um cibercordel

 

    ciberzine   & narrativas de james anhanguera 

 

 A INDÚSTRIA DA SECA

um documentário  revoluciomnibus.com  da série          

                               

                                       um cibercordel

também integrado a 

A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

banco de dados revoluciomnibus.com

                       

            

             Afirma uma firma que o Brasil confirma:

                   ”Vamos substituir o Café pelo Aço”.

        Vai ser duríssimo descondicionar o paladar.

                                                                Cacaso

 

                                                                                                                                         aso

                                                               

                 Este Admirável Mundo Louco - Ruth Rocha, 22ª impressão, ...   ilustrações Walter Ono  

       

    

       A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS                                

                      

AFriCa AMériCA     EuROPa                                                                     

nossos enviados reportam de três continentes as causas e consequências de duas emergências previstas para nostro domus Terra há milhares de luas, baseados no que vêem e no banco de dados revoluciomnibus.com

 em

     

          A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

  

          huxley na fome do mundo

                                   

       CRISE 2008

DE CRACK EM CRACK A COMANDITA ENCHE O PAPO

 

                                                   

          ALIMENTAÇÃO      ENERGIA

       

           GUERRA      E      PAZ

    Oh como os brancos são bons 

  Come sono buoni i bianchi

                       

                                                                                            

 

                 Os Sertões               Euclides da Cunha & Os Sertões

                   O triste e belo fim de Joana Imaginária & Antônio Conselheiro

 Canudos Hoje: Tendão dos Milagres X O Amuleto de Ogum   

 

                                                  

          uma série revoluciomnibus.com que inclui também

  TRISTERESINA  

      BANGUE-BANGUE

      NA  TERRA DO SOL

 

           

           duna 

   do pôr do sol

Coriscos & Dadás Lampiões &  Marias Bonitas

  Até calango pede sombra  

 

 

 

GLAUBER ROCHA OU A POÉTICA DA LUZ DO SERTÃO NO CINEMA NOVO BRASILEIRO  

 

A INDÚSTRIA 

DA SECA

 

No Pátio dos Milagres do Padim Ciço

O triste e belo fim de Joana Imaginária & Antônio Conselheiro

INDISSECA

   índice remissivo

 

                  

                     cibercordel

          DO  MAIOR VIVEIRO CULTURAL  

                             DO BRASIL E UMA DAS REGIÕES   

                             MAIS    POBRES    DO       MUNDO 

                             HISTÓRIA       GEOGRAFIA        E

                             CULTURA    MÁGICA     MÍSTICA

                             MÍTICA              &           TRÁGICA

 

        

 

 A INDÚSTRIA DA SECA

 

Um resumo da História do Nordeste do Brasil 

Nos três primeiros séculos da História do Brasil o Nordeste era o centro da produção açucareira e a região mais rica e povoada do imenso território. A partir do final do século XIX, com o declínio dos preços do açúcar e do algodão, sua economia estagnou-se e inúmeros negócios foram à falência. (...) a seca - um fenômeno natural que, embora sempre tenha afetado o sertão, foi agravado pelo tipo de ocupação ali predominante, que acentuou a devastação da natureza. A falta de políticas públicas para a região, desde os tempos do Brasil Colônia, só tem aprofundado o problema. (...) no Nordeste os salários são mais baixos que no restante do país, a renda e a riqueza estão concentradas nas mãos de poucos, a subnutrição atinge altos níveis e periodicamente milhares de pessoas deixam a região fugindo das secas. Em 1920 viviam no Nordeste 37,7% dos brasileiros; em 1991 esse número caiu para 28,9%, embora a taxa de natalidade seja maior ali do que no resto do país.

Desde o século XVII o sertão tornou-se um grande pasto natural: embora a água fosse escassa a terra era vasta e plana. Sua produção de carne e couro era consumida em toda a Colônia (...). A vastidão do território e a necessidade de pouca mão-de-obra para tocar a produção criaram uma cultura regional bastante diferente da litorânea, conhecida como "cultura sertaneja" ou "civilização do couro".

 

o sertão só passou a ser encarado como um problema no final do século XIX, quando houve um declínio na produção do Nordeste e as elites usaram a seca como desculpa para garantir a continuidade dos investimentos públicos e privados na região. 

A de 1877 a 1880 está entre as secas com mais destaque devido à sua intensidade. 

o sertão nordestino possui áreas planas ideais para a pecuária extensiva, o sal mineral aflorava naturalmente no solo, fornecendo um alimento essencial ao gado.

Inicialmente o povoamento concentrou-se nas margens dos rios São Francisco e Parnaíba e nas áreas onde havia mais água.

no tempo das sesmarias uma fazenda de criação extensiva ocupava uma faixa de terra ao longo de um rio e tinha 3 léguas [equivalente a seis mil e seiscentos metros] de comprimento e 1 de largura.

Em 1711 o cronista André João Antonil afirmava existir ali um rebanho de 1 milhão de reses.

homens que cuidavam da criação recebiam 25% do rebanho como pagamento do trabalho. Muitos vaqueiros eram índios, que conheciam o sertão como ninguém e estavam melhor adaptados às secas.

a Grande Seca (1791 a 1793) tornou a vida na região mais difícil. A vegetação não se recuperou.

Durante a estiagem de 1877 a 1880 pela primeira vez o governo procurou instituir uma política de salvação para a região. D. Pedro II, encantado com uma visita que fizera ao Egito, mandou importar camelos do Saara e criá-los para salvar o sertão. Os problemas no entanto eram muito mais graves. Um número de sertanejos quase quatro vezes maior do que a população de Fortaleza ocupou a capital cearense, buscando fugir da seca. O resultado disso foram epidemias, fome, saques e crimes.

Durante essa seca criou-se o conceito de retirante - o homem que deixa sua terra para escapar dos efeitos da estiagem.

Na estiagem seguinte, em 1915, para impedir que os retirantes se dirigissem à capital, o governo cearense criou campos de concentração nos arredores das grandes cidades, nas quais recolhia os flagelados.

A seca de 1932 foi igualmente catastrófica. Foram organizados sete campos de concentração no Ceará, onde foram reunidos mais de 105 mil retirantes. Eles eram recrutados para trabalhar de forma compulsória nas obras públicas.

Nas secas seguintes o governo abandonou a formação dos campos de concentração e começou a estimular o sertanejo a abandonar em definitivo suas terras. Passou a planejar a migração maciça de sertanejos para o Oeste a fim de povoar os sertões do Mato Grosso. Essa retirada ficou conhecida como a "Marcha para o Oeste".

Pelo Censo de 1950 verificou-se que mais de 2 milhões de nordestinos haviam migrado para outras regiões do país. Entre 1950 e 1980 as grandes metrópoles do Sudeste tornaram-se o destino da maioria desses retirantes.

Os municípios nordestinos passaram a contratar em 1979 retirantes para trabalhar em obras públicas. Mesmo assim o problema do sertanejo jamais foi solucionado. Só em 1993 a Comissão Pastoral da Terra identificou 146 ações de multidões (invasões ou saques) em 55 cidades do Ceará.

Depois de séculos observando as condições do clima os sertanejos concluíram que se a chuva cair até 19 de março (Dia de São José) haverá água suficiente para suas plantações.

Gilberto Gil - Procissão

Meu divino São José

Aqui estou em vossos pés

Dai-nos chuva com abundância

Meu Jesus de Nazaré...

 

Olha lá vai passando a procissão

Se arrastando que nem cobra pelo chão

As pessoas que nela vão passando

Acreditam nas coisas lá do céu

As mulheres cantando tiram versos

Os homens escutando tiram o chapéu

Eles vivem penando aqui na Terra

Esperando o que Jesus prometeu

 

E Jesus prometeu vida melhor

Pra quem vive nesse mundo sem amor

Só depois de entregar o corpo ao chão

Só depois de morrer neste sertão

Eu também tô do lado de Jesus

Só que acho que ele se esqueceu

De dizer que na Terra a gente tem

De arranjar um jeitinho pra viver

 

Muita gente se arvora a ser Deus

E promete tanta coisa pro sertão

Que vai dar um vestido pra Maria

E promete um roçado pro João

Entra ano, sai ano, e nada vem

Meu sertão continua ao deus-dará

Mas se existe Jesus no firmamento

Cá na Terra isto tem que se acabar.  

 

                   

Estiagem de 1877, para lá de meados da existência de um dos muitos "messias de feira" (Euclides da Cunha: Os Sertões) do nordeste brasileiro. Um componente marcante num drama que redundou na que é tida como a maior tragédia da história do país e de que é muito útil ter mais dados para a contextualização da crise do Nordeste e do Brasil em que eclode o fenômeno Canudos. 

Aquela Grande Seca, além de levar d. Pedro II a dizer que era capaz de vender as jóias da Coroa para debelar os problemas do Nordeste, fez com que em um estúdio de Fortaleza abrisse a era do fotojornalismo no Brasil.

A situação de penúria dos moradores do Ceará por causa da falta d'água nos anos de 1877 e 1878 é o primeiro registro fotojornalístico [de] que se tem notícia no país.

As fotos, feitas durante uma visita de inspeção parlamentar por iniciativa de José do Patrocínio, foram publicadas em O Bezouro, jornal quinzenal do Rio de Janeiro com a legenda

Páginas tristes. Cenas e aspectos do Ceará para sua magestade, o senhor governo e os senhores fornecedores verem. Cópias fidelíssimas de fotografias remetidas por amigo e colega José do Patrocínio.

e os versos que acompanham cada uma delas. Todos eles, em tom de lamento, fazem referência à situação sofrida das pessoas que aparecem nas fotos. Acredita-se que os versos foram escritos por José do Patrocínio, enviado especial ao Ceará pelo jornal Gazeta de Notícias para checar de perto os arrasos da seca.. A participação dele na campanha contra a seca foi registrada em livros como a História da Seca no Ceará, de Rodolpho Teophilo.

     - A oposição estava começando a gritar contra o imperador, dizendo que a concorrência para o envio de mantimentos para acabar com a fome no Nordeste não era lícita e que a comida estava sendo desviada - explicou Joaquim Marçal, chefe da seção de Iconografia da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que as descobriu na década de 1990 nos arquivos da instituição. Cópias da mesma série de fotos usadas em postais foram entretanto encontradas também nos arquivos do Museu Diocesano de Sobral, no Ceará. 

     - A briga foi tão grande que resolveram checar se realmente havia tantos problemas longe da Corte. Principalmente para ver se as verbas estavam sendo bem empregadas.

São nove pessoas que aparecem de maneiras diferentes nas 14 fotos. Muitos deles, inclusive, estão em mais de uma.

       
 
                            
                      

Existem duas estações na econômica composição sertaneja - a seca e a seca verde. A primeira castiga o nordestino (...) com falta de água e comida. É quando a caatinga retoma sua condição natural de trama seca sobre um solo rachado (...) 

É também durante a seca que acontece a maior parte das concorridas festas sabor sacro das cidades, além das intermináveis romarias.

Para quem gosta de movimento outubro é o mês recomendado. Boa parte da comunidade beata do Nordeste desloca-se para Monte Santo, em busca de graças nas 25 capelas do Santuário de Santa Cruz.

Durante a seca verde, no primeiro semestre do ano, o sertão transforma-se num paraíso. (...) A caatinga sucumbe ao emergente matiz verde das plantas, os caldeirões (depressões naturais em placas de quartzito) enchem de água e o que for semeado dá - desesperadamente.

Ao sobrevir das chuvas a terra transfigura-se... os vales secos fazem-se rios... E o sertão é um vale fértil. É um pomar vastíssimo, sem dono.

Trinta e oito graus de dia. Dezesseis à noite. Muita caatinga e exuberância da fauna local - principalmente urubus, lagartos e bodes.

Com a exceção de Alagoinhas, que possui sucursais dos principais jornais baianos, não há outra fonte de informações que possa ser invocada no sertão [além da televisão].

O cinema mais próximo fica em Salvador.

[Uauá] a única dentista para as quase 200 mil bocas de de seis cidades do sertão de Canudos.

 

Brasil, Nordeste, 1992

RIO DE JANEIRO: BRASIL - SECA MATA 30 CRIANÇAS EM DOIS  MESES NO INTERIOR DE PERNAMBUCO
RIO DE JANEIRO ¬ 10 JANEIRO ­ 36 CRIANÇAS MORRERAM DE 
FOME EM NOVEMBRO E DEZEMBRO NO MUNICÍPIO DE OURICURI ¬ A  630 QUILÔMETROS DE RECIFE ¬ CAPITAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO ¬  DEVIDO À SECA QUE SE ALASTRA POR QUASE TODO O NORDESTE DO BRASIL.
A NOTICIA FOI DIVULGADA HOJE PELO "JORNAL DO BRASIL"¬ DO  RIO DE JANEIRO¬ E SE BASEIA EM LEVANTAMENTO REALIZADO EM 11  DOS 22 CEMITÉRIOS DO MUNICIPIO PELA PREFEITURA  DA CIDADE.
TODOS OS RIACHOS DA REGIÃO ESTÃO SECOS E AS MULHERES 
ESPERAM ATÉ 12 HORAS EM FILAS PARA ENCHER LATAS COM 20 LITROS DE  ÁGUA, QUE É FORNECIDA POR CAMINHÕES-PIPA.
SEGUNDO O JORNAL¬ A PREFEITURA DE UMA CIDADE ¬ A 340  QUILÔMETROS DE FORTALEZA¬ CAPITAL DO CEARÁ¬ DECRETOU ESTADO DE  CALAMIDADE PUBLICA APÓS A INVASÃO POR FLAGELADOS DA SECA DE UM  ARMAZÉM DA COMPANHIA BRASILEIRA DE ARMAZENAMENTO (CIBRAZEM)¬ QUE  ESTAVA VAZIO.
COM MEDO DE TENTATIVAS DE SAQUES DE LOJAS POR AGRICULTORES  FAMINTOS E SEM TRABALHO¬ OS COMERCIANTES  DOARAM O  EQUIVALENTE A MIL DÓLARES EM MANTIMENTOS AO SINDICATO DOS  TRABALHADORES RURAIS DO MUNICÍPIO PARA APLACAR A FOME DAS FAMÍLIAS  QUE ACAMPARAM EM FRENTE DA PREFEITURA E PERAMBULAM PELA  CIDADE.
O PREFEITO CALCULA QUE EM 80 POR CENTO DO  MUNICÍPIO Á POPULAÇÃO DAS COMUNIDADES RURAIS NÃO TEM ÁGUA PARA  BEBER E CONTA APENAS COM TRÊS CARROS-PIPA PARA O SEU  ABASTECIMENTO.
AINDA SEGUNDO O "JORNAL DO BRASIL"¬ NA MANHà DE QUARTA-
-FEIRA FOI SAQUEADO O ARMAZÉM DA COMPANHIA ESTADUAL DE 
DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO E DA PESCA DE OUTRO MUNICÍPIO DO MESMO ESTADO.
O PREFEITO  PROPÔS QUE FOSSEM ESCOLHIDOS OS 
AGRICULTORES COM MAIS FOME E GEROU A REVOLTA DE UM GRUPO DE 60  HOMENS E MULHERES¬ QUE LEVARAM DO DEPOSITO MAIS DE TRÊS TONELADAS  DE FEIJÃO¬ BATATA E ARROZ.
TÊM SIDO MUITO FREQUENTES NOS ULTIMOS DOIS MESES¬ AS NOTICIAS DE  SAQUES A DEPOSITOS DE ABASTECIMENTOS NAS REGIÕES ONDE A SITUAÇÃO É  MAIS CRITICA.
NOTICIAS PUBLICADAS NOS JORNAIS DO SUL DO BRASIL DÃO 
TAMBÉM CONTA DE QUE¬ COM REPRESAS¬ RIOS E RIACHOS SECOS E  RESERVAS DE ALIMENTOS ESGOTADAS¬ EM ALGUMAS LOCALIDADES RURAIS AS  FAMILIAS DE LAVRADORES ESTÃO COMENDO PLANTAS QUE NORMALMENTE  SERVEM COMO ULTIMA ALTERNATIVA DE RAÇÃO PARA O GADO QUANDO A SECA  DEVASTA O PASTO®
ATÉ OS RATOS ­ USADOS PARA A ALIMENTAÇÃO DOS AGRICULTORES  EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA ­ JÁ DESAPARECERAM NO SERTÃO DO  CEARÁ.
METADE DOS 1550 MUNICIPIOS ABRANGENDO UMA ÁREA DE CERCA DE  UM MILHÃO DE QUILÔMETROS QUADRADOS E COM UMA POPULAÇÃO RURAL  CALCULADA EM TORNO DE 9 MILHÕES DE PESSOAS ENFRENTA GRAVES  PROBLEMAS PROVOCADOS PELA SECA.
JÁ FOI DECRETADO O ESTADO DE EMERGÊNCIA EM 339 
MUNICIPIOS E OUTROS 442 FORAM CONSIDERADOS EM ESTADO CRITICO®
A SITUAÇÃO É MAIS GRAVE EM SEIS DOS NOVE ESTADOS QUE 
INTEGRAM Á REGIÃO E SOBRETUDO NO INTERIOR DO PIAUͬ  PARAIBA¬  ALAGOAS E BAHIA¬ ONDE FOI DECRETADO O ESTADO DE EMERGÊNCIA EM ŠCERCA DE 30 POR CENTO DOS MUNICIPIOS RURAIS.
AS CHUVAS FORAM ESCASSAS E IRREGULARES NO NORDESTE NOS 
ULTIMOS DOIS ANOS¬ O QUE DEBILITOU A ECONOMIA DA REGIÃO E CRIOU  CONDIÇÕES PARÁ UMÁ GRANDE ESCASSEZ DE PROVISÕES.
PARA AS AUTORIDADES¬ A SITUAÇÃO ATUAL NÃO PODE SER AINDA  DEFINIDA COMO DE SECA E SIM COMO DE ESTIAGEM PROLONGADA¬ MAS A  TERMINOLOGIA TÉCNICA QUE PODERÁ CARACTERIZÁ-LA NÃO FAZ QUALQUER  DIFERENÇA PARA OS FLAGELADOS.
¬ COMO A TEMPORADA DAS CHUVAS COMEÇA 
NORMALMENTE EM DEZEMBRO¬ MÊS EM QUE É FEITO O PLANTIO DE  SEMENTES¬ A PRODUÇÃO AGRÍCOLA DA ESTAÇÃO JÁ ESTÁ PERDIDA NA MAIOR  PARTE DO SERTÂO¢ SEMI-ÁRIDO DO NORDESTE BRASILEIRO.
ATE AGORA¬ O UNICO AUXILIO DE EMERGENCIA PRESTADO ÀS 
POPULAÇÕES FLAGELADAS TEM SIDO A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA EM  CARROS-PIPAS.
O MINISTRO DÁ AGRICULTURA¬ ANTONIO CABRERA¬ ANUNCIOU PARA  A PROXIMA SEMANA O INICIO DA DISTRIBUIÇÃO DE 650 MIL CESTAS COM  19 QUILOS DE ALIMENTOS NO ÂMBITO DE UM PROGRAMA DE EMERGÊNCIA  INTITULADO PELO GOVERNO FEDERAL  "GENTE DA GENTE¢,QUE FOI ACIONADO PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO.
¬ O SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE 
OURICURI¬ NO SERTÃO PERNAMBUCANO¬ DENUNCIOU  IRREGULARIDADES ­  COMO O FAVORECIMENTO POR "PADRINHOS¢ POLITICOS ­ NO ALISTAMENTO  DAS FAMILIAS CARENTES DE TRES LOCALIDADES RURAIS DO MUNICIPIO.
SEGUNDO UM FUNCIONARIO DO INSTITUTO BRASILEIRO DE 
GEOGRAFIÁ E ESTATISTICA (IBGE)¬ OS RECENSEADORES DAQUELE  ORGANISMO QUE TRABALHARAM NA RECOLHA DE DADOS PARA A REALIZAÇÃO  DE UM CENSO DÁ POPULAÇÃO ENTRE OUTUBRO E DEZEMBRO ENCONTRARAM  ABANDONADAS ATÉ 20 POR CENTO DAS CASAS DA MAIOR PARTE DOS  MUNICIPIOS DAS REGIÕES CENTRO E SUL DO CEARÁ.
¬ DEPREENDE-SE QUE A SECA CONTINUA A  LEVAR MILHARES DE TRABALHADORES RURAIS DO NORDESTE A MIGRAREM  PARA OS CENTROS URBANOS DO LITORAL DA REGIÃO E PARA O SUL DO  PAÍS¬ APESAR DE A RECESSÃO ECONÔMICÁ QUE O BRASIL ATRAVESSA TER  LEVADO AO DESPEDIMENTO DE 160 MIÌ TRABALHADORES SÓ NA CIDADE DE 
SÃO PAULO EM 1991.

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Brasil, Nordeste, 1993
(RIO DE JANEIRO)© BRASIL:º SECA E CÓLERA NO NORDESTE

RIO DE JANEIRO¬ ­ MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO  RURAL DO NORDESTE BRASILEIRO¬ EQUIVALENTE Á QUASE NOVE MILHÕES DE  PESSOAS¬ ESTÁ Á SER VÍTIMA DA MAIOR SECA DOS ULTIMOS VINTE ANOS¬  SEGUNDO FONTES OFICIAIS.
AS CONSEQUENCIAS DA CARÊNCIA DE ÁGUA SÃO AGRAVADAS PELO  PRIMEIRO SURTO DE CÓLERA NO BRASIL EM MAIS DE UM SÉCULO¬ QUE NOS  ULTIMOS DOIS ANOS JÁ MATOU MAIS DE 40O PESSOAS EM METADE DOS ESTADOS BRASILEIROS¬ A MAIOR PARTE NO NORDESTE.
DOIS TERÇOS DO TERRITORIO DOS SEUS NOVE ESTADOS ESTÃO 
PRATICAMENTE TRANSFORMADOS EM DESERTOS E COM RESERVAS EQUIVALENTES Á 30 POR CENTO DAS  NECESSIDADES DOS SEUS HABITANTES¬ EM CONSEQUENCIÁ DE UMA ESTIAGEM  QUE JÁ DURA QUATRO ANOS¬ SEGUNDO DADOS DO INSTITUTO DE  PESQUISAS ESPACIAIS (INPE)© DIVULGADOS HOJE PELA IMPRENSA BRASILEIRA.
¬ A COORDENADORIA DE DEFESA CIVIL DO  CEARÁ § REGISTROU SAQUES A LOJAS DE PRODUTOS ALIMENTARES¬ FEIRAS LIVRES  E SUPERMERCADOS DE SETE CIDADES E CONCENTRAÇÕES DE AGRICULTORES  FAMINTOS EM OUTROS 40 MUNICIPIOS DO ESTADO.
A REVOLTA JÁ SE TORNOU ROTINA TAMBEM EM OUTROS ESTADOS DA REGIÃO¬  PREVENDO-SE UM AGRAVAMENTO DA CRISE SOCIAL NO NORDESTE CASO VENHAM A  SE CONFIRMAR AS PREVISÕES DO CENTRO DE ESTUDOS CLIMÁTICOS DO INPE DE  UMA QUEDA AINDA MAIOR (CERCA DE 20 POR CENTO)© DO ÍNDICE PLUVIOMÉTRICO 
NA REGIÃO NO PRÓXIMO INVERNO ®®®®®®®®®®®®®®®®®®®®®®®®®®® A AGUDIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DE MISÉRIA EM QUE VIVE Á MAIOR PARTE  DA SUA POPULAÇÃO LEVOU 26 PREFEITOS © DE CIDADES  DO INTERIOR DE QUATRO ESTADOS NORDESTINOS A APOIAR UM MOVIMENTO  DEFLAGRADO POR SINDICATOS DE AGRICULTORES E QUE LEVOU MAIS DE MEIA  CENTENA DE TRABALHADORES RURAIS A OCUPAREM NA TERÇA-FEIRA AS INSTALAÇÕES DA  SUPERINTÊNDENCIA DO DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE (SUDENE)¬ EM RECIFE  (PERNAMBUCO)¬.
ATUANDO EM REPRESENTAÇÃO DE 72 MUNICIPIOS COM CERCA DE 35O MIL  FAMILIAS FLAGELADAS¬ OS AGRICULTORES MANTIVERAM COMO REFENS VÁRIOS DIRETORES DAQUELE ORGANISMO E CINCO DEPUTADOS ESTADUAIS¬ TENDO  ABANDONADO O EDIFÍCIO DEZ HORAS DEPOIS¬ QUANDO OBTIVERAM A GARANTIA DE  QUE UM GRUPO DE REPRESENTANTES SERIA RECEBIDO HOJE PELO PRESIDENTE DA  REPÚBLICA¬ ITAMAR FRANCO¬ EM BRASÍLIA.
OS MANIFESTANTES ACAMPARAM EM FRENTE DO PRÉDIO DA SUDENE¬ ONDE  PRETENDEM MANTER-SE ATÉ A CONCESSÃO PELO GOVERNO DE RECURSOS PARA A  IMPLEMENTAÇÃO IMEDIATA DE PROGRAMAS DE EMERGÊNCIA PARA AS VÍTIMAS DA  SECA.
DIZENDO NÃO TER RECURSOS PARA EVITAR SAQUES E CONCENTRAÇÕES DE  AGRICULTORES ESFOMEADOS NAS ZONAS URBANAS ATRAVÉS DO FORNECIMENTO DE  COMIDA¬ ALGUNS PREFEITOS DAS CIDADES FLAGELADAS ESTÃO SUBSIDIANDO  A
COMPRA DE PASSAGENS DE ÔNIBUS PARA AS CAPITAIS DO SUL DO PAÍS.
APESAR DE A CRISE ECONÔMICA BRASILEIRA PODER LEVAR A SE PENSAR  NUMA SENSÍVEL REDUÇÃO DO FLUXO MIGRATÓRIO DO INTERIOR DO NORDESTE  PARA AS GRANDES CAPITAIS DO LITORAL E DO SUL¬ MUITOS AGREGADOS  URBANOS DO INTERIOR DO NORDESTE TEM¬ HOJE¬ MENOS DE METADE DA  POPULAÇÃO DE HÁ VINTE ANOS.
AS AÇÕES CONCRETAS DE COMBATE Á SECA E EROSÃO DOS  SOLOS ­ SEGUNDO OS HISTORIADORES¬ PROVOCADA POR QUASE CINCO SÉCULOS  DE QUEIMADAS E CORTE INTENSIVO DA FLORESTA E EXPLORAÇÃO DA  MONOCULTURÁ DA CANA-DE-AÇÚCAR ­ CAEM NO SACO ROTO DAS PROMESSAS Š ELEITOREIRAS.
O GOVERNO DO CEARÁ § INICIOU¬ NA SEGUNDA-FEIRA¬ A DISTRIBUIÇÃO  DE 23O MIL CESTAS DE ALIMENTOS BÁSICOS¬ QUE SERVIRÃO APENAS PARA  APLACAR A FOME DOS DESVALIDOS POR ALGUMAÓ SEMANAS.
A SITUAÇÃO É CRITICA NA PRÓPRIA CAPITAL DO ESTADO¬ FORTALEZA¬  ONDE SEGUNDO O SEU GOVERNADOR¬ CIRO GOMES¬ O VOLUME DAS REPRESAS  RESPONSAVEIS PELO SEU ABASTECIMENTO HÍDRICO É O MENOR DA HISTÓRIA.
O JÁ PENOSO QUADRO DAS CONDIÇÕES DE VIDA DA POPULAÇÃO 
NORDESTINA TENDE A AGRAVAR-SE SUBSTANCIALMENTE¬ NA MEDIDA EM QUE A  ESCASSEZ DE ÁGUA¬ ACRESCIDA DA FALTA DE SANEAMENTO BÁSICO¬ PODERÁ  PROVOCAR UMA EXPLOSÃO DE CÓLERA NA SUA REGIÃO¬ RESPONSÁVEL PELA MAIOR  PARTE DOS CERCA DE 40 MIL CASOS DA DOENÇA REGISTRADOS DESDE O SEU  REAPARECIMENTO NO BRASIL¬ HÁ DOIS ANOS.
EM FORTALEZA¬ ONDE 8O POR CENTO DA POPULAÇÃO VIVE SEM 
SANEAMENTO BÁSICO¬ FORAM NOTIFICADOS 1726 CASOS DE CÓLERA NOS ULTIMOS  45 DIAS¬ SEGUNDO DADOS OFICIOSOS DIVULGADOS HOJE PELO JORNAL "O ESTADO DE  SÃO PAULO"¬ QUE APONTAM PARA UMA INCIDÊNCIA SUPERIOR A 250 CASOS POR  CADA GRUPO DE 100 MIL HABITANTES¬ O ÍNDICE PREVISTO PELA ORGANIZAÇÃO  MUNDIAL DE SAÚDE (OMS)© PARA A DEFINIÇÃO DE UM QUADRO EPIDÊMICO.
    - SÃO AS SETE PRAGAS DO APOCALIPSE¬ - PROCLAMA, BASTANTE ESBARALHADO, O PREFEITO DE UMA  CIDADE SITUADA Á MAIS DE 500 QUILOMETROS DE RECIFE (PERNAMBUCO)¬  ACOSSADA PELA SECA E POR UMA MÉDIA DE 30 NOVOS CASOS DE CÓLERA POR  DIA.
Á FALTA DE SANEAMENTO BÁSICO É UM DOS PRINCIPAIS FATORES DO  ALASTRAMENTO DO VIBRIÃO DA CÓLERA¬ QUE É TRANSMITIDO ATRAVÉS DE  CONTATO COM ÁGUA E FEZES CONTAMINADAS.

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Teve Sorte o Presidente do Brasil, Lula, Que Assumiu em 2002 para pegar vento de popa da conjuntura econômica internacional bafejada pelos "créditos podres", e se o seu país não cresceu em "ritmo chinês", isso pouco importa para a mídia: teve um quinquênio de ouro, o de maior crescimento econômico desde o "milagre" há 30 anos, antes de pela primeira vez na história do século XX deixar de crescer. Por mais de vinte anos anos...

Teve sorte talvez também por a Rede Globo de Televisão ter feito tudo para que não fosse eleito em 1989, empurrando o seu adversário, o caçador de marajás das Alagoa Fernando Collor de Mello, para assumir o timão e promover a segunda ABERTURA DOS PORTOS e, antes do impeachment, olhar de soslaio a que seria uma das mais graves estiagens da sua região - uma seca que durou de 1990 a 1997 em algumas paragens da Nordeste, pra que quase não ligou. O seu sucessor, sim. Bem ao seu estilo Itamar Franco esbravejou, esperneou, já em final de mandato prometeu mundos e fundos mas a economia brasileira estava de rastros e o mais que conseguiu foi implementar os tais auxílios de emergência para mais uma vez enganar o pato enquanto a embarcação não estabilizasse com o Plano Real que mandou implementar e promulgou.

Teve sorte também o ex-retirante da Zona da Mata pernambucana de - segundo uma corrente científica - os ciclos de estiagem no Nordeste serem de 13 anos e por essa ótica só lá para 2010, quando já terá deixado o poder, poder ocorrer uma nova seca das braba. Sempre foi menos um empecilho para o seu "espetáculo do desenvolvimento", o país e o mundo não serem incomodados com as clássicas imagens de meninos zambudos e saques de armazéns por flagelados da seca em instantâneos de matizes africanos. Que ia atrapalhar, ia. Com uma estiagenzinha é que se veria o quanto o Brasil quase-quase do novo milagre de Lula, um ex-retirante, deixou a África pelas bandas lá da sua região e se aproximou de São Paulo e Belo Horizonte, as duas loucomotivas nacionais, ou se ao contrário, no que tange ao matuto, pouco ou nada melhorou. Teríamos novos programas de auxílio de emergência, se tocaria pra frente com som e fúria a transposição do Rio São Francisco - ou o quê?

 

banco de dados  revoluciomnibus.com 

     INDÚSTRIA DA SECA 

flagra a conjuntura ao redor do fenômeno a um só tempo climático, político e social em plena GRANDE ESTIAGEM dos anos 1990 . fenômeno  que talvez desse muito o que falar E debater porque o Brasil cresce e o Nordeste vem atrás em bom ritmo. Mas terá o Nordeste mudado o suficiente para debelar essa praga por assim dizer africana?

 

  A SECA NA VISÃO HISTÓRICA DE EUCLIDES DA CUNHA EM Os Sertões (1902)

[24]                   DO ALTO DA FAVELA

E quase compreendia que os matutos crendeiros, de imaginativa ingênua, acreditassem que "ali era o céu..."

caatingas estonadas [de] matutos crendeiros

[25]                                      IV

                                                                     O CLIMA

 "desertus austral, como a batizou Martius"

Martius por lá passou com a mira essencial de observar o aerólito que tombara à margem do Bendengó e era já, desde 1810, conhecido nas academias europeias graças a F. Mornay (...)           

[27] galhada sem flores da flora sucumbida

[28] martirizados sertanejos   (a cima: natureza torturada)

[30]                           AS SECAS

O sertão de Canudos é (...) de algum modo uma zona central comum (...) dos sertões do norte (...) para ele [convergindo] as lindes interiores de seis Estados - Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauhi - que o tocam ou demoram distantes poucas léguas. (...) os seus ciclos (...) abrem-se e encerram-se com um ritmo tão notável que recordam o desdobramento de uma lei natural ainda ignorada. (...) flagelo, intercortado de intervalos pouco díspares de 9 e 12 anos

[31]  HIPÓTESES SOBRE A GÊNESE DAS SECAS

[32] Um dos motivos das secas repousa, assim, na disposição topográfica. (...) monção de nordeste, atraída por forte aspiração de vasta superfície alargada até o Mato Grosso - o nordeste vivo passa por chapadões desnudos que o canalizam para lá, faltando o dynamic colding de cordilheiras 

  o dynamic colding de cordilheiras 

dispostas em sua perpendicular

  

 

[47]                                        COMO SE FAZ UM DESERTO

Esquecemo-nos todavia de um agente geológico notável - o homem. (...) entre nós, nomeadamente, assumiu, em todo o decorrer da história, o papel de um terrível fazedor de desertos.  (...) queimas dos aborígenes (...) o colonizador copiou o mesmo proceder (...) - o fogo - primeiro o índio depois o "branco"- o colonizador. Engravesceu-o ainda com o adotar, exclusivo, no centro do país, fora da estreita faixa dos canaviais da costa, o regímen francamente pastoril.

caapuera - mato extinto: (...) até que, de todo exaurida aquela mancha de terra, fosse, imprestável, abandonada em caapuera. 

[48] o sertanista, ganancioso e bravo, em busca do selvícola e do ouro  (...) povoações ribeirinhas do S. Francisco (...) estas selvatiquezas atravessaram toda a nossa história (...) o reflexo rubro das queimadas. (...) o próprio governo colonial. Desde 1713 sucessivos decretos (...) E ao terminar a seca lendária de 1791-1792, a grande seca (...) severa proibição do corte das florestas (...) cartas régias (...) e a de 11 de junho de 1799 decretando que "se coíba a indiscerta e desordenada ambitação dos habitantes (da Bahia e de Pernambuco) que têm assolado a ferro e fogo preciosas matas... que tanto abundavam e já hoje ficam a distâncias consideráveis, etc." 

Monte-Santo, então o Pico-arassá dos tapuias

49]                        COMO SE EXTINGUE O DESERTO

Na Tunísia os romanos fizeram o deserto recuar com uma rede de barragens. Represar ou irrigar? O que fazer? O exemplo brasileiro de erro dado por Euclides há cento e tal anos é o açude de Quixadá. Alguns outros, não menos crassos, como o de Orós, sugerem pensar-se em Os Sertões / Canudos há cento e tal anos e Os Sertões / Canudos hoje. Na Tunísia dos romanos

este sistema de represas, além de outras vantagens, criara um esforço de irrigação geral. Ademais, todas aquelas superfícies líquidas, esparsas em grande número e não resumidas a um Quixadá único - monumental e inútil - expostas à evaporação, acabaram reagiando sobre o clima, melhorando-o. Por fim a Tunísia (...) se fez, transfigurada, a terra clássica da agricultura antiga. Foi o celeiro da Itália; a fornecedora, quase exclusiva, de trigo, aos romanos.

Os franceses, hoje, copiam-lhes em grande parte os processos, sem necessitarem levantar muramentos monumentais e dispendiosos. Represam por estacadas, entre muros de pedras secas e terras, à maneira de palancas, os oueds mais bem dispostos, e talham pelo alto suas bordas, em toda a largura das serrania que os ladeiam, condutos derivando para os terresenos circunjacentes, em redes irrigadoras.

(...) os sertões do norte (...) se apropriam a uma tentativa idêntica, de resultados igualmente seguros.

A idéia não é nova. Sugeriu-a (...) em 1877 (...) Beaurepaire Rohan (...) nas discussões então travadas

por conta da grande seca daquele ano. E relembra o cronista d`Os Sertões brasileiros que na época

Idearam-se (...) luxuosas cisteras de alvenarias; miríades de poços artesianos, perfurando as chapadas; depósitos colossais, ou armazéns desmedidos para as reservas acumuladas; açudes vastos, feito cáspios artificiais; e, por fim, como para caracterizar bem o desbarate completo da engenharia, ante a enormidade do problema, estupendos alambiques para a distilação das águas do Atlântico!...

Como Euclides cita a Tunísia dos romanos aos franceses, nas últimas décadas citou-se à exaustão o exemplo moderno de Israel e pode-se citar o do terrier em que se transformaram Juazeiro e Petrolina com a irrigação das terras banhadas pelo rio São Francisco na região. Problemas e questões relacionados à seca no NE do Brasil e propostas para a sua solução estão expostos nesta webpage. 

[51]                    O MARTÍRIO SECULAR DA TERRA 

Realmente, entre os agentes determinantes da seca se intercalam, de modo apreciável, a estrutura e a conformação do solo. Qualquer que seja a intensidade das causas complexas e mais remotas que anteriormente esboçamos, a influência daquelas é manifesta desde que se considere que a capacidade absorvente e emissiva dos terrenos expostos, a inclinação dos extratos, que os retalham, e a rudeza dos estios e a degradação intensiva das torrentes. De sorte que, saindo das insolações demoradas para as inundações subitâneas, a terra, mal protegida por uma vegetação decídua, que as primeiras requeimam e as segundas erradicam, se deixa, a pouco e pouco, invadir pelo regímen francamente desértico.

(...) O regímen decorre num intermitir deplorável, que lembra um círculo vicioso de catástrofes.

(...)

[52] O processo que indicamos, em breve recordação histórica, pela sua própria simplicidade dispensa inúteis pormenores técnicos.

(...)


Seca consome 1 bilhão de dólares/ano (notícia de 1991)

NA CPI DA SECA (Comissão Parlamentar de Inquérito Sobre a Seca) em 1988 foram apresentadas dezenas de estudos científicos demonstrando que o Nordeste tem muita água mas é vítima do racionamento político do orçamento destinado à região.


1993: após a ocupação da sede da Sudene
A TOMADA DA SUDENE
em Recife por flagelados, que gera um grande movimento pró-Nordeste, Itamar Franco libera 180 milhões de dólares em programa de emergência para combate aos efeitos da seca no Nordeste e em Minas Gerais (leia-se Vale do Jequitinhonha)para serem investidos:
80 por cento em mão-de-obra; 20 por cento em saneamento básico: construção de cisternas, tanques, poços, pequenas barragens, adutoras e açudes, perfuração de 100 poços em cada estado e outras ações; apetrechamento urbano e rodovias 800 municípios atingidos, "com fome, desnutridos e fracos", segundo um governador.

50 por cento dos miseráveis brasileiros são nordestinos

VALE DO JEQUITINHONHA VALE DA MISÉRIA miséria absoluta
1995
Anualmente distribuição de cestas básicas do WFP ou PAM Programa Mundial do Alimento da FAO. 
Terra das VIÚVAS DA SECA porque maridos trabalham sete meses em São Paulo no corte de cana.
CARDÁPIO BRASILEIRO pinga para enganar a fome das criança.
Em 1995 meio milhão de pessoas vivem em situação de miséria no VALE DO JEQUITINHONHA, um dos maiores bolsões de pobreza do país - mais de um milhão de pessoas são castigadas pela seca.
7151 índios em situação de miséria também são assistidos pelo Prodea
A MISÉRIA numa região dilacerada pelo desmatamento para o abastecimento dos fornos da indústria siderúrgica que fez de Minas Gerais uma das potências mundiais no setor MORA LADO A LADO

CÓLERA "DOENÇA DA MISÉRIA"

VALE DO SÃO FRANCISCO
115 milhões de hectares de solo pedregoso, apenas 100 mil irrigados e produzindo.
O resto é dominado pela caatinga com seus mandacarus, xique-xiques, aroeiras, paraúnas e camaçaris


BANCO MUNDIAL 1990: AUMENTAM POBRES, CAI MORTALIDADE
O relatório classifica a distribuição de renda no Brasil "entre as menos equitativas do mundo", atrás da observada em Honduras e Serra Leoa.
Registra que entre 1981 e 1987 o número de pobres cresceu de 23 para 33 milhões.
Ele é claro ao exibir a falência de todas as políticas de investimento social no Nordeste, o lugar mais maltratado, onde os investimentos do Estado serviram apenas para alimentar nossa elite mais atrasada, que se aproveita politicamente da miséria da população.
Remete para uma relação íntima entre pobreza e atraso das elites regionais.
Os técnicos do Banco Mundial subestimaram a participação da economia informal na formação da renda nacional porque nas suas contas só levam em conta a renda declarada.
Pobres para o BIRD são pessoas com renda inferior a 370 de dólares por ano.
Considera exagero flagrante dimensão dada por técnicos brasileiros à economia informal: 20 por cento.

carcará pega, mata e come

Jornal do Brasil 10 novembro 1988
Maiores produtores de cana pela ordem: São Paulo: 1,6 milhão de toneladas, Pernambuco: 1,5 milhão e Alagoas: 1,3 milhão de toneladas.
Em Alagoas as 35 usinas pertencem a 27 famílias responsáveis por 60 por cento do ICM (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias) do estado e que empregam 120 mil pessoas.
Usineiro: "Na situação atual a cana é a salvação para multidões de sertanejos desempregados no período da seca, exatamente quando se corta a cana."
Governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo: "A indústria do açúcar é a indústria da miséria: só sobrevive porque o país é subdesenvolvido."
"Só há uma diferença entre as usinas de hoje e as do século passado", costuma dizer o governador Collor de Melo. "É que elas passaram da escravidão para a servidão."
Hoje o cortador de cana continua trabalhando sob o olhar vigilante de fiscais que substituíram os feitores de escravos e o chicote pelo livro de apontamento.
"Assisti recentemente uma mulher se atirar aos pés de um usineiro pedindo que reconsiderasse sua decisão de cortar-lhe três dias de trabalho" - conta um diretor de usina por acaso.
O Brasil é o único que mantém a mesma estrutura econômica há 500 anos, com usinas plantadas em latifúndios, usineiros com poder político, filhos de famílias tradicionais no setor e principalmente com legiões de cortadores de cana subassalariados.
O Brasil tem 460 usinas com um patrimônio de 25 bilhões de dólares

O Globo, Rio de Janeiro,1989
- Até hoje não se irrigou a região de Irecê, na Bahia: quando chove lá o preço do feijão baixa no Brasil inteiro. Irecê: capital do feijão, só o podem plantar uma vez por ano na época das chuvas (entre novembro e dezembro) se região não estiver seca – cresce em 75 a 90 dias, mas depende das chuvas durante a semeadura e quando a vagem está em flor: plantio não irrigado, uma loteria.


Jornal do Brasil 11 de setembro de 1988
Fortaleza - 82 por cento das habitações não são servidas de rede de esgoto.
Números assustadores de mortalidade infantil, de que é a falta de saneamento básico seria a maior responsável: 180 a 250 óbitos em 1 000 crianças nascidas.
Os esgotos vão dar no rio Coco (...), que corta toda a cidade, e em boa parte dos 25 km de praias de Fortaleza, várias delas ostentando placas de proibição de banho de mar.
Num lugar com poucas atrações culturais, praia é a maior atividade de lazer.
Cerca de 700 mil pessoas vivem em 400 favelas
só 30 por cento das vias da cidade são asfaltadas
Tivemos cinco anos consecutivos de seca, em que a população cresceu em 300 mil habitantes, que é a população de Natal (capital do Rio Grande do Norte) (...) assustada também com o êxodo rural.
O maior índice de analfabetismo do Brasil é o do Ceará: 100 mil crianças em idade escolar fora das escolas. Colégios particulares concentram 52,4 por cento dos alunos do 1º grau. Metade das crianças estuda em escolas comunitárias que não integram a rede oficial.

HISTÓRIA da SUDENE
Criada em 1959 com o objetivo de congregar todas as ações do governo na região para reduzir as desigualdades regionais.
Primeiro superintendente Celso Furtado
Fez concurso público e formou o seu pessoal, uma espécie de elite intelectual na região. Quando se deu o golpe militar em 1964 a Sudene era considerada pela direita uma célula comunista.
Celso Furtado foi cassado e vários inquéritos policiais instalados.
Generais se sucederam na Superintendência.
No final do regime a Sudene foi dirigida por civis mas de estreita ligação e confiança dos quartéis.

SISAL
O Globo 9 de maio de 1993
O NORDESTE MUDOU MAIS DO QUE LULA
Sua família emigrou de Caetés (Pernambuco)
A própria Canudos é produtora de melancia, melão, banana, cebola, tomate, feijão e milho, e a bacia leiteira é fornecedora da indústria de queijo que funciona no município vizinho de Jeremoabo.
Em Valente, centro da região produtora de sisal na Bahia (...) derivados da riqueza que se acumulou nas décadas de 1960 e 1970, quando o sisal era chamado de "OURO VERDE". O sisal é hoje uma cultura decadente na Bahia, que não consegue competir com o nylon sintético e a fibra africana, de melhor qualidade. (...) Máquina pré-histórica que, operando a 1800 rotações por minuto, é capaz de SUGAR a mão e o braço de quem a manipula (...). Denúncia das péssimas condições de trabalho, embora o risco de mutilação esteja a ponto de desaparecer mais por força do desemprego generalizado (ameaça que atinge 500 mil pessoas) do que pelo avanço da técnica.
Feira de Santana. Segunda maior cidade da Bahia, com 400 mil habitantes, entroncamento rodoviário, por isso mesmo ponto de desembarque de retirantes.

SISAL Jornal do Brasil 10 de junho de 1993
TERRA DOS SEM-BRAÇOS
EM VALENTE 90 por cento DOS SISALEIROS NÃO TÊM CARTEIRA ASSINADA. Mutilados pelas antigas máquinas de desfiar folhas de sisal, na cidade de Valente, construídas há mais de 40 anos.
1,5 milhão de sisaleiros que trabalham em 72 municípios baianos.
Recebem menos de meio salário mínimo e são analfabetos.
A situação piorou nos últimos anos, quando a cultura entrou em decadência devido à forte concorrência dos produtos industrializados. (...) sisal usado no Brasil para a confecção de cordas e tapetes.


Jornal do Brasil 22 de fevereiro de 1991
GOVERNADORES DENUNCIAM DESCASO COM O NORDESTE
Foi no Nordeste, diante dos governadores da época, que o então presidente Garrastazu Médici encheu os olhos de lágrimas ao dizer a célebre frase: "O Brasil vai bem mas o povo vai mal."
Pequenos produtores, responsáveis por 70 por cento da produção de alimentos e da consolidação dos parques industriais.
 

MIGRAÇÃO
Folha de São Paulo 25 de janeiro de 1996
São Paulo é a 'locomotiva econômica do Brasil'.
São Paulo é responsável por 36,1 por cento do PIB (Produto Interno Bruto). Mas o Estado entra com 50,6 por cento dos impostos arrecadados pelo governo federal, dados da Fundação Seade e do IBGE.
Os nordestinos compõem 19,6 por cento da população paulistana e carregam todos os indicadores da desigualdade social.
Eles ganham pouco mais que a metade do salário médio pago a um não nordestino: R$ 286 contra R$ 529, em números de julho de 1994.
Entre os não nordestinos 34,9 por cento ocupam a faixa de maior escolaridade, mas entre os nordestinos só 7,5 por cento conseguem chegar lá. Só 3,25 por cento dos não-nordestinos são analfabetos, contra 13,5 por cento dos nordestinos.

Jornal do Brasil 9 de dezembro de 1990
PACTO COM EMPREITEIRAS REATIVA GRANDES PROJETOS NO NORDESTE
XINGÓ, no Rio São Francisco, a maior obra pública em construção no país, com um custo total de 3,2 bilhões de dóalres, a retomada dos trabalhos de reassentamento de 6 mil famílias de agricultores às margens da hidrelétrica de Itaparica, também no São Francisco,
entre os municípios de Piranhas, em Alagoas, e Canindé, em Sergipe, onde a hidrelétrica do Xingó está sendo construída.
Transnordestina, cuja construção se arrasta desde o governo Sarney. A ferrovia, que ligará os municípios de Petrolina e Salgueiro, em Pernambuco, e Missão Velha, no Ceará, custará 529 milhões de dólares.
 

TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
GAZETA MERCANTIL 2 de agosto de 1994
IBAMA FORMULA ROTEIRO DE EXIGÊNCIAS PARA APROVAR O DESVIO DO SÃO FRANCISCO
Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, cuida de Recursos Naturais Não Renováveis
A transposição vai privilegiar o uso das águas para irrigação, em detrimento de outros usos, retirar uma quantidade muito grande de água do rio e poderá comprometer projetos de geração de energia.

O Estado de São Paulo 24 DE JULHO DE 1994
OBRA BILIONÁRIA DE ITAMAR MOBILIZA POLÍTICOS
bilionária e ambiciosa obra de irrigação do Nordeste
550 milhões de dólares previstos para a primeira etapa da transposição do Rio São Francisco para o semi-árido do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, sem incluir a distribuição de água para irrigação a custo estimado em 1,9 bilhão de dólares. Ninguém conhece os estudos técnicos e os efeitos do projeto sobre o meio ambiente.
Não vai acabar com a seca no semi-árido: "Temos 330 mil hectares irrigados na bacia do São Francisco e assim mesmo sofremos com a seca."
(...) O projeto prevê a construção de canais, túneis, barragens e estações elevatórias.
Os efeitos da evaporação e da infiltração provocariam uma perda de 70 por cento das águas desviadas para os leitos secos.
Cada hectare irrigado do projeto corresponderia a dois hectares e meio na bacia do Sâo Francisco. Ele explicou que na bacia do São Francisco parte da água irriga as plantações e a parte infiltrada volta para o rio pelas correntes subterrâneas. "A mil quilômetros do rio, a água infiltrada se perde", explica. Pelo projeto as águas transpostas percorreriam 2400 quilômetros através dos leitos secos e reservatórios da região.
Com a retirada de cada metro cúbico de água do rio abaixo de Sobradinho - na divisa da Bahia com Pernambuco - as Hidrelétricas do Xingó, Itaparica, Moxotó e Paulo Afonso deixariam de gerar 2,6 megawatts/hora.
PROJETO DIVIDE ALIADOS E APROXIMA INIMIGOS
Na Bahia todos se uniram contra o projeto. A favor estão todos no Ceará, entre eles Ciro Gomes e Tasso Jereissati.
MESSIANISMO
O messianismo da obra assustou até mesmo a cúpula da campanha do candidato preferido à presidência da República do Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso.
 

PESADELO AMBIENTAL / CAUSAS DA SECA
O Globo 7 de abril de 1997
Satélite revela pesadelo ambiental do Nordeste, a dimensão do estrago provocado pelo uso intensivo e inadequado do solo.
O projeto Zoneamento Agroecológico do Nordeste (Zane) reuniu informações de 1,6 milhões de quilômetros quadrados do chamado trópico semiárido.
A primeira e mais antiga foi decorrente do uso intensivo da terra em áreas de solos férteis e que pelas suas características básicas são mais sujeitos à erosão.
Também a acelerada derrubada da caatinga para implantação de pastos.
Causas mais frequentes da deterioração ambiental: desmatamento, mineração, cultivos excessivos, criação de animais sem planejamento correto e irrigação inadequada do solo.
A degradação do trópico semiárido está ligada à ação do homem sobre a vegetação e o solo, mediante o cultivo de espécies como o feijão, milho e algodão que, por suas características, não favorecem a proteção dos solos contra os efeitos da erosão.
O principal responsável por essa situação foi o ciclo do algodão cultivado em solos férteis mas frágeis.
Desmatamento registrado ao longo dos anos no Nordeste provocou mudanças climáticas que evoluíram para um tipo de desertificação somente visto no continente africano.
A situação tem sido muito agravada pelo desmatamento seletivo feito no Nordeste. A Paraíba tem o maior percentual de área afetada (63 por cento), seguida pelo Ceará (52 por cento), Rio Grande do Norte (36 por cento) e Pernambuco (25 por cento).
Desertificação mão significa que áreas afetadas se transformarão em desertos de areia mas que seu solo está improdutivo.
A caatinga tem um forte poder de recomposição.
O zoneamento feito pela Embrapa dividiu o Nordeste em 172 regiões e constatou que sua diversidade ambiental é maior até que a da Amazônia, considerada erroneamente por muitos a região de maior biodiversidade do Brasil.

Folha de São Paulo s/d
NEGÓCIO DA CHINA CHEGA AO SERTÃO DO NORDESTE
Empresários de Taiwan criaram um pólo confeccionista em Acarape, 70 km ao sudoeste de Fortaleza:
grupo Yamacon investiu R$ 100 milhões
cinco fábricas empregam 1600 pessoas e cooperativas outro tanto
outros 26 grupos empresariais de Taiwan abriram a possibilidade de investir nos próximos três anos, com investimentos da ordem dos R$ 400 milhões em protocolo de intenções firmado em 1993 com o governo do Ceará.
Quatro empresas já em fase de implementação.
A arrecadação de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do município pulou de média mensal de R$ 30 mil para R$ 380 mil.
Atrativos: política de incentivos fiscais, mão-de-obra barata e localização estratégica na América do Sul.
Os empresários pagam salário até dez vezes menor do que o de Taiwan.
Incentivos fiscais do governo do Ceará atraíram nos últimos cinco anos 273 indústrias, que investiram 3,2 bilhões de dólares e geraram quase 50 mil empregos diretos e cerca de 200 mil indiretos.
O investimento representava 32 por cento do PIB do estado.
Homens trocam enxada por costura.

O Estado de São Paulo 15 de dezembro de 1996
ver também Deus e o Diabo TRISTERESINA LULA, página revoluciomnibus.com da série
- O GOVERNADOR QUE DIZ NÃO DÁ PARA ROMPER COM ESSA SITUAÇÃO DE FOME É GARIBALDI ALVES FILHO
Rio Grande do Norte
Estado conquistou posição de maior produtor de petróleo em terra: fornece 10 por do óleo consumido no país.
São extraídos 96 mil barris/dia em 14 municípios, 40 por cento da produção do Nordeste.
Proprietário de terras tem direito a 1 por cento da receita.
Nova reserva de 8 milhões de barris confirmada três semanas atrás.
55 por cento das crianças com até 5 anos são desnutridas;
fome crônica produz nanicos em escala: 42 por cento da população infantil tem altura abaixo da normal, biologicamente deficientes, com chances reduzidas de plena produção intelectual.
Efeitos da desnutrição são também perceptíveis em geração anterior: na inspeção militar, 43 por cento com peso inferior ao normal; 21 por cento ainda patenteavam deficiência de peso após um ano nos quartéis com alimentação balanceada; 68 por cento dos recrutas tinha altura média de 1,53 metro - 15 centímetros abaixo do soldado-padrão.
Apenas 10 por cento da cúpula do Judiciário consomem 35 por cento dos gastos salariais do setor público.
A maioria dos funcionários recebe pouco mais de um salário mínimo.
No interior, a maioria das prefeituras é a única alternativa de emprego.
A quase totalidade recebe até R$ 40.
30 por cento das prefeituras com bloqueio judicial das receitas por atraso salarial superior a 4 meses.
A 90 km da capital a maioria ganha R$ 12, que não recebe há 10 meses.
Favelas nascem em torno de vilarejo de 5 mil habitantes.
Em Aracati, 200 km ao norte, no Ceará, consegue-se até R$ 5/dia por 12 horas de jornada de colheita de frutas.
Preá - roedor da família dos cavídeos. Tem dorso amarelo-sujo com manchas pretas. Vai ser repartido com farinha entre as seis bocas da casa na única refeição do dia em Lajes, a 200 km de Natal.
Angicos só tem 15 mil habitantes mas já tem favelas e fome como cidade grande.
O lado mais dramático foi atenuado na esteira de campanhas governamentais e da redistribuição de renda promovida pelo Plano Real.
LADO MAIS DRAMÁTICO FOI ATENUADO NA ESTEIRA DE CAMPANHAS GOVERNAMENTAIS E DA REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA PROMOVIDA PELO PLANO REAL.
Mortalidade infantil era de 103 mortes em cada 1 000 crianças em 1994 e caiu para 59 por 1 000.
Mapa da Fome do programa Comunidade Solidária apurou queda geral em 582 municípios do Nordeste onde governo atuou junto com a Unicef, Pastoral da Criança e agentes de saúde, mas segundo O Estado de São Paulo dados não são confiáveis:
Basta ver a multiplicação de cemitérios clandestinos no interior.
Na periferia de Natal pesquisadores constatam taxas de mortalidade infantil de 120 mortes por grupo de mil nascidos vivos.
 

SECA E CÓLERA
Folha de São Paulo 11 de junho de 1991
Nordeste sob seca rigorosa que atinge 2 milhões de pessoas com mais de uma centena de mortes, situação de tragédia total a que se soma a epidemia de cólera.
 

DESNUTRIÇÃO  DESNUTRIÇÃO INFANTIL  MORTALIDADE INFANTIL
Folha de São Paulo 17 de novembro de 1996
Preço cobrado em cartório por certidão de nascimento (até R$ 40, embora lei tenha tabelado em R$ 1,79) deixam 58 por cento das crianças que nascem no Estado sem registro de nascimento.
(Certidões de nascimento passariam a ser gratuitas por lei de 1997 em conformidade com Constituição de 1988.)
"zés-ninguém"
elevada falta de registros de óbitos
"anjinhos", como são chamadas crianças mortas antes de ser batizadas no Nordeste
em Pernambuco 103 cemitérios oficiais e 186 clandestinos
Petrolina registra 21 mortes por nascidos vivos - em 1995, média nacional era de 45 mortes de crianças de até um ano por mil nascidas vivas

Jornal do Brasil 30 de junho de 1996
projetos de irrigação grandiosos demais para pouca terra - 250 milhões de metros cúbicos de água. A maior fonte de água de Israel é o Mar da Galiléia, com 400 milhões de metros cúbicos.

veja 30 de outubro de 1996
O MUTIRÃO QUE SALVA OS BEBÊS
estima-se que nos últimos dois anos 20 000 crianças foram salvas da morte no Nordeste.
Em alguns municípios de Bahia e Paraíba redução de 60 por cento em um ano.
Pastoral da Criança: índice médio de mortalidade infantil para cada 1 000 nascidos vivos caiu de 100 para 34 nos   2 563 municípios mais pobres desde 1994. Quase metade deles no Nordeste.
Programa de Redução da Mortalidade Infantil do Ministério da Saúde.
Calcula-se que mais de 150 000 pessoas participem desse trabalho.
Uma mulher aos 36 anos, de Jurema, no agreste de Pernambuco, já teve 12 filhos dos quais 5 morreram e outros 2 tinham poucas chances de sobrevivência.
Magérrimos por conta da desnutrição.
"Eu achava que era Deus que queria levar."
veja 30 de outubro de 1996
O MUTIRÃO QUE SALVA OS BEBÊS
Ensiná-los a preparar pratos com casca de ovo, sementes de moranga, folhas de mandioca e de cenoura, refeição com teor vitamínico alto para reduzir desnutrição de crianças e gestantes.
Educação: metade de mães e gestantes da Paraíba não conseguem entender o material impresso pelo Ministério da Saúde sobre aleitamento materno porque é analfabeta.
Média nacional era de 10 por cento de mortes de crianças com até um ano de idade. No Nordeste, o dobro - índice de países miseráveis como Etiópia, Somália e Haiti.
Até 1996 índices ainda eram comparáveis ao de Camarões e Namíbia.
Brasil em 63º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. O Nordeste estaria em 120º, pouco acima da Suazilândia.
Saneamento básico: apenas 25 por cento dos domicílios nordestinos têm esgoto.
Educação: índice de analfabetismo é o dobro da média nacional.
 

INDÚSTRIA DA SECA
veja 22 de novembro de 1993
INFLAÇÃO SOB O SOL DO SERTÃO
Seca de 1993 se inscreveu na História como uma das seis mais devastadoras que se abateram sobre o semi-árido no século XX. Começou há 3 anos:
12 milhões de nordestinos flagelados
Palma, Piauí: alguns dias da semana serve-se só a água em que o arroz é cozido.
"Quando acabar o arroz, faço pirão d'água, com farinha, água e sal fervidos."
Serra da Moça, interior da Paraíba - só quatro pratos: feijão com farinha, xeréu (pasta feita com fubá), cuscuz (fubá, água e sal) e angu (farinha cozida com sal), ou funji de milho e de mandioca. Angu, aos domingos, "porque ninguém trabalha e precisa de menos força".
Água Fria, Bahia: sopa de capim-brodinho e berdoega (pequena erva que dá flores amarelas).
Seis de Patos, Bahia, vivem da "feira" que o prefeito distribui "quase todo mês": 3 quilos de arroz, 1 lata de óleo, 1 quilo de fubá e 1 quilo de açúcar. A última vez que a família comeu feijão foi em abril.
Cada família dessas passa o dia com cerca de 40 litros de água.
Média de consumo diário numa cidade é de 150 litros por pessoa.
Causa mortis infantil é quase sempre a mesma: gastroenterite por desnutrição
(...) O pagamento do programa Frentes Produtivas de Trabalho do governo federal a cada seca grave passa dias e dias em contas bancárias alheias, rendendo mas não para os flagelados. O dinheiro é liberado pela SUDENE através do Ministério da Integração Regional
Os atrasos chegam a um mês e a féria nunca chegou ao meio salário mínimo prometido por lei.
FRENTES PRODUTIVAS DE TRABALHO - ver também Até calango pede sombra, página revoluciomnibus.com da série

oito horas de trabalho três vezes por semana
Só podem se inscrever chefes de família, quando não há nelas aposentados ou empregados. O trabalho varia de construção de barreiros (buracos na terra para armazenagem de água de chuva) e poços à limpeza de cemitérios, calçamento de ruas e fabricação de tijolos para casas populares.
A CPT (COmissão Pastoral da Terra) da Bahia descobriu irregularidades em 126 dos 211 municípios do Estado onde há frentes de trabalho
Sudene estima em seis milhões número de pessoas atendidas pelo programa.
Outro tanto não teria qualquer assistência.
Um em Água Fria diz que não conseguiu se alistar porque na eleição anterior votou no candidato da oposição.
Renda média de uma comunidade: 3 000 cruzeiros reais. Quem ganha salário mínimo de 9 606 cruzeiros reais é considerado rico.
 

INDÚSTRIA DA SECA
VIDAS SECAS ISTOÉ SENHOR 29 de janeiro de 1992
Irauçuba, a 160 km de Fortaleza: teju, lagarto de feições pré-históricas que pode medir mais de um metro. "É um bicho meio nojento, mas fome eu não deixo os meus meninos passarem." Calangos, lagartos menores que, fotografados nas mãos dos nordestinos, chocaram o mundo em 1983.
"Ontem tinha feijão pra comê mas não tinha água pra botá panela no fogo."
9 milhões de nordestinos atingidos pela seca em 775 municípios.
O ministro da Ação Social é Ricardo Fiúza (PFL-CE: Partido da Frente Liberal-Ceará; PFL, 1998: DEM - Partido dos Democratas), posteriormente "atingido" pela CPI dos Anões do Orçamento, aquele escândalo dos escândalos de 1993 porque revelando a podridão do mesmo Congresso Nacional que afastou Collor de Melo da presidência da República por corrupção.
Bois têm de ficar escorados para não cair.
auxílio de emergência na seca é chamado "cestas do Fiúza"
Mas dotô uma esmola para um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão - Zé Dantas, Vozes da Seca, com Luiz Gonzaga, década de 1950.
655 mil cestas básicas por Cr$ 41 bilhões
Ciro Gomes, governador do Ceará: A seca muitas vezes é uma festa para os políticos, que botam a população dependente nas filas dos sacolões para obrigar a votar nesse ou naquele candidato.
"Céu bonito" é aquele cheio de nuvens escuras ameaçando chuva que não vem (ver também Até calango pede sombra, página revoluciomnibus.com da série
)
- Às vezes fica aquela nuvem preta, linda, parada, por muitos dias. Aí, de repente, ela se acaba com o vento e vai embora, ninguém sabe pra onde.
Governo federal fez chover US$ 1 bilhão durante a grande estiagem de 1983.
Açudes sem nenhuma viabilidade técnica, apelidados de "açudes sonrisal", porque se dissolvem na primeira chuva. 
- Teve uma noite de chuva em que 300 foram embora. Teve gente que ganhou muito dinheiro e muito voto com aquilo tudo - secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Hypérides Pereira de Macedo.
350 caminhões-pipa contratados pelo governo do estado para atender 122 dos 180 municípios cearenses.
 

CAUSAS DA SECA
SECA NO NORDESTE ATINGE 9 MILHÕES E DEIXA 758 CIDADES EM ESTADO CRÍTICO
Folha de São Paulo 11 de janeiro de 1992
Nordeste: 1 552 municípios NA REGIÃO, 758 em estado crítico, 336 em estado de emergência em 1 milhão de quilômetros quadrados.
A Causa da Seca é o fenômeno El Niño, que provoca aquecimento acima do normal na costa do Peru e Equador. Nuvens empurram os ventos para o nordeste do Brasil que impedem a formação de áreas de instabilidade.

Jornal do Brasil SECA ARRASA METADE DO NORDESTE (1992)
cestas de alimentos do programa Gente da Gente: cinco quilos de arroz, três de feijão, três de farinha de mandioca, dois quilos de fubá de milho, dois de açúcar e uma lata de óleo.
Temendo que o comércio fosse saqueado o prefeito de Penaforte a 535 quilômetros de Fortaleza mandou distribuir 2,5 toneladas de alimentos destinados à merenda escolar durante um mês.
Cuca de umbu, raiz de umbuzeiro, árvore do semi-árido cujos frutos suculentos são conhecidos por técnicos e cientistas como o refrigério do sertão.
Antônio disse que já comeu até palma, uma cactácea muito comum no semi-árido, que resiste à seca e é a única alternativa de alimento para o gado durante a estiagem. "O que tinha o boi já comeu tudo, e agora até o boi já está morrendo de fome."
 

INDÚSTRIA DA SECA
veja 24 de março de 1993
DESESPERO NO SERTÃO
Serra Talhada, PE, terra do deputado Inocêncio de Oliveira, presidente da Câmara de Deputados.
Diz que a seca que já dura três anos atingiu 58 por cento da região.
Verba para combater os problemas da estiagem: 180 milhões de dólares prometida pelo presidente Itamar Franco.
Frente de trabalho cria emprego para 1 milhão de pessoas
problema do Nordeste não é a falta de chuva mas o sub-aproveitamento da água.
Dos 700 bilhões de metros cúbicos que caem por ano, 92% se perdem porque não há reservatórios para captá-los e também pela ação normal da evaporação.
Com investimentos de 3 bilhões de dólares seria possível triplicar a capacidade de armazenamento.
Não acabaria com a seca, fenômeno climático que se repete há pelo menos 800 anos, mas amenizaria seus efeitos.
Com investimentos em infraestrutura é possível fazer do sertão uma Califórnia - acreditam cientistas.
Não enormes açudes como os que foram cavados nas últimas décadas: evaporação da água os saliniza rapidamente
Outra medida é a irrigação, que deu certo em Israel e Califórnia - é caro mas compensa.

MISÉRIA NO NORDESTE PODE LEVAR A DECRETAÇÃO DE CALAMIDADE
O GLOBO 25 DE JUNHO DE 1994

JORNAL DO BRASIL 10 DE JANEIRO DE 1992
FLAGELADOS DISPUTAM RAÇÃO DE GADO
"Já chegou o tempo de comer macambira, a situação é horrível, e a planta não é coisa boa não, até gado reclama. A gente arranca a cabeça, esfola no facão, tira a capa, descasca e pisa no pilão. Lava, escorre e joga fora o BASCULHO (bagaço). O que fica é uma farinha mais fina, que a gente faz a massa e come como cuscuz."
ALASTRADO, como os sertanejos chamam a cactácea xique-xique, cujo sabor chega a ser gostoso: "Torra ela, quando acaba de torrar, deflora da ponta para o pé (tirar a casca grossa e espinhosa). Faz fogo e joga dentro. Depois dá pro gado comer assado. Mas lá em casa o gado é nós mesmo."
 

IRRIGAÇÃO
O Estado de São Paulo 2 DE AGOSTO DE 1991
NORDESTE EXPORTA FRUTA PARA EUROPA E EUA
MOSSORÓ AGROINDUSTRIAL, do Rio Grande do Norte: 70 mil toneladas de frutas/ano com rendimento de 22 milhões de dólares. Instalou-se na quase desértica Chapada do Apodi, entre Rio Grande do Norte e Ceará, numa área de 22 mil hectares, 10 por cento irrigados com 13 poços de profundidade média de 700 metros e vazão de 190 mil litros/hora, uma cidade de 4 mil habitantes com escola para 800 alunos, postos de saúde e de combustíveis, delegacia de polícia e prefeitura [ergueu uma cidade, enfim].
Maisa deve faturar US$ 60 milhões em projeto a 30 km de Mossoró e 300 de Natal, criado há 17 anos e hoje o maior produtor de melão do país, metade da produção nacional, e maior produtora de caju e maracujá.
O "oásis" fica numa região onde a pluviosidade média anual é de 600 milímetros.
Três safras anuais com produtividade de 30 toneladas por hectare e produção de 55 mil toneladas.
 

DESERTIFICAÇÃO
Jornal do Brasil 27 de janeiro de 1992
DESERTOS: AMEAÇA QUE AVANÇA NO NORDESTE
Região semi-árida: um milhão de quilômetros quadrados.
Desertificação se alastra por uma área cinco vezes maior que a do estado do Rio de Janeiro e equivalente a de Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas e atinge 10 por cento da população sertaneja.
227 728 quilômetros quadrados de oito estados nordestinos, um quarto deles com recuperação praticamente impossível.
Para recuperar o estrago necessário investimento de 2 bilhões de dólares em duas décadas, 1 por cento do necessário para recuperar os 55 milhões de quilômetros quadrados de áreas em desertificação no planeta.
Atinge 35 microrregiões do Nordeste.
A devastação por problemas sociais, como a fome nordestina, é apenas um dos passos que levam à desertificação. Queimadas, mineração, uso excessivo de AGROTÓXICOS, a salinização das áreas de irrigação, poluição e manejo inadequado do solo são outros fatores.

Seca obriga paraibanos a consumir água lamacenta
problema atinge 42 cidades do interior do Estado
Folha de São Paulo 29 de dezembro de 1996
Juazeirinho (Paraíba)- Só resta água apodrecida disputada por homens e animais.
Água esverdeada do açude.
Algumas pessoas usam cal e cimento para tratá-la: elas misturam os dois produtos à água e esperam meia hora, até que a lama baixe, deixando-a transparente.
Para transformar 200 litros de lama em água são necessários 10 kg de cal e 5 kg de cimento.
As crianças percorrem até 3 km com duas latas de água penduradas em um pau nas costas.
- Quem não tem dinheiro para comprar água na rua tem que beber essa lama mesmo para não morrer de sede.
- O que é que você come em casa?
- Feijão puro quando tem. Quando não tem eu e meus 11 irmãos não comemos nada. Meu pai foi procurar emprego em Campina Grande e não deu notícia. Semana passada a gente comeu uma gordurinha. Hoje vamos comer uns ossinhos.

NORDESTE É A MAIOR VÍTIMA DAS ALTERAÇÕES TERRITORIAIS
Jornal do Brasil 2 de junho de 1991
Aumento assustador do desmatamento na área.
Nos últimos cinco anos teve 20 por cento do território devastado.
"Desmataram um Piauí inteiro" - estudo do IBGE, Ibama e Sudene.
No total quase 53 por cento do território modificado, ou quase a superfície da Região Sudeste.
Área de cobertura vegetal nativa em 1994: 1 milhão de quilômetros quadrados ou 63 por cento.
Em 1990, 730 mil quilômetros quadrados ou 47 por cento.
Os desmatamentos mais rápidos que ocorreram no Brasil nos últimos tempos.
As maiores áreas de ocupação foram registradas no Cerrado Baiano (região de Barreiras), prolongando-se pelo Sul do Piauí, para plantação de soja e arroz nos chapadões.
Mas é no Sul da Bahia a maior devastação, com retirada de árvores para exploração madeireira do que resta da Mata Atlântica.
A produção de carvão sacrifica a caatinga e o cerrado, criando condições para o processo de desertificação.
Os locais mais atingidos: região do Rio São Francisco, no limite entre a Bahia e Minas Gerais, zona central da Bahia e Maranhão ao longo da Ferrovia de Carajás.
No Vale do Rio São Francisco e no Piauí o problema são os grandes projetos pecuários, paralisados após o desmatamento. Abandono de terra desmatada também na Chapada Diamantina, onde floresta densa foi transformada em plantações de café deixadas cair.
Mangues são destruídos no Sul e Oeste baianos.

O GLOBO da mesma ocasião
NORDESTE abriga 42 milhões de habitantes.
Dividido, em relação ao clima, em cinco zonas ecológicas onde estão 40 subzonas e mais 71 unidades ecológicas cujas características são bem distintas, revelando que a região não tem apenas um tipo de clima, como geralmente se acredita.
 

INDÚSTRIA DA SECA
INOCÊNCIO POÇO DE OLIVEIRA ARTESIANO
Folha de São Paulo JOSIAS DE SOUZA 12 de abril de 1993
Descobriu-se que pagou pela abertura de seis poços preços abaixo do mercado. Até um quarto do preço.
50 obras de irrigação paralisadas pelo governo no Nordeste.
 

irrigação
O VALE DA FARTURA
VEJA 22 DE SETEMBRO DE 1993
fruticultura no Vale do Rio São Francisco emprega 50 000 pessoas, atraiu investimento de 700 milhões de dólares e de 45 empresas brasileiras e estrangeiras, em 220 000 hectares onde serão colhidas este ano 80 000 toneladas de frutas, das quais um terço para exportação, volume quatro vezes maior que o de 1991 e um recorde na história da irrigação no Nordeste.
Videiras produzem duas safras e meia por ano.
Só 3 por cento do solo nordestino se presta à irrigação, ou 1,8 milhão de hectares, dos quais 800 000 estão na bacia do São Francisco.
Em todo o Brasil existem 1,4 milhão de hectares irrigados, 70 dos quais no Sul e Sudeste.
 

TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
SECA
O FIM DO DRAMA
ISTOÉ 10 de agosto de 1994
O desvio das águas do São Francisco será possível com a construção de um canal de 50 metros de largura por quatro de profundidade numa extensão de 11 quilômetros, entre Cabrobó, em Pernambuco, e Jati, no Ceará. A água será bombeada a uma altura de 160 metros, equivalente a um edifício de 60 andares, donde desce por gravidade. Serão retirados 70 metros cúbicos de água por segundo do São Francisco, o que permitirá a recuperação de rios como o Jaguaribe, a irrigação de 116 mil hectares e o fornecimento de água a quatro milhões de pessoas em 209 cidades, entre elas Fortaleza, por meio do Canal do Trabalhador, Mossoró, no Rio Grande do Norte, e Campina Grande, na Paraíba.
COMPANHIA Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) afirma que a transposição das águas reduzirá capacidade de produção de energia em 2,6 megawatts para cada mil litros retirados do rio por segundo.
Ambientalistas e técnicos do Ministério do Meio Ambiente alguns afluentes do rio já começaram a secar devido ao uso indiscriminado da água pelos projetos de irrigação. As águas do São Francisco já são consideradas comprometidas. Especialistas consideram mais prudente promover-se um programa de recuperação das nascentes e das matas às margens antes de se pensar em transposição.
Alguns técnicos estimam que a perda pode chegar a 50 por cento, o que transformaria a transposição num mero projeto de abastecimento de água das cidades atingidas.
Em 1847 o deputado cearense Marco Antonio Macedo já elaborara um projeto que permitiria levar água do São Francisco para o Jaguaribe, que é considerado o maior rio seco do mundo.

O Estado de São Paulo 1º de dezembro de 1996
CRIANÇAS SÃO EXPLORADAS EM PEDREIRAS NA BAHIA
"800 CRIANÇAS NA PEDRA" A 250 QUILôMETROS de Salvador, numa região em processo de empobrecimento rápido com a decadência do sisal, principal produto agrícola do semi-árido baiano, e com o fim do ciclo de mineração do ouro, até o ano passado explorado pela Companhia do Vale do Rio Doce.
 

VALE DO JEQUITINHONHA
REAL NÃO TIRA O JEQUITINHONHA DA MISÉRIA
O ESTADO DE SÃO PAULO 1º DE DEZEMBRO DE 1996
"Só pode ser caveira de burro enterrada, porque até presidente da República a gente já produziu aqui, o Juscelino (Kubitschek)."
O Jequitinhonha, nos tempos de Juscelino um rio largo e caudaloso, pode ser atravessado a pé nos períodos de estiagem. A Mata Atlântica e o cerrado ou viraram carvão ou cederam lugar a imensas florestas de eucaliptos - as maiores da América do Sul.
Em 71.522 quilômetros quadrados de terras montanhosas vivem cerca de 700 mil pessoas.
Ocupa 11 por cento do território de Minas Gerais e contribui com 2 por cento de participação no PIB do estado.
12 dos 52 municípios "adotados" pela Sudene.
 

INDÚSTRIA DA SECA
GOVERNO SEM RUMO NO COMBATE À SECA
Jornal do Brasil 29 de dezembro de 1990
(COLLOR) Bate sempre na tecla de que as elites da região ainda mantêm a indústria da seca. [... que não se vê] o menor sinal dos bilhões de dólares gastos ao longo dos anos com a seca.
nos últimos 30 anos participação do Nordeste no PIB nacional cresceu apenas de 13,4 para 14,8 por cento.
 

INDÚSTRIA DA SECA
OS DOIS NORDESTES DE COLLOR       MÁRCIO MOREIRA ALVES Jornal do Brasil
A atração é tão grande que fez de Petrolina a cidade que mais cresce no Nordeste, enchendo-a de favelas.
Este é o sétimo ano de seca da década terrível, iniciada em 1989 com cinco anos sem chuvas.
E ajudas através de distribuição de estoques de farinha é um retrocesso incrível. Miguel Arraes concorda: "É preciso voltarmos a 1932, quando Getúlio mandou feijão e charque do Rio Grande do Sul para os flagelados, para nos lembrarmos de uma seca combatida apenas com distribuição de comida."
"E que comida!, contrapõe Ciro Gomes. "Nem um grama de proteínas." Arraes acrescenta que na Zona da Mata pernambucana os cortadores de cana estão comendo apenas farinha molhada com garapa, tão arrochado está o salário.
 

INDÚSTRIA DA SECA
SECA NO SERTÃO DE PERNAMBUCANO PROVOCA SAQUES        JORNAL DO BRASIL
Araripe, em Pernambuco, a menos de 48 horas de visita do presidente Collor ao estado, uma das regiões mais atingidas pela seca, agricultores famintos saquearam as feiras de dois municípios vizinhos a 600 quilômetros da capital.
Invasão organizada por mais de 40 agricultores.
prefeito de Bodocó, um dos alvos:
- Por aqui não existe nenhum aproveitador, o que existe mesmo é a necessidade. Ninguém tem lavoura, ninguém tem salário, não se abriu nenhuma frente de emergência para os trabalhadores.
Prefeitura garante que município perdeu mais de 90 por cento das lavouras de milho e feijão. Os pequenos e médios reservatórios secaram e os povoados rurais estão sendo abastecidos com carros-pipa improvisados pela Prefeitura.                                                         - Tudo o que recebemos até agora foram 2500 cestas básicas para atender a mais de seis mil famílias que passam fome.

GAZETA MERCANTIL 25 DE NOVEMBRO DE 1995
SÃO FRANCISCO, O RIO QUE VAI VIRAR ESTRADA
CONGRESSISTAS DO NORDESTE PRESSIONAM GOVERNO PARA ACABAR OBRA DA HIDROVIA, ORÇADAS EM 5 MILHÕES DE DÓLARES
O básico já foi feito, quando se aplicou 200 milhões de dólares na eclusa do Lago do Sobradinho.
A produção de grãos do oeste da Bahia hoje é da ordem de 1,7 milhão de toneladas/ano - 2,5 por cento da oferta nacional. Mas a região explora apenas 15 por cento da área cultivável.
Ao ligar o Nordeste ao Sudeste a hidrovia poderá estruturar diversos outros canais de escoamento. No trecho entre Pirapora, em Minas Gerais, e Ibotirama, na Bahia, as condições de navegabilidade seriam asseguradas a partir de uma descarga regular da Usina de Três Marias, da ordem de 3 mil metros cúbicos por segundo.
No trecho entre Ibotirama e Juazeiro-Petrolina já existiriam condições de navegabilidade para embarcações com 1,5 metro de calado. A partir daí a hidrovia seria complementada por integrações intermodais até o porto baiano de Aratu. Já existe um ramal ferroviário em operação.
A hidrovia pode repetir o êxito do corredor de transporte Tietê-Paraná, sistema de navegação operado por um consórcio de empresas privadas e estatais por onde trafegam 6 milhões de toneladas de produtos.

O Estado de São Paulo 5 de fevereiro de 1995
Gustavo Krause, Ministro do Meio Ambiente
Na linha do progresso predatório os ricos comem a natureza por ganância e irresponsabilidade e os pobres por necessidade.
O Brasil se diferencia no contexto internacional pela amplitude dos seus recursos naturais.
 

irrigação
GAZETA MERCANTIL 20-11-1995
E O SERTÃO VAI VIRANDO POMAR
FRUTICULTURA AVANÇA NO VALE DO SÃO FRANCISCO MAS NÃO BENEFICIA PEQUENO PRODUTOR
IRRIGAÇÃO NO SUB-MÉDIO SÃO FRANCISCO
A Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco começou há 15 anos a implantar dois projetos públicos pioneiros, Mandacaru e Bebedouro.
Houve de início alguma frustração porque os colonos assentados não estavam preparados para trabalhar com as novas técnicas.
O crescimento contínuo da produção, de 10 a 15 por ano ao ano, pela inclusão de novas áreas e aumento de produtividade.
 

SUDENE  INDÚSTRIA DA SECA
O Estado de São Paulo 19 DE NOVEMBRO DE 1994
SOBRAM ÁGUA E DINHEIRO, PORÉM FOME É ENDÊMICA
Onde termina a palha da cana, na entrada de Recife, começa o lixão da Muribeca.
Duas mil famílias de Recife, segundo o governo pernambucano, que vivem no estado de mais absoluta miséria e está produzindo uma geração nanica, subnutrida, à beira da debilidade mental, que vivem no lixão. A desnutrição grave chegou à região metropolitana de Recife
    Meraldo Zillmesman, autor do livro Nordeste Pigmeu
- Já temos na região 30 milhões (!!!) de mulheres castradas, com laqueadura, em idade fértil.
A Sudene despejou muito dinheiro público em uma série de projetos (22,8 por cento do total financiado) irrecuperáveis .
As benesses dessa irrigação de dinheiro público via Sudene têm sido divididas entre a elite regional e seus sócios industriais do sul do país, principalmente São Paulo.
 

FAMILISMO   CANA-DE-AÇÚCAR

O Estado de São Paulo 19 de setembro de 1994
Elite usa pobreza para manter domínio
Duas dezenas de famílias se entrecruzam, criando castas desde a colônia, num processo de endogamia.
O familismo pernambucano domina 1,5 milhão de hectares das terras mais férteis do Estado, a zona canavieira. Outrora terras do engenho que agora são terras de usina.
Há uma criança ou adolescente em cada quatro das 240 mil pessoas trabalhando, uma mão-de-obra gratuita para os usineiros: 43 por cento não recebem remuneração direta, embutida no aluguel da força de trabalho do pai ou responsável, apurou o Centro Josué de Castro, que comprovou também que mais da metade dessa mão-de-obra já teve ceifada uma parte do corpo em acidentes com a foice.
A elite pernambucana trocou sua adesão permanente ao poder central por recursos federais a custo zero, ou quase, através de subsídios à produção de açúcar e os do
Fundo de Industrialização do Nordeste (Finor), além do
Fundo Nacional para o Desenvolvimento (FND) e benesses do
DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca).

 

- A PERSISTÊNCIA DA POBREZA RURAL DO NORDESTE NÃO SE EXPLICA APENAS PELAS DIFICULDADES IMPOSTAS PELA NATUREZA (A SECA) NEM POR RAZÕES ECONÔMICAS E POLÍTICAS. ENCONTRA-SE MAIS NAS CONCEPÇÕES DO MUNDO DO HOMEM: FORMAS DE PERCEPÇÃO E COMPREENSÃO MÍTICAS, TRADICIONAIS E MODERNAS, EM CONFUSO AMÁLGAMA, GERANDO EM MUITOS CASOS IMOBILISMO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS E PASSIVIDADE ANTE OS DESAFIOS DA NATUREZA. -  "Da condição de pobre à de não-pobre - modelos rurais e urbanos de combate à pobreza" - Roberto Cavalcanti de Albuquerque, do Instituto Nacional de Altos Estudos: -   MISÉRIA, COMO E QUEM VAI PAGAR A DÍVIDA SOCIAL?   folha de são paulo 26 DE JUNHO DE 1994

 

Jornal do Brasil 16 de março de 1997
CEARÁ É EXEMPLO PARA O PAÍS
De 1990 a 1996 ancoraram no estado 320 novas empresas, somando 3,7 bilhões de dólares.
Programas de agentes de saúde, um grupo de mais de 7 mil pessoas, principalmente mulheres, que percorrem os domicílios do estado prestando esclarecimentos de saúde, premiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
APESAR DE TODOS OS AVANÇOS O DÉFICIT SOCIAL AINDA É MUITO ELEVADO.

O GLOBO 9 DE NOVEMBRO DE 1992
SECA MATA 40 CRIANÇAS POR SEMANA
mãe de uma criança morta:
- Ela nunca viu uma gota de leite e só se alimentou de mingau de fubá.
O "mingau" a que ela se refere é uma mistura de água de barreiro sem ferver com farinha de milho, sem nenhum cozimento. A menina teve diarréia, MUITA FEBRE E PROVAVELMENTE MORREU DESIDRATADA. VEIO AO mundo sem certidão de nascimento e se foi sem atestado de óbito.

Beni Veras senador do PSDB-CE (Partido da Social Democracia Brasileira-Ceará Jornal do Brasil 8 de dezembro de 1993 COMO DESENVOLVER O NORDESTE
O Nordeste sempre recebeu na medida de sua miséria (13 por cento de participação no PIB) e nunca na proporção de suas necessidades (concentra um terço da população).

INDÚSTRIA DA SECA CAUSAS DA SECA - SECA NORDESTINA É FALSEADA, DIZEM CIENTISTAS 0 Estado de São Paulo 12 de setembro de 1993
Aldo Cunha Rebouças, do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da USP e um dos maiores especialistas em hidrologia do nordeste brasileiro:
- O Polígono foi evoluindo pelas injunções políticas a cada seca.
Inclusão do Piauí como área problemática é contestada. Na política de combate à seca traçada pelo governo federal em 1951 o Piauí foi apresentado como um dos pólos de solução para abrigar os flagelados porque possuía rios e agricultura perenes e não sofria com a estiagem, mas sete anos depois ingressou nos planos governamentais como área de prioridade política no combate à seca.
- Apenas 10 por cento do território estadual tem alguma deficiência momentânea.
O reservatório hídrico subterrâneo do Piauí é superior a quatro baías de Guanabara. Além disso passa pelo estado o Rio Parnaíba que em sua vazão mínima se iguala ao volume normal do Sena, na França.
- Não é a seca que está crescendo mas sua manipulação.
Cientistas apontam o mau uso da água como a principal causa dos reflexos dramáticos da seca.
Não fosse isso quase todo o Polígono poderia ser produtivo num curto espaço de tempo.
Fausto Carlos de Almeida, coordenador do Projeto Nordeste e pesquisador do Inpe:
- O problema é político. A seca já poderia ter sido sanada se houvesse vontade.
Seus estudos mostram que as consequências da seca podem ser solucionadas sem grandes obras e com tratamento adequado do solo.
Mau uso do manancial hídrico:
Alguns açudes apresentam taxas de salinização maior que a do Mar Morto por falta de tratamento adequado.
- Além de armazenar, é preciso movimentar a água.
Segundo ele a terra do Polígono é produtiva mas não existe um sistema de irrigação dos locais cultiváveis.
Já se consegue boas produções agrícolas na região usando tecnologia correta.
- Muitos fingem não saber disso porque qualquer coisa que ajude a resolver o problema não interessa.
GOVERNO INVESTIU  11 BILHÕES de dólares EM 33 ANOS.
Os que vivem abaixo da linha de pobreza: 17 milhões
Na década de 1960 13 milhões ou 65 por cento dos 21 milhões de nordestinos tinham renda inferior a um salário mínimo.
Trinta anos depois são 23 milhões ou 52 por cento da população de 44 milhões.
O ceará é o terceiro estado mais pobre da federação e 40 por cento dos seus 6,5 milhões de habitantes são analfabetos. EDUCAÇÃO
POLÍTICA DE AÇUDES ESTIMULOU O CLIENTELISMO
ALDO REBOUÇAS, EX-DIRETOR DO PROGRAMA DE MAPEAMENTO HIDROGEOLÓGICO DO NORDESTE DA SUDENE:
Política de construção de açudes e perfuração de poços teve um efeito perverso: estimulou o manejo clientelista da seca pelos coronéis latifundiários.
A grande maioria dos 500 açudes e 70 por cento dos 30 mil poços artesianos estão situados em locais impróprios ou abandonados.
Fausto de Almeida, do Inpe:
- Os açudes no Nordeste foram feitos para irrigar a atmosfera.
Açude de Orós, um dos maiores do mundo, com 4 bilhões de metros cúbicos, construído na planície de Iguatu a partir de critérios topográficos do DNOCS afogou mais de 220 mil hectares cultiváveis e hoje irriga 77 mil hectares a 250 km de distância, consumindo três vezes mais água.
- A maior área irrigável do Ceará está sob o reservatório de Orós - exclama Rebouças.
Ele calcula que haja 50 bilhões de metros cúbicos estocados no Polígono, o suficiente para contornar mesmo as piores estiagens.
O DNOCS cobra 15 mil dólares por hectare irrigado
Empresas particulares cobram cinco vezes menos.

ESTUDO SOBRE SECA NO NORDESTE CAUSA POLÊMICA O Estado de São Paulo 14 de setembro de 1993
Polígono das Secas
As regiões mais atingidas pela seca não têm 900 mil metros quadrados, como apregoa a Sudene, mas 320 mil, segundo o técnico, para quem a área do Polígono foi falseada por políticos em busca de subsídios federais.
Um dos argumentos: média pluviométrica é sete vezes mais elevada que a da Califórnia; mau uso dos reservatórios hídricos.
Para geógrafo Aziz Ab'Saber, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o que importa é que o semi-árido nordestino é o mais quente do mundo.
- Não interessa só o que cai mas também o que evapora.

Folha de São Paulo 15 de novembro de 1992
O Piauí está com 100 por cento de seus municípios em estado de emergência.
 

INDÚSTRIA DA SECA
Jornal do Brasil 12 de dezembro de 1993
A SECA É INOCENTE Iná Elias de Castro
Determinismo climático anacrônico e há muito abolido dos manuais de Geografia.
O clima semi-árido pode ser um excelente recurso natural pela ausência de pragas e pela qualidade dos solos.
O problema da região está mais na sua história, nos seus próceres, na sua organização fundiária, no seu modo clientelista e conservador de eleger representantes, nas relações familiais das burocracias públicas em todos os níveis administrativos do que no seu clima.

17 de agosto de 1994
TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
A sangria do São Francisco Rogério Cezar de Cerqueira Leite
Projeto de irrigação pretende sangrar o Rio São Francisco em aproximadamente 10 por cento do seu volume total de água - 260 metros cúbicos/segundo sangrados de 2800 metros cúbicos/segundo do caudal.
O último produto do bestialógico
BESTIALÓGICO
BESTIALÓGICO
nacional é a perda imediata de potenciais elétricos equivalentes a duas Angra 1.
Atual programa nacional ESTÁ construindo 23 açudes.

Folha de São Paulo 24 DE JULHO DE 1994
TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO
Bombeamento das águas poderá irrigar 1,2 milhão de hectares dos quatro estados beneficiando 8 milhões de pessoas.
Os 23 açudes do Dnocs em obras irrigariam uma área de 44 000 hectares em seis Estados.
A primeira etapa do projeto, avaliada em 600 milhões de dólares, estaria pronta em julho de 1995, irrigando 116 mil hectares.

jornal do brasil 30 de agosto de 1994
transposição do São Francisco IRRIGAÇÃO INDÚSTRIA DA SECA
Ministro Aluísio Alves da Integração Regional, pai do Projeto:
Em 1993 a seca custou 2 bilhões de dólares e só deixou a marca de mais um espetáculo de humilhação de multidões esfomeadas, a repetição dos saques às feiras e ao comércio e episódios de corrupção política em troca de comida pelo voto: meio salário mínimo para trabalhadores rurais desocupados, cestas básicas, carros-pipas, já agora, obras tapa-buracos.
Projeto de Transposição do São Francisco irá custar 613 milhões de dólares.
...
José Artur Padilha, engenheiro, ex-diretor do Dnocs, especialista em modelo econômico sustentável para o semi-árido:
Nos Estados Unidos, embora só se divulgue o outro lado da questão, prevê-se que até o ano 2000 cerca de 25 por cento ou 1,2 milhão de hectares das áreas irrigadas estarão perdidos para sempre na salinização e envenenamento dos solos, das águas e perturbações no reino animal. (...) irrigar sistematicamente áreas semi-áridas é celebrar-se um casamento ruim que desgraça os dois parceiros: a água pura e o solo alcalinizado. (...) em lugar algum do mundo está escrito que só a irrigação sistemática pode manter a civilização. Foram irrigações sistemáticas que, ao contrário, há seis mil anos destruíram civilizações como a Suméria. Se no nosso caso a decisão foi priorizar irrigações não-sistemáticas, praticadas em complementação com a estação das chuvas e no ritmo da natureza, é certo que nossas irrigações nascem vacinadas contra tais problemas.

Folha de São Paulo 1º de janeiro de 1994
DOIS ANOS DE SECA DIZIMAM VIDA NO CARIRI
Cariri Ocidental da Paraíba, 12 municípios, a região mais seca e miserável do país, Em 1993 a média pluviométrica foi inferior a 50 mm.
Média pluviométrica anual no Cariri Ocidental: 250 mm a 410 mm.
Média pluviométrica do deserto do Saara: 200 mm. Média pluviométrica do deserto de Atacama, no Chile, considerado o mais seco do mundo: 75 mm.
Média pluviométrica do sertão nordestino em condições normais: 800 mm.
Na Paraíba: 900 mm.
A vegetação nativa está se extinguindo em consequência da seca.
Sem meios para sobreviver, a população retirou todo tipo de planta para usar na alimentação. Agora os habitantes estão destruindo a vegetação seca para fazer carvão e ter alguma fonte de renda.
- Bicho duro de morrer é gente pobre. A fome é tão grande que já estamos acostumados.

Jornal do Brasil 8 de setembro de 1993
WASHINGTON NOVAES: A QUEM INTERESSA A SECA? INDÚSTRIA DA SECA SUDENE
Na área de 55 mil quilômetros quadrados praticamente desertificados vivem dois milhões de pessoas.
Nos últimos 45 anos, conforme a FAO, 11 por cento do planeta antes ocupados por florestas sofreram degradação de moderada a forte nesse sentido.
O ex-ministro Celso Furtado conta em seu livro A Fantasia Desfeita que um dos objetivos da Sudene na origem era financiar o aumento do rendimento das plantações de açúcar, inclusive implantando irrigação por aspersão. Desde que os proprietários concordassem em pagar os empréstimos com parte das terras para projetos de colonização voltados para a produção de alimentos. Mas quando houve o rompimento das relações entre Cuba e os Estados Unidos, abrindo novo cenário no mercado internacional do açúcar, acabou por prevalecer a resistência dos senhores de engenho e da classe política.
 

INDÚSTRIA DA SECA
Jornal do Brasil 17 de janeiro de 1992
Seca no sertão de Araripe já matou 38 crianças em dois meses.
Riachos estão secos e as mulheres esperam até 12 horas em uma fila para encher latas com 20 litros de água.
(distribuição de cestas básicas) Mesmo antes de encerrar o trabalho já há denúncias de favorecimento e apadrinhamento mo alistamento.
grotões - buracos na areia

SERTÃO VIRA DESERTO EM VEZ DE MAR
O GLOBO 29-07-1997
DESDE a década de 1930 o Tesouro norte-americano investiu 20 bilhões de dólares na tentativa de reequilibrar o ecossistema do MeioOeste.
Mas a morte de 500 mil africanos na região do Sahel (abaixo do Saara), no início dos anos 1970, sensibilizou a comunidade internacional.
Dunas do Deserto do Jalapão, Tocantins:
O solo é fraco, formado por areia de quartzo, mas a fragilidade do ecossistema era compensada pela robustez da vegetação. O gado não consegue comer o mato e os agricultores o queimam até que só sobre o broto, rasteiro e macio. A cada queimada a terra fica mais fraca.

FOME E MORTE MARCAM A PIOR SECA EM PERNAMBUCO  EDUCAÇÃO SUDENE  INDÚSTRIA DA SECA
12 de dezembro de 1990 Jornal do Brasil
ESPLENDOROSA É A CLAREZA DE ANÁLISE DOS PREFEITOS
em Ouricuri, no epicentro do Sertão do Araripe, e onde se situa Exu, terra que de Luiz Gonzaga e dos Alencar, que há mais de 50 anos vivem em briga com os Sampaio, a Prefeitura veio fechando colégios sucessivamente, por falta de merenda e água.
- Nenhum moleque iria aparecer em escola que não tem merenda e água. Eles só iam lá para comer.
A miséria é tanta que até a Igreja, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a Prefeitura comandada pelo PFL (Partido da Frente Liberal) esquecem as divergências quando o tema é seca. Recentemente o Exército enviou comunicado à cidade para que fossem cadastradas 6460 famílias no programa de distribuição de cestas básicas, se recusaram a escolher entre 22 mil pessoas em estado de miséria absoluta.
O programa de cestas básicas, que começou em novembro e vai durar sete meses, consiste na distribuição pelo Exército de sacolas com quantidade de alimento que o Ministério da Ação Social diz ser suficiente para nutRir uma família de cinco pessoas durante um mês:
10 quilos de arroz
3 quilos de farinha de mandioca
3 quilos de fubá
o que permite que cada uma delas coma por dia
66 gramas de arroz
20 gramas de farinha de mandioca
3 gramas de fubá
Poucas famílias têm menos de sete pessoas, o que diminui em 30 por cento a quantidade de comida no prato.
- Se ninguém morrer, a cidade será recordista em resistência à fome - ironiza o prefeito, do clã dos Alencar. - Seria melhor reduzir o programa para três meses e aumentar a quantidade de comida.
CEMITÉRIO DOS ANJOS
CEMITÉRIO DOS ANJOS
12 médicos contados a dedo para 84 mil habitantes
A solução para a seca em Ouricuri, aponta o prefeito, é o financiamento federal para construção de pequenas e médias barragens de até 100 mil metros cúbicos de água. Porém a Sudene alega que as barragens com menos de 53 milhões de metros cúbicos são inviáveis.
- Nós já fizemos essa experiência e deu certo. O sertanejo não quer esmola. Não quer nem tecnologia. Dê água ao sertanejo que o resto a terra resolve.

Jornal do Brasil 13 de janeiro de 1992
gado: "O bicho, que gosta mesmo é de capim, já está comendo mandacaru, xiquexique e macambira. E quem não tem outro meio de vida já está comendo macambira também."
FALAS DOS SERTANEJOS
Considerado o celeiro agrícola do Piauí, Picos tem 90 por cento de suas lavouras - feijão, alho, caju e mandioca - cultivados em áreas de sequeiros (sem irrigação). Resultado: quase tudo está perdido.
A CENA A SECA
AS CENAS AS SECAS

Folha de São Paulo 11 de janeiro de 1991
PERÍODOS DE ESTIAGEM COINCIDEM COM FATOS HISTÓRICOS
Secas mais rigorosas coincidem com importantes fatos históricos em períodos intercalados de cerca de 25 anos, que corresponde ao dobro dos ciclos de 13 anos de fases mais rigorosas das secas nordestinas de que fala um estudo de 1978 do Instituto de Atividades Espaciais (IAE).
Grande Seca de 1877: intensificam-se as migrações do Nordeste para o atual Estado do Acre.
Primeiros anos do século 20, outra época de secas prolongadas: consolidação do poder do padre Cícero Romão Batista na região do Cariri, Ceará.
De acordo com a lenda Padre Cícero recebeu em sonho a ordem de Jesus Cristo de cuidar dos sertanejos carentes.
(ver também fenômeno PADRE CÍCERO em A REVOLTA DE JUAZEIRO, página revoluciomnibus.com da série
)
1928-1929: o cangaço atinge o auge.
(ver fenômeno do Cangaço também em Coriscos & Dadás Lampiões e Marias Bonitas, página revoluciomnibus.com da série
)
Até 1927 o bando de Virgulino Ferreira (1898-1938) só havia atuado no interior de Pernambuco e Paraíba. Passa então a agir em todo o território nordestino.
1955-1958: em 1959 JK funda a Sudene.
Foram os calangos nordestinos que construíram Brasília .

[de volta ao verde]
veja 16 de março de 1994
Diz-se que nunca falta água nos anos terminados em 4.
1990-1993: considerada uma das seis maiores secas do século XX.
Sudene diz que governo gastou 1 bilhão de dólares.
Petrolina: população triplicou em 20 anos.

A NOVA FRONTEIRA
VEJA 13 DE AGOSTO DE 1997
censo do IBGE: população nordestina foi a que menos cresceu no Brasil.
Anos atrás identificada como bolsão de pobreza às vésperas de uma explosão demográfica.

Nordeste CRESCE MAIS QUE O BRASIL EM 1970/95
Folha de São Paulo 6 DE OUTUBRO DE 1996
5,8 por cento ao ano contra 4,6 por cento (média nacional).
Desde o início de 1995, segundo os governos estaduais, foram instaladas mais de 600 empresas de médio e grande porte no Nordeste, com investimentos superiores a R$ 6 bilhões. Um dos principais atrativos dos Estados para captar investimentos é a isenção fiscal.
O Rio Grande do Norte, por exemplo, chega a conceder isenção de ICMS para um prazo de até 20 anos.

O GLOBO JOSÉ SARNEY - EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA E DUAS VEZES PRESIDENTE DO SENADO DE BRASÍLIA - NORDESTE, A ESPERANÇA QUE MORRE
 HISTÓRIA DA SUDENE
A grande seca de 1958 colocou aos olhos do país problemas sociais.
A seca não era um problema só climático.
No Saara não chove e não existe ali o que existe no Nordeste: o homem.
O relatório Ramagem, do nome do general encarregado de levantar a tragédia daqueles anos, era um relato objetivo e chocante.
O Brasil não tomava conhecimento dessa desigualdade.
Juscelino, que até então não colocara o Nordeste entre as suas preocupações de governo, despertou para o assunto e em 1959, já no fim [do seu governo], criava a Operação Nordeste.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico, já nos estertores do governo JK, recomendou a criação de um órgão que vei a ser a Sudene.
Por trás de tudo estava o paraibano Celso Furtado, membro do estafe do BNDE.

O Estado de São Paulo S/D SECA E AGIOTAS FAZEM CARÍBAS AGONIZAR NO AGRESTE
Enroladores de fumo de corda, o principal mas decadente produto do município.
Caríbas vem de craibeira.
As folhas são ásperas como lixa.
A cidade recende a fumo de rolo.
Folhas de fumo secam por toda parte.
O prefeito de Lagoa da Canoa, terra que de Hermeto Pascoal, ganha R$ 10 mil por mês.
Câmara Municipal paga R$ 2 mil a cada vereador

BRASIL: SECA E CÓLERA  -  A TOMADA DA SUDENE
apontamentos de 1991
500 trabalhadores rurais vítimas da seca mantiveram Superintendente da Sudene Recife
5 diretores do órgão
7 deputados estaduais
e 10 prefeitos como reféns por 10 horas.
Montaram acampamento em frente da Sudene até que governo federal libere recursos para implementação de programa de emergência.
Último boletim da Sudene:
seca castiga 58 por cento do território do nordeste, abrangendo 805 municípios e 8,7 milhões de pessoas, equivalente a metade da população da região.
saques
No interior de Pernambuco 30 casos de cólera.
1726 casos em 48 dias, 1131 desde início do ano.
Cólera também no Peru - veio de lá: 15 mil casos, 3 mil mortes.
Incidência superior a 250 por 100 mil habitantes - índice da Organização Mundial da Saúde (OMS) para definição de "quadro de epidemia real".
Rio de Janeiro: 51 casos, 1 morte.
Rio de Janeiro, capital: 16 casos.

PRIMO POBRE DO IBGE  VEJA 27 DE MARÇO 1996 Educação
O NORDESTE SE DISTANCIA DO PADRÃO DE VIDA DAS DEMAIS REGIÕES DO PAÍS E SE TORNA UM DESAFIO PARA O BRASIL DE FHC
A taxa de expansão demográfica, que sofreu uma brusca reversão nos anos 1980, continua caindo, o que muda radicalmente a natureza dos seus problemas. Com menos crianças nascendo, começa a haver escola para quase todas.
A taxa de analfabetismo das crianças de 10 a 14 anos declinou no Brasil em 8 por cento em relação a 1983: 11,4 por cento; sem o Nordeste, 3,7 por cento.
no Nordeste: 26,7 por cento.
"Sempre que a gente procura pelo pior índice ele está no Nordeste."
Bahia e Pernambuco respondem por 55 por cento do PIB nordestino.

INDÚSTRIA DA SECA  DNOCS
Órgão de combate à seca está ultrapassado - Jornal do Brasil 11 de abril de 1993
DNOCS: cerca de 3300 funcionários - quase dois mil a mais que a Sudene - tem 780 cargos de chefia, um chefe para cada 4,2 servidores, e com carência de pessoal de nível superior, sobretudo agrônomos e geólogos - estes são apenas 4.
Fundado há 83 anos, construiu 250 barragens que armazenam 250 bilhões de metros cúbicos, insuficientes para enfrentar com eficácia o problema das secas.
Até agora o órgão recebeu "apenas 5 bilhões de dólares".
Codevasf tem cerca de 2000 funcionários e embora suas principais áreas de atuação estejam em Petrolina-Juazeiro, sua sede fica em Brasília.

Folha de São Paulo 20 de abril de 1993
Às vésperas do século 21, o Brasil carrega ainda problemas como cólera, desnutrição e indústria da seca, numa agenda de incompetência.
100 casos de cólera por dia

CANA-DE-AÇÚCAR Folha de São Paulo 11 de abril de 1993
É fantástica a capacidade de os usineiros ganharem dinheiro público.
Está saindo do forno um empréstimo de 1,1 bilhão de dólares - incluindo um subsídio pago pelo contribuinte de 100 milhões de dólares.
Usineiros devem a bancos e órgãos federais 2,5 bilhões de dólares, cifra que segundo cálculo de Gilberto Dimenstein dava para manter oito milhões de estudantes no ensino básico por um ano.
100 milhões de dólares é quatro vezes o subsídio aos produtores de arroz, feijão e milho, culturas de alimentos básicos.


Collor de novo surpreendeu, mas desta vez pela inércia. Ficou praticamente inerte face à grande seca. Fez, como muitas outras vezes, análises acutilantes. Mas só enviou cestas básicas - nem mais um programinha de frente de emergência se deu ao trabalho de implementar. Itamar, à JK, foi mais longe. Fez tudo o que se faz mas pensou: basta. E saiu-se com a transposição do São Francisco.

NORDESTE IGNORA VERBA PARA EDUCAÇÃO Folha de São Paulo  10 DE JUNHO DE 1996
EM TRÊS ANOS OS ESTADOS DO Nordeste usaram apenas 10 por cento dos recursos de um convênio de 736 milhões de dólares firmando entre o Bird (Banco Mundial) e o MEC (Ministério da Educação) para investimentos em educação que beneficia 10 milhões de alunos do ensino público.
"As secretarias de Educação não estavam acostumadas com tantos recursos. Também tiveram que se adaptar para atender as exigências do Bird para contratos com prestadores de serviços" - segundo o coordenador do Projeto Nordeste.

O Estado de São Paulo 8 de dezembro de 1996 NORDESTE CRESCE COM CONSUMO DE BAIXA RENDA APÓS PLANO REAL - desempenho da região supera média do país e renda per capita aumenta, segundo estudo do Lehman Brothers.

DOENÇA DA FOME ATACA SERTANEJOS
Bezerros, a 130 km de Recife (PE)
a pelagra, uma doença de rara frequência, que atinge apenas pessoas com alto grau de desnutrição.
A maior parte não lembra o último dia que comeu farinha e feijão.
De 18 filhos de um 10 morreram de fome durante as secas dos últimos anos.
- A gente só passa com fubá. Assim mesmo quando Deus quer.
PREFEITURA RECOMENDA COMER CAPIM
Diante da completa falta de alimentos (...) os 150 lavradores com pelagra de Bezerros têm sido orientados pela Prefeitura para comerem capim angola, uma gramínea normalmente usada como ração de gado. O suco do capim, misturado com açúcar, já chegou até a rede oficial, onde as crianças dos cinco sítios atingidos pela doença estão tomando o líquido.
- Eu até que queria tomar, pois soube que o gosto do suco parece com o de caldo de cana, mas não tenho liquidificador para bater o capim.
- Eu me lembro que na seca de 1943 muita gente teve essa doença no sítio Jurema, onde eu morava. Meu irmão se curava com banha de teju. Minha mãe matava o teju, uma espécie de lagarto, arrancava-lhe o couro, fervia a gordura e a guardava numa lata.
Pelagra causa diarréia, dermatite e demência.
- Na realidade o que está acontecendo no interior é uma epidemia de fome.
(endemia)

SUDENE 23 de março de 1993 INDÚSTRIA DA SECA
Humberto Lucena, presidente do Senado
Nos anos de arbítrio militar desarticulou-se o órgão, expurgando-o de seus melhores quadros técnicos e destituindo-o do status original de agência regional de desenvolvimento, com o perfil de ministério.
Não deixar que se perpetue a famigerada indústria da seca
resgate do poder institucional/ministerial da Sudene.
Implementação de medidas concretas para respaldar e incentivar o apoio à agroindústria, às micro, pequenas e médias empresas de exportação, aos projetos de irrigação, ao fortalecimento e reordenamento dos pólos industriais de base às empresas de exportação, ao soerguimento de suas universidades e dos seus institutos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e avançar no combate às remanescências conservadoras das relações de produção no campo, imprimindo-se a necessária urgência à reformulação profunda de sua estrutura agrária.

Jornal do Brasil 21 de março de 1993 INDÚSTRIA DA SECA SUDENE
A última vez que um longo período de seca resultou em ação de longo prazo para o Nordeste foi em 1959, quando surgiu a Sudene. A criação do Banco do Nordeste, no início dos anos 50, da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), em 1942, e do DNOCS, no começo do século, aconteceram depois de uma grande seca.
Celso Furtado:
- A população nordestina está privada de toda possibilidade de auto-investimento. Ela não investe em si, não acumula nada, não tem opções e portanto não é agente ativo mas uma massa passiva.
Estudo da Sudene de 1991: o Nordeste iguala-se às regiões mais desenvolvidas do país em 2018 se tiver um crescimento 40 por cento superior à média nacional.
O plano mais profundo e detalhado foi preparado de 1957 a 1959, quando especialistas do Grupo de Trabalho do Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), embrião da Sudene, diagnosticou os problemas hoje exacerbados e apresentou quatro pontos básicos para reverter o atraso da região, entre os quais substituir a monocultura da cana pela produção de alimentos.

DE SEQUÊNCIA NUMA SEMANA DE MARÇO DE 1993 QUE REVELA O QUE OCORRE NESSA CIRCUNSTÂNCIA

"Estado de Emergência" SECA ATINGE 52 por cento DAS CIDADES NORDESTINAS
Sudene quer participação do Exército na execução de obras emergenciais contra a estiagem Folha de São Paulo 20 de março de 1993
afetando no mínimo 8,3 milhões de pessoas. 407 municípios de toda a região decretaram estado de calamidade pública. O Piauí é o mais prejudicado: 137 dos 152 municípios sofrem com uma estiagem que já dura três anos e que atinge 1,3 milhão de habitantes.
CIDADE DA PARAÍBA É INVADIDA
Cerca de 400 trabalhadores rurais, segundo a polícia, invadiram a cidade de Bananeiras, 114 km a nordeste de João Pessoa, e tentaram saquear a feira livre da cidade.

SECA PROVOCA SAQUES, INVASÕES, TIROS E PRISÕES Jornal do Brasil 24 de março de 1993
Várias invasões e saques praticados por flagelados da seca em diversas localidades do Ceará, Paraíba e em Alagoas.

O GLOBO 27 de março de 1993
OS RAROS PRATOS DO 'CARDÁPIO DA FOME'
Nesse cardápio o pão não leva trigo, o cuscus (sic) não tem milho e a farinha é feita sem mandioca. Eis alguns pratos, segundo a receita dos sertanejos de Pernambuco
mucuma (fava do mato) - Uma planta rasteira.
Lava-se a mucuma sete vezes para tirar o veneno, junta-se sal grosso e rala-se ou bate-se a mistura no pilão. Vai ao fogo em panela de barro e come-se como cuscus (sic).
Cafofa de umbu - O umbuzeiro é uma árvora alta, que resiste bem à seca. Quando frutifica os sertanejos comem o umbu com sal. Quando a safra acaba cortam a raiz para comer.
Cava-se quatro palmos de terra até encontrar a cafofa, que é como uma batata. Cozinha-se em água e sal e come-se pura, apesar de ser meio amarga.
Maniçoba ou mandioca do mato - Essa planta é venenosa e se o boi comer a folha morre.
Tira-se a batata (raiz), cozinha-se, faz-se farinha e come-se assim. Pode-se fazer também o chamado "pão de sete águas".
Palma - Espécie de cactus.
Pega-se as folhas mais novas, tira-se o espinho, pica-se toda a folhagem e põe na água sal. A baba sai e come-se com farinha, quando tem.
FEIJÃO APODRECE EM ARMAZÉNS DA CASEMG
Cerca de 300 toneladas de feijão colhidas no ano passado estão apodrecendo nos armazéns da Companhia de Abastecimento e Silos (Casemg) de Montes Claros, uma das regiões mais pobres do estado.

O GLOBO 11 de maio de 1993
SE CHOVER ESTRAGA
INDÚSTRIA DA SECA - definitivo
No passado a Petrobras andou realizando perfurações no sertão nordestino em busca de petróleo. Achou água. Muita água. E água de boa qualidade para irrigação e para consumo. (...) Por ordem superior os poços foram soterrados, tamponados e riscados dos mapas das prospecções oficiais da Petrobras, Água atrapalha.
A indústria da seca não é invenção dos sulistas (...). Ela realmente existe e prospera. Além de explicar e sustentar certas oligarquias políticas da região a indústria da seca continua enchendo as burras dos atravessadores (intermediários) de todos os projetos e programas irrigados como repasses federais. No momento estão sendo desviados recursos oferecidos aos flagelados dentro do pomposo Programa Produtivo de Trabalho - que nada tem de programa e muito menos produtivo.
Enquanto o Tribunal de Contas da União abre auditoria no corpo mumificado do Dnocs, a Procuradoria Parlamentar da Câmara Federal tenta ligar o motor de ignição da CPI da Indústria da Seca. A empreitada é leonina: a mesma Câmara rejeitou a investigação das denúncias que rondam o presidente da própria, o industrial da seca Inocêncio de Oliveira.
Criado em 1909, o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca é uma galhofa tecnocrática e uma sucata tecnológica. Inventado para arrancar água do subsolo e para construir açudes de abastecimento e irrigação o Dnocs precisou de 84 anos de carreira e 6 bilhões de dólares em valores corrigidos para executar apenas 25 mil poços. Dos quais 18 mil em propriedades privadas.
A indústria da seca já tem os números consolidados. Falta a revelação dos favorecidos: fazendeiros, industriais, comerciantes, vereadores, prefeitos, governadores, deputados e senadores. A primeira lista transporta 3 412 nomes. Ela aguarda o sinal verde da CPI.

SERTÃO VIRA CEMITÉRIO DE OBRAS PARALISADAS Folha de São Paulo 11 DE ABRIL DE 1993   INDÚSTRIA DA SECA
Levantamento preliminar de técnicos da equipe de Itamar Franco contabiliza existência de pelo menos 50 barragens e construções abandonadas.
Homem de 68 anos de Umburanas, a 690 km de Recife, costuma andar até três quilômetros com duas latas d'água (40 quilos nos ombros) da cacimba até a sua casa.
Ali, no mesmo município de Santa Maria da Boa Vista, existe tanto o sofisticado empresário que exporta uvas para o Mercado Comum Europeu como o cidadão que só toma água enlameada, colhida com dificuldade a três quilômetros de casa.
Na paisagem de Primeiro Mundo, avançadas técnicas de irrigação produzem a fartura, que inclui até mesmo uma vinícola [que (...)] produz seis vinhos. Um deles, o tinto Botticelli Chemin Blanc, é considerado um dos melhores do Brasil.
SECA CONSOME 1 bilhão de dólares por ano
- Muito dinheiro vindo para o Nordeste serviu apenas para irrigar os currais eleitorais - diz o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB-CE).
DESMAIAR POR FOME É COMUM
entre as crianças sertanejas
- Esse bichinho só vive caindo aqui dentro de casa e nos cantos das cercas. É fraqueza.
200 crianças no lugar, no município de Salgueiro, a 490 km de Recife - o índice de desnutrição é de 100 POR CENTO.
      100% DESNUTRIDO
      DESNUTRIDO 100%

O médico receitou dois "remédios": leite e caldo de carne.
- Essas coisas a gente não sabe mais nem onde é que tem.
O nanismo, segundo dados da Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, atinge 6 por cento das crianças do interior do Nordeste.

GAZETA MERCANTIL 12 DE ABRIL DE 1993
SECA PROVOCOU QUEDA DE 1,6 POR CENTO DO PIB DO NORDESTE EM 1992, DIZ A SUDENE
em comparação com 1991 (que já foi ano de seca).
As maiores quedas de produção agrícola foram as das culturas de arroz (51,6 por cento), castanha de caju (44,9 porcento), milho (39,6 por cento), algodão (28,6por cento), cebola (27,7 por cento) e tomate (26,2 por cento).
Pos estado, as maiores quedas ocorreram no Piauí (58,9 por cento), Maranhão (41,4 por cento) e Ceará (33 por cento).
(Bateu mesmo mais para aquelas bandas, a nordeste do Nordeste)
O único estado da região com crescimento agrícola foi a Bahia.
(não bateu tanto a sul)

GAZETA MERCANTIL 14 DE ABRIL DE 1993
FRACASSO NA CORREÇÃO DAS DESIGUALDADES    SUDENE
Nas últimas três décadas apenas através de uma agência federal, a Sudene, foram transferidos cerca de 18 bilhões de dólares ao Nordeste - dados do relatório preliminar de uma comissão mista do Congresso Nacional coordenado pelo senador Beni Veras (PSDB-CE).
No caso do Nordeste os indicadores sociais encontrados pela comissão são equivalentes aos registrados em países como Haiti, Zaire e Honduras, cujo PIB per capita é bem inferior ao nordestino.
Na Amazônia de 1970 a 1985 foram financiados 674 projetos agropecuários e agroindustriais que contribuiram para uma expansão da área rural de 23,2 milhões para 44,9 milhões de hectares principalmente nos estados de Rondônia e Pará.
Desse total apenas 94 foram considerados oficialmente implantados até 1985 e deles apenas três registraram alguma rentabilidade no período.
Constata-se no Nordeste uma real mudança especialmente no setor industrial, que absorveu a maior parte dos investimentos agenciados pela Sudene. No centro da mudança está apenas um estado, a Bahia, e um segmento produtivo: a petroquímica.
O Nordeste apresenta um quadro de operações econômicas marginais muito mais grave que no resto do país: entre 40 a 60 por cento da População Economicamente Ativa de sua área urbana dedica-se a atividades econômicas informais, "dependendo da definição que se adote de setor informal da economia".

Folha de São Paulo 17 de abril de 1993  INDÚSTRIA DA SECA
A SECA E A PISCINA
GILBERTO DIMENSTEIN
Localizados a apenas 30 quilômetros de Recife, dois hotéis foram agraciados com poços do Dnocs. Surpresa: eles oferecem a seus clientes ar condicionado, frigobar e piscina (adulto e criança)
Os desesperados migrantes acabam provocando tensões sociais nos grandes centros urbanos, empurrados à marginalidade.

FOLHA DE SÃO PAULO 14 DE ABRIL DE 1993  INDÚSTRIA DA SECA
A INDÚSTRIA DA FOME
Gilberto Dimenstein
Dados coletados pelo deputado Jaques Wagner (PT-BA - Partido dos Trabalhadores - Bahia) junto da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e do Banco do Brasil: 15 mil toneladas de alimentos, o suficiente para alimentar 400 mil crianças durante um ano, foram enterradas. Mais: três mil toneladas estão estragadas e outras 30 mil em fase de apodrecimento nos armazéns.
O Brasil é um dos líderes na América Latina em desnutrição infantil. Perdemos apenas para o Haiti, um dos países mais miseráveis do mundo e por muito pouco da Guatemala. Dos alimentos apodrecendo aos poços do Dnocs, passando pelos subsídios aos usineiros, entre uma infinidade de descasos diários, prova-se que o Brasil já faria uma grande revolução (ganharia muito dinheiro) se apenas reduzisse pela metade o desperdício.

INDÚSTRIA DA SECA
A SECA DE HOJE GARANTE A ELEIÇÃO DE AMANHÃ Folha de São Paulo 21 de abril de 1993
MANOEL DANTAS BARRETO, presidente da Frunorte - Frutas do Nordeste Ltda.
Sempre soluções paliativas.
O estado de engessamento da grande parte das elites nordestinas (parece) intransponível
A vocação do Nordeste é dada pela própria natureza: o fantástico potencial turístico e as condições excepcionais para a agricultura irrigada, especialmente a fruticultura.
O Nordeste tem insolação elevada, solos de boa drenagem, baixa umidade relativa do ar - desfavorável às pragas - e a água necessária. O Vale do Assu, no Rio Grande do Norte, hoje importante pólo frutícola, é um exemplo que pode ser repetido.
mentalidade feudal

O RETRATO DESUMANO DA SECA VOLTA AO SUL
O GLOBO 2 DE MAIO DE 1993

- Água mesmo só aparece na terra de quem tem como pagar a irrigação - afirma o lavrador, que deixou Xique-Xique, cidade que tem lavouras ressecadas às margens do rio São Francisco [e] já conseguiu um emprego de chapeiro em uma lanchonete no Jaguaré.
(...) Com a plantação de mandioca arrasada, o casal - que já viveu em São Paulo, Brasília e no Rio - vendeu sua casa em Souza (Paraíba) por Cr$ 10 milhões. O dinheiro foi suficiente para comprar as passagens, Cr$ 1,7 milhão cada, e concretizar o sonho de viver em uma favela carioca.
- Não aguentava mais ficar sem tomar banho.
(...) Migrantes de primeira viagem, a maior parte dos nordestinos que desembarcam no Rio depois de 49 horas de ônibus nem sabe onde ficar.

PACOTE DE FUROS ISTOÉ 20-08-1997
Barragens do Comunidade Solidária e do governo mineiro têm vazamentos e suspeita de superfaturamento
construção de 70 barragens em 35 cidades do Vale do Jequitinhonha, onde vivem 1 milhão de pessoas
programa de R$ 8,7 milhões
- Existem locais mais amplos e adequados no mesmo córrego - admite o secretário de Obras do município de Rio Pardo. No mesmo município um fazendeiro abastece sua propriedade com uma barragem que construiu há dois anos pela metade do preço gasto pelo governo.
Outra barragem não tem serventia nem para gado porque a água é barrenta e infestada de sapos e roedores em decomposição.
Seca de 1996 foi considerada a pior da história na região.

NORDESTE TEM A MENOR TAXA DE CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO DO BRASIL
MÍRIAM LEITÃO O GLOBO 10 DE AGOSTO DE 1997
IBGE - censo demográfico
Brasil: 1,35 por cento
Nordeste: 1,06 por cento
A área mais pobre do Brasil, o Nordeste rural, perdeu 1,15 milhão de habitantes.
A população das cidades cresceu em 12 milhões.
EDUCAÇÃO Adolescentes de 15 a 17 anos na escola:
1980: 48,8 por cento
1991: 55,3 por cento
1996: 66,8 por cento - aumentou 21 por cento

2008 veja 23 de julho
TRAGÉDIA ANUNCIADA
Em 1981, 1983 e 1998, dedicou reportagens de capa
... fenômeno cíclico perfeitamente previsível...
descaso das várias esferas governamentais...
... deixou de frequentar o noticiário de alguns anos para cá.
A única solução de longo prazo que as autoridades apresentam para ela até hoje - a transposição do Rio São Francisco - continua longe de se tornar realidade.

 

Seca reflete drama de uma imprensa acomodada com problemas do Brasil

Fracasso da reforma agrária começa a ser determinado em meados do século XIX – poderoso jogo de interesses de fazendeiros que começaram a amealhar fortuna como posseiros de terras públicas

MOVIMENTO TARDO-MEDIEVAL BRASILEIRO

Burgos-favelas

Terras comuns/públicas – posseiros – latifúndios

De História Geral - Raimundo Campos - 1º Grau

Atual Editora, São Paulo, 1985; GOVERNO JOSÉ SARNEY

                                 TUDO PELO SOCIAL

Essas atividades criadoras levaram os nobres a realizarem os chamados cercamentos de terras comuns, que muito prejudicaram os camponeses. As terras comuns existiam em cada feudo e podiam ser utilizadas por todos. Com os progressos da criação de ovelhas os senhores se apoderaram daquelas terras, levantando cercas e punindo com rigor aqueles que se atrevessem a derrubá-las.

...

Muita gente começou a abandonar os feudos para viver do comércio e do artesanato nas cidades.

(...) Muitas vezes as novas cidades tiveram origem nos castelos fortificados, os chamados burgos.

...

As cidades medievais cresceram de forma desordenada. Não possuíam esgotos, as ruas eram estreitas e tortuosas. Animais como porcos, galinhas e cães eram criados soltos pelas ruas. As casas eram de madeira e frequentemente destruídas por incêndios.

................................................

seca exploração gente pobre políticos populistas

ESPÉCIE DE EXÍLIO SOCIAL E GEOGRÁFICO, museu da miséria e do intolerável

DNOCS  Geremoabo  Pajeú,  Tranca-Pés, Chico Ema

Mito do Brasil cordial  do jeitinho  caatinga  sertanejo muitos ex-escravos  semi-servidão

13 – margem esquerda do São Francisco – pequeno Saara brasileiro

14 - Cultura cana de açúcar  Gilberto Freyre

Fronteiras

ESTENDEU-SE DO NORTE DA BAHIA AO MARANHÃO, TENDO PERNAMBUCO COMO CENTRO.

Monocultura latifundiária e escravocrata das mais destruidoras: Suas fomes, algumas das suas secas e revoluções são aspectos desse drama.

Transposição águas do São Francisco:

1998: última estação generosa de chuvas em Canudos, em 1989, o Vaza-Barris, que leva água para açude de Cocorobó, dá à região uma disponibilidade de água três vezes maior que a de Israel

transposição tornaria Vaza-Barris rio permanente

BAHIA ESTADO COM MAIOR percentagem DE TERRITÓRIO NO SEMI-ÁRIDO: dupla injustiça – clima e incompetência

Seca que se perpetua desde 1605   Vidas Secas

22 – Piauí – última fronteira agrícola 1994 cerrado Polígono das Secas – 936.666 quilômetros quadrados ocupa 11% território do país e 61 por cento do Nordeste – fora Maranhão e norte de Minas Gerais.

Piauí – lago subterrâneo com 45 mil quilômetros quadrados daria para abastecer Nordeste de água por séculos. Lagoas naturais do Piauí dariam para irrigar 250 mil hectares mas não são usadas.

em 124 anos 14 grandes secas causaram a morte de 1,8 milhão de pessoas = 14 000/ano, 38/dia – mais que muita guerra, mais que a tão badalada guerra do tráfico Rio de Janeiro/São Paulo e outras mazelas provocadas pelo mesmo descalabro político-administrativo e econômico.

Tropicaliente 1994

Governo do Ceará investiu 700 milhões de dólares mas estado enfrentava as "sete pragas" do Egito riscos que correm primogênitos associados à seca e à miséria mais epidemias de cólera, dengue e meningite, avanço da hepatite, indigência para sertanejo e mortalidade infantil.

ganhou Prêmio UNICEF por redução da taxa de mortalidade infantil

30 - paciência para atravessar o mar de tédio economia do engenho de açúcar by Cacá Carlos Diegues

No Brasil há uma reprodução da economia do engenho do açúcar do século passado. São quatro ou cinco famílias que comandam as mentes de 150 milhões de brasileiros das varandas de suas casas-grandes, que são as nossas mentes.

VALE DO JEQUITINHONHA

Rico e devastado vale - sem irrigação sem energia para promover indústrias e sem estradas para escoar produtos – até Presidente da República a gente já produziu aqui e nem assim conseguiu sair dessa miséria que matam homem e animal como se não valessem nada.

SUDENE - superintendente no governo Collor, Adauto Bezerra, em 1990: entende de seca e de Nordeste, mas à moda bem antiga: é um dos coronéis da política do Ceará 

situação do Rio São Francisco

rio muito especial porque corre praticamente dentro de um deserto – abastecimento e irrigação pela tomada d’água: mecanismo de resistência ao semi-árido; engenharia política e social

D. Pedro II prometeu vender jóias da Coroa para acabar com o problema da seca.

Medidas só de caráter de emergência, não estruturais, no semi-árido nordestino, onde a seca é crônica, chove mais que em áreas semelhantes de Israel e Califórnia, que superaram problemas de longa estiagem com sistemas de irrigação e armazenamento de água – apenas 2 por cento das águas das chuvas no semiárido são retidos – faltam adutoras, barragens para a perenização dos rios, açudes, cisternas e tanques, além de irrigação, perfuradoras e recuperação de poços, e que se perfure rasos e fundos.

40 crianças morrem por semana no município de Ouricuri, a 630 km de Recife

Joyce Clark, PhD em Economia na Universidade de Nova York, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, reuniu 20 anos de estudos em As raízes coloniais da fome: o caso de Recife:

As condições que existem aqui não existem no sul do Brasil nem mesmo nos EUA para desenvolver uma nova sociedade a partir de condições subjetivas: lutas populares, as mais enraizadas e coletivas do país, de comunidades inteiras – espírito de coletivismo e solidariedade,

A idéia da partilha ainda é uma realidade, característica das raízes africanas e indígenas – contra o individualismo típico do capitalismo, que não floresce lá como nos EUA

Não se resolve em 30 anos um problema que vem de quatro séculos.

Polígono das Secas – média pluviométrica da região é sete vezes maior que a da Califórnia, semiárido nordestino é o mais quente do mundo e não interessa só o que cai mas também o que evapora

Miséria na Zona da Mata úmida é maior que a dos espaços semiáridos.

43 – Nordeste: sete milhões dobraram o milênio sem luz.

poder de Padre Cícero se consolidou na região do Cariri , Ceará, secas prolongadas e fanatismo religioso 

Transposição do rio São Francisco

Interligação de bacias hidrográficas é recurso em várias regiões do mundo

Para regularizar vazão de rios que secam com falta de chuva e garantir abastecimento de 6 milhões de habitantes

Envolve grandes mudanças ambientais e seria necessário recuperar nascentes e matas às margens dos rios

Em Petrolina, chuvaatrapalha: para uma informação boa, o contraponto. Só 3% do solo nordestino se presta à irrigação = 1,8 milhão de hectares, 800 mil na bacia do rio São Francisco. Em todo o Brasil existem 1,4 milhão de hectares irrigados, dos quais 70% no sul e Sudeste

Nordeste não tem o que comer X 2 invasor de cidade cearense SECA 92

Josué de Castro – morreu em Setembro de 1973, pioneiro no Brasil de estudos sobre alimentação e nutrição, 1945: Geografia da Fome 1952: Geopolítica da Fome – falta de qualquer dos 40 elementos nutritivos indispensáveis à salvaguarda da saúde, e não só por inanição causada por falta de alimentos.

Provou que 2/3 da população mundial passa fome ou sofre de doenças por má nutrição.

Não é produzir mais, mas distribuir melhor e repartir mais equitativamente; problemas fundamentais são políticos.

JOSUÉ DE CASTRO
médico pernambucano, 1908-1973
revelou o flagelo da fome no Brasil
em 1952 foi eleito presidente da FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura
Às vésperas do golpe de 1964 foi vetado pelo próprio partido, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), para o Ministério da Agricultura do governo João Goulart
morreu no exílio
Geopolítica da Fome - Geografia da Fome: obras de referência básica, de consulta obrigatória
Theothonio dos Santos, economista
12 de setembro de 1993 Jornal do Brasil
Foi fundo na busca das causas desse quadro de fome, ao processo de colonização e do seu caráter predatório baseado na busca do lucro fácil, do atendimento dos apetites e necessidades dos povos colonizadores, da implantação de regimes de trabalho servis. Destacou ainda o peso atual desta herança numa agricultura dominada pelo latifúndio, numa industrialização baseada no protecionismo e na inflação,  em uma urbanização desequilibrada e incapaz de absorver os trabalhadores vindos do campo e de gerar um mercado urbano capaz de estimular uma economia agrícola moderna.
Alertava para uma centralização econômica que abandonava as regiões mais pobres à sua sorte. Durante os anos de crescimento econômico vitorioso era um dos poucos que criticava, de forma contundente, um crescimento industrial que marginalizava a agricultura e acentuava a concentração de renda e a centralização econômica.
O golpe de 1964 reinstalou no poder a oligarquia da terra, obrigando-a somente a modernizar-se e tornar-se mais produtiva por força de um Estatuto da Terra que preservava suas propriedades anti-econômicas e anti-sociais, o capital internacional e os interesses monopolistas e centralizadores.
Atualidade de Josué de Castro na advertência ao caráter paradigmático da evolução de Recife:
O que os sociólogos chamam de 'cidades inchadas', como a do Recife, com 200 mil marginais improdutivos, oriundos do interior, são uma demonstração evidente de que, longe de se atenuar, se vai agravando no Brasil nos últimos tempos o desequilíbrio entre a cidade e o campo. Como se agrava o desnível entre a região industrializada do Sul e as regiões predominantemente agrícolas do Norte e Nordeste do país, vindo a situação do Nordeste a constituir-se no mais grave problema nacional (...).
Como médico criou a profissão de nutricionista
pesquisou o valor nutricional de um grande número de produtos agrícolas brasileiros
estudou as doenças alimentares mais graves do país
professor de Geografia Humana nas Universidades do Brasil e do Recife
romance
Homens e Caranguejos - homens que moram no mangue e vivem na lama como os caranguejos que vivem no mangue e moram na lama
Josué aprofundou sua visão ecológica da geografia humana que influenciou tão fortemente a ONU para a realização da famosa Conferência de Estocolmo em 1972 sobre ecologia e meio ambiente, em que a ditadura militar se opôs à defesa do meio ambiente em nome do desenvolvimento.
Ninguém se lembrou dele 20 anos depois como precursor do enfoque ecológico dos problemas humanos.
Seus trabalhos deste período foram publicados sob o título
Fome: um tema proibido

"A fome se revelou espontaneamente a meus olhos nos mangues do Capibaribe e nos bairros pobres de Recife."

páginas finais de
GEOGRAFIA DA FOME, 1946
... dualidade da civilização brasileira, com sua estrutura econômica bem integrada e próspera no setor da indústria e sua estrutura agrária arcaica, de tipo semicolonial, com manifesta tendência à monocultura latifundiária, (...)
Nenhum fator é mais negativo para a situação de abastecimento alimentar do país que a sua estrutura agrária feudal, com um regime inadequado de propriedade, com relações de trabalho socialmente superadas e com a não-utilização da riqueza potencial dos solos.
Também fator de agravamento da situação alimentar tem sido o surto de expansão industrial do país, sem o paralelo incremento da produção agrícola, de forma a atender à crescente procura de alimentos de uma população que procura levar os seus padrões de vida, principalmente nas cidades.
A alimentação do brasileiro se mostra assim imprópria em toda a extensão do território nacional, apresentando-se em regra insuficiente, incompleta e desarmônica, arrastando o país a um regime habitual de fome - seja de fome epidêmica, como na área do sertão, exposta às secas periódicas, a do Nordeste açucareiro e a da monocultura do cacau, seja da subnutrição crônica, de carências mais discretas, como nas áreas do Centro e do Sul.
... as inúmeras carências que o estado de nutrição do nosso povo manifesta constitui (...) o fator principal da lenta integração econômica do país. Por conta dessa condição biológica tremendamente degradante - a desnutrição crônica - decorrem graves deficiências do nosso continente demográfico.
 

Josué de Castro morreu em Setembro de 1973. Pioneiro no Brasil de estudos sobre alimentação e nutrição, 1945: Geografia da Fome 1952: Geopolítica da Fome – alertou para os danos que pode causar a falta de qualquer um dos 40 elementos nutritivos indispensáveis à salvaguarda da saúde, e não só para situações terminais como a inanição causada por falta de alimentos.
Provou que dois terços da população mundial passa fome ou sofre de doenças por má nutrição.
Para ele a questão não é produzir mais, mas distribuir melhor e repartir mais equitativamente; problemas fundamentais são políticos.

O Estado de São Paulo 16 de janeiro de 1994
MILTON SANTOS, professor titular de Geografia Humana da USP e autor dos livros
Croissance Démographique
Croissance Alimentaire dans les Pays Sous-Dévéloupés, CDU, Paris, 1967
A Urbanização Brasileira, HUCITEC, São Paulo, 1993
FOME SÓ ACABA COM PACTO SOCIAL DURADOURO
... o sonho do após guerra, de que Josué de Castro foi um paladino, de um mundo onde todos pudessem se alimentar devidamente, mostrou-se vão.
... a fome globalizada é diferente daquela fome localizada do passado.
... Antes os migrantes fugiam dos seus lugares para escapar ao flagelo, enquanto hoje continuam famintos no lugar onde chegam.
... uma urbanização galopante (em 1991, o número do urbano é igual ao total de brasileiros em 1980) e por migrações colossais desenraizadoras (eram 8% os brasileiros ausentes do seu lugar de nascimento em 1940, hoje são mais de 45%), levando a uma concentração gigantesca das populações em pequeno número de cidades (são 12 as cidades com mais de um milhão de habitantes e as Regiões Metropolitanas abrigam cerca de 30% da população nacional).
... o problema da fome, quando se torna estrutural como agora, na escala do planeta, não se resolve metendo na mão dos necessitados um prato de comida. A comunhão instantânea tem de ser substituída por um verdadeiro e duradouro pacto social.

FOME E SECA; HISTÓRIA E ATUALIDADE         INDÚSTRIA DA SECA
MOACIR WERNECK DE CASTRO
Jornal do Brasil 24 de março 1993
Evocando os antecedentes do problema, escrevia Josué de Castro em Geopolítica da Fome:
São mais fatores de ordem social do que fatores de ordem natural que determinam a precariedade e a escassez alimentar neste continente. (...) A fome reinante nas terras sul-americanas é uma consequência direta do seu passado histórico: da história e da sua exploração colonial, de tipo mercantil, desdobrada em ciclos sucessivos de economias destrutivas.
Monocultura e latifúndio constituem um dos maiores males do continente, que entravam de maneira terrível o seu desenvolvimento agrícola e consequentemente suas possibilidades de abastecimento alimentar.
Em outro livro,
Sete palmos de terra e um caixão - Ensaio sobre o Nordeste, uma área explosiva, escrito pouco antes de 1964,
Josué de Castro analisa aspectos do problema da seca (...) A indústria da seca (...) vem de longa data (...) historia os precedentes de tentativas e fracassos a partir da criação do primeiro órgão destinado a enfrentar o problema: a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas.
Inicialmente se pretendia resolver a situação através de soluções técnicas, de engenharia hidráulica. Mas os açudes construídos "limitavam-se a refletir nas suas águas a beleza do azul do céu e a concentrar nas suas margens, como pontos de resistência, as negras massas de retirantes das épocas de calamidade".
Escreve ele que mais grave que a miopia técnica foi a mistificação política. O órgão federal "canalizava para os bolsos dos senhores das terras e dos seus apaniguados quase todos os recursos que deviam ser destinados a alimentar, a educar, a ajudar a viver os camponeses da região". Sua ação se fazia sempre "ao sabor das influências e do prestígio político".
As medidas posteriores, orientadas por uma mentalidade desenvolvimentista e não apenas paternalista, beneficiou "mais certos grupos apaniguados do que propriamente as vítimas do flagelo", com sua execução entregue a "colaboradores altamente comprometidos com a estrutura agrário-feudal, amparada no capital estrangeiro".
Daí a pouco o golpe militar faria do autor um proscrito
(autor, estudioso, professor, executivo - diretor-geral da FAO - Food and Agriculture Organization)
 

MISÉRIA, COMO E QUEM VAI PAGAR A DÍVIDA SOCIAL? folha de são paulo 26 DE JUNHO DE 1994
única proposta de programa para debelar a crise social dos presidenciáveis, a de Lula, amparada em expectativas irreais de investimentos e recursos.
economia cresceu 4,9 por cento em 1993
indústria: 11 por cento
emprego: 0 por cento
para absorver os 10 milhões de desempregados (...) o país precisaria crescer como um tigre asiático por quatro anos enquanto distribui renda com a generosidade de um paraíso nórdico.
[por outro lado teria de reciclar e capacitar mão-de-obra em função do baixo nível de formação da grande maioria da população]
"Da condição de pobre à de não-pobre - modelos rurais e urbanos de combate à pobreza" - Roberto Cavalcanti de Albuquerque, do Instituto Nacional de Altos Estudos:
década de 1970: PIB cresceu 81 por cento
o número de pobres caiu de 45 milhões ou 47 por cento da população para
30 milhões ou 25 por cento da população
década de 1980: PIB per capita caiu 4 por cento e o número de pobres subiu para
39 milhões ou 27 por cento da população
Nordeste: nos últimos 20 anos foram investidos US$ 4 bilhões em programas ANTIPOBREZA
as emigrações não cessaram e nos anos 1980 o número de pobres cresceu de 11 milhões ou 66 por cento da população para 12,6 milhões ou 69 por cento da população.
            - A PERSISTÊNCIA DA POBREZA RURAL DO NORDESTE NÃO SE EXPLICA APENAS PELAS DIFICULDADES IMPOSTAS PELA NATUREZA (A SECA) NEM POR RAZÕES ECONÔMICAS E POLÍTICAS. ENCONTRA-SE MAIS NAS CONCEPÇÕES DO MUNDO DO HOMEM: FORMAS DE PERCEPÇÃO E COMPREENSÃO MÍTICAS, TRADICIONAIS E MODERNAS, EM CONFUSO AMÁLGAMA, GERANDO EM MUITOS CASOS IMOBILISMO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS E PASSIVIDADE ANTE OS DESAFIOS DA NATUREZA.
 

ÍNDIOS CARIRIS habitavam terras banhadas pelo rio São Francisco

RIO SÃO FRANCISCO: próximo à cabeceira poluído por metais pesados usados nas extrações de minério dos garimpos; submédio e baixo, poluição de aGRotóXicos, esgotos de cidades e povoados, depósito de lixo e dejetos de populações ribeirinhas, entre as quais as maiores são as mais emergentes, Juazeiro e Petrolina

caatinga: origem do nome nome da vegetação, que significa MATA BRANCA, durante a estação seca a paisagem fica cheia de gravetos cinzentos e brancos, donde o nome

a acauã, espécie de gavião; a asa-branca, espécie de pombo; a sussuarana ou puma

Vale do Jequitinhonha  origem nome: no dialeto dos índios maxacalis, jequi era um balaio usado para pescar e nhonha significa peixe. No Jequi tem nhonha

espaço mítico Rosa, João Guimarães e Graciliano Ramos: cenário de narrativas semi-existencialistas homens amesquinhados pelo ambiente natural e social

52 – Otavio Ianni sobre Gilberto Freyre: democracia racial X história incruenta: pasteuriza luta social e revoltas graves

53 - cerrado mineiro  devastação carvoeiros Urucuia/São Francisco –  Manuelzão – nova geografia do cerrado: soja, eucaliptais, indústria siderúrgica

54 – sobre classe média – não havia no sertão:  ou Patrão ou trabalhador enxada   

 “história social do patriarcalismo, vida da região dominada pelo mandonismo do senhor das terras” – José Lins do Rego

55 - Graciliano: aprender a ler com a Bíblia – sertão – dezenas de teses

57 - agravamento da miséria das massas nordestinas do campo e da cidade desmente pretensões modernizadoras que pouco mudaram no regime de propriedade ou na estrutura oligárquica de um sistema brutalmente explorador e retrógrado

80 – Nordeste, Gilberto Freyre – Nordeste da cana preparava seco e estéril: clima temperado, regime de águas – engenho de banguê – o mais primitivo – monocultura – rios = mictórios

    ESSE NORDESTE PREPARAVA O OUTRO, SECO E ESTÉRIL DF HOJE. O EXCESSO DE PARTIDAS DE CANA FOI DESTRUINDO SEM PARA AS MATAS. A COIVARA E A QUEIMADA DERAM NA EROSÃO DA TERRA. ALTEROU-SE O CLIMA, A TEMPERATURA E O REGIME DE ÁGUAS. OS RIOS LOGO APODRECERAM. SEPAROU-SE O HOMEM DAS MATAS E DOS ANIMAIS.

(...) E AS CALDAS FEDORENTAS MATAM OS PEIXES. ENVENENAM AS PESCARIAS. EMPORCALHAM AS MARGENS.

(...) A HISTÓRIA DE COMO O ENGENHO DE BANGUÊ, O MAIS PRIMITIVO ENGENHO DE AÇÚCAR, SE TRANSFORMA NA USINA MODERNA, DE MAQUINARIA EFICIENTE E PODERIO FINANCEIRO

(...) O MONOCULTOR RICO DO NORDESTE FEZ DA ÁGUA DOS RIOS UM MICTÓRIO

 


 

   A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS                   

AFriCa AMériCA     EuROPa                                                                     

nossos enviados reportam de três continentes as causas e consequências de duas emergências previstas para nostro domus Terra há milhares de luas, baseados no que vêem e no banco de dados revoluciomnibus. com

 em

          A FOME  NO MUNDO E OS CANIBAIS

 

   

          huxley na fome do mundo

                                   

       CRISE 2008

DE CRACK EM CRACK A COMANDITA ENCHE O PAPO

 

                                                    

           ALIMENTAÇÃO      ENERGIA

       

         GUERRA      E      PAZ

   Oh como os brancos são bons 

  Come sono buoni i bianchi

 

    

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