40 anos da tragédia do Sarriá

                     do histórico scudetto da Roma de Falcão

        e do nascimento do futebol-indústria na Itália

                                                 

     5 de julho de 1982 – 14 de maio de 1983   

  1982-85 · 2022-2025

                        Falcão 
                          Zico Sócrates
                               Cerezo Júnior Dirceu
                                          Edinho  Batista  Pedrinho
                                                   Juary Elói Luvanor
                                                                                                      

                   James Anhanguera

  A triste

  e bela

  saga dos

  brasilianos

                         da tragédia do Sarriá às arenas italianas

                               Leia o livro e assista o jogo 40 anos depois

           AO VIVO DIRETO DO BERÇO DO FUTEBOL-INDÚSTRIA

  A triste

  e bela

  saga dos

  brasilianos

                    da tragédia do Sarriá às arenas italianas

 

O oitavo rei de Roma

O Doutor Diretas 

Rebuliço na corte do rei Arthur  

Rei morto... fim da Monarquia

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  A triste

  e bela

  saga dos

  brasilianos

                    da tragédia do Sarriá às arenas italianas

 

O oitavo rei de Roma

     primeiro capítulo - décima-segunda parte 

O Brasil é aqui

Sócrates na Fiorentina e Júnior no Torino 

O desastre do Olímpico - Roma como o Rio de Janeiro em 1950

estate romana - verão romano 

e Maradona

 

    Por ocasião do Udinese-Barcelona falou-se muito no empenho do Napoli em contratar Maradona e face às especulações Menotti não hesita: o melhor que ele tem a fazer é mudar-se para a Itália, porque o futebol espanhol é muito violento.
    O Flamengo manifesta interesse no regresso de Zico à Gávea e como se já não estivesse nem aí ele diz que tudo depende apenas do rubro-negro e da Udinese: Em Udine ou no Rio, estarei bem de igual modo.
    Em meio aos boatos crescentes sobre a possibilidade de el pibe de oro mudar-se para Nápoles o Galinho surge como possível parceiro do argentino numa dupla de platina. Zico mantém-se frio: está disposto a mudar de clube desde que também seja um bom negócio para ele.
    Mazza, segundo os diários esportivos, poderia ceder o craque brasiliano e o meia Mauro - excelente driblador - em troca de um exército de jogadores possíveis, em vários esquemas, dependendo do clube: o zagueiro Bonetti, o centroavante Iorio - co-propriedade de Roma e Verona - e Toninho Cerezo da Roma; os defensores Gentile e Brio e os atacantes Boniek, Vignola e Penzo da Juve; Coeck, Collovati, Muller, Beccalossi e Altobelli da Inter; Vierchowod, Guerrini, Brady e Mancini da Samp; Patrizio Hernandez, Schachner e Selvaggi do Torino; Ferrario, Dirceu e Pellegrini do Napoli e Pin, Massaro, Bertoni e Monelli da Fiorentina.
    O Estado de São Paulo sai na frente e lança a bomba: Sócrates assina com a Fiorentina. Os jornais italianos repercutem a notícia à sua maneira: Fiorentina, Socrates è già tuo!
     A notícia é recebida com manifestações de júbilo na antiga cidade dos Médici, hoje dos Pontello. Os únicos descontentes são o médio argentino Daniel Bertoni, que se vê compelido a deixar o clube, e o Napoli, que teria um enviado em São Paulo para contratar o Doutor. Agora só falta Maradona! - proclamam os tifosi.

    A imprensa italiana considera a contratação de Sócrates através do diretor esportivo da Fiorentina, Tito Corsi, uma operação magistral pela forma como o clube se antecipou à concorrência e pelo curtíssimo espaço de tempo em que chegou a acordo com o jogador. O médio Eraldo Pecci, que substituiu Antognoni no comando do time, reage com ironia à chegada anunciada: Sendo também um bom médico ajudará a curar Giancarlo - que segundo indiscrições poderia ir para o Milan, pois já no ano passado Liedholm o quis para a Roma.

 

Fuma, toma cerveja, canta e contesta o governo - é o título de uma matéria de apoio à reportagem de um jornal sobre a contratação do que é considerado o melhor jogador que ficara no Brasil - com o meu amigo Júnior, ressalta Zico.

Sócrates é uma bomba em movimento, teria sussurrado o presidente da Udinese aos ouvidos do homólogo da Juventus, Giampiero Boniperti, e o jornalista Franco Ferrara, do Corriere dello Sport, já vai avisando que nenhum clube italiano estaria interessado em que ele dividisse o tempo com a atividade médica e em deixar que ele propague na Itália teorias sobre liberdade do jogador e concentração.

                   

    Circulam informações de que a mulher de Sven Goran Eriksson, técnico do Benfica, está em Roma procurando casa, o que levanta suspeitas de que o jovem sueco será o substituto de Liedholm, que já teria assegurado o retorno ao Milan. A federação italiana proíbe a atividade de técnicos estrangeiros mas a Roma do ardiloso Dino Viola superaria a questão nomeando o sueco, de 36 anos, diretor técnico e contratando um treinador italiano para ocupar o lugar.

   Novo impasse na renovação do contrato de Falcão. Diz-se que jogador e presidente estavam de acordo quanto ao preço e Viola chamou Cristóvão Colombo Miller, com quem teve conversações de cerca de 15 horas, mas de repente reduziu-se ao silêncio, deixando que o advogado voltasse ao Brasil sem concluir o affare.

    A Roma já deixou ir embora Nils Liedholm e agora põe Falcão e Colombo na obrigação de encontrar uma alternativa, se já não a têm - denuncia a Gazzetta dello Sport em notícia-intimação que reflete o clima vivido ao redor do clube: Roma já foi palco de uma batalha no Olímpico, com sinais de grande nervosismo da parte dos torcedores, que não engoliram de muito bom grado o ‘sapo’ Liedholm. Dá até medo pensar no que poderá acontecer a 30 de maio (na final da Copa dos Campeões Europeus) em caso de derrota, com um estado de tensão que Viola subvaloriza talvez na certeza de poder anunciar grandes aquisições que não sabe a que irão servir, porque ainda não teria técnico para o time.
 
Fala-se de novo na altivez e arrogância de Viola. Reconhece-se que ele foi motor da nova e brilhante fase da Roma, mas volta-se a sublinhar que o poder lhe subiu à cabeça, querendo ser rei e senhor absoluto dos seus domínios, onde figuras tão ou mais queridas e populares como Liedholm e Falcão só serviriam para ofuscar o seu brilho.

 

  Num final de temporada mais vibrante que o do campeonato é também anunciada a contratação de Júnior pelo Torino. Tal como a compra de Sócrates pela Fiorentina, o lugar de onde menos se esperava que a novidade surgisse era Turim, que nunca foi dada como possível destino do antigo Capacete do Flamengo - que parecia só ter um destino possível: Nápoles. O diretor esportivo torinês, Luciano Moggi, voou para o Rio de Janeiro e fez um acordo-relâmpago diretamente com o lateral-esquerdo, comprado ao Flamengo por 2,2 milhões de dólares.

  Altobelli protesta contra as despesas astronômicas das società com a compra de jogadores estrangeiros. Um dos visados, Viola, faz coro dizendo que se hoje os clubes podem incluir o preço dos jogadores em seus balanços continuando a inflacionar o mercado irão estar em maus lençóis a partir de 1986, quando entra em vigor a lei do passe livre para todos os atletas com mais de 21 anos de idade. Mas o que causa estupor mesmo é a contratação pela RAI da atriz Raffaella Carrà por quatro milhões de dólares.

       Praga de Sarriá

 

  Só falta um goleiro para que o Brasil tenha na Itália um seleção de futebol completa. Mas com a quantidade de jogadores brasileiros postos na roda das especulações dá até para pensar que os italianos estão querendo montar um campeonato só com eles.

   O jornal la Repubblica, de Roma, publica uma reportagem em que afirma que o Brasil foi raptado pela Itália. Se Júnior também vai podemos até pensar em transferir a seleção para Roma, disse o jornalista Márcio Guedes, de O Globo, ao enviado romano, Gianni Favaratto.
  O coração dos torcedores está longe, do outro lado do mar, com a outra seleção, a raptada e dispersa pela Itália, escreve o enviado antes de citar  a revista Placar, que atribui o êxodo à que chama de praga de Sarriá - maldição de que o Brasil seria vítima desde a Copa de 82. Não há nenhuma promessa de talento com o nível de preparação dos que jogam na Itália. Não há promessa que console a torcida da ausência dos raptados. E, quanto a dinheiro, estamos mal: os maiores times brasileiros só podem comprar ‘econômicos peruanos’.

  Favaratto dá uma outra versão da histórica resposta à oferta de um milhão de dólares de Agnelli pelo passe de Garrincha para concluir afirmando: Hoje a Fiat fabrica 300 mil automóveis por ano no Brasil. O Brasil (ou ao menos o seu futebol) é um país raptado. Está na Itália.

  O Brasil é aqui. Roma enfeita-se de aurirrubro e auriverde. O mais querido joga quarta-feira com o Liverpool a final da Copa dos Clubes Campeões Europeus, o maior troféu da Europa. No gramado do Estádio Olímpico estarão um crioulo desengonçado, trapalhão, genial e sorridente como um palhaço que nem por acaso se chama Tonino Tcherezzo e um louro de olhos azuis chamado Paolo Rroberto Farcao, nem por acaso com pinta e pose de rei de Roma.

   No centro de alguns estandartes giallorossi que ocupam as fachadas dos velhos pallazzi romanos figura a bandeira verde e amarela, reproduzida em ponto grande na cabeceira da Curva Sud e no mar das arquibancadas por ocasião dos jogos da Roma no Olímpico. Construído para as Olimpíadas de 1960, o estádio romano também tem a sua “torcida”, algo comum nos estádios de cidades onde existem brasileiros bons de bola.

   Ainda assim os romanos roeram-se de inveja quando rádio, televisão e jornais anunciaram a compra de Sócrates pela Fiorentina. Zico está em Udine, Sócrates com um pé em Florença. Depois da estate (verão também é feminino) em que a Roma venceu o campeonato sob a batuta de Er Farcao e a Bahia exibiu, imponente, os mais nobres representantes de sua cultura na cidade eterna, a capital da Itália arvora-se o direito de ser a única capital brasileira da Itália.

    O Brasil é aqui, anuiu Tom Jobim do alto do seu quarto de hotel, olhando o casario dourado de sol do centro histórico de Roma, sobre a escadaria de Trinità dei Monti e a Piazza di Spagna.

    As embaixadas artísticas e culturais formam um capítulo à parte na gloriosa saga dos brasilianos - especialmente em Roma. Ou não: são parte integrante da história. Roma entrou no roteiro de todo artista de férias. Muitos nem fazem questão de ir a outros pontos da Europa ou da própria Itália. Ficam por aqui mesmo. No meio disso algumas incursões d’obbligo, como a de Tom.

    Sua vinda a Roma deve-se a um convite para tocar com a orquestra da Rádio e Televisão austríaca na Grossenkonzerthaus de Viena. Jobim deu a seus dois shows no Teatro Olímpico, em frente ao templo de culto à arte de Cerezo e Falcão, um clima de apresentações informais, com o acompanhamento do grupo de base que levou para o concerto vienense, em que foram executados arranjos do norueguês Claus Oggerman para as suas composições. Um excelente grupo de base muito familiar: Tom, a mulher, Ana, os filhos Elizabeth e Paulo, o casal Danilo e Simone Caymmi, o baixista Sebastião Neto - famoso pelo seu trabalho no Sergio Mendes & Brazil ‘66 - e o baterista Paulinho Braga.

    Ao menos por alguns dias falando-se do Brasil na Itália não se fala só de bola e dos milionários jogadores importados pelos italianos. Ainda assim, escalando Milão vindo de Viena o grupo familiar liderado por Tom encontrou no aeroporto de Linate o trânsfuga Zico, contundido e mais folgado que o costume nessa altura do campeonato.

    - A saída de todos esses craques reflete a situação do Brasil. A crise não deixa outra opção a não ser a de sair do país - comenta Danilo.

     Tom fala da sua primeira apresentação na Europa desde 1978, quando deu um showzaço no Olympia de Paris com Vinícius de Moraes, Miúcha, Toquinho e... Baden Powell, com entusiasmo de principiante:

     - Foi lindo. Apesar de exteriormente parecerem muito frios os austríacos também têm coração, e em alguns momentos até choraram. Imagine. Na entrada, música de Johann Strauss. Depois, composições de Antônio Carlos Jobim. Durante um mês o grupo de base ensaiou no Rio. O Oggerman mandou os arranjos dos Estados Unidos para Viena e, lá, fizemos cinco ensaios com a orquestra para apenas um concerto. Os austríacos não brincam em serviço...

     - E qual foi a reação?

    - A reação foi tipo terremoto, porque o público lá bate os pés no chão. Voltamos cinco vezes ao palco! - responde Danilo Caymmi.

     Esqueçam a bossa nova - ordenou Tom em entrevista ao órgão oficial do PCI, l’Unità, em que falou de um Brasil esquecido do Brasil, que não quer saber do Brasil, das suas mil querelas e aquarelas violentadas, do sol mediterrâneo e de pássaros, um dos seus temas preferidos.

     Falando com Tom na Itália surge inevitável Vinícius como tema de conversa. Mas a Gianni Minnà, que se referia na televisão a esta sua vinda a Roma, o poeta recém-falecido, como uma visita nostálgica, respondeu cortando qualquer hipótese de se fazer da memória do parceiro um motivo de tristeza.

     - Mas o que é isso de até em relação à morte se dar exclusividade a Vinícius?! Eu também vou morrer um dia!             - Há muito tempo que eu disse sim ao eterno - diz, quando se insiste para que fale da bossa nova.

    - Bossa nova não é modismo. Escrevi para o futuro. A verdadeira elegância despreza a moda... ou será que exagero? João Gilberto diz que a bossa nova foi um balão que inventaram para atirarem nele e o derrubarem. Ainda hoje não sei o que quer dizer o nome bossa nova. A propósito, será que nesse hotel não tem um piano para a gente se divertir um pouco em vez de ficar aqui só conversando?

     - Vou providenciar - corta Nelson Motta, levantando-se no ato para falar com o gerente. Volta convidando a descer ao lounge e contando que antes de providenciar a chave do piano de cauda do esplêndido Hotel Trinità del Monte o gerente inquiriu, preocupado:             - Ma lui suona veramente?

    E que arregalou os olhos ao saber que se tratava do autor de Ragazza di Ipanema.

    Ao piano - um charuto no cinzeiro e um copo de conhaque ao lado - Tom passeia pelo seu repertório bem pra lá de bossa nova, perguntando entre uma e outra peça com sorrisos irônicos:

    - Qual é a melhor?

     O Brasil está cada vez mais na moda na Itália num momento em que não está na moda no próprio Brasil, como diz Nelson Motta. Muitos italianos torceram como cachorros loucos pelo futebol brasileiro até a surpreendente vitória da squadra azzurra sobre o escrete solar em Sarriá. Sagrados tricampeões mundiais, vestiram camisas e empunharam bandeiras verde-amarelas gritando, estampando em jornais e escrevendo nos muros que o Brasil é aqui.

     A ex-Alegria do Povo flamenguista está na Itália e até prova em contrário é a alegria do povo de Udine, uma cidade de província perdida no nordeste da península. Falcão, Zico e mais uma dezena de brasileiros do calcio transferiram para os estádios de norte a sul da Itália a festa que se vivia no Maracanã e no Morumbi, hoje sob a ameaça de ruir de solidão.       O Brasil está representado em toda a riqueza cromática de seu povo - o neretto Juary , o biondo Falcao , os mulatos Cerezo e Junior , o moreno Dirceu , o luso-carioca Zico , agora Socrates-cara-de-índio

 

     O Brasil está na moda na Itália e não tem por que não estar, enquanto a Itália, terra de exílio de algumas das suas maiores riquezas de expressão popular, estará cada vez mais na moda no Brasil. Revela-se nessa onda o quanto os dois países têm em comum pela transfusão de sangue, usos e costumes operada por mais de um milhão de emigrantes há um século atrás. Existem pontos de contato em expressões enraizadas no cotidiano do chamado vulgo: cafona (cafone ou caffone) ou grana (grana) viajaram na boca da mesma gente que levou para o Brasil o know-how da pizza, das massas, da muzzarella e dos gnocchi.

     A trilha dos antecedentes é curta e muito clara. Começa na herança deixada pelo poeta Murilo Mendes, cuja residência no centro histórico da cidade eterna era uma casa do Brasil, como testemunha a professora Luciana Stegagno Picchio, responsável pela primeira edição mundial do romance Zero, de Ignácio de Loyola Brandão, com a chancela da Feltrinelli, de Milão. Veio depois o poeta, diplomata e capitão do mato Vinícius de Moraes que, com Chico Buarque e Toquinho plus Josephine Baker, 15 anos atrás, mostrou as belezas e tristezas de nossa música popular. Roberto Carlos fez história no festival de San Remo de 1969 cantando música de Endrigo e Bardotti, Canzone Per Te, talvez o maior sucesso brasiliano de sempre na Itália. O doce balanço da técnica futebolística levou à curiosidade pelo resto: cinema udigrudi dos anos 60-70, candomblé, MPB, pop e funk Brasil estão em teatros, salas de conferências, rádios e TVs.
     Michele Ascolese toca violão com sotaque brasileiro e fala brasileiro com sotaque napulitáno. Como aprendeu a tocar assim? Ouvindo discos. Me amarro em Hélio Delmiro. E como é que fala desse jeito? Bastaram dois meses em digressão pela Itália com um show de mulatas tipo oba-oba.
        Duas redes de TV mostram quatro novelas brasileiras, a maior parte da Globo, que depois do inesperado sucesso de A Escrava Isaura (24 milhões de espectadores no horário do almoço) abriu escritório em Roma e comprou a Telemontecarlo. A escrava apaixonou a opinião pública italiana, que exigiu sua libertação onde sempre reclamou de tiranias e injustiças, nos pasquins ou pichações murais:

                               ISAURA LIBERA!

     As novelas dubladas parecem made in Italy e a dublagem apagou a sensualidade de tigresa da voz de Sônia Braga. Enredo após enredo os italianos ficam com uma vaga idéia de como se vive com o desvalorizado cruzeiro - algo indublável - mas adoram o gênero pelo que é, drama e comédia da vida, uma lágrima aqui uma graça ali e uma ou outra bossa nova. O trabalho de dublagem dura o dobro do tempo de gravação. Os brasileiros são napolitanos alemães, espanta-se um produtor de TV referindo-se à férrea organização em que se baseia a fábrica de enlatados da Globo. Com Dancin’ Days a rede de novelacômanos aumenta a olhos vistos, trazendo à Itália um fenômeno inesperado e com características inéditas: jovens e velhos, donas de casa e comerciantes, estudantes e empregados prontos a abandonar qualquer ocupação às 14 horas, ao soar o tema cantado pelas Frenéticas.
     - O personagem de Carlos (o Cacá), que professa uma ilimitada paixão pelo cinema novo de Glauber Rocha e o ardente desejo de o imitar, é escrito e interpretado com a intenção de tornar popular um tipo de artista atraído pelos mass media, sobretudo pelo gosto de se exprimir. Um modelo que ao menos para nós é considerado o oposto do fabricante de emoções um tanto ao metro como se julga devam ser os artistas de séries televisivas - destrincha Tulio Kesich no tijolo de rendição intelectual ao gênero Siamo in tanti, siamo belli i tifosi di ‘Dancin Days’, publicado no diário la Repubblica.
     A América está na moda na Itália desde que Colombo a descobriu. O humorista Beppe Grillo apresentou há dois anos uma série de seis programas na RAI 2 ironizando um dos maiores mitos da Itália contemporânea: Te la do io, l’America. Atento à novidade emergente o mesmo Grillo lançou em março Te le do io, il Brasile, com seis programas sobre o Brasil, recorde de audiência no canal e no horário (10 milhões de espectadores) para as cores e os sons mais díspares da nossa realidade, do roque de Rita Lee ao musak de Jair Rodrigues e o carnaval de João de Barro, a beleza do toque de bola de Zico, a riqueza da natura, o extermínio do índio e a fome nos sertões e nas grandes selvas de concreto. Gianni Minnà, o animador do mais interessante programa de TV no momento, dedicou ao Brasil uma emissão inteira de Blitz, no mesmo canal da RAI: cinco horas com escolas de samba do Rio, Jorge Ben, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Clementina de Jesus e Hermeto Pascoal - os italianos estupefatos com os sons disparados pelo bruxo de cabeleira solar.
     A TeleMontecarlo exibe semanalmente teipes de partidas antigas e recentes com os craques que a Itália ainda não importou, e os italianos sempre se perguntam come mai naquela tórrida tarde de julho de 1982 a squadra azzurra conseguiu vencer aqueles maestros. E come mai?
     O Brasil é uma das principais metas dos italianos em excursões a terras distantes e exóticas e a Itália torna-se o objetivo de gente famosa no Brasil e que aqui circula anônima. Noite sim noite sim encontra-se Milton Nascimento num show dos amigos Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams no Teatro Olímpico, Daniel Filho e Paulo César Pereio tomando fresco na Piazza Navona, Naná Vasconcelos saindo da enoteca Da Hans, na via del Governo Vecchio, depois de gravar Acchiappa achiappa com Pino Daniele em Nápoles e entre dois shows com o pistonista Enrico Rava, Nelsinho iluminado pela graça de Marisa de montão...

     Naná é de casa, conhece Roma há uma década, quando tocava com o saxofonista Sorrizo e o pianista Dusty no início do seu longo exílio, entre exilados e italianos apaixonados pelo cinema nuovo. Glauber Rocha deixou marcas profundas aqui. Mas a onda Brasil em curso deve-se a um maestro nos campos e na vida que os romanos preferem chamar por todos os nomes: Paolo Rroberto Farcao. Que dá uma imagem de seriedade e competência que é a chave com que o Brasil tem aberto muitas portas na Itália.

 

                        Roma em festa espera os diabos vermelhos

              

    Estandartes com as cores do clube vermelho e amarelo pontilhados de verde e amarelo - porque Roma é a cidade mais brasileira da Itália - dão mais colorido à deslumbrante riqueza cromática da capital italiana, com os diferentes tons de verde do musgo sobre as fachadas ocre, vermelhas e amarelas. Torcedores embrulhados em bandeiras passam a todo instante encavalitados em vespas. Cafés, bares e vendas romanistas revestiram paredes com estandartes, flâmulas e cartazes com as cores do time e as caras dos seus ídolos.

    Muitas ruas e praças que após a vitória da Roma no campeonato do ano passado passaram a chamar-se Paulo Roberto Falcão - algumas com o til, de que (incapazes de pronunciar o som nasal) os italianos desconhecem a função - estão preparadas para a grande farra da noite em que o seu time deverá ganhar o maior troféu do continente.

           Roma ner core

dizem garbosamente as faixas giallorosse que dominam algumas delas, entre fitas e balões das mesmas cores. E pelas ruas do centro histórico, entre faixas, bandeiras e balões, como nas cidades brasileiras em antigas noites de São João, passam carros e vespas buzinando e apitando e de onde os ocupantes gritam alegremente em incentivo à esquadra: Forza Roma!

    Até o Coliseu está envolto em bandeiras e, dando um tom ainda mais pop à festa, exibe grandes cartazes com as quatro caras dos liverpoolianos mais famosos do mundo. E o tema de conversa é um só. Os romanos rogam a São Pedro, patrono da cidade, para que deixe de os banhar com a chuva intermitente que caiu nas últimas semanas e faça com que o sol volte logo. Os ingleses não são muito afeitos ao calor e eles esperam também uma ajuda do céu no tira-teimas contra os diavoli rossi. Há dois dias o sol finalmente despontou e os termômetros começaram a registrar temperaturas estivas, abrindo perspectivas de que o calor seja mais um forte aliado do time da casa.

    Cerca de dez mil torcedores do Liverpool, três vezes campeão europeu, invadem os bares do centro histórico e enchem a cara de cerveja. Uma das grandes preocupações dos romanos era a já lendária violência dos torcedores britânicos, para quem futebol não é futebol sem a cuca bem quente. Mas depois de lerem páginas e mais páginas de jornal com análises sobre a violência nos estádios os anfitriões lá se convenceram de que os rivais de Liverpool estão entre os menos violentos do Reino Unido. O jornal il Messaggero publica entrevistas com os beatles Harrison e McCartney. Paul diz que vai estar ligado ao vídeo com o boné azul do rival do Liverpool, o Everton.

    Em meio ao clima de grande tensão, uma agência de notícias italiana distribui um telegrama dizendo que o oitavo rei teria pedido a nacionalidade italiana, para o que deveria ter casado em segredo. A notícia foi rapidamente desmentida por Falcão, que em entrevista à RAI revelou que para ele não existe a mulher ideal.

    - A mulher ideal é a mulher que a gente ama - confidenciou, antes de prometer ficar na Roma mesmo que para tanto venha a ganhar menos do que poderia ganhar em outro clube. O fuxico aumenta com rumores de que seu advogado assinou um contrato de dois anos por 3,8 milhões de dólares.

    Ganhar a Copa vai ser mais importante que a vitória de Madri, jura Ciccio Graziani.

O desastre do Olímpico

             - Roma como o Rio de Janeiro em 50 -

 

     Em vez de festa, silêncio. A Roma desperdiçou na decisão por pênaltis sua primeira oportunidade de ganhar a Copa dos Clubes Campeões Europeus. A frieza e a maior experiência dos diabos vermelhos em competições internacionais foram decisivas na partida. O Estádio Olímpico e a cidade eterna viveram clima idêntico ao do Maracanã e do Rio de Janeiro em 1950, quando perante um público de quase 200 mil pessoas o Brasil perdeu para o Uruguai sua primeira oportunidade de conquistar a Taça Jules Rimet.

      Após duas horas de jogo, quando o juiz Friedriksson escolheu o gol em frente à inflamada Curva Sud, parecia que tudo estava a favor do time da casa e renovou-se a esperança de que depois do empate de 1 a 1 no final do tempo regulamentar e da meia hora de prorrogação a Copa só poderia ficar onde estava.

     Nicol chutou alto e para fora na primeira cobrança inglesa, fazendo com que a grande maioria de público romano acreditasse ainda mais no título, mesmo porque o Liverpool tinha a defendê-lo o eficientíssimo ex-policial sul-africano Grobelaar, mas a Roma contava com a possibilidade de Franco Tancredi, que defendeu sete pênaltis na última temporada, voltar a fazer milagres. Só que os tricampeões do mundo Conti e Graziani falharam suas cobranças e os visitantes conquistaram o troféu pela quarta vez.

     Assistido por 70 mil pessoas, que propiciaram uma renda de 800 mil dólares, o duelo não agradou, sendo dominado pelo nervosismo da Roma e o calculismo dos britânicos, que ao longo de toda a segunda parte seguraram o jogo em seu meio campo para levá-lo para a prorrogação.

       Com pelo menos metade da formação composta de grandes craques, no primeiro tempo os ingleses fizeram dois ataques perigosíssimos, marcando o seu gol logo no começo, quando Neal aproveitou uma confusão na pequena área romana após um cruzamento de Johnston e chutou para a baliza totalmente desguarnecida. O pânico voltaria a apossar-se das hostes romanas quando, perto da sua grande área, Righetti pôs a bola nos pés do temível Ian Rush, que no resto da partida foi muito bem vigiado pelos zagueiros Nappi e o mesmo Righetti. Tancredi evitou o segundo gol liverpooliano espalmando para córner a bola chutada à queima-roupa pelo endiabrado centroavante inglês. Mas na maior parte do primeiro do tempo a Roma conseguiu exercer com competência a que acabou por ser a sua principal tarefa em todo o prélio: impedir que os ingleses desenvolvessem o seu habitual esquema de jogo, baseado em arrancadas em bloco compacto para contra-ataques velocíssimos com o objetivo de municiar o seu goleador.

       Com os seus dois brasileiros jogando mal a Roma só conseguiu empatar a um minuto do intervalo, quando Conti cruzou a bola para a grande área e, de costas para Grobelaar, Pruzzo desviou de cabeça para o gol.

       A partida melhorou um pouco no recomeço, sobretudo porque Falcão, até então muito recuado, adiantou-se no terreno e conseguiu armar boas jogadas. Mas a defesa inglesa impedia a progressão do ataque romano. Conti, muito bem marcado, quase não tocou na bola e o time foi obrigado a desencadear todas as ações ofensivas apenas pela esquerda através do lateral Nela. Pruzzo sofre contusão e é substituído por Chierico, que não produz nada de bom. Quase no final da prorrogação Cerezo sai machucado e é substituído pelo jovem anglo-italiano Strukjl, que não teve tempo de mostrar a que veio.

       O mar de bandeiras aurirrubras já tinha amansado e o coral e os estandartes dos torcedores do Liverpool passaram a dominar o ambiente.

         A loteria dos pênaltis acabou por premiar a equipe mais fria e mais acostumada a situações do gênero. O Olímpico, quase cheio, só não ficou em total silêncio porque na Curva Norte - habitual reduto dos torcedores da arquirrival do time romano, a Lazio - os dez mil torcedores ingleses faziam algazarra, cantando hinos de exaltação aos red devils. Quando as luzes se apagaram muita gente ainda perguntava: Por que Falcão não marcou um pênalti? Mais uma vez parecia que tudo dependera só dele.

         Nada mais terrível e liricamente brasileiro. Em vez da festa, uma quarta-feira de cinzas do futebol. Mais uma vez a noite foi salva pela extraordinária vibração das torcidas organizadas da Curva Sud, que, logo após o primeiro gol da partida, quando o resto do público esmoreceu, rendido face ao predomínio inglês, clamou por um tifo sem tréguas, cantando:

                                             TUTTO LO STADIO!!!

          Sônia Braga resume o sentimento geral na noite inesquecível:

         - Foi muito parecido com a forma como eu senti a derrota do Brasil com a Itália há dois anos. Eu estava filmando Gabriela com Marcello Mastroianni em Parati e depois do jogo tive o mesmo sentimento de derrota e fiquei pensando nas derrotas que a gente já viveu e as que ainda vai viver, o que me faz lembrar aquele livro do Drummond, Perder, Ganhar, Viver. Com aqueles dois brasileiros ali em campo a gente acaba por torcer pelo Brasil. Só que, como nem romanos somos, podemos até pensar melhor, porque se tem ao mesmo tempo uma relação próxima e muito distante com o que está se passando. De repente, depois daqueles pênaltis, foi como que um corte direto, como se o mundo todo tivesse parado de viver, porque nada estava ganho ou perdido até o último instante, e de um momento para o outro o estádio esvaziou, ficando aquele som da torcida na cabeça

                                                           Roma!... Roma!...

toda santa noite! Depois as pessoas ficaram me perguntando: Ma Falcao, perché non ha giocato bene? Cos’è successo?

        A balconista do tabaccaio, normalmente pródiga em sorrisos e perguntas apaixonadas sobre Er Farcao, olhos e nariz vermelhos de choro, muda serve e muda recebe o dinheiro e dá o troco, enquanto o rei manda dizer por telefone, através de mamma Ziza, que se sente como naquela tarde em que a gente perdeu para a Itália no Sarriá.

          - É difícil digerir um golpes desses. Mas a gente precisa não se deixar abater, olhar para a frente e pensar logo em novas possíveis vitórias.

         Após um dia de silêncio quase total, só interrompido para fazer um telefonema e falar da sua amargura - tão grande quanto a que senti na Copa do Mundo em 82 - Falcão passou a rebater as acusações que lhe têm sido feitas de ter sido o maior culpado pela derrota da Roma, por ter amarelado e não ter batido um pênalti na hora da decisão.

         - Não me sinto mesmo no banco dos réus - rebate o jogador, que considera a acusação absurda e grotesca .

         - Não sou nem nunca fui um cobrador de pênaltis, por que razão deveria pôr em perigo os interesses da Roma substituindo outros melhores que eu? A gente tem que ter noção dos nossos limites!

         Falcão diz que não acredita em acusações indiretas que lhe têm feitas pelo colega Roberto Pruzzo, de acordo com toda a imprensa italiana no dia seguinte ao jogo.

        - Conti e Graziani falharam os seus pênaltis mas tiveram o mérito de os ter querido bater, enquanto outras figuras de destaque fugiram às suas responsabilidades - teria dito o centroavante giallorosso.

        Muito mais direto foi o argentino Diego Maradona que, em Nova York, onde se encontra com o Barcelona disputando um torneio, afirmou que é nesses momentos que se vê o líder de um time e Falcão não se comportou como um líder.

         - Para se bater pênaltis em finais é preciso chegar lá e o Barcelona não chegou - contra-ataca o visado.

        - Uma coisa que aprendi na vida é que é fundamental ter classe e elegância em momentos difíceis e agora estou chegando à conclusão de que nem todo mundo tem esses dotes.

        Segundo ele as acusações que lhe tem sido feitas o deixam completamente indiferente, porque estou seguro de ter feito uma partida taticamente perfeita.

        - Se a jogasse de novo, voltaria a fazer o mesmo.

       O que ele ainda não digeriu muito bem foi a derrota, que deixou nele uma amargura que queima, profundíssima.

       - Conversando com Conti depois do jogo ele me dizia: Agora é que eu entendo bem o que você sentiu naquela tarde.

       Hoje, depois de uma tarde na piscina do hotel onde mora, Toninho Cerezo diz que não sente nenhum complexo de derrotado por nunca ter conseguido vencer um certame importante.

       - Eu sei muito bem disso, mas não sinto isso assim, de forma tão frustrante. É claro que por um tempo você fica vagando e agora eu sei muito bem que por ao menos 15 dias a dor não vai passar. Mas, como diz Falcão, é preciso pensar no futuro e em novas vitórias.

       Em 77, jogando pelo Atlético Mineiro, Cerezo foi derrotado na final da Copa Brasil por um Corinthians muito abaixo do valor do seu time. Cinco anos depois foi um dos protagonistas da derrota da seleção brasileira na segunda fase eliminatória da Copa do Mundo da Espanha, tendo sido até usado como bode expiatório da derrota por ter possibilitado a Paolo Rossi marcar um dos três gols que o fizeram deixar o Estádio de Sarriá como um herói. Agora, acaba de perder a terceira grande oportunidade da sua carreira.

       - Mas no fundo não tem nada de desmoralizante você perder uma final contra um timão como o Liverpool. Por mim tenho a consciência tranquila por saber que joguei bem, e se não joguei melhor foi por causa do time, que não fez a partida que deveria ter feito. Resta também o consolo de saber que a gente não perdeu durante o jogo mas só na decisão por pênaltis. E isso já me aconteceu outras duas vezes no Brasil.

       - Cerezo é pé frio?

       - Não me sinto minimamente culpado pela derrota contra a Itália. O Brasil não perdeu o jogo por causa de mim não. Perdeu porque tomou três gols. Brasileiro é que tem sempre que crucificar alguém. Acusar um cara de Belo Horizonte que não faz política e que apenas quer mostrar o seu futebol é muito fácil. Uma das razões que fazem com que me sinta muito bem aqui em Roma é precisamente a de que, sobretudo depois dessa derrota, vejo que o torcedor romanista antes do mais é um esportista e depois doente por futebol. Por isso eles não me acusam. Falam comigo, querem saber como estou e nada mais.

       De regresso a Lisboa depois de ter assistido ao Roma-Liverpool o técnico do Benfica Sven Goran Eriksson confirmou a sua transferência para a Roma e disse que a equipe de Liedholm fez um jogo lento e medroso.

       - Talvez perdesse de 4 a 1, como o Benfica perdeu em Lisboa há dois meses, mas eu teria arriscado.

       Falcão discorda da opinião do seu futuro treinador.

      - A gente tinha duas possibilidades, atacar ou fazer pressão deixando Ian Rush sozinho para desencadear seus contra-ataques fulminantes ou filtrar e conter o jogo do Liverpool impedindo-o de lançar-se ao ataque. Foi o que fizemos e isso funcionou perfeitamente. De resto, como técnico do Benfica Eriksson fez a mesma opção quando jogou aqui em Roma no ano passado para a Copa Uefa.

 

 

       Vida que segue. Nem bem se recuperara e Cerezo arrasa nas quartas-de-final da Copa Itália. Faz os dois gols no Milan que asseguraram a passagem da sua equipe à fase seguinte, no Milan 0x2 Roma. Os romanos jogaram a fase final do certame a todo gás, como se quisessem tirar o diabo do corpo, indo vencer o Torino em Turim por 3 a 1 antes de assegurar a conquista do terceiro título na competição em cinco anos - e mais uma vez a vítima foi o Verona.

        Em Roma para ultimar contrato Eriksson aproveita para visionar seu novo time e assiste ao jogo de ida das quartas-de-final da Copa Itália com o Milan. Perante um público de 70 mil pessoas a Roma desilude empatando em 1 a 1, o que obrigará Cerezo a detonar em San Siro. Começa a chover e Eriksson decide mudar-se das cadeiras sociais para a tribuna de imprensa, onde o “diretor técnico” presta as primeiras declarações aos jornalistas patenteando idéias claras, ambiciosas e rígidas.

      - O presidente Viola é como eu, quer vencer sempre. Como eu pensa que daqui a dois anos a Roma vencerá a Copa dos Campeões Europeus.            
      Mas Viola dá a entender que não se recuperou da perda de Liedholm:

     - Levaram nosso treinador no momento mais importante, quando a Roma jogava toda a sua temporada - bradou horas depois numa entrevista ao vivo na TV, mais uma vez apelando ao vitimismo em que se refugia em situações embaraçosas e com que sempre quer dar a entender que não são os seus empregados que vão embora mas são-lhe roubados.

      Alheio ao stile Viola Erikssson segue enunciando os seus princípios:

      - Ouvi dizer que há jogadores da Roma que fumam antes e depois dos jogos e treinos. Isso não é bom e vai ter de acabar. Também já pedi ao presidente para acabar com premiações por empates. Time feito para vencer não se pode premiar divisões de pontos. Outra coisa: num verdadeiro time de futebol não pode haver um líder. Nossos adversários devem ter medo de defrontar toda a equipe, não apenas um atleta.

      O recado tem destino certo. Embalado, e sem que lhe sejam feitas muitas perguntas, porque os jornalistas italianos presentes não se expressam bem em inglês, anuncia que a Roma continuará marcando à zona e na mesma passada retoma as críticas feitas a Liedholm em Lisboa:

     - Naturalmente que irá continuar jogando à zona! Mas uma zona mais dinâmica e agressiva, com marcações redobradas e maior velocidade. E também não vou fazer como Liedholm, que adotava táticas especiais contra certas equipes, como a Juventus. É bom não mudar contra ninguém. É um sintoma de medo. Veja-se o caso do Roma-Liverpool, em que ele abandonou a zona pura e fez com que Rush fosse seguido o tempo inteiro por dois homens.

      Indiferente às tempestades que se avizinham a imprensa italiana dá muito maior destaque às para ela caricatas e bombásticas declarações de Sócrates antes de chegar para conhecer o terreno que irá pisar. O Doutor diz que quer conhecer melhor a pintura renascentista e reafirma sua total indisponibilidade para encarar concentrações. Afirmação logo minimizada pelo presidente Ranieri Pontello, o Sérgio Dourado da região de Florença, para quem também Passarella era muito peculiar em seus hábitos e acabou por se acostumar ao novo regime.

     E enquanto a chegada de Júnior a Turim é noticiada pelos telejornais numa linguagem fria de números e posicionamentos em campo, em Florença Sócrates é motivo de festa e de briga. Marcello Placidi, o intermediário que proporcionou o sensacional lance de transferência do jogador, não perde tempo para esvaziar o saco, como diz em linguagem rasteira um diário italiano.

       Placidi levou Sócrates ao local onde se realizaria um jogo de futebol de salão com atletas fiorentinos e insistiu em que ele desse o toque de saída - de preferência talvez  o famoso toque de calcanhar das diretas. O Doutor recusou-se a fazê-lo e só descontraiu após tomar cinco latas de cerveja, conforme o relato do intermediário.

      - Depois fomos a um restaurante - continuou a dedurar. - Em poucas horas, revela-se outra faceta do jogador: Sócrates, o mágico que faz desaparecer duas garrafas de vinho.

       - Respondo apenas pelos meus compromissos, não pelos dos outros - terá ele dito ao recusar-se a dar o toque de saída no futsal, e Placidi responde com chumbo grosso às interpelações da imprensa:

       - Não quero mais falar com ele. Esta noite vou jantar com o conde Pontello (pai do presidente Ranieri) e vou-lhe dizer claramente que espécie de jogador contratou. Sócrates vai querer impor a democracia, como fez no Corinthians. Estou amargamente arrependido de o ter trazido para a Itália.

       Intransigente quanto a compromissos alheios o ex-corintiano cumpre os seus a esmo e com sucesso: conversou com o colega Passarella, que está pleiteando a mesma soma paga ao brasiliano para assinar até 1986, e tenta a todo custo entrar em contato com Giancarlo Antognoni, ainda convalescente. Entretanto, através da imprensa, os dois trocam galhardetes.

        No que toca a Sócrates, não há que duvidar da sua sinceridade ao expressar a sua admiração pelo novo colega. O então capitão da azzurra foi o maior objeto dos seus elogios após o Itália 2x1 Argentina da última fase classificatória da Copa de 82 - quando até poderia pensar em vir para a Itália mas certamente não para a Fiorentina. Segundo ele, a Itália venceu sobretudo graças à sua incrível perfeição na ligação da defesa com o ataque.

        - A seleção italiana deve esta vitória a Antognoni. As jogadas de ataque saíram sempre dos seus pés - comentou, e alertou Telê Santana para tomar cuidados especiais com o insuspeitável possível futuro companheiro:

      - Ele sabe explorar bem os lançamentos e os passes curtos, além de ajudar no combate. Acima de tudo é um jogador técnico e criativo.

      No departamento médico um Sócrates sorridente recebeu de um dos membros da sua equipe o convite para dar uma mão ao pessoal. O craque queria viajar para Roma, onde Santana toca com Bob Dylan, mas o não menos agradável programa do dia - ir a Fiesole escolher casa - não o permitiu.

       A imprensa italiana não perdoa: Sócrates, e já temos briga, diz. Mas pouco a pouco o campeone, na expressão de Antognoni, vai-se integrando ao ambiente viola.

       De Nova York chega outra mensagem simpática em meio a já tanta polêmica. Tido como o mais ilustre torcedor da Fiorentina, o cineasta Franco Zeffirelli comentou a recusa do jogador em dar o toque de saída no futsal dizendo: Eis um homem que não se deixa manipular.

       Sócrates almoçou com Antognoni e esposa e o goleiro fiorentino Giovanni Galli. Dois dias depois reencontrou Claudio Gentile, que não via desde a fatídica tarde do Sarriá, onde de resto só o deve ter visto de longe, porque il killer, como é conhecido na Itália, esteve ocupadíssimo na tarefa de impedir Zico de jogar. O também chamado per niente Gentile acaba de trocar a Juve por Florença. Sem apelar o Doutor estampou um sorriso, cofiou a barba e saiu pela tangente:

         - Ele é rude mas não é violento.

        Júnior era entretanto recepcionado por milhares de tifosi do Torino em clima de verdadeiro carnaval, segundo os relatos da imprensa. Não faltou batucada na recepção ao craque em Turim.

       - Júnior é o homem de que estamos precisando. Sozinho ele muda o jogo de um time - analisou o novo técnico granata Luigi Gigi Radice, oriundo da Inter de Milão.

  Roma de todos os carnavais         

       Batucada mesmo - e da melhor - teve na capital em Rio de todos os carnavais, o grande evento da estate romana e afinal de encerramento de um final de temporada extrabilhante, a par com uma montagem da Tosca de Puccini nas ruínas das Termas de Caracalla. Este ano, alegadamente para dar também aos habitantes de outras zonas da cidade a possibilidade de viver em festa o mormaço do verão mas sem dúvida vencido pelas críticas à realização de eventos em pleno centro histórico, o mestre de cerimônias da estação, Renato Nicolini, decidiu descentralizar. E descentralizou tanto que algumas atrações foram parar em Ostia, a 50 km da capital.

      Para Roma de todos os sambas, como poderia ser chamado o evento brasiliano deste ano, tudo bem. Não poderia haver cenário mais apropriado que o Foro Itálico, melhor ainda a cabeceira da Curva Sud do Estádio Olímpico, para tornar mais vibrante o abraço entre as duas capitais do futebol... e do samba. Dá para imaginar que a festa teria sido muito maior se a Roma tivesse conquistado a Copa dos Campeões mas ainda assim foi bárbaro ver o vasto recinto cheio ao longo de uma semana numa série de shows explosivos.

      Explosivos até demais. A maior parte do público desconhecia por completo os músicos e cantores escalados e esperava mesmo era por shows de música primitiva e exótica dos trópicos. Muita gente que pagou para ver Hermeto Paschoal fugiu quando viu o bruxo albino explorando sem medo toda a gramática de sons. Entre os que resistiram houve quem no final ainda pedisse samba... Mestre Hermeto apresentou todos os músicos, menos ele. Eles estão dizendo que está  faltando eu, mas não está faltando eu não; está faltando nós! Está faltando nós! - conclamou o público ignaro do idioma e, por tabela, embasbacado. Vocês querem samba? Então a gente vai tocar samba. Mas samba moderno! E com Itiberê na tuba e o resto do pessoal na percussão foi de samba do tempo de Donga descendo o palco e chamando o público para pular atrás da bandinha, fazendo da festa uma noite de São Hermeto.

      O show de abertura esteve a cargo de Djavan e sua banda Sururu de Capote. No início foi meio estranho, eles tentando me reconhecer e eu tentando reconhecê-los, narrou o cantautor. Mas quando a banda atacou os primeiros acordes de Sina fez a galera se levantar para não se sentar mais. O samba-funk é famoso numa versão italiana intitulada Jazz, que deu título ao último LP da rocker transalpina Loredana Bertè. A partir daí o reconhecimento foi tal que finda a digressão européia o tecladista Ricky Pantoja abandonou o Sururu e veio morar em Roma, onde toca há meses no Mannuia, o point ítalo-brasiliano de Trastevere.

      Precavido, Milton Nascimento fez intensa campanha de divulgação antes de subir ao palco sobranceiro à Curva Sul do Olímpico com a banda composta por Wagner Tiso (teclados), Ricardo Silveira (guitarra), Nico Assunção (baixo) e Robertinho Silva (bateria)e revelou-se aos romanos viajando à vontade entre a voz natural e falsetes de arrepiar.

       Só teve batucada como o público esperava com a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, no final de uma noite de gala com os sambas da solidão e dos sinais fechados de Paulinho da Viola, de Dona Ivone Lara e da Velha Guarda da Portela, que deixaram muitos romanos de boca aberta, apesar de não entenderem todo o seu lirismo.

       Mas pra valer mesmo, em termos de empatia, foi a noite de Martinho da Vila com os convidados especiais Osvaldinho do Acordeon e Noca da Portela, mais a maestrina Rosinha de Valença, no centro da cena, magnânime, sorridente e prazenteira. Um timaço a que se associou de improviso João Nogueira, que fez da noite uma serata exaltante, mesmo para a extragrande maioria que não entende bulhufas de português, quando apresentou sua adaptação do samba de Assis Valente, readaptada para a ocasião, braços erguidos na direção da Curva Sud:

O mais querido tinha Zico, Adílio e Adão

E eu vou rezar a San Giorgio pela Roma de Falcón

Nápoles: tarantela, tango e Maradona

Tutte hanno scritto a Napule canzone apassionate,
tutte ‘e bellezze ‘e Napule so’ state decantate;

da Bovio a Tagliaferri; Di Giacomo a Valente;

in prosa, vierze e musica: ma chi po’ ddi cchiu’
niente?                                         Chi tene cchiu’ ‘o curaggio ‘e di quaccosa 
dopo ca sti puete gruosse assaie

d’accordo songo state a ddi’ una cosa:

ca stu paese nun se scorda maie.

Sta Napule, riggina d’’e ssirene,

ca cchiù a guardammo e cchiù ‘a vulimmo bene.

Zuoccole, tammorre e femmene

Todos escreveram a Nápoles canções apaixonadas,
todas as belezas de Nápoles foram decantadas:  
de Bovio a Tagliaferri; Di Giacomo a Valente;  
em prosa, verso e música: dizer algo além quem tenta?  
E como ousar dizer alguma outra coisa  
depois que esses poetas bons demais  
foram unânimes em pelo menos uma sentença:  
desta cidade ninguém se esquecerá.  
Esta Nápoles, rainha das sereias,   
que quanto mais olhamos mais nos incendeia.

      Totò (Antonio De Curtis)

      Duas cidades solares vivem um verão de festa. Roma porque é verão e basta, Nápoles porque finalmente também pode sonhar grande. No escudête (à napolitana). Por nós melhor ainda, porque craque brasileiro por cracaço argentino Napule è sempre Napule, salvo os engarrafamentos, e mais que berço da pizza é terra de um dos povos mais afáveis, apesar dos pesares - e quantos! Que todo mundo gosta de comparar ao Rio porque a baía assemelha-se à enseada de Copacabana e pela doçura dos dois povos - que está se perdendo no Rio... Porque também tem camelôs e meninos de rua - aqui chamados scugnizzi - além da conta, que jogam bola de noite na galleria Umberto I, como nunca se verá na Vittorio Emmanuelle, em Milão. Porque é terra de Antonio De Curtis, vulgo Totò, Domenico Modugno, Pino Daniele e Teresa De Sio. E porque, após subir o funicolà e andar pelas ruas do Vomero, olhar lá de cima, longe da barafunda embaixo, onde a falta de transportes públicos faz com que haja engarrafamento em quase toda a cidade 14 horas por dia, dá vontade mesmo é de não temer lugar comum e expirar: ver Nápoles e depois morrer.

      Em que outra cidade do mundo um senhor distinto como Totò, chapéu de coco e tudo, em mais uma fatídica fila de banco que dá nos nervos de qualquer santo, pode interpelar um forasteiro só para ser amável e cavaquear - o senhor, trocando dólares, não é napolitano, pois não? Ah, é brasiliano, che bello! - sem dar a mínima sensação de fastídio?

      Por um mês os napolitanos fizeram fila em frente à imagem de San Gennaro, o santo padroeiro da cidade, cujo sangue se liquidifica uma vez por ano, pedindo-lhe o milagre. A prolífica indústria informal napolitana tratou de tirar partido produzindo camisetas azuis celestes com a cara do jogador, bonecos, pratos, copos e mil bugigangas, além de outros três sucessos instantâneos na praça: discos com as músicas Tifoso Inamorato, Inno a Maradona e Tango a Dieguito. Os restaurantes, é claro, incluíram no cardápio uma nova variedade de pizza, batizada com a chancela do jogador mais caro do mundo. 120 bebês receberam o nome de Diego. Um dia antes de expirar o prazo de inscrição de atletas estrangeiros o presidente do Barcelona, José Luís Nuñez, seu homólogo do Napoli, Corrado Ferlaino, o procurador Jorge Cyszterpiller e o jogador bateram o martelo: Maradona transfere-se da Catalunha para a capital da Campania por 7,5 milhões de dólares e deverá receber cinco milhões por um contrato de cinco anos. O jogador exigiu apenas dez passagens aéreas Roma-Buenos Aires-Roma ao ano, contra as 16 passagens Roma-São Paulo-Roma previstas no contrato de Sócrates. Em contrapartida, além de dois carros modelo 1985 e de uma mansão, terá direito a estadia para a sua comitiva permanente, composta de 25 pessoas.

      San Gennaro operou o milagre e a multidão de fiéis torcedores continuou a desfilar em frente a sua imagem, agora para agradecer. Não há memória de uma recepção tão apoteótica a um jogador. Nem mesmo a que Nápoles fez ao seu conterrâneo Omar Sivori em 1965, quando este foi comprado à Juventus. Toda a cidade explodiu em festa, e de tal forma que parece que seu clube já conquistou o primeiro scudetto da sua história. Os ingressos para a apresentação do jogador no Estádio de San Paolo - em que ele apenas receberá a camisa do seu novo clube e dará uma pálida amostra dos seus extraordinários dotes de controle de bola, que, muito mais do que em partidas, exibirá no centro de treinamento de Socavo - custam nos cambistas dez vezes mais que os de jogos oficiais. Daniel Bertoni troca a Fiorentina pelo Napoli para fazer dupla portenha com Dieguito.

      A confusão instaura-se logo após a apresentação, durante uma coletiva de imprensa a que estiveram presentes 200 jornalistas e 50 fotógrafos, e em que um jornalista francês perguntou-lhe se a camorra está envolvida na transação. Isso nunca se saberá mas o chefe de uma das facções da máfia napolitana, a Nuova Camorra Organizzata, Raffaelle Cuttolo, há muito foragido à Justiça, testemunhou que só se apresentou a uma sessão do tribunal que está julgando um dos seis processos de que é alvo porque não poderia deixar de estar em Nápoles no dia da chegada de Maradona. Nem sequer o viu, mas ainda assim acha que valeu a pena ter sido preso.

       Com a redução da produção de aço nos altos fornos de Bagnoli imposta pelo Mercado Comum Europeu e do tráfego marítimo, a bela e caótica Nápoles mergulhou em crise profunda, com cerca de um quarto da população economicamente ativa no desemprego. Não tem pão, mas promete comprar todos os carnês anuais de ingressos para os jogos do seu time - e cumprirá. Com capacidade para 80 mil pessoas o estádio estará cheio em todos os jogos. O construtor civil Corrado Ferlaino - suspeito de envolvimento com a camorra em fraudes de licitações públicas de edificações - será obrigado a fazer obras para aumentar a lotação do San Paolo para 105 mil pessoas. Nápoles não tem pão, mas armou um circo colossal.

 

       Como, Cremonese e Atalanta subiram para a Série A, que passa a contar com cinco equipes da região da Lombardia. Quinze dos dezesseis times da Série A gastaram cerca de 26 milhões de dólares na contratação de mais 12 jogadores estrangeiros, quase a metade do dinheiro desembolsado desde que as fronteiras foram reabertas em 1980, na compra de 60 jogadores da Grã-Bretanha, França, Holanda, Irlanda, Bélgica, Alemanha Ocidental, Suécia, Polônia, Áustria, Peru, Argentina e Brasil. O número de  estrangeiros no calcio subiu para 38 com a chegada dos brasileiros Júnior e Sócrates, dos suecos Glenn Stromberg (Atalanta), Lars Larsson e Dan Corneliusson (Como), dos alemães Rummenigge e Hans Pieter Briegel (Verona), dos ingleses Mark Hateley, oriundo do Portsmouth, da Segunda Divisão inglesa, e Ray Wilkins (Milan), do escocês Graham Souness (Sampdoria) e do dinamarquês Preben Larssen Elkjaer (Verona).

       O holandês Rudy Krol foi vendido pelo Napoli ao Nice, da França. Dirceu ficou sem lugar no time, embora tenha assinado por mais dois anos, e Elói, Pedrinho e Luvanor farão companhia ao peruano Uribe do Cagliari, aos dinamarqueses Peters (Genoa) e Bergreen e ao holandês Kieft, a dupla estrangeira do Pisa, no limbo do futebol italiano. Juary recusou convite do Panathinaikos para se transferir para Atenas e permanece na Itália sem clube.

      As transferências mais caras de jogadores italianos foram as de Bruno Giordano da Lazio e de Massimo Briaschi do Genoa (terceiro na lista de artilheiros do último campeonato) para a Juventus. Giordano teria custado o equivalente ao preço pago pela Inter por Rummenigge.

      Mas o maior sucesso da Juventus foi ter bloqueado todas as iniciativas da Roma e de Viola, que não conseguiu reaver o zagueiro central Vierchowod e comprar o centroavante Bruno Giordano à Lazio e cedeu Di Bartolomei ao Milan.

       Mazza prometeu montar um bom time para Zico mas vendeu os atacantes Virdis (ao Milan) e Causio (à Inter) e só fez uma aquisição de vulto, a do atacante Franco Selvaggi, ex-Torino.

 

                                                O Doutor Diretas                                                                     (agosto 1984-fevereiro 1985)

  A triste   e bela   saga dos   brasilianos

O oitavo rei de Roma

O Doutor Diretas 

Rebuliço na corte do rei Arthur  

Rei morto... fim da Monarquia

    o quadrinho do

                                                        

 

Parece como com uma mulher. Fica-se sem saber se não se olhou bem as outras ou se só o Guerin Sportivo nos fazia ver o balé do futebol em toda sua beleza plástica.Havia outras revistas talvez mais bonitas que o Guerin. Mas nenhuma tinha fotografias com a qualidade estética do "velho" semanário bolonhês (fundado em 1912) "de crítica e política esportiva" que os jornalistas de todas as publicações ou seções de esporte de publicações de informação geral no estrangeiro consultavam nem que fosse só para ver  como se deve fotografar um esporte como o futebol, que faz com que todos os participantes se movam em total harmonia ou então em grande contraste de movimentos.Reproduzindo ao longo da narrativa de A triste e bela saga dos brasilianos algumas fotos históricas do Guerin queremos também render homenagem a um dos melhores produtos entre os muitos de raríssima qualidade com que a "douta e gorda" Bolonha encanta o mundo.

     

                    

                                                            

                           

  A triste e bela saga dos brasilianos

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créditos autorais: Era Uma Vez a Revolução, fotos de James Anhanguera; bairro La Victoria, Santiago do Chile, 1993 ... A triste e bela saga dos brasilianos, Falcão/Barilla: FotoReporters 81(Guerin Sportivo, Bolonha, 1982); Zico: Guerin Sportivo, Bolonha, 1982; Falcão Zico, Sócrates, Cerezo, Júnior e seleção brasileira de 1982: Guerin Sportivo, Bolonha, 1982; Falcão e Edinho: Briguglio, Guerin Sportivo, Bolonha, 1982; Falcão e Antognoni: FotoReporters 81, Guerin Sportivo, Bolonha, 1981. E-mAIL

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