Parangopipa no ar com  Waly Saloo Sailormoon marinheiro da lua  

luz sobre os parangolés de HO

 

Parangopipas

ME LEMBRO DA INAUGURAǃO DE TROPICLIA NO MAM EM 1967, AQUELE CALDEIRÏ QUE DESAGUOU NO TROPICALISMO, A ANARQUIA ARQUITETԎICA DAS FAVELAS, A MARGINLIA, O MORRO DA MANGUEIRA E A SUPRA-SENSORIALIDADE DA CANNABIS SATIVA

WALY SALOMÏ, 1993

 SAILORMOON`S GROOVIE   PROMOTION 

APOCALIPOPӔESES   ROGɒIO DUARTE

ALFAVELA  BRASISPERO WALY SAILORMOON

   WALUCINADA       HɌIO OITICICA

  

MACALɼ/strong> LANNY SAILORMOON & TRIBO VAPOR BARATO

A TODO VAPOR  

             A COR DO SOM

 

MUsica do Brasil de Cabo a Rabo

 

    MÚsica do Brasil de Cabo a Rabo

                   I    O LIVRO DE PEDRA

                   RIO &TAMBɍ POSSO CHORAR   

 

                                    V A P O R  B A R A T O  

                                                            PERQUIRIǃO EM  TORNO  DA(S)  CENTELHA(S)

                                                            QUE  DEFLAGRAM  A  LUZ  DO  SOL

                                                            EM  PLENA  DITADURA  POL͔ICA  E  DE  PRECONCEITOS  

 

      ROSA DOS VENTOS  E  GAL A TODO VAPOR  

     E M   C O N T E X T O   D E  E X ͠L I O S  

 

 

 Augusto de Campos em e outras bossas de Balanço da Bossa e outras bossas inclui em Balanço do Balanço - Posfácio a era em que com a torneira aberta pela Tropicália a assim-chamada MPB opera sobre a metalinguagem. No fechamento da reedição de Balanço da Bossa, em 1973, publica anotaçôes sobre milestones de Tomzé, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos, Walter Franco, João Gilberto, Hermeto Pascoal, Jorge Ben e Jards Macalé lançados naqueles anos, desvendando parte da trilha recordista em diversidade e qualidade do início da década de 1970. 

 Depois de um suposto interregno causado pelo impacto nos extratos mais sensíveis da sociedade da virulência do governo do general Garrastazu Médici, a criatividade em múltiplas vertentes da música popular brasileira fez o povo mais ligado continuar sonhando alto. Além deles, Milton Nascimento e o Clube da Esquina, com múltiplos associados, de Dori Caymmi a Nelson  Ângelo, Nana Vasconcelos e  Rodrix, Luiz Gonzaga Jr., Egberto Gismonti e Tom Jobim  alargaram  as  fronteiras  musicais  a  campos  e espaços sonoros surpreendentes a ponto de a partir de então a chamada MPB ter sido o último refúgio nomeadamente das divas Ella e Sassy, assim como Sinatra não pudera deixar de no devido tempo prestar tributo a Tom Jobim. Milton Nascimento e turma, com Robertinho Silva, Novelli, Luís Alves, Paulo Moura, Toninho Horta, Wagner Tiso, levam mestres como Archie Shepp, Mal Waldron, Wayne Shorter, Quincy Jones e Herbie Hancock ao encantamento. Sorriem, ficam só atentos ao toque e perguntam who´s the pianist? (Mal Waldron) ou se jogam para trás na cama a expirar it´s so laaid baaack! (o baterista Cameron Brown) numa audição de Milagre dos Peixes de Milton Nascimento no quarto de hotel de Shepp em Lisboa, depois de uma audição de Shepp em quinteto no festival de Newport de 1965 no LP que dividiu com John Coltrane.

A música brasileira continuou a surfar altas ondas mundo afora – a música sendo talvez o melhor cartão de visita do Brasil de San Joaquin Valley na Califórnia ao Nepal.

Num mundo deserto de almas negras 

Me visto de branco

Me curo da vida sofrida, sentida 

Que deram pra mim

No mundo deserto de almas negras 

Sorriso não nego

Mas vejo um sol cego 

Querendo queimar o que resta de mim

Vivo num mundo deserto de almas negras

Vivo num mundo deserto de almas negras

Vivo num mundo deserto de almas negras

MUNDO DESERTO

Esta história começa no tempo em que também a dupla Roberto Carlos-Erasmo Carlos dava as cartas e marcava época com sacadas esclarecedoras.

Todos Estão Surdos, As Curvas da Estrada de Santos, Se Você Pensa, Mundo Deserto, numa linha entre o soul e o funk, da melhor lavra de Erasmo solo, supõe-se  – mais um oriundo da turma da Rua do Matoso, na Tijuca, com Jorge Ben e Tim Maia, que desponta nas paradas - contrabalançavam músicas apelativas para ninar empregadas domésticas e spirituals como Jesus Cristo e A Montanha – a la brasiliana católica, se assim se quiser. Detatlhes precisos con cisos.

Eu prefiro as curvas da estrada de Santos onde eu tento esquecer um amor que eu tive e vi pelo espelho na distância se perder - sequência cinematográfica como Erasmo Carlos em Ritmo de Aventura. Movimento e concisão: Se um outro cabeludo aparecer na sua vida ...

Mundo Deserto, gravada por Elis, foi uma das mais vivas expressões do clima de terror que sucede a promulgação do Ato Institucional Nº 5.  

 ALMAS NEGRAS                                                                       

A euforia carnavalesca da Tropicália e da Turma da Pilantragem (para crianças e a manada) se esfoi e como depois de todo carnaval veio a quarta-feira de cinzas. Milicos & sequazes assumiram sua feição mais brutal impondo tortura, censura, exílio – como a Gilberto Gil e Caetano Veloso, obrigados primeiro a confinar-se em Salvador e depois a mudar-se para Londres, onde viveram dois anos, depois de encararem a prisão por três meses. Gil não perde tempo: informa-se sobre filosofia oriental, ioga e macrobiótica – que praticará por cinco anos – e, forçado a abandonar o Brasil, deixa um recado “otimista-lírico” (Nelson Motta): Aquele Abraço. Sim mas também o rescaldo da dureza, as sintomáticas Fechado Pra Balanço (Gil) e Não Tenha Medo (Veloso), que Elis gravou ao lado de canções no beat da hora como These Are The Songs de Tim Maia e Black is Beautiful de Marcos e Paulo Sérgio Valle.

Mesmo sem ser obrigados outros compositores partem para o estrangeiro, como Chico Buarque, que se mudou com armas e bagagens (Toquinho) para a Itália, ou Edu Lobo, sob pretexto de fazer um curso de orquestração em Los Angeles.

Dos sóis, Cae, Gil, mandem notícias logo – requeriam Jards Macalé e Capinan  em  Pulsars e Quasars, com Gal Costa, e das brumas de Londres Gil e Caetano em sintonia temática mandavam recados nostálgicos, While my eyes go looking for flying saucers in the sky, cantava o mano triste (I saw him tão triste, I told him he was alone and he could cry, reportou Gil em One a.m. em seu LP londrino), mensagem captada e retransmitida por Gal Costa no seu jeito peculiar de canto intimista muito no estilo bossa nova – que fez João Gilberto, depois de ouvir seu primeiro disco, dizer que era a melhor cantora do Brasil – mas inesperadamente rasgando-se em gritos de apelo como os de Janis Joplin, que por essa altura passara uma temporada no Rio de Janeiro.

Gilberto Gil gravou em Londres um LP com faixas em inglês (uma das letras, Three Mushrooms, explosiva revelação na música de um não tão novo grande poeta e pensador brasileiro, Jorge Mautner) sozinho com seu violão, aqui e ali uma guitarra (Mick Ronson, da banda de David Bowie) e um baixo elétrico (Chris Bonnet), onde recriou magistralmente a canção de Steve Winwood do antológico LP do Blind Faith, no fundo expressão aguda do exílio forçado: can’t find my way home...

Na Itália Chico Buarque escrevia do seu isolamento no chamado Samba de Orly,  ou  de  Fiumicino, em música de Vinícius de Moraes - por uma vez os papeis invertidos: Vai, meu irmão, você tem razão de fugir assim desse frio..

Não quero ficar dando adeus às coisas passando, eu quero é passar com elas, sinalizavam outra vez Jards Macalé-José Carlos Capinan em Movimento dos Barcos, lançado por Maria Bethânia no show Rosa dos Ventos ainda em pleno choque dois anos depois.

O Brasil era – ou fazia parte de – um mundo deserto de almas negras.

Meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo       Tudo certo como dois e dois são cinco  ecoou Caetano Veloso back in London. Viveu-se na música popular um hiato de TALVEZ alguns meses de crise de inspiração – o que é muito dito mas não muito claro – que pareciam séculos em que se via que o país tropical da beleza e da aparente leveza da BN, redefinido pela Tropicália como uma geleia agridoce ou ACRISSOLAR, poderia ser para sempre dominado pela truculência de milicos & afins. Almas negras assombravam o Brasil quando acontece Rosa dos Ventos e GAL A TODO VAPOR .

No propalado recesso causado pelo impacto do AI-5, muito samba-soul ou funk e (Gal) cabelo black power – black is beautiful. Black is Beautiful – Marcos e Paulo Sérgio Valle, Tributo a Martin Luther King Jr. – Wilson Simonal-Ronaldo Bôscoli, e de outra frente Réu Confesso – Tim Maia em remake de Jackson Five três anos antes do estouro com Gostava Tanto de Você (Edson Trindade).

Quem descreve sem ter vivido aqueles anos se despista nas curvas de climas e fatos da época. Abril de 1997. Luís Antônio Giron publica no jornal Folha de São Paulo ampla resenha do livro Anos 70 Novos e Baianos, de Luís Galvão, em que incorre em equívoco, ou não se entende bem quando diz que  “o livro preenche o oco deixado pelos historiadores da música, que vai do êxodo dos tropicalistas em 1969 à volta da classe artística ao país, pelo ano de 1974 [Chico voltou em 1970 e os baianos voltaram em 72]. Nesse lustro pouca coisa aconteceu na MPB além de Wilson Simonal, Walter Franco, Secos & Molhados e, sobretudo, Novos Baianos.”

Oras, Simonal não aconteceu pós 1970 e para os entendidos Secos & Molhados foi apenas um acontecimento entre muitos em 1973 (bastaria citar os LPS Matita Perê, de Tom Jobim, João Gilberto e Ben). Aconteceu tudo nesse “hiato”, obras básicas de qualquer um deles como se vê pelos elencos acima.

Marcos   da   música   popular   brasileira   pós-tropicalismo: Vertentes Pós-baianos: Novos baianos – Pepeu estreia com Gil no Teatro Castro Alves em Barra 69 -, o som é Minas ou Clube da Esquina, roque rural e moda de viola tinindo em Em Busca do Ouro, de Ruy Maurity & Banda do Oitão, Naná, muita boa canção urbana para gosto sortido como Chico, Paulinho, Gonzaga Jr, Jorge Mautner, Tomzé e Walter Franco, além dos filhos de Villa Lobos Egberto Gismonti, Edu Lobo e Francis Hime, Tom, João, hors-concours, e hors-concours Hermeto.

Vai ver não teve nem hiato, porque no interregno saíram Legal (1969), A Tua Presença, de Maria Bethânia, e Milton (1970), entre outros discos básicos.

  Essa impressão de orfandade e desorientação era captada ao vivo, mas nos subterrâneos jovens cabeludos gizam a arte antiditaduras em regalia – os canais muito estreitos, os circuitos fechados em meio a barra muito pesada de que a coluna Geleia Geral de Torquato Neto no jornal Última Hora do Rio de Janeiro reflete o clima – censura,    jabaculê & muito, muito preconceito.

Os ratos não sabem morrer na calçada, ah é hora de pegar o trem e não sentir pavor dos ratos soltos na praça, urla Lô Borges no rockzão popzaço Trem de Doido dele e seu irmão Márcio. Os boletins meteorológicos nos anais de 1970 e 71 são sinistros. Eu vivo num mundo deserto de almas negras cantado por Elis é o resumo dos reflexos da Barra 69, título do disco produzido por Nelson Motta a partir do show de despedida de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Teatro Castro Alves de Salvador. Quando eu falava dessas cores mórbidas, quando eu falava desses homens sórdidos, quando eu falava desse temporal você não escutou – Lô e Márcio Borges pouco além, ainda na Barra 69, apesar dos regressos do exílio.

Rolava ao mesmo tempo clima de carnaval fora de época, ou miCARETA, porque o tri mundial de futebol ajudou a propaganda oficial na campanha Brasil gigante, potência do amanhã, e era um tal de eu te amo, meu  Brasil,  eu  te  amo no pa tropi de Jorge Ben mais ecos estridentes da Turma da Pilantragem capitaneada por Carlos Imperial e Wilson Simonal que tudo podia parecer ao mesmo tempo sorridente & lindo. César Camargo Mariano, produtor, arranjador, diretor musical e pianista de Simonal - o responsável pelo tapete sonoro de suingue irresistível por trás do cara, o que prosseguiria com Elis graças ao auxílio luxuoso de músicos como Luizão no baixo elétrico -, disse em retrospecto que não via mais sentido em “fazer música alegre com o país vivendo o pior da repressão”.

Que durou e como. Precavido, o departamento de censura não pestanejava quando se tratava de repertório de Chico Buarque, chegando ao ponto de proibir a peça musical CALABAR ou o Elogio da Traição, parceria com Ruy Guerra, dias antes da estreia no  Teatro João Caetano  do Rio de Janeiro em 1973. Nem Calabar nem elogio ou traição, as palavras se tornaram impronunciáveis e invisíveis e o disco com a trilha da peça saiu com o título CHICO CANTA com várias faixas sem a letra.

Em nota em sua coluna de 14 de setembro de 1971, quando Chico se apresentava no Canecão com o MPB-4 no show Construção, Torquato Neto noticiava que ele tem pelo menos cinquenta por cento de sua produção recente interditada.

Não havia mais chance de pernadas como a de Canto Latino do LP Milton em que Milton Nascimento e Ruy Guerra detonavam: A primavera que espero por ti irmão e hermano só brota em ponta de cano, em brilho de punhal puro; brota em guerra e maravilha, na hora dia e futuro da espera virar.

Ano Zero, Egberto Gismonti-Geraldo Eduardo Carneiro (1972): Que ela faça o prato / E não se esqueça do pão / Afogar as mágoas / Com muito arroz e feijão.

A produção do primeiro LP de Luiz Gonzaga Jr. em 1972-73 foi emperrada pela proibição de várias letras, inclusive a que lhe daria título, Diante da Morte, mas ele ainda conseguiu passar o clima de dureza em faixas como Comportamento Geral: você deve comer a xepa da feira e dizer sempre muito obrigado, são palavras que ainda lhe deixam dizer por ser homem bem disciplinado, você merece, você merece... 

Em 21 de setembro Torquato Neto alude em sua coluna a um “brasileiro curtido de nossos dias, do qual se fala tanto por aí”. Em 28 de agosto registra o lançamento de compacto duplo de Gal Costa com Vapor Barato, Zoilógico e Não Entendi Nada e que Casa no Campo, de Zé Rodrix e Tavito (Tavinho) Moura (Som Imaginário), ganhou o festival de Juiz de Fora – e que Rodrix cantou debaixo de vaia e acabou por botar o pé no trofeu.

Título da coluna de Torquato Neto de 6 de novembro:  Mastigando o sapo - Conformismo absoluto e contenção obrigatória. Disco compacto dos Novos Baianos: péssima mixagem e prensagem.

Eis outra, além da opressão política e social (preconceito) a da indústria, que põe na rua discos básicos como Beto Guedes Toninho Horta Danilo Caymmi Novelli  (Odeon, 1973) e um Nana Caymmi (CID) que mal deram pra escutar direito ou o som foi desaparecendo aos poucos. Inacreditável.

70, 71, e o clima de pressão é acentuado pelo comportamento geral da manada, que investe com fúria contra os cabeludos vestidos com roupas exóticas  hipercoloridas (as calças vermelhas e o casaco de general, cheio de aneis, da canção de Macalé e Sailormoon). Homem ou mulher, pouco importa. Torquato publicou uma crônica chamada História de Cabelos em que conta vários episódios deprimentes que viveu por conta de sua nova juba (ler História de Cabelos em www.revoluciomnibus.com/Asditasmoleseasditaduras.htm) e Gal Costa lembra de uma vez populares terem rodeado uma kombi onde estava em gravação de um documentário chamando-a de macaca com ar ameaçador.

 

Chico Buarque também se recusou a participar em 1971 do Festival Internacional da Canção (FIC) da TV Globo, “a festa da mediocridade oficializada  (e retardada)  desta província”, segundo Torquato Neto que na coluna de 18 de setembro publica a lista completa dos boicotadores: Paulinho da Viola, Edu Lobo, Egberto Gismonti, Vinícius, Toquinho, Chico Buarque, Ruy Guerra, Capinan, Sérgio Ricardo, Tom, Marcos e Paulo Sérgio Valle. “É óbvio, é claro e é de se dizer: fantástico!”

O nascente Poder Global é uma das testas de ferro do regime.

Luís Carlos Maciel escreve na bucha no Pasquim que Rosa dos Ventos acontece em um momento em que tudo parecia conduzir à ASFIXIA. E continuou parecendo, pelo que se lê na coluna de Torqua de 5 de novembro: a música popular brasileira continua sem ar. ASFIXIA.

À distância de 40 anos ainda é terrível quanto se penou no Brasil na entrada dos anos 1970. A coluna Geleia Geral, de Torquato Neto,  entre 1971 e 1972, quando o poeta se imolou em sua bandeira, é de clima vampiresco, e mostra no entanto ao mesmo tempo uma pá de luz em alguns campos, como na música popular. Apesar das reclamações.

E no entanto em 1970 Chico Buarque acerta um balásio, Apesar de Você, e na passada mais outro, Construção. E justo quando Torquato Neto está em ação na Última Hora revelando dia a dia muitos detalhes da produção artística “do lado de dentro e do lado de fora”, o público carioca é brindado com Rosa dos Ventos de Maria Bethânia e Gal Fa-tal A Todo Vapor. Dois estouros que revelavam uma pá de talentos – neste aspecto, sobretudo Gal A Todo Vapor, por Gal cantando o fino (Antonico, de Ismael Silva, e Falsa Baiana, de Geraldo Pereira, por exemplo) e pela penca que revelou  em  Legal  e ali de uma só vez,  ou em duas:  Jards Macalé, Lanny Gordin, Wally (Waly) Sailormoon, Duda Machado, Carlos Pinto, Paulinho Lima, o produtor, Luís Melodia, Luciano Figueiredo, o programador visual das palavras-destaque de Waly (Wally). Gal A Todo Vapor revelou também para a juventude o baixista Novelli e parte importante da cozinha rítmica dos Novos Baianos, o baterista Jorginho e Baixinho da tumba.         Novos Baianos foram outra revelação “para os entendidos”, quem estava  por  dentro  das paradas na Zona Sul do Rio de Janeiro, que era só onde afinal “tudo” rolava, embora seu disco de estreia ainda não revelasse tudo o que eles revelariam.

A Todo Vapor tinha côté banquinho e violão com samba de roda e porção pauleira braba.

A barra continua parecendo pesada. Mas Milton Nascimento e Som Imaginário, estrelando Frederyko, Wagner Tiso, Luís Alves, Robertinho Silva, Tavinho Moura e Zé Rodrix, animadíssimo, e que daqui partiria para o power trio Sá Rodrix & Guarabyra, revelando Lô Borges e revelando-se um mestre do canto universal, o que o projeta de imediato no mercado americano, Egberto Gismonti e a penca de revelações de A Todo Vapor, inclusive a protagonista, metamorfoseada e moderna como nunca e ninguém, estão a indicar que há muitos e fortes pontos de luz no horizonte.

Por quase 20 anos o público ligado – um grande público, porém ainda e sempre muito pequeno, por quem são – irá assistir ao melhor período da canção popular brasileira, pelo brilho e diversidade de estilos.

Milton, de 1970, é um dos grandes achados da mal & bendita MPB. O mundo produziu poucos discos pop de tamanha qualidade na diversidade. O Som Imaginário de Wagner Tiso com Zé Rodrix pintalgando de sons silvícolas de flautas flautins e ocarinas tropicais a mata mineira de Milton e afroamericana de Naná abriu TOTAL o leque estilístico. Em apenas 8 pistas a trupe trabalhou com uma captação de som impecável e na mesa tratou as tomadas e misturou-as com assinalável habilidade, tratando-se de neófitos, e como sobraram umas horinhas  de  estúdio,  sem Milton, tratou de gravar o disco do tênis de Lô Borges, básico. No mesmo estúdio da Odeon Egberto Gismonti e Cassiano obtiveram resultados esplêndidos em captação e mistura de sons, o que fazia dos dois primeiros discos do soul brother Cassiano,  de  1970  e  1971  (melhor   ainda   quando condensados no LP Apresentando Nosso Cassiano, de 1975), e Água & Vinho, de 1972, clássicos, ponto.

Dirá Wagner Tiso, líder do Som Imaginário e direitor musical de Milton: Na década de 70 tivemos a posssibilidade de criar muito. Depois os artistas não tiveram mais direito a opinião.

Contradição às pencas. TUDO é relativo           COMO 2 E 2

tORQUATO NETO EM NOTA DA COLUNA DA UH EM 10 DE SETEMBRO DE 1971:  E provando, à maneira de Gal, que esse tempo até pode ser chamado “de espera” – mas que só os trouxas ou os mais burrinhos (além dos cegos) não conseguem encontrar no escuro alguma coisa luminosa, como uma boa canção que não sirva apenas para fazer média com o que está feito, comido e prensado.

ACRISSOLAR definirá então muito bem o astral no Brasil em 1969-70 e 71, quando apesar dos pesares Chico Buarque não se atemoriza  e  consegue  dar  um  chute  no lirismo / um pega no cachorro / e um tiro no sabiá, como cantou em Agora Falando Sério de Chico Buarque Vol. 4, que foi Apesar de Você, lançado em compacto que vendeu 90 mil cópias antes de a Censura perceber a  mancada,  mandar recolher o disco e estigmatizar o compositor como o inimigo público número um do regime, ele que com os primeiros (enormes) sucessos, sobretudo com A Banda, era o menino querido de olhos verdes do Brasil.  

Nada mais ACRISSOLAR em 1969, o Ano da Barra Mais Pesada, o do choque, que Que Pena - luminosíssima no timbre claro de platina de Gal e no descante anasalado de Caetano Veloso e no acompanhamento e no entanto em tom de lamento de despedida.

Por outro lado Torquato Neto em Coisa Mais Linda parece comentar com ironia o momento presente, de passeata nenhuma, lei da caserna - ... e ficar sem compromisso, pra fazer festa ou comício com você perto de mim. A segunda parte da canção só solar de des-encanto é puro Gilberto Gil no que ele tem de mais característico: os estupendos encadeamentos harmônicos e melódicos serpenteados das escalas da floresta clara e da floresta escura - e o que dizer quando os encandeia harmônica e melodicamente com os versos serpenteados da canção.

Em 1971 a música popular brasileira prossegue a abertura a todo gás para um dos ciclos mais explosivos de sua história, numa torrente de obras de tendências musiciais e estéticas fortes e diversificadas como em nenhum outro lugar do mundo.

Em várias cidades pipocam literalmente (pintam e desaparecem) das bancas periódicos underground ou undigrudi como Bondinho, Flor do Mal, Verbo Encantado (publicado em Salvador por Álvaro Guimarães), Presença e inclusive a edição brasileira do jornal Rolling Stone, de São Francisco, animados ou não pelos jovens poetas e artistas plásticos Rogério Duarte, Luciano Figueiredo, Hélio Oiticica, Antônio Dias, Torquato Neto, Chacal, Abel Silva e Waly Sailormoon; mais tarde Waly provindenciou edições-extraordinároas de Navilouca e Polem, a única que tinha ica.

Imprensa alternativa, nanica. Bondinho – talvez nada leve pela quantidade de informação veiculada – de Pedro Vargas e Victor Garcia a Nego Fuleiro do morro da Serrinha, Jards Macalé e Luiz Gonzaga, etc., o jornal-revista de espetáculos em papel cuchê e diagramação ousada foi um espetáculo. Reproduzia ipsis verbis & ipso vírgula entrevistas com músicos e produtores culturais, que ainda não tinham esse nome - + Grilo (HQ) + Fotografia, sob a batuta da tríade Sérgio de Souza, José Trajano e Hamilton Almeida.

O teatro novo brasileiro renascia da letargia a que fora reduzido por força da censura e de grupos extremistas partidários da linha dura como o Comando de Caça aos  Comunistas (CCC) – que invadiu o Teatro Oficina durante uma representação da peça Roda Viva, de Chico Buarque, agredindo os atores,  o que fez o autor se decidir a dar um tempo no exterior – e revelava-se ainda outra vez com grande pujança em originais de dramaturgos muitos jovens como Antônio Bivar, Leilah Assunção, Zé Vicente e Isabel Câmara. E os músicos brasileiros iam de surpresa em surpresa criando um ambiente de enorme excitação entre as pessoas interessadas na vida e na sobrevivência de suas formas de expressão e arte.

 RIO E TAMBÉM POSSO CHORAR                        

Chegam os novos compositores cantando a urbana idade do Rio de Janeiro, prosseguindo em maravilha uma tradição já quase secular: Jards Macalé, que musica e interpreta de forma peculiar textos peculiares de Capinan, Torquato Neto, Duda e Wally  (Waly)  Sailormoon;  Luís  Melodia, um jovem negro gato do Estácio, tido como o berço do samba, onde viveram os pioneiros Ismael Silva e Alcebíades Barcelos, que vem cantar de maneira não menos peculiar seus primeiros textos sobre  o  cotidiano  da  cidade  ardente,           Pérola Negra

Geleia Geral, 8 de setembro de 1971: Nenhuma peça, nenhum show fez no Rio de Janeiro o sucesso que Rosa dos Ventos está fazendo. Casa cheia (Teatro da Praia, no Posto 6 de Copacabana) toda noite. 22:  cem apresentações de Rosa dos Ventos. No Teatro Opinião, ao lado do Teresão Raquel, o sucesso é a peça Longe Daqui, Aqui Mesmo de Antônio Bivar.

Em 4 de outubro Torquato Neto começa a noticiar os preparativos de Gal A Todo Vapor e publica letra de Pérola Negra, do debutante Luís Melodia, que é taxativo: tente esquecer em que ano estamos. Dois dias depois REVELA que a ambientação visual do show é de Luciano Figueiredo, que fez a capa, fantástica, do álbum de Gil e Caetano, show da Bahia (Barra 69), Lanny Trio por detrás do som e um repertório, irmãos, da pesadíssima, Mal Secreto, Macalé-Sailormoon, Tinindo Trincando, Moraes e Galvão (Novos Baianos),  Não Se Esqueça de Mim,  Caetano Veloso,  Dê Um Rolê, Moraes e Galvão, e a já muito manjada Superbacana de Caetano Veloso. 08-10-1971:  A Todo Vapor estreia hoje. Waly Salomão direção geral. Lanny Novelli Jorginho – o Lanny Gordin Trio.

A peça Hoje É Dia de Rock de Zé Vicente estreia 12 de outubro no Teatro Ipanema. 9 de outubro: Teatrão (Teresa Raquel, um teatrinho) ainda em obras – estreia de A Todo Vapor adiada para dia 12.

Tente esquecer em que ano estamos Arranje algum sangue  Escreva num pano Pérola Negra Te amo, te amo

Mal Secreto

Macalé-Sailormoon

Não choro

Meu segredo é que sou rapaz esforçado

Fico calado, parado, quieto

Não corro, não choro, não converso

Massacro meu medo

Mascaro minha dor

Já sei sofrer

Não preciso de gente que me oriente

Se você me pergunta

Como vai?

Respondo sempre igual

Tudo legal

Mas quando você vai embora

Movo meu rosto no espelho

Minha alma chora

Vejo o Rio de Janeiro

Corro, não salto, não mudo

Meu sujo olho vermelho

Não fico parado

Não fico calado

Não fico quieto

Corro, choro, converso

E tudo o mais jogo num verso

Intitulado

Mal Secreto

Como 2 e 2, de Caetano Veloso, acaba de ser gravado por Roberto Carlos para o LP Detalhes. Fa-tal  -  A Todo Vapor em cena, escreve Torquato Neto em 16 de outubro de 1971: Bobões da imprensa “especializada” e bobões cegos-surdos não compreendem as palavras-destaque de Waly e Luciano, do que se utilizam pra demonstrar ignorância e insensibilidade profundas a respeito de todas as novas formas da poesia, da imagem e do canto. Querem explicações. Esses bobões não contam nada. O show é simples e por isso mesmo complexo. A complexidade reside na dificuldade que as pessoas ainda enfrentam para, simplesmente, ouvir e sacar o canto desligado/ligadíssimo de Gal, as transas da técnica inteligente com a emoção (sincera?, perguntam os trouxas), que recria por exemplo uma gravação recente da boneca – Falsa Baiana – dentro do espírito normalmente pop do show por inteiro,

Gil em Nova York canta Fechado Pra Balanço e Oriente (nova – e a gente nem sabe ainda que novidade).

18-10-1971 nota. 20 de outubro: gravação do show Rosa dos Ventos esgota numa semana.  25-10-1971: Depois do show de Gal. 26-10-1971 quatro últimos dias do show de Gal foram com Pepeu, o guitarrista dos Novos Baianos. 29-10-1971 Novos Baianos – letra de Tinindo Trincando e Luz do Sol – Carlos Pinto-Waly. Novo e fantástico LP de Paulinho da Viola – última faixa Um Certo Dia Para 21, que ele irá regravar com trio de Dom Salvador (piano), Sérgio Barroso (contrabaixo) e Pascoal Meirelles (bateria) na Alemanha para antológico LP da MPS, que também inclui gravações do trio com Maria Bethânia e que o Brasil desconhece. 30 de outubro saindo Flor do Mal, um suplemento undigrudi do Pasquim. 01-11-1971  Tremenda 2ª feira. (ainda) show de Gal (que já era). 02-11-1971: idem. 03-11-1971 Assunto Pessoal  idem.

12-11-1971: prossegue Rosa dos Ventos já com disco no mercado.

20-11-1971 Vai sair na primeira semana do mês que vem o álbum duplo de GAL A Todo Vapor.

29 de novembro: Gutemberg Guarabyra, Luís Carlos Sá e Zé Rodrix (que antes do Som gravou LP Momento Quatro com Ricardo Villas, Maurício Maestro e David Tygel) iniciaram esta semana a gravação de um elepê na Odeon.

4 de dezembro: Informação: o Pasquim acabou com a Flor do Mal. Sintam o drama.

Dois dias depois: O álbum duplo de Gal, A Todo Vapor, estará sendo lançado por esses dias nas lojas da cidade. Comprem, meninos. É pra quem viu e pra quem não viu o melhor show do ano. 15 de dezembro: escutei ontem, pela primeira vez, capa de Luciano e Oscar Ramos – que também é autor da foto da capa de Barra 69.

Waly Lanny Macalé Melodia. Tandem joão gilberto novos baianos entre Botafogo e o sítio em Campo Grande.

A  TODO VAPOR BARATO no ano Da fossa E da virada.

Gal lançou 2 LPs em 1969 – um só de saudades de Gil e Caetano.

Caetano e Dedé moravam em Sampa quando Maria da Graça chegou ao Sul Maravilha com Waly, Wally, Sailormoon, Salomão. Divino Maravilhoso, Torquato Neto

Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte

Não temos tempo de temer a morte

1º Gal Costa 1969 – com Divino Maravilhoso, Se Você Pensa, Namoradinho de Portão (Tomzé), A Coisa Mais Linda (Gilberto Gil-Torquato Neto), Que Pena, Jorge Ben.

LEGAL, 1969:  Capa Hélio Oiticica    com  Mini  Mistério, Língua do Pê (Gilberto Gil), Hotel das Estrelas (Jards Macalé e Duda Machado), London London (Caetano Veloso), Falsa Baiana (Geraldo Pereira).

Overacting desbragado em Maria Bethânia Ao Vivo na Boate Barroco (1968), muito mais contida em A Tua Presença e Rosa dos Ventos – Show Encantado, em cinco atos  - ar  terra  fogo  água  eu. Cenografia de Flávio Império

Modelo de show teatral já esboçado em Comigo Me Desavim (1969), também dirigido por Fauzi Arap, que explicou que a gênese de Rosa dos Ventos – Show Encantado foi a peça Alice no País Divino Maravilhoso, com canções de Suely Costa e o Terra Trio: O Terra Trio havia concluído uma pesquisa em torno da obra de Suely Costa para a peça. Fui buscar parte do repertório nesse espetáculo meio psicodélico que não havia feito muito sucesso.

Começa com Assombrações (Suely-Tite Lemos) - as sombras são assombrações. Disco embaralha disposição das músicas. Bethânia: O disco original é péssimo, foi cortado, editado pela gravadora, mal gravado, um golpe. Não ouço aquilo. Intercalaram músicas lentas e alegres, tiraram o espírito do espetáculo. Briguei, fiquei louca, chorei, não adiantou.

O exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil funcionou como uma das forças motrizes – “Cantávamos a volta dos dois sem ser explícitos, e isso acabou por acontecer. Após uma longa negociação Caetano voltou e veio ver o show – Maria Bethânia, Folha de São Paulo, 3 de julho de 1997.

Rosa dos Ventos foi picotado e a sensação é essa mesmo com fade-ins e fade-outs e cortes abruptos, sem sequência emocional. Gal falava ao mesmo jornal sobre A Todo Vapor: Foi uma época maravilhosa e ao mesmo tempo muito difícil, pesada. Confesso que não gostava muito desse disco, achava que tinhas problemas técnicos.

E tem.   Mas   a   força   dela,  das  músicas  e  dos  músicos ultrapassa até um ou outro problema de captação ou mixagem, no balanceamento do som ao vivo no teatrinho, Rio de Janeiro, Brasil, 1971. É óbvia ululante à primeira audição a importância do registro como música e documentário. É uma característica de Waly Marinheiro da Lua, o registro documental literário, musical, pictórico e fotográfico dos (seus) tempos. Foi essa a grande sacada de André Midani, o produtor executivo (principal responsável pela produção do disco na Phonogram). Os registros documentais, como se verá com a Phono 73. A obra que se impõe por sua urgência, num relato em cima da hora, como foi o lançamento dos três discos com a gravação da feira de música da gravadora no Anhembi em São Paulo, que saíram uma semana depois. (ler mais sobre a barra na sequência dos anos aqui reportados em www.revoluciomnibus.com/Música%20do%20BR%20Phono%2073.htm) Os shows ainda estavam em cena e os discos na praça. Apesar de tudo, o de Bethânia impõe-se pela frieza e a explosividade telúrica, uma cantatriz no apogeu do desenvolvimento de sua arte, quando se fizera talvez a melhor intérprete de Noel Rosa (Três Apitos em A Tua Presença, 1970).

                                  CENÁRIO de ROSA DOS VENTOS       Teatro da Praia, Rio de Janeiro, 1970 segundo semestre

Uma grande rampa coberta com material espelhado que vinha do fundo e ainda saía em direção à plateia num formato irregular. No fundo, os músicos e o mesmo  material espelhado subia pelas paredes, de trás e pelas laterais, com fendas para as entradas e saídas.

A sequência de Maria Bethânia foi admirável com Drama – Anjo  Exterminado,  que   revelou   o  original   de   Macalé-Sailormoon. Prosseguiu décadas decalcando com e sem Fauzi Arap a fórmula mágica de Rosa dos Ventos – Show Encantado, talvez seu maior acontecimento. Seu grande show seguinte foi Drama – Luz da Noite, cujo disco com a gravação também peca pelo picotamento (uma fórmula que não deveria ser reprisada). Depois de A Todo Vapor Gal apresentou-se cantando o fino em India e Cantar, com repertório e interpretações de arromba.

Parte elétrica – A Cor do Som / A Todo Vapor. Era uma Gal “over”, botando tudo pra fora. Da forma mais desbocada.

A TODO VAPOR volta a cena em janeiro de 1972. FA-TAL  O nome saiu de um texto de Waly publicado no tablóide Pasquim. Vinha entre hífens  -Fa-tal-  hippismo em um tempo em que desbunde também era ato político

Boas Vindas Caetano – Luís Carlos Maciel da sua coluna underground do Pasquim.

Bondinho faz aos baianos recepção suntuosa, com direito a entrevastas e disquinho de Gil com trechos da entrevasta com ele abraçado ao violão.

Torquato Neto em sua coluna Geleia Geral. Julio Hungria no JB. Logo depois o Rolling Stone Brasil deu ampla cobertura aos retornados. Bem vistas as coisas chegava a ser melhor naquele ano que 40 anos depois, nesse tipo de mídia – tente esquecer em que ano estamos. E já era 1972.

- vendo material em bruto filmado no regresso deles por Leon Hirszman só porque estava apaixonado por Gal:

Gilberto Gil O Globo 10-11-1996 – A contracultura, os movimentos   e   manifestações   de   caráter  trans  ou  neo-religioso, o psicodelismo, tudo isso era nosso material.

Hugo Sukman: Uma grande mistura pós-tropicalista de arte com vivências pessoais, do carnaval profano com a religiosidade das igrejas baianas, das canções tradicionais com o mais moderno pop internacional [também inovador], de filosofia com loucura.

psychedelic culture        teve uma transa no Brasil.   A gíria – desbunde - TRANSBUNDE, foi o título de capa da edição do Bondinho com a entrevasta de Caetano Veloso -, grilo, bicho grilo, cuca, transa (título do disco de Caetano Veloso), curtição, barato (barata pode ser um barato total – Gilberto Gil-João Donato), careta, quadrado. Mistura de tradução mais (square – quadrado) ou menos (barato, desbunde) literal  da  gíria  contracultural  americana e de seu espírito com adaptações às novas ondas da sempre criativa gíria da malandragem dos proto-beatniks bebuns locais. E a canção e as palavras-destaque (título do disco de Caetano) transpiram essa linguagem e sua visão do mundo.   

                                                                  D’ENGENHO DE DENTRO

RIO &TAMBÉM POSSO CHORAR 

 V A P O R  B A R A T O

PERQUIRIÇÃO EM  TORNO  DA(S)  CENTELHA(S)

   QUE  DEFLAGRAM  A  LUZ  DO  SOL

 EM  PLENA  DITADURA  POLÍTICA  E  DE  PRECONCEITOS

ROSA DOS VENTOS  E  GAL A TODO VAPOR

EM C O N T E X T O   D E  E X Í L I O S

 

Waly Salomão: Criar é não se adequar à vida como ela é.  Nem tampouco se grudar a lembranças pretéritas.

símbolos simbolismo signos malignos Boneca Semiótica  samba é sempre a mesma história nosso amor morreu na Glória

Repertório: Tarasca Guidon – Caetano Veloso-Waly; A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa – Caetano Veloso-Waly; Mel – Caetano Veloso-Waly; Assaltaram a Gramática – Lulu Santos-Waly; CD Zona de Fronteira – João Bosco-Antônio Cícero~Waly; LP Aprender a Nadar ; Maresia – Gabriel O Pensador-Waly.

A minha única superstição é de que o mundo é sempre uma fábula – Waly Salomão 08-04-1996 O Globo

Wally/Waly Sailormoon era pseudônimo do baiano de Jequié que lera Marshall McLuhan com Caetano Veloso na Avenida São Luís em Sâo Paulo.

TUPINIQUEM? Quem são os inventores e quem os “mestres”? Milton, os poetas em torno de Macalé, inovam totalmente na temática, que se reflete em seus sons de terra da dama eletroacústica enquanto Chico Buarque aprimora e atualiza a canção em português com sotaque carioca. Em termos que se diria que os letristas da BN foram os  poetas  da  luz  natural  e Sailormoon e Duda Machado em peças como Hotel das Estrelas,  Vapor Barato,  Luz do Sol,  Anjo Exterminado  são os das luzes dos paraísos psicotropicais e dos signos benignos e malignos naturais e artificiais (da Boneca Semiótica) – anúncios luminosos, luzes da cidade, estrelas no céu, eu me queimo num fogo louco de paixão, anjo abatido.

O que cantam com frequência é poesia antes de ser letra – ou enquanto isso. Avant la lettre e vouloir l’être. Nelson Ascher em Folha de São Paulo 08-11-1992: quem quer que tenha  vivido  a  idade  formativa  dos  60  para    e  tenha pretensões poéticas soube de poesia, antes de mais nada, sob a forma de música popular.

Nessa janela sozinho

olhar a cidade me acalma

Estrela vulgar a vagar

Rio e também posso chorar

 

Mas tenho os olhos tranquilos

De quem sabe seu preço

Essa medalha de prata

Foi presente de uma amiga

A personagem com medalha de prata (no pescoço... – de santinho ou de um dos novos santoni (gurus) da contracultura ou cultura do contra – Hendrix? Arnaldo Baptista?!) hospedada no Hotel das Estrelas poderia ser outro  momento  da  que  vai “descendo por todas as ruas”... “com minha calça vermelha, meu casaco de general, cheio de aneis” de Wally em Vapor Barato. O dandy pós-Baudelaire e pós - pós Oswald de Androide  da  nova sociedade afluente brasileira em pleno “milagre econômico” que pelo seu vagabundear merencório & colorido demonstra não estar nem aí pra isso e a atitude definida alhures acrissolar.

O vapor ambiente geral é muito pesado; íntimo é um barato de invenção e por isso de esperança e aposta na vida, apesar dos dragões da ruindade que carregam Torquato numa prise de gás butano (“quero ver de novo a luz do sol”).

É melhor antes morrer de vodka ou fogo paulista ou prisa de gás do que morrer de tédio – Waly Salomão sobre suicídio de Torquato Neto em 1972.

Duda (cuja produção de letra ficará por aqui – mas marca padrão muito alto em uma era) e Wally, Waly, baianos como José Carlos Capinan, tripé da obra seminal de Jards Anet da Silva, dito Macalé, parceiro dos melhores parceiros.

Em 1972 saem os Discos de Bolso do Pasquim com Bala com Bala e Agnus Sei, das revelações João Bosco (de Minas Gerais) e Aldir Blanc (oriundo com Ivan Lins, Gonzaga Jr. E uma pá de gente do chamado Movimento Artístico Universitário, dito MAU). Bosco e Blanc (poesia musicada urbana) são primos da dupla Macalé-Sailormoon.

ACRISSOLAR Construção OSB Jacques Klein MPB4 show no Canecão julho logo antes gravação Construção / Deus Lhe Pague arranjo: Rogério Duprat – “sinfônico” mesmo.

                                                                           LINGUAGEM                                

Essa gente prossegue a dica da Tropicália de libertar a linguagem de todo formalismo, coloquial como uma bossa nova e atenta aos sinais eletrônicos da sociedade emergente e à margem dela, na solidão lidando com os signos naturais, artificiais e interiores, como de resto os bossa-novistas, espécie de beats cariocas, estes os hippies ou pouco mais ou pouco menos.

Waly: Vapor Barato, aquela obsessão que diz que está indo embora. Sustância da poesia versus fala coagulada que nos rodeia dita erroneamente fala corrente. Que a poesia nos desoprima.

VAPOR BARATO – que já tinha ou logo ganha em Salvador conotação de gente vulgar: FULANO É VAPOR BARATO! (ouvido altas horas em Salvador, anos 1990)

Linguagem de capoeira – de malandro DÊ UM ROLÊ Dê Um Rolê Moraes e Galvão

enquanto eles se batem

dê um rolê e você vai ouvir  

apenas quem já dizi

eu não tenho nada

antes de você ser

eu sou, eu sou, eu sou o amor

da cabeça aos pés

Waly: neobarroco? Sim. Não. Barroco TOTAL, ancestral, essa capacidade que os baianos tem de serem figuras-cores-vivas-síntese neo&barrocas, sem rococó. Passado, presente e futuro e num só tempo e olhar: João Gilberto, Luiz Gonzaga, Glauber Rocha, Caetano Veloso (Araçá Azul, 1973, disco-síntese), Gilberto Gil e Novos Baianos. Waly simbolista & muito rockmântico.  Waly pré e pós mimeógrafo.

SUI GENERIS TOTAL ou a neocrônica em versos livres.

Gigolô de Bibelôs (1983): oralidade e sofisticação. Oralidade e nenhum apreço pelo rigor vivendis. Armarinho de Miudezas (1993).  Algaravias – Câmara de Ecos (1996).  Antônio Medina Rodrigues, professor da USP: Waly Salomão é o único poeta verdadeiramente urbano que surgiu nos últimos 50 anos.

Baianárabe, como se definia em Me Segura Queu Vou Dar Um Troço. Waly – ascendência sírio-sertaneja

Tomzé – ascendência sírio-libanesa-sertaneja  ambos filhos de mascates do Alto Sertão e do sertão pré-Jequitinhonha, onde os jacarés se banham. Sertão de Os Fuzis e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.  

Wally Salomão em outras plagas de revoluciomnibus.com

 

em GLAUBER ROCHA OU A POÉTICA DA LUZ DO SERTÃO NO CINEMA NOVO BRASILEIRO webpage da seção  acesse daqui

(À Euclides da Cunha) Situemo-lo então na geografia da Bahia que influi como lâmina joãocabraldemelonetiana euclidiana e gracilianamente com corte profundo nas artes e letras brasileiras dos anos 1960 e 70:

João Gilberto de Juazeiro, na fronteira com a petrolina pernambucana;

Tomzé de Irará, na fronteira com o sertão de Canudos;

Gilberto Gil soteropolitano crescido e educado em Ituaçu ouvindo Luiz Gonzaga no serviço público de alto-falantes;

Caetano Veloso de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo da cana-de-açúcar;

Waly Salomão de Jequié, Glauber de Vitória da Conquista.

    A Bahia das artes e letras brasileiras até então era apenas a litorânea do cacau de Jorge Amado, a Sudeste-litoral. E Castro Alves e Gregório de Matos Guerra. E Antônio Vieira. 

Wally Salomão em outras plagas de revoluciomnibus.com

em Parangopipas acesse daqui

Parangopipa no ar com Waly Saloo sailormoon  marinheiro da lua      luz sobre os  parangolés    de H.O.

Waly: A mangueira HO é prenhe de sinais e símbolos clamando para se transmudar em linguagem.

A pitombeira WS é sinais e símbolos transmudados em linguagem pura e viva.

Sobre obra de HO: estandarte antilamúria. Da adversidade vivemos.

Waly Salomão: Hélio Oiticica – Qual é o Parangolé, Perfis do Rio, RioArte/Relume Dumará, 1996

Transformar POESIA em HIPERTEXTO CIBERNÉTICO e HIPERTEXTO CIBERNÉTICO Em POESIA: Enquanto são meus filhos que me ajudam a transformar minha poesia em hipertexto cibernético.

Nem Salvador sugere essa poesia da cidade elétrica e do neon – é o Rio e por isso como os outros baianos de sua geração Waly é carioca honorário (presente como Vinícius).

Nessa janela sozinho olhar a cidade me acalma

Estrela vulgar a vagar, Rio e também posso chorar

...

Movo meu rosto no espelho

Minha alma chora

Vejo o Rio de Janeiro

que (de)cantam a cidade iluminada e luminosa e seus descaminhos prenhes de símbolos e signos em roupas, cores, adereços e na paisagem e, repare, quase sempre soturnos em busca da luz do sol.

Como uma flecha, rasgar o regaço da língua materna. Da cálida vagina, como uma flecha disparada. Como uma flecha: o multilinguismo é o alvo.

Busco “los papeles rotos de las calles” e num retângulo da muralha de Girona tornado dorso de um tigre para a algaravia de um Deus, eis o que decifro:

Es quan dormo que hi veig clar!!!

E exubera o imamentismo mediterrâneo na carnalidade  carpe diem  pele  cor  mel  de  verniz de Gran Torso de Tápies Antoní ao modo de um Michelângelo do subsolo do Louvre em Celebració de la mel. Destaque para la noche oscura dos “Pelos pubianos”, assim fala Ana Ramis num Kenzo prêt-à-porter. “Pentelho” na minha faláspera.

Poema Jet-Leggedtrecho

Escrever é se vingar da perda.

Embora o material se tenha derretido todo, igual queijo fundido

Escrever é se vingar?

Da perda?

Perda?

Embora? Em boa hora.

Screen Signals trecho

Quando Caetano e Gil se exilam, continua morando, escort, com Gal na Avenida São Luís e é preso com maconha no bolso.

Vapor Barato. Coincidência? Jamais, tratando-se de Waly, em quem nada é pura coincidência e tudo sim o é, coincidências e indícios de mistério

.                              PISTAS DE RECONHECIMENTO DE UM DESPISTE       

Mr X, imaginem, estava “passeando” com um mutucão de fumo na Av. Ipiranga, à noite. Hélio Oiticica.

Torquato Neto, 19 de janeiro de 1972, Última Hora, Rio de Janeiro, Geleia Geral: Let’s Play That

Pleno Setentão.

Onde andarão os outros? Waly Sailormoon numa barra em São Paulo, Hélio Oiticica quase numa bolsa em New York, Rogério Duarte lá pela Bahia, Luiz Otávio Pimentel em transas com São Tomé,  Macalé e Duda em transações com gravadoras e teatros: encontros e migalhas em diversas celas separadas células, vinhos azedos; metais: últimas notícias.

Macalé me beija, Macalé me abraça, Macalé me liga na televisão e me dá presentes quando eu apareço no fim de semana que me restava, Sailormoon reaparece carregando um fardo e uma fúria,  José Carlos Capinan  é  um  magnata superoito, [Gil descobrirá o Quinteto Violado no regresso em giro pelo Nordeste com Capinan, Super-8 em punho, Nagra no joelho.] Duda dirige o show de Gal Deixa Sangrar. Tudo isso é uma sugestão: Let’s Play That.

Rio de Janeiro, 19  janeiro 1970 – (HO à) TROPICALIA FAMILY

Telefonei para a casa da Gal em São Paulo; Wally está em São Paulo, mas a empregada que atendeu o fone disse que ele “saiu pela rua” e que às vezes não volta à noite;

Continuação dia 20 de janeiro ... Continuo a ligar para São Paulo e não há ninguém; corre o boato de que Mr. X teria sido preso; será?

Bem, já estamos no dia 22 ... I – soube já definitivamente sobre a situação de Mr. X está mesmo preso há seis dias; Odete Lara seguiu ontem para S. Paulo e vai arranjar o melhor advogado; Mr. X, imaginem, estava “passeando” com um mutucão de fumo na Av. Ipiranga, à noite; Chato e triste tudo aqui; euforia e repressão simultâneos; riqueza e pobrezas interiores; vai melhorar.

Waly testemunhou, hospedado em casa de Caetano e Dedé Veloso, as URDIDURAS da Tropicália como o caçula (estudante aplicado e inspirador) da turma baiana, entre Tomzé e Rogério Duarte. Não é ainda tropicão. Não o será. – Sempre quis afirmar que não sou tropicalista. Entre eles e HO, Pinta e borda e costura seu armarinho de miudezas.

Waly Salomão é ao mesmo tempo personagem obscuro e central nessa transa (da Tropicália, e na posterior, como perquirindo perquirindo acabamos por desvendar também em relação a Macau). É ainda um guri, o caçula da turma, agregado aos companheiros só um pouco mais velhos – nessas idades dois ou três anos fazem diferença.

Poetas intimistas 1970

Capinan                                                                            Caetano

Duda                          Gil

Waly                           Chico 

Torquato – Pra Dizer Adeus com Edu Lobo anos antes                        

                              Paulinho – quase sempre se bastam

E com eles Jards Macalé             letra e música

Geleia Geral 28-02-1972: segunda-feira, na Tupi, o famoso tape, inédito aqui no Rio, do encontro de João Gilberto, Caetano e Gal Costa.

Intelsat sim mais ainda um pouco antes desse Poder Globo e via Embratel

Macalé-Vinícius de Moraes:               O Mais Que Perfeito 

Macalé – Gotham City – 4 º FIC 1969 Macalé-Capinan Macalé + Naná Vasconcelos (tumbadora) + arranjo de Rogério Duprat  tem um morcego na porta principal  grita o celerado do palco.

Farinha do Desprezo

   Macalé-Capinan

Não quero mais provar

Da farinha do desprezo

Não, não me diga mais que é cedo

Hum, há quanto tempo estava pronta

Que estava pronta a farinha do desejo

Me joga fora que na água do balde

Eu vou embora

Macalé, violonista – um dos maiores, figura de grande importância na história das artes brasileiras contemporâneas – Mauro Dias, O Estado de São Paulo, 30 de junho de 1996.

                                         Marginal a undigrudi                                       

REVENDO AMIGOS

Macalé-Sailormoon

Se me der na veneta eu vou

Se me der na veneta eu mato

Se me der na veneta eu morro

E volto pra curtir

Eu já morri

E volto pra curtir

SAMBA BLUES BAIÃO E ROCK

PÓS-MODERNISMO METAMORENISMO

Aprender a Nadar dedicado a Hélio Oiticica e Lygia Clark Jards Macalé apresenta Sailormoon’s linha de morbeza romântica.

O disco começa com apresentação inusitada e é de gargalhada. Além de primoroso diretor musical, violonista e cantor Jards Macalé confirma-se grande satirista: Meu nome é Jards Anet da Silva ou melhor da Selva ou pior da Silva ou pior da Selva ou melhor da Silva... Distinto público, estou aqui exposto à audição pública como o faquir da dor...

... entra Alaíde Costa entoando a capella trecho de Dois Corações de Herivelto Martins

Boneca Semiótica

Você venceu com sua lógica

Digital e analógica

Você não passa da programadora

Do repertório redundante da minha dor

Estatutos da Gafieira, Billy Blanco, em Aprender a Nadar, um dos momentos mais gozados dos muitos momentos hilários do bolachão autogozador.

1985, já em Nova República: Delta Zero na memória, o  Rio Sem Tom, que gravou e lançou em 1988 em compacto simples ou single.

Em 1985 se apresentando com Rio Fora de Tom em Santa Teresa de frente para a grande encosta iluminada do favelão do Morro dos Prazeres ou no MAC em Sampa em one man show - competência e presença de espírito, planejo lhe abandonar pois sei que você acaba sempre por tornar.

1988, pós-ducha d’água fria do Plano Cruzado. Sala Funarte Sidney Miller, outubro.         

P R O G R A M A

                      JARDS MACALÉ e SÉRGIO SAMPAIO

com Paulo Sodré – contrabaixo – e Renato Piau – guitarra

Roteiro Negra Melodia, Rio Sem Tom (Macalé), O Pato (Neusa Teixeira), Blue Suede Shoes (Carl Perkins), Black and Blue  (Razal/Walter/Brooks), O Destino do Poeta  (Jards Macalé/Torquato Neto), O Mais Que Perfeito (Macalé-Vinícius de Moraes), Canção Singela (Macalé/Xico Chaves).

1990: Obscenas Cariocas

o faquir da dor não está para choradeiras & não dá mole

Anjo Exterminado

Macalé-Sailormoon

Quando você passa três, quatro dias desaparecida

Eu me queimo num fogo louco de paixão

Ou você faz de mim alto relevo em seu coração

Eu não vou mais topar ficar sentado

Moço solitário, poeta benquisto

Até você tornar doente, cansada, acabada

Das curtições otárias

 

Quando você passa três quatro, dias desaparecida

Eu subo e desço, desço e subo escadas

Acendo, apago a luz do quarto

Fecho, abro janelas sobre a Guanabara

Já não penso mais em nada

Meu olhar vara, vasculha a madrugada

Anjo exterminado

Olho o relógio iluminado, anúncios luminosos

Luzes da cidade, estrelas no céu

Eu me queimo num fogo louco de paixão

Anjo abatido

Prometo lhe abandonar

Pois sei que você acaba sempre por tornar

Ao meu lar

Mesmo porque não tem outro lugar

Onde parar

 

 

 

MÚSICA DO BRASIL DE CABO A RABO

veja e leia também em revoluciomnibus.com

 Música  do Brasil de Cabo a Rabo é um livro com a súmula de 40 anos de estudos de James Anhanguera no Brasil e na América do Sul, Europa e África. Mas é também um projeto multimídia baseado na montagem de um banco de dados com links para múltiplos domínios com o melhor conteúdo sobre o tema e bossas mais novas e afins. Aguarde. E de quebra informe-se sobre o conteúdo e leia trechos do livro Música do Brasil de Cabo a Rabo, compilado a partir do banco de dados de James Anhanguera.

         

          CORAÇÕES FUTURISTAS nunc et semper  AQUI   

 

   Você já deve ter visto, lido ou ouvido falar de muita história da música brasileira da capo  a coda, mas nunca viu, leu ou ouviu falar de uma como esta

  Música  do Brasil de Cabo a Rabo

   Todas as histórias limitam-se à matéria e ao universo musical estrito em que se originam, quando se sabe que música se origina e fala de tudo.

   Por que não falar de tudo o que a influencia e de que ela fala sobretudo quando a música popular brasileira tem sido quase sempre um dos melhores veículos de informação no Brasil? Sem se limitar a dicas sobre formas musicais, biografia dos criadores  e títulos de maior destaque. Revolvendo todo o terreno em que germinou, o seu mundo e o mundo do seu tempo, a cada tempo, como fenômeno que ultrapassa - e como - o fato musical em si. 

                Destacando sua moldura

       dessa janela sozinho olhar a cidade me acalma

                   dando-lhe um enquadramento

       estrela vulgar a vagar, rio e também posso chorar...

                     histórico, social, cultural e pessoal. 

         Esta é também a história de um aprendizado e vivência pessoal.

    De um trabalho que começou há quatro décadas por mera  paixão infanto-juvenil, tornou-se matéria de estudo e reflexão quando no exterior, qual Gonçalves Dias, o assunto era um meio de estar perto e conhecer melhor a própria terra distante e por isso até mais atraente. E que como começou continuou focado em cada detalhe por paixão.                    

Música do Brasil de Cabo a Rabo

NARRATIVA DE APRESENTAÇÃO CONTINUA  AQUI

AQUI    CONTINUA APRESENTAÇÃO DE ÍNDICES E LINKS PARA TRECHOS DE CONTEÚDO ACESSÍVEIS EM

                                 revoluciomnibus.com

                                                                                                                                                               

MÚSICA DO BRASIL  DE  CABO A RABO       

   ÍNDICES

     INdice onomástico     mais de 3000 referências

artistas personagens e personalidades citados e com obras citadas e comentadas

e standards internacionais associados

ENTRADA PARA ARTISTAS E REPERTÓRIO CITADOS E TRECHOS ACESSÍVEIS 

    PORTAL DE TODAS AS ENTRADAS PARA

   MÚSICA DO BRASIL  DE  CABO A RABO

ÍNDICE TEMÁTICO

repertório             mais de 4000 entradas

clássicos coletâneas STANDARDS

RITMOS ESTILOS FOLGUEDOS E INSTRUMENTOS

fontes bibliográficas 

FILMES VÍDEOS PROGRAMAS DE RÁDIO E TV PEÇAS TEATRAIS

                                         

         ÍNDICE DOS CAPÍTULOS

          em negrito capítulos ou seções de capítulos com trechos acessíveis a partir de seus títulos

 

  O LIVRO DA SELVA 

      Productos Tropicaes   e   Abertura em Tom Menor

        1.    O BRASIL COLONIZADO

                raízes & influências Colônia e Império   

               1. A  Um Índio     1. B  Pai Grande    1. C   Um Fado  

        2.     TUPY E NOT TUPY 

formação de ritmos e estilos urbanos suburbanos e rurais  

Rio sec. 19-sec. 20 - Das senzalas às escolas de samba

        3.     Os Cantores Do Rádio    

                   a  ESTreLa SoBE

              CARMEN MIRANDA DE CABO A RABO

                                                     fenômeno da cultura de massa do século XX

                        

        4.     BOSSA NOVA do Brasil ao mundo      

                Tom Jobim   INÚTIL PAISAGEM  

                    de Rumo à Estação Oriente 

      5.   BOSSA MAIS NOVA o Brasil no mundo

 

   O LIVRO DE PEDRA

        PARA LENNON & McCARTNEY           

        VIDA DE ARTISTA crise e preconceito = inguinorãça

        CENSURA: não tem discussão. Não            

        POE SIA E MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

        O SOM É MINAS: OS MIL TONS DO PLANETA        

        MARIA TRÊS FILHOS

        (SEMPRE) NOVOS BAIANOS         

        NORDESTONTEM NORDESTHOJE

       RIO &TAMBÉM POSSO CHORAR .       

       FILHOS DE HEITOR VILLA-LOBOS

INSTRUMENTISTAS & INSTRUMENTAL

        Sax Terror      

       SAMBA(S)

       BLEQUE RIO UM OUTRO SAMBA DE BREQUE        

       FEMININA

       MULHERES & HOMENS NO EXÍLIO

       o bêbado exilado & a liberdade equilibrista

       ANGOLA          

       ROCK MADE IN BRAZIL

        ou Quando a rapeize solta a franga

       LIRA PAULISTANA            

       CULTURA DA BROA DE MILHO

       LAMBADA  BREGANEJO AXÉ  E  SAMBAGODE

       RIO FUNK HIP SAMPA HOP

         E DÁ-LE MANGUE BITE RAPEMBOLADA

       DRUM’N’BOWSSA            

       CHORO SEMPRE CHORO     

       INSTRUMENTISTAS & INSTRUMENTAL II  

         SAX TERROR NA NOVA ERA

ECOS E REVERBERAÇÕES DO SÉCULO DAS CANÇÕES

      De Pelo Telefone a Pela Internet

    MÚSICA DO BRASIL  em A triste e bela saga dos brasilianos    

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revoluciomnibus.com - ciberzine & narrativas ©james anhanguera 2008-2017 créditos autorais: Era Uma Vez a Revolução, fotos de James Anhanguera; bairro La Victoria, Santiago do Chile, 1993 ... A triste e bela saga dos brasilianos, Falcão/Barilla: FotoReporters 81(Guerin Sportivo, Bolonha, 1982); Zico: Guerin Sportivo, Bolonha, 1982; Falcão Zico, Sócrates, Cerezo, Júnior e seleção brasileira de 1982: Guerin Sportivo, Bolonha, 1982; Falcão e Edinho: Briguglio, Guerin Sportivo, Bolonha, 1982; Falcão e Antognoni: FotoReporters 81, Guerin Sportivo, Bolonha, 1981. E-mAIL

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