...............INÚTIL PAISAGEM

 

 

 


...............MÚSICA DO BRASIL DE CABO A RABO .revoluciomnibus.com
Caetano Veloso, que dialogou em referência direta e contrapuntisticamente com Antonio Carlos Jobim em Paisagem Útil e Janelas Abertas Nº2, disse há décadas que o Brasil precisa merecer a bossa nova. Tom Jobim é, com Pelé, Carmen Miranda e Oscar Niemeyer, um dos maiores símbolos do Brasil, pela popularidade universal de sua obra e por uma imago-ideia de um país que ainda não existe e pelo que o pessoal da sua era mostrou em vários ramos de arte até seria possível - ou não? já era? Nós tivemos que inventar o Brasil, o Brasil não existia - viveu repetindo o parceiro de Francis Albert Sinatra em uma das grandes obras do século XX, entre muita coisa maravilhosa que criou. Embora hoje pareça que o Brasil ainda nem começou.
INÚTIL PAISAGEM
Há muito tempo que eu disse sim ao eterno. Bossa nova não é modismo. Escrevi para o futuro. A verdadeira elegância despreza a moda... .ou será que exagero?
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.....................Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu no Rio de Janeiro em 1927

parceiros
discografia (com dados e comentários)
tributos
natura
matita perê: literatura, música, arquitetura, ornitologia, filologia
de vanguarda e música de elevador musak lounge music par excellence: wave
Paisagem Útil <> Inútil Paisagem e afomenomundo
a bossa e a boçalidade
psicodelia e bossa nova, bossa nova, bossa mais nova



Neste exato instante centenas de rádios, TVs e casas de shows - de um inferninho ao grand palais - no mais distante lugar de qualquer lugar do planeta estão tocando uma música de Tom Jobim.
Tom Jobim-Vinícius de Moraes e Tom Jobim-Newton Mendonça foram parcerias tão tocadas em rádios e bailes nos anos 1960 como Lennon-McCartney.  Rock e bossa nova eram as maiores novidades - the brand new thing, como se diz no original.
E sempre o são. Nunca se deixou de tocar Beatles e Tom, talvez o maior criador musical e um dos melhores letristas brasileiros.
Qual Cole Porter, Tom deu-nos meio século de empolgação primeiro com a bôwssa nowva, depois através da new bôwssa e depois do drum’n’bôwssa.



CARACTERÍSTICA DA OBRA DE TOM JOBIM: a cidade em que nasceu e a natureza
.....................................................................................................................Rio de Janeiro que eu sempre hei de amar
Toda minha obra é inspirada na Mata Atlântica................................... Rio de Janeiro a montanha, o sol e o mar

Compositor (letra e música), pianista, cantor, arranjador e violonista, estudou piano com Lúcia Branco, que lhe ensinou "os franceses" - Fauret, Debussy, Ravel, a coqueluche da época -, e mais tarde dodecafonia com Hans-Joachim Kollreutter. Alem dos impressionistas inspirou-se sobretudo na arte de Heitor Villa-Lobos. Nós tivemos que inventar o Brasil, o Brasil não existia - repetia, ressalvando que o precursor de uma linguagem brasileira na grande música foi Villa, que visitou três vezes em sua casa no Rio de Janeiro acompanhando Lirio Panicalli, colega e mestre em arranjos e regência, ao lado de Radames Gnatalli e outros. Foi portanto também um filho de Heitor Villa-Lobos e por assim dizer, como inventor da bossa nova, pai de muito boa gente no Brasil e mundo afora.  

....Saudade do Brasil em alto volume, duas da manhã, inesperadamente desato a chorar como um bandido, como chorara a meio da tarde enquanto descava o obituário do maestro. Para  minha  surpresa, porque  ele  mesmo  se  queixava da falta de apego dos brasileiros a seus ídolos, sua morte provocou grande comoção entre o que restava da classe média e alta do Rio de Janeiro após década e meia de crise, e nos dias seguintes foi um barato ouvir música de Antonio Carlos Jobim irradiada das casas da Zona Sul, que cantou melhor que ninguém.

... a sua essência e a de sua obra, de que só me apercebi em pleno nessa manhã, ao ouvir a notícia de sua morte em Nova York, aos 67, quase a mesma idade do companheiro Vinícius de Moraes. Só me apercebi também de como é que eles se entrosavam tão bem em Roma, numa roda de amigos, a entrevistá-lo - ou a tentar entrevistá-lo, porque em princípio ele não respondia com objetividade a nenhuma pergunta - e ele passou a tarde tomando Armagnac e conversando. O Rio perde o seu Cole Porter...

 DAS CITAÇÕES E GLOSAÇÕES E INFLUÊNCIAS E REFERÊNCIAS E TRANSPARÊNCIAS SEM FIM

Porter... nada a ver? Alguma coisa, sim: ambos compunham letra e música, embora Porter sempre sem parceiros. Se bem que no caso da parceria com Newton Mendonça nem se saiba muito bem quem fazia o quê. Certo; o universo de um e de outro nada tem a ver e fala-se até da singeleza, extrema simplicidade ou simplismo de algumas das de Tom... Mas o que dizer de Águas de Março – só um exemplo. Depois em tudo se pode encontrar analogias, mesmo entre eles. O papo musical de Porter com o piano em Everytime We Say Goodbye, quando ele, a propósito do revés no caso amoroso, diz e faz em música a passagem from major to minor e o de Tom com Newton Mendonça em Samba de Uma Nota Só. eis aqui este sambinha feito numa nota só, outras notas vão entrar mas a base é uma só. Nada a ver com plágios, mas glosa, glosação - o passeio na escala de Tom no início de Dindi, com Aloísio de Oliveira o ex-band leader de Carmen Miranda que vivera já mais de vinte anos na América de Cole, Porter - , é o mesmo de Love For Sale, embora com andamento diferente. Matita Perê glosa quatro compassos de cellos do balé em dois atos Daphnes et Chloé, de Maurice Ravel. Paráfrase ou mote para variações são mais comuns que a aurora ou do que se enuncia em títulos de obras alusivas a outras. Se ser poeta é retomar os mestres, Tom, maestro e etimólogo das sutilezas, é a quintessência do artista moderno, face à infinitude e ao imprevisto e rodeado de dejà vu, que tudo que vê e pressente cita e recita em variedade e variações. Com graça. Lá está: prógono e epígono. De Heitor Villa-Lobos nem se fale - ou só como exemplo dê-se a citação do próprio filho Paulo da Valsa da Dor em Valse; Saudades do Brasil, do Milhaud de Le Boeuf Sur Le Toît, que já no título remete ao impulso primal da obra, um mosaico de reminiscências da música do Brasil, onde atuou no imediato pós-I Guerra Mundial como assessor cultural do poeta diplomado e diplomata Paul Claudel; o decalque de Desafinado sobre o Prelúdio N° 4 de Chopin e ele que de uma costela nordestina dizia que seu sobrenome provém do francês Jouvin - juvan -  segundo Clara Sverner acicatado a propósito sorria e diagonalizava: ... pois é... veja você, Chopim, Jobim... Where have you been mister Bim, where have you been, Jo? Jobeen. Enfim, e por último mas não de somenos, tem lá também um toque de Mambo Carmel do Errol Garner em O Morro Não Tem Vez, composto oito anos depois do LP Concert By The Sea... Mais explícito, Só Danço Samba ou em inglês Jazz Samba: a harmonia da primeira parte roda sobre os trilhos de Take The A Train e a da segunda parte reprisa com sutileza a de Satin Doll. Ele é comumente associado pelos peritos brasileiros sobretudo a George Gershwin, talvez por lá ter feito sua versão de ouro de Fascinating Rhythm e talvez por entre outras mais no trecho de since a brazilian has danced with you le pas de deux do where have you been, mister Bim citar a melodia do segundo movimento de An American in Paris, sendo a sua Chansong Um Brasileiro em Nova York. Mas o próprio estilo dos recitativos introdutórios das suas peças, em que glosa as introduções cantadas (ou verses) dos clássicos das operetas da Broadway e dos musicais de Hollywood (e o de Dindi, por exemplo) não soa tão associável ao tom por assim dizer clássico das operetas-mães gershwiniano e sim ao da por assim dizer lounge music coleporteriana.

A cidade de Tom é como um paraíso sobre o mar tropical e pouco ou nada tem de cosmopolita. A vida de Tom - ou o que dela se reflete nas canções - não é la grand vie de Porter. Associam-se talvez no labor e no mais que evidente prazer do labor de elaboração na manufatura das músicas e letras das canções (em que não pese a transparente ligeireza das letras de Wave e Outra Vez, por outro lado as de Corcovado e Fotografia não deveriam ser tomadas com ligeireza nem por aparência). Por outro lado, passe a expressão em Sinfonia da Alvorada ou do Rio de Janeiro (chamada sinfonia popular), e ainda que se desconte que só deixou de orquestrar por preguiça, mesmo em suas peças de mais longa duração Tom evitou sempre que pôde o sinfonismo clássico, romântico ou moderno - Pra que fazer um mau Ravel se pode fazer um ótimo Jobim?

  DAS CITAÇÕES E GLOSAÇÕES E INFLUÊNCIAS E REFERÊNCIAS E TRANSPARÊNCIAS SEM FIM

.....Cole Porter descreveu Nova York da porta do Waldorf para dentro. Foi o maior cantor de Nova York. Jobim descreveu o Rio dos olhos e ouvidos para fora. Nenhum compositor traduziu tão bem aquele setor da minha cidade, a Zona Sul, nas mais ínfimas cambiantes tímbricas de cor e som, paisagem, vento, clima, pessoas. A parte da cidade em que moro e, por curiosa coincidência, ou talvez não, a apenas 300 metros em linha reta da casa que ele construiu no alto de um declive, o Cristo Redentor à esquerda, quase sobre ela, e ela sobre o Jardim Botânico mais as suas filas de palmeiras imperiais, em primeiro plano, depois a Lagoa, o Leblon e o mar ao fundo - lá do alto, longe dos cheiros e ruídos, uma casa em estilo europeu de montanha, uma vista deslumbrante do que não deixa de ser, não importa o que lhe façam, um paraíso tropical. No meio da floresta da Tijuca, no seu polígono de coleta de sons, cores, vibrações da cidade, horto botânico, sua música é como um fio invisível a dar continuidade à minha vida do berço à beira da cova em que me encontro, do primeiro pio de pássaro ao amanhecer, quando, para quem não vê o nascente - e ele também o entrevia atrás do Corcovado -, ainda está tudo escuro, ao perfume das orquídeas e os rosas, vermelhos, lilases e bordôs dos jequitibás e flamboyants, hibiscus, quaresmeiras, espirradeiras e acácias brancas e rubras. Ali, no Alto Leblon, no dia da sua morte descobri que voltei para viver o Rio de Tom e o que ele ainda tem de paraíso terreal, como ele o vivia e transcrevia em canções e peças de câmara. Um Rio de amor que, com ele, poderia para sempre se perder.

......Terra Brasilis. Saudade do Brasil. Música radiante. Como os seus dias mais bonitos - claros ou escuros. Descobri ali e então a razão da minha insana ânsia de voltar nos 20 anos em que vivi na Europa e calcorreei Lisboa, Paris e Roma também a cantar ‘num fim de semana em Copacabana, andar pela praia até o Leblon’. Estupidamente, talvez, nunca corri apenas atrás de dinheiro, e no meu caso, que não sou nenhum Tom Jobim, o apelo da terra pode ter sido fatal.

Samambaias verdes, de todos os matizes dos verdes... Samambaias azuis, de todos os matisses dos blues... Voltei afinal a um Rio já inexistente, uma cidade dramaticamente implantada no meio de uma floresta tropical que a cada dia lhe tira mais uma, dezenas de árvores e deixa-se de ter mais uma panorâmica da sua natureza exuberante, tapada por um novo prédio de dimensões absurdas e, pior, formas horrendas, porque além do mais os empreiteiros parecem determinados a não fazer nada que preste, em termos arquitetônicos, para já nem falar em paisagismo. Mas em que, por muito que a tenham destruído e a destruam ainda, e tenham acabado com o proverbial bom humor do carioca, de que ele, Tom, era um dos melhores exemplos, a natureza é tão forte que muita coisa permanece igual. Pode-se ainda sentir uma réstia do habitat da primeira manhã do mundo naquele cenário único, muito embora suas praias e florestas estejam de tal modo sujas que é até perigoso tomar banho nelas...

a chorus line...

      .. o Rio saiu do Tom, cantava dez anos antes Macalé. Mas de lá de trás do Jardim Botânico ou mesmo de frente para o mar ainda dá para sentir o significado de cada nota, cada acorde, dissonância e consonância, timbres e expressões vocais do maestro, um Pelé em música, qual Villa-Lobos reencarnado no fin-de-siècle. Um dos arquétipos do fim do século XX.

......num planeta periférico hoje chamado ‘países emergentes’ em que até o exotismo perdeu a graça, é só sinônimo de miséria e escafedeu-se. O Rio da doçura tá um fel.

Rumo à Estação Oriente
James Anhanguera  
MUSAK DO BONDE ELÉTRICO DO SÉCULO XXI
 
travelog
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http://revoluciomnibus.com/RumoaEstacaoOriente.html


Metais e cordas entram de rompante e decrescem rápido para em begê dar vez a um coro que entoa com garbo quando a encosta do morro Cara de Cão descerra o pano em panorâmica para o Corcovado - que ainda nem tinha nome -, morro da Viúva - que ia levar tempo para nascer - e Santa Teresa - que tinha outro nome.
O barquinho vai, a tardinha cai e o Pão de Açúcar enrubesce, corado do dia luminoso e quente. Visto daquele ângulo parece uma Esfinge, uma Gata Negra Bronzeada estendida ao sol.
O espelho d’água tremeluzente, golfinhos e baleias, a boca banguela que seja - ma che bbeeello escancara os braços Amerigo Vespuccio e desata a folgar
         It’s delightful, it’s delicious, it’s de-lovely...  
braço dado com Cole Porter que vem de carona na expedição do capitão genovês

http://revoluciomnibus.com/M%C3%BAsica%20do%20BR%20K%20Abertura.htm

      ... e a manhã tropical se inicia.

É a primeira manhã do mundo na baía de Guanabara, o Rio de Janeiro nasce para a história.
É mais que uma canção de Cole Porter, o nosso Orlando, que nem sabia se chegava para a visão primordial, se era 1503 ou 1499 ou se partia em 1937 de regresso a Nova York.

É a primeira Utopia depois da Atlântida dos antigos gregos. Mundus Novus, chamou Vespúcio a América. E para Thomas Morus o Brasil era a Ilha da Utopia.
É a vida, se como escreveu Wilde não merece sequer uma mirada quando na sua carta não se vê sombra de Utopia.
É a Sinfonia do Rio de Janeiro de Tom Jobim e Billy Blanco sem tirar nem pôr.

bossa nova.o que.quem onde quando e.porquê em revoluciomnibus.com



 


Z%20Psicodelia%20e%20Bossa%20Nova.htm


http://revoluciomnibus.com/bossa%20nova.htm

No Planalto Central do Brasil, à entrada da floresta amazônica, no estado de Goiás, erguia-se Brasília, a cidade do futuro, construída para ser a nova capital federal. Corria o tempo do governo Juscelino Kubitschek, quando se vivia a euforia desenvolvimentista e, o que é muito estranho quando se tem em consideração toda a vida brasileira no século XX, em democracia... A bossa nova, fruto também desse estado de coisas, era a trilha sonora do "feriado da alma" brasileira. Várias formas de expressão artística e cultural atingiram nessa época a maturidade e começavam a explorar temáticas e formas brasileiras. Cinema novo, teatro independente (Oficina, Arena, Opinião), arquitetura e o paisagismo futurista de Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Burle Marx, de que nasceu o futuro: Brasília.

Chico Buarque:
- Eu gostava de rock. Apareceu a bossa nova e aquilo era moderno, era brasileiro, tinha a ver com tudo, com Brasília, que era moderna e brasileira e tinha a ver com o país que parecia nascer, moderno e promissor.

Fosse o que fosse humana ou politicamente Tom Jobim nunca foi careta. Fugia do discurso racional pela primeira vereda sintática e semântica que se lhe deparasse no enunciado. O universo era para ele um Triângulo das Bermudas, donde se surgia do incógnito para o nada - e ele que com a (sua) bossa nova se fez eterno. Arnaldo Jabor:
- Nunca estava onde queríamos. Só gostava dessas bobagens, que lhe evitavam conversas óbvias e cheias de "sentido". Ele não aguentava caretices e cotidianos.

Há um Rio pré-bossa-novista assim como há por exemplo um Tom Jobim pré-bossa-novista, o também chamado Lado B de Tom Jobim, enunciando-se ao longo dos anos 1950. Pouco a pouco, nas boates do Leme ao Posto Seis onde pianistas e acordeonistas, contrabaixistas, saxofonistas e bateristas ensaiam harmonias e descompassos influenciados pelos discos norte-americanos e pelo estudo de Debussy, Ravel ou César Franck, dá-se a passagem do samba e do samba-canção brejeiro ou de fossa para a integração de melodia, harmonia, ritmo e contraponto de forma a que nenhum deles prevaleça, limitando o personalismo, o egocentrismo, o "estrelismo" enfim. Nos últimos anos de gestação a boate do Hotel Plaza, no Leme, era uma espécie de laboratório de estudos experimentais avançados, frequentado sobretudo por aficionados e músicos que se alternavam em demonstrações de descobertas harmônicas e rítmicas.

A bossa nova ameaça aposentar de vez a música "de orelha". Seus acordes compactos, em cachos (clusters), são de elevada tensão harmônica, acordes alterados com notas estranhas à harmonia clássica, ditas dissonantes, a estrutura rítmica de acompanhamento deixa de ser simétrica e torna-se independente do canto, que flui como na fala normal, sem demagogia expressiva, abolindo a voz cheia, o dó de peito, a lágrima na voz, o canto soluçado.

Ter bossa é ter um certo feeling e muito balanço. O balanço brasileiro, diferente do balanço do jazz - explicava Tom Jobim.
Está claro que Tom não fez só bossa nova, ou melhor, que fez também a melhor bossa em peças de câmara em variados estilos, cores e sombreamentos. E a arte de João, é bossa só?

Através da prática mesma de seus criadores a bossa nova surgia como um movimento teórico e didático - no canto, nas linhas melódicas (Tom Jobim, Roberto Menescal e Carlos Lyra são, além do mais, melodistas par excellence ), nos arranjos e nas letras. Newton Mendonça - co-autor com Tom Jobim de três bulas com os princípios estéticos e éticos da BN, DesafinadoDiscussão e Samba de Uma Nota Só - e Vinícius de Moraes mostravam em suas letras perfeita sincronia com o pensamento-ação de seus parceiros. Também compositores, transavam as letras em trabalho a quatro mãos com o maestro Tom transpondo para as palavras a semântica musical, com acentuações rítmicas, tônicas e síncopes em afinidade para lá de ímpar ou singular com a progressão melódica.
A temática bossa-novista é a do despojamento mas também a do rigor, de que decorre o uso da letra como comentário da música ou vice-versa. Trechos em que a música reproduz o andamento e o balanço do mar ou da moça que passa a caminho dele num cenário e clima de descontração e tranquilidade permanecem como a mais justa expressão de muitas impressões. Bossa nova é o propalado "feriado da alma" carioca (e universal - como se vê pela forma como o seu feeling deslumbrou no ato sensibilidades afins por assim dizer sofisticadas não importa em qual quadrante do mundo), tantas canções retratos impressionistas de sentimentos e paisagens solares ou merencórias (porque como o balanço é - quase - o mesmo a alma é o mesmo espelho de uma saudade atávica).

Pixinguinha na flauta no piano Centopéia o Vidraça no ganzá ...     
- Radamés Gnatalli em entrevista à Rádio MEC, Rio de Janeiro, 1987

Tinhorão, José Ramos - História Social, da modinha ao tropicalismo. Sim - um mestre desbravador de conhecimento sobre a coisa. Mas que parou o mundo da música brasileira no tempo em que nasceu sem entender que a fixação de ritmos e estilos urbanos, há quase um século - contemporânea à do jazz e do swing -, dá-se como a do jazz e do swing absorvendo tudo o que estava no ar em matéria de música sua contemporânea. Certo, nessa época o rádio mal engatinhava, o único meio de informação musical eram as partituras ou os próprios músicos que as criavam - e o Brasil tão longe dos grandes centros...
Quando a música popular brasileira, recalibrada pela sintonia fina de um Tom Jobim, dá um pulo de gigante posicionando-se entre os gêneros de vanguarda no mundo com a bossa nova, e depois então quando Gilberto Gil e Caetano Veloso se acoplam às guitarras elétricas dos Mutantes, o mestre brada ao escândalo dizendo que bossa nova é um execrável arremedo de gringo como o próprio nome Antonio que Tom teria americanizado (quando gringo o conhece por Antonio mesmo) e de Tropicália nem se fala.
O resto soçobra num mar de preconceito e num lukacsianismo careta (© Antônio Risério) que nem no tempo de vigência do nacionalismo em que se acreditava em política de substituição das importações como solução para o Brasil tinha razão de ser.


prógono e epígono de Tom Jobim: Raphael Rabello e Radames Gnatalli








Roma 1984. ........

.O Brasil é aqui - anuiu Tom Jobim do alto do seu quarto de hotel olhando o casario dourado de sol do centro histórico de Roma, sobre a escadaria de Trinità dei Monti e a Piazza di Spagna.
James Anhanguera
A triste e bela saga dos brasilianos da tragédia do Sarriá às arenas italianas

            As embaixadas artísticas e culturais formam um capítulo à parte na gloriosa saga dos brasilianos - especialmente em Roma. Ou não: são parte integrante da história. Roma entrou no roteiro de todo artista de férias. Muitos nem fazem questão de ir a outros pontos da Europa ou da própria Itália. Ficam por aqui mesmo. No meio disso algumas incursões d’obbligo, como a de Tom.

        Sua vinda a Roma deve-se a um convite para tocar com a orquestra da Rádio e Televisão austríaca na Grossenkonzerthaus de Viena. Jobim deu a seus dois shows no Teatro Olímpico, em frente ao templo de culto à arte de Cerezo e Falcão, um clima de apresentações informais, com o acompanhamento do grupo de base que levou para o concerto vienense, em que foram executados arranjos do norueguês Claus Oggerman para as suas composições. Um excelente grupo de base muito familiar: Tom, a mulher, Ana, os filhos Elizabeth e Paulo, o casal Danilo e Simone Caymmi, o baixista Sebastião Neto - famoso pelo seu trabalho no Sergio Mendes & Brazil ‘66 - e o baterista Paulinho Braga.

        Ao menos por alguns dias falando-se do Brasil na Itália não se fala só de bola e dos milionários jogadores importados pelos italianos. Ainda assim, escalando Milão vindo de Viena o grupo familiar liderado por Tom encontrou no aeroporto de Linate o trânsfuga Zico, contundido e mais folgado que o costume nessa altura do campeonato.

        - A saída de todos esses craques reflete a situação do Brasil. A crise não deixa outra opção a não ser a de deixar o país - comenta Danilo.

        Tom fala da sua primeira apresentação na Europa desde 1978, quando deu um showzaço no Olympia de Paris com Vinícius de Moraes, Miúcha, Toquinho e... Baden Powell, com entusiasmo de principiante:

        - Foi lindo. Apesar de exteriormente parecerem muito frios os austríacos também têm coração, e em alguns momentos até choraram. Imagine. Na entrada, música de Johann Strauss. Depois, composições de Antônio Carlos Jobim. Durante um mês o grupo de base ensaiou no Rio. O Oggerman mandou os arranjos dos Estados Unidos para Viena e, lá, fizemos cinco ensaios com a orquestra para apenas um concerto. Os austríacos não brincam em serviço...

          - E qual foi a reação?

        - A reação foi tipo terremoto, porque o público lá bate os pés no chão. Voltamos cinco vezes ao palco! - responde Danilo Caymmi.

         Esqueçam a bossa nova - ordenou Tom em entrevista ao órgão oficial do Partido Comunista Italiano, l’Unità, em que falou de um Brasil esquecido do Brasil, que não quer saber do Brasil, das suas mil querelas e aquarelas violentadas, do sol mediterrâneo e de pássaros, um dos seus temas preferidos.

         Falando com Tom na Itália surge inevitável Vinícius como tema de conversa. Mas a Gianni Minnà, que se referia na televisão a esta sua vinda a Roma, o poeta recém-falecido, como uma visita nostálgica, respondeu cortando qualquer hipótese de se fazer da memória do parceiro um motivo de tristeza.

        - Mas o que é isso de até em relação à morte se dar exclusividade a Vinícius?! Eu também vou morrer um dia!            
........- Há muito tempo que eu disse sim ao eterno - diz, quando se insiste para que fale da bossa nova.

        - Bossa nova não é modismo. Escrevi para o futuro. A verdadeira elegância despreza a moda... ou será que exagero? João Gilberto diz que a bossa nova foi um balão que inventaram para atirarem nele e o derrubarem. Ainda hoje não sei o que quer dizer o nome bossa nova. A propósito, será que nesse hotel não tem um piano para a gente se divertir um pouco em vez de ficar aqui só conversando?

         - Vou providenciar - corta Nelson Motta, levantando-se no ato para falar com o gerente. Volta convidando a descer ao lounge e contando que antes de providenciar a chave do piano de cauda do esplêndido Hotel Trinità del Monte o gerente inquiriu, preocupado:            

........... - Ma lui suona veramente?

          E que arregalou os olhos ao saber que se tratava do autor de Ragazza di Ipanema.

         Ao piano - um charuto no cinzeiro e um copo de conhaque ao lado - Tom passeia pelo seu repertório bem pra lá de bossa nova, perguntando entre uma e outra peça com sorrisos irônicos:

          - Qual é a melhor?

A triste e bela saga dos brasilianos.............................. click here...>.........revoluciomnibus.com/TristeeBelaTRECHOS12.htm
.......La triste e bella saga dei brasiliani.
click here > TristeeBellaITBRANO13.htm..revoluci

omnibus.com/TristeeBellaBRANO13.htm

..http://revoluciomnibus.com/EraUmaVezApresentacao.htm .....JamesAnhanguera em

Sou da geração que nasce quando a bossa nova germinava nas boates de Copacabana e que recebe o fruto do trabalho de seus mestres e dos alunos que se reuniam no apartamento de Nara Leão, também em Copa. Nasci no ano do suicídio de Getúlio Vargas e do primeiro disco de Elvis. Sambolero, dor de cotovelo, música imprópria para menores, e depois do rockabilly o hully-gully e o twist, The Beatles e O Barquinho, coisas que moldam uma existência para sempre.

LONDRES 1970 - DAS CITAÇÕES E GLOSAÇÕES E REFERÊNCIAS E TRANSPARÊNCIAS SEM FIM: AS MIL E UMA FACES DA GAROTA DE IPANEMA

- Ouçam isto. Stack Waddy, de Buxton. Vão tocar lá num festival semana que vem. Se quiserem vir, lhes dou carona. Tenho aqui uma fita deles que aliás, ao saber que vinham, pus no ponto para mostrá-la a vocês que vêm do Brasil, porque eles fizeram como que numa espécie de piada uma coisa que penso que acharão interessante.

Pelo ampli Akai estoura um hard rock inconcebível. ‘Feroz’, digo, só para corresponder a uma sua insistente interpelação com o olhar aos dois. Trabalham na construção civil, informa, o que nos ajuda a entender a razão daquele som de britadeira.
- Todo o disco que deveremos lançar é assim, com a única diferença que, no final, por brincadeira, eles gravaram uma sua versão – adivinhem de quê?
E após um hiato entra no ar uma versão de... Girl from Ipanema!
Qual João Gilberto... O vocalista parece ter querido seguir à letra um dos supostos pressupostos da bossa nova – desafinar, e o acompanhamento tosco dá a entender que o executante pôs-se a gravar a base de violão logo após ter posto de lado a britadeira. Mas a mensagem dos Stack Waddy é clara: querem musiquinha bonitinha e bem tocada, seus burgueses de merda?!

CITAÇÕES GLOSAÇÕES REFERÊNCIAS CORRESPONDÊNCIAS TRANSPARÊNCIAS SEM FIM

LOUNGE sofisticado ou MUSICA DE ELEVADOR

musak a Baudelaire e Kinks d
ickensianos


Canção popular moderna com forma e conteúdo sofisticados, a bossa nova não se enquadra em estratégias de consumo em grande escala nem a nível internacional. Ajuda a preencher nos EUA a falta de novos standards da Broadway e Hollywood e é enfiada goela abaixo no velho mundo em disco e nos teclados eletrônicos como um ritmo pasteurizado, porque o pop europeu é de baixíssimo nível (salvas exceções).

Bossa nova tornara-se uma possível next big trend, até Elvis já a menos de meia bomba teve de apelar em 1963 ao modismo de uma Bossa Nova Baby na base de se a onda virar e se não puder vencê-la melhor entubar nela. Em 1965, às vésperas do blow up, as antenas já estavam todas sintonizadas em Londres e San Francisco e de ambas qual era um dos sinais mais fortes emitidos? o do ritmo da suave bossa nova, a pausa refrescante (a Coca-Cola brasileira) para dançar colado assim-calado assim yesterday the girl from Ipanema goes walking entre duas danças pra agitar. Ainda assim segundo Júlio Medaglia:
- Na Europa a penetra ção da bossa nova teria de sofrer uma série de modificações para ser assimilada. Em primeiro lugar criou-se uma forma de dançá-la, liquidaram-se portanto todas as suas inflexões de detalhes e seu sentido de música de câmara rebuscada. Criou-se uma base rítmica ruidosa que mais se aproxima da rumba ou do baião, absolutamente quadrada.

Bom exemplo, não menos comercial mas mais aparentado a sua origem nas cordas sensíveis, Un Homme Une Femme de Francis Lai-Pierre Barrouh.
Dos maiores hit-makers da década de 1960, Burt Bacharach-Hal David destilam influências em melodias simples e, digamos, ensolaradas pra cá de bossa-novistas e andamento e marcação quase de sambão (Do you know the way to San Jose). Para sensibilidades apuradas ou por assim dizer muito cultas, ou de lexicografia tão vasta e abrangente, também concorrentes na área (Lai, Bacharach, Jobim), lounge, sim, mas até - e como - música de elevador (musak) mesmo. Com seu depuramento nórdico, Claus Oggerman deu toque mais sutil e relevante ao tempero, fazendo do elevador lugar de sonhos. Dos grandes cultores de ritmos exóticos, como os de salsa ou jazz, grande leitor e grande glosador, como Leo Ferré em flirt permanente com a grande poesia, já em 1962 Serge Gainsbourg saiu-se com mais uma obra-prima em forma de canção - e os franceses quando querem são os melhores cidadãos do mundo - na batida (ha!) de mais pura bossa: Baudelaire (Le serpent qui danse) em correspondências sublimes também com Charles Baudelaire. Valeu a bossa ter nascido só por ela. E quantas há.
Onde brota semente deu bossa, mesmo em recantos insuspeitados como Stackwaddy de Buxton ou no cockney de the Kinks (No return, faixa de Something Else, 1967) ou a estranha Caravan do título mais longo da história discográfica, If I could do it all over again I¹d do it all over you (1971) - bem visto, bossanovaniano (Limits).

S E M. F I M .BOSSAS EXÓTICAS

S E M. F I M . BOSSAS EXÓTICAS preâmbulo: mais inesperável, pelo espírito, de Harry Nilsson (Midnight Cowboy) - Without Her, de Child is father to the man, o primeiro LP de Blood Sweat & Tears (Al Kooper, Steve Katz) 1967

So long Frank Lloyd Wright, de Paul Simon, foi a lápide da carreira de Simon & Garfunkel, conta a lenda que uma despedida jocosa ao parceiro Art Garfunkel, que na época (1970) não tava nem aí pro duo e só queria saber de ser ator de cinema, e nem teria nada a ver com Wright, que morrera 21 anos antes, quando nascia a bossa nova, que por sinal (por acaso) é o clima da canção, muito singela e bela, como muitas no gênero (...) inspirada e muito inesperada, sobretudo no final daquele disco (Bridge Over Troubled Waters), e faz uma ponte Frank Lloyd Wright-bossa nova (música também símbolo da modernidade)-1959-seu discípulo Oscar Niemeyer cuja Casa das Canoas, no Rio de Janeiro, também parece inspirada no gênio do Guggenheim Museum de Nova York e tantas jóias.

So long Frank Lloyd Wright..https://www.youtube.com/watch?v=bUPG_PzNYXg

Copacabana Palace .............Steno, 1962

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............... o Rio de Janeiro se despede dos anos dourados. carnaval de 1962: o Rio de Janeiro começa a conquistar o mundo agora com a bossa nova após o impacto mundial de Orfeu Negro, o filme, e não Hollywood mas Cinecittà se antecipa ao e participa no estouro mandando o comediógrafo Steno, entre mais dois filmes com Totò, à frente de uma equipe de astros de primeiríssima (Sylva Koscina, Milène Demongeot e Walter Chiari, a que se juntam Tônia Carrero, Doris Monteiro) para filmar o Rio de Janeiro, que continua lindo, e a trinca João Gilberto, Tom Jobim e Luís Bonfá, o autor de Manhã de Carnaval e Quebra-Mar, mote de Recado pro Bonfá, de João Gilberto, na praia do Joá com três gatas, em estupendo intermezzo cujas fotos rodaram o mundo, em Copacabana Palace, o filme, que também inclui um número de João Gilberto e os Cariocas.

o Rio de Janeiro se despede dos anos dourados e passa a ser Notorious por muita violência

 

banda nova

primeira e única banda permanente do maestro: JOBIM, Paulo BRAGA, Paulo NETO, Tião MORELENBAUM, Jaques CAYMMI, Danilo JOBIM, Ana JOBIM, Elisabeth MORELENBAUM, Paula ADNET, Maúcha CAYMMI, Simone

parceiros

Entre as canções da primeira fornada de Tom Jobim, dita pré-bossa nova, ou lado B de Tom Jobim, estão Faz Uma Semana e Pensando em Você, parcerias com Juca Stockler, o baterista Juquinha que trabalharia ombro a ombro com o maestro e João Gilberto nos seminais Canção do Amor Demais e primeiros LPs do baiano bossa nova que ao se revelar passou a influenciar todo mundo. Pensando em Você revelava escalas de tons inteiros ao modo de Debussy - algo totalmente inusitado no universo samba-canção.

Dolores Duran Estrada do sol, Por causa de você

Newton Mendonça: Foi a noite, Caminhos cruzados, Meditação, Desafinado, Samba de uma nota só

Billy Blanco Sinfonia do Rio de Janeiro, Correnteza


Vinícius de Moraes, nosso white negro - o preto mais branco do Brasil. Vinícius o hipster.
Se a tarde também for loura abriremos a capota
Teus cabelos ao vento marcarão oitenta milhas.

Aloysio de Oliveira, antigo integrante do conjunto Bando da Lua, que acompanhou Carmen Miranda nos EUA, tornou-se a voz de Disney e diretor das dublagens em português das produções do mago dos desenhos animados. De regresso ao Brasil em 1956 tornou-se diretor artístico da Odeon, onde foram gravados quase todos os discos fundamentais da fase de transição do samba-canção e sambolero para a bossa e do chamado movimento bossa nova, que como tudo o que dá certo acabou por transformar-se no Brasil e no mundo também em produto descartável, com toda a sorte de mistificações (sobretudo abobalhadas, como era tomado também o espírito da BN).
Na hora da mudança fundou o selo Elenco. Aí lançou muitos outros documentos fundamentais do gênero e mais tarde dos jovens compositores e cantores que surgiram na sua esteira, como Edu Lobo e Maria Bethânia.
Na quebrada da onda compôs com Tom Jobim Inútil PaisagemDindi  Só Tinha  De Ser Com Você.

Chico Buarque

Paulo César Pinheiro

parceiras intérpretes

silvia telles

elizete cardoso

pra fazer f´elis a quem se ama
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miúcha

gal costa

discografia de Antonio Carlos Jobim

prenúncios

       
 

Teresa da Praia (Tom Jobim-Billy Blanco)
Dick Farney e Lucio Alves 1954

 

  Rio de Janeiro: a montanha, o sol, o mar
música: Tom Jobim-Billy Blanco - arranjos: Radamés Gnattali (1954) LP - também chamada sinfonia popular e Sinfonia do Rio de Janeiro
  Orfeu da Conceição
Antonio Carlos Jobim-Vinícius de Moraes  (1956) LP com trilha sonora de peça homônima
  O Pequeno Príncipe
música Antonio Carlos Jobim  (1957) LP 10 da série de discos do selo Festa de Irineu Garcia

       
  Carícia
Silvia Telles (1957) LP grande precursor, contém o melhor do chamado lado B (pré-bossa nova) de Tom Jobim: Por Causa de Você(Jobim-Dolores Duran) e Foi a Noite, primeira parceria conhecida de Tom Jobim com Newton Mendonça, além de Sucedeu Assim (Jobim-Marino Pinto)
 

Canção do amor demais
Elizeth Cardoso (1958) LP tido como o disco do lançamento da bossa nova por conter parcerias Tom Jobim-Vinícius de Moraes, orquestrações de Jobim e o violão inconundível de João Gilberto em três faixas.

 

 

Amor de gente moça
Silvia Telles  (1959) LP Silvinha Telles desponta como a primeira grande intérprete de bossa nova

 

 

 

Por toda minha vida
Lenita Bruno (1959) LP no ano do estouro de João Gilberto, Antonio Carlos Jobim já é o compositor mais requisitado

 

 

trilogia básica

Chega de Saudade
João Gilberto (1959) LP
O amor, o sorriso e a flor
João Gilberto (1960) LP
João Gilberto João Gilberto (1961) LP
orquestrações de Antonio Carlos Jobim. Chega de Saudade. Em muitas partes do LP sequer há orquestra, apenas um ou outro instrumento que sublinha sequências melódicas em arranjos cuidadosamente trabalhados por Antônio Carlos Jobim, dito Tom, como comentários ao que era cantado. Quase sempre ouve-se a voz serena, enxuta, de João cantando como quem fala por cima do som de um violão tocado com uma batida diferente sobre acordes fora do comum - dissonantes. Sons de uma orquestra em um único instrumento. Aliás, dois: a voz cool com timbre metálico e anasalado também participa dessa orquestração

 

 

 

 

 

 

 

Brasilia- Sinfonia da Alvorada Antonio Carlos Jobim | Vinicius de Moraes (1961) LP.........

     
 

Bossa Nova at Carnegie Hall (1962) importante documento agora disponível em mp3 o samba do crioulo doido da BN que teve talvez como maior mérito o de abrir as portas dos Estados Unidos e do mundo para alguns músicos

   

GETZ/GILBERTO João Gilberto | Stan Getz (1963) LP; com Asrtud Gilberto e Antonio Carlos Jobim

 


The composer of Desafinado plays Antonio Carlos Jobim (1963) LP ...Antonio Carlos Jobim  (Elenco, 1963-05) LP

........ ..Caymmi visita Tom Antonio Carlos Jobim | Dorival Caymmi (Elenco, 1964) ...e leva os jovens filhos Nana, Dori e Danilo que revelam muita grandeza

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The Wonderful world of Antonio Carlos Jobim Antonio Carlos Jobim (1964) LP.................
........A certain mr. Jobim Antonio Carlos Jobim (1967) LP

......coleção Francis Albert Sinatra .....

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (1967)
Sinatra & Company Frank Sinatra (1971) LP...............
Sinatra – Jobim Sessions Frank Sinatra (1979)
.....The Complete Sinatra Jobim Reprise Recordings

..Wave Antonio Carlos Jobim (1967) LP arranjos: Claus Oggerman
Tide Antonio Carlos Jobim (A&M Records/Verve, 1970) LP arranos: Eumir Deodato

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.....Stone Flower Antonio Carlos Jobim (1970) LP
O Tom de Antonio Carlos Jobim e o Tal de João Bosco disco
compacto 45 rpm (1972) O Pasquim - revela Águas de Março

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Matita Perê Antonio Carlos Jobim (1973) LP - capa interna - arte: Paulo Jobim - Dedicado a três escritores mineiros: Carlos Drummond de Andrade, Mário Palmério e João Guimarães Rosa, este abastecedor de trechos de dois de seus livros pacientemente trabalhados por dois grandes conhecedores da língua mátria e artífices da linguagem no idioma, Tom Jobim e seu parceiro na música, Paulo César Pinheiro. Na versão em inglês, exercício que cultiva desde a de Wave, gravada cinco anos antes, Antonio Carlos Jobim não usou nenhum termo de origem românica. O disco inaugura uma nova fase na carreira discográica do autor, misturando canções (de câmara, seja o que isso for) por música instrumental de câmara orquestrada por Claus Oggerman (Dori Caymmi na peça Matita Perê) a partir de particelle do compositor e arranjador ele também. O esquema será aplicado nos três discos de inéditas (e versões de criações de outros autores) que Jobim gravará até sua morte em 1994, Paasarim com arranjos de Paulo Jobim e Jaques Morelembaun.. São quatro obras-primas absolutas da música do século XX, junto com as regravações de Terra Brasilis. De comum com Urubu também a participação nas gravações do contrabaixista Ron Carter e do baterista João Palma.

Elis & Tom Antonio Carlos Jobim | Elis Regina (Philips, 1974) LP

 


 


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Urubu Antonio Carlos Jobim (1975) LP



Miúcha & Antonio Carlos Jobim Miúcha | Antonio CarlosJobim (1977) LP

Tom Vinicius Toquinho Miúcha (1977) LP

 

Miúcha e Tom Jobim(1979) LP

 

...................................... Antonio Terra Brasilis Carlos Jobim (1980) LP

Edu & Tom - Tom & Edu Carlos Jobim | Edu Lobo (1981) LP

Tom Jobim Inédito (1987) LP

Gabriela Costa e Tom Jobim (1983) LP Para viver um grande amor Souto neto | João Donato (1984) LP O tempo e o vento Paulo Jobim | Jaques morelembaum (1985) LP

.........................................Passarim Antonio Carlos Jobim (Verve Records, 1987) LP

Antonio Tom canta ViniciusCarlos Jobim (1990) Rio Revisited Antonio Carlos Jobim e Gal Costa (1987) CD No Tom da Mangueira Paulo Jobim | Antonio Carlos Jobim (1991) LP


..................................................................... Antonio Antonio BrasileiroCarlos Jobim (1994) LP

Charlie Byrd Stan Getz Jazz Samba (1962) precursor dos precursores. Byrd conheceu a bossa nova no Rio de Janeiro e de regresso a Los Angeles tratou de por o amigo Stan Getz, outra fera do West Coast jazz, que não andava lá muito bem das pernas, na onda que deu em Girl from Ipanema no Getz/Gilberto.

Herbie Mann & João Gilberto with Antonio Carlos Jobim (1965)

 

 

 

..A Bossa Nova de Roberto Menescal !963)

 

 

 

 

Love Strings and Jobim (1966) Eumir Deodato (piano) Lindolpho Gaya (arranjo) Sergio Barroso (baixo) Edison Machado (bateria) Oscar Castro Neves (violão) Maurício Einhorn (harmônica) Jorge Ferreira da Silva (sax, flauta)

 

 

 

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Jobim and friends (1996) Herbie Hancock Ron Carter Harvey Mason Alex Acuña Paulo Jobim Jobim Sinfônico| Mario Adnet
| Roberto Minksuck (2003) CD

Jobim Violão Artur Nestrovski (2009) Os herdeiros de Caymmi, Nana, Dori e Danilo, revisitam o amigo e padrinho em 2005

Eliane Eias plays Jobim (1989) Eliane Elias piano Eddie Gomez bass Jack DeJohnette drums e Naná Vasconcelos percussão

 

 

 

Depois de Gershwin e Cole Porter, Antonio Carlos Jobim também mereceu um songbook da dama - velha dama que já perdera encantos e dotes

 

 

 

...Victor Assis Brasil Jobim (1970)

 

Raphael Rabello Todos os Tons (1992) com Paulo Moura Luiz Avelar Paulinho Braga Armando Marçal Dininho Mamão Jaques Morelembaum Luizão Maia Wilson das Neves Leo Gandelman Nico Assumpção Tom Jobim

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..Oscar Peterson < Bossa Nova .. ............Oscar Peterson In Tune + Singers Unlimiited...César Guerra Peixe - Jobim Sinfônico

Com versões de - entre as outras pérolas - Vivo Sonhando, Inútil Paisagem, Vagamente e Quiet Nights (Corcovado) nesta versão em CD resmaterizado Dubas, em reedição q é uma das obras-primas de Ronaldo Bastos
https://www.youtube.com/watch?v=BsC50SYZRc8
é uma obra-prima subestimadíssima em que a já quase Ms. Edu Lobo, aos 19 anos, dá banhos de vocal SEM VIBRATO
Lembra Astrud mas é Wanda - qual Astrud
E que CAST!

Wanda Vagamente, o primeiro disco de Wanda Sá, já nasceu um clássico.
Produzido por Roberto Menescal
FEATURING: Roberto Menescal, Eumir Deodato, Luiz Carlos Vinhas, Tenório Jr., Edison Machado, Dom Um Romão, Sérgio Mendes, Rosinha de Valença, Paul Desmond, Ron Carter, Bud Shank, Don Sebesky, Airto Moreira.

   

hnettWanda Sá Vaganente LP 1964
Wanda Sá Vaganente 1964


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João Gilberto LP 1973 .....................João Gilberto Amoroso LP 1976

 

o acervo de Tom Jobim : http://www.jobim.org

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.. .. agora eu já sei da onda que se ergueu no mar

 

INÚTIL PAISAGEM............ drum’n’bossa
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avant l’être 1999

  ............. .ciberzine & narrativas de james anhanguera

Rio de Janeiro causa engulhos a Claude Lévi-Strauss no final dos anos 1930, quando ele descreve cenários sombrios do Brasil um país em que a civilização decai antes de atingir o apogeu

Rio de Tom Arpoador



James Anhanguera discorre sobre as mudanças do Rio de Janeiro desde as décadas de 1930 e 40, quando Antonio Carlos Jobim era um garoto de Ipanema e Marques Rebelo publicou A estrela sobe e Stefan Zweig Brasil, País do futuro, década de 1950, quando a bossa nova nasce em boates e apartamentos de Copacabana e na Rua Nascimento Silva, 107, casa de Tom Jobim em Ipanema, e Claude Lévi-Strauss publicou Tristes Tropiques e bossa nova fora - e natureza vilipendiada - Carta ao Tom 74 (Toquinho-Vinícius de Moraes) era uma vez uma cidade e o seu cantor. No berço da bossa nova os compositores placidamente ensinavam a Elizete Cardoso as Canções do Amor Demais; no final da vida de Tom Jobim, na da Nascimento Silva e imediações já só dava para entrar fugindo do pivete tentando apanhar o elevador. Tom Jobim foi um garoto de Ipanema no tempo em que o bairro quase não existia e a praia, do Arpoador ao morro Dois Irmãos, na outra ponta, era um areal branco com cheiro intenso de maresia e toda espécie de vida animal e restos dela na areia. Não, não havia jacarés. Jacaré na época era um tipo de onda que havia no Arpoador, onde o garoto de Ipanema surfava. Por coincidência a vida do compositor e regente parece seguir o roteiro da suite de peças para piano Saudades do Brasil, de Darius Milhaud (1920), da Tijuca a Ipanema e ao Sumaré, o morro ao lado do Corcovado, em cujo sopé, sobre o Jardim Botânico, construiu sua casa. Mudou-se de um lado para o outro da Lagoa Rodrigo de Freitas. Desde 1975, quando lançou o LP Urubu, o Jardim Botânico - que hoje sedia o Instituto Tom Jobim e é o cenário do romance Concerto Carioca, de Antonio Callado (1983) - foi sua sala de entrevistas. Carregava a bossa nova nos ombros na boa e dizia adeus a esse Rio de amor que se perdeu. Uma visão onírica, sim, mas que foi parte essencial da vida de seus contemporâneos que viveram na região, a Zona Sul carioca. Desmaia o sol, ilhas do sul em que os pretos continuam na servidão e se sobrepôs a aridez do cimento sem cara e a miséria em tudo em volta e nas areias pardas de sujeira e quase mortas e a água poluída das praias.

A evolução do Rio de Janeiro e do Brasil a partir de impressões pessoais de um carioca da classe de 1954 e de obras de Marques Rebelo, Stefan Zweig, Claude Lévi-Strauss e Antonio Callado e da obra de Antonio Carlos Jobim da capo a coda e outros cantautores brasileiros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

a
    ESTreLa       SoBE

a partir do romance homônimo de Marques Rebelo (1939) também nas webpages

http://revoluciomnibus.com/M%C3%BAsica%20do%20BR%20O%20A%20Estrela%20Sobe.htm

Algo assim como o sentimento exposto por Tom Jobim em Inútil Paisagem.

Rio de Janeiro causa engulhos a Claude Lévi-Strauss no final dos anos 1930, quando ele descreve cenários sombrios do Brasil um país em que a civilização decai antes de atingir o apogeu

Metais e cordas entram de rompante e decrescem rápido para em begê dar vez a um coro que entoa com garbo quando a encosta do morro Cara de Cão descerra o pano em panorâmica para o Corcovado - que ainda nem tinha nome -, morro da Viúva - que ia levar tempo para nascer - e Santa Teresa - que tinha outro nome.
O barquinho vai, a tardinha cai e o Pão de Açúcar enrubesce, corado do dia luminoso e quente. Visto daquele ângulo parece uma Esfinge, uma Gata Negra Bronzeada estendida ao sol.
O espelho d’água tremeluzente, golfinhos e baleias, a boca banguela que seja - ma che bbeeello escancara os braços Amerigo Vespuccio e desata a folgar
         It’s delightful, it’s delicious, it’s de-lovely...  
braço dado com Cole Porter que vem de carona na expedição do capitão genovês

      ... e a manhã tropical se inicia.

 

http://revoluciomnibus.com/M%C3%BAsica%20do%20BR%20K%20Abertura.htm

 

...... num planeta periférico hoje chamado ‘países emergentes’ em que até o exotismo perdeu a graça, é só sinônimo de miséria e escafedeu-se. O Rio da doçura tá um fel .....

Anos 30 para os 40. A cidade, da fisionomia belle époque nos primeiros 20 anos do século XX, começa a tomar ares de moderna metrópole americana, com pouco do que isso poderia ter de bom e muito do que tem de negativo, mormente a mão da especulação imobiliária sobre cada uma delas. Época de Ouro, então, da música brasileira e do Cassino da Urca e suas grandes atrações, como Carmen Miranda, mas também da nascente avalanche centro-americana, através de astros como Pedro Vargas – usted se lembra?

A publicação de A Estrela Sobe coincide com a fase de levantamento de dados de Tristes Tropiques e de levantamentos de dados e redação de Brasil, País do Futuro.

Talvez porque Claude Lévi-Strauss tivesse dado um tempo até justamente o suicídio de Vargas – que também aos seus olhos terá ensombrado as perspectivas do país – para escrever o que afinal é um estudo de antropologia estrutural, certo é que o espírito que emana dos escritos do francês nas suas considerações gerais sobre o Brasil em Tristes Trópicos é totalmente diverso do que flui no roteiro histórico-paisagístico do austríaco, que quando decide aceitar um convite do governo Vargas para visitá-lo era um dos  escritores mais famosos do mundo, por romances como Amok e biografias de grandes vultos históricos.

Lévi-Strauss chega a chocar no trecho celebrizado por Caetano Veloso em O Estrangeiro em que compara a visão da entrada da baía de Guanabara – invariavelmente tida como uma das mais belas do mundo -, o Pão de Açúcar, o Corcovado, todos esses pontos tão elogiados, com raízes de dentes quebrados na boca banguela. Choca, mas não sem antes manifestar o seu embaraço por ter de confessar que, apesar da sua tantas vezes célebre beleza, a cidade causa-lhe engulhos.

   Após o choque, pouco papo. Seu negócio é ciências humanas e propõe-se fazer apenas um sobrevôo do país e dos seus principais centros civilizacionais antes de mergulhar no cenário em que estuda os remanescentes dos povos indígenas no Paraná e Mato Grosso. Quem sabe também em função dos ecos ouvidos em Paris do tiro atrás dos reposteiros da ala residencial do palácio do governo no Rio de Janeiro, lacônico como deve ser um maître à penser do seu tipo, Lévi-Strauss expõe instantâneos sombrios do país.

O esplendor natural do Rio de Janeiro ter-se-á ofuscado para ele na alvorada da integração da baía de Guanabara à civilização com o episódio – que segundo ele daria um belo filme – em que, do paraíso ecumênico do projeto à partida em Dieppe, a França Antártica de Villegaignon torna-se de imediato cenário de disputas acérrimas entre católicos e calvinistas, a ponto de quase chegarem à antropofagia não-ritual. Sinal forte o bastante para se pensar que cenário por si só – mesmo que o fascinasse - não é NADA. Algo assim como o sentimento exposto por Tom Jobim em Inútil Paisagem.

São Paulo no final da década de 1930 fornece-lhe a imagem-símbolo de resto cada vez mais fundamentada do Brasil: um país em que a civilização decai antes de atingir o apogeu.

Em dois pontos a brevíssima exposição de Lévi-Strauss e a derramada narrativa histórico-paisagística de Zweig são afins.

   Quando falam da diferença abissal entre se viver com pouco dinheiro na Europa ou em Nova York e no Rio de Janeiro, segundo raciocínios do tipo: na falta de uma bela bisteca sempre há banana e abacaxi pra chuchu e a preço de banana.

E quando falam das favelas.

Favelas – explicam ou depreende-se – nas colinas ao longo da costa de entrada da baía, como o atual favelão do morro de Tavares Bastos, nas costas do Flamengo, ou já na Gávea, à época  amontoados de duas ou três dúzias, se tanto, de casebres de tábuas e zinco, e talvez Estácio, Mangueira e zona do cais do porto.

Claude Lévi-Strauss:

Talvez o urbanismo já tenha resolvido o problema, mas em 1935 no Rio o lugar ocupado por cada um na hierarquia social media-se com o altímetro: quanto mais baixo mais alto estava o domicílio. Os miseráveis viviam pendurados na desolação, nas favelas, onde uma população de negros vestidos com farrapos bem deslavados inventava com o violão essas melodias vivazes que, em época de carnaval, desciam das alturas e invadiam a cidade com eles.

   Zweig aproveitou o convite do governo Vargas para conhecer com a esposa mais um possível refúgio de emergência da abilolada Europa dos Ditadores (.Aldous Huxley) e da perseguição aos judeus – o povo do casal austríaco – e acabou por encontrar no que se lhe afigurou uma espécie de paraíso o endereço alternativo à América lá de cima, que já estava sendo superpovoada por artistas e cientistas, judeus e não judeus, foragidos da guerra iminente. E no relato de viagem que escreveu a seguir  derrama-se em elogios à Boa Terra (no caso, Bahia e Brasil em geral) enquanto prepara a mudança. Mas o paraíso e de passagem, também, país do futuro não bastou. Em menos de dois anos o casal Zweig suicida-se no seu refúgio paradisíaco em Petrópolis, quando a guerra também já se aproxima dele.

Stefan Zweig sobre o mesmo tema de Lévi-Strauss:

E como esses casebres estão situados no alto dos morros, nos mais inacessíveis recantos, têm a mais bela vista que se pode imaginar, a mesma vista que têm as mais caras vilas de luxo, e é a mesma natureza luxuriante que orna seus lotezinhos com palmeiras, e generosamente lhes dá bananeiras, essa maravilhosa natureza do Rio, etc.

Vélo do Brasil - Le documentaire - Un film de Alexis Monchovet, Raphaël Krafft, Christophe Bouquet

(2014)

Vê-se pelo trecho que, tomada do mesmo ângulo, a perspectiva de Zweig chega a ser oposta à do cáustico mas preciso antropólogo francês.

Ambos estão de acordo sobre a impossibilidade de manutenção desse estado de coisas do ponto de vista urbanístico e social. Uma mudança - pressupõe Lévi-Strauss duas décadas após a chegada ao Brasil - teria sido mais que provável. E todavia não foi, muito pelo contrário...

O entusiasmo inicial de Zweig com o Novo Mundo a sul do Equador, onde não existe pecado (ladainha que também recita no seu livro), é tão grande que o trecho acima insere-se no subtítulo

Algumas coisas
que talvez amanhã tenham desaparecido

A favela romântica da visão de Stefan Zweig é a da imagem que dela se terá por mais duas décadas, passando por Orfeu da Conceição de Tom Jobim e  Vinícius de Moraes  e o filme  Orfeu Novo e pelo samba Barracão, da dupla Luís Antônio-Oldemar Magalhães – um dos pontos altos da histórica gravação ao vivo de Elizeth Cardoso com Jacob do Bandolim e Época de Ouro: barracão de zinco, tradição do meu país... Ainda motivo de orgulho (por quê?).

Virou alvenaria que mal dá para embolsar e caiar.

Visões de longe, como a de Chão de Estrelas de Orestes Barbosa, com a lua a furar o telhado de zinco. Ou até mesmo visões de dentro, como a de Alvorada de Cartola: alvorada lá no morro, que beleza...

Em Sinfonia do Rio de Janeiro, de dois lídimos representantes da fina flor da Zona Sul, Tom Jobim e Billy Blanco, a abordagem da favela já pinta um clima de lamento pela perda de um certo tipo de “tradição” e por no asfalto não se dar o devido valor ao seu melhor produto – O SAMBA, esplendor escondido por trás da pobreza. Em que já se entrevê um não sei quê de acender a vela e o morro não tem vez de Zé Ketti no show Opinião, dez anos depois, tempo em que já se retrata os dramas de  5 X Favela e Sérgio Ricardo canta no fogo de um barracão só se cozinha ilusão, restos que a feira deixou...

Rio, capital federal, apesar de entre as duas maiores guerras da história da humanidade, tempo de muito formalismo mas também de brejeirice e ingenuidade.

O Rio amanheceu cantando
toda cidade amanheceu em flor     
os namorados vão pra rua em bando
porque a primavera é a estação do amor

...

Algumas coisas
que talvez amanhã tenham desaparecido

Não foi nada disso que Zweig pensou.

Abre-se a cortina do passado e o cenário queimou.      
A aquarela é desbotada e coalhada de sangue e a alvorada mal despontou.
Quando Ari Barroso ainda a retocava com berloques & brocados parnasianos o francês já postulava: decaiu antes de se erguer. O mulato inzoneiro esbanguelou-se e  entre os escombros da mata brotou um quase continente favelado.
Que desperdício de mata e de gente.

Que desperdício de canções.

Descerrando a cortina do passado vê-se a pobreza miserável descambar em miséria endêmica e os sonhos de grandeza atolarem no jabaculê do sacolão do faustão. A matéria-prima hoje é funk, é punk, é lixo, é baixaria.
Não se sabe se funk ou rap é tema de música popular ou só caso de polícia.
O sofisticado edifício harmônico erigido no bas-fond da Copacabana  modernista entre Ravel e Thelonious Monk redundou na rude arquitetura de palafita sobre a lama do Miami bass.
O que desapareceu, como diz o título do documentário de Walter Salles Jr. sobre Chico Buarque, foi o Rio da delicadeza. Ou como disse o auto-exilado (por força das circunstâncias do regime do jabá ou jabaculê) Dori Caymmi nos anos 1990 : Fico aqui em Los Angeles sonhando com um Brasil cheiroso que não existe mais.

Do lenço no pescoço 
e a navalha no bolso
ao capuz e fuzil Uzi
da floresta à favelização
da vagabundagem e do jeitinho 
à safadeza
um passo de gigante para 
a barbárie medieval 
que o Brasil não teve. 

Desde a guerra de Canudos, 
quando os suseranos
fizeram terra queimada 
de uma suposta
rebelião de Robin Hoods da fé, 
o Brasil parece regredir 
ao invés de avançar
para a Renascença.


Luiz Claudio Mango - capa de Concerto Carioca, Antonio Callado - Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1ª edição, 1985

O PÃO QUE O RIO DE JANEIRO AMASSOU DO HORTO À GAVEA E AO HUMAITÁ E DE MILLOR A TOM GLAUBER ROCHA E JARDS MACALÉ

Autor de uma das obras mais sofisticadas do século XX, Mr. Bossa Nova Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Tom Jobim no Brasil, em frequentes ocasiões não parecia fazer questão do pão que levava para casa quando descia em seu simplório carro utilitário de muitas temporadas para comprar o de resto alimento dos deuses na padaria Século XX, nas esquina da rua Pacheco Leão em frente da sede da TV Globo, onde uma tarde de uns dez anos antes Glauber Rocha alugou e deleitou Jards Macalé com um de seus translúcidos discursos de riverão sussuarana, entre o jocoso e iracundo sobre o poder da Venus Platinada no Brasil q ainda faz correr tanta tinta. Parece q Glauber já tinha visto tudo, contou Macalé em 1985, ano inaugural da dita Nova República quando Ziraldo Alves Pinto, o Ziraldo do Pasquim e do Saci Pererê, geria a que a Folha de São Paulo chamava cultura de broa de milho como diretor da Funarte.
Nos anos 1990 o pão da Século XX era do nível médio em formato dito francês ou cacete ou cacetinho, tão oco, insosso e farelento como o da maioria das padarias cariocas que levou Millôr Fernandes, também do Pasquim e do Pif-Paf, em seu tijolinho de opiniães na pagina de opinião do Jornal do Brasil nos idos de 1989 a escrever que comemos o pior pão do mundo.
Nesse tempo Tom, para levar para casa um pão minimamente comparável a suas antológicas canções e peças de câmara teria que circundar o Jardim Botânico além do casarão q sedia o seu instituto e ir além, na Gávea, onde a terceira loja do supermercado Zona Sul da história vendia um bastante razoável pão francês, a carcaça ou rosetta brasiliana, ou bisnaguinhas quase à altura das baguettes de Paris, França e Bahia. Tom então já se instalara também em Noviorque com sua música irmã de Gershwin e Cole Porter e ali gravou algumas de suas últimas obras-primas e poderia matar saudades das baguettes de Paris.
E olha que a coisa, com o Zona Sul e só um ou outro exemplo acima da média, como a a padaria da média de leite e do pão com manteiga do café da manhã de Jards Macalé no Humaitá, do outro lado do Jardim Botânico-Parque Laje, além da boca do túnel da Lagoa, já tinha mudado muito. Em matéria de café da manhã Macau dava de uns 2 ou 3 a 0 no de seus mestre em música e muminhas / tramas variadas. Oras, quando Millôr se viu obrigado a escrever que comemos o pior pão do mundo, o Rio de Janeiro da montanha, o sol e o mar já há tempos saíra do Tom, como anotou Macalé em Rio sem Tom que em 1985 não era de todo um fato mas também estava longe de ser apenas uma forte premonição.
Vira e mexe e ao q parece o Rio de Macalé é Humaitá para sempre.
Quando nele quase só se comia o pior pão do mundo, isto é, na alvorada da rdemocratização política e da velozmente execrada Nova República de José Sarney Sir Ney na assertiva de Millôr o Rio de Janeiro começava a tocar o fundo do poço: o prefeito Saturnino Braga declarou a falência da cidade e o ex-exilado da ditadura militar Herbert Betinho de Souza, o irmão do Henfil perpetuado em O bêbado e a equilibrista, a resenha de Bosco e Blanc da ditadura militar, que voltara, liderou um movimento para levantar o moral da massa, Se Liga, Rio, mas a bem da verdade talvez o negócio tenha ficado bem mais preto anos 1990 adentro e afora, com quanta violência, quanta grade sendo erguida em torno de casas e prédios, quanto medo e quanta dor.
Qual era então o Rio de Tom que saiu do cenário lá longe em Nova York away in the distance, foi velado no Jardim Botânico e como quase todos os ícones da cidade enterrado no Cemitério São João Batista, na rua Real Grandeza de Macalé e Waly Sailormoon?
ENTRE A ENCOSTA MERIDIONAL DA FLORESTA DA TIJUCA, OLHANDO O CORCOVADO DE CONTREPLONGÉ e o Triângulo das Bermudas, no fim de linha do Baixo Leblon, depois de uma passada na botica na florista e na banca de jornais e revistas da Farmácia Piauí, panamá às vezes na mão saudando alguém.
No triângulo das Bermudas - Cobal do Leblon - anos 1990
um fim de semana em Copacabana andar pela praia até o Leblon
Rio de Tom / Rio sem Tom
Rio da literatura e das canções e das Notícias do Tiroteio. Até aqui o roteiro: Jardim Botânico, Gávea, Leblon, Humaitá, Botafogo
Até o início dos anos 1970 quando Ana de Laços de Família de Clarice Lispector pega o bonde e ele dá a curva na enseada de Botafogo para entrar na rua São Clemente, bordejando Botafogo de um lado e a montanha do outro sentia-se súbito o frescor da mata ou floresta porque quase não havia prédios no bairro e os aromas selvagens circulavam livremente até a orla. O Samba do Avião do maestro é obra para a eternidade: do alto nada apaga a monumentalidade das montanhas íngremes hoje cercadas de cimento e barracos que as invadiram.Às vezes, quando o rei fez anos, ainda se via Tom debicando um chope no Bar Montenegro, na Rua Montenegro, bar e rua rebatizados Garota de Ipanema e Vinícius de Moraes.
um fim de semana andar pela praia de Copacabana até o Leblon e para programa ser completo dar uma esticada (do Leme) ao Pontal com Tim Maia até a restinga. Da Marambaia.
Qual é o Rio de Tom? É o dos jacarés do Arpoador e em esplendor da Teresa da Praia, seu sucesso seminal pré-bossanovista, como o steak de chorizo na Churrascaria Plataforma ou os barezinhos do Cobal do Leblon, do outro lado da rua, onde nos últimos anos de andanças costumava fazer biquinho num copo de vinho sábado pela manhã tardeira. O Triângulo das Bermudas de que desapareceu para perecer em Nova York, o cenário de Chansong, by all means, by all bins, by all gins, nos contrafortes dos cenários naturais do balneário que decantou como ninguém, patrimonio paisagístico da cidade: Wave, Corcovado, Sinfonia do Rio de Janeiro que a valsa de uma cidade de Ismael Neto não deixa esquecer, sim
Rua Nascimento Silva, 107, Ipanema em que o tijucano de nascença, nascente do lado de lá da floresta, namorava as gatas, as Graças, as garças, e aqui se enuncia a Carta ao Tom 74, que assume relevo central. Pois q se não veja-se: relevo. Que relevo se via e que relevo se vê entre a vista da sacada do apê de Tom onde oram compostas as obras-primas com Vinícius de Moraes e Newton Mendonça, abarcava toda a Lagoa e o Corcovado o Redentor que lindo e no fundo, para poente, o morro Dois Irmãos.


você ensinando pra Elizete as canções de Canção do amor demais
hoje
eu entro fugindo do pivete tentando alcançar o elevador

E hoje do sobrado da casa da rua Nascimento Silva 107 ve-se um imenso bloco de mármore preto.

Relevo e violência, não releve revele. Não: revele. Fotografei você na minha Rollei-Flex Revelou-se sua enorme ingratidão - and all I developed is a complex.
O Rio saiu do Tom e o primeiro a reclamar disso foi o próprio quando no Jardim Botânico lançou esse outro antológico Urubu, nosso abutre avvoltoio vulture achando um contrassenso brasileiro estar em risco de extinção seja o Brasil mais 25 anos depois o melhor pasto dele, de detritos da opulência e da miséria e lixões. E ser o Jardim Botânico dá pano para outras mangas. E pupunhas.
Ipanema era só feli...
Lembra que tempo feliz ai que saudade Ipanema era só felicidade era como se o amor doesse em paz
Era mesmo? Há tempo(s) na vida em que é assim mesmo e Vinícius sempre foi um lírico sofredor.
nossa famosa garota nem sabia a que ponto a cidade turvaria esse Rio de amor que se perdeu
E veja quanta dierença quando nas páginas do Pasquim o meierense ipanemense adotivo Millôr Fernandes desata a denunciar a especulação edilícia que em plena ditadura fez da felicidade de chalés, sobrados, casas assim, no areal em que as quatro artérias longitudinais do bairro se transformam numa cordilheira de concreto arrodeado de grades graças a Gomes Almeida e Fernandes que pois Gafisa e quejandos avançaram sobre a Barra. Da Tijuca. A barra da floresta da Tijuca.
Tom se picou do mar para a montanha, i.e., encosta da floresta, para sua casa própria autoconstruída com uma mão de Paulo Jobim, filho músico arquiteto que se formou na arte paterna de construir Arquiteturas de Morar em um Rancho das Nuvens de notas musicais. E eis que certa vez, mais embaixo no bar da Regina, entre várias brahmas da Antártica dá-se de falar nele e em seu amor pela natureza das palavras, dos seres e das coisas e um diz: e vai dizer que pra construir aquela casa ele não desmatou nada também não. Pode-se também dizer que construiu um posto de vigia e proteção da mata. Contradições às pencas e paga-se mico. Por isso.
A especulação edilícia chegou ao requinte de antecipar o por do sol na praia do Leblon para meio-dia, uma da tarde.
A sistemática denúncia por uns vinte anos da especulação imobiliária que escondeu o Corcovado e o céu do Arpoador por Millôr era existencial e política e coincidiu com a construção do metrô que desfigurou o centro da cidade do largo da Carioca e caiu seu Tabuleiro da Baiana enquanto do outro lado desaparecia a Galeria Cruzeiro ao Flamengo, e a Lapa no meio disso, era uma vez a velha Lapa antes de Ari Kaurismaki e o nascimento e propagação pelos morros da Zona Sul onde se instalaram os serviçais da turma de baixo de cima na bananeira sócioeconômica brasileira do poder do Comando Vermelho e depois Falange Vermelha e Terceiro Comando e Amigo dos Amigos e foi o que se viu: o morro invadiu a cidade não com o samba da Sinfonia de Jobim e Billy Blanco mas de AR-15 e Uzi e gorro enfiado na cara para mascarar sua face negra, parda, quase branca, quase preta e que era do asfalto teve de se entrincheirar atrás das grades em galeras de bacanas, quase todos brancos e o Havaí foi-é-aqui-país-continente clandestino favelado, pois que agora já não é normal o que dá de malandro regular profissional. Haiti, não: Havaí.
Estamos no início da história, que assim contada cantada vivida de Lima Barreto a Machado de Assis e Callado, de André Filho e Noel Rosa a Tom e até baianos como Waly Sailormoon e Caetano Veloso com primores de clarividência parece sem fim, pois a estória é a da inguinorãça da mão branca pentassecular escravocrata que disseminou e encastelou-se na desigualdade que produziu a indigência geradora de quase todos os males, que na base deles está outrossim a natureza humana e uma dita indig-nação, onde o Rio é = Brasil.
Primavera no Rio Cidade Maravilhosa André Filho

Amor à Natureza
Paulinho da Viola

Relíquia do folclore nacional
Joia rara que apresento
Nesta paisagem em que me vejo
No centro da paixão e do tormento
Sem nenhuma ilusão
Neste cenário de tristeza
Relembro momentos de real bravura
Dos que lutaram com ardor
Em nome do amor à natureza

Cinzentas nuvens de fumaça
Umedecendo meus olhos
De aflição e de cansaço
Imensos blocos de concreto
Ocupando todos os espaços
Daquela que já foi a mais bela cidade
Que o mundo inteiro consagrou
Com suas praias tão lindas
Tão cheias de graça, de sonho e de amor

Flutua no ar o desprezo
Desconsiderando a razão
Que o homem não sabe se vai encontrar
Um jeito de dar um jeito na situação
Uma semente atirada
Num solo tão fértil não deve morrer
É sempre uma nova esperança
Que a gente alimenta de sobreviver


Samambaias verdes, de todos os matizes dos verdes... Samambaias azuis, de todos os matisses dos blues...
uma cidade dramaticamente implantada no meio de uma floresta tropical que a cada dia lhe tira mais uma, dezenas de árvores e deixa-se de ter mais uma panorâmica da sua natureza exuberante, tapada por um novo prédio de dimensões absurdas e, pior, formas horrendas, porque além do mais os empreiteiros parecem determinados a não fazer nada que preste, em termos arquitetônicos, para já nem falar em paisagismo. Mas em que, por muito que a tenham destruído e a destruam ainda, e tenham acabado com o proverbial bom humor do carioca, de que ele, Tom, era um dos melhores exemplos, a natureza é tão forte que muita coisa permanece igual. Pode-se ainda sentir uma réstia do habitat da primeira manhã do mundo naquele cenário único, muito embora suas praias e florestas estejam de tal modo sujas que é até perigoso tomar banho nelas...

CARNE VIVA - Paulo Francis SP 2007
11- Guerra chorava o fim do Rio num país escuro, imenso, jeca, alheado a tudo, e que tropeçava em seu destino.
Quem dera que a vida pessoal de Guerra fosse tão simples de entender como a agonia da sociedade brasileira.
40 - Guerra achava até certa graça na farsa populista brasileira, aquela gente toda esquisita, de bigodes, barriguinha, meia soquete, pelos da perna à mostra, que falava em dividir o bolo dos ricos. Uma fantasia (...) Esse populismo generoso, de boca, quando chegava ao poder virava caudilhismo, peronismo, getulismo, esses troços retrógrados. [getulismo, lulismo, esses troços retrógrados]
83 - Este país acabou, todo mundo sabe disso.
76 - Mas a crise humana, do humanismo neste fim de século, não tem precedentes no meu tempo de vida.
95 - antes que esses moleques do governo reduzissem o ensino secundário ao tatibitati de semi-analfabetos.
98 - franceses, de um moo geral, eram racistas e não queriam muita conversa com sul-americanos, ainda que se babassem por filmes sobre a miséria do Tiers Monde. Como as pessoas eram hipócritas.
192 - um Rio gostoso, de nossos tempos, que está sendo tragado pelo miserê.
194 - E continuava naquela boêmia dispersiva, sonhando com a redenção do ser humano, que só aspirava, em geral, a um canto onde dormir, um pouco de sexo, mesmo que de fantasia, um hamburguer, sombra e água fresca. O ser humano não queria ser igual. Queria ser confortável.

baixou o nível da comida (pão e urubu) arquitetura e paisagismo e cultura, baixou o nível do alimento (fertilizante, agrotóxico, linguiça e fritura) regime de penúria em miséria extrema e média multiplicada por 4 no meio século de Tom e urubu sempre em penca por conta dos detritos dos lixões do subdesenvolvimento, que criou mais uma originalidade, a .N E O M E D I E V A L I Z A Ç A O .U R B A N I S T I C A
Rio: amplidão de espaço em muitos trechos abolida pelos prédios de todos os tamanhos e graus de feiúra. Na estreitíssima faixa de areia que a estrada litorânea deixou no Leblom o sol desaparece ao raiar da tarde, oculado pelos prédios de onde o privilégio dos figurões instalados nas coberturas é mais uma das panorâmicas de mar descomunais que o Brasil oferece. Em muitos trechos vê-se, quando se vê, estreitas faixas dos patrimônios naturais, as montanhas com suas formas sugestivas de lombos de gatas e corcovas, gáveas, o que nos pareça, ou de céu.
Imensos blocos de concreto
Ocupando todos os espaços

Cidade-luz, ville-lumière, sim: era uma vez. Algo assim como o sentimento exposto por Tom Jobim em Inútil Paisagem., e já não é de hoje. Crescimento desordenado a toda largura e altura e morros acima e além. E aquém, pois nunca se sabe, nunca se sobe. Claude Lévi-Strauss dando voltas e revoltas no túmulo de muito maior desgosto.

N E O M E D I E V A L I Z A Ç A O .U R B A N I S T I C A

Rio de Janeiro causa engulhos a Claude Lévi-Strauss no final dos anos 1930, quando ele descreve cenários sombrios do Brasil um país em que a civilização decai antes de atingir o apogeu


 

revoluciomnibus.com
ERA UMA VEZ UMA CIDADE - DESCONC/SERTO CARIOCA - JOBINIANA


BRAZILIAN BEAT 2020,,,,,,, Rio de Janeiro Notorious

 

o Rio de Janeiro se despede dos anos dourados e passa a ser Notorious por muita violência

 

BREVE em.. revoluciomnibus.com

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...Eu vivo dentro da floresta da Tijuca .......................Toda minha obra é inspirada na Mata Atlântica



De frente para o colo da encosta de Sacopã na Lagoa





 

     
 
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Algo assim como o sentimento exposto por Tom Jobim em Inútil Paisagem.




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Amor À Naturez


Da janela sempre se vê o Corcovado, o Redentor, que lindo

 

Inutil Paisagem

 

 

Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que
De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem
Pode ser
Que não venhas mais
Que não voltes nunca mais
De que servem as flores que nascem
Pelo caminho
Se o meu caminho
Sozinho é nada
É nada
É nada

 

 

Aloysio de Oliveira / Antonio Carlos Jobim

Paisagem Útil

Olhos abertos em vento
Sobre o espaço do Aterro
Sobre o espaço sobre o mar
O mar vai longe do Flamengo
O céu vai longe e suspenso
Em mastros firmes e lentos
Frio palmeiral de cimento


O céu vai longe do Outeiro
O céu vai longe da Glória
O céu vai longe suspenso
Em luzes de luas mortas
Luzes de uma nova aurora
Que mantém a grama nova
E o dia sempre nascendo


Quem vai ao cinema
Quem vai ao teatro
Quem vai ao trabalho
Quem vai descansar
Quem canta, quem canta
Quem pensa na vida
Quem olha a avenida
Quem espera voltar


Os automóveis parecem voar
Mas já se acende e flutua
No alto do céu uma lua
Oval, vermelha e azul
No alto do céu do Rio
Uma lua oval da Esso
Comove e ilumina o beijo
Dos pobres tristes felizes
Corações amantes do nosso Brasil

Caetano Veloso

Da  Inútil Paisagem  do moderno Tom Jobim à  Paisagem Útil  do “pós-moderno” Caetano Veloso  

Ford . GM . Chrysler – Que Hollywood seja made in Japan e Rover e Rolls Royce ou Kenwood made aqui e acolá, sem saber onde, com a globalização não existe mais pertencimento nacional ou transnacional de parte. O Japão era suposto ser e como se viu não era o próximo Império. O Oriente irá alguma vez dominar o Ocidente – tudo de olho rasgado (metaforicamente falando)? Lá para o Ano 2525, quando já não existirá há muito no mundo nem uma coisa nem outra. Crise de mercado e de afeto: desaparecem com as marcas vestígios da “nossa” era. A primeira BOAC, depois BEA. TWA. O desaparecimento da Panair do Brasil deu até música: Saudade dos Aviões (Milton Nascimento-Fernando Brant). Depois a Varig – que foi um dos primeiros (e melhores) simbolos de Brasil no mundo. E Que Queria Dizer O Quê Mesmo antes do desaparecimento da Panair e de a substituir nas rotas internacionais? Viação Aérea Rio-Grandense. Do regional ao universal e fim.

 

Mais que símbolos são imagens – layouts do capitalismo da segunda revolução industrial da segunda metade do século  XX – e tempo um pouco atrás e adiante  Ah sim, “a lua oval da Esso” da Paisagem Útil também se esfoi. Não são as marcas, são os modelos-padrões de épocas de aviões e carrões em que, meninos, se enfiava a fuça nos assentos e se inalava o intenso cheiro (perfume) de couro de boi do Iowa e das tintas que os coloriam com as cores mais imprevistas.
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revoluciomnibus.com/AFomeNoMundo.htm

INÚTIL PAISAGEM

drum’n’bossa

avant l’être   

      2021


Z%20Psicodelia%20e%20Bossa%20Nova.htm


http://revoluciomnibus.com/bossa%20nova.htm



Bossa%20Nova%20do%20Brasil%20ao%20Mundo.htm

 

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Bossa nova não é modismo. Escrevi para o futuro. A verdadeira elegância despreza a moda... ou será que exagero?

- Há muito tempo que eu disse sim ao eterno - diz, quando se insiste para que fale da bossa nova.

julio medaglia .sentido de musica de câmara depurada

con sequences coin cidences burt bacharach tom jobim em Los Angeles, onde estavam a Verve/Reprise, permanece, vivenciando mesmo, na convivênca com outros maestros (Claus Oggerman, Nelson Riddle, Don Costa, Quincy Jones), a linguagem da música popular moderna, a paritr das mesmas fontes, os impressionistas que os jazzmen em geral (West Coast ou não West Coast) cultivam e desenvolvem em variações. Antonio Carlos Jobim está no páreo com Bacharach e Jim Webb nas paradas e ele vai além, como orquestrador.

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MÚSICA DO BRASIL DE CABO A RABO...revoluciomnibus.com

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  MÚSICA DO BRASIL DE CABO A RABO

                  veja e leia também em revoluciomnibus.com

 

 Música  do Brasil de Cabo a Rabo é um livro com a súmula de 40 anos de estudos de James Anhanguera no Brasil e na América do Sul, Europa e África. Mas é também um projeto multimídia baseado na montagem de um banco de dados com links para múltiplos domínios com o melhor conteúdo sobre o tema e bossas mais novas e afins. Aguarde. E de quebra informe-se sobre o conteúdo e leia trechos do livro Música do Brasil de Cabo a Rabo, compilado a partir do banco de dados de James Anhanguera.

         

          CORAÇÕES FUTURISTAS nunc et semper  AQUI  

 

   Você já deve ter visto, lido ou ouvido falar de muita história da música brasileira da capo  a coda, mas nunca viu, leu ou ouviu falar de uma como esta

  Música  do Brasil de Cabo a Rabo

   Todas as histórias limitam-se à matéria e ao universo musical estrito em que se originam, quando se sabe que música se origina e fala de tudo.

   Por que não falar de tudo o que a influencia e de que ela fala sobretudo quando a música popular brasileira tem sido quase sempre um dos melhores veículos de informação no Brasil? Sem se limitar a dicas sobre formas musicais, biografia dos criadores  e títulos de maior destaque. Revolvendo todo o terreno em que germinou, o seu mundo e o mundo do seu tempo, a cada tempo, como fenômeno que ultrapassa - e como - o fato musical em si. 

   Destacando sua moldura
    
   dessa janela sozinho olhar a cidade me acalma
        dando-lhe um enquadramento
       estrela vulgar a vagar, rio e também posso chorar...
        histórico, social, cultural e pessoal. 

Esta é também a história de um aprendizado e vivência pessoal.

    De um trabalho que começou há quatro décadas por mera  paixão infanto-juvenil, tornou-se matéria de estudo e reflexão quando no exterior, qual Gonçalves Dias, o assunto era um meio de estar perto e conhecer melhor a própria terra distante e por isso até mais atraente. E que como começou continuou focado em cada detalhe por paixão.                    

Música do Brasil de Cabo a Rabo

NARRATIVA DE APRESENTAÇÃO CO N TINUA  AQUI

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ÍNDICE DOS CAPÍTULOS

          em destaque capítulos ou seções de capítulos com trechos acessíveis a partir de seus títulos

  O LIVRO DA SELVA 

 Productos Tropicaes   e   Abertura em Tom Menor

        1.    O BRASIL COLONIZADO

                raízes & influências Colônia e Império   

               1. A  Um Índio    1. B  Pai Grande   1. C   Um Fado  

        2.     TUPY E NOT TUPY 

formação de ritmos e estilos urbanos suburbanos e rurais    

    Rio sec. 19-sec. 20 - Das senzalas às escolas de samba

        3.     Os Cantores Do Rádio    

                     a  ESTreLa SoBE

              CARMEN MIRANDA DE CABO A RABO

                                                   fenômeno da cultura de massa do século XX     

        4.     BOSSA NOVA do Brasil ao mundo      

                Tom Jobim   INÚTIL PAISAGEM

                    5.  BOSSA MAIS NOVA o Brasil no mundo

 

O LIVRO DE PEDRA

        PARA LENNON & McCARTNEY           

        VIDA DE ARTISTA crise e preconceito = inguinorãça

        CENSURA: não tem discussão. Não       
     

        POE SIA E MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

        O SOM É MINAS: OS MIL TONS DO PLANETA        

        MARIA TRÊS FILHOS

        (SEMPRE) NOVOS BAIANOS         

        NORDESTONTEM NORDESTHOJE

       RIO &TAMBÉM POSSO CHORAR....... Gal Costa Maria Bethânia Macalé Waly Lanny Gordin       

       FILHOS DE HEITOR VILLA-LOBOS

INSTRUMENTISTAS & INSTRUMENTAL

              Sax Terror      

       SAMBA(S)

       BLEQUE RIO UM OUTRO SAMBA DE BREQUE        

       FEMININA

       MULHERES & HOMENS NO EXÍLIO

             o bêbado exilado & a liberdade equilibrista

       ANGOLA          

       ROCK MADE IN BRAZIL

             ou Quando a rapeize solta a franga

       LIRA PAULISTANA            

       CULTURA DA BROA DE MILHO

       LAMBADA  BREGANEJO AXÉ  E  SAMBAGODE

       RIO FUNK HIP SAMPA HOP

             E DÁ-LE MANGUE BITE RAPEMBOLADA

       DRUM’N’BOWSSA            

       CHORO SEMPRE CHORO     

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