açúcar em épocas de alta do preço da commodity.
desde 1985 a produção ficou estagnada em 15 milhões de litros
governo não desestimulou produção de carros (95 por cento no final dos anos 1980) e manteve estímulo fiscal, cobrando menos 5 por cento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que o exigido para carros a gasolina
- consumo de gasolina era tão baixo que obrigava a exportar gasolina para os EUA porque processo de refino do petróleo (para produção de óleo diesel, querosene e óleo combustível) exigia produção de mínimo de 230 mil barris/dia

1990, alguém no Jornal do Brasil: A carga de impostos sobre o álcool é muito maior do que a dos outros combustíveis e se analisarmos os valores recolhidos aos cofres públicos notaremos que, ao invés de deficitário, o álcool é excelente negócio para o governo.

1990 - DAVID ZYLBERSZTAIN, DOCTEUR EN ÉCONOMIE DE L'ÉNERGIE PELO INSTITUT D'ÉCONOMIE ET DE LA POLITIQUE DE L'ENERGIE DE GRENOBLE (França):

O presidente da Petrobras [Carlos Sant'Annna], que saltou de especialista em mercado de capitais para especialista em energia, declarou que "o Proálcool é um animal em extinção".
gasolina, um combustível obsoleto, segundo a revista Nature de outubro de 1989
... foram investidos US$ 10 bilhões no único programa mundial alternativo de energia
...

CHOQUE DO PETRÓLEO
de 1973 a 1979 tentou se difundir a idéia de que o Brasil era uma ilha de felicidade num mundo conturbado.
A conta veio mais tarde - com juros e correção monetária.
Brasil importava 190 mil barris/dia do Iraque e do Kuwait
160 mil deles do Iraque
relação Brasil-Iraque - "conexão nuclear", armamento, interesse comercial, Baumgarten, de Médici a Figueiredo e crise de 1990 - anexo 3 e JN

BIOMASSA: mamona desenvolvida pelo Embrapa dá 3 safras/ano (mas não dá produzir biomassa de mamona porque sai muito caro, constata-se depois de 2002 e 3 e tempo afora)
segundo a teoria predominante, 1 barril de petróleo leva milhões de anos para ser "fabricado"

O Estado de São Paulo 4 de julho 1989
Washington namora carro a álcool
seja de fonte vegetal {etanol} seja de gás natural {metanol}, possivelmente importado da Argélia
se resolver aumentar o consumo de álcool a razão não será econômica mas ecológica
Nas condições atuais a conversão da frota paulista para gasolina seria uma bomba silenciosa, capaz de produzir uma catástrofe ecológica a fogo morno pelo aumento de concentração de monóxido de carbono, que afeta o sistema nervoso, para não falar no resto
EUA vão pesquisar melhorias genéticas e outras que possam reduzir os custos de produção de álcool derivado de BIOMASSA

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996 Washington
ETANOL É A SAÍDA ESTRATÉGICA PARA OS AMERICANOS
Em 1908 Henry Ford, que desenhou seu modelo "T", um carro para rodar apenas com álcool, disse que esse seria o combustível do futuro.

etanol, ou álcool produzido com a fermentação de açúcares do milho, do trigo e de outras fontes de biomassa, como grama e árvores que crescem rapidamente, é o combustível do futuro.

reduzir os gases que provocam o efeito-estufa e a destruição da camada de ozônio, entre eles o monóxido e o dióxido de carbono; diminuir a dependência das importações de petróleo (mais de 54 por cento do que é consumido no país), em grande parte provenientes dos países do Golfo Pérsico.
etanol: contribui com mais de US$ 2 bilhões para a balança de comércio: US$ 1,3 bilhão de redução nas importações de MTBE - aditivo químico derivado do metanol - e US$ 800 milhões de exportações dos subprodutos do álcool combustível, como glúten de milho,
1990 - importação de petróleo: US$ 61 bilhões, cerca de 60 por cento do déficit comercial norte-americano
A Agência de Proteção Ambiental determinou em 1992 a adição de 10 por cento de etanol à gasolina, estima que essa mistura reduza em 25 por cento as emissões de monóxido de carbono.
EUa consomem 17 milhões de barris de petróleo/dia, dois terços dos quais usados para o transporte
Cada pessoa queima em média 28 mil galões de gasolina em toda a vida, enviando para a atmosfera 326 mil libras (cada libra equivale a 453 gramas) de dióxido de carbono.
estudos revelam que mistura de etanol a gasolina reduz em 20% as emissões de CO2 e em 30% as de monóxido de carbono (CO)
Desde 1992 consumidores de 40 cidades vêm dirigindo com combustíveis oxigenados
combustíveis alternativos
o etanol, produzido com matérias-primas que alimentam os rebanhos, "é o único combustível para o transporte que ajudará a reduzir o EFEITO-ESTUFA"
O "Clean Air Act" dos EUA, aprovado em 1990
35 por cento de toda a gasolina consumida nos EUA contêm algum nível de oxigenados, entre eles o etanol
os grandes beneficiados são os produtores de grãos do Meio Oeste
Agricultura americana produziu 12 bilhões de GALÕES de álcool combustível (456 bilhões de litros) nos últimos 15 anos
benefícios diretos e indiretos para os produtores excederam os US$ 3 bilhões
redução no custo dos programas de apoio rural atribuída ao aumento da demanda por milho mais do que compensa o custo dos incentivos - ethanol tax incentive
etanol vai acrescentar US$ 15 bilhões na economia local entre 1996 e 2002
motores de dois ciclos, que são capazes de funcionar, usando a mistura, por mais de 1 300 horas sem problemas
Até meados da década de 1980 o Brasil, um dos pioneiros no uso do álcool combustível, era o maior exportador de etanol para os EUA
agora está fora do mercado norte-americano em virtude de uma série de medidas protecionistas adotadas pelo governo americano
tarifas de importação provocaram aumento de 72 por cento no preço do etanol made in Brazil, levando a uma queda de 87 por cento nas importações do produto
... indústria local conseguiu depois que o governo o retirasse do Sistema Geral de Preferências (SGP)
outros países produtores de etanol (Israel e Bacia do Caribe) têm direito a uma cota de exportação, nem sempre atingida
consultas bilaterais entre o Brasil e os EUA no âmbito do GATT (Acordo Geral de Preços e Tarifas - atual OMC) não resultaram em acordo

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
na Grã-Bretanha o gás é apontado como a alternativa mais viável ao uso de gasolina e de diesel
seja do tipo etanol ou metanol ou qualquer outro, o álcool é visto por governo e indústria como opção problemática, considerado um produto agressivo, porque corrói o sistema de tubulação que alimenta o abastecimento nos veículos
há além disso receio dos efeitos danosos à atmosfera causados pela evaporação dos componentes orgânicos voláteis (VOC) contidos no álcool

gás liquefeito de petróleo (GLP - butano)
gás natural (metano)
uso do gás como combustível compromete o desempenho do veículo: limita sua velocidade
venda de gasolina sem chumbo cresceu até atingir os 60 por cento do total da gasolina vendida desde meados de 1980

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
Anidrização
tendência de transferência da produção do álcool hidratado para o anidro
demanda mundial deve crescer de 70 milhões para 77 milhões de barris de petróleo por dia em 2010
a estimativa é que o preço chegue a 2000 a US$ 30 o barril em 2000
a demanda cresce à razão de 2 por cento ao ano e a produção fora dos países membros da Opep deve aumentar menos de 1 por cento
motorização acelerada leva a altas marcantes do consumo de combustível no Brasil: de um veículo para 15,4 habitantes em 1977, 1 para cada 11,6 habitantes em 1980 e projeção de 1 para cada 5,6 habitantes em 2010 - a proporção (atual) da Argentina
fabricação do carro a álcool na indústria nacional hoje restrita a 0,92 por cento mas frota a álcool ainda responde por 35 por cento do total
Suécia faz atualmente experiência em Estocolmo com 350 ônibus movidos a mistura de 15 por cento de carburante etanol de batata com óleo diesel. França e Estados Unidos têm projetos semelhantes e Japão vai pelo mesmo caminho
chumbo tetranite na gasolina, altamente poluente
nos EUA desenvolve-se pesquisas sobre etanol proveniente da celulose (fibra de milho e restos de papel) que podem reduzir o seu custo entre US$ 0,20 e US$ O,40 por galão, equivalente a queda de 16 por cento no custo da produção
GM a ser lançado em 1998 deverá operar com gasolina e etanol, indistintamente - motor flex

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
produção de carros movidos a álcool: 96 por cento do total em 1985
12 por cento em 1994
3 por cento em 1995
O,3 por cento em 1996
Brasil é o maior exportador mundial de açúcar
em três anos elevou a exportação do produto de 3 para 5 milhões de toneladas
é o açúcar mais competitivo do mundo
teremos condições de crescer 15 por cento ao ano nos próximos anos
mercado mundial de açúcar é de 120 milhões de toneladas e cresce 2 por cento ao ano
custo Brasil - impostos, juros e infra-estrutura
CUSTO BRASIL
é algo de que muito se fala nos meios empresariais na década de 1990                   Brasil produz 250 milhões de toneladas de cana, um terço da safra mundial e metade disso vai para a produção de álcool hidratado
setor sucro-alcooleiro emprega 1,5 milhão de pessoas a um custo de R$ 10 mil por emprego gerado, seis vezes menos que o custo numa montadora de automóveis
e são empregos na área rural, bem distribuídos geograficamente

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
canaviais transformados num futuro não muito distante numa considerável fonte de energia elétrica
há potencial para ampliação da co-geração pelas usinas, hoje 20 megawatts (MW) para 200 MW em 1997 e 600 MW em 1998
queima do bagaço

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
ÁLCOOL - UMA FONTE DE PROTEÍNA BARATA
levedura seca de cana-de-açúcar é o suprimento alimentar protéico mais barato do mundo
Brasil pode reduzir carências de proteínas e vitaminas de toda a população em idade escolar
levedura resulta da fermentação do álcool
cada litro produzido na destilaria pode fornecer 100 gramas de levedura
o agrônomo que em 1994 patenteou o método de obtenção - primeira produtora brasileira, uma usina na cidade de Matão: "É mais um presente do Proálcool que o mundo aproveita e o Brasil joga fora."
no mercado externo procura por levedura cresce de 20 a 30 por cento ao ano; no Brasil até 1995 o consumo era praticamente nulo
usinas de São Paulo exportaram em 1995 toda a sua produção de 35 mil toneladas
em 1996 fábricas de ração animal e frigoríficos passaram a incluir a levedura na dieta de crescimento e nutrição de frango
em 1997 entrará em funcionamento em Lençóis Paulista a primeira fábrica de levedura para consumo humano, com capacidade de duas mil toneladas diárias
sai da usina a de US$ 200 a US$ 250 a tonelada e chega aos países importadores a de US$ 500 a 700
onde compete em preço com a levedura de cerveja, vendida a US$ 1 mil
à exceção da Rússia e da África, o produto tem mercado em todos os continentes
eles usam para alimentar rebanhos, mas a Ásia aplica a levedura no desenvolvimento da piscicultura.
Nova Zelândia já compra para consumo da população
maiores clientes: Taiwan, Alemanha e Estados Unidos
"a levedura misturada à ração animal aumenta a vida produtiva das galinhas, melhora a textura dos ovos, antecipa o desmame de bezerros ANTECIPA O DESMAME DE BEZERROS E ACELERA O CRESCIMENTO DOS PEIXES
levedura de cana tem um teor médio de proteína de 40 a 42 por cento e o farelo de soja de 46 por cento
Mas a de cana tem vitaminas, principalmente a B, além de ferro e sais minerais.
a proteína é mais rica quanto maior número de aminoácidos essenciais reunir em sua composição: a de cana tem 18, metade em alta dosagem, acima das exigências dos padrões da FAO
pesquisas em curso visam elevar carga protéica da levedura
já alcançaram índices de 60 por cento e é possível aumentar a dosagem de um ou outro componente através da engenharia genética
para as usinas a produção de levedura vai aumentar o faturamento em apenas 0,5 por cento
mas do ponto de vista social o impacto do consumo será brutal; é um valor que não se contabiliza financeiramente mas socialmente
cada litro de álcool rende 100 gramas de levedura
o Brasil produz 13 bilhões de litros de álcool anidro e hidratado a cada safra
e terá 1,3 milhão de toneladas de levedura por ano
cinco gramas de levedura diárias por pessoa bastam para suprir as carências protéicas da população escolar
dose de cinco gramas sai por R$ 0,001 (um milésimo) a R$ 200 a tonelada

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
"frota verde"
o carro a álcool consome mais combustível que o similar a gasolina
para ser compensador custo deve ser 35 por cento inferior
atualmente a diferença de preço é de 20 por cento
além disso carro é de 1 a 3 por cento mais caro
desconfiança dos consumidores, que desconfiam da perenidade das políticas do governo
antes da lei de controle da poluição veículo a álcool poluía cerca de 40 a 50 por cento
o nível de emissões de poluentes chegaram praticamente ao mesmo patamar
Mas não há consenso entre técnicos sobre a questão. O debate gira em torno das imissões, ou impactos secundários dos componentes químicos emitidos (que são diferentes) na atmosfera

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
SAFRA
1995: 13,32 milhões de toneladas de açúcar e 12,67 bilhões de litros de álcool
1996, previsão: 13,68 de toneladas de açúcar e 13,88 bilhões de litros de álcool
ganhos de produtividade
O aumento de rendimento concentra-se na região Centro-Sul, e sobretudo no estado de São Paulo, que colheu uma média de 76 toneladas de cana por hectare entre 1992 e 1994
No Norte-Nordeste a produção é decrescente desde 1985/87 e o rendimento é de 33 toneladas por hectare
área cultivada no país: 10 milhões de hectares
forte intervenção do Estado no setor provocou mais problemas que benefícios
parque sucroalcooleiro do Brasil tem 346 indústrias
134 destilarias que só produzem álcool
39 usinas que só produzem açúcar
e 173 usinas com destilarias anexas
delas, 41 desativadas, 38 funcionam de forma precária e 200 encontram-se inadimplentes
somente 66 empresas ou 19 por cento do total não têm problemas
açúcar é um alimento produzido em todo o mundo
por aproximadamente 100 países
a partir da cana: 65 por cento
beterraba: 35 por cento - dados de 1993
utilização da cana como matéria-prima
é maior na Ásia (43 por cento)
América do Sul (21 por cento)
e América Central (17 por cento)
utilização da beterraba concentra-se principalmente na Europa: 79 por cento
Ásia - menor consumo médio per capita: 12,4 quilos ao ano
América Central: 46,4 quilos
América do Sul: 40,7 quilos
Europa: 36,2 quilos
rendimentos superiores ao Brasil são conseguidos por Indonésia, Filipinas, Estados Unidos e Austrália

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
previsões para o ano 2000 conservadoras porque incluem precariamente o consumo na China e na Índia, que consomem menos de um barril per capita ao ano e devem apresentar crescimento na demanda superior aos 2 por cento ao ano computados na pesquisa. Média mundial é de 16 barris per capita/ano.
considerada taxa de crescimento de 2 por cento ao ano em 2010 o consumo será de 95,2 milhões de barris por dia. Os investimentos da indústria petrolífera deverão aumentar dos atuais US$ 5 a 6 bilhões por ano a US$ 20 a US$ 30 bilhões.
E se as reservas duram até 2050 o fim da gasolina para uso automotivo pode vir no ano 2020.
deve terminar antes para as aplicações menos importantes, como combustível automotivo, e continuar a ser usado em aplicações mais importantes, como a produção de plásticos.
uma das alternativas: carros movidos a eletricidade
conscientizar o mundo sobre a importância desse combustível renovável
"Para que existe carro a álcool no Brasil é preciso que exista no mundo."
custo de produção da gasolina é 50 por cento inferior ao do álcool
governo está revendo a matriz energética do país - a tendência é de aumento do consumo de álcool

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
a exportação de açúcar renderá este ano US$ 1,67 bilhão
de álcool: US$ 108 milhões
a importação de álcool será de US$ 246 milhões
de metanol de US$ 105 milhões
Foram importados em 1995 1,10 bilhão de litros de etanol, principalmente carburante, e 661 milhões de litros de metanol.
Essas importações equivalem a 2,30 milhões de toneladas de açúcar.
em 1995 Brasil exportou 317 milhões de litros de etanol, que renderam US$ 107 milhões.


junho de 1989: falta açúcar refinado no Nordeste. Presidente da Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte: "o produto está sendo exportado a preços 100% superiores aos praticados no mercado interno"

GAZETA MERCANTIL 17 de julho 1996
Carro a álcool aguarda golpe de misericórdia
Fiat por exemplo vendeu só um carro a álcool em maio
Ford: 73
Volkswagen: 286
carros a álcool: participação de menos de 1 por cento nas vendas das montadoras no mercado interno
O mais empenhado defensor do combustível não imagina que um dia os percentuais do passado possam ser recuperados ainda que hoje, tecnologicamente, o carro a álcool esteja em igualdade de condições com o movido a gasolina.
a partir do ano que vem os carros com um ou outro combustível só poderão emitir 2 gramas por quilômetro de monóxido de carbono

GAZETA MERCANTIL 23/24/25 de dezembro 1996
Americanos ensinam como fazer álcool
Venda de tecnologia que reduz custo de produção está sendo negociada com cinco usinas nacionais
Swan Biomass Company, subsidiária da Amoco, terceira maior petrolífera dos Estados Unidos
tecnologia de conversão de biomassa em etanol para uso como combustível e industrial
permite conversão de carboidratos ou polímeros do açúcar contidos no bagaço da cana em etanol
o resto do bagaço, a lignina, seria usada para produzir energia
Renewable Energy Laboratory
no processo convencional a cana é esmagada e a sacarose é removida do caldo, deixando o bagaço como subproduto
o açúcar não aproveitado para a venda é usado para produzir etanol
o bagaço é enviado para caldeiras para gerar vapor e eletricidade
A tecnologia da Swan permite a conversão em etanol dos polímeros de açúcar  contidos no bagaço. A parte sólida remanescente, a lignina, é usada para gerar vapor e eletricidade com mais eficiência do que na queima do bagaço em uma instalação sem o benefício da nossa tecnologia. Em médio prazo a conversão dos carboidratos do refugo da cana, as partes mais altas e as folhas queimadas antes que se colha a própria cana, representa outra oportunidade de aumentar a produção de etanol.
A partir dos restos da cana a produção de álcool combustível pode ser ainda mais lucrativa do que a partir do bagaço, caso o conteúdo de proteína do refugo seja aproveitado para animais.
A disponibilidade de subprodutos como a proteína são a razão por que se pode usar o milho e a alfafa economicamente nos Estados Unidos como matéria-prima para produzir o etanol.
O Brasil tem o custo de produção de álcool mais baixo do mundo, de US$ 0,34 o litro, contra cerca de US$ 0,4 nos Estados Unidos, que o obtém do milho.

O GLOBO 18 de junho 1997
EUA OPTAM PELO CARRO A ÁLCOOL: 85 por cento de etanol (álcool anidro) produzido a partir do milho e 15 por cento de gasolina
NO BRASIL, UMA ALTERNATIVA QUE TENDE A ACABAR
o Proálcool está agonizante. Só sobrevive às custas de subsídios, que chegam a cerca de US$ 3 bilhões anuais.
a produção de álcool é hoje de 200 mil barris diários, dos quais 150 mil na Região Sudeste e o restante no Nordeste. Sem impostos (ICMS) o preço pago aos produtores no Sul/Sudeste pelo barril do álcool hidratado (usado puro como combustível) é de US$ 66, e o de anidro (adicionado à gasolina na proporção de 22 por cento), US$ 72. No Nordeste: US$ 79 o hidratado e US$ 87 o anidro.
Até o fim de 1996 o consumidor dividia a conta dos subsídios com a Petrobras, que acumulou um prejuízo de US$ 4,2 bilhões.

Se um barril de álcool custa US$ 66 no Sudeste e US$ 87 no Nordeste do Brasil, sai nos EUA por algo entre US$ 35 e US$ 43
            - Cada litro de etanol usado como combustível substitui um litro de gasolina feita com petróleo do Oriente Médio, cujo valor é bem maior do que o divulgado oficialmente se levarmos em conta os gastos militares que temos para manter a paz naquela região.
Estima-se que os gastos militares com a preservação das fontes de energia dos EUA sejam de US$ 35 bilhões por ano. Para cada barril de petróleo de US$ 20 os americanos pagam um adicional de US$ 12
Para o Economic Strategy Institute: US$ 80
Rocky Mountain Institute: US$ 106
General Accounting Office: US$ 126
o etanol americano é produzido a partir de 500 milhões de sacas de milho por ano.
estima-se que o etanol cobrirá 20 por cento das necessidades de combustível dos EUA nos próximos 15 anos
oferta de combustível é pequena em relação à demanda
não mais de 40 postos vendem etanol em todos os EUA, a maioria nos estados do Meio-Oeste
Combustível Alternativo
as três grandes (Ford, GM e Chrysler) anunciaram que pretendem fabricar 550 mil viaturas bi-flex.
produção atual é de 50 mil

GAZETA MERCANTIL 24 de julho 1997
VOLTA DO PROÁLCOOL MAS COM MENOS SUBSÍDIOS
Fundo de Uniformização do Preço do Álcool (Fupa), alimentado por uma taxa cobrada da gasolina: R$ 0,07 por litro de gasolina
importância que o álcool tem como produto renovável e não poluente
em 1995 foram consumidos 30 milhões de metros cúbicos de óleo diesel, com um aumento de 5,4 por cento
em 1995 17 milhões de metros cúbicos de gasolina
em 1996 20 milhões, aumento de 17 por cento
para este ano espera-se crescimento semelhante
consumo de álcool caiu entre 1995 e 1996 de 10 para 9,8 milhões de metros cúbicos
Projetos como o de co-geração de energia elétrica, desenvolvimento de produtos álcoolquímicos, de celulose, aglomerado e ração animal - todos utilizando subprodutos da cana-de-açúcar - terão um novo impulso
O Brasil deve moer este ano 260 milhões de toneladas de cana (160 milhões só em São Paulo), alta de 8 por cento em relação a 1996
Deverão ser produzidos 14 milhões de toneladas de açúcar e 14,3 bilhões de litros de álcool
Miguel Jorge, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Volkswagen - atual ministro de Lula

Folha de São Paulo 21 de março de 1997
CARRO A ÁLCOOL PODE POLUIR MAIS (Cetesb, agência ambiental paulista)
modelos antigos movidos a álcool poluem mais que veículos novos a gasolina.
um carro a álcool produzido entre 1980 e 1983 gerava 18 gramas de CO (monóxido de carbono) por quilômetro rodado
um carro a gasolina produzido em 1994 gera apenas um terço de partículas de CO
... cerca de 70 por cento dos carros a álcool em circulação foi fabricada antes de 1988, que produzem mais poluentes

O Estado de São Paulo 16 DE JUNHO DE 1996
Itália compra da França 40 por cento da energia que consome e agora está sobretaxando a importação para forçar o desenvolvimento local de energia de biomassa

O Estado de São Paulo 23 de junho de 1996
Estrangeiros querem produzir álcool no Brasil
experiências de produção de álcool a partir da uva, do milho e de outros produtos a cana-de-açúcar é melhor porque rende mais bagaço e tem mais celulose.
os Estados Unidos consomem hoje oito milhões de barris de gasolina por dia        ... a obrigação de misturar 10 por cento de "oxigenados" levaria a uma demanda diária de 800 mil barris de etanol ou outro composto como o MTBE
produção de 220 mil barris por dia mostra a grandiosidade do mercado brasileiro

GAZETA MERCANTIL 11 de junho 1997
ATUALMENTE OS ESTADOS UNIDOS CONSOMEM 5,4 BILHÕES DE LITROS DE ETANOL POR ANO
pequena frota de 80 mil veículos, em sua maioria carros oficiais
etanol 10 por cento gasolina 90 por cento
etanol 22 por cento no Brasil
A produção mundial de etanol é de 25 bilhões de litros/ano
Brasil: 15 bilhões
EUA: 6 bilhões a partir do milho
Ásia: 1,5 bilhão a partir da cana (Índia, Tailândia e Indonésia, principalmente)
Europa: 1,3 bilhão de litros a partir do carvão
Oceania: 300 milhões a partir da cana

O GLOBO 1 DE DEZEMBRO DE 1996
A DECADÊNCIA DOS BARÕES DO AÇÚCAR NO NORDESTE
SETOR CANAVIEIRO DE PERNAMBUCO E ALAGOAS, QUE JÁ FOI RESPONSÁVEL POR 70 POR CENTO DE TODA A PRODUÇÃO NACIONAL, AFUNDA NA CRISE
agora são responsáveis por 25 por cento
na região de Ribeirão Preto o solo permite melhor mecanização do plantio e da colheita
Uma saca de açúcar produzida em Pernambuco custa R$ 14,50, em São Paulo R$ 12 e chega a Pernambuco a R$ 14
SP tem a melhor produtividade de açúcar e álcool do mundo
África do Sul: segundo lugar
Austrália: terceiro lugar
Pernambuco e Alagoas têm a quarta melhor produtividade do mundo
Visitar os canaviais de Pernambuco e Alagoas é uma experiência rica não tanto pelo fausto dos senhores de engenho e dos barões do açúcar - que dominaram a economia e a política dos dois estados durante séculos e já não existem mais - mas porque é uma região que passa por acelerado processo de despovoamento e empobrecimento.
usinas: cemitérios do fausto perdido
            - No início dos anos 1960, quando papai morreu, vi agiotas serem presos porque cobravam juros de 10 por cento ao mês. Os credores também eram presos porque ajudavam a eles. Pouco depois de assumir a usina os banqueiros vinham aqui me oferecer dinheiro a juros de 10 por cento e por pouco não chamei a polícia. Descobri que eram os chamados juros oficiais e fugi deles. Hoje estou bem mas nunca cresci, nunca me aventurei, nunca dei passos maiores que as pernas.
antes de outros lhe seguirem os passos usava o vinhoto (subproduto fedorento e corrosivo da produção de álcool) para irrigar os canaviais por meio de canaletas que operavam por gravidade.

PETRÓLEO
petróleo - Daniel Yergin, um dos maiores especialistas mundiais em petróleo CAMBRIDGE ENERGY RESEARCH ASSOCIATES, DIRIGENTE
petróleo, Veja 2 de fevereiro de 1994
em 1993 as reservas de petróleo mundiais chegaram a 1 trilhão de barris, o dobro do que se acreditava em 1970
a escalada na capacidade de produção ultrapassará o aumento da demanda
o óleo hoje é visto como uma mercadoria - uma mercadoria estratégica - ligada mais a assuntos de comércio e investimentos do que a segurança nacional
diferencial de eficiência
média de produção/dia por funcionário - Brasil: 33 barris
outras estatais latino-americanas: 74
BP e Shell: 164 barris
YPF argentina quando estatal: 55
YPF privatizada: 147
Petrobras trabalha com poços profundos e difíceis
em meados da década de 1980
graças a novas políticas que estimularam a utilização de carvão e energia nuclear, de repente a Opep tinha perdido quase a metade da sua fatia de mercado, num período de três a cinco anos
o erro da União Soviética foi ser dependente demais do petróleo.
Há coisas interessantes, especialmente nos campos da tecnologia solar e eólica. A nuclear, obviamente, está fora, pois além de perigosa é muito cara.
O álcool tem um papel substancial no mercado, o equivalente a 200 000 barris de petróleo por dia, mas o custo por barril é mais alto que o do barril importado.

VEJA 30 de março 1994: A PETROBRAS COM MEDO DA CONCORRÊNCIA
SEIS PAÍSES COM MONOPÓLIO na área de petróleo: Golfo Pérsico, Irã, México e Brasil
um mamute lento que precisa de um ajuste de proporções quase sísmicas para sobreviver
VEJA DE FRASES E IDÉIAS RIBOMBANTES ALTISSONANTES
Os dois, a empresa e a reserva de mercado, foram criados para dar auto-suficiência em petróleo ao Brasil. A auto-suficiência era considerada uma questão estratégica para o país. Não se parou para pensar que a comida é mais estratégica ainda, mas seria considerado lunático alguém de propusesse a criação da Feijãobrás.
custo médio de 13 dólares/barril produzido
33 barris de petróleo/dia por funcionário
média latino-americana: 98
média salarial: 2 000 dólares - um luxo para o Brasil
média nas grandes empresas da Grande São Paulo: 430 dólares
benefícios: aposentadoria, assistência médica total, adicional de periculosidade para todo mundo, mesmo quem não corre risco algum
em Portugal faturamento de 910 000 dólares por ano per capita
Petrobras: 260 000
isenta de imposto de renda
estatal Pemex paga 34 por cento
royalties - taxas de exploração: 5 por cento
EUA: 12,5 a 20 por cento
Egito: até 89 por cento
paga de dividendos ao Estado: 0,7 por cento
outras empresas de petróleo média: 10 a 15%
descobriu reservas de 3,6 bilhões de barris. É pouca coisa, cerca de 0,3 por cento das reservas internacionais. Os 80 bilhões de dólares usados para construir a Petrobras vieram do bolso dos brasileiros. Outros países empregaram capital externo para explorar petróleo.
Na Colômbia a BP e a Occidental descobriram uma reserva de 3 bilhões de barris
A Venezuela é dona da quarta maior estatal de petróleo do mundo, a PDVSA
No Brasil há trinta bacias sedimentares, formações geológicas em que é possível descobrir petróleo. A Petrobras só explora oito dessas bacias e não tem dinheiro para explorar as outras. Suas atividades nessas bacias são mínimas.
Mesmo que ela tenha descoberto toneladas de óleo em Campos precisaria de 2 bilhões de dólares para extraí-las. A verba não existe. (...) a Petrobras (...) planejava em 1987 produzir 1 milhão de barris por dia em 1993, quando produziu apenas 700 000 barris. A média de um milhão já foi adiada para 1997.
físico paulista Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor da Unicamp,
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estrutura adquiriu esses vícios porque cresceu sem experimentar concorrência, sob a coberta do monopólio
segundo os padrões internacionais, os custos de produção cairiam de seu patamar atual para 5 dólares por barril.
EUA: as grandes companhias petrolíferas, as chamadas Sete Irmãs

Folha de São Paulo 8 de junho de 1995
Os poços da bacia de Campos estão afastados até 100 km da costa, em águas profundas, expressão usada no setor petrolífero para a extração realizada em águas oceânicas de grande profundidade.
O poço de petróleo mais profundo do país funciona a 1 027 metros sob o nível do mar,

GAZETA MERCANTIL 9-10-11 de junho de 1995
Comprovadas, as reservas de óleo e gás in natura chegam a 5,1 bilhões de barris num valor estimado de US$ 20 bilhões. Somadas às reservas potenciais a produção pode ir até 10,5 bilhões de barris e é nessa potencialidade que o governo espera milhões de dólares estrangeiros em regime de contrato de risco.

Jornal do Brasil 29 de novembro 1993
CRISES NÃO ASSUSTAM MAIS CONSUMIDOR
produção do Iraque de 4 milhões de barris diários, proibida desde a guerra do Kuwait,
Arábia Saudita, o maior produtor mundial: 8 milhões de barris diários
Irã: 5 milhões de barris/dia

Folha de São Paulo 26 de dezembro 1993
Rogério Cezar de Cerqueira Leite - o mito do petróleo inesgotável
O MITO DO PETRÓLEO INESGOTÁVEL
hidrocarbonetos (gasolina, óleo diesel, etc.)
O Produto Bruto Mundial foi de US$ 16,2 trilhões em 1990
a economia mundial poderia contar com US$ 240 bilhões anuais para investimentos na substituição do petróleo sem prejudicar outros setores.
a Petrobras teria descoberto tecnologias que permitiriam explorar petróleo a 750 m de lâmina d'água e mil metros de perfuração ao mesmo preço que na Califórnia e na Arábia Saudita se explora petróleo praticamente à flor da terra
de acordo com os senhores do petróleo restam-nos 1 trilhão de barris de petróleo convencional em reservas medidas e inferidas, além de cerca de 300 bilhões de barris a serem descobertos (recursos derradeiros, "ultimate ressources")
ULTIMATE RESSOURCES
Outras formas não convencionais de petróleo, tais como xistos, areias betuminosas , águas profundas, óleos pesados etc., correspondem a mais 2,5 trilhões de barris

GAZETA MERCANTIL 21 DE OUTUBRO DE 1993
RESERVAS BRASILEIRAS PODEM CHEGAR A 20 BILHÕES DE BARRIS
no ano de 2015 o consumo de petróleo será de 143 milhões de toneladas equivalente de petróleo diante de 56 milhões hoje
o mercado de energia elétrica será de 159 milhões de toneladas equivalentes por ano - 63 hoje
álcool dará um salto de 13 milhões para 32 milhões, a lenha de 27 para 70 milhões e o gás natural de 4 milhões para 10,4 milhões

Jornal do Brasil 13 de abril 1992
FORÇA DO VENTO É OPÇÃO DE ENERGIA
Os especialistas consideram que a energia eólica, não poluente e inesgotável, atingiu a maioridade durante a década de 1980. Hoje existem mais de 20 mil geradores produzindo eletricidade com capacidade em torno de 1,6 mil megawatts.
a maioria das usinas encontra-se na Califórnia e na Dinamarca, mas as FAZENDAS EÓLICAS
começam a surgir em vários países como Alemanha e Índia
Calcula-se que antes do ano 2030 mais de 10 por cento da eletricidade utilizada pelo homem será proveniente da energia eólica.

GAZETA MERCANTIL 11 DE MARÇO DE 1996
BILHÕES DISPUTAM A GUERRA DA ÁGUA
Nos países em desenvolvimento, segundo o Banco Mundial, US$ 600 bilhões precisam ser investidos entre 1995 e 2005 para evitar uma severa escassez de água.
Só para cumprir as diretrizes da União Européia sobre esgoto poderá ser exigido investimento de US$ 150 bilhões nos próximos 15 anos.

O Estado de São Paulo 1º de fevereiro 1998
PETROBRAS DEMOROU PARA EXPLORAR RESERVAS, DIZ ROBERTO CAMPOS
lentidão em reconhecer as mudanças que ocorreram na economia internacional do petróleo a partir de 1960 com a criação da Opep e sua demora em explorar a Bacia de Campos.
formação de uma "petrodívida", estimada hoje em US$ 60 bilhões para pagar à vista um petróleo cada vez mais raro e escasso.
país sem petróleo não tem futuro, disse Geisel
PAÍS SEM PETRÓLEO NÃO TEM FUTURO, DISSE GEISEL
presidente da Petrobras por três anos e meio a partir de 1969 e em seguida como presidente da República em 1973
a dependência brasileira de petróleo aumentou dramaticamente
situações perigosas e até humilhantes (tivemos de suplicar empréstimos e pagar preços exorbitantes para comprar óleo à vista)

O GLOBO 5 DE JULHO DE 1998 COMEÇA A CORRIDA EM BUSCA DO PETRÓLEO BRASILEIRO
Bacia de Campos, de onde é retirada 75 por cento da produção nacional e onde estão as maiores descobertas recentes, como os campos gigantes de Roncador, Albacora Leste, Marlim Leste e Bijupirá-Salema.
entre as áreas mais promissoras e com mais chances de guardar reservas de petróleo estão as bacias de Santos, Espírito Santo, Foz do Amazonas, Solimões e Bacia Potiguar (no litoral do Ceará).
reservas provadas que estão sob a concessão da estatal, que hoje somam 8,5 bilhões de barris, de um total de 17 bilhões de reservas totais (provadas, prováveis e inferidas).

FUTURO DO PROÁLCOOL 11 de abril 1998
excedente de produção que já chega a 1,5 bilhão de litros.
um dos poucos exemplos de desenvolvimento científico e tecnológico que põem o Brasil na busca progressiva de um mínimo de autonomia energética.
um dos poucos exemplos de desenvolvimento científico e tecnológico na substituição de energia fóssil por energia renovável. Tudo se passa como se fossem perenes as descobertas de novas reservas de petróleo que desmentiram as previsões catastróficas do passado.
até o ano 2020 a produção deveria aumentar 66 por cento
[petróleo] mesmo que a prospecção só chegue à última gota daqui a 200 anos sua escassez relativa certamente vai manifestar-se na primeira metade do século 21
é imoral comprometer as gerações futuras
Não se pode querer que os políticos se livrem da miopia do curto prazo - [escreve um.
E eles atuam no efeito-bomba do curto prazo mesmo, é esse o seu princípio e sua principal função.]

SAFRA AMARGA VEJA 21 DE JUNHO DE 1995
setor açucareiro, o mais regulamentado e entravado [entrevado] do país
o mercado mundial consome 20 milhões de toneladas de açúcar e o Brasil, sozinho, tem 20 por cento do mercado
[a conjuntura permite que] uma usina falida, que já não produza nada e ainda por cima deva aos bancos públicos possa adquirir autorizações de exportação porque tem amigos no governo e depois saia negociando essas guias com quem produz de fato.
O Brasil tem nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás a maior produtividade do mundo.

O GLOBO CIRCA 1990
... observando as últimas pesquisas sobre a gasolina sem chumbo, a chamada "verde", o álcool de beterraba - criticado na Europa - e a gasolina obtida de cereais e até de queijo.
... pesquisa de cientistas americanos que apontam a gasolina "verde" como altamente poluente ...
a gasolina sem chumbo exige aditivos ditos aromáticos. Esses por sua vez não são consumidos na combustão e muito menos param no filtro. E nessa saída são acompanhados também do "negro de fumo", incapaz de ser retido pelos filtros projetados.

METANOL Folha de São Paulo 1989
será adotada uma mistura de 60 por cento de etanol, 33 por cento de metanol e 7 por cento de gasolina durante cerca de seis meses
o metanol é um combustível intermediário em termos de poluição
expele formaldeído, que é mais tóxico que o aldeído acético expelido pelo etanol.
poluentes secundários (como o ozônio) formados a partir da reação dos gases que saem dos escapamentos (hidrocarbonetos) com os gases da atmosfera

GÁS (TUDO A VER) HÁ GÁS E GÁS

COMBUSTÍVEL DO INTERIOR É GÁS DE COZINHA Jornal do Brasil 14 de janeiro 1996
gás liquefeito de petróleo (GLP) - em bugres em Quissamã, norte do Rio de Janeiro

WASHINGTON NOVAES 05 de maço 1996 GAZETA MERCANTIL
dizem que ocupação de 7,5 por cento da área cultivada no país com a cana-de-açúcar expulsou as culturas de alimentos e contribuiu para aumentar seus preços.
Norte-Nordeste, que cultivava 37,4 por cento da cana em 1975, quando começou o programa, hoje detém apenas 21,1 por cento
agravou-se o problema da renda dos trabalhadores, que representava 20,3 por cento dos custos em 1989, e hoje não passa de 9,5 por cento (estudo do IPEA). E a área plantada concentrou-se extraordinariamente em São Paulo, nas regiões de Ribeirão Preto e Campinas (65 por cento do total nacional).
E ninguém sabe que fim tiveram os inquéritos em que se apurou a emissão de 800 mil notas fiscais fictícias das usinas paulistas para a área da Suframa, propiciando uma sonegação de impostos (...) da ordem de R$ 2 bilhões.
Como não se sabe o que aconteceu 'às doze maiores usinas de Alagoas, acusadas de apropriar-se de dezenas de milhões de reais do INSS, descontados de salários.
Em vinte anos o programa evitou importações de petróleo no valor de R$ 28,7 bilhões, equivalentes a 200 mil barris de petróleo por dia. Com os investimentos de R$ 11,3 bilhões nesse período, o setor responde por uns 2 por cento do PIB e gera mais de 1 milhão de empregos. Além disso, misturado à gasolina, o álcool permite uma redução importante - cerca de 20 por cento - na emissão de gases poluentes do chamado efeito-estufa (...)
(...) transformou o Brasil no primeiro país detentor de tecnologia e possibilidades agrícolas para produzir combustível em massa a partir de fonte renovável (...) ([...] em 47 países a adição de 5 por cento de álcool à gasolina já é obrigatória). Nosso país já produz 57 por cento do álcool do mundo. E com a vantagem de aproveitar o bagaço da CANA NA CO-GERAÇÃO DE ENERGIA, PODE CHEGAR A 2,6 MIL mg (o equivalente à produção de Angra II e III, se funcionarem), só nas usinas paulistas.
(...) qual é a visão estratégica brasileira para as próximas décadas. (...) como se situa, nessa moldura, a matriz energética - e, dentro desta, o álcool combustível (levando em conta os fatores econômicos, sociais e ambientais).
(...) biomassa, num tempo em que os fatores ambientais e a perspectiva de esgotamento de combustíveis fósseis
desabastecimento do ano passado, que levou o governo a restabelecer uma alíquota de 40 por cento para a exportação de açúcar
(...) Terá influência no custo dos alimentos?
(...) E que se vai fazer para impedir trabalho escravo e exploração de mão-de-obra infantil em áreas do programa?

GAZETA MERCANTIL 24 DE DEZEMBRO DE 1991
CRESCEM AS RESERVAS BRASILEIRAS DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL
reservas de gás natural chegaram aos 115 milhões de metros cúbicos, com crescimento de 600 milhões sobre o ano de 1990. Quantidade, considerando-se uma produção como a de 1991, que se fixou na média de 19 milhões de metros cúbicos por dia, é suficiente para um período de dezoito anos. A produção de gás também volta a crescer depois de uma queda de milhões de metros cúbicos no ano passado.

Jornal do Brasil 23 DE OUTUBRO DE 1988 PETROBRAS EXPERIMENTA EXPLORAR AMAZÔNIA SEM DEVASTAR
chance de romper o ciclo de desenvolvimento econômico e devastação ambiental na Amazônia.
Plano Diretor Ambiental de Urucu, onde desde 27 de julho está extraindo 3 mil barris de petróleo por dia. Os 100 km quadrados dos campos do Rio Urucu e Leste do Urucu, a 650 km de Manaus, prometem 50 milhões de barris de óleo, 15 milhões de condensado e 20 bilhões de metros cúbicos de gás rico.
Já foram perfurados 47 poços na selva. Estradas, aeroportos, portos e alojamentos estão sendo construídos. ... construção de um oleoduto de 45 km até o rio Tietê. ... prevista também construção de um oleoduto de 180 km direto até o rio Solimões.
polígono do tamanho do estado do Rio de Janeiro
Caruari tinha 3 mil habitantes em 1979 e hoje tem 25 mil.
ao que tudo indica não há índios
pode haver índios arredios
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Impa

Jornal do Brasil 5 DE AGOSTO DE 1991
TECNOLOGIA GARANTE VANGUARDA NA PROCURA DE PETRÓLEO NO MAR

Folha de São Paulo 1997 LUÍS PINGELLI ROSA, FÍSICO, ÁLCOOL E PETRÓLEO: INTERESSES NACIONAIS
Prefeito, governador e presidente estavam todos ocupados em promover bons negócios, reduzir o risco Brasil, vender estatais para salvar o Tesouro, salvar bancos falidos e atrair investidores estrangeiros para salvar o Brasil dos banqueiros.

O Globo 10 de fevereiro de 1996 PETROBRAS CULPA ÁLCOOL PELO MAU RESULTADO DE 1995
A Petrobras fechou o ano com um lucro de US 600 milhões, 66 por cento inferior ao de 1994.
o subsídio dado pela estatal ao álcool foi de US 1,30 bilhão no ano passado. O total acumulado de subsídios bancados pela Petrobras com o álcool desde a criação do programa alcançou US 3,2 bilhões no ano passado, superando os investimentos da companhia em 1995, que foi de US 3 bilhões.

Folha de São Paulo S/D
GASOLINA É MAIS POLUENTE QUE ÁLCOOL
engenheiros da Petrobrás acham conclusão 'simplista'
estudo não leva em conta poluição gerada na produção do álcool.
para cada três litros de álcool produzido é consumido um litro de óleo diesel, combustível usado pelos tratores e caminhões que transportam a cana-de-açúcar.

O Globo 31 DE MARÇO DE 1996
UM NEGÓCIO MUITO LUCRATIVO
uma usina terá uma economia de US 1 milhão com a mecanização completa das plantações. Seis colheitadeiras - conhecidas como gafanhotos - foram importadas e substituirão o trabalho de 1 440 cortadores de cana em sete mil hectares de plantação.
cada uma substitui 240 trabalhadores
apesar da renda per capita de US$ 5 mil em Ribeirão Preto, o piso salarial dos funcionários é de R$ 240.

Jornal do Brasil 31 de março de 1996
USINEIROS SONEGAM
Além de deverem R$ 4 bilhões ao Banco do Brasil as usinas de açúcar e álcool deixaram de recolher aos cofres públicos nos últimos seis anos R$ 650 milhões.

O Estado de São Paulo 6 DE MAIO DE 1996 DIMINUI EMPREGO DE CRIANÇAS NO CORTE DE CANA
trabalho pesado, perigoso e insalubre além de mal remunerado
em 1992 estimava-se que 10 por cento da mão-de-obra empregada era constituída por crianças e adolescentes
na safra de 1994 essa participação baixou para 5 por cento
em 1995 para 2,5 por cento
região de Ribeirão Preto: área mecanizável estimada em 70 por cento das terras

OS DERIVADOS DE PETRÓLEO - INFORME PETROBRAS
é preciso destilá-lo para obtenção dos derivados - gasolina, diesel, gás de cozinha, querosene para iluminação e aviões a jato, óleos combustíveis, lubrificantes, asfalto, solventes, parafinas etc.
através de processos de refinação e tratamento
quantidade de cada derivado depende das características do petróleo
os mais leves produzem mais gasolina, gás e nafta matéria-prima petroquímica
mais pesados, maiores volumes de óleos combustíveis e asfalto
no meio-termo, produtos médios, como diesel e querosene

MOTOR DA HISTÓRIA
O PETRÓLEO - uma história de ganância, dinheiro e poder, DANIEL YERGIN
VEJA
1853, O AMERICANO GEORGE bISSEL, PROFESSOR SECUNDÁRIO, ATRAVESSAVA O OESTE DA Pensilvânia
ficou sabendo que o tal óleo era empregado contra dores de cabeça, de dentes e de estômago. Também costumava ser utilizado em ferimentos de animais.
substância preta e viscosa era inflamável
Será que ela não pode ser empregada para a iluminação, em lugar do óleo de cachalote e do gás retirado do carvão?
o homem da idade do petróleo
Na I Guerra Mundial, se a Marinha britânica não tivesse substituído o carvão pelo petróleo como combustível de seus navios, talvez o conflito chegasse a outro desfecho. A troca foi uma aposta pessoal e arriscada de Winston Churchill: com o petróleo, a frota inglesa ganharia velocidade
os ingleses dependiam do combustível que vinha do distante Irã
"sociedade do hidrocarboneto". É o mundo que depende do petróleo para erguer cidades, fazê-las funcionar e alimentar seus habitantes.
os primeiros postos de gasolina, erguidos no alvorecer do século XX.

PETROLÍFERAS BUSCAM SAÍDAS PARA ESCASSEZ DE FONTES THE ECONOMIST MAIO DE 1996
as reservas comprovadas aumentaram em cerca de dois terços desde 1970. ... países que têm grandes quantidades de petróleo a baixo custo e representam a maior parte do aumento de reservas são completamente inacessíveis para as empresas ocidentais
as maiores empresas de petróleo estão contando cada vez mais com o gás
gás é mais difícil de transportar e no geral menos lucrativo para produzir
os custos de produção no Irã, Iraque, Arábia Saudita e Kuwait são inferiores a US$ 3 por barril em comparação com os mais de US$ 10 no mar do Norte.
reservas de gás são mais abundantes do que o petróleo

OLIGOPÓLIO
uma empresa ou grupo que se especializa em práticas desleais de comércio e mantém o controle artificial de um setor de mercado e impede a competição.

O GÁS ENTRA PELO CANO
VEJA 30 DE OUTUBRO DE 1996
O gás é um produto não poluente e mais barato que está sendo cada vez mais usado no mundo para a geração de energia elétrica. Pode ser a grande fonte de energia do próximo século.
o gás pode ser usado em indústrias para movimentar máquinas ou em usinas termoelétricas para gerar energia
A Petrobras é a maior empresa brasileira e está entre as vinte maiores do mundo no setor de petróleo. Tem um faturamento de 20 bilhões de dólares por ano e cerca de 44 000 funcionários. Ao seu lado existe um fundo de pensão, o Petrus, com ativos de 3,5 bilhões de reais.

CARRO A ÁLCOOL
Fiat fabricou em 1979 o primeiro carro movido a álcool - um Fiat 147

O Estado de São Paulo 6 DE JULHO DE 1997
SUPERSAFRA PODE FAVORECER VOLTA DO PROÁLCOOL
Nosso açúcar não entra na Europa, Japão, Canadá nem no Mercosul. ... os 5,3 milhões de toneladas exportadas vão para Ásia e Oriente e uma pequena cota para os Estados Unidos. ... o Brasil é o único grande consumidor de álcool carburante do mundo.

ISTOÉ 2-7-1997
AÇÚCAR E ÁLCOOL
Nos últimos três anos a produção nacional passou de 250 milhões de toneladas anuais para 310 milhões, que permitiriam produzir de imediato sem mais aumento na capacidade instalada seis milhões de toneladas de açúcar ou quatro a cinco bilhões de litros de álcool.

ÁLCOOL É SUCESSO COMO ALTERNATIVA DE COMBUSTÍVEL
ROGÉRIO C. DE CERQUEIRA LEITE Folha de São Paulo 28 DE DEZEMBRO DE 1989
Resolvido em grande medida o problema do vinhoto e outros resíduos com o seu aproveitamento econômico e com a melhoria das características de combustão do álcool
Foram também removidas as objeções referentes à competição com a produção de alimentos e as condições sociais dos trabalhadores no setor canavieiro.
... entre cinco a dez anos novos patamares serão atingidos pelo preço do petróleo, quando a produção se concentrará acentuada e progressivamente no Oriente Médio.
o Brasil terá com o álcool e outros energéticos derivados de biomassa uma importante vantagem comparativa na economia mundial.

Jornal do Brasil 22 de setembro 1989
BACTÉRIA QUE EMBRAPA ISOLOU PODE REANIMAR PROÁLCOOL
experimentos com cana-de-açúcar, que triplicou sua produtividade de 60 para 180 toneladas por hectare
conseguiu isolar a bactéria Acetocter diazotrophicus ... e estudar seu comportamento.
consegue absorver o nitrogênio existente no ar e transformá-lo em fonte de alimento para que a planta faça a fotossíntese e se desenvolva
Desde 1950, quando chegou ao Brasil vinda da Alemanha, Joana Dobereiner estava à procura de bactérias capazes de aproveitar o nitrogênio do ar e fixá-lo. É um processo semelhante ao que ocorre na cultura da soja, onde a bactéria Rhizobium fixa o nitrogênio na raiz da planta transformando-o em nutrientes.
Sem a utilização da bactéria as lavouras de cana precisam ser adubadas com 60 quilos de composto nitrogenado por hectare. A poluição causada pelo uso de compostos nitrogenados diminui com a adoção da bactéria .... Ao entrar em contato com outras substâncias minerais existentes no solo o nitrogênio dos adubos orgânicos se transforma em nitrato, um material tóxico e de efeitos teratogênicos que provoca deformações no feto, além de ser abortivo. Outra peculiaridade da cultura da cana é sua capacidade de retirar da atmosfera durante o processo de fotossíntese mais moléculas de gás carbônico do que as outras plantas, despoluindo o ar.

O MOTOR DO SÉCULO E DO CAPITALISMO VEJA 14 DE JUNHO 1995
Há quase um milênio descobriu-se o carvão, que até o início deste século reinaria absoluto no mundo como fonte de energia.
... Nascia ali nas entranhas da terra o motor do capitalismo. A saga do petróleo, esse líquido sujo, viscoso e que às vezes exala um cheiro de ovo podre, desenhou o século XX.
... quando surgiu o automóvel. A gasolina, que até então era jogada nos rios por falta de comprador
a indústria automobilística é a maior do mundo. A do petróleo vem logo abaixo. Movimentam mais de 1 trilhão de dólares por ano.
A natureza leva 100 milhões de anos fazendo esse trabalho.
As plataformas, estruturas de ferro e aço de até 40 000 toneladas do tamanho do Maracanã, são instaladas em alto mar. Algumas são tão altas quanto um edifício de dezesseis andares, da água até a ponta da torre.
Dos anos 1970 em diante o mundo assistiu ao surgimento da Opep, o cartel dos maiores produtores do mundo, e os dois choques no preço do barril
A Opep também pertence aos arquivos da História.
Descontada a inflação do período, o barril de petróleo hoje é mais barato do que em 1973.
Já o petróleo é finito - as chamadas reservas conhecidas, dado que aponta apenas uma parcela do petróleo que se acredita existir embaixo da terra, são suficientes para sustentar o mundo pelos próximos anos.
... Neste século, as fronteiras do Oriente Médio foram esquartejadas de acordo com os campos de petróleo das grandes companhias.
analisando processo na Venezuela, país que detém 6,5 por cento das reservas mundiais, Celso Furtado ...
O próprio Furtado explica no entanto por que os resultados ficaram muito abaixo do que se poderia imaginar. O país não soube aproveitar os lucros com o petróleo, não se preocupou em tornar sua economia mais produtiva e menos dependente de uma única atividade, deixando a agricultura na idade da pedra e mantendo-se um país refém da tecnologia estrangeira.
Nos países desenvolvidos continua a ser a principal fonte de energia, mas a cada ano perde lugar para o gás natural, o carvão e mesmo a energia nuclear, que alimenta a maioria das fábricas, trens e residências da França. Mesmo assim no mundo o consumo de petróleo aumentou 45 por cento e em dez anos subirá mais 20 por cento.
Nos bons tempos o petróleo chegou a levar 100 bilhões de dólares para a Arábia Saudita. Hoje não chega a levar um terço dessa quantia.
lendas de homens ousados para entrar em grandes negócios, com astúcia para ludibriar concorrentes e esperteza para forrar o próprio bolso.
... como transportar o gás de forma que não seja através de gasodutos. Já se aperfeiçoa a tecnologia do congelamento.
Isso porque a energia do homem é que é fonte inesgotável.
O MOTOR DO SÉCULO E DO CAPITALISMO
[a energia do homem é sua fome inesgotável.
De comida. De grana. De poder.]

Acordo traz de volta o carro a álcool              O Estado de São Paulo 20 de março 1992
Setor automobilístico representa 11 por cento do PIB
o automóvel brasileiro está atrasado entre 10 a 15 anos em relação aos produtos estrangeiros. O atraso não é só do produto vendido ao consumidor: é também do processo industrial. Um veículo é montado em 16,8 horas no Japão, 30,3 na Coréia, 45,7 no México e 48,1 horas no Brasil.

desvantagem da mecanização da lavoura da cana
em função da máquina empregada promove a compactação do solo

PROÁLCOOL DEVASTA ALAGOAS
27 de abril 1992 JORNAL DO BRASIL
grande participação na devastação do ecossistema alagoano.
Dobrou nos últimos 12 anos a produção de cana-de-açúcar
sem gerenciamento e controle de seus efeitos perversos sobre o solo.
os principais rios do estado (...) de grande influência para o estômago das populações ribeirinhas, correm risco fatal com o grau crescente de poluição provocada pelo vinhoto e águas de lavagem de cana em suas margens.
Com apenas 20% do seu solo improdutivo e fora do polígono das secas, Alagoas é um verdadeiro oásis no nordeste. (...) "(...) É inadmissível que continuemos a importar 95 por cento dos hortifrutigranjeiros que consumimos, quando um estado como o Ceará, com 90 por cento de suas terras improdutivas, impróprias para o cultivo de lavouras, dão um banho nos demais estados com um programa de diversificação agrícola invejável" - engenheiro Beroaldo Maia Gomes, que ajudou Celso Furtado a fundar a Sudene.
(...) De 85 por cento de vegetação nativa existentes na Zona da Mata até os anos 1970, hoje só restam 1 por cento. A caatinga arbustiva da região semiárida do agreste e sertão está reduzida a menos de 5 por cento e a Mata Atlântica foi praticamente dizimada, com o consequente desaparecimento da fauna.
(...) Ocupando 400 mil hectares de terras no estado a monocultura a cana-de-açúcar continua sendo responsável por quase 90 por cento da destruição ambiental
Em consequência dessa ocupação irracional e absurda houve uma interferência no ciclo hidrográfico com assoreamento dos rios, enchentes, perda do volume dos rios, poluição, contaminação dos mananciais hídricos pela usinas e pelas populações instaladas em cidades sem saneamento.

Jornal do Brasil 04 de junho 1994
PETROLEO, LIVRE MERCADO E DEMANDAS SOCIAIS, de Adriano Pires Rodrigues e Danilo de Souza Dias, Instituto Liberal, 6 URVs
SINAIS DE FADIGA DO VELHO MODELO
SEM PREGAR A PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS, PESQUISA QUESTIONA MONOPÓLIO ESTATAL
abordam a questão do monopólio do petróleo no Brasil, analisando as justificativas de sua criação dentro do universo cepalino da época e os eventos que se sucederam, como a criação da Opep, a racionalização do consumo, quando o óleo cru perdeu suas características de produto estratégico e se transformou em commodity negociada livremente em bolsa de mercadorias.
concluem que a empresa não teria recursos sequer para manter a porcentagem atual de abastecimento interno, supondo uma taxa de crescimento do país de 5 por cento ao ano, já que teria de investir em 17 anos, no cenário mais provável, US$ 102 bilhões. Para a desejada auto-suficiência, essa cifra equivale a nada menos do que US$ 193 bilhões.
O preço que nos anos de crise se estima atingir US$ 50/barril hoje anda por volta de US$ 17.
traçam um perfil dramático da pobreza no Brasil, correlacionando os investimentos feitos em faustosas estatais com a carência de recursos para a saúde, o saneamento básico e a educação. A pergunta é se não seria mais razoável concentrar o investimento público nesses setores e abrir o risco do petróleo ao capital privado.

Paulo Francis O ABC DO PETROSSAURO 21 DE ABRIL DE 1994
CRIAÇÃO DA PETROBRAS, NUM TEMPO EM QUE O MUNDO AINDA NÃO ESTAVA INUNDADO DE PETRÓLEO COMO HOJE, A PREÇO DE BANANA, EM QUE OS EUA MAIS OS INGLESES PUNHAM E DISPUNHAM DO DESTINO DAS NAÇÕES IMPORTADORAS. FOI POR EXEMPLO O PRESIDENTE ROOSEVELT dos EUA ter cortado as exportações de petróleo ao Japão, em 1941, o estopim do ataque japonês a Pearl Harbour, que decidiu a Segunda Guerra Mundial.

Paulo. Francis 03 DE ABRIL DE 1994
retoma dados de Veja de semana anterior elencados acima sobre produtividade Petrobras e empresas estrangeiras

"A capacidade de tolerância dos pobres provém de sua ignorância das alternativas." Simone de Beauvoir

Joelmir Betting 15 de fevereiro de 1992
Conservação de energia e substituição de derivados em escala universal mudaram a geopolítica do petróleo. Em 1973, antes da virada de mesa da Opep, o petróleo respondia por 47 por cento da matriz energética do planeta. Ano passado, 33 por cento. No Brasil, a fatia do petróleo caiu no mesmo período de 38 para 29 por cento. A energia elétrica, no caso brasileiro, abriu os cotovelos de 31 para 35 por cento, medida em barris equivalentes de petróleo. O restante do espaço cedido pelo petróleo foi ocupado pelos avanços da cana-de-açúcar (álcool e bagaço) e do gás natural.

O SONHO DA PETROBRAS      ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE Folha de São Paulo 02 de maio 1992
por que não ir tão longe quanto querem os norte-americanos para suas cidades e adotar um verdadeiro combustível ecológico, isto é, o álcool? Os norte-americanos não podem fazê-lo, porque com uma frota 20 vezes maior do que a nossa, com uma relativa escassez de terras aráveis ainda não aproveitadas, clima inadequado para a cana-de-açúcar seria inteiramente impossível. O Brasil, entretanto, pode. Mas a Petrobras não quer.

O GLOBO 31 de janeiro de 1991
PRESIDENTE TESTA CARRO MOVIDO A ÓLEO DE DENDÊ
passará dentro de alguns meses a ser usado também como combustível em substituição ao diesel, preferencialmente (...) máquinas agrícolas. O projeto Dendiesel DENDIESEL, idealizado pelo Ministério da Agricultura, foi lançado ontem pelo presidente Collor, que pela primeira vez dirigiu um carro totalmente movido a óleo de dendê. (...) Collor autorizou a liberação de CR$ 100 milhões que serão usados até o final do ano no estímulo à produtividade e expansão da cultura do dendê CULTURA DO DENDÊ, hoje produzido basicamente no Amazonas, Pará e no Nordeste.
vão importar 200 unidades do motor alemão Eiko
            - A Alemanha já está usando isso.
(Com dendê?!)
Antes de pegar o vidrinho de dendê para abastecer o veículo, lançando simbolicamente uma alternativa energética à crise agravada com a Guerra no Golfo Pérsico. (...) 18 quilômetros por litro de combustível.
O litro de dendê custa CR$ 23 e o de óleo diesel CR$ 50.

Folha de São Paulo 16 de fevereiro 1991 ECONOMISTA CRITICA USO DE DENDÊ COMO COMBUSTÍVEL
O uso de álcool como combustível é um programa indefensável do ponto de vista econômico. Sua implantação depende necessariamente de incentivos fiscais, colaborando no caso brasileiro para o déficit público. O mesmo se aplica para o uso de óleo de dendê - novidade apresentada recentemente pelo presidente Fernando Collor.
produção de álcool de cana só será vantajosa com a conjugação de dois fatores: queda do preço internacional do açúcar para níveis inferiores a US$ 0,80 por libra e aumento do preço do barril de petróleo para US$ 62 (no caso do álcool usado puro nos motores) ou US$ 52 (para o caso do álcool anidro, usado em mistura com gasolina).
Se o preço internacional do açúcar cai abaixo de US$ 0,80 desaparece a viabilidade econômica da própria cana.
Desde a implantação do Proálcool, no entender do brasilianista alemão, a situação foi economicamente desvantajosa para a produção de combustíveis a partir da cana. Em novembro de 1989, por exemplo, o preço do barril era US$ 18 e do açúcar era US$ 0,13.
isenção de imposto sobre o álcool e incentivos diretos aos produtores resultaram em gastos da ordem de 1,5 por cento do PIB por ano (cálculo sobre os valores de 1988).
gastos colaboraram para o déficit público - sendo inflacionários e concentradores de renda -
O Proálcool é também responsável pelo estado de calamidade das estradas brasileiras.
a elevação do preço dos combustíveis fósseis provoca a elevação do preço dos alimentos
a caloria em forma de alimento é sempre mais cara do que em forma de energia. Portanto, a conversão de produtos alimentares em combustíveis é sempre economicamente desvantajosa. Até o esgotamento das reservas de petróleo ou carvão, além disso, terão sido desenvolvidas outras formas de energia que não usem produtos alimentares como matéria-prima.

A REVANCHE DO ÁLCOOL                   ISTOÉ 15 de novembro 1995
NO INÍCIO DOS ANOS 1980 (por um carro a gasolina o consumidor pagava) 15 por cento a mais que pelo mesmo modelo de carro a álcool
Só a frota da cidade de Los Angeles bate a quantidade de carros em todo o Brasil, mais de 25 milhões de veículos.
usineiros acabaram por cravar-lhes a imagem de vilões da agroindústria
O tiro de misericórdia veio em 1989, quando faltou o combustível e imensas filas de carros se formavam nos postos

O AMARGO SABOR DA CANA           ISTOÉ 16 de junho 1996
O êxodo de usineiros para o Centro-Oeste tem seus motivos: com um solo melhor e topografia menos acidentada as usinas naquela região apresentam uma rentabilidade muito superior.
O ex-presidente Fernando Collor também foi responsável pela desativação de um grande programa de reforma agrária do setor. Criado em 1965, o projeto Caxangá, em Pernambuco, assentou 981 famílias em 19 mil hectares de terra. Os agricultores vendiam suas canas à Usina Caxangá, também federal. No governo Collor a usina foi privatizada (...). O comprador (...) encerrou a produção e transferiu a maioria dos equipamentos para outra empresa em Mato Grosso. Os trabalhadores assentados, conhecidos como "parceleiros", ficaram sem financiamento e sem auxílio para o plantio em suas "parcelas" de terra.

INCENTIVO CONTRARIA OBJETIVOS SOCIAIS       Folha São Paulo 15 de fevereiro 1993
professor Tamás Szmrecsányi, do Instituto de Geociências da Unicamp
Segundo ele, as melhores terras do Estado de São Paulo são hoje destinadas à plantação de cana. Essas terras, segundo ele, poderiam ser utilizadas para a produção de alimentos.
Anthony de Christo, consultor de marketing ambiental, diz que mesmo o bagaço de cana, que antes era jogado nos rios, hoje é utilizado pela própria usina como combustível. "O bagaço é um excelente adubo para a própria cana. Dele também é possível extrair biogás BIOGÁS, que pode até ser uma alternativa à energia hidrelétrica em épocas de crise."

Joelmir Betting O Estado de São Paulo 09 de abril 1993
É bom lembrar que o álcool produzido no Sudeste não conta com subsídios. A ajuda residual contempla os produtores do Nordeste, com custo de produção 26 por cento acima dos usineiros de São Paulo.
A meta é chegar a um custo de US$ 31 por barril equivalente em gasolina. Exatamente o custo atual da gasolina brasileira. Partindo do índice 100, em 1976, os custos do álcool anidro já estão no índice 47, menos de metade. Mas os preços reais, no mesmo período, foram traiçoeiros: despencaram de 100 para 36.
O álcool também é ajudado pela competitividade do açúcar brasileiro (para quem não vive só de álcool). Em São Paulo, a tonelada do açúcar custa US$ 190. Na Austrália, US$ 270. Na Tailândia, US$ 310. Na Argentina, US$ 365. (...) Tirado de matérias-primas diversas, o açúcar americano custa US$ 595. O europeu ajeita-se com US$ 480. Mas o açúcar japonês extrapola: US$ 850.

O Globo 30 de março 1993
CAATINGA SUBSTITUI PLANTAÇÕES E DEIXA 80 MIL DESEMPREGADOS
Zona da Mata. No município (...) que faz limite com o agreste a paisagem se assemelha à do sertão: a vegetação está tão seca quanto a da caatinga, os canaviais morreram e o desemprego é grande.
a seca também é grave em 18 dos 42 municípios da região açucareira.

O Estado de São Paulo 16 DE JANEIRO DE 1991
DISPARAM AS VENDAS DE CARROS A ÁLCOOL
Mudança de comportamento dos compradores é atribuída à crise no Golfo
Participação das vendas de carros a álcool no total
11,1 por cento em dezembro de 1990 e 82,2 por cento na primeira quinzena de janeiro

Jornal do Brasil 22 de janeiro 1991
Distribuição de álcool ficará mais cara se óleo subir
o Brasil queima em média 21 mil barris de óleo diesel diariamente para transportar o álcool das usinas até os postos de abastecimento.
"O álcool depende do petróleo para existir."



IAA IRREGULARIDADES Veja setembro 1989
Quando há dificuldades de abastecimento no mercado interno o governo intervém e paralisa as exportações de açúcar. Começou a ocorrer contrabando do produto, refinado clandestinamente.
O tamanho do contrabando é estimado em 18 mil toneladas/ano e começou a provocar a falta do produto em várias cidades.
Tribunal de Contas da União deve julgar doze presidentes e diretores do IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool) que assinaram contratos de empréstimos irregulares e faturas em que o organismo chegou a receber 0,12 por cento dos pagamentos de dívidas por esquecimento da cobrança de correção monetária.

Coopersucar
de 1979 a 1985 a produção de álcool subiu de 3,6 para 12 bilhões de litros/ano
"O governo Sarney tentou segurar a inflação em cima das tarifas públicas"
em 10 anos a produção de álcool chegou a 200 mil barris diários e conseguimos um ganho de produtividade de 3,4 por cento ao ano. Em 1976 o barril de álcool custava US$ 70 e hoje US$ 45
"O que acontece com a soja e o café também acontece com o açúcar. O produto está sendo desviado para o Paraguai que, sem produzir, acaba se tornando um grande exportador.
PARAGUAI parasita dos vizinhos...
PETROBRAS criada em 1953
NACIONALISMO X ENTREGUISMO
1934 - Carta de Minas: Getúlio estabelece normas para pesquisa e lavra de jazidas
1941: descobre-se petróleo em Lobato, Bahia
1941: general Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), o da idéia do monopólio estatal: "O petróleo é nosso"
no Clube Militar formam-se corrente nacionalista e corrente entreguista, liderada por Juarez Távora, para a qual o Brasil não tinha recursos para explorar petróleo
a redução do álcool de 22 para 18 por cento na mistura com gasolina resultou em aumento de 25 por cento da poluição do ar em São Paulo

O Globo, 1989: O problema de Alagoas e do Nordeste é de clima. Não se consegue cortar muita cana com 45° à sombra. Relevo não favorece colocação de máquinas
média diária muito baixa: 3,5 toneladas de colheita, contra 4,5 a 5 toneladas de média nacional

METANOL
novembro de 1989: testada nos EUA mistura de 3 por cento de metanol e 97 por cento de gás
desde que Petrobras iniciou negociações no mercado internacional preço do solvente subiu de US$ 76 para US$ 150/tonelada

ÁLCOOL DE MANDIOCA - PETROBRAS PERDE MILHÕES  jornal da tarde dezembro de 1989
investiu US 30 milhões em tentativa fracassada de viabilizar a mandioca como matéria-prima para a produção de álcool numa usina em Minas Gerais

Petróleo, romance inacabado de Pier Paolo Pasolini

GASTOS MILITARES GLOBAIS EM 1999:
US$ 1 TRILHÃO   1 000 000 000 000
US$ 1 000 a capoccia, i.e. per capita:  mais de três vezes o que cada um gasta em comida

MERCADO MUNDIAL DE ALIMENTOS EM 2006
US$ 2 TRILHÕES        2 000 000 000 000 = US$ 330 A CAPOCCIA
preço a bem dizer de uma janta de luxe
suponhamos que os 5% (300 000 000) mais ricos decidam jantar bem
gastam US$ 100 bilhões?    100 000 000 000?

1995: automóveis e petróleo movimentaram US$ 1 trilhão
1 000 000 000 000

1975: lançamento do Proálcool, barril de petróleo a US$ 10 - US$ 12
1972: US$ 2  - 1973: US$ 15 - 1979: US$ 36

Petroquisa - a mais rentável subsidiária da Petrobras, com conglomerado de quatro empresas controladas, responsável por 40 por cento dos recursos amealhados pela Petrobras e 80 por cento do parque fabril da indústria PETROQUÍMICA, avaliado em US 10 bilhões
Petrobras, que tem no investidor Naji Nahas hábil controlador de papéis - calcula-se que ele chegue a deter mais de 40 por cento das ações preferenciais ao portador da estatal, pouco mais de 4 por cento do capital

PETROBRAS 1988/1989: 33 controladas e coligadas

ENERGIA NUCLEAR
Veja maio de 1989: investimento no programa nuclear custou US 10 bilhões

Jornal do Brasil dezembro de 1989
germânico Ernesto Geisel decide instalar programa completo de patente alemã com usinas nucleares, fábricas de equipamentos, usina de enriquecimento de urânio e até de reprocessamento de rejeito - até agora Angra 2 não gerou 1 quilowatt - custou US$ 4 bilhões
monumento à má administração
armazenamento de equipamentos alemães custa US$ 500 mil por mês

Jornal do Brasil 20 de dezembro 1992
PETRÓLEO A 600 METROS
Petrobras se uniu a universidades brasileiras e empresas estrangeiras para extrair petróleo e gás de poços a 600 metros de profundidade na bacia de Campos. São os poços mais profundos do mundo e exigiram o desenvolvimento de máquinas e robôs para descer a profundidades em que a pressão esmagaria um ser humano.

DESPERDÍCIO
ENERGIA PERDIDA             JOELMIR BETING   O GLOBO 1º  de abril 1993
PÓ NO CANO
A ONU informa: no ano 2000 cada terráqueo vai ter um milhão de metros cúbicos de água por ano. Em 1950 a disponibilidade de água doce era de 2,9 milhões por pessoa. Na cidade de São Paulo a água já está sendo puxada de até 150 quilômetros de distância. Com ela a gente lava carros e calçadas.

 

  

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PETRÓLEO ÁLCOOL BIOCOMBUSTÍVEIS ENERGIA 2008

2008
bagaço de cana para produção de energia elétrica
1º leilão de biomassa, termelétricas movidas a bagaço de cana
etanol do trigo e do milho é mais caro que o de cana - biocombustível
biodiesel
 

2008: em São Paulo 50 por cento do corte de cana mecanizado

 

ENGLAND WAR ON OIL Lawrence da Arábia, tenente inglês que na I Guerra Mundial coloria mapas e acaba liderando união de nômades da atual Arábia Saudita contra os turcos

sugarcane fields forever
SUGARCANE FIELDS FOREVER
SUGARCANEFIELDS FOREVER

prenúncio 2006

O Globo 26 de setembro de 2006
FRANÇA QUER INVESTIR EM CARROS BIOCOMBUSTÍVEIS
França vai copiar o modelo brasileiro e investir nos carros flex fuel
Brasil - o maior produtor de etanol do mundo
apesar do incentivo fiscal na França pelo uso de fontes energéticas menos poluentes - isenção parcial da taxa pelo consumo de produtos petrolíferos, por exemplo -, o etanol e o diesel (?! - ... biodiesel?...) (bem mais utilizado) representam apenas 1,2 por cento do consumo de carburantes no país.
A Renault já anunciou que 90 por cento dos seus carros na Europa em 2009 vão funcionar com E85 - podendo usar 85 por cento de etanol. Este ano a fabricante apresentou o modelo Clio Hi-Flex.
Alguns grupos, como a Tereos - número dois em produção de açúcar na Europa -
já está investindo na produção de cana-de-açúcar no Brasil
biocombustíveis como a solução para reativar as conversações de comércio mundial, reduzir a pobreza e combater o aquecimento global.

veja 26 de março, 2008
ETANOL
carta de leitor
apesar de ser usado há mais de 30 anos continua desconhecido em vários aspectos técnicos.
etanol de celulose. (...) já se conseguiu produzir 240 litros de etanol com 1 tonelada de palhas e bagaço de cana (ricos em celulose), três vezes mais que os 80 litros conseguidos com a simples moagem, ou seja, podemos triplicar a nossa produção com a mesma área plantada. Os americanos estão investindo 385 milhões de dólares para construir seis instalações industriais experimentais usando hidrólise a fim de produzir 130 milhões de galões de etanol celulósico a partir da palha e do sabugo de milho. Objetivo: atingir metade do Plano Bush - "vinte anos em dez" - de produzir 35 bilhões de galões de etanol em 2017.
outro leitor:
das 51 plantas autorizadas pela ANP [Agência Nacional de Petróleo], 31 já deixaram de funcionar.
Equívocos como o da mamona como fonte de matéria-prima (é inviável economicamente e não atende sequer às normas da ANP) e a utilização da agricultura familiar, além das trapalhadas da Petrobras, estão inviabilizando a produção "verde-amarela" de biodiesel. O mercado do biodiesel é estimado em quatro vezes o mercado do etanol.
outro leitor:
energia do sol. Podemos utilizar diretamente a energia do sol, mas esse processo ainda não está pronto para o emprego em grande escala. É mais fácil usar a cana e outras plantas.
ÁLCOOL
Segundo a ANP, o consumo do álcool vai superar o de gasolina em abril.

O Globo 25 de abril de 2008
O verdadeiro vilão
Para o governo brasileiro a Argentina é a verdadeira responsável pelas crises com a Bolívia, no caso do gás, e com o Paraguai, quanto à energia elétrica. (...) os argentinos estimularam os vizinhos a pressionar o Brasil, oferecendo mais dinheiro pelo gás boliviano e agora pela energia elétrica paraguaia. Por isso o Brasil foi obrigado a ceder para manter o fornecimento de gás e vai fazer concessões agora para manter o fluxo de energia para o país.

O Globo 25 de abril de 2008
Técnicos são contra renegociação de Itaipu
especialistas do governo: custo seria bancado por população brasileira
a hidrelétrica de Itaipu custou US$ 12 bilhões, sendo que o capital inicial pago foi de US$ 50 milhões do Paraguai e outro tanto do Brasil. A parte paraguaia para o restante da obra foi inteiramente financiada pelo Brasil.

O Globo 25 de abril de 2008
E A ESSO VAI PARA UM USINEIRO
A Cosan, a maior produtora de açúcar e álcool do país, controlada pelo usineiro Rubens Ometto, anunciou a compra da subsidiária da americana ExxonMobil no Brasil, que atua em distribuição de combustíveis e lubrificantes.
pagará US$ 954 milhões
terá direito a usar a marca nos postos espalhados por 20 estados
A Exxon continuará no Brasil com as operações de produtos químicos e de exploração e produção de petróleo.
O negócio marca um avanço na estratégia do grupo de se consolidar como um dos maiores produtores globais de açúcar e etanol
O consumo do álcool para uso automotivo já superou o da gasolina e agora entra no mercado de combustíveis uma empresa que será integrada da usina ao posto.
A Cosan continuará fornecendo etanol a seus clientes. A Esso continuará comprando de seus fornecedores e distribuindo à sua rede e clientes no atacado.
O volume de etanol vendido pela Esso é similar ao volume produzido pela Cosan, e o mercado brasileiro de etanol cresce uma Esso por ano
o crescimento do mercado ilegal, a sonegação de impostos e a adulteração de combustíveis.
O 1º bilionário do etanol
Em Piracicaba o sobrenome Ometto é quase um sinônimo de usineiro.
da terceira geração dos Ometto, pioneiros na produção de açúcar e álcool no estado.
é o oitavo homem mais rico do país, segundo a revista americana Forbes. Com uma fortuna estimada em US$ 2 bilhões
MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA A USINA
Com 45 mil trabalhadores
elas entraram no grupo de 21 mortes de trabalhadores na região, suspeitas de terem sido causadas por exaustão no corte da cana.
um vindo do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, tinha cortado 18 toneladas de cana no dia e estava trabalhando há dois meses sem folga.
(...) Estamos mantendo a jornada de sete horas e 20 minutos, equipamentos de proteção e exames admissionais e complementares para evitar os acidentes.
ESSO, UMA PIONEIRA NO BRASIL
Em 1859, após dezenas de tentativas frustradas, os americanos Edwin Drake e Uncle Billy Smith conseguiram finalmente encontrar petróleo na Pensilvânia.
Onze anos depois nascia a Standard Oil, atual ExxonMobil
John Rockfeller - Standard Oil
"a lua oval" que "comove e ilumina o beijo dos pobres tristes felizes corações amantes do nosso Brasil". Palavras de Caetano Veloso na canção "Paisagem Útil".

O Globo 25 de abril de 2008
Cosan-Esso pode virar 'Petrobras do álcool'
Na safra 2006/2007 o grupo usineiro produziu mais de meio bilhão de litros de álcool hidratado (o combustível) e perto de 700 milhões de litros de anidro (que é misturado à gasolina). Os números representam 5,5 por cento do primeiro mercado e 11,6 por cento do segundo.

O Globo 25 de abril de 2008
ETANOL: BRITÂNICA BP SE ASSOCIA A BRASILEIRAS
uma das quatro maiores companhias petrolíferas do mundo
O investimento da BP [British Petroleum] é o maior de um grupo estrangeiro no setor sucroalcooleiro do país e marca a entrada dos gigantes do petróleo no mercado do etanol brasileiro.

O Globo 25 de abril de 2008
PORTUGAL TERÁ A MAIOR CENTRAL DE ENERGIA SOLAR DO MUNDO
A Central Solar Fotovoltaica de Amareleja, em Moura, produz energia desde março com 2,5 MW instalados. Projeto de 237,6 milhões de euros do grupo espanhol Acciona, a planta de energia solar será concluída até dezembro, quando se tornará a maior do gênero no mundo, com capacidade de 46 MW.

O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008
O papel determinante do Brasil
É difícil compreender as forças que levaram o preço do barril de petróleo mover-se do patamar das duas últimas décadas (US$ 25) para o inimaginável valor atual (US$ 118).
enquanto os malthusianos sugerem o esgotamento das reservas.
Estima-se que o preço do petróleo provocará uma transferência de cerca de US$ 2 trilhões de renda dos países importadores de energia para os países exportadores em 2008.
Preservamos o fluxo de gás para a economia brasileira (pelo menos até o momento!) porém pagamos mais pelo gás importado da Bolívia, e os ativos da Petrobras foram nacionalizados.
é preciso ter presente que os preços praticados atualmente nos mercados energéticos estão fortemente contaminados pela conjuntura irracional que move o preço do petróleo.

O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008
MINISTRO DIZ QUE AUMENTO DO PREÇO DA GASOLINA ESTÁ POR UM FIO
O presidente da Opep e ministro das Minas e Energia da Argélia, Chakib Khelil, não descartou que o preço do barril de petróleo chegue a US$ 200
embora o fornecimento esteja adequado à demanda, a desvalorização do dólar está pressionando os preços da commodity, que se torna alvo de investidores insatisfeitos com a performance da moeda americana.
recorde histórico de US$ 120 alcançado na semana passada

O GLOBO 6 DE MAIO DE 2008
NOVA PETROBRAS
Com a descoberta de imensas reservas de petróleo no pré-sal ganha corpo no governo Lula debate sobre a criação de uma empresa estatal no setor. Ela exerceria o monopólio da exploração dessas reservas. A Petrobras não poderia porque tem acionistas privados. Hoje cerca de 60 por cento das reservas mundiais de petróleo são controladas por estatais. Na última década países como a Rússia estatizaram empresas do setor.

O Globo 8 de maio de 2008
críticas à produção de biocombustíveis pelo Brasil. O aumento do preço dos alimentos, segundo deputada do DEM-RO (Democratas-Roraima), se deve ao aumento do consumo mundial, à alta do petróleo, à redução da área plantada de soja e trigo nos EUA e ao aumento da área de milho, ao fato de os investidores terem migrado do setor imobiliário para o das commodities e a problemas climáticos na Austrália e na Rússia.

O GLOBO 10 DE JUNHO DE 2008
OBAMA QUER IMPOSTO PARA PETROLEIRAS
candidato democrata à Casa Branca Barack Obama promete criar um imposto sobre lucros inesperados para empresas petrolíferas, cujos ganhos aumentaram com a alta do preço do petróleo.
para ajudar as famílias a pagar pelos custos de energia que estão aumentando demais.

O GLOBO 10 DE JUNHO DE 2008
PIB DO PRIMEIRO TRIMESTRE DEVE FICAR ENTRE 5,5% E 5,8%
ALIMENTAÇÃO CONTINUA PRESSIONANDO INFLAÇÃO
DI = DISPONIBILIDADE INTERNA
PIB EM 2007: + 5,4%
quarto trimestre de 2007: + 6,2%
enorme apetite para importados que tem deteriorado as contas externas do país.
... chamada absorção interna, que é o crescimento da economia sem contar o comércio externo, deve ter expansão de 9% no primeiro trimestre
O BC teme que a demanda interna aquecida pressiona ainda mais a inflação e por isso desde abril tem subido os juros básicos da economia.
A contrapartida da demanda interna em ascensão é o fraco resultado das exportações, com queda estimada de 3,6 por cento no primeiro trimestre enquanto as importações cresceram 18,4 por cento.
o consumo das famílias deverá ter crescido 7,7 por cento no primeiro trimestre
no último trimestre de 2007 cresceu 8,6 por cento
IGP-DI DE MAIO É O MAIS ALTO DESDE JANEIRO DE 2003, quando a inflação no período pós-Real refletia a forte desvalorização da moeda brasileira ocorrida em 2002.
[devido a] aumentos no atacado do óleo diesel, materiais de construção para indústria e do minério de ferro. O Índice de Preços no Atacado subiu de 1,30 por cento em abril para 2,22 por cento em maio, a maior taxa desde dezembro de 2002.
No varejo a alta dos alimentos  é de 2,33 por cento
MANTEGA DIZ QUE INFLAÇÃO PARA BAIXA RENDA É MAIS SEVERA E ACUMULA 8%
Lula quer ampliar produção de fertilizantes para elevar oferta de grãos
para os trabalhadores com renda entre um e 2,5 salários mínimos a inflação nos últimos 12 meses está acumulada em 8 por cento, contra 5,04 por cento do IPCA.
Mais de 70 por cento dos fertilizantes são importados.
[solução] investir nas jazidas de nitrato e fosfato, muitas delas nas mãos da Petrobras e da Vale do Rio Doce.
em dois meses, com a safra agrícola, os preços dos alimentos cairão no mundo, com reflexos no Brasil.
Lula afirmou que as petrolíferas acusam injustamente o Brasil de devastar a Amazônia:
            - Dizer que a cana-de-açúcar está invadindo a Amazônia é um absurdo.

O GLOBO 10 DE JUNHO DE 2008
SALTO NA IMPORTAÇÃO DE DIESEL
O déficit comercial do país em petróleo, derivados e gás natural quase triplicou no primeiro trimestre e foi de US$ 2,4 bilhões
compra de óleo diesel subiu 92 por cento e alcançou quase US$ 1 bilhão, com alta de 200 por cento (pelo aumento do preço)
O crescimento da economia eleva o consumo.

13 DE JUNHO DE 2008
NOVA DESCOBERTA NO PRÉ-SAL
PETROBRAS ANUNCIA RESERVAS DE PETRÓLEO EM ÁGUAS ULTRAPROFUNDAS DA BACIA DE SANTOS, NAS ÁREAS CONHECIDAS COMO CARIOCA E GUARÁ. A JAZIDA PODE SER A MAIS IMPORTANTE DOS ÚLTIMOS 30 ANOS
Carioca teria cinco vezes o tamanho de Tupi e Júpiter, com características semelhantes. As reservas têm potencial de 8 bilhões de barris, o que leva a crer que Carioca tenha mais de 30 bilhões de barris (33 bilhões aproximadamente).
A Petrobras detém 45 por cento de participação em consórcio formado com o BG Group (30 por cento) e com a Repsol YPF (25 por cento) para a exploração do bloco BM-S-9. A jazida encontrada é de óleo leve, com densidade em torno de 28º API (American Petroleum Institute), medida para a qualidade do petróleo) nos reservatórios de pré-sal.
O bloco é composto por duas áreas exploratórias. Na maior delas foi perfurado o primeiro poço, chamado informalmente de Carioca, que resultou na descoberta anunciada em 5 de setembro de 2007
O novo poço, que recebeu o nome de Guará, fica na área menor do bloco, a cerca de 310 km da costa de São Paulo, em lâmina d'água de 2 141 metros. A Petrobras ainda está perfurando na região, a fim de encontrar petróleo em área mais profunda. A descoberta foi comprovada em testes em reservatórios a 5 mil metros.
O potencial total dos novos campos é desconhecido mas pode ser três vezes maior que o volume atual das reservas brasileiras, estimadas em 14 bilhões de barris. O teste de longa duração em Tupi vai começar em 2009 e só aí vamos poder analisar o reservatório.
OGX: RECORDE DE EIKE BATISTA
sua empresa de petróleo e gás, que estréia hoje na Bolsa de Valores de São Paulo com a maior oferta pública de ações do mercado nacional.
MMX e MPX, em 2007
Criada em 2007, a OGX foi o destaque do leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Eike venceu em 21 dos 23 lances que fez, 14 sem parceiros. Segundo a legislação a empresa só poderá atuar em águas rasas.

13 DE JUNHO DE 2008
PF PRENDE 17 ACUSADOS DE SONEGAÇÃO
OPERAÇÃO CANA BRAVA DESMONTA FRAUDES NO SETOR ALCOOLEIRO
desmontaram um dos maiores esquemas de sonegação fiscal do setor sucroalcooleiro. Em cinco anos o desvio pode ter chegado a pelo menos R$ 2 bilhões em contribuições previdenciárias não recolhidas por 160 empresas do setor, entre elas duas usinas de açúcar e álcool do interior de São Paulo.
esquema montado para desviar recursos previdenciários que iam para contas da família no exterior.

24 DE JUNHO DE 2008
PREÇO DO ÁLCOOL VOLTA A SUBIR NAS USINAS PAULISTAS
O preço do álcool hidratado não dá trégua aos motoristas de carro flex.
O litro do álcool combustível
o litro do anidro - misturado à gasolina
o aumento foi causado pelo aumento nas exportações do produto. Com isso sobra menos combustível para o mercado interno, devido ao período de entressafra da cana-de-açúcar.

O Globo 30 de junho de 2008
ESPECULAÇÃO PURA         GEORGE VIDOR
uma grande descoberta no Mar Cáspio (nos moldes dos reservatórios que estão sendo testados na cama de pré-sal da Bacia de Santos) foi confirmada por um consórcio de empresas russas e do Cazaquistão. E nem por isso os preços do petróleo cederam. (...) o mercado continua sob forte pressão especulativa, basicamente financeira.
O tênue equilíbrio entre as quantidades oferecidas e demandadas de produtos como petróleo atraiu para esses mercados muitos bancos de investimentos acostumados a grandes variações nas cotações de títulos e papéis financeiros. Há fatores que justificam o encarecimento e matérias-primas, insumos industriais e alimentos mas a componente financeira acentuou muito a tendência de alta.
seria razoável se pensar em cotações entre US$ 60 e US$ 80, no prazo de um ano, se for observado apenas o comércio físico do produto.
LULA DIZ QUE MUNDO VAI SE CURVAR A BIOCOMBUSTÍVEIS FEITOS NO BRASIL
quase 100 por cento da frota brasileira de automóveis é BI Flex
primeiro modelo lançado em 2003

O GLOBO 30 DE JUNHO DE 2008
PETROBRAS SERÁ UMA DAS GIGANTES DO SETOR EM ALGUNS ANOS
está em 10º lugar entre as empresas com maior presença no exterior
Sete primeiras são as tradicionais - Shell, ExxonMobil, Total, BP, Chevron, Eni e StatollHydro - e depois vêm Petronas da Malásia e Petrochina/CNPC
em 95 por cento das companhias nacionais, como a Petrobras, o governo é o acionista controlador
as maiores empresas do mundo ranking do Financial Times - valor de mercado
ExxonMobil US$ 452 bilhões
Petrochina US$ 424 bilhões
General Electric US$ 370 bilhões
Gazprom US$ 300 bilhões
China Mobile US$ 298 bilhões
Banco Industrial e Comercial da China US$ 277 bilhões
12º lugar - vindo da 50ª posição (mas não de uma vez...) Petrobras: US$ 208 bilhões de valor de mercado

CANA-DE-AÇÚCAR
Brasil o maior produtor de CANA-DE-AÇÚCAR do mundo
bagaço de cana para produção de energia elétrica
1º leilão de biomassa, termelétricas movidas a bagaço de cana
etanol do trigo e do milho é mais caro que o de cana - biocombustível
biodiesel

BIOMASSA: mamona desenvolvida pelo Embrapa dá 3 safras/ano (mas não dá)
 

segundo a teoria predominante 1 barril de petróleo leva milhões de anos para ser "fabricado"

INDÚSTRIA BRASILEIRA          CNI - Confederação Nacional da Indústria
JULHO 2008
DAS CRISES À PROSPERIDADE
gigantismo das reservas localizadas na camada de pré-sal
extração caríssima e que exige equipamentos muito especializados
Plano de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio (Promef) - custo estimado em US$ 5 bilhões
parte do plano de investimentos da Petrobras
que prevê para o período 2006-2010 só para o refino investimentos de US$ 14,2 bilhões
rede de gasodutos: US$ 6,5 bilhões
auto-suficiência sustentada, assegurando o mínimo de 20 por cento de produção acima do consumo nacional.
atividades terão uma média anual de impacto total de R$ 216 bilhões, representando 10 por cento do PIB
66 por cento das compras serão destinadas a fornecedores nacionais, o que jogaria uma média anual de US$ 10 bilhões anuais no mercado gerando 840 mil novos postos de trabalho

ÉPOCA 7 DE JULHO DE 2008
O preço do díesel aumentou 17 por cento na Índia em 2008
Estima-se que 70 por cento da economia indiana dependa dos caminhões.
A VOLTA DA GUERRA FRIA
Enriquecida por conta da alta do petróleo, a Rússia não pára de investir no aumento de seu poderio militar. Os gastos com defesa no ano passado chegaram a US$ 35,4 bilhões.
TRANSPORTES: É SÓ LIGAR NA TOMADA E RODAR
Para o automóvel urbano achamos que o futuro está no motor elétrico
O primeiro modelo da Renault-Nissan foi apresentado em janeiro
Congresso americano
Pelo preço de dois meses de abastecimento de petróleo, cerca de US$ 100 bilhões, podemos instalar a infra-estrutura necessária para carregar os carros do país com eletricidade. E acabar com a dependência do petróleo.
existem menos de 90 mil deles no mundo, ante os 65 milhões de automóveis a combustão produzidos por ano
Por causa do petróleo. Essa fonte de energia começou a ser usada no fim do século XIX e se mostrou abundante e barata quando o mercado consumidor era ainda pequeno. Acabou por consolidar grupos econômicos que passaram a dar as cartas nos investimentos em transportes desde então.
Só nos Estados Unidos há 180 mil postos de combustíveis. As montadoras faturam US$ 1,5 trilhão. Mas as seguradoras, empresas de combustíveis, de autopeças e de serviços automotivos ganham US$ 6 trilhões.
Em 1996 alguns fabricantes lançaram os primeiros carros elétricos em larga escala, o RV4 da Toyota, o Ranger EV da Ford e o EV1 da General Motors.
em uma manobra sem maiores explicações, os fabricantes resolveram tomar de volta os veículos, que foram destruídos.

veja 23 de julho, 2008 ENERGIA NUCLEAR
O QUE ERA MEDO SE TORNOU ESPERANÇA
Duas décadas após o desastre de Chernobyl
uma esperança de energia limpa e barata.
35 usinas estão sendo construídas em vários países e outras 93 deverão ser erigidas - mais de metade na Ásia.
Brasil retoma a construção de Angra III, no litoral do Rio de Janeiro.
Ao longo de 15 anos, até o acidente de Chernobyl, a parcela de eletricidade produzida saltou de 2 para 16 por cento - patamar onde se mantém
Calcula-se que essa parcela suba para 22 por cento em 2050
petróleo e gás natural respondem por 25 por cento da eletricidade produzida
kilowatt/hora gerado dobrou de preço
energia produzida por usinas nucleares, beneficiadas por tecnologias que aumentaram a produtividade, ficou mais barata: em proporção, o custo da eletricidade gerada com petróleo é seis vezes superior
as termelétricas a carvão, que produzem 40 por cento da eletricidade do mundo, continuam a ser produzidas a todo o vapor, principalmente na Rússia e na China.
termelétrica que usa matérias-primas fósseis emite 1 quilo de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, por qulowatt/hora gerado.
Uma usina nuclear apenas 30 gramas, apenas por fatores externos, como o transporte de matéria-prima.
o renascimento da energia nuclear é impulsionado por questões geopolíticas
uma maneira de diminuir a dependência em relação ao petróleo e ao gás natural, cujas maiores jazidas se encontram nas mãos de governos que merecem pouca confiança como Rússia, Líbia, Irã e Venezuela.
mesmo ambientalistas, antes agressivos opositores da energia nuclear, passaram a defendê-la como alternativa aos combustíveis fósseis: James Lovelock, autor da teoria de que a Terra é um enorme organismo vivo capaz de auto-regular-se, e
Patrick Moore, fundador da organização Greenpeace, sempre pronta a fazer protestos ruidosos contra a energia do átomo.
Agência Internacional de Energia: o planeta pode precisar de 1 300 novos reatores nucleares para combater o aquecimento global e atender ao aumento da demanda energética.
será preciso fazer um investimento maciço em fontes de energia renováveis, como eólica e solar. Por enquanto a eletricidade produzida pelas fontes renováveis é muito cara e insuficiente para atender a regiões de alto consumo.
[na sequência de] vazamento de material radioativo em dois rios na região de Avignon, organizações como a Sortir du Nucléaire fizeram protestos e voltaram a criticar o fato de quase 80 por cento da eletricidade consumida no país vir da energia nuclear.
uma solução prática para os rejeitos radioativos que não seja o armazenamento
O BRASIL AGORA ESTÁ COM PRESSA
anos 70, o plano era construir nove usinas nucleares, fazendo com que esse tipo de energia respondesse por 15 por cento da produção de eletricidade até o fim da década seguinte.
Angra I entrou em operação em 1985
construção demorou 14 anos, o dobro do tempo previsto
Custou 2,5 bilhões de dólares ou o dobro do valor aceitável por quilowatt instalado
em 1996 FHC decidiu levar adiante a obra inacabada de Angra II, que começou a operar em 2001, ano do apagão, em que o Brasil acordou para a necessidade de planejamento energético.
Para escapar de novo apagão o país tem de aumentar a capacidade instalada em 20 000 megawatts, o que significa uma expansão de 20 por cento
até 2030 precisa de mais que dobrá-la
o Brasil dispõe da sexta maior jazida de urânio do mundo e tem tecnologia própria, uma das mais modernas do mundo, para enriquecê-lo.
Plano Nacional de Energia estipula que até 2030 a geração nuclear tem de dobrar, para o que será necessário concluir Angra III e outras quatro usinas com potência de 1 000 megawatts cada.
setor hoje responde por 2 por cento da matriz elétrica; passaria a 5 por cento
Angra III: já consumiu R$ 1,5 bilhão e para ficar pronta em 2014 precisa de mais 7,3 bilhões e muita determinação política, porque além dos entraves ambientais tem oposição de parte da comunidade científica, que diz que é melhor esperar pela nova geração de usinas, mais seguras e menores.

VEJA 23 DE JULHO, 2008
ENERGIA EÓLICA
Osório, RS: 75 cata-ventos formam o maior parque eólico da América Latina, fornecem energia aos seus 40 000 habitantes e a mais 650 000 em Porto Alegre
O Brasil é o país que mais recicla alumínio no mundo: 1 milhão de latinhas por hora, 70 por cento das quais em Pindamonhangaba, no leste paulista, que tem a maior empresa de reciclagem do mundo, a Novelis

INDÚSTRIA BRASILEIRA
SETEMBRO 2008
CONTEÚDO LOCAL NA INDÚSTRIA DO PETRÓLEO
capacidade da indústria brasileira de responder a esse novo desafio tecnológico e financeiro.
Petrobras e das demais 60 empresas petroleiras, domésticas e estrangeiras que atuam no setor, como fornecedores de equipamentos sofisticados e serviços altamente especializados.
progresso alcançado desde a liberação do setor petroleiro com a Lei do Petróleo de 1997.
colossais operações de exploração e produção (E&P) nos blocos de camada pré-sal (Tupi, Júpiter, Carioca, Pão de Açúcar, etc.) num prazo de cinco a dez anos
Poços já em operação asseguram auto-suficiência petrolífera do país, com cerca de 2,1 milhões de barris/dia.
Petrobras, maior player
PLAYER
do setor, empresa integrada de energia que compete com as maiores e melhores petroleiras multinacionais.
Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), outra empresa pública que ao longo dos seus 56 anos tem contribuído para financiar boa parte da indústria e da infra-estrutura do país.
estipulam níveis mínimos de conteúdo local para componentes de máquinas e serviços a serem empregados em cada etapa do laborioso e oneroso processo de E&P.
644 blocos exploratórios atribuídos pela ANP em regime de concessão desde 1998

veja 27 de agosto, 2008
A POUPANÇA DO PRÉ-SAL
Ricardo HAUSMANN, professor de Harvard
efeitos negativos que a riqueza do petróleo, se mal utilizada, pode causar a um país
um exemplo é a Venezuela
É uma ilusão acreditar que o dinheiro do petróleo poderá ser utilizado em projetos sociais, como em educação. Esses recursos devem ser poupados ao preço de trazerem instabilidade para a economia.
Ricardo HAUSMANN, professor de Harvard veio ao Brasil apresentar o estudo
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
feito sob encomenda do Centro de Liderança Pública.
o único impacto imediato dos dólares do petróleo é permitir que um país importe mais. Importações maiores elevam o déficit externo e ainda submetem a taxa de câmbio ao vaivém das cotações do petróleo, afugentando investimentos privados.
o ideal é que 100 por cento das receitas com petróleo sejam depositadas num fundo soberano no exterior. Isso impede que os dólares inundem a economia, produzam inflação e volatilidade cambial.
entrevistador: O Brasil possui problemas sociais gravíssimos
ele dá o exemplo da Venezuela: criou empresas siderúrgicas estatais pessimamente administradas e pouco eficientes e quando o preço do petróleo subiu o câmbio também subiu e elas não conseguiram manter-se competitivas.
Agora Hugo Chávez simplesmente torra cada centavo, ninguém sabe para onde o dinheiro vai, e não tem havido investimentos e a produção começa a cair.
Vários países ainda procuram maneiras de se integrar ao mercado global.
O Brasil inova em várias tecnologias de ponta na agricultura, no setor energético, na aviação, na mineração e no setor automobilístico.
Os indicadores sociais, como educação e saúde, registraram avanços significativos.
[Brasil precisa de] Acelerar o crescimento, que ainda é tímido.
Descontado o aumento da população economicamente ativa, o crescimento real tem sido de 1 por cento, um dos piores resultados de toda a América Latina.
Principal entrave: falta de poupança do setor público. O Estado deveria gastar menos do que arrecada.
O Brasil possui hoje a maior carga tributária entre todos os países emergentes e mesmo assim as contas públicas são deficitárias.
[todo mundo fala o mesmo - juntar]
O motivo pelo qual a taxa de câmbio chinesa é competitiva é que a China possui uma taxa de poupança elevada.

REVISTA DO IBEF INSTITUTO BRASILEIRO DE EXECUTIVOS DE FINANÇAS
NÚMERO 17  2008
Ética, ambição e economia
O respeito às regras tem se tornado cada vez mais distante pelos indivíduos, permitindo que a ambição ultrapasse a conexão entre a ética e a economia.
Por ganância, o plantio e a industrialização dos alimentos se mantêm impregnados dos mais tóxicos componentes químicos, provocando entre outras coisas um alarmante avanço dos casos de câncer, alzheimer e outros males. Por ganância os projetos de energia solar, eólica e outras renováveis e limpas permanecem em banho-maria enquanto os lobbies da indústria fóssil fervilham pelos congressos.

veja 3 de setembro, 2008
BILHÕES PARA TIRAR BILHÕES DO FUNDO DO MAR
início da produção de petróleo na camada de pré-sal
porção do subsolo que se formou há 150 milhões de anos, prolonga-se por 800 quilômetros de Santa Catarina ao Espírito Santo e guarda estimados 80 bilhões de barris de petróleo e gás. É o suficiente para transformar o país no sexto maior detentor de reservas, atrás somente de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes.
área do pré-sal fica a 300 quilômetros do litoral, a uma profundidade de 7 000 metros - quase um Everest debaixo da terra - e sob 2 quilômetros de sal.
Jubarte, cenário da festa oficial. Ali a profundidade também é grande (4 400 metros), mas o reservatório está a somente 77 quilômetros da costa e a camada de sal tem apenas 100 metros de espessura.
Tupi. É de lá e dos blocos vizinhos que, aposta-se, jorrará algo como 50 bilhões de barris.
promessas cercadas de incertezas de todos os lados
barreiras das quais se tem apenas uma pálida idéia.
Não há no pré-sal uma gota de petróleo que se possa classificar de "reserva provada", nomenclatura usada para definir a quantidade de petróleo de cuja existência se tem a certeza.
primeiro teste no campo Tupi em março do ano que vem
É possível que se descubra
petróleo e gás, não se presta à produção em larga escala a longo prazo, com a tecnologia existente hoje.
enorme quantidade de recursos necessários para a exploração em condições tão adversas.
em 50 bilhões de barris, a quantidade estimada para os blocos de exploração de Tupi, Júpiter e Pão de Açúcar, que juntos somam 13 por cento da área do pré-sal. (...) na Bacia de Santos. A conclusão é que seriam necessários 600 bilhões de dólares para tirar da primeira à última gota de petróleo que se pode extrair dali.
A Petrobras trabalha com números um pouco mais modestos. Calcula que a empreitada pode sim aproximar-se dos 600 bilhões de dólares, mas para explorar as seis áreas já licitadas em que é a operadora: Tupi e Iara, Bem-Te-Vi, Carioca e Guará, Parati, Júpiter e Carambá. (...) Equivale a 45 por cento do produto interno bruto brasileiro
já há 165 bilhões de dólares previstos para investimentos entre 2008 e 2011 somente na indústria de petróleo. Isso sem considerar o pré-sal.
frases do presidente Lula como
"Não se pode deixar na mão de meia dúzia de empresas que acham que o petróleo é delas e vão apenas comercializá-lo"
causaram arrepios no mercado e tiveram reflexos na bolsa de valores.

veja 17 de setembro, 2008
Confirmado que o poço de Iara, um dos maiores descobertos agora na camada de pré-sal da Bacia de Santos, tem reservas da ordem de 4 bilhões de barris de petróleo, equivalentes a 28 por cento das reservas brasileiras conhecidas anteriormente. Situado em frente ao litoral fluminense, o poço é vizinho ao campo de Tupi, que tem de 5 a 8 bilhões de barris.
AMEAÇAS AO NOSSO GASODUTO
problema grave para o Brasil devido à dependência nacional em relação ao gás natural produzido em território boliviano.
O corte de 10 por cento é administrável - os reservatórios das hidrelétricas estão cheios e a Petrobras pode substituir o gás por óleo como combustível para as usinas termelétricas -, mas há riscos de ocorrerem novas sabotagens nos gasodutos.
consumo total de gás no Brasil: 59 milhões de metros cúbicos/dia
50,8 por cento são importados da Bolívia
AS DEFESAS DA SUPERECONOMIA
expectativa é que a partir de 2012 o país passe a ser grande exportador de petróleo e derivados. Isso é importante porque reforçará ainda mais as reservas em moeda forte do país, ao mesmo tempo em que atrairá uma nova onda de investimentos

DEPOIS DO PRÉ-SAL
Quando o preço do barril de petróleo, com o "novo 11 de setembro", despencou de US$ 150 para a casa dos US$ 50 todo o papo de sonho de grandeza com o petróleo da camada do pré-sal a 7 000 metros de profundeza - e o presidente Lula, do Brasil, chegou a dizer-se um ILUMINADO - foi pra cucuias porque até ver não se justifica um tal montante de grana de investimentos a 20 000 léguas submarinas, de onde talvez nunca saia se os Grandes Piratas continuarem a investir cada vez mais na diversificação de especiarias do cardápio de combustíveis alternativos e lá se foi o homem conquistar o espaço lá se foi.

  
veja 24 de setembro, 2008
AUTOMÓVEIS ELÉTRICOS
O COMEÇO DO FIM
GM acumula um prejuízo de 70 bilhões de dólares desde 2005 e a japonesa Toyota ameaça roubar-lhe o posto de maior fabricante de automóveis do mundo
apresentação do Chevrolet Volt - carro híbrido
será lançado em 2010 para concorrer no segmento do carro popular
missão: desbancar o primeiro carro híbrido a alcançar sucesso de vendas, o Prius, da Toyota, que já passou a marca de 1 milhão de unidades vendidas.
um motor elétrico e outro a gasolina mas só o primeiro faz o carro rodar
plug-in - sua bateria se alimenta na rede elétrica doméstica
bateria de ícons de lítio, versão avantajada das que equipam laptops e celulares, pesa cerca de 200 quilos   [produtores norte-americanos planejam] lançar versões plug-in de híbridos que já existem no mercado americano, como o sedã Saturn e o 4X4 Tahoe.
em meados dos anos 90 a GM investiu 1 bilhão de dólares para criar o EV1, veículo elétrico de dois lugares e fez 1 100 unidades.
Concluiu que o mercado ainda não estava pronto para esse tipo de carro e destruiu os EV1
vários estão anunciando lançamento de carros híbridos
um custa 110 000 dólares
no início eram a vapor
em 1885 invenção do motor a combustão interna
em 1900, 28 por cento dos carros produzidos eram movidos a eletricidade
Ferdinand Porsche construiu em 1900 o primeiro carro híbrido com dois motores
Os primeiros modelos do Ford T, lançado em 1908, funcionavam com etanol ou gasolina: os primeiros flex
gasolina barata, permitia maior autonomia e partida rápida. O advento do motor de arranque tornou o veículo a gasolina mais seguro
já circula nos Estados Unidos o Equinox Fuel Cell, movido a hidrogênio
A BOLÍVIA QUER SER PRIMITIVA
A nacionalização do setor energético em 2006 levou ao cancelamento de novos investimentos internacionais. A produção de petróleo e de gasolina caiu 4,6 por cento com Evo Morales. A de gás natural, 2 por cento.
Soja,
Com medo de perderem a terra para os partidários de Morales, sem diesel para os tratores e acuados por bloqueios de estradas, fazendeiros de Santa Cruz deixaram de semear. A produção de grãos caiu 55 por cento.

veja 1º de outubro, 2008
PODE BATER QUE O GIGANTE É MANSO
"O Brasil está pagando o preço de ter uma economia saudável, em crescimento e aberta ao mundo", disse a Veja o advogado americano Allen Weiner, professor da Universidade de Stanford e ex-diplomata. "Países vizinhos que não gozam do mesmo sucesso naturalmente pensam que isso ocorre porque os brasileiros estão tirando vantagens. A tendência é isso aumentar cada vez mais."
[o mesmo que dizem dos invejosos do sucesso no Brasil]
Desde que Evo Morales ocupou impunemente com tropas duas refinarias da Petrobras, em 2006
A FORÇA QUE VEM DO VENTO
SE A ECONOMIA BRASILEIRA CRESCER 5,5 por cento NESTE ANO, COMO PREVIU O MINISTRO DA FAZENDA HÁ DUAS SEMANAS, SERÁ PRECISO ADICIONAR 3 500 MEGATTS À CAPACIDADE ENERGÉTICA DO PAÍS
um acréscimo de 4 por cento na produção atual
fontes alternativas de energia, como a eólica.
Neste mês uma empresa americana, a Econergy, inaugurou o primeiro de uma leva de catorze parque eólicos que começarão a operar no Ceará até o fim de 2029. Com localização na Praia das Fontes, próximo a Fortaleza, a usina terá 32 turbinas de vento e capacidade para abastecer uma cidade com 90 000 casas e 200 000 pessoas.
Ceará terá à sua disposição 500 megawatts de energia providos pelo vento. Será o estado com a maior capacidade, ultrapassando o Rio Grande do Sul, que hoje produz 68% da energia eólica nacional.
O potencial eólico brasileiro é de 30 000 megawatts - o equivalente a duas Itaipus. O Brasil tem hoje 218 megawatts de capacidade instalada em parques eólicos no Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. O maior deles está no município gaúcho de Osório, que produz 150 megawatts.
Seus defeito é o preço. A eletricidade dos cata-ventos gigantes custa o dobro da proveniente de hidrelétrica.
Já foi pior. O custo caiu pela metade na última década e hoje se aproxima do das termoelétricas.
O preço do petróleo tende a subir, enquanto o da energia eólica deve continuar encolhendo.
Uma delas é a disposição de muitos governos de subsidiar essa fonte de energia limpa e que não depende dos humores dos produtores de petróleo.
avanço tecnológico, responsável por turbinas mais eficientes e mais fáceis de montar.
ligas de metais
No mundo, a energia eólica cresce a taxas de 26 por cento ao ano e causa empolgação crescente entre políticos. No Brasil, ganhou fôlego com o Proinfa, programa de incentivo governamental que entrou em operação em 2004.

veja 8 de outubro, 2008
O INFERNO SÃO OS OUTROS
reconstrução dos mecanismos americanos e globais de produção de riqueza. Isso vai depender primordialmente de ter sido mantido o ímpeto de crescimento da economia chinesa e dos demais países emergentes - o que vai garantir preços compensadores para as matérias-primas básicas, as commodities, que ainda são o sangue e a carne das economias do Hemisfério Sul.
Os reflexos no Brasil já são sentidos. Primeiro, na queda acentuada do preço das ações e na alta do dólar (superou os 2 reais pela primeira vez desde agosto de 2007)
Há um ano companhias brasileiras de médio porte conseguiam financiar-se pelo prazo de doze meses a taxas médias anuais de juros de 15 por cento
o setor privado nacional ainda tem um débito externo líquido - ao contrário do governo, que eliminou a dívida externa e dispõe de reservas superiores a 200 bilhões de reais.
Até setembro o governo pensava que a crise da economia americana era localizada, passageira e no máximo atingiria o mercado financeiro, punindo os especuladores
a previsível contaminação em série cruzou rapidamente o hemisfério e mostrou que a propalada imunidade brasileira não era tão absoluta como se tentava fazer crer.
VIDA E MORTE DAS BOLHAS
José Alexandre Scheinken
estudioso das bolhas
estudar a teoria das bolhas econômicas
Em alguns, a bolha imobiliária é pior que a americana. É o caso da Espanha, da Irlanda. A Inglaterra já começou a ter problema. A Espanha tem vantagens. Seu sistema bancário é muito forte e o governo tem uma situação fiscal invejável.
empresas estão tendo problemas. O preço das commodities caiu bastante. Temos no entanto a sorte de ter commodities da economia agrícola. Mesmo que a economia mundial se desacelere, os chineses que começaram a comer vão continuar comendo.
NA CADEIA ALIMENTAR DA CRISE
Na crise, eles perdem a casa. Os nababos do mundo financeiro recebem ajuda oficial. Até quando perde Wall Street ganha.
perfil muito parecido com o que os americanos chamam de "ninja"
Alan Schwartz, executivo do Bear Stearns, embolsou mais de 160 milhões de dólares em bonificações no banco e deixou a casa falida.
os bônus milionários.
Num país construído na base da meritocracia, é duro engolir compensações robustas para quem foi à lona.

Gávea Investimentos, de Armínio Fraga
anunciou que pega uma fatia da Cosan, líder mundial no mercado do álcool, por 130 milhões de dólares.


 

  

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                                                  CHINA BOX

China: um paradoxo no século XIX

O paradigma do século XXI?

O muro de Berlim caiu faz tempo, mas não o da hipocrisia. Cai a Babilônia, cai a muralha da China, que mais de um século depois das Guerras do Ópio se abre à sociedade de consumo ocidental e a fome e a inguinorança no mundo aumentam em escala.

veja 27 de agosto, 2008
A POUPANÇA DO PRÉ-SAL
Ricardo HAUSMANN, professor de Harvard
Ricardo HAUSMANN, professor de Harvard veio ao Brasil apresentar o estudo
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK

feito sob encomenda do Centro de Liderança Pública.

O motivo pelo qual a taxa de câmbio chinesa é competitiva é que a China possui uma taxa de poupança elevada.
 

     Este banco de dados reproduz várias dicas pelas quais se confirma que uma das leis básicas de uma economia saudável pelo atual regime é a de que a população consuma muito mas sem extrapolar porque há que fazer como os bisavós: poupar, pouco que seja - vá, 20 por cento do que se ganha.

     Não é isso então? - algo em que nem se tem insistindo muito entre os especialistas da casa no Brasil porque a escassez foi tão grande e o atraso é tanto! Uns 20, vinte e poucos porcentozinhos de taxa média de poupança não seria a lei? Um pé-de-meiazinho para enfrentar possíveis crises - sei lá, uma doença...

     Pois então o que faz especialistas dizerem que

"A Índia tem se mostrado mais aberta ao consumo, mas como a China tem uma taxa de poupança muito alta que deveria ser canalizada para o gasto do consumidor, contribuindo assim para o fortalecimento geral da economia"

 Ele há poupança e poupança, certo. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, pela definição teórica - por quem sois. valor econômico, são paulo, 07 janeiro 2009: Famílias americanas começam a poupar agravando a recessão. Como em teoria poupança equivale à parcela da renda que não é consumida, poupança demais, de mais a mais, equivale a muito menos mais valia, para quem produz e para quem não consome, que some, some, não equivale a nada, não é ninguém, pouco importa, não interessa, não conta, NÃO AJUDA A PRODUZIR RIQUEZA...

 Não dou a mínima para se a mula manca - money makes the world go around e a regra é a do fortalecimento geral da economia pouco importando o que e quanto o indivíduo compra ou que exploda na farra do consumo e consumismo a bem dizer a troco de nada para ele e tudo para os sustentáculos do regime. Vale aqui também a metáfora de Marco Ferreri no filme La Grande Bouffe - e que se explodam de gula!

Lembre-se - ou flashback - ou vedi retro:

 27 de agosto, 2008
Ricardo HAUSMANN, professor de Harvard veio ao Brasil apresentar o estudo
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK
IN SEARCH OF CHAINS THAT HOLD BRAZIL BACK

feito sob encomenda do Centro de Liderança Pública e declarou a Veja:

O motivo pelo qual a taxa de câmbio chinesa é competitiva é que a China possui uma taxa de poupança elevada.
 

Contradições em termos? Paradoxos?

Paroxismos.

Beckett explica.

Beckett explica. Contradições aos montes e o problema não está nas contradições mas em que o Sistema, Establishment ou o que seja tem conseguido impor a noção de que se baseia em princípios sérios e coerentes quando ao que se constatou mais uma vez de forma talvez mais contundente com a crise dos CRÉDITOS PODRES...

e de pensar no que o outro poeta chamou  PODRES PODERES...

uma das leis básicas de uma economia saudável pelo atual regime é a de que a população consuma muito mas sem extrapolar porque há que fazer como os bisavós: poupar, pouco que seja - vá, 20, vinte e poucos porcentozinhos de taxa média de poupança não seria a lei? Um pé-de-meiazinho para enfrentar possíveis crises - sei lá, uma doença...

... tempo dos bisavós - onde eles ainda estavam até serem acordados do sonho milenar embebidos em mantras e preceitos dos seus arcaísmos de que nem Guerras do Ópio os tinham acordado primeiro pelo sonho/pesadelo vermelho anticonfucionista  e agora pelo das bugigangas artesanais sécula-e-seculares reproduzidas em série e com materiais mudernos mais as bugigangas pirateadas pelas e para as subculturas de chungaria (coisa vagabunda, ordinária, segundo Mauro Villar in Dicionário Contrastivo Luso-Brasileiro, Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1989) tornou-se o cúmulo do hiperkitsch ou muito megabrega e quando (vide o tempo de A Condição Humana, a aurora da sanha nacionalista) viviam se bem, quando bem, de bens essenciais e têm de - são induzidos a - consumir pela lógica de mercado e para o bem do capitalismo de consumo.

Na China há mão-de-obra abundante e os níveis de qualificação melhoram sempre...

julho 2008
entrevista de Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior:

[no Brasil] nível de investimentos em relação ao PIB era de 16 por cento e passou para 18 por cento  - meta para 2010: 21 por cento - China - nível de investimentos: 30% em relação ao PIB

7 DE JULHO DE 2008

Estimulado pelo apetite dos países asiáticos - a começar pela China - e também pelos programas de etanol e bioenergia dos países desenvolvidos os preços dos alimentos estão superaquecidos
 

A ARQUITETURA DA NOVA CHINA
"CHAI-NA"
HÁ QUEM RESISTA A ESSE AFÃ DE DESTRUIR para construir. "Uma cidade que desrespeita sua história e sua cultura acaba entrando em declínio." Pei Zhu, arquiteto, defensor do patrimônio cultural, é contra a destruição dos
hutongs,
bairros antigos em Pequim que traduzem a maneira de viver, com seus labirintos orgânicos e suas casas de portas abertas. "São a memória desta cidade, a base cultural e arquitetônica da antiga Pequim e por isso precisam ser salvos"
a destruição da velha Pequim
Nos últimos anos 3 milhões de chineses foram expulsos para os subúrbios de Pequim, ganhando indenizações irrisórias. Há histórias terríveis de incêndios criminosos para obrigar moradores relutantes a abandonar suas casas. A discussão se tornou tão comum na cidade que hoje os críticos pronunciam o nome do seu país em inglês "Chai-na", que significa em mandarim "demolir onde?"
"DEMOLIR ONDE?"
XANGAI: no bairro antigo, Nanshi, as casas são conhecidas como shikumen/porta de pedra. Até meados do século passado 80 por cento dos habitantes de Xangai viviam em shikumens. Havia 650 mil delas. Acredita-se que até 2010 não serão mais de 50 mil.
"A Maioria dos chineses ainda não compreendeu plenamente o valor de nossa tradição e a importância da nossa cultura."

A ERA DE OURO DO FERRO
o minério nacional é o melhor do mundo, dispõe de um espetacular sistema de logística e é abundante, assim como subproduto: aço
foi especialmente beneficiado pelo aumento da demanda de China e Índia

veja 6 de agosto, 2008
CHINA - A NOVA REVOLUÇÃO CULTURAL
ânsia popular de romper o isolamento acentuado pelo regime comunista
uma comerciante ao recusar-se a abandonar casa de onde foi despejada foi chamada de egoísta por muita gente. O fato de sua família morar no local há sessenta anos e tirar de lá o seu sustento, vendendo amendoim e castanha torrada, não era motivo para ela "deixar de pensar no país"
com o objetivo de diminuir índices de poluição da cidade 8 000 canteiros de obra foram paralisados e 150 fábricas obrigadas a suspender a atividade.
PIB China: 2,7 trilhões de dólares
desde 2001 o país mais que dobrou seu orçamento para os esportes. Parte do dinheiro foi usada na reforma e equipagem de 3 000 ginásios mantidos pelo governo. A finalidade é transformar 400 000 crianças em futuros campeões olímpicos.
Desde 1992 mais de 3 000 prédios com mais de trinta andares foram construídos em Xangai. O governo teve de conter a fúria dos incorporadores, em 2003, porque o solo da cidade estava afundando sob tanto peso.
Do ponto de vista da logística urbana, arranha-céus prodigiosos são um contra-senso. Concentram trânsito e despendem uma quantidade fabulosa de energia. Mas se está aqui no terreno exclusivo do SÍMBOLO: Eles São as catedrais do capitalismo.
Arquitetos não desenham caixotes como os que enfeiam São Paulo
Deng Xiao Ping, promotor do tal "socialismo de mercado"
que acordou a China do pesadelo comunista
metrópole do sul, Xangai, a locomotiva do país, "a cabeça do dragão" (Deng Xiao)
monóxido de carbono, o gás do progresso
MONÓXIDO DE CARBONO, O GÁS DO PROGRESSO
ex-prefeito de Pequim, Chen Xitong, preso por corrupção
 

PROSPERIDADE E INSTABILIDADE
a classe média até recentemente estava limitada à tríade Europa-América do Norte-Japão. Nos anos 1970 e 1980 países como a Coréia do Sul, Brasil, México e Argentina desenvolveram também contingentes significativos de consumidores. Hoje o fenômeno ocorre na China e na Índia.
China: maior mercado do mundo para televisores e celulares e o segundo maior para automóveis e computadores pessoais.
classe média indiana passará de 50 milhões para 583 milhões de pessoas nas próximas duas décadas. Ao mesmo tempo o país passará de 12º para 5º mercado consumidor do mundo. A China deverá tornar-se o terceiro maior mercado consumidor até 2025. McKinsey Global prevê que a classe média chinesa será de 612 milhões de pessoas em 2025, passando de 46 por cento da população para 76 por cento.
em fase de transição de um modelo centrado no investimento para outro de consumo generalizado [e olha que são grandes poupadores - Agora!]
A Índia tem se mostrado mais aberta ao consumo, mas como a China tem uma taxa de poupança muito alta que deveria ser canalizada para o gasto do consumidor, contribuindo assim para o fortalecimento geral da economia.
INDIA SONG ou THE RIVER

veja 27 de agosto, 2008
o golpe do século
CHINA
Mário Sabino
Temerosa do mesmo destino dos amigos [??!!] soviéticos
como a China jamais foi pluralista, inexistem anseios democráticos como no Ocidente. Esses são frutos da filosofia iluminista européia e dos ideais da revolução americana, concepções estranhas e alienígenas do ponto de vista chinês. O marxismo, igualmente alienígena, vicejou na China por ter-se casado à perfeição com uma cultura alicerçada [no] absolutismo.
Como há otimistas em qualquer situação há quem entreveja a possibilidade de a China vir a adotar um regime próximo à democracia real.
[1) O que é democracia real?
2) Se não há anseios democráticos na China, que sentido faz otimistas a entrever a adoção de um regime próximo a uma democracia real? - o que quer que isso seja.]
 

BRIC, a sigla que congrega os emergentes de primeira linha Brasil, Rússia, Índia e China.
Bric-à-brac
BRIC-À-BRAC

fase de crescimento, essa mesma bolha, esse mesmo sistema tóxico e demonizado da semana passada, foi o que produziu a liquidez mundial capaz de tirar da miséria centenas de milhões de pessoas na China e no Brasil

veja 1º de outubro, 2008
DEPOIS DO DESASTRE...
Crise global
um leitor:
o absurdo das Bolsas de Mercadorias & Futuros, indexando por pura especulação os alimentos.
CHINA - (A GANÂNCIA: LEITE LETAL)
Internados 13 000 bebês chineses que tomaram leite em pó contaminado por melanina, substância utilizada na fabricação de plástico que, quando ingerida, pode ser letal. A melanina foi adicionada ao produto para que ele parecesse mais rico em proteínas. Quatro crianças morreram e 104 bebês ainda estavam em estado grave (...).

O gasto em investimentos em educação é mal feito - vai muito para as universidades e muito pouco para o ensino básico
no período 1970-1990 a Coréia do Sul gastou em média 3,5 por cento do PIB em educação. A Irlanda, 5,6 por cento. China, 2,3 por cento. Inglaterra, 4,9 por cento

O muro de Berlim caiu faz tempo, mas não o da hipocrisia. Cai a Babilônia, cai a muralha da China, que mais de um século depois das Guerras do Ópio se abre à sociedade de consumo ocidental e a fome e a inguinorança no mundo aumentam em escala.

OPERATING MANUAL FOR SPACESHIP EARTH
R. BUCKMINSTER FULLER 1969
:

Como consequência de séculos de pilhagem da Indochina pelos Grandes Piratas, e subsequente acumulação das suas riquezas na Europa, os milhões de humanos da Índia e do Ceilão ficaram tão abismalmente empobrecidos, subalimentados e fisicamente diminuídos durante tantos séculos que desenvolveram a crença religiosa de que a exclusiva intenção da vida na Terra é ser uma provação infernal e que quanto piores forem as condições com que o indivíduo tiver de se defrontar tanto mais célere será a sua entrada no céu.

escritor John Gray - o insuspeito sobre o óbvio
ÉPOCA 26 DE DEZEMBRO DE 2005

Sou descrente de que será feito algo realmente eficaz para combater o aquecimento global. A demanda de combustível fóssil vem aumentando a um ritmo de 1,9% ao ano. A rápida industrialização da China só agrava esse problema.
 

VEJA 23 DE ABRIL DE 1997

Apenas 13 por cento das terras de resto ruins da China servem para plantar.
Em 1996 a China produziu 430 milhões de toneladas de grãos, cinco vezes mais que o Brasil.

O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008

ESPECIALISTAS: ALTA DE GRÃOS TEM VÁRIOS 'CULPADOS'
ENTRE ELES A DEMANDA POR COMIDA
relatório do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco
alta de 25 por cento no índice de commodities alimentícias e químicas no atacado
China: com crescimento de 10 por cento ao ano, mais de 300 milhões de chineses saíram da pobreza nos últimos dez anos

O Globo 25 de abril de 2008
NÍVEIS DE CO2 CONTINUAM A SUBIR
A QUEIMA DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS POR PAÍSES RICOS É A PRINCIPAL CAUSA
As emissões de dióxido de carbono, o principal gás associado ao aquecimento global, continuam a subir em ritmo acelerado.
Um dos principais fatores são as crescentes emissões para a geração de energia na China, Estados Unidos e Europa. A Itália, por exemplo, planeja construir uma grande termoelétrica a carvão.

O GLOBO 29 DE ABRIL DE 2008
DRAGÃO FERIDO
LUIZ PAULO HORTA
há cerca de dez anos Pequim (...) era uma cidade destruída (...) à exceção de uma ou outra relíquia do passado.
Templo do Céu exibe uma porcelana azul de beleza extraordinária. Ali, uma vez por ano, o imperador presidia aos ritos de abertura do ano agrícola. Como tudo o que governava a China tradicional, a idéia era manter e desenvolver o equilíbrio entre o Céu e a Terra.
A China atual mostra a mais total desarmonia entre o Céu e a Terra.
Em 2005 já dizia o vice-ministro do Meio Ambiente, Pan Yue: "O milagre econômico vai terminar logo, porque o meio ambiente já não dá conta" (do estrago causado pelo desenvolvimento).
A China já tem 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo. Problemas respiratórios na população, a chuva ácida caindo sobre os campos, provocando uma desertificação acelerada, a disponibilidade de água limpa encolhendo assustadoramente,
 

GAZETA MERCANTIL 12 de dezembro 1996
previsões para o ano 2000 conservadoras porque incluem precariamente o consumo na China e na Índia, que consomem menos de um barril per capita ao ano e devem apresentar crescimento na demanda superior aos 2 por cento ao ano computados na pesquisa. Média mundial é de 16 barris per capita/ano.
 

O GLOBO 30 DE JUNHO DE 2008
PETROBRAS SERÁ UMA DAS GIGANTES DO SETOR EM ALGUNS ANOS
está em 10º lugar entre as empresas com maior presença no exterior
Sete primeiras são as tradicionais - Shell, ExxonMobil, Total, BP, Chevron, Eni e StatollHydro - e depois vêm Petronas da Malásia e Petrochina/CNPC
em 95 por cento das companhias nacionais, como a Petrobras, o governo é o acionista controlador
as maiores empresas do mundo ranking do Financial Times - valor de mercado
ExxonMobil US$ 452 bilhões
Petrochina US$ 424 bilhões
General Electric US$ 370 bilhões
Gazprom US$ 300 bilhões
China Mobile US$ 298 bilhões
Banco Industrial e Comercial da China US$ 277 bilhões
12º lugar - vindo da 50ª posição (mas não de uma vez...) Petrobras: US$ 208 bilhões de valor de mercado

Esse fenômeno se repetiu na Índia e no Brasil
Mais dinheiro significa mais comida na mesa.

veja 23 de julho, 2008 ENERGIA NUCLEAR
O QUE ERA MEDO SE TORNOU ESPERANÇA
Duas décadas após o desastre de Chernobyl
uma esperança de energia limpa e barata.

as termelétricas a carvão, que produzem 40 por cento da eletricidade do mundo, continuam a ser produzidas a todo o vapor, principalmente na Rússia e na China.
termelétrica que usa matérias-primas fósseis emite 1 quilo de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, por qulowatt/hora gerado.

                         O muro de Berlim caiu faz tempo, mas não o da hipocrisia. Cai a Babilônia, cai a muralha da China, que mais de um século depois das Guerras do Ópio se abre à sociedade de consumo ocidental e a fome e a inguinorança no mundo aumentam em escala.

trecho de

Breve História das Drogas da Antiguidade a Aldous Huxley

in Rumo às ilhas da Utopia
  Da Teoria à Prática
  Ou Vice-Versa
  
 
  apêndice de       
 

Ópio e derivados eram de uso comum no século da rainha Vitória. Thomas De Quincey relata em Confissões de um Inglês Comedor de Ópio, publicado em 1821, que o número de comedores de ópio amadores (como os devo chamar) era imenso à época na sede do Império, que moveu duas guerras contra a China para impor-lhe o contrabando do produto, que passou a trocar pelo chá com que se cobriria metade das despesas da corte da rainha.

Ψ

veja, são paulo, 03 dezembro 2008

Maílson da Nóbrega, o ex-Ministro da Fazenda do Plano Verão, o terceiro plano econômico de emergência do governo do presidente José Sarney (1985-1989), que não emplacou o inverno seguinte e talvez tenha ajudado a inflar ainda mais a bolha inflacionária no Brasil, que com ele no poder debatia-se com índices de 80 por cento ao mês: Na China a "desregulação" do comunismo retirou da pobreza 400 milhões de pessoas.

valor econômico, são paulo, 19 janeiro 2009

    A volta do protecionismo: colapso da globalização fase II?

Por Marcilio R. Machado

A China, por exemplo, se transformou na quarta maior economia do mundo. A sua corrente de comércio, soma das importações e exportações, deve ultrapassar US$ 2 trilhões em 2008.

veja, são paulo, 18 março 2009

Barry Eichengreen, economista da Universidade da Califórnia em Berkeley: A crise pode acabar logo. Mal conduzida pode se transformar numa tortura chinesa.

veja, são paulo, 25 março 2009

O ar está mais limpo... mas só porque a crise econômica é devastadora para indústrias ineficientes e poluidoras dos países emergentes

Em Guangdong, de onde sai um terço das exportações chinesas, 60 000 empresas, a maioria pequenas indústrias, já fecharam as portas. O nível de poluição na região caiu 5 por cento

 

  

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          do dossiê  A Fome no Mundo e os Canibais

           continua em

 

         A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

 

     CRISE 2008

  DE CRACK EM CRACK A COMANDITA ENCHE O PAPO

         

          huxley na fome do mundo

                                   

     Oh como os brancos são bons 

Come sono buoni i bianchi

   

  A INDÚSTRIA DA SECA

 

leitura associada ao dossiê A Fome no Mundo e os Canibais sobre a opressão política e social   DAQUI

      

           

 

 

 

           

                         

 

 

      

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